Cuidado inteligente – Em que fase estamos e quais os próximos passos

Sexto encontro do #DiálogosDigitais Abramed abordou inteligência artificial, LGPD, inovações em saúde e acesso único do paciente

21 de outubro de 2020

O advento da tecnologia vem transformando continuamente a saúde no mundo, tornando o cuidado muito mais inteligente, integrado e acessível a todos os pacientes. Para entender em que fase estamos, quais os empecilhos para o avanço mais rápido e como será a nossa realidade daqui a 30 anos, o sexto encontro da série #DiálogosDigitais Abramed, realizado na noite de 20 de outubro, recebeu especialistas do setor para um bate-papo moderado por Gustavo Meirelles, membro do comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Gestor Médico no Grupo Fleury.

No debate sobre quais as tecnologias que estão revolucionando o mercado, estiveram presentes Armando C. Lopes Jr, diretor geral da Siemens Healthineers Brasil; João Fábio Silva, co-fundador e COO da Stark-4pl; Leonardo Vedolin, vice-presidente da área médica da Dasa; e Luis Gustavo Gasparini Kiatake, presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).

Muito foi tratado sobre procura inteligente de sintomas e o futuro da saúde diante de uma revolução tecnológica exponencial. E, na visão de Lopes Jr, tudo isso só traz benefícios. “A inteligência artificial nos beneficia em três grandes vertentes: aumentar e melhorar a produtividade para que possamos ampliar o acesso; auxiliar a medicina personalizada; e contribuir com a gestão de saúde populacional”, comentou.

Sabendo que a tecnologia tem muitas possibilidades de contribuição à população, Silva aproveitou a oportunidade para fazer uma crítica a alguns conflitos que atravancam o desenvolvimento desse setor. “A dificuldade em colocar toda essa inovação em prática está em gerir interesses que fogem a fazer o bem ao paciente. É preciso quebrar barreiras políticas”, pontuou.

Para o executivo, a pandemia nos mostrou que temos a tecnologia em mãos, mas precisávamos de uma emergência para que o investimento fosse feito. “A telemedicina, por exemplo, tão óbvia e necessária, por qual motivo não foi aplicada antes do novo coronavírus?”, questionou. Assumindo-se otimista, complementou dizendo que sempre será defensor da tecnologia: “vejo muitas soluções que só precisam ser usadas, aceitas e implementadas rapidamente”.

Esse ciclo de oferta e demanda é, para Vedolin, natural. “O que a história tem nos mostrado é que quando a tecnologia se desenvolve em uma área, a demanda por aquela área também aumenta na mesma proporção”, declarou. Enfatizando que o homem acaba falhando ao prever o futuro e que, por esse motivo, ele não cogita fazer previsões, o vice-presidente da Dasa fez um retrospecto sobre a inteligência artificial na medicina diagnóstica. “Vejo que as modelagens de IA começaram muito ligadas à detecção de padrões, segmentação de lesões básicas e caracterização de lesões. Tudo isso auxilia o médico ao melhorar a qualidade do diagnóstico, levando-o a errar menos por estar baseado em critérios morfológicos. É a fase que vivemos agora. Creio que em cinco anos haverá uma evolução para um outro patamar com mais acurácia preditiva”, disse.

Promovendo uma análise sobre o posicionamento do Brasil diante de um mundo tecnológico, Meirelles questionou Kiatake sobre o papel da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nesse contexto de tecnologia. “O que muda para melhor e o que muda para pior?”, perguntou.

Ao responder, o presidente da SBIS declarou que muitas vezes os dados ficam ilhados dentro das empresas e que a LGPD pode contribuir em dois aspectos: forçar as companhias a olharem para seus compilados de dados e abrir os olhos da população para seus direitos como detentora dessas informações.

“A lei nos força a olha para dentro, a fazer um inventário de dados e isso é excelente. Além disso, traz um novo conceito onde a população começará a compreender que tem direito àquele dado e que essa informação pode gerar benefícios para sua saúde”, verbalizou.

Esse tema serviu de gancho para que o time de especialistas participantes do encontro virtual passasse a tratar da interoperabilidade, tão apontada como entrave no atual cenário de inovação tecnológica. Para Vedolin, é interesse comum que haja interoperabilidade entre todos os elos da cadeia de saúde. “Não tenho dúvida de que todos os protagonistas querem seguir esse caminho”, disse ao afirmar que, na sua visão, interoperabilidade é interesse da indústria, dos prestadores de serviços, das operadoras de saúde, das associações e, sobretudo, do próprio paciente.

Se todos querem trabalhar nisso, quais os entraves? Para Vedolin falta confiança. “É um problema sistêmico e os interesses devem estar alinhados. Em algum momento vai ocorrer, porém temos que evitar que ocorra pelo motivo errado, ou seja, que se desenvolva como forma de redução de custos quando, na verdade, deve acontecer para melhorar a experiência do paciente e a qualidade da assistência”, completou.

Depois de ouvir a experiência da Dasa nas palavras de Vedolin, quem assistiu ao debate pode conhecer a visão do Grupo Fleury na fala de Meirelles. “Para a interoperabilidade, ainda temos alguns entraves internos como, por exemplo, o identificador único do paciente, que é o que mais nos preocupa para garantir a segurança. Não sei pontuar quando, mas acredito que isso acontecerá nos próximos anos”, declarou.

Os dois executivos aproveitaram a oportunidade para relembrar que Dasa e Fleury, junto com outros grandes players da medicina diagnóstica do país, já se reuniram dentro da Abramed para conversar sobre interoperabilidade.

Visão de futuro

Após tantas abordagens distintas sobre a tecnologia em saúde, o questionamento final de Meirelles foi: o que terá mudado em 2050?

Lopes Jr. aposta em uma maior percepção do paciente sobre o uso de seus dados pelo setor; Silva enfatizou que a tecnologia estará avançada permitindo maior acesso remoto dos pacientes e oferecendo muitos equipamentos portáteis; Vedolin mencionou uma maior produção interna para suprir as carências do mercado nacional, a utilização de drones dentro da cadeia de supply chain e a genômica mais desenvolvida; e Kiatake trouxe maior conhecimento em células tronco e discussão ética mais fortalecida.

Para encerrar o bate-papo, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, trouxe a pergunta do presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik: “o que está sendo feito na sua área para preparar as pessoas para a saúde digital?”.

Kiatake e a SBIS apostam na inclusão do tema no currículo das universidades. “Temos que colocar essa consciência na garotada”. Já Lopes Jr. acredita ser possível extrapolar os muros da escola, já que “inovação nasce em qualquer lugar”. Para o executivo, criar é um processo que vem do conhecimento sobre a experiência de outros segmentos de negócios. Indo nesse mesmo caminho, Silva crê que além de expandir seus horizontes, é preciso se adaptar. “Para liderar e dar o exemplo à minha equipe, primeiro preciso aprender”.

Cientes de que o foco está nas pessoas, Meirelles e Vedolin apostam na educação. Para Meirelles, os principais pontos dessa formação profissional são educação em saúde, conscientização, desmistificação de novas tecnologias, e mentorias que deixam o caminho aberto para todos. Já Vedolin reforçou que educação é uma disciplina que se aprende. “É importante ter a experimentação como forma de aprendizado. Testar e errar leva ao conhecimento. Importante ter o erro como ferramenta de aprendizado. “É o que nos faz sobreviver em um mundo instável”, finalizou. O bate-papo completo deste episódio está disponível no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para assistir) e a próxima edição está marcada para 10 de novembro e trará, como tema principal, “Lei Geral de Proteção de Dados”.

Abramed fala ao Jornal da Cultura sobre consultas públicas 911 e 912 da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu duas consultas públicas (911 e 912) para saber sobre a possibilidade de as farmácias realizarem exames laboratoriais e para atualizar a resolução de 2005 que regula o funcionamento de laboratórios clínicos.

O tema foi pauta do Jornal da Cultura nessa segunda-feira (19/10) e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, que alertou sobre o fato de quem nem todos os exames rápidos são de qualidade.

“Os testes rápidos muitas vezes não são avaliados pela Anvisa antes de serem liberados para utilização. Os que servem para dosar glicose, colesterol e triglicérides, por exemplo, não têm nenhuma avaliação e nós sabemos que o desempenho ruim pode levar a resultados incorretos”, destacou Shcolnik durante entrevista ao telejornal.

Assista a matéria completa em: https://youtu.be/Au7dfrbclXo

Abramed apresenta desafios da medicina diagnóstica em ciclo de palestras do A.C. Camargo

Encontro virtual expôs panorama do mercado, identificou tendências e compartilhou dados relevantes do setor

20 de outubro de 2020

Com participação de Wilson Shcolnik e Priscilla Franklim Martins, respectivamente presidente do Conselho de Administração e diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), episódio do Ciclo de Palestras promovido pelo A.C. Camargo Cancer Center, em 16 de outubro, traçou um panorama do mercado de diagnóstico na saúde suplementar brasileira, elencando os principais desafios e tendências do setor.

O encontro foi moderado por dois executivos do A.C. Camargo: Marcos Cunha, diretor de negócios, e Edson Costa, supervisor de estratégia e inteligência. Quem participou teve acesso a um compilado de dados relevantes que traduzem o atual cenário do país.

“Vivemos um momento de incerteza devido à instabilidade econômica visto que a maior parte dos beneficiários dependem de seus empregos para terem acesso a convênios e à rede da saúde suplementar”, comentou Shcolnik ao dizer que a perspectiva dos economistas, hoje, é positiva e indica crescimento de muitos setores.

O executivo mencionou quais tem sido os principais pleitos do setor, enfatizando o impacto da Reforma Tributária. “Apoiamos a reforma que é muito importante para o país, mas temos preocupações com relação ao aumento da carga de impostos em toda a cadeia de saúde. Por isso nossa luta é pela neutralidade e, via Abramed, estamos em contato direto com o Governo para expor quais serão esses impactos”, declarou.

Shcolnik também mencionou o ambiente regulatório. Citou questões relativas às consultas públicas 911 e 912 que estão em andamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e preocupam os especialistas por permitir que exames sejam realizados fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios, expondo os pacientes à riscos de segurança; a revisão da RDC 50, que trata da infraestrutura e de projetos para serviços em saúde; e sobre a RDC 330 que, publicada em 2019 e com vigência prevista para início em dezembro, trata da infraestrutura e do funcionamento de clínicas de diagnóstico por imagem. “Quanto à RDC 330 solicitamos adiamento à Anvisa pois muitas clínicas e hospitais precisam de mais tempo para se adequar”, explicou.

Outro ponto que foi amplamente debatido durante a palestra diz respeito à incorporação de novos exames no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que, inclusive, está com consulta pública aberta. “Precisamos sempre continuar estudando esses impactos para que novos recursos sejam trazidos para o sistema de saúde nacional. Esse é um desafio permanente, pois as inovações não param, são incessantes, e temos de colocá-las à disposição do público”, esclareceu.

União e compartilhamento

O A.C. Camargo Cancer Center detém muito conhecimento em oncologia e entende que é possível compartilhar esse conhecimento a fim de tornar tanto o acesso ao diagnóstico quanto aos tratamentos mais fáceis pelo país. Para Cunha, as oportunidades são inúmeras. “Temos um serviço B2B para prover exames específicos e, como fazemos muita pesquisa, às vezes temos alguns painéis que ainda não estão no mercado”, disse sobre dividir essa expertise com outros hospitais e laboratórios.

Para Priscilla, o caminho é benéfico: “Existem enormes oportunidades tanto assistenciais quanto de geração de negócios para o hospital. No Brasil, que tem dimensões continentais, há muitos vazios assistenciais que precisam ser encarados de forma mais pragmática. Pensar em parcerias como forma de suprir essas carências é trazer um olhar interessante ao cenário”.

Painel Abramed

Shcolnik também aproveitou a oportunidade para falar sobre a terceira edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. O relatório, que está em fase final de consolidação e deve ser lançado no próximo mês, traz este ano um capítulo inteiro dedicado ao tema COVID-19, e informações detalhadas sobre o mercado de medicina diagnóstica, abordando desde o número de exames complementares realizados no país; distribuição de profissionais do setor no território nacional; detalhes sobre o mercado de trabalho; número de resultados de exames acessados pela Internet; e mais detalhes sobre o comportamento do paciente no ramo da medicina diagnóstica.

O Globo entrevista presidente da Abramed sobre possibilidade de realização de exames em farmácias

A Consulta Pública (CP) 912, aberta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que envolve a revisão da RDC 302 e impacta diretamente o setor de medicina diagnóstica, foi pauta do jornal O Globo dessa segunda-feira (19/10). A proposta permite a liberação da realização de exames fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos.

O presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, foi entrevistado para a matéria e destacou que a associação não é contra a realização de testes rápidos por farmácias, desde que sejam restritos aos de baixa complexidade.

“Há exames rápidos que funcionam bem, e outros que dão resultados equivocados. Essa é a lógica de ter a gerência de um laboratório, que conta com profissionais que estudaram para fazer calibração, validação, controle de qualidade. Não é o que está sendo proposto agora”, afirmou Shcolnik ao jornal.

Leia a matéria na íntegra: https://bit.ly/3ken2Bc

Prevenção e boas práticas minimizam riscos na gestão de terceiros

Políticas de compliance, due diligence e monitoramento constante auxiliam na gestão de parceiros de negócios

14 de outubro de 2020

As constantes mudanças no cenário econômico brasileiro se refletem na necessidade de uma gestão dos parceiros de negócio de forma cada vez mais proativa e efetiva nas organizações, para melhoria contínua da gestão, da conformidade contratual e regulamentar e da mitigação dos riscos envolvendo terceiros.

Entre os principais fatores que impulsionam a necessidade de uma governança e monitoramento de terceiros, inclusive na área da saúde, estão a expectativa de crescimento de serviços terceirizados nas organizações, as novas regulamentações em âmbito nacional e internacional e a alta velocidade de divulgação das informações na era digital.

Para permanecerem competitivas e alinhadas às tendências do mercado, as empresas estão buscando cada vez mais tratar as vulnerabilidades existentes em diversas dimensões do negócio, inclusive no que diz respeito aos riscos que podem comprometer sua imagem e reputação.

Nesse contexto, Vanessa Torres, gerente de Compliance e coordenadora do curso de pós-graduação em ética e compliance na saúde do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), diz ser importante a integridade da cadeia de suprimentos, visando garantir que os relacionamentos comerciais das empresas ocorram dentro de padrões legais e morais vigentes, prevenindo irregularidades e distorções em decisões de aquisição, que possam corromper a cadeia de fornecimento, permitindo a construção de práticas de mercado justas, com livre concorrência, contribuindo para uma dinâmica econômica mais transparente e uma sociedade mais ética. “Para tanto, o princípio norteador deve ser a transparência nas transações, fazendo com que a decisão sobre o negócio seja pautada na mensuração dos riscos identificados”, afirma.

Ela explica que os benefícios com esta postura ativa das organizações são prezar e promover o engajamento da cadeia produtiva para que o mercado seja formado de companhias éticas; aumentar a segurança das relações comerciais e mitigar eventuais riscos de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro no relacionamento com os terceiros; e minimizar riscos de penalização por qualquer ação irregular de funcionários e terceiros (mesmo sem o conhecimento ou aprovação da instituição, a chamada “responsabilidade solidária”, prevista na Lei Anticorrupção – nº 12.846/2013).

Na visão de Vanessa, no processo de compra de materiais e insumos, as boas práticas de governança, ética e compliance devem ser aplicadas. “A preocupação de quem está comprando deve ir além do preço. É preciso observar se o fornecedor está alinhado com os princípios éticos da organização, como esse profissional ou a empresa fornecedora de bens e serviços atua, sua capacidade de produção e entrega, se há riscos de corrupção e práticas ilegais, qual a parte responsabilizada frente às sanções e até mesmo qual o impacto do cancelamento de um pedido feito junto a um fornecedor que pode ter algum grau de dependência econômica com a sua organização”, orienta.

A pandemia do novo coronavírus, segundo a gerente de Compliance, fez multiplicar a necessidade do consumo de produtos e serviços no setor de saúde, havendo significativo redimensionamento das demandas. Por tudo isso, faz-se necessária a responsabilidade compartilhada entre as partes.

Seguir os aspectos legais, por meio das normas para licitação e contratos da administração pública para a garantia da isonomia e um desenvolvimento nacional sustentável, também é fundamental.

Devido à pandemia, como houve a dispensa de licitação para aquisição e contratação de bens, serviços e insumos destinados ao enfrentamento da Covid-19, Vanessa explica que há a necessidade do gerenciamento de riscos rigoroso durante a execução desses contratos, avaliação cuidadosa dos controles que podem ou não ser flexibilizados e  das fragilidades e limitações do processo e a realização de diligências, com avaliação de impacto jurídico, financeiro e reputacional, além de manter os registros que comprovem que, apesar do momento de incertezas e dificuldades, a instituição atuou com princípios éticos, diligência e transparência.

Outro ponto importante a ser observado é o conflito de interesses, que na rede de interações entre profissionais e organizações no setor da saúde pode acontecer.

O risco surge quando se estabelecem modelos de incentivo e financiamentos que podem distorcer o propósito real e justo de se oferecer a melhor resolutividade e experiência ao paciente. “O Conselho de Administração deve zelar para que as transações entre partes envolvidas nas relações comerciais e de trabalho sejam conduzidas dentro de padrões de mercado em todos os aspectos”, orienta Vanessa, que ainda lembra que se  deve garantir que as transações sejam reportadas adequadamente nos relatórios da organização e que o estatuto ou contrato social exija que as negociações sejam aprovadas pela alta administração, permitindo decisões institucionais diante de riscos de conflitos de interesses.

Estratégia de negócio

Monitorar a atuação dos fornecedores cada vez mais revela-se como uma ação estratégica para o negócio. Não é rara a divulgação de notícias que relatam prejuízos para a empresa contratante decorrente de situações envolvendo terceirizadas e por isso a palavra de ordem para as corporações é: prevenção.

A gerente de Compliance do Hospital Albert Einstein diz ser fundamental avaliar se há histórico de corrupção e improbidade, de má gestão ou desvio de recursos, pois um processo mal conduzido pode trazer consequências para a empresa e seus executivos. “A corrupção continua sendo crime e a boa intenção não é suficiente para justificar a falta dos devidos controles necessários para um processo de aquisição seguro”, garante.

Por esse motivo, muitos estabelecimentos de saúde estão adotando políticas de compliance, com regras, regulamentos e diretrizes internas. É uma área emergente e importante para o mercado nacional e mundial, pois visa buscar ética, transparência e integridade na condução dos negócios, protegendo o patrimônio e reduzindo a possibilidade de fraudes.

Dentre os elementos fundamentais de um programa de compliance estão o comprometimento da alta administração, elaboração de políticas, treinamento de colaboradores e a gestão de terceiros. “Essa transparência – que deve ser mantida em todas as relações no setor, sejam elas entre clientes, fornecedores, acionistas, sociedade e órgãos reguladores – impulsiona um movimento empresarial para implementação e fortalecimento de programas de governança e compliance, bem como visa influenciar o setor de medicina diagnóstica a assumir compromissos com práticas transparentes e de equidade”, destaca Vanessa Torres.

A responsabilidade institucional de fazer negócios com uma instituição que não está em compliance com as diretrizes normativas do setor é algo indiscutível. Daí a importância de se realizar uma due diligence para prestar um serviço de excelência na saúde e garantir a sustentabilidade do setor.

A due diligence de terceiros é uma pesquisa de antecedentes em relação a uma pessoa física ou jurídica para que a organização saiba com quem está se relacionando ou pretende se relacionar.

É importante observar que, por exemplo, a busca por conhecimento pela instituição de saúde em relação aos antecedentes éticos de empresas e profissionais está plenamente embasada pelo Princípio da Transparência. Vanessa finaliza dizendo que é necessário reforçar o processo de gestão de riscos de terceiros, pois “é importante ser vigilante para corrigir e tratar problemas identificados tempestivamente, estando próximo dos fornecedores, construindo parcerias sólidas e confiáveis, para garantir a sustentabilidade dos negócios de forma transparente”.

Mamografias caem 46,4% durante a pandemia

Dados compilados pela Abramed mostram impacto da COVID-19 no diagnóstico precoce do câncer de mama

9 de outubro de 2020

Principal exame para detecção precoce do câncer de mama, a mamografia é uma das grandes aliadas da saúde feminina. Porém, durante a pandemia de COVID-19, muitas mulheres deixaram de fazer esse procedimento que salva vidas. A queda na quantidade de mamografias realizadas no país, segundo dados das empresas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi de 46,4% quando comparado o período de março a agosto de 2020 com os mesmos meses de 2019. Importante frisar que as associadas à Abramed representam 56% do total de exames realizados na saúde suplementar.

No Sistema Único de Saúde (SUS) o cenário é igualmente preocupante: entre janeiro e junho de 2019 foram realizados 180.093 exames na rede pública. No mesmo período de 2020, a quantidade de exames caiu para 131.617.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2020 o Brasil deve assistir à 66.280 novos casos de câncer de mama, doença que em 2018 matou mais de 17 mil mulheres no país. Importante enfatizar que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) divulgou recentemente a pesquisa “Câncer de mama: o cuidado com a saúde durante a quarentena” que afirma que 62% das 1.400 mulheres entrevistadas não foram ao médico durante a pandemia com medo de contrair COVID-19. Entre o grupo de risco, composto por mulheres com mais de 60 anos de idade, 73% disseram estar aguardando a pandemia passar para retomar suas consultas e exames.

Essa situação exposta pelo IBOPE reflete parte do impacto da crise na medicina diagnóstica no país. O setor previa a realização de mais de 480 milhões de exames no primeiro semestre de 2020 e foram realizados apenas 353 milhões, o que representa uma queda geral de mais de 36%.

“O setor de medicina diagnóstica é rigidamente regulado para garantir a segurança do paciente. Com a pandemia, as empresas reforçaram ainda mais seus protocolos de segurança, aumentaram os intervalos entre os agendamentos, eliminaram agendamentos presenciais,  reduziram drasticamente o número de pessoas nas recepções, criaram fluxos de atendimento separados para atender pacientes com sintomas de síndrome gripal, aumentaram a coleta domiciliar, criaram o sistema de coleta drive-thru. Tudo isso aliado a uma comunicação consistente sobre a importância de manter a rotina de exames preventivos e de continuidade de tratamentos. As outras doenças não vão esperar a pandemia passar e não podemos descuidar dos cuidados com nossa saúde”, relata Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed.

Considerando que o Brasil é um país continental, a situação do atraso nos diagnósticos de câncer de mama pode ser ainda mais complexa em determinadas regiões do país. Informações do Painel Abramed de 2019 – O DNA do Diagnóstico mostram que a região Sudeste concentra quase metade dos mamógrafos do Brasil, o que gera desigualdade na oferta de exames nos estados e leva ao chamado vazio assistencial. A região Norte, por exemplo, possui apenas 6% dos equipamentos do país.

Com a chegada do Outubro Rosa, campanhas diversas incentivam as mulheres a realizar exames preventivos importantes como a mamografia que, segundo o Instituto Oncoguia, é capaz de detectar pequenos nódulos de 1 milímetro até três anos antes da mulher conseguir senti-los na palpação. Assim, com o diagnóstico precoce e iniciando o tratamento do câncer de mama ainda no estágio inicial, as chances de cura chegam a 95%.

Debate do CFM trata da segurança do paciente no contexto do diagnóstico

Realizado na noite de 8 de outubro, encontro virtual foi moderado por Wilson Shcolnik

13 de outubro de 2020

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, moderou um debate promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre raciocínio clínico e melhoria do diagnóstico. O encontro contou com apresentações de Lucas Zambon, diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Leandro Arthur Diehl, professor na área de Clínica Médica e Semiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL); e Pedro Alejandro Gordan, professor do Centro Universitário São Lucas.

“Diagnosticar não é simples. É um processo complexo que exige conhecimento do médico e capacidade para aplicar esse conhecimento em um ambiente de trabalho que muitas vezes é desafiador”, disse Shcolnik ao iniciar as apresentações. Segundo o executivo, que é médico patologista, o processo diagnóstico pode trazer armadilhas que impactam os pacientes e, quando desencadeiam eventos adversos e danos, geram constrangimento e sensação de culpa nos médicos.

O debate circundou alguns aspectos principais: é preciso entender o raciocínio clínico, mudar a cultura médica diante da ocorrência de incidentes e eventos adversos, e compreender o papel dos processos assistenciais quando as falhas ocorrem. Esses são, segundo os palestrantes, os principais caminhos para reduzir o risco de erros diagnósticos e ampliar a segurança do paciente dentro do sistema de saúde.

Falando sobre os motivos que podem levar a um raciocínio clínico equivocado, Diehl abordou a racionalidade do ser humano. “Temos capacidade de tomar decisões racionais, mas esse não é nosso modo padrão de funcionamento”, declarou. Segundo o professor contamos com dois sistemas de pensamento: o primeiro é um processo rápido, automático, que não exige esforço, inconsciente e que funciona com reconhecimento de padrão. “A gente tende a aceitar rapidamente a resposta que vem desse nosso sistema intuitivo. Mas ele está sujeito a vieses e também a interferências que podem induzir ao erro”, declarou.

A segunda modalidade de pensamento está relacionada a um sistema mais lento, deliberado, que exige esforço e atenção, é totalmente consciente e gera comparações entre ações, caminhos e alternativas. “Quando recebemos resposta desse sistema, ficamos inseguros”, complementou Diehl com a intenção de mostrar que se manter o tempo inteiro raciocinando dentro da segunda modalidade nos deixa cansados.

Em sua apresentação, Gordan concordou ser extremamente necessário estudar o raciocínio clínico. “Das 337 faculdades de medicina em funcionamento no Brasil, nem 10% discutem o raciocínio clínico de forma estruturada”, apontou. Segundo o especialista, é papel de entidades como CFM, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e a Associação Médica Brasileira (AMB), além das universidades, colocar o tema em discussão.

Trazendo estudos que embasam estatísticas bastante interessantes sobre erros diagnósticos, Zambon destacou que nos Estados Unidos a estimativa é de que 74 mil pessoas morram ao ano em decorrência de assistências inadequadas diante de erros diagnósticos. “A literatura chega a dizer que todo cidadão viverá a experiência de enfrentar um erro de diagnóstico na vida”, disse.

Para ele, esses estudos nos mostram que o debate é apenas a ponta do iceberg. “Temos uma crise que está fora da superfície e, portanto, fora do nosso olhar”, pontuou. Porém é preciso entender que não há apenas um responsável pelo cenário. “O processo de diagnóstico é complexo e cheio de pontos de falhas. O médico é agente central, mas depende de uma série de tarefas, tecnologias, formação e questões organizacionais”, disse.

O bate-papo completo está disponível no canal do YouTube do CFM. Clique AQUI para acessar.

Em artigo publicado no Estadão, presidentes da Abramed e SBAC alertam sobre CP 912

Os presidentes da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) e Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), Wilson Shcolnik e Luiz Fernando Barcelos, respectivamente, assinaram o artigo “Exames realizados fora do ambiente laboratorial? É importante inovar sem desproteger”, publicado no Estadão nesse sábado (10/10).

Confira o texto na íntegra:

Exames realizados fora do ambiente laboratorial? É importante inovar sem desproteger

Apesar de ganharem ainda mais notoriedade durante a pandemia de COVID-19 como forma de suprir a carência por exames para detecção da infecção pelo novo coronavírus, os Point-of-care tests (POCT), também conhecidos como Testes Laboratoriais Remotos (TLR), já são uma realidade há décadas no setor de diagnóstico, e os profissionais que atuam em laboratórios clínicos conhecem tanto suas virtudes quanto seus problemas.

Esses testes, que podem ser realizados por dispositivos portáteis fora do ambiente laboratorial, já eram inclusive mencionados na RDC 302, que, publicada em meados de 2005 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), regula o funcionamento dos laboratórios clínicos impondo rígidas recomendações que balizam a segurança sanitária e, consequentemente, conferem segurança aos pacientes.

Sabemos que eles são úteis por proporcionarem reações rápidas, trazendo resultados de forma praticamente imediata. E, de fato, reconhecemos que eles podem contribuir, sobretudo em catástrofes, guerras ou desastres naturais ou, ainda, para preencher eventuais lacunas existentes no cuidado, porém desde que sejam integrados aos sistemas de saúde, que já sofrem com a fragmentação da assistência. Afinal, apesar de rápidos, esses testes não deixam de ser exames laboratoriais. Hoje temos POCT inclusive para biologia molecular, metodologia de alta complexidade utilizada em laboratórios clínicos.

Há algum tempo o setor de análises clínicas vem observando um forte movimento da indústria em prol desses exames, o que despertou a atenção da Anvisa. Isso é plenamente compreensível pois não podemos esquecer que a missão da Agência é promover a proteção da saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e do consumo de produtos e serviços, inclusive as tecnologias a eles relacionadas.

A RDC 302 – regulamento técnico para funcionamento de laboratórios clínicos –, é uma excelente resolução que promoveu melhoria significativa na qualidade dos laboratórios no Brasil, mas necessita de revisão, algo que o setor vem pleiteando há tempos.

Surpreendentemente, o que vimos acontecer recentemente foi não uma revisão dessa RDC, mas a sua substituição por um novo texto que está em consulta pública. A proposta da CP 912 cogita, sem limites, a liberação da realização de exames fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos, adota terminologias incompatíveis com a realidade internacional, desconstrói os laboratórios brasileiros, desrespeita os profissionais do setor e coloca gravemente em risco a segurança dos pacientes.

Há farta literatura científica comprovando que a maior parte dos erros nos exames realizados remotamente ocorre durante a fase analítica, ou seja, por falhas de operadores na calibração dos equipamentos e na avaliação dos controles de qualidade que asseguram a precisão e exatidão dos resultados. Por isso, o setor questiona: como garantir que esses exames sejam feitos de forma segura para não colocar em risco a segurança dos pacientes?

Segundo estudo compilado nos arquivos da CP 912, outros países impõem limitações à realização de POCT fora dos laboratórios. A Inglaterra, por exemplo, só os permite em farmácias para controle de glicemia, colesterol, gripe e hepatite. Além da glicemia, a França autoriza para influenza A e B e estreptococos. Já a Escócia, apenas para testes de gravidez e de HIV.

E no Brasil? Será que é desejo dos órgãos reguladores liberar todos os tipos de testes fora do ambiente laboratorial? Será que a população pode ser exposta com a realização de testes complexos sem a segurança hoje exigida pela RDC 302? Será que resultados críticos, que exigem intervenção médica imediata, podem ser obtidos desta forma?

Cabe à Anvisa regulamentar esse tipo de serviço, garantindo que tanto as recomendações das sociedades científicas que atuam nesse setor quanto as normas internacionais sejam seguidas independentemente do local onde o exame é realizado. Os ambientes e equipamentos devem ser adequados, e os profissionais, habilitados e capacitados, como já previsto pela RDC 302.

Sabemos que resultados de exames laboratoriais são responsáveis por 70% das decisões médicas e têm papel importante na detecção de fatores de risco, podendo mudar completamente o rumo do diagnóstico, do monitoramento e do tratamento de doenças. Reduzir o controle de qualidade desses exames é expor a novos riscos os cidadãos que recorrem a eles para preservar e tratar sua saúde.

Esperamos chegar a um modelo que beneficie e proteja, de forma efetiva, os maiores interessados nesse processo: os pacientes. Com a palavra da nossa agência reguladora, a Anvisa.

* Wilson Shcolnik é presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e presidente do conselho de ex-presidentes da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e membro da Câmara Técnica de Segurança do Paciente do CFM.

* Luiz Fernando Barcelos é presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas.

Percepções do setor de saúde a respeito das Consultas Públicas 911 e 912

Diante da publicação das Consultas Públicas (CPs) 911 e 912, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que seguem abertas até 23 de outubro e tratam, respectivamente, da regulação de farmácias e drogarias, bem como das diretrizes que regem as atividades dos laboratórios clínicos, várias entidades da saúde uniram-se para analisar essas propostas e apresentar as principais percepções acerca do tema.

O setor de laboratórios clínicos há muitos anos vem sinalizando à Anvisa a necessidade de incluir, em sua agenda regulatória, a revisão da RDC 302, principal norma que rege as atividades desses estabelecimentos. Ao longo do tempo, a norma contribuiu com melhorias para que a regulação controlasse com rigidez os ambientes e as boas práticas laboratoriais, em conformidade com a nova realidade tecnológica.

No entanto, para surpresa do setor, a CP 912 apresentada em consulta pública não considera muitos desses apontamentos. Além disso, traz propostas de terminologias não observadas em normas internacionais que regem o setor, colocando em risco a segurança dos pacientes. Paralelamente, a CP 911 – que revisa a RDC 44 sobre regulação de serviços farmacêuticos – considera que qualquer unidade de saúde pode aferir parâmetros fisiológicos e bioquímicos por meio de dispositivos de apoio ao diagnóstico, sem definir quais testes podem ser realizados e quais práticas devem ser respeitadas fora do ambiente laboratorial.

Diante desse cenário, o conglomerado de entidades que questionam as propostas apresentadas em consultas públicas sugere a adoção de posicionamento embasado nas mensagens-chave elencadas a seguir, a serem reforçadas pelos porta-vozes da entidade e de empresas associadas em todas as interações e oportunidades que tenham com imprensa, formadores de opinião, influenciadores, comunidade médica, órgãos reguladores, legisladores, governos e a sociedade em geral.

  1. Considerando que cerca de 70% das decisões médicas se baseiam em resultados de exames laboratoriais, a confiabilidade desses exames é fundamental para garantir diagnósticos precoces, precisos e decisões corretas sobre definição e monitoramento de tratamentos. Liberar a realização de exames fora de ambientes altamente controlados, como os observados nos laboratórios clínicos, coloca a segurança dos pacientes em risco, visto que, sem definição clara de como serão feitos os controles de qualidade, torna-se inviável garantir a confiabilidade e utilidade dos resultados desses exames, sobretudo em casos que exigem intervenção médica imediata.
  • As propostas das CPs 911 e 912 não consideram os apontamentos de melhorias feitos nos últimos anos pelos laboratórios clínicos brasileiros que estão em consonância com normas internacionalmente aceitas. Ademais, são mencionadas nos textos das CPs terminologias incompatíveis com as utilizadas pela Anvisa, assim como pelas normas nacionais e internacionais; e previsões igualmente incompatíveis com as atividades dos laboratórios clínicos que, desconectadas da realidade, prejudicam a prestação de serviços laboratoriais e afetam a segurança dos pacientes.
  • As propostas desprestigiam o setor e desrespeitam os profissionais que se capacitaram, especializaram, treinaram e adquiriram expertise nas práticas laboratoriais ao permitir que qualquer profissional lotado em unidade de saúde seja equiparado a um profissional de laboratório clínico.
  • A CP 912 permite a oferta de serviços em locais sem nenhum critério mínimo de infraestrutura, enquanto os laboratórios clínicos seguem rígidas recomendações vigentes para assegurar a mitigação de riscos, a segurança sanitária e a qualidade.
  • A CP 911 não define os limites da assistência farmacêutica, ou seja, não estabelece critérios e classificações para definição de complexidade de quais exames poderiam ser realizados fora do ambiente laboratorial. Os point-of-care testing (POCT), também conhecidos como testes laboratoriais remotos (TLR), podem incluir exames de variadas complexidades, e outros países, a exemplo dos Estados Unidos, apenas autorizam a realização de POCT classificados como testes de baixa complexidade em farmácias e drogarias, exigindo inspeções periódicas quando são ofertados exames de média e alta complexidade.

Reforçamos que as CPs 911 e 912 seguem abertas até 23 de outubro. A situação traz riscos para o paciente e para o funcionamento dos laboratórios clínicos, o que torna imprescindíveis a reflexão sobre o tema e a repercussão dele.

Encontro virtual debate dificuldades e oportunidades de melhorias da cadeia de suprimentos em saúde

Quinto encontro do #DiálogosDigitais Abramed contou com especialistas relatando entraves da pandemia e lições para o futuro

08 de outubro de 2020

O setor de suprimentos em saúde foi um dos primeiros impactados pela pandemia de COVID-19. Assim que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo, o crescimento exponencial da demanda por equipamentos de proteção individual (EPIs), respiradores e outros tantos insumos – entre eles os laboratoriais – somado à problemas de logística gerou uma disputa internacional e uma defasagem generalizada. O que a crise deixa de aprendizado para o futuro da cadeia de suprimentos e quais os atuais entraves para melhorias nesse fluxo foram debatidos no quinto encontro da série #DiálogosDigitais Abramed, realizado na noite de 6 de outubro.

Moderando o bate-papo, Guilherme Collares, membro do Conselho Fiscal da Abramed e diretor de Operações do Hermes Pardini, disse ter vivenciado muitos dos entraves trazidos pela COVID-19 em sua atuação no ambiente laboratorial. “Enfrentei todas essas dificuldades e assisti a situação melhorar ao longo do tempo se transformando em uma oportunidade para aprendermos e repensarmos a forma como fazemos nossas negociações”, comentou ao apresentar Antonio Fabron Jr, CEO da DB Diagnósticos do Brasil; Malu Sevieri, diretora-executiva da Medical Fair Brasil; Sergio Rocha, presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI); e Thiago Liska, diretor-executivo da Diagnóstica Cremer, como os palestrantes da noite.

Abrindo espaço para que os participantes comentassem como a COVID-19 impactou a medicina diagnóstica, Collares convidou Fabron a contar mais sobre sua experiência na DB Diagnósticos do Brasil. Segundo o executivo, foram diversas as dificuldades, mas uma gestão eficiente conseguiu contorná-las para que o paciente final não fosse prejudicado. “Com relação à logística, tivemos de reestruturar toda nossa malha aérea, mas como descentralizamos nossas unidades, o impacto não foi tão grande”, comentou Fabron.

Ainda sobre a questão logística, Rocha mencionou o que percebeu junto aos associados da ABRAIDI. “Hoje até 80% do que importamos vêm dos EUA. Com o corte dos voos internacionais, o começo da pandemia foi muito difícil. Para reduzir esse impacto, investimos na interlocução com o poder público fazendo reuniões com o Ministério da Saúde, o Ministério da Economia e até mesmo com a ANAC para buscar alternativas”, declarou. Esse diálogo com o governo e entidades que atuam diretamente com a logística do Brasil foi feito, inclusive, em conjunto com a Abramed.

Dependência de importações

A dependência brasileira de insumos importados foi um dos temas abordados ao longo do debate. “Não temos a missão de suprir 100% das nossas necessidades internas, mas não podemos ser totalmente dependentes de importações senão continuaremos suscetíveis”, comentou Liska.

O setor de saúde, de forma generalizada, está em plena evidência, na opinião de Rocha. Para o executivo, é hora de agir. “Para isso precisamos parar de olhar para nosso próprio umbigo e nos organizarmos, atuarmos em conjunto. Não podemos deixar de lado tudo o que vem ocorrendo nos últimos sete meses. Nossa educação tem de mudar. Ou a gente evolui tecnologicamente ou continuaremos importando mais de 90% do que utilizamos”, disse.

Ampliar a produção interna é um desafio. “Precisamos criar uma situação econômica que favoreça as empresas nacionais e as multinacionais com fabricação em nosso território para que produzam mais dos insumos que precisamos. Assim poderemos enfrentar novas pandemias e novos cenários desfavoráveis com mais serenidade”, encerrou Fabron.

Impacto na relação entre comprador e vendedor

Criar bons laços com os fornecedores foi a alternativa encontrada pela DB Diagnósticos do Brasil para evitar prejuízos em seus estoques. “Com relação aos EPIs, fomos afetados, mas graças às entregas programadas e ao bom relacionamento com nossos fornecedores, o impacto foi assimilável”, disse Fabron.

Para falar sobre como o distanciamento social imposto pela COVID-19 impactou essas relações, Malu Sevieri, que comanda a Medical Fair Brasil, fez seus comentários. O evento, que é a versão brasileira da Feira MEDICA da Alemanha, foi adiado para maio de 2021 devido à pandemia, mas seguiu auxiliando seus parceiros. “Atendemos clientes que nos ligavam para pedir ajuda. Vimos fábricas que fecharam por 90 dias pois não tinham motivos para produzir, já que toda a compra estava voltada à COVID-19 ou às emergências. Agora percebemos que com a volta das cirurgias eletivas, a demanda está retomando aos poucos”, pontuou.

Dando o parecer da indústria, Liska relatou situações que levaram a um aumento de custos nem sempre bem compreendido pelos clientes, como por exemplo o aumento do valor do frete internacional. “No curto prazo temos que torcer para aumentar a oferta e para que os fabricantes consigam ajustar à demanda fazendo o preço voltar à normalidade. E, no médio e longo prazos, investir em conversas estruturadas com poder público e a iniciativa privada viabilizando maior produção local”, avaliou.

União para evolução

Falta confiança entre os elos da complexa cadeia de saúde na opinião de Liska. “A gente consegue ter a tecnologia e fazê-la funcionar. Mas vejo pouca confiança entre os entes e baixo apetite para a interoperabilidade, conectividade e eficiência da cadeia. Precisamos nos reunir com maturidade, nos despir de nossas agendas individuais, e pensarmos, juntos, como construir um mercado mais integrado, mais eficiente e menos custoso”, completou.

Malu trouxe bons exemplos de como a tecnologia ajuda. “Existem, hoje, startups dedicadas a compras consolidadas. Um hospital ou mesmo um laboratório clínico compra, por exemplo, de cinco fornecedores distintos. Ele pode consolidar tudo isso em uma mesma carga. Precisa, apenas de planejamento”, explicou. Além disso, a executiva mencionou que vários compradores podem se unir para fazer um único pedido, conseguindo preços mais competitivos e até mesmo fretes mais baratos.

Para que esse diálogo se concretize, são diversos os caminhos possíveis. Na opinião de Rocha, a criação de grupos de trabalho é um deles. “Criar grupos com pessoas da área que estão envolvidas com seus setores e têm vontade de trabalhar, deixando a política de lado, é ótimo”, pontuou.

Legado da pandemia

“O que a COVID-19 deixa de legado? Quais aprendizados devemos levar”, questionou Collares.

Para Liska, a visão de coletivo foi o ponto de maior aprendizado. “Começamos a entender que temos uma responsabilidade coletiva”, disse. Rocha concordou. “A coletividade está acima da individualidade”. Já para Malu, o principal destaque está na capacidade de adaptação do povo brasileiro. “Estamos de parabéns. Reagimos rápido”, disse. Encerrando as ponderações sobre o legado, Fabron mencionou a tecnologia: “temos que investir pesado na digitalização”.

Para fechar o bate-papo, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, trouxe uma pergunta do presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik: “vivemos uma situação inédita onde todos se empenharam para manter o abastecimento do mercado. Mas olhando para frente, teremos produção? Vamos conseguir fazer a distribuição, garantindo exames e cirurgias?”.

Com a experiência da DB Diagnósticos do Brasil, Fabron disse que não só estão retomando a produção como estão produzindo 15% a mais do que produziam antes da crise. Collares também aposta em melhorias, em uma produção mais veloz e segura. Rocha e Liska também são otimistas quanto a entrega. Já Malu tem suas dúvidas e acredita que o equilíbrio deve demorar um pouco mais para ocorrer.

O bate-papo completo deste episódio está disponível no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para assistir) e a próxima edição está marcada para 20 de outubro e trará, como tema principal, “Cuidado Inteligente”.