Levantamento da Abramed aponta 1,8 milhão de testes de HIV realizados no Brasil em 2025

Levantamento da Abramed aponta 1,8 milhão de testes de HIV realizados no Brasil em 2025

País amplia testagem na rede privada enquanto mortes por Aids caem 12,8% entre 2023 e 2024 e atingem menor patamar histórico 

A rede privada ampliou de forma significativa o acesso ao diagnóstico do HIV em 2025. Levantamento da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que reúne empresas responsáveis por mais de 85% do volume de exames realizados na saúde suplementar, indica que suas associadas realizaram 1.841.628 testes de HIV no país ao longo do ano.  

Esse avanço na testagem contribui para a consolidação de um cenário epidemiológico mais favorável. Dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o país registrou queda de 12,8% nas mortes por Aids entre 2023 e 2024, passando de 10,5 mil para cerca de 9,1 mil óbitos — o menor índice da série histórica e o menor patamar em mais de três décadas. 

No mesmo período, o Brasil recebeu a certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública.  

Para especialistas, a redução da mortalidade e o avanço no controle da transmissão vertical estão diretamente associados à expansão da testagem, ao fortalecimento do diagnóstico precoce e ao início imediato do tratamento no país. 

“A ampla cobertura de testagem associada à identificação precoce e ao início oportuno do tratamento trouxe impactos relevantes na qualidade de vida das pessoas e na redução da transmissão do HIV, posicionando o Brasil como referência internacional na resposta à doença”, afirma Alex Galoro, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed. 

Testagem amplia diagnóstico precoce e estratégias de prevenção 

O crescimento do volume de exames evidencia o papel estratégico dos laboratórios como porta de entrada para o cuidado em saúde. A ampliação da testagem permite identificar a infecção em fases iniciais, acelerar o encaminhamento para acompanhamento médico e garantir maior efetividade das terapias antirretrovirais. 

“Com diagnóstico oportuno e acompanhamento adequado, o HIV é hoje uma condição crônica controlável”, explica Galoro. 

Além do tratamento, a testagem também é fundamental para viabilizar o acesso às estratégias de prevenção combinada, como a profilaxia pré-exposição (PrEP), incluindo as versões injetáveis recentemente incorporadas ao SUS. O rastreamento regular permite identificar pessoas elegíveis para a PrEP, orientar o uso adequado da medicação e monitorar a segurança clínica, ampliando a proteção de populações com maior risco de exposição ao vírus. 

Exames laboratoriais acompanham toda a jornada do paciente 

Além do diagnóstico inicial, os exames laboratoriais seguem sendo fundamentais ao longo de toda a jornada do paciente. 

“Eles garantem a qualidade dos testes de triagem e confirmação, além do monitoramento contínuo da resposta ao tratamento, da carga viral e do sistema imunológico, permitindo intervenções mais rápidas e um controle mais eficiente da infecção”, destaca Galoro. 

Para a Abramed, o cenário atual reforça a importância de manter e ampliar os investimentos em testagem, diagnóstico precoce e monitoramento laboratorial, como parte de uma estratégia integrada que une prevenção, cuidado contínuo e redução das desigualdades em saúde. 

Perfil da epidemia muda no Brasil 

Os dados oficiais mais recentes também indicam mudanças importantes no perfil da epidemia no país, como o crescimento proporcional de casos entre pessoas acima de 50 anos, o maior impacto da infecção na população negra e os avanços sustentados no controle da transmissão vertical, resultado da ampliação do pré-natal, da testagem precoce e do início oportuno da terapia antirretroviral. 

27 de fevereiro de 2026.

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