Gigantes da saúde, corrupção e o papel das associações são temas de debate virtual

Gigantes da saúde, corrupção e o papel das associações são temas de debate virtual

Wilson Shcolnik participou de encontro no FHCB 2020 e enfatizou o empoderamento da Abramed no diálogo setorial

3 de novembro de 2020

A edição deste ano do Fórum Healthcare Business (FHCB 2020) também abordou a vertente do diagnóstico. Em encontro realizado em 21 de outubro, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi um dos convidados para discursar sobre a nova realidade gerada pela pandemia de COVID-19 no painel intitulado “O salto quântico para uma nova realidade: a saúde global”.

Também participaram Franco Pallamolla, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (ABIMO), e Sérgio Rocha, presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI). A moderação foi realizada por Lauro Miquelin, chairman do Grupo Mídia, marca idealizadora do evento.

O primeiro assunto abordado no debate enfatizou a formação de gigantes da saúde. Na medicina diagnóstica, segundo comentado por Shcolnik, a consolidação teve início há 20 anos com a Dasa e com o Fleury, porém, o executivo observa que essa movimentação não foi acentuada durante a pandemia. “Apesar da fragilidade de muitas clínicas e laboratórios que tiveram seus atendimentos reduzidos à 30% do normal, não ouvimos falar de fusões e aquisições no nosso setor”, explicou.

Porém, o executivo aproveitou a oportunidade para comentar que na área hospitalar e entre operadoras esse movimento de formação de gigantes segue ativo. “A Rede D’Or, que é a maior rede hospitalar do Brasil, anunciou a aquisição de uma clínica no Rio de Janeiro e o desejo de iniciar IPO. E a Notredame Saúde divulgou a aquisição de um grupo em Minas Gerais, adentrando um território dominado pela Unimed”, comentou.

Pensando no setor industrial, a China desponta ainda mais como uma das principais fornecedoras de materiais e equipamentos, como relatado por Rocha. “Os chineses têm uma participação extremamente importante no mundo inteiro na nossa área. Nas commodities, o domínio deles é enorme”, disse o executivo. Para ele, o Brasil sofre com a falta de investimento. “Não somos competitivos. Precisamos de investimento para essa virada”, complementou.

Pallamolla seguiu o raciocínio de Rocha afirmando que a consolidação já vinha em um ritmo crescente e que a pandemia contribui para que surjam ainda mais gigantes. “Temos de nos adaptar a isso, a lidar com players cada vez mais potentes. E, hoje, nossa indústria parece ser o elo mais frágil dessa cadeia”, disse.

Papel das associações

Diante de um cenário de desafios, Miquelin questionou o que as entidades estão fazendo para apoiar os associados. Na ocasião, Shcolnik comentou que a Abramed comemora 10 anos em 2020, consolida empresas de todos os portes e regiões e tem ganhado força e notoriedade para o debate público. “Temos conseguido interlocução com o executivo, o legislativo e com as agências reguladoras. Aproveitamos esse empoderamento para fazer essa aproximação”, disse ao mencionar que um dos principais pleitos do setor na atualidade tem sido a Reforma Tributária e que a Abramed elaborou estudos e se reuniu com lideranças para mostrar os graves impactos que uma reforma míope pode gerar no segmento. “Não estamos buscando vantagens, mas sim neutralidade tributária em relação ao que temos hoje. É o que estamos defendendo”, declarou.

Sobre a atuação junto aos associados, Pallamolla citou a parceria que a ABIMO tem com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para capacitar a indústria e mencionou a campanha “Saúde Feita no Brasil”, que privilegia a indústria nacional. Já Rocha contou que o maior desafio da Abraidi foi a variação cambial e que a união das entidades é extremamente importante para que o setor vença os empecilhos criados durante a crise.

Corrupção

“Na pandemia tivemos de fazer uma reflexão sobre a impunidade no Brasil. As empresas que são julgadas e condenadas por atos de corrupção, são expulsas das associações?”, questionou Miquelin.

Shcolnik apresentou o código de conduta da Abramed e lembrou que a Associação é membro do Instituto Ética Saúde, com aproximação recente até para compartilhamento do canal de denúncias. “Sabemos que na saúde esses atos ilícitos também ocorrem. Então temos nosso código de conduta com normas para relacionamento com fornecedores e operadoras de saúde, visto que nossas associadas têm cerca de 80% de seus exames contratados por essas operadoras e temos que nos relacionar com esses players”, contou.

Na ABIMO, Pallamolla afirmou nunca terem vivenciado uma empresa condenada e reforçou que, na verdade, não é a empresa que comete o desvio, mas sim as pessoas físicas. “Temos um manual de conduta ética e mecanismos para chegar a excluir um associado se necessário for”, afirmou. Na Abraidi, Rocha também citou o código de conduta e enfatizou a importância da participação de todos no Instituto Ética Saúde. “Essa é uma das lutas da Abraidi nos últimos anos”.

O debate completo pode ser assistido AQUI, no canal do YouTube do Grupo Mídia.

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