Plano de Ação em Saúde coloca setor no centro da agenda climática e reforça caráter estratégico da Medicina Diagnóstica

Plano de Ação em Saúde coloca setor no centro da agenda climática e reforça caráter estratégico da Medicina Diagnóstica

Lançado na COP30, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos.

Que o setor de saúde tem um papel central para o enfrentamento da crise climática, não há dúvidas. Afinal de contas, a intensificação de ondas de calor favorece, por exemplo, o aumento de vetores infecciosos e a incidência de doenças respiratórias, metabólicas e cardiovasculares. Essa importância foi reforçada na COP30, com o lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, que conecta, de modo pioneiro, os impactos das mudanças climáticas nos sistemas hospitalares e propõe respostas para a adaptação e proteção das populações mais vulneráveis.

O plano parte de um diagnóstico claro: eventos extremos já são um dos principais desafios para os serviços de saúde e para a segurança sanitária no século XXI, especialmente de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Diante desse cenário, o documento afirma que os sistemas de saúde são parte essencial da solução e devem fortalecer seus mecanismos de governança e integração para que possam prevenir, detectar e responder às crescentes exigências do novo contexto climático global.

Objetivos e princípios do Plano de Ação em Saúde

O Plano de Ação em Saúde estabelece diretrizes para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde frente às mudanças climáticas, com foco em adaptação, prevenção de riscos e preparação para emergências, a partir de dois princípios transversais:

  • Fortalecimento da equidade em saúde e do conceito de justiça climática
  • Liderança e governança em saúde com participação social.

Para responder a esses princípios, foram definidas linhas de ação que dialogam diretamente com a Medicina Diagnóstica, incluindo o avanço da capacidade de vigilância e monitoramento de riscos ligados ao clima, o desenvolvimento de uma lista prioritária de doenças relacionadas às mudanças climáticas, a promoção de políticas de adaptação voltadas a populações vulneráveis e o incentivo à inovação sustentável nos sistemas de saúde.

Desafios para a implementação no sistema de saúde

Embora o plano represente um avanço institucional significativo, sua implementação traz desafios concretos. Um deles é a necessidade de articulação entre governo e ecossistemas público e privado de saúde, além do alinhamento entre políticas, meio ambiente e desenvolvimento.

Outro ponto sensível é a desigualdade regional. O próprio documento reconhece que a capacidade de adaptação varia entre estados e municípios, exigindo estratégias diferenciadas, investimentos direcionados e apoio técnico para evitar que as mudanças climáticas ampliem ainda mais as disparidades no atendimento à população.

O papel da Medicina Diagnóstica

O Plano de Ação em Saúde reforça o caráter estratégico da Medicina Diagnóstica. Laboratórios e prestadores são fundamentais tanto na vigilância epidemiológica quanto no monitoramento de agravos relacionados ao clima, como doenças respiratórias e infecciosas.

Além disso, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos. Nesse contexto, é positivo observar que o segmento diagnóstico vem avançando em práticas sustentáveis.

Dados da 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram, por exemplo, que 61% das empresas associadas já mantêm iniciativas socioambientais de voluntariado, evidenciando o engajamento do setor em agendas de impacto social e ambiental. O painel também aponta que, entre 2023 e 2024, o setor teve uma diminuição significativa de 25,6% no consumo de energia por exame realizado e de 7,1% no uso de água.

E a gestão de resíduos laboratoriais aparece como outro ponto de convergência entre o Plano de Ação em Saúde e as ações do segmento diagnóstico: segundo o Painel Abramed, 93% das empresas realizam coleta seletiva, 88% promovem campanhas de conscientização, 87% adotam inspeções ou auditorias internas e 86% oferecem treinamentos específicos sobre o tema.

Esses indicadores reforçam que a Medicina Diagnóstica já possui uma base concreta para contribuir com a agenda climática, oferecendo evidências, escala e capacidade técnica para apoiar políticas mais eficazes e integradas em toda a cadeia de saúde do país.

Além disso, a Abramed tem atuado fortemente na agenda ESG, com um Comitê dedicado ao tema que, anualmente, discute o assunto em um simpósio exclusivo para associados. Além disso, a pauta fez parte das últimas edições do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde e também estará na programação deste ano.

E, reforçando o papel da Associação para transformar o setor de Medicina Diagnóstica em um dos protagonistas desse debate, durante a COP30, Cesar Nomura e Claudia Cohn, respectivamente presidente e membro do Conselho de Administração da entidade, participaram de um debate na EY House para discutir a integração entre ciência, governança e políticas climáticas. A reflexão foi aprofundada posteriormente no painel da Câmara de Assuntos Políticos e Estratégicos (Cape), organizada pela Fesaúde, com apoio da Arca.

Segundo Nomura, quando a saúde mede o impacto climático, cria-se a base para o cuidado. E, no enfrentamento da crise climática, o diagnóstico é, mais do que nunca, o primeiro passo.

Saúde como parte da solução climática

Com o lançamento do Plano de Ação em Saúde na COP30, o setor passa, definitivamente, a ser reconhecido como eixo estruturante da adaptação climática. Para a Medicina Diagnóstica, o momento abre espaço para que seu protagonismo avance por meio da integração entre dados, eficiência operacional e práticas sustentáveis que devem favorecer a população e o futuro do país.

29 de janeiro de 2026

Associe-se Abramed

Assine nossa Newsletter

    Veja também