Com adesão ao Pacto Global da ONU, o setor reduziu o consumo de energia, ampliou a coleta seletiva, tem 65% das lideranças femininas e metade das empresas já publica relatórios de governança
Com o início da COP30, que acontece nesta semana em Belém, e a sustentabilidade assumindo um papel central nas discussões globais, a Medicina Diagnóstica emerge como um vetor importante para o avanço de ações sustentáveis, de equidade e com práticas sólidas de governança. É o que revela a 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, o qual aponta que 61% das empresas vinculadas à Associação possuem iniciativas socioambientais de voluntariado.
O relatório destaca também uma tendência de crescimento das iniciativas para a redução do impacto ambiental de laboratórios e centros diagnósticos. Nesse sentido, entre 2023 e 2024, o setor teve uma diminuição significativa de 25,6% no consumo de energia por exame realizado e de 7,1% no uso de água.
O plano ambiental entra ainda em destaque no plano de uma melhor gestão de resíduos laboratoriais, já que 93% das empresas implementam a coleta seletiva, 88% contam com campanhas de conscientização, 87% possuem inspeções ou auditorias internas e 86% oferecem treinamentos neste campo.
Na visão do médico patologista, professor e pesquisador Paulo Saldiva, a proatividade do segmento de Medicina Diagnóstica – e da saúde como um todo – é fundamental para o enfrentamento da crise climática que afeta o planeta.
“Hoje, as cidades estão na mesa de autópsia, e a saúde tem um papel central em diagnosticar, propor terapêuticas e orientar caminhos de sustentabilidade”, observou Saldiva em sua participação no 9º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), evento coordenado pela Abramed que ocorreu no último mês de agosto.
Essa orientação, aliás, avançou ainda mais na Abramed em 2025, com a associação se tornando signatária do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), no Programa Multiplicadores, dando um importante passo para consolidar a Medicina Diagnóstica como agente ativo de pautas socioambientais.
Impacto social e governança
No aspecto social e de equidade, outro pilar importante da agenda ESG, vale frisar a diversidade como elemento preponderante na composição das empresas de Medicina Diagnóstica, com destaque para a participação feminina em equipes e postos de liderança.
O relatório aponta, por exemplo, que 100% das associadas Abramed têm mais de 50% de seu quadro de colaboradores composto por mulheres e, em 65% das instituições, mais de 50% das lideranças são do sexo feminino.
A diversidade também está presente em fatores como a presença de funcionários LGBTQIA+ (1 em cada 5 empresas possuem 25% de colaboradores com orientação não heteronormativa) e de talentos com mais de 50 anos, que compõem 47% do quadro de funcionários em 20% das empresas.
Finalmente, no âmbito da governança, a Abramed tem frisado para seus associados a necessidade da implementação de políticas rigorosas de conformidade, como uma via para a promoção de mais transparência nas práticas empresariais e da responsabilidade das lideranças para o fortalecimento de relações de confiança junto a pacientes e stakeholders.
Nesse sentido, o Painel Abramed aponta que metade das organizações da Medicina Diagnóstica já conta com a divulgação de relatórios de práticas ambientais, sociais e de governança corporativa – e a tendência é que esse movimento siga em crescimento nos próximos anos.
Para Milva Pagano, diretora executiva da Abramed, um olhar efetivo para a governança é essencial tanto no sentido de impulsionar a reputação corporativa dos laboratórios e centros diagnósticos do país, quanto para atender às regulamentações e expectativas de mercado.
“Relatórios de governança apoiam na tomada de decisões estratégicas por parte dos gestores, atraem investidores para o ecossistema suplementar e melhoram a eficiência operacional. Além disso, fomentam o engajamento dos colaboradores e auxiliam no desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade, preparando a empresa para desafios futuros e promovendo uma atuação mais sustentável e ética no setor”, explica Pagano.
E, segundo Paulo Saldiva, associações como a Abramed têm um papel central no direcionamento da agenda ESG na saúde, incentivando uma visão colaborativa entre os diferentes agentes do segmento.
“No trabalho da Abramed, vemos empresas concorrentes trabalhando juntas, dialogando e trocando informações — e isso não é habitual em outras áreas. Esse talvez seja o maior legado da saúde: mostrar que é possível avançar coletivamente em prol da vida”, comenta o médico.
E, com o Brasil sediando a COP30 nesta semana, Milva Pagano destaca, por fim, que a Medicina Diagnóstica está preparada para contribuir com metas concretas de sustentabilidade que beneficiem a todos.
“A COP30 representa um marco para o país e uma oportunidade para o setor reafirmar seu papel na transição para uma economia de baixo carbono. A Medicina Diagnóstica tem a capacidade de se posicionar como um dos líderes dessa transformação, unindo inovação, ciência e compromisso com o futuro do planeta”, conclui a executiva.