Benefícios da inovação na medicina diagnóstica são pauta no 3º Filis

Benefícios da inovação na medicina diagnóstica são pauta no 3º Filis

Especialistas são unânimes ao afirmar que a inteligência artificial é a grande aliada na busca por diagnóstico correto e tratamentos mais eficazes

03 de Setembro de 2018

A tecnologia afeta a sociedade em todos os aspectos, entretanto em nenhum outro setor esse impacto é mais aparente quanto na saúde. Os avanços tecnológicos compreendem a adoção de prontuários eletrônicos, avanços em engenharia e tecnologia biomédica, entre outros. A área da saúde vivencia uma mudança na forma como os cuidados de saúde estão sendo entregues. Contudo, é preciso refletir sobre que impactos essas mudanças estão trazendo – visto que muitas delas já fazem parte do cotidiano – e ainda trarão no fornecimento geral de cuidados.

A fim de debater esse tema, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) trouxe ao 3º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), evento realizado na última sexta-feira, 31, no Hotel Renaissance, em São Paulo, o debate “Inovação em diagnósticos: benefícios para os pacientes e perspectivas para o setor”.

Gustavo Meirelles, gestor médico de radiologia com ênfase em estratégia e inovação do Grupo Fleury, e Thiago Julio, gerente de Inovação Aberta e curador do Cubo Health, do Grupo Dasa, abriram o módulo com uma apresentação que abordou os avanços contínuos da tecnologia ao longo dos tempos. “Estou muito feliz com o resultado positivo de uma pesquisa apresentada aqui, que fala de robôs e inteligência artificial. Certamente se tivéssemos feito essa pergunta a resposta teria sido o oposto. É muito bom ver que não só estamos perdendo o medo dos robôs, como estamos começando a querer que eles cheguem mais rapidamente às nossas vidas”, brincou Thiago. “Hoje, quando se fala em tecnologia da informação, pensamos automaticamente em computadores, mas a verdade é que ela começou muito antes, com o desenvolvimento da fala, com as pinturas nas cavernas, e depois evoluiu por meio dos alfabetos, dos livros, da matemática. Ou seja, cada vez que a humanidade aprende a manusear, compactar e transmitir dados, de forma mais rápida e mais ágil, temos um salto de evolução”, apontou o gerente da Dasa.

Gustavo provocou a plateia ao questionar: por que inovação é tão importante? “Todo mundo fala em inovação hoje. Empresas investem em inovação, outras montaram departamentos inteiros só destinados a isso. Mas será que já paramos para nos perguntar por que estamos inovando? Ou para onde isso vai nos levar?”, questionou o gestor do Grupo Fleury. A palestra seguiu mostrando como as modernas tecnologias disruptivas são importantes para trazer eficiência e segurança ao setor de medicina diagnóstica do país.

Após a apresentação dos gestores da Dasa e do Grupo Fleury, foi a vez de CEOs do setor debaterem o tema. Entre os convidados para a mesa-redonda estavam presentes Antonio Vergara, CEO da Roche Diagnóstica Brasil; Armando Lopes, CEO da Siemens Healthineers; Fernando Terni, CEO da Alliar Médicos à Frente; Paulo Chapchap, CEO do Hospital Sírio-Libanês; e Roberto Santoro, CEO do Grupo Hermes Pardini. A moderação foi do conselheiro do Grupo Fleury Fernando Lopes Alberto.

Inteligência artificial

Levantando a questão do uso de inteligência artificial na saúde, o moderador arguiu o CEO da Siemens Healthineers sobre o que a empresa vem preparando para o futuro do setor. “Ao longo de toda a história, a tecnologia teve um papel de trazer progresso, ao substituir atividades importantes que nós humanos fazíamos. A diferença hoje é a velocidade com que essas disrupções estão acontecendo, além da democratização da possibilidade de se aplicar a tecnologia. Hoje temos chance de capturar e fazer inovação em qualquer lugar do mundo. A boa ideia e o olhar de qual é a necessidade talvez sejam os maiores valores entre todos nesse processo”, destacou Lopes, acrescentando que, em relação ao uso de inteligência artificial, é fundamental ter um banco de dados harmonioso, mais até do que padronizado, para que o conhecimento possa ser capturado. “Concordo com o que foi dito aqui pela manhã; é muito importante a questão da privacidade, é muito importante a discussão ética em cima disso. Mas não podemos abrir mão de ter essa informação neutralizada para que gere conhecimento. Não é algo nice to have, é algo necessário para enfrentarmos os desafios que são apresentados”, afirmou o CEO, destacando ainda que a Siemens Healthineers vem trabalhando em vários projetos de inteligência artificial, cada vez mais sofisticados, que prezam pelo desenvolvimento e segurança do setor.

Vergara acrescentou que a Roche considera a inteligência artificial um meio crítico e evidente de gerir a saúde. “Investimos continuamente em inovação laboratorial, em especial no desenvolvimento de testes de altíssimo valor médico, que tendem a ajudar num diagnóstico mais eficaz. Além disso, apostamos fortemente na gestão de dados. Para isso, estamos investindo numa nova ferramenta que fará a gestão dos dados de informação de uma forma muito mais eficaz. Essa ferramenta ajudará o profissional na tomada de decisão. Mas lembrando que ainda será este profissional quem irá dirigir, decidir e diagnosticar”, ressaltou o CEO.

Humanização

Corroborando a fala de Vergara sobre a participação do profissional, Chapchap, do Hospital Sírio-Libanês disse: “Preciso pensar como médico. A terceira causa de morte nos Estados Unidos são eventos adversos evitáveis dentro de hospitais, ou seja, erro médico. Nesse contexto, é melhor não ir para o hospital”, provocou. “Se pudermos fazer diagnósticos precoces, tratamentos extra hospitalares, os hospitais não serão mais necessários. Então eu pergunto: qual é o negócio do Sírio-Libanês? Certamente não é hospital. O hospital chega onde todos os sistemas falharam; porém, o ideal é que ninguém precise dele e que eles fiquem menores a ponto de serem desnecessários. Portanto, o negócio do Sírio-Libanês e de todos aqui é a promoção da saúde, não a doença. Nesse sentido, preciso pensar na tal da disrupção de mim mesmo”, disse. “Resistir à mudança tecnológica é condenar-se a si próprio. Por isso, vamos tirar os cardiologistas de dentro da sala de laudos e trocar por computadores. Vamos colocar esse profissional e outros perto do paciente, porque eles são os especialistas em diagnóstico. A tecnologia, por sua vez, vai ajudá-los a não errar, a ser mais precisos, vai auxiliar no diagnóstico correto, diminuindo o sofrimento do paciente”, salientou.

“Depois do auxílio à decisão pela tecnologia, um componente fundamental na educação e no cuidado é a interação humana. É o grau de empatia, a confiança, que irá levar o paciente a fazer o que é preciso, que siga o tratamento. Nós somos insubstituíveis. Alguém tem alguma dúvida de que a interação do ser humano com o ser humano é insubstituível?”, finalizou Chapchap.

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