Na pandemia, indústria foca em priorização para vencer os desafios

Na pandemia, indústria foca em priorização para vencer os desafios

Adriano Caldas, vice-presidente para América Latina da Guerbet, comemora o fato de vencer a pandemia sem demissões

01 de setembro de 2021

Com drástica diminuição na quantidade de exames e procedimentos eletivos realizados nos primeiros meses da pandemia, a indústria de saúde também sofreu no país vendo a demanda cair vertiginosamente. Para vencer esses desafios impostos pela COVID-19, mantendo-se firme para seguir em atuação, muitas empresas precisaram tirar o pé do acelerador e reformular suas estratégias.

Na Guerbet, empresa de origem francesa especialista em imagens médicas no mundo, os gestores apostaram em manter, intocadas, suas equipes. Adriano Caldas, vice-presidente para América Latina, conta orgulhoso como conseguiu sobreviver a 2020 sem desligamentos. Nessa entrevista exclusiva para a Abramed em Foco, aborda, também, quais as outras estratégias adotadas pela companhia e como estão os planos de negócios para o futuro.

Confira o papo na íntegra.

Abramed em Foco – Com a chegada da pandemia, o setor de diagnóstico sofreu bastante, especialmente o de diagnóstico por imagem, já que mesmo que houvesse uma continuidade de demanda de tomografias de tórax, outros exames como ultrassonografias, ressonâncias e mamografias ficaram parados. Como esse afastamento dos pacientes das clínicas e laboratórios impactou os negócios da Guerbet?

Adriano Caldas – É fato que houve uma queda bastante expressiva na realização de exames, confirmada, por exemplo, pelos boletins divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Entre abril e maio de 2020, vimos o volume de exames e atendimentos caindo na faixa de 60% no comparativo com o período pré-pandemia. Já com a recuperação do último trimestre de 2020, chegamos a números bem mais próximos do que tínhamos antes.

Toda essa oscilação teve um forte impacto que nos exigiu ações estratégias para ajustar nosso fluxo de caixa. Aqui a palavra-chave foi priorização. No ano passado tivemos de olhar realmente ao que era essencial não só para o curto prazo, para o longo prazo. Tentamos não paralisar investimentos importantes, críticos e estratégicos que impactaram os anos de 2021, 2022 e 2023. Porém, tínhamos que fazer escolhas para conter os gastos. Essa foi a tônica de 2020, acreditando que o cenário começaria a melhorar no final do ano.

Abramed em Foco – E o ritmo da Guerbet foi o mesmo dos clientes?

Adriano Caldas – Interessante observar que a velocidade de recuperação dos nossos clientes não foi padronizada. Dependia do tipo de negócios e da região. Mas a sequência foi parecida, tendo início em outubro com um crescimento gradativo dos negócios.

Abramed em Foco – Os recursos humanos da companhia foram impactados?

Adriano Caldas – Na Guerbet, temos muito orgulho de dizer que mesmo tendo de fazer escolhas difíceis durante o ano de 2020, nós conseguimos priorizar nosso time. Temos uma organização muito eficiente, com pessoas com conhecimento e competência, além de processos bem ajustados. Assim, conseguimos passar por tudo isso sem desligar nenhuma posição. Na verdade, acabamos contratando posições adicionais. Por fim, não tivemos desligamentos, tampouco redução das jornadas. Passamos pela pandemia mantendo nosso maior ativo que é a nossa equipe.

Abramed em Foco – Muitas empresas de diagnóstico tiveram de mudar seus cardápios de exames para reequilibrar as atividades. Aconteceu o mesmo na indústria?

Adriano Caldas – Ao longo de toda a pandemia fomos acompanhando a realidade do mercado. Nosso portfólio não tem produtos dedicados a essa ou aquela patologia. Vendemos, por exemplo, contrastes para ressonância magnética de forma geral. Se o número de ressonâncias cai, cai também a nossa produção. Foi algo que nos afetou e não tivemos como mudar. Então, no curto prazo, buscamos alternativas de crescimento junto a novos clientes a fim de aumentar nosso volume de exames.

Globalmente, a aposta da Guerbet vem sendo a de incluir, na vitrine, algumas soluções digitais, investimentos nos exames e no contraste para ressonância magnética, e produtos atrelados à maior incidência de casos oncológicos no mundo (já que o aumento da expectativa de vida tende a também aumentar os casos de câncer). Além disso, outra área de dedicação é a radiologia intervencionista. A empresa tem muitos planos para se desenvolver nesse segmento com soluções ainda mais completas.

Abramed em Foco – E quanto à pesquisa, desenvolvimento e inovação? Na sua opinião, a pandemia promoveu um avanço da tecnologia em saúde?

Adriano Caldas – A Guerbet definiu cinco áreas de investimentos globais prioritários e a boa notícia é que, com isso, todos os projetos andaram na velocidade esperada, apesar da pandemia. Teremos lançamentos de produtos na área de contrastes, bem como parcerias com empresas para adesão de soluções digitais que complementam nosso portfólio, incluindo softwares que utilizam inteligência artificial para suportar o diagnóstico de patologias em áreas como demência, esclerose múltipla, pâncreas e fígado. No Brasil, essa estratégia se traduziu em uma dedicação a projetos pilotos. Estamos discutindo e trazendo essas soluções sempre com o objetivo do aprendizado.

Abramed em Foco – Quais mudanças foram implementadas por conta da COVID-19 que acredita que permanecerão pós pandemia?

Adriano Caldas – O primeiro ponto, sendo quase óbvio, é a conectividade. Com a transformação digital muito acelerada – lembrando, claro, que mais em alguns locais do que eu outros a depender da infraestrutura e da capacidade de cada um em investir e se adaptar – encontramos maneiras de nos tornarmos mais digitais, e penso que isso vai permanecer. Não voltaremos a ser como antes, mesmo que vivenciemos um balanço entre as relações pessoais e o uso de ferramentas virtuais. Diante disso, temos um longo caminho pela frente para investir e digitalizar processos de compra, de pedidos, entregas e fortalecer as interações com os clientes.

Essa conectividade ampliada chega, também, ao paciente. Quantas e quantas vezes vemos que o paciente não mais carrega aquela pasta repleta de exames, pois quando ele chega ao consultório, o médico já tem acesso ao laudo digitalizado. Isso era algo que já estava acontecendo, mas se fortaleceu.

Assim, apostamos em uma estratégia totalmente relacionada a soluções mais amplas que envolvam produtos e serviços. Soluções que ajudem as pessoas a gerenciar melhor todos os processos. Assumimos cada vez mais um papel consultivo.

Abramed em Foco – Qual o papel da indústria na ampliação de acesso da população a exames de qualidade e na implementação de ações que promovam melhorias aos processos já estabelecidos?

Adriano Caldas – Quando falamos em acesso, temos duas direções a seguir. A primeira é diminuir o custo ao mesmo tempo em que aumenta a eficiência e a produtividade. E aqui está justamente o core da Guerbet ao oferecer soluções de contraste, injetoras e produtos somados a serviços fundamentais que garantem o funcionamento dos equipamentos com baixa manutenção. A segunda está em agregar soluções digitais que ajudam na identificação de métricas que mostram onde aquele cliente pode mexer para reduzir seus custos. Esses dois direcionamentos atuam pela melhoria de acesso.

Paralelamente, temos de mencionar o papel da inovação nesse contexto. Precisamos entender que não podemos olhar apenas o custo daquela inovação, mas sim o ciclo como um todo. Muitas vezes o investimento inicial pode ser mais alto, porém, quando se olha todo, o custo total, há economia na cadeia. Por exemplo, quando conseguimos detectar casos oncológicos muito precocemente, teremos redução dos custos de tratamento, além, claro, de melhor prognóstico para esse paciente.

Abramed em Foco – Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Adriano Caldas – Sou sempre favorável às associações sejam da indústria ou dos prestadores, pois essas entidades permitem que o setor ganhe força e colocam mais cabeças para pensarem juntas sobre um mesmo tema. Problemas complexos exigem visão sistêmica para serem sanados, e para isso é indispensável reunir muita gente.

No caso da Abramed, em particular, vejo uma atuação fundamental na consolidação do valor da medicina diagnóstica no país. Um diagnóstico correto, com bons exames, e a capacidade de entregar valor junto à prevenção de doenças é uma mensagem que precisa ser clara e sempre validada até mesmo para evitar aquele famoso mal-entendido de que há exames desnecessários. Com isso, vejo que a Abramed pode evoluir gerando uma interação importante com a comunidade médica e, para o setor empresarial, auxiliar compartilhando informações que mostram o tamanho do nosso mercado e a capacidade que nosso país tem de buscar investimentos.

Por fim, a possibilidade de interação e discussão sobre os problemas e as oportunidades do setor de saúde geradas pela Abramed com seus eventos e reuniões é essencial, pois a sustentabilidade do sistema exige esse trabalho em conjunto.

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