“São muitas vidas sendo perdidas por falta de prevenção”, diz Priscilla Franklim Martins

Em live da You Care Brasil, executiva reforça relevância dos exames preventivos para diagnóstico precoce do câncer de mama

30 de outubro de 2020

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2020 é de que 29,7% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil sejam de câncer de mama. A alta estatística assusta e liga um alerta ainda maior nesse Outubro Rosa: as mulheres precisam estar atentas à sua saúde, realizando os exames preventivos e, assim, ampliando suas chances de bons prognósticos caso sejam identificadas patologias como essa. Para falar sobre esse assunto, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), participou de uma live comandada por Daniela Camarinha, sócia diretora da You Care Brasil.

Na ocasião, Priscilla trouxe outros dados alarmantes. “Serão mais de 76 mil casos de câncer de mama somente no Brasil em 2020. E, infelizmente, desse montante, aproximadamente 16,9% viram óbito. Estamos falando em muitas mulheres morrendo, muitas vidas sendo perdidas também pela ausência de exames preventivos”, comentou.

A alta taxa de mortalidade poderia ser reduzida com iniciativas que priorizam a prevenção. Considerando que, no Brasil, 70% dos diagnósticos de câncer são feitos nos estadiamentos 3 e 4, podemos perceber que há muito espaço para investir em conscientização. “Nos Estados Unidos, apenas 2% dos cânceres são identificados assim tão tarde”, comentou Priscilla sobre como o nosso país precisa investir em prevenção e valorizar os exames diagnósticos que a cada dia estão mais tecnológicos e com maior capacidade de identificação precoce de tumores. Uma mamografia, por exemplo, consegue identificar um nódulo de até 1mm no seio, ou seja, antes mesmo de ser possível senti-lo pela palpação.

Comentando ter ficado assustada com esses números, Daniela também apoia essas campanhas. “Sabemos que apenas com prevenção vamos conseguir sustentar a saúde no Brasil”, pontuou.

As previsões do INCA para 2020 não consideram, ainda, um cenário de pandemia, o que pode se tornar ainda mais drástico no futuro, visto que muitos exames diagnósticos e tratamentos foram atrasados (ou paralisados) devido ao receio trazido pela alta transmissibilidade do novo coronavírus.

“Vimos, no setor de diagnóstico, uma debandada muito preocupante dos pacientes. Claro que houve o impacto nos negócios, já que laboratórios e clínicas de imagem sentiram queda média de 70% no número de atendimentos nos primeiros meses da pandemia, mas esse afastamento é muito prejudicial à saúde das pessoas. Há quem interrompeu tratamentos e há quem estava com o pedido médico de um exame e o engavetou. Quantas doenças deixaram de ser diagnosticadas em tempo hábil de serem tratadas?”, questionou Priscilla.

Para trazer o paciente de volta aos serviços de saúde foi preciso investir em uma comunicação transparente, mostrando que saúde já é um setor altamente regulado e que os protocolos de segurança, já existentes, foram ainda mais reforçados. “Tivemos que educar a população de que outras doenças não esperam a COVID-19 passar, que elas não podiam esperar a vacina chegar para fazer os exames que poderiam também salvar suas vidas”, disse a diretora.

Daniela questionou, então, o que o Brasil precisa para melhorar esse cenário.

Toda essa atuação educacional, para Priscilla, deveria ser iniciada ainda no período escolar, para que as crianças crescessem aprendendo sobre saúde e sobre a importância da prevenção. Além disso, as famílias precisam estar unidas, para que todos cuidem uns dos outros. “Muitas vezes a mulher, quando vira mãe, está tão dedicada à família, aos filhos, que deixa de se cuidar. O homem também precisa aprender que ele faz parte disso, que ele também é responsável pela família. É uma mudança cultural, mas sou otimista e vejo que ela está acontecendo”, declarou.

Outros pontos mencionados pela diretora foram o investimento em políticas públicas mais eficientes, que facilitem o acesso à saúde; e a união de todos os elos da complexa cadeia, para que todos estejam alinhados em um mesmo propósito de prevenção. “É bom para o paciente e é bom para o sistema”, disse.

Priscilla também aproveitou a oportunidade para apresentar a Abramed, falar de todo o empenho dos grupos de trabalho que desenvolvem ações diversas buscando melhorias para o setor de diagnósticos, e comentou que a entidade está comemorando 10 anos agora em 2020.

A live está disponível no Instagram da YouCare e pode ser assistida AQUI.

Exames em farmácias aumentam acesso, mas aumentam também o risco ao paciente

Consultas públicas abertas pela Anvisa buscam opinião da sociedade sobre a realização de exames laboratoriais em farmácias e drogarias; Abramed mostra preocupação com a segurança dos pacientes

27 de outubro de 2020

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu duas Consultas Públicas (CPs) visando ouvir a sociedade brasileira quanto à realização de exames laboratoriais em farmácias e drogarias. Porém, a falta de definição de quais deles poderão ser realizados fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos é o que preocupa a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Hoje, farmácias e drogarias estão autorizadas a realizar apenas testes rápidos de COVID-19 e de glicemia.

“A história nos mostra que muitos testes rápidos têm desempenho ruim, o que pode levar a resultados incorretos, imprecisos, e à falta de segurança dos pacientes”, explica Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed. O executivo, médico patologista clínico, reforça que os laboratórios contam com profissionais altamente treinados para operação de modernos equipamentos de classe mundial em ambientes controlados que seguem diretrizes rígidas impostas pela regulamentação atual, contribuindo para a obtenção de resultados confiáveis. “Exames realizados em laboratórios contam com profissionais que estudaram a calibração, a validação e o controle de qualidade desses equipamentos”, diz. “De que adiantaria uma moderna aeronave sem um piloto treinado para operá-la?”, complementa.

Segundo o presidente, a maioria dos testes rápidos – também denominados point-of-care testing (POCT) – não passa por avaliação da Anvisa antes de ter a utilização liberada. “Eles são registrados, porém não são validados. Cabe, assim, aos laboratórios, com toda sua expertise, realizar uma análise qualitativa dos dispositivos antes de analisar amostras colhidas de pacientes”, disse.

Foi o que ocorreu agora durante a pandemia do novo coronavírus. Com muitos testes chegando ao mercado, começaram a surgir os resultados tanto falso positivos quanto falso negativos. A fim de sanar esse problema, diversos laboratórios privados e entidades do setor de saúde se uniram em um projeto objetivando verificar o desempenho dos kits disponibilizados em território nacional. Os resultados provenientes de cerca de 15 mil amostras de pacientes analisadas evidenciaram problemas e estão disponíveis ao público.

Na visão da Abramed, a oferta de exames em farmácias e drogarias pode ser positiva, desde que haja regulamentação limitando a liberação apenas daqueles de baixa complexidade, à semelhança do que vem ocorrendo em diversos países. “A Inglaterra, por exemplo, só autoriza testes para controle de glicemia, colesterol, gripe e hepatite nas farmácias. Além da glicemia, a França autoriza a exames para influenza A e B e estreptococos. Já a Escócia permite apenas testes de gravidez e de HIV”, esclarece o presidente.

Para a Associação, é possível ampliar o acesso sem prejudicar a segurança dos pacientes. Exames laboratoriais embasam até 70% das decisões médicas, tamanha sua relevância no diagnóstico, na definição de tratamentos e no gerenciamento de doenças. Por esse motivo, liberar qualquer tipo de teste rápido em farmácia pode acarretar sérias consequências aos pacientes. “Um exame com resultado impreciso, pouco confiável, não é benéfico à sociedade. Não adianta ampliarmos o acesso aos exames, se os médicos não terão confiança naqueles resultados para escolherem a melhor abordagem no cuidado do paciente”, diz Shcolnik. Além disso, há a preocupação com os resultados críticos, ou seja, que exigem intervenção médica imediata.

As consultas públicas que tratam o assunto são a 911 e a 912, que seguem abertas no portal da Anvisa até 7 de dezembro. Hoje, os laboratórios clínicos são regulados pela RDC 302, que impõe rigorosas recomendações sanitárias. “Essa resolução representou um marco na conquista da qualidade dos serviços laboratoriais no Brasil. Caso as farmácias passem a realizar exames, devem seguir a mesma regulação dos laboratórios, até porque são esses rígidos protocolos que garantem a segurança e a confiabilidade dos resultados”, finaliza Shcolnik.

Para vencer a crise, bom relacionamento e capacidade de adaptação

Assinado por Antonio Fabbron Jr, CEO da DB Diagnósticos do Brasil, artigo aborda desafios e oportunidades da pandemia

27 de outubro de 2020

* Por Antonio Fabbron Jr

A pandemia de COVID-19 nos impactou diretamente e, nas primeiras semanas, sob tantas incertezas, também não sabíamos muito bem para onde tínhamos de caminhar. Porém, temos muitos aspectos a considerar e lições a tirar dessa crise. A primeira delas está na importância de construir um excelente relacionamento com fornecedores íntegros e de confiança. Se a crise nos trouxe algo interessante foi a chance de ver, realmente, quem é parceiro e quem é oportunista.

Durante a escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs) – uma questão muito importante e que ganhou proporção enorme nos primeiros meses da crise no nosso país – nós fomos impactados, claro, mas graças à nossa estratégia de ter estoques controlados para três meses, entregas programadas e credibilidade junto aos fornecedores, conseguimos fazer com que esse impacto fosse assimilável.

Essa boa relação que fomos construindo ano após ano por negociar sempre com ética e transparência, foi extremamente importante. Foi graças a esse relacionamento que nossos fornecedores cumpriram seus compromissos conosco e mantiveram suas entregas, o que nos permitiu contornar o problema sem grandes sofrimentos.

Essa parceria foi fundamental, porém não foi nossa única arma para esse combate. Paralelamente, a capacidade de adaptação se mostrou ainda mais necessária. Para garantir que nossos estoques para três meses de EPIs pudessem durar mais, colocamos todo o nosso setor administrativo em home office, reduzindo a circulação nas nossas processadoras. Com a queda de movimento, as operações também caíram e aos poucos tudo foi se ajustando.

Também precisamos nos adaptar para solucionar os entraves logísticos. Antes da pandemia contávamos com quase 100 voos diários para trazer as amostras aos nossos laboratórios e mais de uma centena de operações terrestres. A paralisação e redução dessa malha nos obrigou a redesenhar toda a nossa logística.

Estrategicamente, já há alguns anos, tínhamos investido em unidades descentralizadas e a proximidade com nossos clientes, somada à essa redistribuição das operações, nos auxiliou a vencer mais esse desafio. Apostamos em um sistema multimodal dentro do qual agregamos operações terrestres em substituição a rotas exclusivamente aéreas. Sofremos, mas vencemos.

Porém, algumas dificuldades permaneceram no nosso setor de diagnóstico, mesmo depois de mexermos na rotina de nossas equipes e de reestruturamos nossa cadeia de suprimentos. Dificuldades essas que não dependiam apenas do nosso empenho, mas de uma união de fatores: somos extremamente dependentes de insumos internacionais. Diante de uma crise mundial, estourou uma crise por suprimentos. E sem produção interna, tivemos de entrar em uma briga com todos os outros países que também disputavam esses insumos.

Assim, a pandemia nos traz mais um aprendizado e um dos nossos grandes desafios, hoje, é criar uma situação econômica que favoreça as empresas nacionais, e as multinacionais com fábricas em território brasileiro, a produzir mais desses insumos que importamos. Somente assim conseguiremos enfrentar novas pandemias, novos cenários desfavoráveis, de modo mais sereno.

Precisamos nos tornar mais independentes e, também, mais digitais. Precisamos investir pesado em tecnologia. Ainda fazemos muita coisa de forma manual, o que nos torna vulneráveis. Somente com a transformação digital a cadeia de suprimentos torna-se mais inteligente para que possamos gerenciar em tempo real o que está acontecendo. Isso nos traz agilidade e segurança para enfrentar esses cenários tão desafiadores.

Apagamos incêndios e, agora, estamos trabalhando pela recuperação. Nossa queda nas atividades chegou a 70%. Porém, em setembro, conseguimos produzir 15% a mais do que produzimos em fevereiro, último mês antes da pandemia estourar no Brasil. E todas essas lições que aprendemos nos últimos sete meses vão contribuir para que o mercado de análises clínicas se recupere. Com respostas rápidas de nossos fornecedores, apoio de toda a cadeia, e com nossa capacidade de adaptação sempre em alta, acredito que nosso crescimento vai deslanchar. Muitas atividades que estavam represadas pelo medo da contaminação estão voltando e contamos com as parcerias que construímos – e fortalecemos na crise – para embasar nosso desenvolvimento.

* Antonio Fabbron Jr é CEO da DB Diagnósticos do Brasil

Cuidado inteligente – Em que fase estamos e quais os próximos passos

Sexto encontro do #DiálogosDigitais Abramed abordou inteligência artificial, LGPD, inovações em saúde e acesso único do paciente

21 de outubro de 2020

O advento da tecnologia vem transformando continuamente a saúde no mundo, tornando o cuidado muito mais inteligente, integrado e acessível a todos os pacientes. Para entender em que fase estamos, quais os empecilhos para o avanço mais rápido e como será a nossa realidade daqui a 30 anos, o sexto encontro da série #DiálogosDigitais Abramed, realizado na noite de 20 de outubro, recebeu especialistas do setor para um bate-papo moderado por Gustavo Meirelles, membro do comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Gestor Médico no Grupo Fleury.

No debate sobre quais as tecnologias que estão revolucionando o mercado, estiveram presentes Armando C. Lopes Jr, diretor geral da Siemens Healthineers Brasil; João Fábio Silva, co-fundador e COO da Stark-4pl; Leonardo Vedolin, vice-presidente da área médica da Dasa; e Luis Gustavo Gasparini Kiatake, presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).

Muito foi tratado sobre procura inteligente de sintomas e o futuro da saúde diante de uma revolução tecnológica exponencial. E, na visão de Lopes Jr, tudo isso só traz benefícios. “A inteligência artificial nos beneficia em três grandes vertentes: aumentar e melhorar a produtividade para que possamos ampliar o acesso; auxiliar a medicina personalizada; e contribuir com a gestão de saúde populacional”, comentou.

Sabendo que a tecnologia tem muitas possibilidades de contribuição à população, Silva aproveitou a oportunidade para fazer uma crítica a alguns conflitos que atravancam o desenvolvimento desse setor. “A dificuldade em colocar toda essa inovação em prática está em gerir interesses que fogem a fazer o bem ao paciente. É preciso quebrar barreiras políticas”, pontuou.

Para o executivo, a pandemia nos mostrou que temos a tecnologia em mãos, mas precisávamos de uma emergência para que o investimento fosse feito. “A telemedicina, por exemplo, tão óbvia e necessária, por qual motivo não foi aplicada antes do novo coronavírus?”, questionou. Assumindo-se otimista, complementou dizendo que sempre será defensor da tecnologia: “vejo muitas soluções que só precisam ser usadas, aceitas e implementadas rapidamente”.

Esse ciclo de oferta e demanda é, para Vedolin, natural. “O que a história tem nos mostrado é que quando a tecnologia se desenvolve em uma área, a demanda por aquela área também aumenta na mesma proporção”, declarou. Enfatizando que o homem acaba falhando ao prever o futuro e que, por esse motivo, ele não cogita fazer previsões, o vice-presidente da Dasa fez um retrospecto sobre a inteligência artificial na medicina diagnóstica. “Vejo que as modelagens de IA começaram muito ligadas à detecção de padrões, segmentação de lesões básicas e caracterização de lesões. Tudo isso auxilia o médico ao melhorar a qualidade do diagnóstico, levando-o a errar menos por estar baseado em critérios morfológicos. É a fase que vivemos agora. Creio que em cinco anos haverá uma evolução para um outro patamar com mais acurácia preditiva”, disse.

Promovendo uma análise sobre o posicionamento do Brasil diante de um mundo tecnológico, Meirelles questionou Kiatake sobre o papel da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) nesse contexto de tecnologia. “O que muda para melhor e o que muda para pior?”, perguntou.

Ao responder, o presidente da SBIS declarou que muitas vezes os dados ficam ilhados dentro das empresas e que a LGPD pode contribuir em dois aspectos: forçar as companhias a olharem para seus compilados de dados e abrir os olhos da população para seus direitos como detentora dessas informações.

“A lei nos força a olha para dentro, a fazer um inventário de dados e isso é excelente. Além disso, traz um novo conceito onde a população começará a compreender que tem direito àquele dado e que essa informação pode gerar benefícios para sua saúde”, verbalizou.

Esse tema serviu de gancho para que o time de especialistas participantes do encontro virtual passasse a tratar da interoperabilidade, tão apontada como entrave no atual cenário de inovação tecnológica. Para Vedolin, é interesse comum que haja interoperabilidade entre todos os elos da cadeia de saúde. “Não tenho dúvida de que todos os protagonistas querem seguir esse caminho”, disse ao afirmar que, na sua visão, interoperabilidade é interesse da indústria, dos prestadores de serviços, das operadoras de saúde, das associações e, sobretudo, do próprio paciente.

Se todos querem trabalhar nisso, quais os entraves? Para Vedolin falta confiança. “É um problema sistêmico e os interesses devem estar alinhados. Em algum momento vai ocorrer, porém temos que evitar que ocorra pelo motivo errado, ou seja, que se desenvolva como forma de redução de custos quando, na verdade, deve acontecer para melhorar a experiência do paciente e a qualidade da assistência”, completou.

Depois de ouvir a experiência da Dasa nas palavras de Vedolin, quem assistiu ao debate pode conhecer a visão do Grupo Fleury na fala de Meirelles. “Para a interoperabilidade, ainda temos alguns entraves internos como, por exemplo, o identificador único do paciente, que é o que mais nos preocupa para garantir a segurança. Não sei pontuar quando, mas acredito que isso acontecerá nos próximos anos”, declarou.

Os dois executivos aproveitaram a oportunidade para relembrar que Dasa e Fleury, junto com outros grandes players da medicina diagnóstica do país, já se reuniram dentro da Abramed para conversar sobre interoperabilidade.

Visão de futuro

Após tantas abordagens distintas sobre a tecnologia em saúde, o questionamento final de Meirelles foi: o que terá mudado em 2050?

Lopes Jr. aposta em uma maior percepção do paciente sobre o uso de seus dados pelo setor; Silva enfatizou que a tecnologia estará avançada permitindo maior acesso remoto dos pacientes e oferecendo muitos equipamentos portáteis; Vedolin mencionou uma maior produção interna para suprir as carências do mercado nacional, a utilização de drones dentro da cadeia de supply chain e a genômica mais desenvolvida; e Kiatake trouxe maior conhecimento em células tronco e discussão ética mais fortalecida.

Para encerrar o bate-papo, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, trouxe a pergunta do presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik: “o que está sendo feito na sua área para preparar as pessoas para a saúde digital?”.

Kiatake e a SBIS apostam na inclusão do tema no currículo das universidades. “Temos que colocar essa consciência na garotada”. Já Lopes Jr. acredita ser possível extrapolar os muros da escola, já que “inovação nasce em qualquer lugar”. Para o executivo, criar é um processo que vem do conhecimento sobre a experiência de outros segmentos de negócios. Indo nesse mesmo caminho, Silva crê que além de expandir seus horizontes, é preciso se adaptar. “Para liderar e dar o exemplo à minha equipe, primeiro preciso aprender”.

Cientes de que o foco está nas pessoas, Meirelles e Vedolin apostam na educação. Para Meirelles, os principais pontos dessa formação profissional são educação em saúde, conscientização, desmistificação de novas tecnologias, e mentorias que deixam o caminho aberto para todos. Já Vedolin reforçou que educação é uma disciplina que se aprende. “É importante ter a experimentação como forma de aprendizado. Testar e errar leva ao conhecimento. Importante ter o erro como ferramenta de aprendizado. “É o que nos faz sobreviver em um mundo instável”, finalizou. O bate-papo completo deste episódio está disponível no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para assistir) e a próxima edição está marcada para 10 de novembro e trará, como tema principal, “Lei Geral de Proteção de Dados”.

Abramed fala ao Jornal da Cultura sobre consultas públicas 911 e 912 da Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu duas consultas públicas (911 e 912) para saber sobre a possibilidade de as farmácias realizarem exames laboratoriais e para atualizar a resolução de 2005 que regula o funcionamento de laboratórios clínicos.

O tema foi pauta do Jornal da Cultura nessa segunda-feira (19/10) e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, que alertou sobre o fato de quem nem todos os exames rápidos são de qualidade.

“Os testes rápidos muitas vezes não são avaliados pela Anvisa antes de serem liberados para utilização. Os que servem para dosar glicose, colesterol e triglicérides, por exemplo, não têm nenhuma avaliação e nós sabemos que o desempenho ruim pode levar a resultados incorretos”, destacou Shcolnik durante entrevista ao telejornal.

Assista a matéria completa em: https://youtu.be/Au7dfrbclXo

Abramed apresenta desafios da medicina diagnóstica em ciclo de palestras do A.C. Camargo

Encontro virtual expôs panorama do mercado, identificou tendências e compartilhou dados relevantes do setor

20 de outubro de 2020

Com participação de Wilson Shcolnik e Priscilla Franklim Martins, respectivamente presidente do Conselho de Administração e diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), episódio do Ciclo de Palestras promovido pelo A.C. Camargo Cancer Center, em 16 de outubro, traçou um panorama do mercado de diagnóstico na saúde suplementar brasileira, elencando os principais desafios e tendências do setor.

O encontro foi moderado por dois executivos do A.C. Camargo: Marcos Cunha, diretor de negócios, e Edson Costa, supervisor de estratégia e inteligência. Quem participou teve acesso a um compilado de dados relevantes que traduzem o atual cenário do país.

“Vivemos um momento de incerteza devido à instabilidade econômica visto que a maior parte dos beneficiários dependem de seus empregos para terem acesso a convênios e à rede da saúde suplementar”, comentou Shcolnik ao dizer que a perspectiva dos economistas, hoje, é positiva e indica crescimento de muitos setores.

O executivo mencionou quais tem sido os principais pleitos do setor, enfatizando o impacto da Reforma Tributária. “Apoiamos a reforma que é muito importante para o país, mas temos preocupações com relação ao aumento da carga de impostos em toda a cadeia de saúde. Por isso nossa luta é pela neutralidade e, via Abramed, estamos em contato direto com o Governo para expor quais serão esses impactos”, declarou.

Shcolnik também mencionou o ambiente regulatório. Citou questões relativas às consultas públicas 911 e 912 que estão em andamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e preocupam os especialistas por permitir que exames sejam realizados fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios, expondo os pacientes à riscos de segurança; a revisão da RDC 50, que trata da infraestrutura e de projetos para serviços em saúde; e sobre a RDC 330 que, publicada em 2019 e com vigência prevista para início em dezembro, trata da infraestrutura e do funcionamento de clínicas de diagnóstico por imagem. “Quanto à RDC 330 solicitamos adiamento à Anvisa pois muitas clínicas e hospitais precisam de mais tempo para se adequar”, explicou.

Outro ponto que foi amplamente debatido durante a palestra diz respeito à incorporação de novos exames no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que, inclusive, está com consulta pública aberta. “Precisamos sempre continuar estudando esses impactos para que novos recursos sejam trazidos para o sistema de saúde nacional. Esse é um desafio permanente, pois as inovações não param, são incessantes, e temos de colocá-las à disposição do público”, esclareceu.

União e compartilhamento

O A.C. Camargo Cancer Center detém muito conhecimento em oncologia e entende que é possível compartilhar esse conhecimento a fim de tornar tanto o acesso ao diagnóstico quanto aos tratamentos mais fáceis pelo país. Para Cunha, as oportunidades são inúmeras. “Temos um serviço B2B para prover exames específicos e, como fazemos muita pesquisa, às vezes temos alguns painéis que ainda não estão no mercado”, disse sobre dividir essa expertise com outros hospitais e laboratórios.

Para Priscilla, o caminho é benéfico: “Existem enormes oportunidades tanto assistenciais quanto de geração de negócios para o hospital. No Brasil, que tem dimensões continentais, há muitos vazios assistenciais que precisam ser encarados de forma mais pragmática. Pensar em parcerias como forma de suprir essas carências é trazer um olhar interessante ao cenário”.

Painel Abramed

Shcolnik também aproveitou a oportunidade para falar sobre a terceira edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. O relatório, que está em fase final de consolidação e deve ser lançado no próximo mês, traz este ano um capítulo inteiro dedicado ao tema COVID-19, e informações detalhadas sobre o mercado de medicina diagnóstica, abordando desde o número de exames complementares realizados no país; distribuição de profissionais do setor no território nacional; detalhes sobre o mercado de trabalho; número de resultados de exames acessados pela Internet; e mais detalhes sobre o comportamento do paciente no ramo da medicina diagnóstica.

O Globo entrevista presidente da Abramed sobre possibilidade de realização de exames em farmácias

A Consulta Pública (CP) 912, aberta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que envolve a revisão da RDC 302 e impacta diretamente o setor de medicina diagnóstica, foi pauta do jornal O Globo dessa segunda-feira (19/10). A proposta permite a liberação da realização de exames fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos.

O presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, foi entrevistado para a matéria e destacou que a associação não é contra a realização de testes rápidos por farmácias, desde que sejam restritos aos de baixa complexidade.

“Há exames rápidos que funcionam bem, e outros que dão resultados equivocados. Essa é a lógica de ter a gerência de um laboratório, que conta com profissionais que estudaram para fazer calibração, validação, controle de qualidade. Não é o que está sendo proposto agora”, afirmou Shcolnik ao jornal.

Leia a matéria na íntegra: https://bit.ly/3ken2Bc

Prevenção e boas práticas minimizam riscos na gestão de terceiros

Políticas de compliance, due diligence e monitoramento constante auxiliam na gestão de parceiros de negócios

14 de outubro de 2020

As constantes mudanças no cenário econômico brasileiro se refletem na necessidade de uma gestão dos parceiros de negócio de forma cada vez mais proativa e efetiva nas organizações, para melhoria contínua da gestão, da conformidade contratual e regulamentar e da mitigação dos riscos envolvendo terceiros.

Entre os principais fatores que impulsionam a necessidade de uma governança e monitoramento de terceiros, inclusive na área da saúde, estão a expectativa de crescimento de serviços terceirizados nas organizações, as novas regulamentações em âmbito nacional e internacional e a alta velocidade de divulgação das informações na era digital.

Para permanecerem competitivas e alinhadas às tendências do mercado, as empresas estão buscando cada vez mais tratar as vulnerabilidades existentes em diversas dimensões do negócio, inclusive no que diz respeito aos riscos que podem comprometer sua imagem e reputação.

Nesse contexto, Vanessa Torres, gerente de Compliance e coordenadora do curso de pós-graduação em ética e compliance na saúde do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), diz ser importante a integridade da cadeia de suprimentos, visando garantir que os relacionamentos comerciais das empresas ocorram dentro de padrões legais e morais vigentes, prevenindo irregularidades e distorções em decisões de aquisição, que possam corromper a cadeia de fornecimento, permitindo a construção de práticas de mercado justas, com livre concorrência, contribuindo para uma dinâmica econômica mais transparente e uma sociedade mais ética. “Para tanto, o princípio norteador deve ser a transparência nas transações, fazendo com que a decisão sobre o negócio seja pautada na mensuração dos riscos identificados”, afirma.

Ela explica que os benefícios com esta postura ativa das organizações são prezar e promover o engajamento da cadeia produtiva para que o mercado seja formado de companhias éticas; aumentar a segurança das relações comerciais e mitigar eventuais riscos de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro no relacionamento com os terceiros; e minimizar riscos de penalização por qualquer ação irregular de funcionários e terceiros (mesmo sem o conhecimento ou aprovação da instituição, a chamada “responsabilidade solidária”, prevista na Lei Anticorrupção – nº 12.846/2013).

Na visão de Vanessa, no processo de compra de materiais e insumos, as boas práticas de governança, ética e compliance devem ser aplicadas. “A preocupação de quem está comprando deve ir além do preço. É preciso observar se o fornecedor está alinhado com os princípios éticos da organização, como esse profissional ou a empresa fornecedora de bens e serviços atua, sua capacidade de produção e entrega, se há riscos de corrupção e práticas ilegais, qual a parte responsabilizada frente às sanções e até mesmo qual o impacto do cancelamento de um pedido feito junto a um fornecedor que pode ter algum grau de dependência econômica com a sua organização”, orienta.

A pandemia do novo coronavírus, segundo a gerente de Compliance, fez multiplicar a necessidade do consumo de produtos e serviços no setor de saúde, havendo significativo redimensionamento das demandas. Por tudo isso, faz-se necessária a responsabilidade compartilhada entre as partes.

Seguir os aspectos legais, por meio das normas para licitação e contratos da administração pública para a garantia da isonomia e um desenvolvimento nacional sustentável, também é fundamental.

Devido à pandemia, como houve a dispensa de licitação para aquisição e contratação de bens, serviços e insumos destinados ao enfrentamento da Covid-19, Vanessa explica que há a necessidade do gerenciamento de riscos rigoroso durante a execução desses contratos, avaliação cuidadosa dos controles que podem ou não ser flexibilizados e  das fragilidades e limitações do processo e a realização de diligências, com avaliação de impacto jurídico, financeiro e reputacional, além de manter os registros que comprovem que, apesar do momento de incertezas e dificuldades, a instituição atuou com princípios éticos, diligência e transparência.

Outro ponto importante a ser observado é o conflito de interesses, que na rede de interações entre profissionais e organizações no setor da saúde pode acontecer.

O risco surge quando se estabelecem modelos de incentivo e financiamentos que podem distorcer o propósito real e justo de se oferecer a melhor resolutividade e experiência ao paciente. “O Conselho de Administração deve zelar para que as transações entre partes envolvidas nas relações comerciais e de trabalho sejam conduzidas dentro de padrões de mercado em todos os aspectos”, orienta Vanessa, que ainda lembra que se  deve garantir que as transações sejam reportadas adequadamente nos relatórios da organização e que o estatuto ou contrato social exija que as negociações sejam aprovadas pela alta administração, permitindo decisões institucionais diante de riscos de conflitos de interesses.

Estratégia de negócio

Monitorar a atuação dos fornecedores cada vez mais revela-se como uma ação estratégica para o negócio. Não é rara a divulgação de notícias que relatam prejuízos para a empresa contratante decorrente de situações envolvendo terceirizadas e por isso a palavra de ordem para as corporações é: prevenção.

A gerente de Compliance do Hospital Albert Einstein diz ser fundamental avaliar se há histórico de corrupção e improbidade, de má gestão ou desvio de recursos, pois um processo mal conduzido pode trazer consequências para a empresa e seus executivos. “A corrupção continua sendo crime e a boa intenção não é suficiente para justificar a falta dos devidos controles necessários para um processo de aquisição seguro”, garante.

Por esse motivo, muitos estabelecimentos de saúde estão adotando políticas de compliance, com regras, regulamentos e diretrizes internas. É uma área emergente e importante para o mercado nacional e mundial, pois visa buscar ética, transparência e integridade na condução dos negócios, protegendo o patrimônio e reduzindo a possibilidade de fraudes.

Dentre os elementos fundamentais de um programa de compliance estão o comprometimento da alta administração, elaboração de políticas, treinamento de colaboradores e a gestão de terceiros. “Essa transparência – que deve ser mantida em todas as relações no setor, sejam elas entre clientes, fornecedores, acionistas, sociedade e órgãos reguladores – impulsiona um movimento empresarial para implementação e fortalecimento de programas de governança e compliance, bem como visa influenciar o setor de medicina diagnóstica a assumir compromissos com práticas transparentes e de equidade”, destaca Vanessa Torres.

A responsabilidade institucional de fazer negócios com uma instituição que não está em compliance com as diretrizes normativas do setor é algo indiscutível. Daí a importância de se realizar uma due diligence para prestar um serviço de excelência na saúde e garantir a sustentabilidade do setor.

A due diligence de terceiros é uma pesquisa de antecedentes em relação a uma pessoa física ou jurídica para que a organização saiba com quem está se relacionando ou pretende se relacionar.

É importante observar que, por exemplo, a busca por conhecimento pela instituição de saúde em relação aos antecedentes éticos de empresas e profissionais está plenamente embasada pelo Princípio da Transparência. Vanessa finaliza dizendo que é necessário reforçar o processo de gestão de riscos de terceiros, pois “é importante ser vigilante para corrigir e tratar problemas identificados tempestivamente, estando próximo dos fornecedores, construindo parcerias sólidas e confiáveis, para garantir a sustentabilidade dos negócios de forma transparente”.

Mamografias caem 46,4% durante a pandemia

Dados compilados pela Abramed mostram impacto da COVID-19 no diagnóstico precoce do câncer de mama

9 de outubro de 2020

Principal exame para detecção precoce do câncer de mama, a mamografia é uma das grandes aliadas da saúde feminina. Porém, durante a pandemia de COVID-19, muitas mulheres deixaram de fazer esse procedimento que salva vidas. A queda na quantidade de mamografias realizadas no país, segundo dados das empresas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi de 46,4% quando comparado o período de março a agosto de 2020 com os mesmos meses de 2019. Importante frisar que as associadas à Abramed representam 56% do total de exames realizados na saúde suplementar.

No Sistema Único de Saúde (SUS) o cenário é igualmente preocupante: entre janeiro e junho de 2019 foram realizados 180.093 exames na rede pública. No mesmo período de 2020, a quantidade de exames caiu para 131.617.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2020 o Brasil deve assistir à 66.280 novos casos de câncer de mama, doença que em 2018 matou mais de 17 mil mulheres no país. Importante enfatizar que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) divulgou recentemente a pesquisa “Câncer de mama: o cuidado com a saúde durante a quarentena” que afirma que 62% das 1.400 mulheres entrevistadas não foram ao médico durante a pandemia com medo de contrair COVID-19. Entre o grupo de risco, composto por mulheres com mais de 60 anos de idade, 73% disseram estar aguardando a pandemia passar para retomar suas consultas e exames.

Essa situação exposta pelo IBOPE reflete parte do impacto da crise na medicina diagnóstica no país. O setor previa a realização de mais de 480 milhões de exames no primeiro semestre de 2020 e foram realizados apenas 353 milhões, o que representa uma queda geral de mais de 36%.

“O setor de medicina diagnóstica é rigidamente regulado para garantir a segurança do paciente. Com a pandemia, as empresas reforçaram ainda mais seus protocolos de segurança, aumentaram os intervalos entre os agendamentos, eliminaram agendamentos presenciais,  reduziram drasticamente o número de pessoas nas recepções, criaram fluxos de atendimento separados para atender pacientes com sintomas de síndrome gripal, aumentaram a coleta domiciliar, criaram o sistema de coleta drive-thru. Tudo isso aliado a uma comunicação consistente sobre a importância de manter a rotina de exames preventivos e de continuidade de tratamentos. As outras doenças não vão esperar a pandemia passar e não podemos descuidar dos cuidados com nossa saúde”, relata Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed.

Considerando que o Brasil é um país continental, a situação do atraso nos diagnósticos de câncer de mama pode ser ainda mais complexa em determinadas regiões do país. Informações do Painel Abramed de 2019 – O DNA do Diagnóstico mostram que a região Sudeste concentra quase metade dos mamógrafos do Brasil, o que gera desigualdade na oferta de exames nos estados e leva ao chamado vazio assistencial. A região Norte, por exemplo, possui apenas 6% dos equipamentos do país.

Com a chegada do Outubro Rosa, campanhas diversas incentivam as mulheres a realizar exames preventivos importantes como a mamografia que, segundo o Instituto Oncoguia, é capaz de detectar pequenos nódulos de 1 milímetro até três anos antes da mulher conseguir senti-los na palpação. Assim, com o diagnóstico precoce e iniciando o tratamento do câncer de mama ainda no estágio inicial, as chances de cura chegam a 95%.

Debate do CFM trata da segurança do paciente no contexto do diagnóstico

Realizado na noite de 8 de outubro, encontro virtual foi moderado por Wilson Shcolnik

13 de outubro de 2020

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, moderou um debate promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre raciocínio clínico e melhoria do diagnóstico. O encontro contou com apresentações de Lucas Zambon, diretor do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP); Leandro Arthur Diehl, professor na área de Clínica Médica e Semiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL); e Pedro Alejandro Gordan, professor do Centro Universitário São Lucas.

“Diagnosticar não é simples. É um processo complexo que exige conhecimento do médico e capacidade para aplicar esse conhecimento em um ambiente de trabalho que muitas vezes é desafiador”, disse Shcolnik ao iniciar as apresentações. Segundo o executivo, que é médico patologista, o processo diagnóstico pode trazer armadilhas que impactam os pacientes e, quando desencadeiam eventos adversos e danos, geram constrangimento e sensação de culpa nos médicos.

O debate circundou alguns aspectos principais: é preciso entender o raciocínio clínico, mudar a cultura médica diante da ocorrência de incidentes e eventos adversos, e compreender o papel dos processos assistenciais quando as falhas ocorrem. Esses são, segundo os palestrantes, os principais caminhos para reduzir o risco de erros diagnósticos e ampliar a segurança do paciente dentro do sistema de saúde.

Falando sobre os motivos que podem levar a um raciocínio clínico equivocado, Diehl abordou a racionalidade do ser humano. “Temos capacidade de tomar decisões racionais, mas esse não é nosso modo padrão de funcionamento”, declarou. Segundo o professor contamos com dois sistemas de pensamento: o primeiro é um processo rápido, automático, que não exige esforço, inconsciente e que funciona com reconhecimento de padrão. “A gente tende a aceitar rapidamente a resposta que vem desse nosso sistema intuitivo. Mas ele está sujeito a vieses e também a interferências que podem induzir ao erro”, declarou.

A segunda modalidade de pensamento está relacionada a um sistema mais lento, deliberado, que exige esforço e atenção, é totalmente consciente e gera comparações entre ações, caminhos e alternativas. “Quando recebemos resposta desse sistema, ficamos inseguros”, complementou Diehl com a intenção de mostrar que se manter o tempo inteiro raciocinando dentro da segunda modalidade nos deixa cansados.

Em sua apresentação, Gordan concordou ser extremamente necessário estudar o raciocínio clínico. “Das 337 faculdades de medicina em funcionamento no Brasil, nem 10% discutem o raciocínio clínico de forma estruturada”, apontou. Segundo o especialista, é papel de entidades como CFM, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e a Associação Médica Brasileira (AMB), além das universidades, colocar o tema em discussão.

Trazendo estudos que embasam estatísticas bastante interessantes sobre erros diagnósticos, Zambon destacou que nos Estados Unidos a estimativa é de que 74 mil pessoas morram ao ano em decorrência de assistências inadequadas diante de erros diagnósticos. “A literatura chega a dizer que todo cidadão viverá a experiência de enfrentar um erro de diagnóstico na vida”, disse.

Para ele, esses estudos nos mostram que o debate é apenas a ponta do iceberg. “Temos uma crise que está fora da superfície e, portanto, fora do nosso olhar”, pontuou. Porém é preciso entender que não há apenas um responsável pelo cenário. “O processo de diagnóstico é complexo e cheio de pontos de falhas. O médico é agente central, mas depende de uma série de tarefas, tecnologias, formação e questões organizacionais”, disse.

O bate-papo completo está disponível no canal do YouTube do CFM. Clique AQUI para acessar.