Câncer de Mama: a importância da qualidade na mamografia para um diagnóstico preciso

Câncer de Mama: a importância da qualidade na mamografia para um diagnóstico preciso

* João Henrique Campos de Souza

No contexto do Outubro Rosa, é essencial ressaltar como a qualidade dos serviços de mamografia impacta diretamente o diagnóstico precoce do câncer de mama. Mamografias que atendem a padrões rigorosos de precisão, segurança e eficácia são fundamentais para identificar alterações sutis nos tecidos mamários, como pequenos nódulos ou microcalcificações, que podem indicar câncer em estágio inicial. A detecção precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.

Imagens de alta qualidade são essenciais para avaliar a extensão do tumor e auxiliar na escolha do tratamento mais adequado, seja cirúrgico, radioterápico ou medicamentoso. Elas também são importantes no monitoramento da resposta do tumor às terapias, permitindo a detecção precisa de mudanças no tamanho ou na forma do tumor e a realização de ajustes no tratamento. Assim, a qualidade da mamografia não apenas acelera o diagnóstico, mas também melhora o tratamento, aumentando as chances de cura e sobrevida para pacientes com câncer de mama.

Além disso, impacta diretamente na experiência do paciente e na confiança no exame, influenciando tanto o conforto físico quanto a confiança nos resultados. Em contraste, exames feitos com equipamentos inadequados podem resultar em diagnósticos imprecisos, aumentar a exposição à radiação e exigir procedimentos adicionais.

Vale lembrar que problemas técnicos que levam à repetição de mamografias não apenas afetam a saúde das pacientes, mas também sobrecarregam o sistema de saúde com custos adicionais, gerando ineficiência e ansiedade. Cada repetição envolve gastos com equipamentos, tempo de profissionais e insumos, acumulando custos ao longo do tempo e interferindo na sustentabilidade de todo o ecossistema.

A literatura científica sobre os riscos dos exames de mamografia é muito extensa, o que traz segurança jurídica para estabelecer em norma os padrões de qualidade e de desempenho para os equipamentos, de modo a assegurar imagens cujos critérios físicos permitam identificar as alterações de maneira precisa.

Assim sendo, o serviço de mamografia que cumpre integralmente a legislação sanitária vigente (RDC/Anvisa nº 611/2022, a IN/Anvisa nº 92/2021, entre outras) tem a garantia de que o seu equipamento opera conforme os padrões internacionalmente harmonizados para a segurança, qualidade e desempenho.

E justamente para reduzir riscos nos serviços de saúde e fortalecer a qualidade dos equipamentos de mamografia no Brasil, em 8 de março de 2024, a Anvisa lançou o Projeto Com a Visa no Peito, uma iniciativa da Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES).

O projeto busca promover o uso de dois roteiros: ROI Mamografia, que é aplicado nos serviços de mamografia, e ROI Controle de Qualidade, destinado à avaliação dos equipamentos. Ambos foram elaborados com a participação ativa do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).

Esses roteiros permitem obter um panorama dos serviços de mamografia no país, identificando riscos potenciais para intervenções da vigilância sanitária. A implementação dos ROI também traz ganhos perceptíveis aos serviços inspecionados, pois agrega transparência, clareza, objetividade e previsibilidade.

Para divulgar essa iniciativa, a Anvisa fechou parceria com a Abramed, lançando uma cartilha para gestores de saúde que facilita o monitoramento de conformidade e a detecção de não conformidades, incentivando a melhoria contínua. A publicação está disponível aqui.

Acredito que o sucesso de qualquer ação de governo na área da saúde depende do envolvimento do setor regulado. A parceria com a Abramed, uma entidade de referência no setor de diagnóstico, é estratégica para melhorar a qualidade da medicina diagnóstica no Brasil. A expertise da entidade permitirá otimizar os resultados do projeto.

Ao priorizar a qualidade, não apenas estamos contribuindo para a saúde individual, mas também para a saúde coletiva, promovendo melhores desfechos. Empresas e gestores de saúde devem priorizar a excelência dos equipamentos, afinal, esse compromisso resulta em tratamentos mais eficazes e um sistema de saúde mais regulado, seguro, confiável, sustentável e eficiente.

*João Henrique Campos de Souza

Gerente de regulamentação e controle sanitário em serviços de saúde (Grecs/GGTES) da Anvisa. Bacharel, Mestre e Doutor em física pela Universidade de Brasília, com Pós-doutorado em física pela Université de Montréal, Canadá. É especialista em vigilância sanitária pela Fiocruz e especialista em regulação e vigilância sanitária da GGTES/Anvisa desde 2005.

28/10/2024

Associe-se Abramed

Assine nossa Newsletter

    Veja também