Ives Gandra leva ao FILIS reflexão sobre ética, valores e responsabilidade das lideranças

Ives Gandra leva ao FILIS reflexão sobre ética, valores e responsabilidade das lideranças

Em palestra na 10ª edição do Fórum, jurista relacionou avanço tecnológico, cidadania e valores; abertura do eixo ESG apresentou indicadores de governança das empresas associadas à Abramed

Um dos nomes de maior projeção do Direito brasileiro, Ives Gandra da Silva Martins, esteve entre os destaques da 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) ao conduzir uma reflexão sobre ética, valores e responsabilidade em um momento marcado por rápidas transformações tecnológicas, institucionais e sociais.

Ao apresentar o convidado, Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed, destacou sua trajetória ligada aos temas da ética e da justiça e sua capacidade de dialogar com diferentes correntes políticas e institucionais. A palestra integrou o eixo ESG do evento, dedicado à governança. 

Em sua exposição, Ives Gandra levou a discussão para além dos mecanismos formais de controle e compliance e percorreu temas como filosofia, democracia, cidadania e relações humanas. Ele chamou a atenção para um paradoxo contemporâneo: a sociedade avança rapidamente em conhecimento, tecnologia e inteligência artificial, mas nem sempre na mesma velocidade quando se trata dos valores que orientam suas escolhas. 

“O que eu vejo hoje, que o mundo está perdendo, é esse sentido de valores”, afirmou.

Ao longo da apresentação, Gandra retomou as origens dos conceitos de ética e moral e refletiu sobre sua importância para a vida pública, profissional e social. Sua fala trouxe a responsabilidade para o plano individual ao lembrar que as instituições são formadas por pessoas e que, portanto, os princípios precisam se manifestar nas decisões tomadas diariamente.

Na saúde, ao abordar a relação entre médico e paciente, Gandra observou que, mesmo diante do avanço dos recursos tecnológicos, o cuidado continua apoiado na confiança, na responsabilidade e nas relações humanas. O jurista também fez um chamado ao exercício permanente da cidadania e à avaliação das próprias escolhas.

“Temos que fazer um exame de consciência”, afirmou, ao convidar o público a refletir sobre suas atitudes na família, na profissão, na sociedade e no exercício da cidadania.

Governança começa nos indicadores, mas precisa chegar à cultura

Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa, abriu o eixo ESG apresentando indicadores das empresas associadas à entidade. Ela defendeu que a governança deve ultrapassar conselhos e estruturas administrativas para orientar as decisões tomadas diariamente nas organizações. Na medicina diagnóstica, isso envolve confiabilidade dos dados, padronização de processos, proteção das informações, segurança das decisões e inovação com responsabilidade.

A palavra que conecta esses elementos, segundo Claudia, é confiança. “Como conseguir que governança e ética sejam base de confiança no setor de medicina diagnóstica?”, questionou.

Os dados apresentados mostram que 100% das associadas possuem código de conduta formalizado e controles de conformidade com normas e leis. Todas também têm políticas de compliance implantadas ou em implementação, enquanto 93,6% contam com processos e rotinas padronizados e acessíveis.

Claudia destacou ainda o avanço dos processos de supervisão. Entre as empresas participantes do levantamento, 68,8% possuem auditoria interna de governança; 81,3% contam com comitê dedicado a riscos; e 75% possuem comitê de auditoria. No mapeamento das quatro categorias prioritárias — privacidade e dados; compliance e ética; riscos operacionais; e qualidade e segurança do paciente —, 81,3% das associadas identificam os riscos e adotam medidas para reduzi-los. Em tecnologia da informação e cibersegurança, esse percentual é de 75%.

Outro ponto de atenção foi a preparação das organizações para uma saúde cada vez mais digital. Quase 94% das associadas possuem contratos com cláusulas de proteção de dados, tema que ganha peso diante da expansão da inteligência artificial, da interoperabilidade e do uso de grandes bases de informações.

Claudia, porém, reforçou que a existência de regras e estruturas formais não encerra o trabalho de governança. “A formalização não resolve, se você não tiver ela atuante na ponta”, afirmou ao comentar os códigos de conduta.

Depois de apresentar os indicadores, Claudia permaneceu no palco ao lado de Cesar Nomura e Ives Gandra durante a palestra e a rodada de perguntas. Na conversa, ela relacionou as reflexões do jurista à rotina das organizações de saúde e reiterou que um código de conduta não pode permanecer apenas no papel, mas deve orientar a atuação de cada profissional, inclusive em decisões relacionadas a uma cirurgia, uma prótese, um diagnóstico, uma cobrança ou uma glosa.

A discussão colocou duas dimensões da governança lado a lado: de um lado, processos, indicadores, auditoria, compliance e gestão de riscos; do outro, os valores que orientam as pessoas responsáveis por colocar essas estruturas em funcionamento.

Clique aqui e confira todas as publicações sobre a 10ª edição do FILIS!

Postado em: 09/09/2026

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