Abramed promoveu debate sobre uso adequado de exames e eficiência na saúde suplementar

Abramed promoveu debate sobre uso adequado de exames e eficiência na saúde suplementar

Encontro de associados aproximou prestadores e operadoras em torno de temas como qualidade, atenção primária e integração de informações, com proposta de desenvolver uma parceria entre Abramed e FenaSaúde

Aumentar a efetividade e a eficiência sem comprometer o acesso ao diagnóstico exige qualificar a indicação dos exames e ampliar o diálogo entre prestadores e operadoras. Essa discussão orientou o painel “Saúde e sustentabilidade: desafios e caminhos para o setor”, realizado em 2 de outubro, no Hcor – Hospital do Coração, em São Paulo, durante a Reunião Mensal de Associados (RMA) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Com condução de Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, o debate iniciou com as boas-vindas de Alexandre Biasi, superintendente médico do Hcor, e reuniu Abdalla Skaf, chefe do departamento de diagnóstico por imagem do Hcor; Bruno Sobral, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; e Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin.

Ao abrir a discussão, Milva reforçou que o objetivo era aprofundar as conversas iniciadas na 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) e identificar pautas que possam aproximar operadoras e prestadores. Também chamou a atenção para a necessidade de diferenciar problemas que, embora apareçam muitas vezes no mesmo debate, têm naturezas distintas. Fraude, ressaltou, é crime e não deve ser tratada como sinônimo de sobreutilização.

Prestadores e operadoras buscam pontos de convergência

Para a CEO do Grupo Sabin, a capacidade das empresas de continuar investindo em tecnologia, inovação, estrutura e qualificação profissional depende de relações mais equilibradas dentro da cadeia de saúde. Ela colocou a valorização da medicina diagnóstica e a qualidade entre os principais pontos dessa construção.

A discussão, segundo Lídia, precisa avançar da identificação dos problemas ao desenvolvimento de projetos capazes de envolver os diferentes atores. Em vez de manter operadoras, hospitais e empresas de medicina diagnóstica discutindo suas dificuldades a partir de perspectivas isoladas, o desafio é encontrar pontos em que os interesses possam convergir.

O diretor-executivo da FenaSaúde trouxe a visão das operadoras e apontou o desalinhamento dos incentivos econômicos e a assimetria de informações como obstáculos à gestão do sistema. Defendeu, por isso, maior atenção aos desfechos assistenciais e à organização do cuidado.

“O que hoje me preocupa não é a sustentabilidade dos laboratórios, não é a sustentabilidade dos hospitais, não é a sustentabilidade da operadora. O que mais me preocupa é a sustentabilidade de quem paga”, afirmou Sobral.

Ao trazer o beneficiário para a discussão, ele reforçou que a busca por eficiência precisa considerar a capacidade das pessoas de permanecerem na saúde suplementar. De acordo com ele, reduzir ineficiências ao longo da cadeia pode ajudar a preservar o acesso e criar condições para relações mais sustentáveis entre os diferentes atores.

Indicação de exames e valorização da qualidade

A discussão levou à necessidade de qualificar as solicitações médicas. Skaf observou que tanto o uso excessivo quanto a realização insuficiente de exames podem trazer prejuízos. Deixar de solicitar um exame necessário pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, com consequências para o paciente e o sistema.

O executivo diferenciou a aplicação de protocolos em cada ambiente. No hospital, é possível organizar a atuação das equipes com base em diretrizes clínicas e definir os exames indicados em cada situação. Já no atendimento ambulatorial, o serviço recebe uma solicitação previamente definida pelo médico, muitas vezes com poucas informações clínicas disponíveis para avaliar o contexto do pedido.

Como possibilidade de trabalho conjunto, Skaf sugeriu ações de educação médica para qualificar a solicitação dos exames, com orientação sobre quando pedir cada um e quais informações podem apoiar a decisão clínica. Ele relatou uma experiência realizada com uma operadora de São Paulo em que, ao longo de seis meses, ações de educação médica contribuíram para reduzir em 38% as solicitações desnecessárias de exames.

Já Sobral pontuou que a criação de protocolos baseados em evidências entre as equipes técnicas de operadoras e prestadores, aliada à capacitação de profissionais para trabalhar com dados e compreender novos modelos de pagamento, é uma condição importante para desenvolver parcerias.

Lídia lembrou que a manutenção de acreditações, a capacitação das equipes e os protocolos de segurança do paciente exigem recursos contínuos, mas, segundo ela, esses esforços nem sempre se refletem na remuneração dos serviços. Para a CEO do Grupo Sabin, a avaliação da qualidade deve integrar a discussão sobre os modelos de relacionamento entre prestadores e operadoras.

Nomura reforçou que a discussão sobre eficiência não deve ser confundida com uma redução indiscriminada da realização de exames. “Nós queremos fazer os exames que precisam ser feitos”, afirmou. Para ele, o uso adequado do diagnóstico precisa caminhar junto à qualidade, à formação profissional e à capacidade das empresas de manter os investimentos necessários à assistência.

Atenção primária e integração de informações

Além da orientação aos profissionais, Nomura defendeu a participação das empresas contratantes dos planos na organização do cuidado. Na sua avaliação, é preciso envolver também os pacientes, que muitas vezes associam a qualidade de uma consulta à solicitação de exames. Iniciativas de saúde populacional e atenção primária podem contribuir para mudar essa percepção e melhorar o acompanhamento ao longo do tempo.

A interoperabilidade foi apontada como outra frente de cooperação. A possibilidade de consultar o histórico do paciente em diferentes serviços ajuda a identificar exames já realizados e a avaliar a necessidade de novas solicitações. Nomura associou o apoio da Abramed à integração de dados ao compromisso com o uso adequado dos recursos e com a qualidade assistencial.

Um dos exemplos apresentados foi a Amparo Saúde, empresa de atenção primária do Grupo Sabin. Lídia compartilhou a experiência, que contribuiu para reduzir a sinistralidade do plano de saúde dos colaboradores. Também explicou a decisão de manter a parceria com a operadora que participou da construção da iniciativa, valorizando a continuidade do trabalho.

O exemplo se conectou a uma dificuldade discutida durante o encontro: a rotatividade dos beneficiários entre planos pode limitar o interesse em investimentos cujos resultados aparecem no longo prazo. Para Sobral, esse é um dos fatores que precisam ser considerados na estruturação de modelos de cuidado e de cooperação entre as organizações.

Ao falar sobre o envolvimento dos pacientes, ele considerou a coparticipação e a franquia como mecanismos para ampliar a percepção sobre os custos da assistência e estimular o uso consciente dos serviços. Ponderou, porém, que sua aplicação não deve impedir o acesso ao cuidado.

Proposta de cooperação entre as entidades

Durante a participação da plateia, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa, questionou a dificuldade de transformar discussões recorrentes em decisões. “O que falta para a tomada de decisão estratégica?”, perguntou, ao propor uma atuação conjunta voltada ao setor.

Sobral atribuiu às entidades representativas um papel crescente na formulação de propostas que possam ser adotadas pelas empresas. Ao comentar sua experiência na interlocução com prestadores e operadoras, destacou a necessidade de compreender as dificuldades de ambos e trabalhar sobre objetivos comuns. Segundo o executivo, focar apenas nas divergências mantém prestadores e operadoras em lados opostos: “Não podemos quebrar pontes. Temos que construir”, afirmou.

No encerramento, Milva convidou a FenaSaúde a desenvolver com a Abramed um modelo de parceria, com o objetivo de apresentar os primeiros resultados na 11ª edição do FILIS, em agosto de 2027. Sobral colocou a entidade à disposição para dar continuidade às conversas. A proposta é que as entidades organizem o trabalho conjunto a partir das possibilidades discutidas no encontro.

Postado em: 28/10/2026

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