Conahp 2018: Abramed participa de discussão sobre custos no sistema de saúde

Conahp 2018: Abramed participa de discussão sobre custos no sistema de saúde

Em estudo apresentado no Conahp, Anahp revela que frequência é principal componente de aumento de custo na saúde complementar. Para Abramed, interoperabilidade somada a um esforço para a educação no setor é a solução

Novembro de 2018

A ineficiência do sistema provocou um aumento de 70% na utilização dos serviços da saúde privada entre 2012 e 2017. Segundo estudo encomendado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), o gasto do setor teve um acréscimo de R$49 bilhões no mesmo período e a frequência de uso dos serviços disponíveis foi a principal responsável por esse crescimento. O tema esteve em pauta em uma discussão ocorrida no último dia do Conahp 2018 e contou com a participação da presidente do Conselho da Abramed, Claudia Cohn, além de outros especialistas do setor.

Em sua reflexão, Claudia pontuou que a tecnologia não deveria influenciar no aumento de custo ao defender uma participação efetiva de todos os agentes da cadeia de saúde para mudar esse quadro. “Se todos cruzarem os braços, teremos uma frequência ainda maior. A incorporação da tecnologia vai existir e tem que ser usada da maneira correta, de forma a evitar o custo maior na frente.” Segundo ela, a solução para esse problema é a interoperabilidade somada a um esforço para a educação no setor. “Podemos trabalhar na busca de protocolos para que diminuam os pedidos de exames desnecessários. A responsabilidade também é nossa”, frisou.

Na abertura do painel, Martha Oliveira, diretora executiva da Anahp, detalhou os dados do estudo encomendado pela Associação, que revelou dados importantes sobre o custo do sistema de saúde suplementar no Brasil. O panorama mostrou que o número de beneficiários não cresceu muito de 2012 a 2017 (variação de 0,7%). Por outro lado, o número de eventos por beneficiário passou de 21 para 28 por ano, o que elevou a frequência de uso dos serviços disponíveis para 70%. “Neste cenário, o grande impacto é o da frequência. Ela é multifatorial e mostra um momento especial da situação da saúde do Brasil”, concluiu Martha.

Além de Claudia Cohn, participaram do debate sobre o tema Maurício Lopes (SulAmérica), Leandro Reis (Rede D’Or) e José Henrique Salvador (Hospital Mater Dei).Para Leandro Reis, da Rede D’Or, o estudo aponta para a necessidade de discutir a frequência e o desafio pode ser enfrentado por todos os entes do setor. “Quando a inflação repousa na frequência, retoma-se a necessidade de falar sobre algo muito debatido na saúde pública e pouco na privada, que é a gestão populacional. É preciso deixar de fazer gestão individual e evitar usar o risco como estratégia.Ferramentas de gestão eletrônica do paciente trazem luz para esse caminho.”

Representando as operadoras nessa discussão, Maurício Lopes, da SulAmérica,vê a crise como um fator que ajudou a traçar o caminho para acabar com esse ciclo ruim pelo qual o setor passa. “Crise é sempre oportunidade. Começo a enxergar uma capacidade de interlocução mais racional, mais sólida e mais próxima de todos os agentes da cadeia.” Segundo ele, uma solução seria propor meios de pagamentos diferentes.

Embora a frequência tenha sido a principal vilã dessa discussão, todos concordam que o período exige a união dos agentes do ecossistema de saúde no sentido de reformular o atual sistema. “Temos esse sistema que preparamos há 40 anos atrás. Para atualizá-lo, é preciso pelo menos quatro anos. A culpa da frequência não é do paciente, que fica no meio do sistema sendo jogado de lá para cá, sofrendo efeitos disso”, refletiu Martha.

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