Painel sobre inovação digital na humanização do cuidado encerra programação do 6º FILIS

Painel sobre inovação digital na humanização do cuidado encerra programação do 6º FILIS

Temas como inteligência artificial, IoT e deep learning surgem como ferramentas para auxiliar o trabalho médico visando melhorar a qualidade dos serviços e os desfechos dos pacientes

O módulo de encerramento da sexta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), no último dia 24 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo, debateu “Inovação digital na humanização do cuidado”, reunindo lideranças para falar sobre como as tecnologias em saúde estão revolucionando a medicina. A moderação desse painel foi do jornalista Sidney Rezende, que engrandeceu o evento com seus 37 anos de carreira.

Para o presidente do Conselho de Administração da Dasa, Romeu Domingues, a transformação digital tem sido bastante notória, especialmente nos últimos cinco anos, é muito bem-vinda, e toda empresa na área de saúde precisa abraçá-la, e não vê-la como uma ameaça. Inteligência artificial e deep learning, por exemplo, são ferramentas que surgem para auxiliar todos os médicos visando melhorar a qualidade do laudo e a produtividade. Segundo ele, a pandemia de covid-19 mostrou que a telemedicina é eficiente e que 80% das consultas podem ser solucionadas por meio de uma boa anamnese. Com empatia e carinho com o paciente, é possível realizar o diagnóstico.

“Todas essas ferramentas e a internet das coisas (IoT) levam à digitalização da saúde, a mais acesso, à democratização. Observamos, por exemplo, algumas startups que hoje dão laudo de padrão de tuberculose; você poder oferecer isso no interior do Brasil ou na Nigéria – que não contam com radiologistas –, significa democratizar a saúde. As empresas precisam ter o espírito da transformação digital para se construir uma cultura. Tudo isso trará benefícios. Existe uma preocupação muito grande com a sustentabilidade da saúde, que está cada vez mais cara, e podemos utilizar da tecnologia para trazer mais eficiência, mais qualidade, usar os algoritmos de inteligência artificial para errar menos. Eu vejo com muito bons olhos, sou muito otimista e acho que todo mundo tem que estimular as empresas a dar esse salto”, destacou Rodrigues.

O presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner, integrou a discussão abordando o humanismo. De acordo com ele, quando se fala de algoritmos que farão o diagnóstico, às vezes até com melhor acurácia que o próprio radiologista, por exemplo, se está a referir a um suporte, não a uma substituição, permitindo que o médico deixe de realizar atividades que sejam tediosas e repetitivas para dedicar o seu tempo àquilo em que, de fato, ele faz a diferença, isto é, no contato com o paciente ou até na vigilância do algoritmo para que ele não saia da linha para a qual foi programado.

“Quando falamos de humanismo, quer dizer que o médico poderá chegar ao paciente com uma maior oportunidade de acesso. Temos ido muito por esse caminho no Einstein quando vemos a complexidade de um paciente que procura uma organização de saúde com queixas que, às vezes, podem até ser comuns, mas por necessidades que diferem bastante. Usamos cada vez mais uma mudança cultural não só dos colaboradores, mas em investimento e plataformas que permitem acompanhar esse paciente em todos os pontos de contato, gerando dados que nos permitirão obter informações ainda com maior acurácia, para que isso se reverta, através de pesquisa de satisfação, de busca ativa de opinião sobre como que podemos contemplar a melhor experiência por meio de transformação digital, de aplicativos, de engajamento em termos do cuidado com a sua própria saúde utilizando a digitalização”, enfatizou o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Segundo Klajner, o grande desafio das organizações é utilizar todo o arsenal tecnológico que está disponível e um primeiro grande passo seria lidar com a “nuvem”’, para, então, poder oferecer aquilo de que cada ser humano necessita.

O futuro é agora

O country manager da Bracco Imaging do Brasil, Tommaso Montemurno, reiterou que a transformação digital na saúde não se trata de um tema do futuro, pois já é uma realidade, e que durante a pandemia se percebeu que o “futuro estava mais perto do que se imaginava”. Para ele, a indústria tradicional não pode prescindir dessa digitalização, assim como não pode limitar-se à entrega de produtos e serviços de qualidade. Deve-se considerar a integração, no ecossistema digital, desses produtos e serviços.

Montemurno frisa a necessidade de atenção sobre dois aspectos que dizem respeito diretamente ao paciente. O primeiro é a capacidade de otimizar todas as fases do processo de suprimentos, o que leva a uma otimização do processo, aumentando quantitativamente a disponibilidade de recursos para o paciente e reduzindo o custo. “À medida que otimizamos processos, de alguma forma, pensamos no acesso do paciente a esses recursos, temos uma abordagem humanizada. A otimização de todo o processo libera recursos, sobretudo humanos, para o atendimento do paciente. Então, toda essa cadeia consegue tirar o profissional de saúde de atividades burocráticas, repetitivas ou de problemas operacionais para focar na atenção ao paciente”, reforça o country manager da Bracco Imaging do Brasil.

O market lead Healthcare and Life Sciences Solutions Americas do Google Cloud, Esteban López, que abriu o módulo ministrando uma palestra exclusiva, retornou ao debate, unindo-se aos demais membros do painel para trazer novas contribuições. Em sua apresentação anterior, López mencionou a necessidade da visão integral sobre telemedicina, assim como sobre eficiência, automação de processos e inovação digital, reiterou também quanto a pandemia mudou e permitiu ao setor de saúde se atualizar tecnologicamente.

“Precisamos criar tecnologias que podem tanto afetar a experiência do paciente quanto a desses profissionais, porque o que fizemos tradicionalmente na área de saúde foi criar soluções que somente incluíam os clínicos. Precisamos analisar os sistemas de saúde para trazer informações de valor para os médicos, dessa forma eles se engajarão no projeto. Talvez a nova fronteira seja como gerar valor para o corpo clínico para que ele possa atender melhor os pacientes, de forma mais eficiente, com melhores desfechos, com melhor satisfação tanto para os pacientes quanto para os médicos”, complementa López.

Confira aqui a matéria sobre a palestra de Esteban López no 6° FILIS.

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