Diagnóstico oportuno amplia valor para o paciente e para o sistema de saúde, aponta debate do FILIS 2026 

Diagnóstico oportuno amplia valor para o paciente e para o sistema de saúde, aponta debate do FILIS 2026 

Terceiro debate do evento abordou diagnóstico oportuno, qualidade, dados e modelos de cuidado capazes de melhorar desfechos e reduzir desperdícios

O diagnóstico realizado no momento adequado pode mudar a conduta médica, permitir o início do tratamento na janela terapêutica correta e evitar custos associados ao avanço de uma doença. Foi a partir dessa relação entre resultado clínico e sustentabilidade que o terceiro debate do FILIS 2026 discutiu a contribuição da Medicina Diagnóstica para um sistema de saúde mais eficiente.

Dados da 8ª edição do Painel Abramed — O DNA do Diagnóstico ajudam a dimensionar essa participação na assistência. Em 2025, foram realizados cerca de 1,13 bilhão de exames na saúde suplementar, em um cenário marcado pelo envelhecimento da população e pela crescente necessidade de prevenção, acompanhamento e diagnóstico precoce. 

Moderado por Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin, o painel reuniu Bruno Sobral, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); Daniela Carlini, líder Médica da Área Terapêutica de Imunologia da Sanofi; Daniel Greca, diretor de Novos Negócios de Saúde no Sírio-Libanês; e Raquel Lisbôa, gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços (GEIQP), da DIDES/ANS.

Na abertura, Lídia lembrou que a Medicina Diagnóstica acompanha o indivíduo desde o pré-natal e ao longo de toda a vida. Por isso, o desafio não está apenas em ampliar o acesso aos exames, mas em garantir que sejam realizados quando necessários, com qualidade e inseridos em uma jornada capaz de orientar a decisão clínica.

Raquel destacou como a digitalização modificou essa relação. Segundo a 8ª edição do Painel Abramed — O DNA do Diagnóstico, foram registrados 90,4 milhões de acessos eletrônicos a resultados em 2025, e mais de 96% dos resultados foram acessados ou retirados. Os números mostram que os pacientes efetivamente buscam suas informações diagnósticas. Para ela, ampliar a integração dessas informações às linhas de cuidado pode favorecer a continuidade da assistência, evitar que dados já disponíveis sejam novamente produzidos e apoiar a definição da conduta terapêutica. 

O impacto clínico e econômico do diagnóstico oportuno foi abordado por Daniela Carlini. Ela citou um estudo publicado em 2025, realizado com 4.596 pacientes oncológicos no Reino Unido, no qual o uso de recursos por pacientes diagnosticados nos estágios 3 e 4 chegou a ser quase o dobro daquele observado nos estágios iniciais. O mesmo trabalho estimou que, se 75% daquela população fosse diagnosticada em estágios mais precoces, seria possível economizar 27 milhões de libras em quatro anos. 

Contudo, ela explicou que isso não significa necessariamente utilizar o exame mais novo ou a metodologia mais sofisticada. A incorporação de um teste precisa considerar sua validade analítica e clínica, sua utilidade e, principalmente, se aquela informação será capaz de modificar a conduta para aquele paciente.

A líder Médica da Área Terapêutica de Imunologia da Sanofi sintetizou essa avaliação em perguntas simples: por que o teste está sendo solicitado, para que, para quem e como seu impacto será medido depois. O raciocínio também vale para exames já incorporados à rotina. Um hemograma, exemplificou, pode responder melhor a determinada necessidade clínica do que uma tecnologia mais avançada quando a indicação é adequada.

Bruno Sobral levou a discussão para a organização das jornadas de cuidado. Em um sistema que precisa acompanhar uma população mais longeva e condições como câncer, autismo e doenças raras, a capacidade de compartilhar e utilizar informações passa a ser decisiva. “O diagnóstico é a lente que permite olhar para aquele paciente, para aquela jornada, e entender se aquilo faz sentido”, afirmou.

Na opinião dele, sem essa base, torna-se mais difícil acompanhar resultados, organizar linhas assistenciais e avaliar se determinado tratamento está funcionando ao longo do tempo.

A qualidade dos serviços como diferencial também foi pautada. Lídia defendeu que instituições que investem continuamente em acreditações, certificações e programas de qualidade tenham esse esforço reconhecido. Além de aumentar a segurança do paciente, processos mais robustos ajudam a reduzir falhas e a necessidade de repetição de exames, com impacto sobre a própria eficiência do sistema.

Raquel explicou que essa é uma das frentes de atuação da ANS. Por meio do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Prestadores de Serviços na Saúde Suplementar (PM-QUALISS), a agência busca ampliar a avaliação da qualidade e tornar informações sobre acreditações, certificações e indicadores mais acessíveis aos beneficiários. A possibilidade de identificar prestadores qualificados pode apoiar a escolha dos pacientes e estimular outros serviços a avançar em seus padrões.

O monitoramento por indicadores também deverá avançar para além do ambiente hospitalar. Segundo Raquel, a medicina diagnóstica está entre os setores considerados para uma próxima etapa de divulgação desses dados, permitindo que a qualidade e os resultados sejam cada vez mais visíveis para quem utiliza os serviços.

O debate possibilitou ainda outro olhar sobre a saúde corporativa. Daniel Greca destacou que o aumento dos custos assistenciais colocou as empresas diante de uma responsabilidade para a qual muitas ainda estão se preparando: entender melhor a saúde de suas populações e participar de forma mais ativa da organização do cuidado.

Ele avalia que esse trabalho exige equilibrar três forças que nem sempre apontam na mesma direção: a evidência científica, as expectativas e necessidades do colaborador e a percepção de valor do empregador. É nesse ponto que a Medicina Diagnóstica pode contribuir tanto para a educação do paciente quanto para a construção de modelos assistenciais orientados por evidências.

Daniel chamou atenção especialmente para o letramento. A percepção de que “mais exames” significa necessariamente melhor cuidado ainda precisa ser superada. A incorporação de novas tecnologias deve acontecer quando elas efetivamente respondem a uma necessidade daquela população e acrescentam informação capaz de melhorar a decisão clínica.

No encerramento, Raquel Lisbôa apontou a direção que considera necessária para os próximos anos: avançar de um sistema baseado no volume de exames, procedimentos e terapias para outro capaz de medir os resultados entregues ao paciente.

Para que essa mudança avance, ela destacou a necessidade de maior interoperabilidade dos dados e de indicadores capazes de mostrar os desfechos que realmente importam para os pacientes. Um movimento que coloca a Medicina Diagnóstica não apenas como parte da assistência, mas como fonte de informação para decisões clínicas, acompanhamento de resultados e melhor utilização dos recursos disponíveis.

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Postado em: 09/09/2026

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