No CBR26, Abramed lançou movimento pelo uso consciente de impressões e debateu a sustentabilidade do diagnóstico por imagem

No CBR26, Abramed lançou movimento pelo uso consciente de impressões e debateu a sustentabilidade do diagnóstico por imagem

Programação da Associação no 55º Congresso Brasileiro de Radiologia reuniu dados do setor, debate sobre eficiência, parcerias e incorporação tecnológica e palestra sobre biossegurança em injetoras de contraste

Sustentabilidade no diagnóstico por imagem não se resume a reduzir custos. Ela envolve decisões sobre tecnologia, uso de recursos, eficiência operacional, segurança do paciente e capacidade de manter serviços de qualidade em diferentes realidades assistenciais.

Foi a partir dessa perspectiva que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do CBR26 – 55º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, realizado em Recife. A entidade promoveu uma programação dedicada a temas estratégicos para o setor, que incluiu o lançamento de uma iniciativa voltada ao uso consciente de impressões, um painel sobre sustentabilidade econômica e uma palestra sobre biossegurança em sistemas multipacientes.

Na abertura, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, trouxe indicadores da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico e reforçou a relevância do diagnóstico por imagem na jornada do paciente. Um dos destaques foi o lançamento do movimento pelo uso consciente de impressões de exames, iniciativa que incentiva, sempre que possível e adequado, o acesso e o compartilhamento digital de imagens e laudos para reduzir consumo de materiais e geração de resíduos.

Ao apresentar a proposta, ela destacou que a mudança já faz parte da rotina do setor, no qual os resultados são cada vez mais acessados digitalmente. Dados apresentados pela Abramed mostram que mais de 96% dos resultados foram acessados ou retirados, contrariando a percepção de que exames não retirados fisicamente deixam de ser utilizados.

Para a diretora-executiva, a mudança depende de uma mobilização que envolva toda a cadeia. “Queremos gerar um movimento maior de conscientização de todos os players — médicos, pacientes e laboratórios — para reduzir a impressão dos exames”, afirmou. “É uma mudança de hábito que pode diminuir a geração de resíduos, sem comprometer o acesso às informações necessárias para o cuidado”, complementou.

A ação ganhou o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Durante o debate, Hélio Vieira Braga, 1º vice-presidente da entidade no biênio 2025/2026 e presidente eleito para o biênio 2027-2028, chamou a atenção para outro aspecto: uma impressão representa apenas uma seleção limitada das imagens produzidas em determinados exames. Em alguns casos, as imagens selecionadas para impressão representam menos de 10% do total gerado no exame.

De acordo com ele, a redução das impressões depende de condições adequadas de acesso remoto às imagens. “Quando o acesso remoto funciona bem, entendo que a impressão de imagens se torna desnecessária”, ponderou. 

O tema também envolve diferenças de infraestrutura e de perfil dos pacientes. Conectividade limitada, sistemas pouco integrados e dificuldades de pessoas idosas no uso de ferramentas digitais ainda precisam ser consideradas para que a transição aconteça sem comprometer o acesso.

Sustentabilidade econômica exige visão de longo prazo

Moderado por Milva Pagano, o painel “Sustentabilidade econômica do Diagnóstico por Imagem” contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Gileno Portugal, vice-presidente do Grupo Meddi; Hélio Vieira Braga; e Silvio Braga, diretor de Negócios Brasil da Siemens Healthineers.

Para Nomura, decisões de investimento precisam considerar todo o ciclo de vida da tecnologia. “Precisamos olhar qualquer projeto por pelo menos dez anos”, ressaltou. Isso significa avaliar não apenas o preço de aquisição, mas consumo de energia, infraestrutura necessária, manutenção, perfil dos exames realizados, disponibilidade do equipamento e capacidade da equipe.

Um dos exemplos apresentados foi o uso de Inteligência Artificial embarcada em equipamentos de ressonância magnética. Segundo ele, essas soluções vêm proporcionando ganhos de produtividade entre 20% e 30% em determinadas aplicações. No Hospital Sírio-Libanês, a atualização tecnológica de um equipamento já instalado permitiu ampliar sua produtividade sem a necessidade de substituí-lo integralmente.

O raciocínio reforça a ideia de que inovação não deve ser incorporada apenas porque é nova. Silvio Braga acrescentou que o custo real de um equipamento também passa por sua disponibilidade ao longo do tempo. Manutenção, acesso a peças, capacidade técnica do fornecedor e tempo de máquina parada podem ter impacto maior do que o investimento inicialmente previsto.

Por isso, defendeu que a avaliação do custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) seja complementada pela análise do custo por exame realizado, considerando a produtividade, a eficiência operacional e a disponibilidade dos sistemas. 

Novos modelos para ampliar acesso e previsibilidade

Outro eixo do debate foi a busca por modelos de negócio capazes de ampliar acesso e reduzir a dependência de uma única fonte de receita.

Gileno Portugal apresentou diferentes experiências de parceria, incluindo contratos com cooperativas, parcerias público-privadas e acordos com prefeituras. O ponto comum entre os modelos é a tentativa de gerar maior previsibilidade financeira e combinar eficiência operacional, volume assistencial e qualidade. Segundo ele, a sustentabilidade também depende da capacidade de adaptar soluções às diferentes realidades regionais do país. 

A experiência do paciente apareceu, ainda, como componente econômico. Segurança, presença médica, treinamento das equipes e qualidade do atendimento influenciam diretamente a percepção de valor e a capacidade de fidelização.

Uso de recursos e impacto ambiental 

O consumo de energia também fez parte do debate. Nomura destacou que centros de diagnóstico demandam uso intensivo de energia elétrica. No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, o centro de diagnóstico responde por cerca de 20% da energia elétrica utilizada pela instituição. 

Ao abordar especificamente a impressão de exames, relatou a experiência de redução do uso de filmes e de investimento em infraestrutura digital para disponibilizar resultados remotamente. A instituição mantém a possibilidade de impressão para quem necessita, mas alterou o padrão de entrega depois de um processo de adaptação de médicos e pacientes.

O debate reforçou que medidas ambientais nem sempre representam economia imediata. Algumas escolhas podem até elevar custos no curto prazo, mas sinalizam compromissos institucionais e reduzem impactos que não aparecem diretamente no balanço financeiro.

Segurança como condição para eficiência

Encerrando a programação da Abramed, Marcela Padilha Facetto Azevedo, coordenadora de Desenvolvimento de Produtos e Suporte Clínico da Alko do Brasil, apresentou a palestra “Biossegurança em injetoras de contraste: avaliação microbiológica de sistemas multipacientes”.

Ela apresentou estudos sobre a avaliação microbiológica desses sistemas e abordou o funcionamento de válvulas antirrefluxo, o tempo de utilização e os protocolos de manuseio. A palestra ressaltou a necessidade de validar materiais e processos com base em evidências científicas e em conformidade com as normas sanitárias vigentes.

A participação da Abramed no CBR26 fortaleceu o diálogo com a comunidade radiológica sobre os desafios que afetam a oferta e a qualidade dos serviços. Ao contribuir com dados e experiências das associadas, a entidade ampliou a discussão sobre o papel da medicina diagnóstica na construção de um sistema de saúde mais integrado, eficiente e centrado no paciente. 

Postado em: 29/09/2026

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