Aproximação institucional reforça construção conjunta de agendas voltadas à qualidade dos serviços de saúde, segurança do paciente, excelência assistencial e sustentabilidade do setor
Reforçando seu papel na interlocução qualificada entre os prestadores de serviços de saúde e as principais autoridades regulatórias do país, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reuniu, em Brasília, lideranças do setor e representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para debater caminhos que garantam a sustentabilidade, a segurança jurídica e, acima de tudo, a qualidade da assistência prestada ao paciente.
Os debates ocorreram durante a Reunião Mensal de Associados, no dia 27 de maio, e foram pautados em torno da cooperação mútua e do compartilhamento de conhecimento técnico com o poder público. O primeiro painel abordou os desafios regulatórios do ecossistema de serviços de saúde, com participação de Thiago Campos, diretor da 5ª Diretoria da Anvisa, e de Edmilson Diniz Filho, gerente-geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) da Agência. A mesa foi moderada pela diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração da entidade, Cesar Nomura.
Thiago Campos apresentou um panorama estrutural da agência e reafirmou o compromisso com uma atuação orientada pela responsabilidade regulatória e pela busca de soluções que equilibrem acesso, sustentabilidade e segurança assistencial, destacando a diretriz da atual gestão de manter canais abertos e transparentes para a escuta ativa do setor produtivo.
Também foi abordado o desenvolvimento dos Roteiros Objetivos de Inspeção (ROIs), ferramentas metodológicas que buscam modernizar e uniformizar a linguagem entre quem produz e quem fiscaliza no território nacional, aproximando o setor produtivo das vigilâncias locais com critérios claros e baseados em evidências.
A Abramed reforçou ainda sua atuação próxima no processo de implementação da RDC 978 e reafirmou ainda sua disponibilidade para colaborar tecnicamente com a Anvisa, contribuindo com a experiência acumulada pelos associados na construção de ferramentas regulatórias e processos que fortaleçam o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
Diálogo com a ANS: regulação responsiva e equilíbrio na cadeia da saúde suplementar
O segundo bloco foi dedicado à agenda regulatória da saúde suplementar, com participação de Carla Soares, diretora de Gestão Interina da ANS. A mesa foi moderada por Cesar Nomura e contou com a presença de Milva Pagano e da vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, Lídia Abdalla.
A diretora da ANS trouxe uma visão integrada do modelo atual, enfatizando o conceito de regulação responsiva e que a maturidade alcançada pela saúde suplementar permite uma atuação mais próxima das práticas do setor, promovendo boas práticas de governança e ampliando o diálogo entre operadoras e prestadores.
Ela também reconheceu a assimetria histórica nessa relação e sinalizou que a ANS tem trabalhado para ampliar sua capacidade de monitoramento e presença ao longo de toda a cadeia assistencial.
Foi consenso entre as lideranças da Abramed e a Agência que a medicina diagnóstica — eixo central da prevenção, do diagnóstico correto e da recuperação do paciente — precisa de previsibilidade, transparência e equilíbrio contratual para continuar investindo em inovação e evolução tecnológica.
Cesar Nomura alertou que cerca de 40% do parque tecnológico de alta complexidade do setor, incluindo tomógrafos, equipamentos de ressonância magnética e PET, entrará em fase de obsolescência nos próximos quatro anos.
Segundo ele, a renovação desse parque depende diretamente de um ambiente de maior previsibilidade e sustentabilidade financeira para o setor, tornando ainda mais relevante o avanço das discussões regulatórias em curso.
Carla Soares afirmou que o espaço de diálogo com as lideranças setoriais permanece aberto, reforçando que o aprimoramento contínuo da regulação é desejável e faz parte do papel institucional das agências reguladoras.
Ao final dos painéis, os participantes ressaltaram uma mensagem convergente entre reguladores, operadoras e prestadores: quando o paciente é colocado no centro das decisões, o diálogo técnico e institucional se fortalece.