Melhorando vidas e mudando cifras – Impacto positivo da medicina diagnóstica

Melhorando vidas e mudando cifras – Impacto positivo da medicina diagnóstica

* Por Guilherme Collares

Junho de 2019

Como seria o cenário atual da saúde sem os diversos investimentos em medicina diagnóstica? Embasando 70% das decisões médicas, os exames diagnósticos são indispensáveis para a garantia da saúde global e cumprem papel fundamental nas ações de prevenção e detecção precoce de doenças principalmente por agregarem dados objetivos às informações muitas vezes subjetivas vindas da anamnese e do exame físico.

Como ponto de partida, devemos entender que prevenção é o caminho para melhorias significativas na saúde global, tanto que o termo é um dos mais presentes nas agendas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e responsáveis por traçar as estratégias e diretrizes do mundo.

É impossível pensar em prevenção sem pensar em medicina diagnóstica. Para analisar um cenário infelizmente comum, podemos observar o campo das doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo, levando, segundo a OMS, cerca de 17,9 milhões de pessoas a óbito todos os anos.

Somente no Brasil, o Ministério da Saúde computa que, ao ano, 300 mil pessoas sofrem infartos, sendo em 30% desses casos o ataque cardíaco fatal. Para minimizar esses dados entristecedores, é preciso investir na medicina diagnóstica e preventiva básica. Como exemplo pontual temos a redução do risco cardiovascular por meio do controle do colesterol associado a outros dados para avaliação do risco cardíaco.

Normalmente assintomática, a elevação dos níveis de colesterol só pode ser observada por meio da medicina diagnóstica preventiva e periódica. Com isso é possível reverter índices alterados antes de complicações. Segundo o InterHeart, estudo internacional realizado para avaliar a importância de fatores de risco para doença arterial coronariana ao redor do mundo, o controle inadequado do colesterol é o fator de risco modificável mais importante para o infarto do miocárdio. Assim, o controle feito por acompanhamento médico, somado a exames diagnósticos simples, pode eliminar complicações, reduzir o número de internações e cirurgias e salvar milhares de vidas.

Outro exemplo do impacto direto da medicina diagnóstica na sociedade está no já reconhecido teste do pezinho, que, segundo o Ministério da Saúde, é realizado por 85,8% das crianças no país. Em sua versão simplificada – oferecida gratuitamente –, o exame feito entre o segundo e o quinto dia de vida pode detectar seis doenças genéticas ou congênitas.

Entre essas seis patologias está a fenilcetonúria. Doença rara que gera acúmulo de fenilalanina no organismo e leva à deficiência mental. Porém, se diagnosticada precocemente, o início do tratamento antes dos três meses de vida pode evitar totalmente o retardo mental do bebê.

Responsável por mudar o prognóstico da criança, o teste do pezinho vem passando por inovações e, hoje, várias instituições da rede privada trabalham, inclusive, com formatos ampliados capazes de diagnosticar uma quantidade bastante extensa de doenças.

Esses são exemplos da medicina diagnóstica e preventiva aplicada em sua veia mais clássica. Porém, quando avançamos nos anos e nas inovações tecnológicas que abraçam o setor, vamos muito mais longe. Fundamental para o sucesso de qualquer tratamento de saúde, o diagnóstico correto vem sendo perseguido pelos especialistas do segmento, visto que diagnósticos inadequados geram ineficiência clínica. E, hoje, já podemos contar com as benesses da medicina personalizada.

Trazendo um novo olhar sobre o paciente, a evolução dentro do campo da genética permite um apontamento muito mais preciso sobre cada patologia. Pensemos em um paciente diagnosticado com câncer de pulmão. Pela medicina tradicional, ele seria direcionado a um tratamento padrão adotado para todos os casos da doença.

Já com a medicina personalizada, que está em desenvolvimento no país, painéis genéticos permitem que cada paciente seja tratado em sua individualidade. Levando em conta o histórico desse paciente combinado a influências ambientais e a genética do câncer, o corpo clínico pode indicar melhores caminhos para resultados e tratamentos mais rápidos e precisos.

Segundo o Oncoguia, com a medicina personalizada a sobrevida média de pacientes com câncer de pulmão evoluiu grandiosamente, passando de seis meses em 1995 para algo em torno de 30 a 50 meses após 2015.

Esses são apenas alguns dos caminhos profícuos criados pela medicina diagnóstica junto às expressivas ações de saúde global. Com uma discussão latente sobre excesso de exames e, inclusive, algumas vertentes profissionais apontando que exames com resultados normais são sinônimo de desperdício, é preciso destacar que esses exames tidos como “normais” são justamente os resultados esperados nas diversas situações de rastreamento de doenças. Resultados capazes de refletir a saúde da população e de garantir que aquele cidadão não se tornará um paciente com complicações no curto prazo.

O melhor pensamento para este cenário é o de que cada paciente que deixa de desenvolver uma doença por ter investido em prevenção ou que tem uma patologia diagnosticada rapidamente ganha em qualidade de vida e representa economia para todo o sistema.

* Guilherme Collares é diretor-executivo de Operações no Grupo Hermes Pardini e conselheiro da Abramed

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