Cultura da saúde corporativa deve ser iniciada na alta liderança

Cultura da saúde corporativa deve ser iniciada na alta liderança

Especialistas debateram o tema em novo episódio da série Diálogos Digitais Abramed

07 de julho de 2021

O segundo episódio da temporada 2021 de #DiálogosDigitais Abramed trouxe um tema novo para debate: Gestão da Saúde Corporativa e Medicina Diagnóstica. Moderado pela diretora-executiva da entidade, Milva Pagano, o encontro virtual recebeu Adriano Londres, empreendedor na Arquitetos da Saúde; Jacques Chicourel, head of Digital Services da Siemens Healthineers; e Fernando Akio, sênior medical manager na Procter & Gamble. Realizado dia 22 de junho e disponível para visualização no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para acessar), o bate-papo alavancou discussões extremamente relevantes sobre o papel das corporações na saúde populacional.

Para dar boas-vindas aos participantes, Wilson Shcolnik, presidente da Abramed, foi o responsável por abrir a sessão. “Esse é um tema importante, contemporâneo e que dá margem para muitos debates. A saúde corporativa tem ampla representação no sistema de saúde nacional e relação íntima com a medicina diagnóstica”, pontuou.

Na sequência, Milva falou um pouco sobre sua experiência nesse segmento. “Sabemos que a maior parcela dos beneficiários da saúde suplementar está em planos coletivos. E sabemos, também, que, infelizmente, grande parte dos contratantes desses planos não estão devidamente empoderados, instrumentalizados para realizar uma efetiva gestão da saúde”, declarou.

Partindo desse pressuposto, o debate foi desencadeado por Londres. “Dois terços do mercado suplementar estão em planos coletivos e precisamos fazer um corte para analisar qual perfil de empresa de fato poderia ter uma atuação mais forte”, relata enfatizando que é sabido que empresas pequenas acabam reféns do mecanismo e do mercado, deixando de cuidar da saúde de seus colaboradores até por limitação de recursos, mas que as empresas grandes poderiam – e deveriam – fazer algo mais concreto.

Questionado sobre os motivos que levam a essa apatia das corporações no que tange ao envolvimento com a saúde corporativa, o executivo mencionou que é uma questão cultural e que ainda há falta de conhecimento, o que leva a uma necessidade de capacitação dos profissionais envolvidos.

Na Procter & Gamble, quatro pilares foram apontados como estratégicos: atenção primária e cuidado com a saúde; atenção secundária e rastreamento seguido de diagnóstico precoce; atenção terciária com tratamento e reabilitação, e atenção quaternária evitando a iatrogenia.

Por lá, a cultura já foi implementada e segue priorizada, como relata Akio. “A P&G sempre pensou em saúde em todos os aspectos, tanto dos trabalhadores quanto dos consumidores. Por isso temos uma diretoria médica que responde diretamente ao CEO da companhia. Essa estrutura faz com que toda a cadeia de liderança entenda o que é saúde suplementar, quais os custos e como diferenciá-los”, afirmou.

Um dos pontos mais importantes, segundo ele, é que a cultura precisa ser implementada verticalmente, ou seja, iniciar na alta direção e seguir sendo disseminada ao longo da hierarquia total. “Não podemos educar os trabalhadores sobre o uso correto dos planos de saúde se a alta liderança não nos apoia”, esclareceu.

Milva concordou com a construção de uma cadeia de conhecimento envolvendo todos os níveis da corporação e apontou como muito eficaz a estratégia adotada pela P&G. “Se você não tem uma área de saúde reportando diretamente ao CEO, dependendo da distância entre essa área e a alta cúpula da empresa, o foco se perde”, disse.

Empoderamento do paciente

“O usuário não vê o valor da saúde suplementar”, pontuou Akio, enfatizando que o colaborador pode enxergar o plano de saúde como um “cheque em branco”. Além da conscientização, o empoderamento desse paciente se faz necessário. É o que defende Chicourel. “Precisamos enxergar a experiência e o empoderamento do paciente. Acreditamos que saúde e bem-estar vêm do acesso e desse empoderamento”.

Para Milva, até mesmo a nomenclatura “paciente” se mostra equivocada quando o assunto é colocá-lo no centro da atenção. “O nome ‘paciente’ nos coloca em uma posição de passividade. Porém as pessoas estão e devem estar cada vez mais empoderadas ao autocuidado, ao conhecimento. E é por isso que precisamos investir cada vez mais em educação e conscientização. Aqui vemos, novamente, a importância das empresas empregadoras educando seus colaboradores”, completou.

Medicina Diagnóstica

A medicina diagnóstica tem papel fundamental dentro do contexto da saúde corporativa, atuando principalmente na prevenção. “Em nossa carteira, os custos com exames são em torno de 16%”, disse Akio sobre como a P&G enxerga os investimentos em exames laboratoriais e de imagem. “Entendemos que exames de rastreamento são investimento. Vamos diagnosticar de forma precoce para iniciar mudanças no estilo de vida ou, em caso de algum diagnóstico, terapias rápidas para que a doença não se agrave”, complementou.

O debate abordou também a eficiência da saúde, mencionando inclusive os conceitos de overuse e underuse, respectivamente quando há uma solicitação extra de exames e quando há a ausência de exames que se fazem necessários e importantes para o cuidado. “O problema não está na realização dos exames, os testes preventivos são necessários. O problema está, muitas vezes, na solicitação incorreta”, disse Akio.

Interoperabilidade e compartilhamento de dados

Assim como em outros setores da saúde, a interoperabilidade surge como desafio. “Como fazer com que as informações das redes de laboratórios fiquem mais acessíveis?”. O questionamento feito pelo executivo da P&G foi lançado para os outros participantes.

Chicourel concorda que essa é uma área que precisa de movimentação ágil. “Como compartilharemos os dados gerados pelos prestadores e pela empresa de maneira simples, para que o colaborador não precise carregar um monte de documentos, exames, papeis em suas consultas, é assunto complexo”, declarou. Para ele, a tecnologia está pronta para contribuir e viabilizar esse acesso aos dados.

“Vemos a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) como um grande marco no tratamento dos dados da saúde do ponto de vista externo, porém nos questionamos como as informações serão armazenadas. Como daremos, ao paciente, o poder de acesso às suas informações e, de maneira consciente, dar consentimento para que outro provedor possa visualizá-las? Tudo isso está envolto nas plataformas de saúde digital”, afirmou ao trazer, para o debate, um exemplo da Áustria onde uma plataforma foi instalada para padronizar todo o sistema de saúde, fazendo com que o paciente tivesse acesso a qualquer informação de qualquer lugar.

Concluindo a temática, Milva pontuou que a navegação do paciente através dos dados é, de fato, um desafio enorme. “Seja na esfera pública, seja na privada, as informações seguem espalhadas em cada player”, afirmou.

Envolvimento de todos os players para sustentabilidade

Na visão de Londres, mais do que sustentabilidade, é preciso buscar eficiência. “Precisamos ver que cuidar da saúde é o melhor caminho. Abandonamos a percepção da prevenção, da relação próxima entre médico e paciente, da atenção primária como orquestradora do ciclo de cuidado”, disse. Para ele “cuidar de saúde pode dar muito lucro”, o que estimularia uma visão mais consolidada entre todos os players, das operadoras às empresas contratantes.

“Todos os elos da cadeia estão correndo nessa direção, mas é um movimento que leva tempo”, completou ao falar sobre a mudança nos modelos de remuneração, permitindo o pagamento pelo desfecho positivo, e não pela quantidade de procedimentos realizados.

Na P&G, por exemplo, há uma parceria muito próxima entre a empresa e a operadora de saúde contratada. “A gente trabalha em conjunto com a operadora. Tudo o que vamos decidir, eles participam. Assim como nosso vínculo com os fornecedores de serviços de checkup médico, educação física, nutrição e etc”, comentou Akio.

Por fim, os participantes concordaram que esse é um mundo em construção, que depende do empenho e da motivação conjunta de todos os elos da complexa cadeia de saúde, para que as empresas empregadoras possam investir na saúde corporativa, garantindo times mais saudáveis, motivados e tendo, como retorno, um investimento mais eficaz e um retorno ainda mais próspero.

Confira o segundo episódio dessa temporada de #DiálogosDigitais Abramed na íntegra clicando AQUI.

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