Depoimentos de líderes da Abramed mostram como a presença feminina fortalece a qualidade, a gestão e a sustentabilidade na Medicina Diagnóstica.
A presença feminina na liderança da saúde é uma realidade que vem se consolidando ano após ano. Dados do Atlas CBEXS 2024 mostram, por exemplo, que 51% das posições de presidência, direção, gerência, supervisão ou coordenação no setor já são ocupadas por mulheres. O contraste com o mercado geral é evidente: no Brasil, mulheres ocupam cerca de 35% dos cargos C-Level, segundo estudo da Diversitera.
Esse cenário é fruto de um processo orgânico de crescimento profissional e que também alcança a Medicina Diagnóstica. Números da 7ª edição do Painel Abramed mostram que 100% das associadas têm mais de 50% do quadro de colaboradores formado por mulheres e 65% dessas instituições possuem metade dos cargos de liderança ocupados por mulheres.
Mais do que uma questão de representatividade, esse avanço implica diretamente eficiência, capacidade estratégica e geração de resultados nas organizações. Para termos uma ideia desse cenário, uma pesquisa publicada pela Harvard Business Review aponta que líderes femininas pontuam mais alto em 17 de 19 competências de liderança avaliadas no comparativo com homens.
No mês das mulheres, convidamos nossas líderes para compartilhar suas trajetórias, experiências e comentar sobre o cenário na Medicina Diagnóstica.
“É preciso garantir participação feminina sem a pressão pela escolha entre carreira e família.”
Andrea Pinheiro, Líder do Comitê de Comunicação da Abramed
A saúde trabalha, tradicionalmente, com grandes contingentes de mulheres, mas elas ainda possuem baixa representatividade nos espaços de poder. É preciso garantir condições reais para sua participação em todas as esferas, respeitando as diferentes fases da vida e sem a pressão pela escolha entre carreira e família.
Um dos maiores desafios em minha trajetória foi assumir a liderança ainda jovem, em um ambiente com pouquíssimas mulheres nesses cargos. Isso exigiu determinação, coragem, disciplina, resiliência e pragmatismo, mas também trouxe aprendizados importantes sobre o valor das diferentes competências no ambiente de trabalho.
Ao longo dessa jornada, encontrei mulheres exemplos de força, dedicação e competência técnica, o que contribuiu para fortalecer a minha identidade profissional, marcada por visão de contexto aguçada, autenticidade, empatia, equilíbrio, adaptabilidade e um espírito criativo e construtor.
Nesse percurso, meus valores inegociáveis: ética, responsabilidade, respeito e honestidade funcionaram como bússola para decisões na vida pessoal e profissional. Além disso, ter vivido espaços de escuta e posicionamento, e poder contribuir para o desenvolvimento de outras mulheres, foi fundamental na minha caminhada.
“Cuidar também é inspirar e formar líderes.”
Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed
O setor de saúde, por ter muitas mulheres — especialmente na base da assistência —, formou ao longo do tempo uma grande quantidade de profissionais com conhecimento técnico e de operação, que se tornaram potenciais gestoras. Tenho muito orgulho de fazer parte desse grupo, ao lado de gestoras e colaboradoras excepcionais que impactam a Medicina Diagnóstica e a saúde no Brasil.
Nessa jornada, desenvolvi características que norteiam minha identidade profissional: adaptabilidade, resiliência, espírito empreendedor e inovador, disciplina, colaboração e, principalmente, o compromisso de formar pessoas. Sempre tive uma “vontade de gente”, de construir, desenvolver e crescer junto. E isso foi moldando a forma como atuo e lidero.
Um caminho que está conectado a valores que considero inegociáveis: amor por cuidar, de várias formas, não como negócio, mas como uma missão que carrego desde cedo, e ser justa, porque a ética é uma premissa que orienta minhas decisões.
Como executiva, sigo cuidando de diferentes maneiras, porque acredito que cada decisão na Medicina Diagnóstica pode encurtar o caminho entre a dúvida, a ansiedade e o cuidado — e melhorar a saúde das pessoas é o que dá sentido ao meu trabalho.
“Humildade e integridade são essenciais para um legado positivo que impacte a vida do próximo.”
Isadora Bittar, membro do Conselho Fiscal da Abramed
A presença feminina na Medicina Diagnóstica, diferentemente de outros setores, é resultado, em grande parte, de um crescimento orgânico profissional das mulheres dentro da operação. Contudo, há vários níveis de liderança e nem todos refletem essa realidade — especialmente quando olhamos para cargos de alta direção e conselhos.
Na minha trajetória, enfrentei desafios que foram fundamentais para o meu amadurecimento profissional e aprendi que a qualidade das decisões está diretamente ligada à capacidade de reconhecer fragilidades e potencialidades, agindo com a humildade e integridade necessárias para sustentar ações. Como aprendizado, sempre digo que “as pedras” do caminho podem deixar marcas, mas também nos tornam mais sábios e fortes.
Para mim, esses são os aspectos que nos permitem construir um legado para impactar positivamente na vida do próximo.
“O poder da escolha pertence a nós e é preciso exercê-lo sem culpa”
Lídia Abdalla, Vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed
É inegável o avanço da presença feminina na liderança, ainda assim, quando olhamos para os cargos C-Level, somos poucas. Existe um “teto de vidro” que ainda limita essa ascensão e o desafio agora é garantir que mais mulheres ocupem os lugares onde as decisões são tomadas. A participação e intencionalidade dos homens é fundamental nesse movimento.
Minha trajetória foi construída com muito estudo, preparo, autoconhecimento e confiança e, em parte, isso se deve ao apoio e referência que sempre encontrei na minha base familiar e profissional. Aprendi cedo que as oportunidades surgem para quem já está em construção e que nada é mais forte do que o exemplo.
A experiência também me ensinou que nós, mulheres, precisamos nos apropriar das nossas decisões e parar de sofrer e carregar culpa por elas. Quando entendemos que decidir é abrir mão de algo e que temos o direito de fazer essas escolhas, a jornada se torna mais leve. nossa autoconfiança é fortalecida e ganhamos mais impulso para enfrentar novos desafios e sermos referência para outras mulheres que estão construindo o seu caminho.
Ética, integridade, transparência e relações de confiança são valores inegociáveis que sustentam a minha atuação. Porque, no fim, liderar é influenciar e transformar pessoas e, na saúde, esse alcance vai ainda mais longe: cada decisão tem o poder de impactar a vida de alguém no que ela tem de mais precioso.
“Cuidar de quem cuida é a forma mais profunda de transformar a saúde.”
Lucilene Costa, líder do Comitê de Recursos Humanos da Abramed
Minha experiência na área, ao longo de mais de 30 anos, passou por diferentes frentes — do atendimento hospitalar às áreas administrativas, indústria farmacêutica, laboratórios e, mais recentemente, à gestão de Saúde, Segurança, Qualidade de Vida e Benefícios. Sempre fui movida pelo cuidado centrado nas pessoas e, nos últimos anos, aprofundei esse olhar para o cuidado com quem cuida.
Ao longo desse percurso, vivi de perto como mudanças sociais, endemias e pandemias geram instabilidade na saúde das pessoas, mas também impulsionam adaptações contínuas e a busca por melhoria. Soma-se a isso o desafio dos custos e suas inconstâncias, exigindo um olhar conectado ao propósito de cuidar, sem perder a sustentabilidade.
Minhas decisões e a forma como lidero sempre foram orientadas por valores como integridade, respeito, transparência, ética e empatia. Em um mundo globalizado, dinâmico e em contínua ebulição, essa base me provoca a evoluir constantemente, pois acredito que a busca por conhecimento e partilha é parte do que dá sentido à nossa atuação e à nossa vida.
O protagonismo feminino na saúde, nesse sentido, representa não apenas força numérica, mas um diferencial qualitativo. As mulheres trazem um olhar integral no cuidado, com atenção multifatorial e centralidade no paciente. Contribuir para essa jornada, para mim, é orientar pessoas e a sociedade na busca por cuidado e longevidade de forma sustentável, mesmo diante dos desafios e de um caminho importante a ser percorrido na luta contra as desigualdades entre gêneros.
“Precisamos ampliar a presença feminina onde as decisões são tomadas.”
Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed
A saúde sempre foi um campo onde nós, mulheres, estivemos muito presentes — especialmente nas áreas ligadas ao cuidado, à pesquisa e ao diagnóstico. Com o tempo, vejo que desenvolvemos uma liderança mais integradora e colaborativa, algo essencial em um setor que depende da articulação entre diferentes atores. Ainda assim, existem vieses inconscientes e menor acesso aos espaços estratégicos. Por isso, acredito que o próximo passo é ampliar a presença feminina justamente onde as decisões são tomadas.
Minha trajetória começou no campo jurídico, em uma seguradora de saúde, em um momento de intensas transformações regulatórias. Essa experiência me deu uma visão ampla sobre a complexidade do sistema e sobre como cada decisão impacta toda a cadeia de cuidado. Ao assumir a diretoria-executiva da Abramed em 2021, em plena pandemia, se consolidou em mim uma convicção muito forte: nenhuma transformação acontece sozinha. A saúde é construída em rede, e é preciso dialogar, construir pontes e manter o foco no que realmente importa: a jornada do paciente.
Na vida e no trabalho, levo valores inegociáveis: ética, responsabilidade e respeito pelas pessoas. A Medicina Diagnóstica acompanha o ser humano ao longo de toda a vida e isso nos lembra que, por trás de cada exame, existe uma história. Se olharmos para cada paciente como alguém que poderia ser um de nós — ou alguém que amamos —, nossas decisões serão sempre mais responsáveis e humanas para transformar informação em cuidado e em esperança para quem mais precisa.
“Ser mulher na Medicina Diagnóstica é transformar conhecimento em decisões que mudam vidas.”
Renata Coudry, líder do Comitê de Anatomia Patológica da Abramed
A Medicina Diagnóstica valoriza o conhecimento técnico, a formação científica e a dedicação ao paciente — características que muitas mulheres cultivam ao longo de suas trajetórias. Por isso, temos visto um avanço de diversidade na gestão, mas é preciso ampliar a presença feminina em posições decisórias e fortalecer ambientes que incentivem esse desenvolvimento.
Minha atuação esteve sempre conectada à inovação e à construção de novos caminhos dentro da patologia. São processos que exigem técnica, liderança, diálogo multidisciplinar e visão estratégica — principalmente para transformar inovação em prática clínica segura e sustentável. Foi isso que moldou minha forma de atuar.
Integridade, responsabilidade científica, colaboração e respeito pelas pessoas são valores que considero inegociáveis. Na Medicina Diagnóstica, cada decisão impacta diretamente o paciente. Contribuir para o sucesso dessa jornada é, para mim, transformar conhecimento e tecnologia em decisões que garantam o tratamento mais adequado no momento certo.
“A liderança feminina é resultado de preparo, resiliência e transformação.”
Rogéria Cruz, líder do Comitê de Proteção de Dados da Abramed
Desde cedo, precisei desenvolver resiliência, adaptabilidade e amadurecimento profissional para atuar em um setor altamente regulado, complexo e sensível, que exige decisões de grande impacto e um equilíbrio constante entre técnica, ética, gestão de riscos e visão estratégica. Essa postura foi importante especialmente para construir credibilidade em ambientes muitas vezes hierarquizados e predominantemente masculinos.
E também me fez ter a consciência de que cada decisão, mesmo nos bastidores, influencia a segurança do paciente e a confiança no sistema de saúde — é isso que orienta minha forma de liderar, de conduzir as atividades e reflete os valores que são a base da minha atuação: ética, respeito, responsabilidade e compromisso com a qualidade e a sustentabilidade.
Hoje, vejo o avanço da presença feminina no setor como resultado de uma maior formação técnica, mudanças culturais e novos modelos de gestão. Mas ainda é preciso aumentar o reconhecimento de trajetórias técnicas como caminho para que, nós mulheres, consigamos chegar nos órgãos de decisão máxima.
Mais do que uma tendência, acredito que essa é uma evolução necessária para uma área que demanda alta performance aliada à sustentabilidade humana, flexibilidade e cuidado — dimensões em que temos muito a contribuir.