Abramed participa de debate sobre telemedicina em evento do Ministério da Saúde

Abramed participa de debate sobre telemedicina em evento do Ministério da Saúde

Presidente do Conselho de Administração da entidade, destacou o crescimento e a importância da telepatologia e da telerradiologia

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), representada por Wilson Shcolnik, participou do evento Telessaúde Brasil, promovido pelo Ministério da Saúde, em Brasília, DF, no dia 2 de junho.

No encontro, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, assinou a portaria que regulamenta o programa Telessaúde Brasil, para atendimentos médicos especializados à distância a municípios localizados em áreas remotas, rurais e indígenas do país.

Shcolnik contribuiu com o debate falando sobre a regulamentação da telemedicina e as novas fronteiras dos serviços de saúde. Ele destacou o crescimento e a importância do telediagnóstico, tanto da telepatologia quanto da telerradiologia, comentando que o 5G vai possibilitar uma expansão ainda maior da telessaúde.

Segundo o presidente, esse desenvolvimento também trará mais desafios para o Conselho Federal de Medicina (CFM), porque algumas resoluções ainda obrigam que haja médico nas duas pontas, citando, justamente, a radiologia e a patologia. Neste ponto, fez uma provocação, citando a cientista brasileira que desenvolveu uma caneta que aspira células suspeitas de serem cancerosas e as transfere para o espectrômetro de massas, que faz a identificação, comparando com um banco de dados. “Questiono: um patologista com registro de especialista, como exige o CFM, será necessário num futuro prévio?”

Shcolnik também fez um agradecimento público àqueles que contribuíram para a elaboração do Projeto de Lei 1998/20, que autoriza e conceitua a prática da telessaúde em todo o território nacional. A proposta foi aprovada recentemente na Câmara dos Deputados e será enviada ao Senado.

Justamente sobre o estágio atual do PL falou o relator, o deputado federal Pedro Vilela (PSDB-AL). “Na redação do texto, tivemos algumas preocupações, como garantir a ampliação do acesso à saúde, a autonomia dos profissionais em relação ao uso da modalidade remota e o direito do paciente de recusar esse modelo, tudo sob o manto da segurança e da qualidade do serviço prestado. Esperamos que o Senado possa manter esse espírito”, ressaltou.

Em relação à primeira consulta ser presencial ou remota, ele deixou claro que a decisão é do médico. “E para que essa garantia fosse mais consistente, preservamos o poder regulador dos órgãos competentes para tratar da matéria. No caso de o procedimento não poder ser feito de forma remota, é preciso haver uma justificativa, provando que isso acarretará em riscos para a saúde do paciente. Esse ponto ficou bastante claro e pacificado e é importante que seja mantido assim”, disse.

De acordo com Vilela, se o projeto for aprovado, o país terá uma regulamentação sólida, clara e eficiente para permitir que a telessaúde seja utilizada em toda a sua amplitude e potencialidade. A aprovação, no entanto, depende de vontade política. “O caráter é de urgência e agora nos cabe trabalhar a articulação do Senado para que a matéria seja aprovada com a diligência que merece.” 

Também participou do debate o deputado federal Zacharias Calil (União-GO), defendendo que, em determinadas patologias, a primeira consulta precisa ser presencial. “É importante o contato entre o médico e o paciente, precisamos aprimorar isso. Há situações que não podem ser resolvidas pela telemedicina se não houver um médico do lado”, expôs.

Já Guilherme Weigert, do Conselho Administrativo da Saúde Digital Brasil (SDB), abordou o tema pelo ângulo de quem oferece tecnologia. Entre os desafios, citou a garantia da melhor transferência de dados com a banda do profissional e do paciente, e a questão da integração e coleta das informações. “Desenvolvemos a capacidade de testar a banda e oferecer streamings mais leves e também importarmos soluções de outros mercados para democratizar o acesso à saúde”, comentou.

Por sua vez, Donizetti Dimer Giamberardino Filho, do Conselho Federal de Medicina, defendeu que a tecnologia possibilita melhorar a vida das pessoas, desde que ofereça qualidade, segurança, acesso e permita a transferência de conhecimento, como é o caso da telemedicina. “No entanto, ela não deve substituir pessoas, mas sim, aprimorar o trabalho delas. Queremos que em cada cidade haja enfermeiro e médico com acesso a outros profissionais. A telessaúde veio para ficar, pois é a oportunidade de fazer a integração entre os sistemas de saúde”, comentou.

O vídeo do evento completo pode ser visto neste link.

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