No 5° FILIS especialistas debatem se a realização de exames fora dos laboratórios representa risco ou acesso

No 5° FILIS especialistas debatem se a realização de exames fora dos laboratórios representa risco ou acesso

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, moderou o bate-papo 

O primeiro debate do segundo dia de programação da 5ª edição do FILIS (Fórum Internacional de Lideranças da Saúde) trouxe um tema extremamente relevante e se tornou ainda mais prioritário durante a pandemia de covid-19. Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, moderou o painel “Exames fora do ambiente laboratorial: acessibilidade ou risco?” e recebeu Fabiana Barini Rodrigues Alves, diretora adjunta da Terceira Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o deputado federal (PP-RS) Pedro Westphalen.

Durante uma hora, foram debatidos assuntos inerentes à revisão da RDC 302, que trata justamente dessa temática, sendo que Fabiana trouxe uma visão bastante aprofundada de como a ANVISA lida com o assunto e Westphalen  reforçou a competência da Agência diante de todas essas análises técnicas e se mostrou bastante confiante de que em breve teremos bons resultados dessa revisão.

“A RDC 302 representou um marco para a qualidade dos serviços laboratoriais e a literatura aponta que a realização de testes rápidos fora dos laboratórios clínicos apresenta erros preponderantes na fase analítica. O que precisamos assegurar para que esses exames não causem danos aos nossos pacientes”, questionou Shcolnik.

Na visão da diretora da ANVISA, passados 15 anos a norma precisa de uma readequação à nova realidade que vivemos. “O que precisamos lembrar é que para a realização de qualquer etapa de um exame, dentro ou fora do ambiente laboratorial, precisamos ter profissionais qualificados, processos bem definidos, equipamentos validados e produtos com eficácia e segurança. Assim, entendo que todos os serviços que realizarão esses testes, resguardadas as diferenças de complexidade entre eles, devem garantir a qualidade da execução nas três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica”, disse.

Após relembrar como é o passo a passo de uma revisão normativa dentro da ANVISA, Fabiana relembrou que das quase 3 mil propostas recebidas durante a revisão da RDC 302, 94% eram de impacto negativo ao setor. “Um número muito expressivo. Então nossa equipe técnica tem feito um trabalho aprofundado sobre cada tema, atenta para readequar tudo o que se faz necessário”, declarou. Para Westphalen, é importante valorizarmos a atuação da Agência. “A ANVISA é um órgão técnico que tem que ser tratado dessa forma, pois é isso que nos traz segurança e garantia”, disse. 

Lembrando que a medicina diagnóstica é um setor muito atrelado e preocupado com a qualidade de suas entregas, o presidente da Abramed questionou Fabiana: “o controle de qualidade é uma ferramenta preciosa tradicionalmente usada pelos laboratórios para assegurar a precisão e a exatidão dos resultados obtidos. É aceitável que um controle de qualidade seja realizado à distância, fora do local onde a amostra é manipulada e onde a reação química de fato ocorre?”.

A executiva explicou que tanto os controles internos quanto os ensaios de proficiência são inerentes ao ato de realização do exame. “Esses controles devem sempre ser feitos nas mesmas condições e locais. Esse foi um dos temas com maior número de considerações e mereceu atenção especial da nossa equipe técnica. É esperada a inclusão de critérios que assegurem e fortaleçam essa avaliação”, declarou.

Para encerrar o debate, Westphalen mostrou uma percepção bastante positiva sobre os próximos passos. “Não tenho dúvidas de que avançaremos nessa discussão garantindo que os interesses dos pacientes sejam preservados”, disse após lembrar que Antonio Barra Torres, diretor-presidente da ANVISA, recebeu o setor pessoalmente para ouvir os pleitos e os impactos que a revisão da norma pode desencadear.

Sistema Único de Saúde merece aplausos

Os participantes aproveitaram a ocasião para reforçar a relevância do Sistema Único de Saúde e da Saúde Suplementar nacional no combate à pandemia. “Temos de fortalecer o sistema e entender que a rede suplementar é fundamental. É importante olharmos as formas de financiamento para termos um sistema efetivo em toda a assistência”, comentou o deputado federal.

Trazendo uma ampla visão, Fabiane declarou: “tenho muito orgulho do nosso sistema de saúde. Durante oito meses de pandemia tive a oportunidade de visitar vários estados, cidades afastadas dos grandes centros, para ver como o atendimento estava preparado. E pude observar a grandiosidade do Brasil, a complexidade, e o que significa não ter acesso a médicos, assistências e exames. Foi um grande ensinamento que hoje me ajuda na tomada de decisões”.

O 5º FILIS foi realizado de forma totalmente digital, em dois dias com intensa programação. Clique aqui e confira a cobertura completa deste e de todas as palestras e painéis concretizados nesta edição. A gravação estará disponível até o final do mês de outubro.

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