Apresentado no FILIS 2025, projeto do InovaHC retorna ao Fórum com visualizador clínico funcional, instituições conectadas e prova de conceito voltada à troca segura de informações
Em 2025, o FILIS foi palco da assinatura de um Memorando de Intenções entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde, a Abramed e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), por meio do InovaHC. O acordo previu a implementação do OpenCare como projeto-piloto e a cooperação para ampliar a integração de dados, com privacidade, segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Um ano depois desse compromisso institucional, o OpenCare voltou ao evento para mostrar os avanços do projeto durante o Momento Transformação. Marco Bego, diretor-executivo do InRad-HCFMUSP e diretor de Inovação do InovaHC, e Rodrigo Amancio de Oliveira, diretor de Produtos da Unidade de Infraestrutura para Financiamentos da Trillia, novo negócio de inteligência de dados da B3, apresentaram a evolução da plataforma e as etapas percorridas para transformar o projeto em uma infraestrutura capaz de conectar informações clínicas entre diferentes instituições.
Nas palavras de Marco Bego, o OpenCare partiu de uma dificuldade recorrente no sistema de saúde: o paciente circula entre médicos, hospitais e serviços de medicina diagnóstica, mas suas informações permanecem distribuídas em diferentes sistemas. Muitas vezes, cabe a ele reunir exames, laudos e históricos produzidos ao longo da jornada e levá-los de um ponto a outro. “Hoje o nosso paciente é interoperável, mas os dados ainda não”, resumiu.
O OpenCare foi concebido como uma plataforma capaz de conectar instituições de saúde de maneira segura e padronizada. O projeto está estruturado sobre quatro eixos: conectividade entre sistemas, segurança e rastreabilidade das informações, continuidade do cuidado e apoio à decisão médica, com mais subsídios para o raciocínio clínico.
A arquitetura tecnológica foi desenvolvida, o visualizador clínico já está em funcionamento e o projeto avançou para a etapa de prova de conceito, voltada a avaliar, em situações reais, como as informações podem circular de forma segura entre diferentes organizações.
Da integração tecnológica ao uso no atendimento
Um dos avanços apresentados na 10ª edição do FILIS foi justamente a materialização dessa arquitetura em uma interface de uso clínico. Na fase atual, o visualizador reúne identificação do paciente e do atendimento, instituição e profissional responsável, diagnósticos, procedimentos, medicamentos, alergias, imunizações, resultados de exames laboratoriais, sinais vitais, observações médicas e laudos de exames de imagem — mas não as imagens propriamente ditas.
A intenção é tornar invisível, para quem está na ponta do cuidado, boa parte da complexidade tecnológica necessária para localizar, conectar e apresentar essas informações. Enquanto hospitais, laboratórios e demais organizações mantêm seus próprios sistemas, a infraestrutura atua como uma camada de conexão entre eles.
É nessa frente que entra a Trillia, responsável pela infraestrutura tecnológica e de segurança do projeto. Rodrigo Amancio destacou a experiência do grupo na operação de infraestruturas que conectam diferentes participantes de um ecossistema e explicou que, no OpenCare, essa capacidade está sendo aplicada à circulação segura de informações em saúde.
Para Bego, porém, o desafio vai além da tecnologia. A construção depende de instituições dispostas a testar conjuntamente regras, fluxos e formas de gerar valor a partir da interoperabilidade. Nesta etapa, participam do OpenCare o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o A.C.Camargo Cancer Center, a Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), o Hospital Sírio-Libanês, o Grupo Fleury, a Dasa, o Grupo Sabin e o próprio HCFMUSP. O projeto é coordenado pelo InovaHC, conta com a infraestrutura tecnológica da Trillia e recebe o apoio do Ministério da Saúde, da ANS e da Abramed.
“Não é um projeto de um, é um projeto de vários”, disse Bego, que agradeceu à Abramed por aproximar associados que “já sabem fazer interoperabilidade”. “Esse projeto só faz sentido quando estamos todos juntos”, afirmou.
Do paciente como “integrador” à integração dos dados
Para usar a plataforma, o profissional acessa o sistema durante o atendimento e, mediante consentimento do paciente, pode consultar informações disponíveis nas instituições conectadas. O fluxo prevê identificação protegida, localização das informações, auditoria dos acessos e apresentação dos dados em um visualizador clínico. Ao final da consulta, os dados clínicos trafegados pela plataforma são descartados, permanecendo os registros necessários à rastreabilidade da operação.
Esse formato evita, portanto, que o OpenCare funcione como mais um grande repositório centralizado de prontuários. A lógica já estava presente no projeto apresentado no FILIS 2025: manter as informações em suas bases de origem e permitir o intercâmbio quando necessário e autorizado.
POC prepara caminho para a próxima etapa
O cronograma apresentado no FILIS 2026 ajuda a dimensionar a evolução ocorrida ao longo do ano. Entre janeiro e fevereiro, o trabalho esteve concentrado no ingresso das instituições e na definição das regras de negócio. De fevereiro a abril, vieram certificações, conexões, testes e treinamentos. Entre abril e agosto, o planejamento previa a execução da prova de conceito, com operação, suporte e coleta de impressões dos participantes.
A etapa seguinte, prevista entre setembro e novembro, é dedicada à apuração dos resultados, comunicação dos aprendizados e preparação para uma eventual operação em maior escala. O momento atual ainda é de avaliação e os indicadores da POC deverão mostrar o que funcionou, quais ajustes são necessários e em que condições a infraestrutura poderá avançar.
Essa distinção é importante porque benefícios como redução de repetição de exames, maior eficiência operacional, melhor coordenação do cuidado e apoio a decisões clínicas mais ágeis aparecem no projeto como objetivos e potenciais ganhos da interoperabilidade. A prova de conceito é justamente a etapa que permitirá avaliar como esses efeitos se manifestam no ambiente real.
O retorno do OpenCare ao FILIS mostrou a passagem do compromisso institucional firmado em 2025 para uma etapa concreta de testes. Com a prova de conceito, o próximo desafio será analisar os resultados, realizar os ajustes necessários e identificar as condições para ampliar, com segurança, a troca de informações clínicas entre as instituições.
Clique aqui e confira todas as publicações sobre a 10ª edição do FILIS!