Cuidado inteligente – Em que fase estamos e quais os próximos passos

Sexto encontro do #DiálogosDigitais Abramed abordou inteligência artificial, LGPD, inovações em saúde e acesso único do paciente

21 de outubro de 2020

O advento da tecnologia vem transformando continuamente a saúde no mundo, tornando o cuidado muito mais inteligente, integrado e acessível a todos os pacientes. Para entender em que fase estamos, quais os empecilhos para o avanço mais rápido e como será a nossa realidade daqui a 30 anos, o sexto encontro da série #DiálogosDigitais Abramed, realizado na noite de 20 de outubro, recebeu especialistas do setor para um bate-papo moderado por Gustavo Meirelles, membro do comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Gestor Médico no Grupo Fleury.

No debate sobre quais as tecnologias que estão revolucionando o mercado, estiveram presentes Armando C. Lopes Jr, diretor geral da Siemens Healthineers Brasil; João Fábio Silva, co-fundador e COO da Stark-4pl; Leonardo Vedolin, vice-presidente da área médica da Dasa; e Luis Gustavo Gasparini Kiatake, presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).

Muito foi tratado sobre procura inteligente de sintomas e o futuro da saúde diante de uma revolução tecnológica exponencial. E, na visão de Lopes Jr, tudo isso só traz benefícios. “A inteligência artificial nos beneficia em três grandes vertentes: aumentar e melhorar a produtividade para que possamos ampliar o acesso; auxiliar a medicina personalizada; e contribuir com a gestão de saúde populacional”, comentou.

Sabendo que a tecnologia tem muitas possibilidades de contribuição à população, Silva aproveitou a oportunidade para fazer uma crítica a alguns conflitos que atravancam o desenvolvimento desse setor. “A dificuldade em colocar toda essa inovação em prática está em gerir interesses que fogem a fazer o bem ao paciente. É preciso quebrar barreiras políticas”, pontuou.

Para o executivo, a pandemia nos mostrou que temos a tecnologia em mãos, mas precisávamos de uma emergência para que o investimento fosse feito. “A telemedicina, por exemplo, tão óbvia e necessária, por qual motivo não foi aplicada antes do novo coronavírus?”, questionou. Assumindo-se otimista, complementou dizendo que sempre será defensor da tecnologia: “vejo muitas soluções que só precisam ser usadas, aceitas e implementadas rapidamente”.

Esse ciclo de oferta e demanda é, para Vedolin, natural. “O que a história tem nos mostrado é que quando a tecnologia se desenvolve em uma área, a demanda por aquela área também aumenta na mesma proporção”, declarou. Enfatizando que o homem acaba falhando ao prever o futuro e que, por esse motivo, ele não cogita fazer previsões, o vice-presidente da Dasa fez um retrospecto sobre a inteligência artificial na medicina diagnóstica. “Vejo que as modelagens de IA começaram muito ligadas à detecção de padrões, segmentação de lesões básicas e caracterização de lesões. Tudo isso auxilia o médico ao melhorar a qualidade do diagnóstico, levando-o a errar menos por estar baseado em critérios morfológicos. É a fase que vivemos agora. Creio que em cinco anos haverá uma evolução para um outro patamar com mais acurácia preditiva”, disse.

Promovendo uma análise sobre o posicionamento do Brasil diante de um mundo tecnológico, Meirelles questionou Kiatake sobre o papel da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nesse contexto de tecnologia. “O que muda para melhor e o que muda para pior?”, perguntou.

Ao responder, o presidente da SBIS declarou que muitas vezes os dados ficam ilhados dentro das empresas e que a LGPD pode contribuir em dois aspectos: forçar as companhias a olharem para seus compilados de dados e abrir os olhos da população para seus direitos como detentora dessas informações.

“A lei nos força a olha para dentro, a fazer um inventário de dados e isso é excelente. Além disso, traz um novo conceito onde a população começará a compreender que tem direito àquele dado e que essa informação pode gerar benefícios para sua saúde”, verbalizou.

Esse tema serviu de gancho para que o time de especialistas participantes do encontro virtual passasse a tratar da interoperabilidade, tão apontada como entrave no atual cenário de inovação tecnológica. Para Vedolin, é interesse comum que haja interoperabilidade entre todos os elos da cadeia de saúde. “Não tenho dúvida de que todos os protagonistas querem seguir esse caminho”, disse ao afirmar que, na sua visão, interoperabilidade é interesse da indústria, dos prestadores de serviços, das operadoras de saúde, das associações e, sobretudo, do próprio paciente.

Se todos querem trabalhar nisso, quais os entraves? Para Vedolin falta confiança. “É um problema sistêmico e os interesses devem estar alinhados. Em algum momento vai ocorrer, porém temos que evitar que ocorra pelo motivo errado, ou seja, que se desenvolva como forma de redução de custos quando, na verdade, deve acontecer para melhorar a experiência do paciente e a qualidade da assistência”, completou.

Depois de ouvir a experiência da Dasa nas palavras de Vedolin, quem assistiu ao debate pode conhecer a visão do Grupo Fleury na fala de Meirelles. “Para a interoperabilidade, ainda temos alguns entraves internos como, por exemplo, o identificador único do paciente, que é o que mais nos preocupa para garantir a segurança. Não sei pontuar quando, mas acredito que isso acontecerá nos próximos anos”, declarou.

Os dois executivos aproveitaram a oportunidade para relembrar que Dasa e Fleury, junto com outros grandes players da medicina diagnóstica do país, já se reuniram dentro da Abramed para conversar sobre interoperabilidade.

Visão de futuro

Após tantas abordagens distintas sobre a tecnologia em saúde, o questionamento final de Meirelles foi: o que terá mudado em 2050?

Lopes Jr. aposta em uma maior percepção do paciente sobre o uso de seus dados pelo setor; Silva enfatizou que a tecnologia estará avançada permitindo maior acesso remoto dos pacientes e oferecendo muitos equipamentos portáteis; Vedolin mencionou uma maior produção interna para suprir as carências do mercado nacional, a utilização de drones dentro da cadeia de supply chain e a genômica mais desenvolvida; e Kiatake trouxe maior conhecimento em células tronco e discussão ética mais fortalecida.

Para encerrar o bate-papo, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, trouxe a pergunta do presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik: “o que está sendo feito na sua área para preparar as pessoas para a saúde digital?”.

Kiatake e a SBIS apostam na inclusão do tema no currículo das universidades. “Temos que colocar essa consciência na garotada”. Já Lopes Jr. acredita ser possível extrapolar os muros da escola, já que “inovação nasce em qualquer lugar”. Para o executivo, criar é um processo que vem do conhecimento sobre a experiência de outros segmentos de negócios. Indo nesse mesmo caminho, Silva crê que além de expandir seus horizontes, é preciso se adaptar. “Para liderar e dar o exemplo à minha equipe, primeiro preciso aprender”.

Cientes de que o foco está nas pessoas, Meirelles e Vedolin apostam na educação. Para Meirelles, os principais pontos dessa formação profissional são educação em saúde, conscientização, desmistificação de novas tecnologias, e mentorias que deixam o caminho aberto para todos. Já Vedolin reforçou que educação é uma disciplina que se aprende. “É importante ter a experimentação como forma de aprendizado. Testar e errar leva ao conhecimento. Importante ter o erro como ferramenta de aprendizado. “É o que nos faz sobreviver em um mundo instável”, finalizou. O bate-papo completo deste episódio está disponível no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para assistir) e a próxima edição está marcada para 10 de novembro e trará, como tema principal, “Lei Geral de Proteção de Dados”.

Abramed apresenta desafios da medicina diagnóstica em ciclo de palestras do A.C. Camargo

Encontro virtual expôs panorama do mercado, identificou tendências e compartilhou dados relevantes do setor

20 de outubro de 2020

Com participação de Wilson Shcolnik e Priscilla Franklim Martins, respectivamente presidente do Conselho de Administração e diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), episódio do Ciclo de Palestras promovido pelo A.C. Camargo Cancer Center, em 16 de outubro, traçou um panorama do mercado de diagnóstico na saúde suplementar brasileira, elencando os principais desafios e tendências do setor.

O encontro foi moderado por dois executivos do A.C. Camargo: Marcos Cunha, diretor de negócios, e Edson Costa, supervisor de estratégia e inteligência. Quem participou teve acesso a um compilado de dados relevantes que traduzem o atual cenário do país.

“Vivemos um momento de incerteza devido à instabilidade econômica visto que a maior parte dos beneficiários dependem de seus empregos para terem acesso a convênios e à rede da saúde suplementar”, comentou Shcolnik ao dizer que a perspectiva dos economistas, hoje, é positiva e indica crescimento de muitos setores.

O executivo mencionou quais tem sido os principais pleitos do setor, enfatizando o impacto da Reforma Tributária. “Apoiamos a reforma que é muito importante para o país, mas temos preocupações com relação ao aumento da carga de impostos em toda a cadeia de saúde. Por isso nossa luta é pela neutralidade e, via Abramed, estamos em contato direto com o Governo para expor quais serão esses impactos”, declarou.

Shcolnik também mencionou o ambiente regulatório. Citou questões relativas às consultas públicas 911 e 912 que estão em andamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e preocupam os especialistas por permitir que exames sejam realizados fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios, expondo os pacientes à riscos de segurança; a revisão da RDC 50, que trata da infraestrutura e de projetos para serviços em saúde; e sobre a RDC 330 que, publicada em 2019 e com vigência prevista para início em dezembro, trata da infraestrutura e do funcionamento de clínicas de diagnóstico por imagem. “Quanto à RDC 330 solicitamos adiamento à Anvisa pois muitas clínicas e hospitais precisam de mais tempo para se adequar”, explicou.

Outro ponto que foi amplamente debatido durante a palestra diz respeito à incorporação de novos exames no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que, inclusive, está com consulta pública aberta. “Precisamos sempre continuar estudando esses impactos para que novos recursos sejam trazidos para o sistema de saúde nacional. Esse é um desafio permanente, pois as inovações não param, são incessantes, e temos de colocá-las à disposição do público”, esclareceu.

União e compartilhamento

O A.C. Camargo Cancer Center detém muito conhecimento em oncologia e entende que é possível compartilhar esse conhecimento a fim de tornar tanto o acesso ao diagnóstico quanto aos tratamentos mais fáceis pelo país. Para Cunha, as oportunidades são inúmeras. “Temos um serviço B2B para prover exames específicos e, como fazemos muita pesquisa, às vezes temos alguns painéis que ainda não estão no mercado”, disse sobre dividir essa expertise com outros hospitais e laboratórios.

Para Priscilla, o caminho é benéfico: “Existem enormes oportunidades tanto assistenciais quanto de geração de negócios para o hospital. No Brasil, que tem dimensões continentais, há muitos vazios assistenciais que precisam ser encarados de forma mais pragmática. Pensar em parcerias como forma de suprir essas carências é trazer um olhar interessante ao cenário”.

Painel Abramed

Shcolnik também aproveitou a oportunidade para falar sobre a terceira edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. O relatório, que está em fase final de consolidação e deve ser lançado no próximo mês, traz este ano um capítulo inteiro dedicado ao tema COVID-19, e informações detalhadas sobre o mercado de medicina diagnóstica, abordando desde o número de exames complementares realizados no país; distribuição de profissionais do setor no território nacional; detalhes sobre o mercado de trabalho; número de resultados de exames acessados pela Internet; e mais detalhes sobre o comportamento do paciente no ramo da medicina diagnóstica.

Prevenção e boas práticas minimizam riscos na gestão de terceiros

Políticas de compliance, due diligence e monitoramento constante auxiliam na gestão de parceiros de negócios

14 de outubro de 2020

As constantes mudanças no cenário econômico brasileiro se refletem na necessidade de uma gestão dos parceiros de negócio de forma cada vez mais proativa e efetiva nas organizações, para melhoria contínua da gestão, da conformidade contratual e regulamentar e da mitigação dos riscos envolvendo terceiros.

Entre os principais fatores que impulsionam a necessidade de uma governança e monitoramento de terceiros, inclusive na área da saúde, estão a expectativa de crescimento de serviços terceirizados nas organizações, as novas regulamentações em âmbito nacional e internacional e a alta velocidade de divulgação das informações na era digital.

Para permanecerem competitivas e alinhadas às tendências do mercado, as empresas estão buscando cada vez mais tratar as vulnerabilidades existentes em diversas dimensões do negócio, inclusive no que diz respeito aos riscos que podem comprometer sua imagem e reputação.

Nesse contexto, Vanessa Torres, gerente de Compliance e coordenadora do curso de pós-graduação em ética e compliance na saúde do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), diz ser importante a integridade da cadeia de suprimentos, visando garantir que os relacionamentos comerciais das empresas ocorram dentro de padrões legais e morais vigentes, prevenindo irregularidades e distorções em decisões de aquisição, que possam corromper a cadeia de fornecimento, permitindo a construção de práticas de mercado justas, com livre concorrência, contribuindo para uma dinâmica econômica mais transparente e uma sociedade mais ética. “Para tanto, o princípio norteador deve ser a transparência nas transações, fazendo com que a decisão sobre o negócio seja pautada na mensuração dos riscos identificados”, afirma.

Ela explica que os benefícios com esta postura ativa das organizações são prezar e promover o engajamento da cadeia produtiva para que o mercado seja formado de companhias éticas; aumentar a segurança das relações comerciais e mitigar eventuais riscos de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro no relacionamento com os terceiros; e minimizar riscos de penalização por qualquer ação irregular de funcionários e terceiros (mesmo sem o conhecimento ou aprovação da instituição, a chamada “responsabilidade solidária”, prevista na Lei Anticorrupção – nº 12.846/2013).

Na visão de Vanessa, no processo de compra de materiais e insumos, as boas práticas de governança, ética e compliance devem ser aplicadas. “A preocupação de quem está comprando deve ir além do preço. É preciso observar se o fornecedor está alinhado com os princípios éticos da organização, como esse profissional ou a empresa fornecedora de bens e serviços atua, sua capacidade de produção e entrega, se há riscos de corrupção e práticas ilegais, qual a parte responsabilizada frente às sanções e até mesmo qual o impacto do cancelamento de um pedido feito junto a um fornecedor que pode ter algum grau de dependência econômica com a sua organização”, orienta.

A pandemia do novo coronavírus, segundo a gerente de Compliance, fez multiplicar a necessidade do consumo de produtos e serviços no setor de saúde, havendo significativo redimensionamento das demandas. Por tudo isso, faz-se necessária a responsabilidade compartilhada entre as partes.

Seguir os aspectos legais, por meio das normas para licitação e contratos da administração pública para a garantia da isonomia e um desenvolvimento nacional sustentável, também é fundamental.

Devido à pandemia, como houve a dispensa de licitação para aquisição e contratação de bens, serviços e insumos destinados ao enfrentamento da Covid-19, Vanessa explica que há a necessidade do gerenciamento de riscos rigoroso durante a execução desses contratos, avaliação cuidadosa dos controles que podem ou não ser flexibilizados e  das fragilidades e limitações do processo e a realização de diligências, com avaliação de impacto jurídico, financeiro e reputacional, além de manter os registros que comprovem que, apesar do momento de incertezas e dificuldades, a instituição atuou com princípios éticos, diligência e transparência.

Outro ponto importante a ser observado é o conflito de interesses, que na rede de interações entre profissionais e organizações no setor da saúde pode acontecer.

O risco surge quando se estabelecem modelos de incentivo e financiamentos que podem distorcer o propósito real e justo de se oferecer a melhor resolutividade e experiência ao paciente. “O Conselho de Administração deve zelar para que as transações entre partes envolvidas nas relações comerciais e de trabalho sejam conduzidas dentro de padrões de mercado em todos os aspectos”, orienta Vanessa, que ainda lembra que se  deve garantir que as transações sejam reportadas adequadamente nos relatórios da organização e que o estatuto ou contrato social exija que as negociações sejam aprovadas pela alta administração, permitindo decisões institucionais diante de riscos de conflitos de interesses.

Estratégia de negócio

Monitorar a atuação dos fornecedores cada vez mais revela-se como uma ação estratégica para o negócio. Não é rara a divulgação de notícias que relatam prejuízos para a empresa contratante decorrente de situações envolvendo terceirizadas e por isso a palavra de ordem para as corporações é: prevenção.

A gerente de Compliance do Hospital Albert Einstein diz ser fundamental avaliar se há histórico de corrupção e improbidade, de má gestão ou desvio de recursos, pois um processo mal conduzido pode trazer consequências para a empresa e seus executivos. “A corrupção continua sendo crime e a boa intenção não é suficiente para justificar a falta dos devidos controles necessários para um processo de aquisição seguro”, garante.

Por esse motivo, muitos estabelecimentos de saúde estão adotando políticas de compliance, com regras, regulamentos e diretrizes internas. É uma área emergente e importante para o mercado nacional e mundial, pois visa buscar ética, transparência e integridade na condução dos negócios, protegendo o patrimônio e reduzindo a possibilidade de fraudes.

Dentre os elementos fundamentais de um programa de compliance estão o comprometimento da alta administração, elaboração de políticas, treinamento de colaboradores e a gestão de terceiros. “Essa transparência – que deve ser mantida em todas as relações no setor, sejam elas entre clientes, fornecedores, acionistas, sociedade e órgãos reguladores – impulsiona um movimento empresarial para implementação e fortalecimento de programas de governança e compliance, bem como visa influenciar o setor de medicina diagnóstica a assumir compromissos com práticas transparentes e de equidade”, destaca Vanessa Torres.

A responsabilidade institucional de fazer negócios com uma instituição que não está em compliance com as diretrizes normativas do setor é algo indiscutível. Daí a importância de se realizar uma due diligence para prestar um serviço de excelência na saúde e garantir a sustentabilidade do setor.

A due diligence de terceiros é uma pesquisa de antecedentes em relação a uma pessoa física ou jurídica para que a organização saiba com quem está se relacionando ou pretende se relacionar.

É importante observar que, por exemplo, a busca por conhecimento pela instituição de saúde em relação aos antecedentes éticos de empresas e profissionais está plenamente embasada pelo Princípio da Transparência. Vanessa finaliza dizendo que é necessário reforçar o processo de gestão de riscos de terceiros, pois “é importante ser vigilante para corrigir e tratar problemas identificados tempestivamente, estando próximo dos fornecedores, construindo parcerias sólidas e confiáveis, para garantir a sustentabilidade dos negócios de forma transparente”.

Mamografias caem 46,4% durante a pandemia

Dados compilados pela Abramed mostram impacto da COVID-19 no diagnóstico precoce do câncer de mama

9 de outubro de 2020

Principal exame para detecção precoce do câncer de mama, a mamografia é uma das grandes aliadas da saúde feminina. Porém, durante a pandemia de COVID-19, muitas mulheres deixaram de fazer esse procedimento que salva vidas. A queda na quantidade de mamografias realizadas no país, segundo dados das empresas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi de 46,4% quando comparado o período de março a agosto de 2020 com os mesmos meses de 2019. Importante frisar que as associadas à Abramed representam 56% do total de exames realizados na saúde suplementar.

No Sistema Único de Saúde (SUS) o cenário é igualmente preocupante: entre janeiro e junho de 2019 foram realizados 180.093 exames na rede pública. No mesmo período de 2020, a quantidade de exames caiu para 131.617.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2020 o Brasil deve assistir à 66.280 novos casos de câncer de mama, doença que em 2018 matou mais de 17 mil mulheres no país. Importante enfatizar que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) divulgou recentemente a pesquisa “Câncer de mama: o cuidado com a saúde durante a quarentena” que afirma que 62% das 1.400 mulheres entrevistadas não foram ao médico durante a pandemia com medo de contrair COVID-19. Entre o grupo de risco, composto por mulheres com mais de 60 anos de idade, 73% disseram estar aguardando a pandemia passar para retomar suas consultas e exames.

Essa situação exposta pelo IBOPE reflete parte do impacto da crise na medicina diagnóstica no país. O setor previa a realização de mais de 480 milhões de exames no primeiro semestre de 2020 e foram realizados apenas 353 milhões, o que representa uma queda geral de mais de 36%.

“O setor de medicina diagnóstica é rigidamente regulado para garantir a segurança do paciente. Com a pandemia, as empresas reforçaram ainda mais seus protocolos de segurança, aumentaram os intervalos entre os agendamentos, eliminaram agendamentos presenciais,  reduziram drasticamente o número de pessoas nas recepções, criaram fluxos de atendimento separados para atender pacientes com sintomas de síndrome gripal, aumentaram a coleta domiciliar, criaram o sistema de coleta drive-thru. Tudo isso aliado a uma comunicação consistente sobre a importância de manter a rotina de exames preventivos e de continuidade de tratamentos. As outras doenças não vão esperar a pandemia passar e não podemos descuidar dos cuidados com nossa saúde”, relata Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed.

Considerando que o Brasil é um país continental, a situação do atraso nos diagnósticos de câncer de mama pode ser ainda mais complexa em determinadas regiões do país. Informações do Painel Abramed de 2019 – O DNA do Diagnóstico mostram que a região Sudeste concentra quase metade dos mamógrafos do Brasil, o que gera desigualdade na oferta de exames nos estados e leva ao chamado vazio assistencial. A região Norte, por exemplo, possui apenas 6% dos equipamentos do país.

Com a chegada do Outubro Rosa, campanhas diversas incentivam as mulheres a realizar exames preventivos importantes como a mamografia que, segundo o Instituto Oncoguia, é capaz de detectar pequenos nódulos de 1 milímetro até três anos antes da mulher conseguir senti-los na palpação. Assim, com o diagnóstico precoce e iniciando o tratamento do câncer de mama ainda no estágio inicial, as chances de cura chegam a 95%.

Debate do CFM trata da segurança do paciente no contexto do diagnóstico

Realizado na noite de 8 de outubro, encontro virtual foi moderado por Wilson Shcolnik

13 de outubro de 2020

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, moderou um debate promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre raciocínio clínico e melhoria do diagnóstico. O encontro contou com apresentações de Lucas Zambon, diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Leandro Arthur Diehl, professor na área de Clínica Médica e Semiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL); e Pedro Alejandro Gordan, professor do Centro Universitário São Lucas.

“Diagnosticar não é simples. É um processo complexo que exige conhecimento do médico e capacidade para aplicar esse conhecimento em um ambiente de trabalho que muitas vezes é desafiador”, disse Shcolnik ao iniciar as apresentações. Segundo o executivo, que é médico patologista, o processo diagnóstico pode trazer armadilhas que impactam os pacientes e, quando desencadeiam eventos adversos e danos, geram constrangimento e sensação de culpa nos médicos.

O debate circundou alguns aspectos principais: é preciso entender o raciocínio clínico, mudar a cultura médica diante da ocorrência de incidentes e eventos adversos, e compreender o papel dos processos assistenciais quando as falhas ocorrem. Esses são, segundo os palestrantes, os principais caminhos para reduzir o risco de erros diagnósticos e ampliar a segurança do paciente dentro do sistema de saúde.

Falando sobre os motivos que podem levar a um raciocínio clínico equivocado, Diehl abordou a racionalidade do ser humano. “Temos capacidade de tomar decisões racionais, mas esse não é nosso modo padrão de funcionamento”, declarou. Segundo o professor contamos com dois sistemas de pensamento: o primeiro é um processo rápido, automático, que não exige esforço, inconsciente e que funciona com reconhecimento de padrão. “A gente tende a aceitar rapidamente a resposta que vem desse nosso sistema intuitivo. Mas ele está sujeito a vieses e também a interferências que podem induzir ao erro”, declarou.

A segunda modalidade de pensamento está relacionada a um sistema mais lento, deliberado, que exige esforço e atenção, é totalmente consciente e gera comparações entre ações, caminhos e alternativas. “Quando recebemos resposta desse sistema, ficamos inseguros”, complementou Diehl com a intenção de mostrar que se manter o tempo inteiro raciocinando dentro da segunda modalidade nos deixa cansados.

Em sua apresentação, Gordan concordou ser extremamente necessário estudar o raciocínio clínico. “Das 337 faculdades de medicina em funcionamento no Brasil, nem 10% discutem o raciocínio clínico de forma estruturada”, apontou. Segundo o especialista, é papel de entidades como CFM, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e a Associação Médica Brasileira (AMB), além das universidades, colocar o tema em discussão.

Trazendo estudos que embasam estatísticas bastante interessantes sobre erros diagnósticos, Zambon destacou que nos Estados Unidos a estimativa é de que 74 mil pessoas morram ao ano em decorrência de assistências inadequadas diante de erros diagnósticos. “A literatura chega a dizer que todo cidadão viverá a experiência de enfrentar um erro de diagnóstico na vida”, disse.

Para ele, esses estudos nos mostram que o debate é apenas a ponta do iceberg. “Temos uma crise que está fora da superfície e, portanto, fora do nosso olhar”, pontuou. Porém é preciso entender que não há apenas um responsável pelo cenário. “O processo de diagnóstico é complexo e cheio de pontos de falhas. O médico é agente central, mas depende de uma série de tarefas, tecnologias, formação e questões organizacionais”, disse.

O bate-papo completo está disponível no canal do YouTube do CFM. Clique AQUI para acessar.

Percepções do setor de saúde a respeito das Consultas Públicas 911 e 912

Diante da publicação das Consultas Públicas (CPs) 911 e 912, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que seguem abertas até 23 de outubro e tratam, respectivamente, da regulação de farmácias e drogarias, bem como das diretrizes que regem as atividades dos laboratórios clínicos, várias entidades da saúde uniram-se para analisar essas propostas e apresentar as principais percepções acerca do tema.

O setor de laboratórios clínicos há muitos anos vem sinalizando à Anvisa a necessidade de incluir, em sua agenda regulatória, a revisão da RDC 302, principal norma que rege as atividades desses estabelecimentos. Ao longo do tempo, a norma contribuiu com melhorias para que a regulação controlasse com rigidez os ambientes e as boas práticas laboratoriais, em conformidade com a nova realidade tecnológica.

No entanto, para surpresa do setor, a CP 912 apresentada em consulta pública não considera muitos desses apontamentos. Além disso, traz propostas de terminologias não observadas em normas internacionais que regem o setor, colocando em risco a segurança dos pacientes. Paralelamente, a CP 911 – que revisa a RDC 44 sobre regulação de serviços farmacêuticos – considera que qualquer unidade de saúde pode aferir parâmetros fisiológicos e bioquímicos por meio de dispositivos de apoio ao diagnóstico, sem definir quais testes podem ser realizados e quais práticas devem ser respeitadas fora do ambiente laboratorial.

Diante desse cenário, o conglomerado de entidades que questionam as propostas apresentadas em consultas públicas sugere a adoção de posicionamento embasado nas mensagens-chave elencadas a seguir, a serem reforçadas pelos porta-vozes da entidade e de empresas associadas em todas as interações e oportunidades que tenham com imprensa, formadores de opinião, influenciadores, comunidade médica, órgãos reguladores, legisladores, governos e a sociedade em geral.

  1. Considerando que cerca de 70% das decisões médicas se baseiam em resultados de exames laboratoriais, a confiabilidade desses exames é fundamental para garantir diagnósticos precoces, precisos e decisões corretas sobre definição e monitoramento de tratamentos. Liberar a realização de exames fora de ambientes altamente controlados, como os observados nos laboratórios clínicos, coloca a segurança dos pacientes em risco, visto que, sem definição clara de como serão feitos os controles de qualidade, torna-se inviável garantir a confiabilidade e utilidade dos resultados desses exames, sobretudo em casos que exigem intervenção médica imediata.
  • As propostas das CPs 911 e 912 não consideram os apontamentos de melhorias feitos nos últimos anos pelos laboratórios clínicos brasileiros que estão em consonância com normas internacionalmente aceitas. Ademais, são mencionadas nos textos das CPs terminologias incompatíveis com as utilizadas pela Anvisa, assim como pelas normas nacionais e internacionais; e previsões igualmente incompatíveis com as atividades dos laboratórios clínicos que, desconectadas da realidade, prejudicam a prestação de serviços laboratoriais e afetam a segurança dos pacientes.
  • As propostas desprestigiam o setor e desrespeitam os profissionais que se capacitaram, especializaram, treinaram e adquiriram expertise nas práticas laboratoriais ao permitir que qualquer profissional lotado em unidade de saúde seja equiparado a um profissional de laboratório clínico.
  • A CP 912 permite a oferta de serviços em locais sem nenhum critério mínimo de infraestrutura, enquanto os laboratórios clínicos seguem rígidas recomendações vigentes para assegurar a mitigação de riscos, a segurança sanitária e a qualidade.
  • A CP 911 não define os limites da assistência farmacêutica, ou seja, não estabelece critérios e classificações para definição de complexidade de quais exames poderiam ser realizados fora do ambiente laboratorial. Os point-of-care testing (POCT), também conhecidos como testes laboratoriais remotos (TLR), podem incluir exames de variadas complexidades, e outros países, a exemplo dos Estados Unidos, apenas autorizam a realização de POCT classificados como testes de baixa complexidade em farmácias e drogarias, exigindo inspeções periódicas quando são ofertados exames de média e alta complexidade.

Reforçamos que as CPs 911 e 912 seguem abertas até 23 de outubro. A situação traz riscos para o paciente e para o funcionamento dos laboratórios clínicos, o que torna imprescindíveis a reflexão sobre o tema e a repercussão dele.

Encontro virtual debate dificuldades e oportunidades de melhorias da cadeia de suprimentos em saúde

Quinto encontro do #DiálogosDigitais Abramed contou com especialistas relatando entraves da pandemia e lições para o futuro

08 de outubro de 2020

O setor de suprimentos em saúde foi um dos primeiros impactados pela pandemia de COVID-19. Assim que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo, o crescimento exponencial da demanda por equipamentos de proteção individual (EPIs), respiradores e outros tantos insumos – entre eles os laboratoriais – somado à problemas de logística gerou uma disputa internacional e uma defasagem generalizada. O que a crise deixa de aprendizado para o futuro da cadeia de suprimentos e quais os atuais entraves para melhorias nesse fluxo foram debatidos no quinto encontro da série #DiálogosDigitais Abramed, realizado na noite de 6 de outubro.

Moderando o bate-papo, Guilherme Collares, membro do Conselho Fiscal da Abramed e diretor de Operações do Hermes Pardini, disse ter vivenciado muitos dos entraves trazidos pela COVID-19 em sua atuação no ambiente laboratorial. “Enfrentei todas essas dificuldades e assisti a situação melhorar ao longo do tempo se transformando em uma oportunidade para aprendermos e repensarmos a forma como fazemos nossas negociações”, comentou ao apresentar Antonio Fabron Jr, CEO da DB Diagnósticos do Brasil; Malu Sevieri, diretora-executiva da Medical Fair Brasil; Sergio Rocha, presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI); e Thiago Liska, diretor-executivo da Diagnóstica Cremer, como os palestrantes da noite.

Abrindo espaço para que os participantes comentassem como a COVID-19 impactou a medicina diagnóstica, Collares convidou Fabron a contar mais sobre sua experiência na DB Diagnósticos do Brasil. Segundo o executivo, foram diversas as dificuldades, mas uma gestão eficiente conseguiu contorná-las para que o paciente final não fosse prejudicado. “Com relação à logística, tivemos de reestruturar toda nossa malha aérea, mas como descentralizamos nossas unidades, o impacto não foi tão grande”, comentou Fabron.

Ainda sobre a questão logística, Rocha mencionou o que percebeu junto aos associados da ABRAIDI. “Hoje até 80% do que importamos vêm dos EUA. Com o corte dos voos internacionais, o começo da pandemia foi muito difícil. Para reduzir esse impacto, investimos na interlocução com o poder público fazendo reuniões com o Ministério da Saúde, o Ministério da Economia e até mesmo com a ANAC para buscar alternativas”, declarou. Esse diálogo com o governo e entidades que atuam diretamente com a logística do Brasil foi feito, inclusive, em conjunto com a Abramed.

Dependência de importações

A dependência brasileira de insumos importados foi um dos temas abordados ao longo do debate. “Não temos a missão de suprir 100% das nossas necessidades internas, mas não podemos ser totalmente dependentes de importações senão continuaremos suscetíveis”, comentou Liska.

O setor de saúde, de forma generalizada, está em plena evidência, na opinião de Rocha. Para o executivo, é hora de agir. “Para isso precisamos parar de olhar para nosso próprio umbigo e nos organizarmos, atuarmos em conjunto. Não podemos deixar de lado tudo o que vem ocorrendo nos últimos sete meses. Nossa educação tem de mudar. Ou a gente evolui tecnologicamente ou continuaremos importando mais de 90% do que utilizamos”, disse.

Ampliar a produção interna é um desafio. “Precisamos criar uma situação econômica que favoreça as empresas nacionais e as multinacionais com fabricação em nosso território para que produzam mais dos insumos que precisamos. Assim poderemos enfrentar novas pandemias e novos cenários desfavoráveis com mais serenidade”, encerrou Fabron.

Impacto na relação entre comprador e vendedor

Criar bons laços com os fornecedores foi a alternativa encontrada pela DB Diagnósticos do Brasil para evitar prejuízos em seus estoques. “Com relação aos EPIs, fomos afetados, mas graças às entregas programadas e ao bom relacionamento com nossos fornecedores, o impacto foi assimilável”, disse Fabron.

Para falar sobre como o distanciamento social imposto pela COVID-19 impactou essas relações, Malu Sevieri, que comanda a Medical Fair Brasil, fez seus comentários. O evento, que é a versão brasileira da Feira MEDICA da Alemanha, foi adiado para maio de 2021 devido à pandemia, mas seguiu auxiliando seus parceiros. “Atendemos clientes que nos ligavam para pedir ajuda. Vimos fábricas que fecharam por 90 dias pois não tinham motivos para produzir, já que toda a compra estava voltada à COVID-19 ou às emergências. Agora percebemos que com a volta das cirurgias eletivas, a demanda está retomando aos poucos”, pontuou.

Dando o parecer da indústria, Liska relatou situações que levaram a um aumento de custos nem sempre bem compreendido pelos clientes, como por exemplo o aumento do valor do frete internacional. “No curto prazo temos que torcer para aumentar a oferta e para que os fabricantes consigam ajustar à demanda fazendo o preço voltar à normalidade. E, no médio e longo prazos, investir em conversas estruturadas com poder público e a iniciativa privada viabilizando maior produção local”, avaliou.

União para evolução

Falta confiança entre os elos da complexa cadeia de saúde na opinião de Liska. “A gente consegue ter a tecnologia e fazê-la funcionar. Mas vejo pouca confiança entre os entes e baixo apetite para a interoperabilidade, conectividade e eficiência da cadeia. Precisamos nos reunir com maturidade, nos despir de nossas agendas individuais, e pensarmos, juntos, como construir um mercado mais integrado, mais eficiente e menos custoso”, completou.

Malu trouxe bons exemplos de como a tecnologia ajuda. “Existem, hoje, startups dedicadas a compras consolidadas. Um hospital ou mesmo um laboratório clínico compra, por exemplo, de cinco fornecedores distintos. Ele pode consolidar tudo isso em uma mesma carga. Precisa, apenas de planejamento”, explicou. Além disso, a executiva mencionou que vários compradores podem se unir para fazer um único pedido, conseguindo preços mais competitivos e até mesmo fretes mais baratos.

Para que esse diálogo se concretize, são diversos os caminhos possíveis. Na opinião de Rocha, a criação de grupos de trabalho é um deles. “Criar grupos com pessoas da área que estão envolvidas com seus setores e têm vontade de trabalhar, deixando a política de lado, é ótimo”, pontuou.

Legado da pandemia

“O que a COVID-19 deixa de legado? Quais aprendizados devemos levar”, questionou Collares.

Para Liska, a visão de coletivo foi o ponto de maior aprendizado. “Começamos a entender que temos uma responsabilidade coletiva”, disse. Rocha concordou. “A coletividade está acima da individualidade”. Já para Malu, o principal destaque está na capacidade de adaptação do povo brasileiro. “Estamos de parabéns. Reagimos rápido”, disse. Encerrando as ponderações sobre o legado, Fabron mencionou a tecnologia: “temos que investir pesado na digitalização”.

Para fechar o bate-papo, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, trouxe uma pergunta do presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik: “vivemos uma situação inédita onde todos se empenharam para manter o abastecimento do mercado. Mas olhando para frente, teremos produção? Vamos conseguir fazer a distribuição, garantindo exames e cirurgias?”.

Com a experiência da DB Diagnósticos do Brasil, Fabron disse que não só estão retomando a produção como estão produzindo 15% a mais do que produziam antes da crise. Collares também aposta em melhorias, em uma produção mais veloz e segura. Rocha e Liska também são otimistas quanto a entrega. Já Malu tem suas dúvidas e acredita que o equilíbrio deve demorar um pouco mais para ocorrer.

O bate-papo completo deste episódio está disponível no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para assistir) e a próxima edição está marcada para 20 de outubro e trará, como tema principal, “Cuidado Inteligente”.

COVID-19 – Congresso debate visão das entidades médicas e riscos dos laboratórios clínicos durante a crise

1º Congresso Virtual da SBPC/ML contou com participação de Wilson Shcolnik, da Abramed, em duas mesas redondas

05 de outubro de 2020

Entre 28 e 30 de setembro, o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, participou de duas mesas redondas que compuseram a ampla agenda de debates do 1º Congresso Virtual da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Na segunda-feira (28), a discussão tratou da visão das entidades médicas sobre a crise de COVID-19. Já na quarta-feira (30), o assunto se voltou aos riscos enfrentados pelos laboratórios clínicos durante a pandemia.

Moderado por Daniel Kanaa Faria, médico patologista da DASA e membro da comissão do Congresso, o debate da segunda-feira contou com apresentações de Shcolnik e, também, de Gustavo Campana, vice-presidente da SBPC/ML; Lincoln Lopes Ferreira, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) e Natasha Slhessarenko, conselheira titular do estado do Mato Grosso do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Em sua apresentação, Natasha reforçou uma pesquisa realizada pelo CFM sobre a percepção dos cidadãos quanto a atuação médica nacional no contexto da pandemia. “A maioria da população aprova o desempenho do médico e a qualidade do atendimento, visto que tivemos mais de 60% de avaliações entre ótimo e bom”, disse.

Segundo a conselheira, essa percepção reflete o empenho da classe profissional no enfrentamento, já que de acordo com dados por ela apresentados, o país conta com mais de 422 mil médicos aptos a atuar no combate (com menos de 60 anos de idade), o que seria “uma proporção excelente”. “De janeiro a maio passamos a contar com quase 10 mil novos médicos que puderam antecipar suas formaturas. Assim, a razão de médicos no país chegou a 2,49 profissionais por mil habitantes, o que é mais do que na Coreia, na Polônia, no Japão e apenas um pouco abaixo do Canadá e dos EUA”, explicou.

Representando a SBPC/ML, Campanha parabenizou a medicina diagnóstica nacional relembrando que os laboratórios privados agiram com muita rapidez assim que o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus foi confirmado no país. “Tenho orgulho em dizer que no Brasil em fevereiro nós já tínhamos o teste de RT-PCR disponível”, disse.

Se havia médicos suficientes para atender à toda a população exposta ao novo coronavírus e o país conseguiu rapidamente desenvolver soluções diagnósticas – por mais que o acesso tenha sido um pouco complicado por outras razões –, o sistema poderia não estar tão preparado. Foi esse um dos temas abordados por Ferreira na apresentação. “Nossa preocupação inicial foi com o possível colapso do sistema, visto que as demais enfermidades seguiriam seu curso normal e precisaríamos continuar atendendo a infartos, embolias, neoplasias e traumas”, enfatizou.

Com o sistema resistindo, visto que felizmente o Brasil não assistiu às cenas tristes vistas na Europa de cidadãos sem atendimento médico devido à lotação máxima dos hospitais ter sido atingida em muitas cidades, foi preciso focar no setor de diagnóstico, principalmente depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado que o caminho para o combate à COVID-19 era “testar, testar e testar”.

Entrando nesse assunto, Shcolnik relembrou o sucesso do projeto de validação de testes para COVID-19, uma iniciativa da Abramed em parceria com a SBPC/ML, a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) e a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). “Foram utilizados soros de pacientes infectados colhidos em diferentes períodos da doença e tivemos mais de 10 mil amostrar analisadas”, comentou.

Na quarta-feira, para tratar sobre os riscos, foram convidados profissionais do setor jurídico em atuação na área de medicina diagnóstica. Dessa vez, Shcolnik coordenou o bate-papo que recebeu Ana Paula Aleixo Schimiloski, supervisora jurídico e compliance da DB Diagnósticos do Brasil; Gustavo Rola, especialista em direito do trabalho e procurador em Belém (PA); Juliana Micheletti, coordenadora de Contratos do Grupo Hermes Pardini; e Walquiria Nakano Eloy Favero, superintendente jurídico, compliance e regulatório da DASA.

Foram tratados diversos assuntos inerentes à insegurança jurídica que se instalou diante de um cenário de incertezas causado por um patógeno desconhecido. Rola mencionou as medidas provisórias 927 e 936, que impactaram diretamente as empresas ao propor mudanças nas relações de trabalho como, por exemplo, alternativas para a manutenção do emprego e possibilidades de suspensão ou redução do contrato de trabalho.

Já Walquiria, com base e sua experiência na DASA, falou sobre as mudanças operacionais que os laboratórios tiveram que instituir para que estivessem preparados para os atendimentos. Entre as mudanças elencadas pela especialista relativas à segurança do paciente e controle epidemiológico estavam a medição de temperatura, o uso de máscaras pelos pacientes e o distanciamento social que obrigou as unidades a controlar o acesso. “Caso os laboratórios não respeitassem essas regras estavam sujeitos à fiscalização da vigilância sanitária e multas”, explicou.

Com todas as mudanças que ocorreram nos últimos meses, as empresas precisam estar atentas, pois o cenário é de oscilação. Para Juliana, as orientações têm sido dinâmicas, visto que seguem as recomendações da OMS e dos demais órgãos de saúde nacionais. “Isso também gera um certo conflito, visto que estados e municípios podem legislar de forma diferente”, pontuou.

Assim, os departamentos jurídicos tiveram de ficar 100% em estado de alerta acompanhando o cenário global e o que vinha acontecendo “dentro de casa”. Foi o que mencionou Ana Paula. “Em um curto período tivemos uma imensidão de medidas provisórias na área trabalhista, um excesso de portarias que precisaram – e ainda precisam – de análise contínua”, disse.

Ao abrir a mesa redonda para o debate, Shcolnik levou aos palestrantes algumas das perguntas do público, entre elas como explicar ao paciente que nem sempre ele terá um resultado conclusivo do teste de COVID-19. “Muitas vezes o paciente não entende o resultado inconclusivo. Ele quer receber uma informação precisa. Porém sabemos que o momento da coleta da amostra tem relação com o resultado obtido e que os testes sorológicos têm variação ainda maior. Vocês tiveram queixas ou problemas nesses moldes? Como proceder?”, questionou.

Para Walquiria, que confirmou que na DASA ocorreram esses casos, um dos caminhos está na transparência com o paciente e, para minimizar a frustração, oferecer um voucher para que ele realize um novo teste. “Possibilitar uma liberação ou um desconto para a realização de um segundo exame confirmatório é uma atitude bem-vinda e que preserva a imagem da rede”, disse.

Além dessas duas mesas redondas, o 1º Congresso Virtual da SBPC/ML contou com inúmeras outras palestras. Foram sete dias de debates, workshops e conferências, realizado entre os dias 25 de setembro e 2 de outubro de 2020.

A Saúde Conectada 5.0 e a era da Medicina Digital

Ideia de Saúde Distribuída vem tomando corpo de forma acelerada junto a uma telemedicina realmente conectada e organizada

30 de setembro de 2020

A pandemia da Covid-19 deixou clara para as instituições de saúde a necessidade de ter uma Telemedicina estratégica, com atuação estruturada e organizada para a prestação dos serviços de saúde – o que vai muito além da interação médico-paciente por uma ferramenta de videoconferência para tratar doenças. Vem tomando corpo, de forma acelerada, a ideia de uma Saúde Distribuída, com uma Telemedicina realmente conectada e organizada, para o atendimento aos indivíduos como uma prática de cuidados da saúde, especialmente na prevenção.

Para o Dr. Chao Lung Wen, líder do grupo de pesquisa em Telemedicina da USP, professor da FMUSP e reconhecida autoridade no assunto, a Telemedicina é irreversível em razão da própria transformação digital da sociedade, que ganhou um impulso extraordinário no momento que vivemos. Em recente webinar promovido pela SYNNEX Comstor, ele lembrou a questão da conectividade, que no Brasil caminha agora para a 5G. E isso significa, entre outras coisas, que estamos evoluindo para casas conectadas, o que se relaciona diretamente a casas inteligentes e ao que se poderia chamar de Internet das Coisas Médicas.

Nesse quadro, seria a hora de falarmos em Sociedade 5.0, uma vez que o conceito “Revolução Industrial 4.0”, originado no Fórum Econômico de Davos em 2011, teria sido ultrapassado, com a presença já tão disseminada em nosso cotidiano da Robótica, com aparelhos até para a limpeza doméstica, e da Inteligência Artificial, de que os aplicativos de trânsito são um bom exemplo. Na Saúde 5.0, que é a saúde conectada, o cuidado com o bem-estar das pessoas é mais do que somente o tratamento de doenças. E aí que entra a importância da Telemedicina.

Vale a pena começar pela explicação do que não é Telemedicina. Uma simples chamada de vídeo não caracteriza a Telemedicina. Ela também não é uma ferramenta ou apenas um processo estruturado. Em primeiro lugar, exige a educação digital do profissional de saúde e a pesquisa continuada para que seja possível a prevenção, especialmente quando nos damos conta do envelhecimento da população e do aumento de doenças crônicas. Segundo uma breve definição do Dr. Chao, a Telemedicina “é um método de investigação e cuidados não presenciais, usando recursos digitais interativos”.

Nesse sentido, as empresas que fornecem tecnologias e os profissionais que desenvolvem soluções específicas têm muito a contribuir. A Telemedicina requer uma série de elementos com os quais ainda não contamos, como aparelhos que possam se conectar com a casa das pessoas para aferir condições específicas de cada paciente. Ela precisa, antes de tudo, de sistemas capazes de integrar informações e interação com o paciente, para que o médico seja capaz de manter o compromisso de realmente cuidar da saúde do paciente.

Já existem avanços nessa direção,  aqui no Brasil. A Yoobot, uma empresa com foco no desenvolvimento de sistemas integrados para resolver questões ligadas a processos, já está oferecendo uma solução que utiliza o Cisco Webex Meetings e Cisco Webex Teams para proporcionar a utilização, em uma só plataforma para atendimento mais simples, confortável e eficiente ao paciente, sem que seja necessário o médico entrar em vários sistemas, com diferentes logins, durante uma consulta. Isso implica dispersividade, prejudicando a atenção ao paciente. Nos sistemas comuns de conferência, o próprio contato visual, tão importante para a avaliação diagnóstica, se perde enquanto o médico navega em busca de informações.

A ideia é oferecer às instituições médicas um sistema realmente inteligente, completamente seguro, que evite a redundância de dados, que seja capaz de aplicar as regras de negócios dos sistemas internos. Além disso, esse sistema cuida da chamada ao paciente, do seu agendamento de forma on-line e de uma consulta simples, sem esforço, proporcionando ao médico o acesso a todos os dados referentes ao cliente em atendimento. A coleta de informações a cada momento da interação é também um ponto importante que permitirá ao médico adotar decisões com base em dados sempre atualizados.

Estamos dando, com certeza, os primeiros passos em direção à implementação de uma nova organização da Telemedicina. Como já está claro, não haverá retrocesso. O que precisamos agora é acelerar o desenvolvimento de novas plataformas que sejam seguras, robustas e de fácil utilização, em benefício do médico e do paciente.

Por Adilson Wada – Healthcare Business Development Manager da SYNNEX Brasil

Abramed fala sobre impactos da pandemia e novos pleitos da medicina diagnóstica

Encontro virtual promovido pelo Banco Citi Brasil recebeu Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação

29 de setembro de 2020

Ultrapassando as barreiras do setor de saúde, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou, dia 29 de setembro, de uma live do Banco Citi Brasil sobre a atual situação e as perspectivas do setor de medicina diagnóstica do país. Mediado por Tobias Stingelin e Leandro Bastos, respectivamente diretor e analista de research para Varejo, Saúde e Educação, o bate-papo trouxe detalhes sobre os impactos da pandemia e os atuais pleitos desse segmento essencial da saúde.

Depois de apresentar a Abramed e falar sobre a representatividade da Associação no mercado de saúde brasileiro, enfatizando que os associados são responsáveis pela realização de 56% de todos os exames feitos na saúde suplementar, Priscilla teve a oportunidade de falar sobre a evolução da medicina diagnóstica diante da pandemia de COVID-19.

“O setor de diagnósticos, que é prestador de serviços assim como os hospitais, foi muito impactado na pandemia. Os pacientes desapareceram das unidades e a queda no atendimento de laboratórios e clínicas chegou a 70%”, comentou a executiva mencionando que a rede privada de laboratórios foi muito eficiente e, logo que o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus foi confirmado no Brasil, saiu em disparada para desenvolver os exames e, assim, poder testar a população o mais rapidamente possível.

Claro que uma pandemia dessas proporções também traz desafios diários para as equipes de saúde. Segundo Priscilla, um dos principais foi a disputa internacional por insumos. “Somos um setor dependente da indústria estrangeira e competimos com muitos outros países”, disse. No que diz respeito à importação, Priscilla comemorou o fato de que se por um lado tínhamos dificuldade em obter esses produtos do mercado externo, por outro o setor conseguiu duas vitórias junto Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): liberação dos insumos em apenas 24 horas (antes levava 10 dias), e isenção fiscal em mais de 200 itens.

Outro desafio mencionado por Priscilla durante o encontro virtual foi a interrupção da malha aérea e de problemas relativos ao transporte terrestre, o que colocou todo o setor em contato direto com o Ministério da Infraestrutura para minimizar os entraves, o que foi essencial.

Vencidos muitos empecilhos, na opinião da diretora da Abramed, houve uma evolução natural e gradual do combate à crise e, hoje, a situação soa praticamente normalizada. “O setor já segue rígidas regulações focadas na segurança do paciente. Passamos a comunicar as pessoas de que elas deveriam retomar seus cuidados com a saúde. Em junho começamos a ver um reaquecimento e hoje ainda não chegamos ao mesmo nível pré-pandemia, mas estamos muito perto disso”, declarou.

Como em toda crise, a pandemia de COVID-19 despertou a criatividade das empresas. “O que o setor tem feito para se reinventar”, questionou Stingelin. Priscilla mencionou a ampliação do atendimento na residência, com coletas domiciliares, e a vasta implementação do drive-thru, dando segurança e conforto para os pacientes. Paralelamente, mencionou uma certa competitividade prejudicial que fez com que houvesse muita irresponsabilidade na realização de testes em locais totalmente inapropriados. “Vimos testes para COVID-19 sendo feitos em postos de gasolina, conduzidos por profissionais que nem mesmo a máscara sabiam utilizar corretamente”, declarou. “Qual a procedência desses testes? Eles tiveram sua qualidade comprovada”, complementou.

Interessado em entender as lições que uma pandemia infecciosa como a do novo coronavírus gera em um setor tão importante da economia, Stingelin perguntou: “qual o grande aprendizado que veio para ficar e mudará a dinâmica do setor daqui para frente?”. Para Priscilla, a resposta está na telemedicina e na ampliação do diálogo entre todos os atores da complexa cadeia de saúde. “O telediagnóstico já existe há dez anos, mas a telessaúde como um todo, que a gente já desejava, foi acelerada e é um caminho sem volta. Assim como o diálogo que melhorou muito. Vimos muitas decisões serem tomadas a várias mãos e uma melhor comunicação com o governo”, apontou.

Novos pleitos do setor

Bastos questionou Priscilla sobre qual a atual agenda da medicina diagnóstica. Foi quando a executiva elencou os principais pleitos do segmento, começando pelas análises das Consultas Públicas 911 e 912 – que revisam a RDC 44, que regula as farmácias, e a RDC 302, responsável pelas diretrizes de funcionamento dos laboratórios clínicos – legislações que estão em andamento e visam a liberação de exames em farmácias e drogarias.

“Essa é uma discussão ampla, complexa, com prós e contras. Nosso setor entende que esse é sim um caminho, mas que não pode haver dois pesos e duas medidas. Caso as farmácias passem a realizar exames, deve haver regulação exatamente igual à que há para os laboratórios, até porque são justamente esses rígidos protocolos que garantem a segurança dos pacientes”, explicou.

Na sequência, Priscilla apresentou qual a percepção do setor quanto à atual Reforma Tributária que corre no Congresso Nacional, lembrando que laboratórios e clínicas de imagem apoiam a desburocratização, desde que haja neutralidade e que a essencialidade da saúde – bem como da educação – seja reconhecida. “As propostas que estamos vendo gerarão uma superoneração do sistema de saúde. Na medicina diagnóstica o aumento da carga tributária pode ultrapassar 40%. As empresas do setor, que não conseguirão arcar com suas folhas de pagamento, vão demitir e fechar; os beneficiários de planos de saúde vão ter dificuldade em manter seus convênios, migrando para o SUS; e o acesso ficará restrito independentemente da classe social das pessoas. É um problema que afeta todos”, explicou.

A executiva aproveitou a oportunidade para mencionar a campanha digital #aSaudeNaoPodePagarEssaConta e a aliança Saúde e Educação, formada entre os dois setores, para lutar pelo reconhecimento de sua essencialidade.