Inovação na Radiologia: um caminho para a humanização

Inovação na Radiologia: um caminho para a humanização

Na JPR – Jornada Paulista de Radiologia 2019, evento promovido pela Abramed em parceria com a Bracco, profissionais discutiram o futuro da radiologia em meio à nova revolução digital

Maio de 2019

Uma radiologia humanizada, capaz de aprimorar o diagnóstico enviado ao médico e sobretudo possibilitar um contato mais próximo com o paciente. Esse foi o tom da edição 2019 da JPR – Jornada Paulista de Radiologia, que aconteceu essa semana em São Paulo. Neste ano, a Abramed em parceria com a Bracco promoveu o “Fórum Abramed e Bracco: A Inovação transformando a Radiologia” que trouxe especialistas para falar sobre o impacto da inovação na profissão e como a disrupção pode transformar o diagnóstico por imagem sob as diversas vertentes da saúde que envolvem o médico radiologista, a indústria e o paciente.

Ao abrir a sessão, Cláudia Cohn, presidente do Conselho de Administração da Abramed, destacou a importância que a radiologia tem para a prática do setor de diagnóstico e como a associação pode contribuir para um melhor ambiente de negócios em meio à inovação. “A Abramed trabalha inspirada na questão cientifica para que possamos levar às empresas todos os protocolos e preceitos que a sociedade define. Como trabalhamos muito no âmbito regulatório, a JPR é um momento de inspiração. Ela nos permite estar atentos às inovações e trabalharmos em prol de uma regulamentação criteriosa para que, no fim, tenhamos um ambiente de negócios saudável”.

Para debater a inovação, o Fórum Abramed e Bracco teve uma mesa composta pelo doutor Thiago Julio, médico radiologista gerente de Open Innovation na Dasa e curador de Healthcare do Cubo; pela doutora Claudia Leite, neuroradiologista do Grupo Fleury e coordenadora da Pesquisa do Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês; e por Tommaso Montemurno, Country Manager da Bracco Imaging do Brasil.

Segundo Thiago, que deu início a discussão, a humanidade já passou por várias revoluções como a que estamos vivendo neste momento. O que diferencia é a velocidade que, segundo ele, dita mudanças nos atuais relacionamento entre todos os agentes do mercado de saúde. “Hoje existe uma demanda por saúde em tempo real. O paciente quer ter acesso ao médico a hora que ele quiser. Falando em tecnologia para a medicina, sempre é possível fazer melhor. Nos últimos anos vivemos a medicina baseada na evidência. Porém cada indivíduo é diferente. Hoje, se valoriza a medicina personalizada”, argumentou.

A urgência no diagnóstico e a pressão pela constante atualização profissional gera uma certa ansiedade nos profissionais do setor, pontua a doutora Claudia Leite, neuroradiologista do Grupo Fleury e coordenadora da Pesquisa do Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês. Para ela, embora a área de radiologia tenha a inovação em seu DNA, essa mudança tem hoje um caráter muito mais disruptivo e está muito mais acelerada.

“Percebemos que é preciso ter uma mudança de postura, de cultura por parte do radiologista. Trabalhamos mais distante do paciente e próximo do aparelho. É hora de voltar um pouco ao paciente. O papel que teremos é muito importante, somos o médico que ajuda o diagnóstico. Além de ajudar o colega no exame que ele vai escolher, temos que trabalhar para que ele possa interpretar o resultado da melhor maneira. Isso significa ter um papel mais humano na radiologia”, destaca.

Representando a indústria, Tommaso Montemurno, Country Manager da Bracco Imaging do Brasil, ilustrou a velocidade pela qual o setor vem sendo impactado pela inovação ao citar que, em 2017, 49 companhias tinham iniciativas de Inteligência Artificial voltadas a área de radiologia. Em 2018, esse número saltou para 104. Um detalhe importante: menos de um terço dessas empresas são nativas da área.

“Isso mostra que muito provavelmente a indústria tradicional não vai ser o driver dessa inovação. Assim como a cadeia tradicional de saúde que não vai conseguir fazer essa inovação sozinha e vai ter que usar inovação que chegam de fontes diferentes”. A intenção de Montemurno foi mostrar que a inovação exige um ambiente de cooperação entre todos os agentes da cadeia. “Nesse sentido, o papel da indústria é trabalhar dentro dessa nova economia, na saúde 4.0 de forma a criar conexões com todos os atores da cadeia para poder entregar ao nosso cliente, ao paciente, a inovação certa no momento certo. Trata-se de inovação no diagnóstico, com maior eficácia, inovação também na abertura ao paciente, com ele empoderado”.

Convidada a se reinventar, a radiologia tem sido demandada a estar mais próxima do paciente. Ciente desse novo momento, o profissional se vê desafiado a interagir de diferentes maneiras com outros atores do sistema. É o momento de entrega de valor com o apoio da tecnologia, que pode trazer custos a princípio, mas que no futuro se refletirão em eficiência.

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