Alta incidência e impacto crescente no país tornam a prevenção e o acesso a exames cada vez mais estratégicos para a saúde pública.
O câncer colorretal está entre os tumores mais incidentes e segue em ascensão no Brasil. Atualmente, ocupa a segunda posição em frequência entre homens e mulheres, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Para dimensionar esse cenário, dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o Brasil deve registrar, em média, 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no triênio 2026–2028. A incidência é semelhante entre os sexos, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste.
Esse avanço está associado a múltiplos fatores, que vão desde alterações genéticas até hábitos de vida da população, como explica Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed.
“São vários os fatores que contribuíram para o aumento na incidência de câncer colorretal no país e no mundo, incluindo o consumo de alimentos ultraprocessados e com maior índice glicêmico e menor consumo de fibras, além de tabagismo, obesidade, sedentarismo e o próprio envelhecimento da população. Esses aspectos favorecem alterações na flora intestinal, somadas a fatores genéticos que também contribuem para a elevação dos casos”, detalha.
O especialista destaca ainda que a ampliação do acesso ao rastreamento também contribui para o aumento no número de diagnósticos, ao identificar casos que antes permaneciam não detectados.
No Brasil, a mortalidade pela doença cresceu 120% nos últimos 20 anos, e as projeções indicam aumento adicional de 21% entre 2030 e 2040. Trata-se de um cenário que exige atuação coordenada de todo o ecossistema de saúde.
Além dos impactos assistenciais, o avanço do câncer colorretal também gera efeitos econômicos relevantes. Um estudo publicado no periódico científico The Lancet indica impacto de cerca de US$ 22,6 bilhões na produtividade nacional associado ao aumento da doença.
Diagnóstico precoce é determinante
Apesar da gravidade dos números, o câncer colorretal apresenta uma característica decisiva: é altamente prevenível e, quando identificado em estágio inicial, pode alcançar taxas de cura de até 95%.
Nesse contexto, a Medicina Diagnóstica ganha relevância decisiva tanto no suporte à jornada clínica quanto na identificação precoce de casos, ampliando as chances de cura, aumentando a sobrevida dos pacientes e contribuindo para a sustentabilidade do sistema de saúde.
“Existem alguns exames que contribuem para o rastreamento do câncer colorretal. O mais comum deles é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, por método químico ou imunológico. Outros testes, baseados em técnicas multiômicas, vêm sendo incorporados ao rastreamento por meio de amostras de fezes e sangue. A colonoscopia também deve ser usada, a depender da faixa etária e dos fatores de risco”, aponta Ferreira.
Ele diz que, a partir daí, exames de imagem podem contribuir na avaliação do paciente e, como em grande parte dos cânceres, a anemia (hemoglobina/hematócrito) pode ser um sinal de alerta, ainda que tardio. “Marcadores tumorais, como CEA, CA 19-9 e CA 72-4, também têm utilidade no monitoramento da resposta ao tratamento”, acrescenta.
Reduzir o diagnóstico tardio é uma etapa fundamental para alterar a trajetória do câncer colorretal no país. Esse movimento passa, necessariamente, pela ampliação do acesso a exames e pelo fortalecimento de uma cultura de prevenção em todo o território nacional.
A Abramed atua diretamente nesse contexto, promovendo informação, iniciativas voltadas à ampliação do acesso à Medicina Diagnóstica e ao fortalecimento da governança clínica, contribuindo para uma jornada de cuidado mais eficaz, segura e orientada à prevenção.