Abramed defende o setor de medicina diagnóstica como prioridade para próximo governo

Abramed defende o setor de medicina diagnóstica como prioridade para próximo governo

Vice-presidente do Conselho de Administração representou o setor em evento com lideranças políticas e da saúde

Evidenciar as prioridades da saúde para o próximo Governo Federal foi o objetivo do evento promovido pela Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) durante a Hospitalar 2022. A entidade reuniu líderes das principais entidades do setor; lideranças políticas na saúde de diferentes partidos; e a voz da população, através da apresentação da pesquisa inédita “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?”. A Abramed foi representada pelo vice-presidente do Conselho de Administração, Leandro Figueira. 

Figueira salientou a importância de o país sair dessa discussão temporal que houve nos governos até agora e mudar o foco do custo para a construção. Também destacou a necessidade de olhar para a medicina diagnóstica como um setor relevante que pode ajudar na criação de uma política de estado. 

“Os exames preventivos podem colaborar para uma melhor saúde da população brasileira. Quando falamos de diagnóstico, 70% das decisões clínicas são baseadas em exames e eles foram cruciais, por exemplo, na solução da pandemia. Além disso, somente no campo da oncologia, 60% dos custos excedentes estão relacionados aos diagnósticos tardios. Se tivéssemos uma política de detecção precoce dos diagnósticos oncológicos, por exemplo, já teriam sido economizados bilhões de reais que poderiam ser revertidos para outras áreas”, enfatizou o executivo.

“Os exames, o que, aliás, é um ponto bem importante, devem ser vistos como controle e acompanhamento de doenças e não como desperdício. A Abramed inclusive defende o uso racional dos exames e está à disposição para participar em qualquer governo”, complementou.

A saúde que os brasileiros querem 

A pesquisa realizada pelo PoderData avaliou a percepção da população em relação aos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela saúde suplementar no Brasil. Ao todo, foram entrevistados mais de 3 mil brasileiros em 388 municípios. Segundo o estudo, 4 entre 10 pessoas reprovam a saúde no Brasil; e 5 em cada 10 usuários dos serviços de saúde suplementar estão satisfeitos com o sistema. 

No caso do SUS, 45% aprovam a assistência, mas apontam carências. A dificuldade de fazer exames foi apontada como um dos principais gargalos quando se precisa de um serviço. Outro dado interessante é que, embora a saúde seja a prioridade dos brasileiros, 71% não fazem atividades de prevenção. O cenário repete-se na saúde suplementar, em que apenas 15% dos usuários participam das iniciativas preventivas. 

Quanto à preocupação com o futuro da saúde, metade dos respondentes da pesquisa espera que o próximo governo priorize os investimentos em inovação e tecnologia e essa demanda predomina mais no Sul, mencionada por 43% das pessoas.  

“A pandemia de covid-19 fez crescer a preocupação das pessoas com a qualidade dos serviços de saúde. O brasileiro agora tem mais propriedade e conhecimento sobre os sistemas, as partes boas e ruins. Ele se sente mais participante das discussões sobre o tema”, afirmou o diretor-executivo da Anahp, Antônio Britto.

Para debater esse cenário apresentado pela pesquisa e ouvir as colocações das entidades do setor, foram convidados o senador e atual presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Humberto Costa; o deputado federal pelo MDB-RS, Osmar Terra; o professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna; e o professor e coordenador do Programa Partido Novo, Leandro Piquet. 

Telemedicina e o uso da tecnologia, uso consciente de exames diagnósticos, aumento da cobertura vacinal, prevenção e promoção à saúde, especialização dos profissionais da saúde, parcerias-público privadas (PPPs), entre outros aspectos que compõem o cenário da saúde foram mencionados como prioridades para 2023. 

Humberto Costa, senador e atual presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, salientou que apesar dos investimentos em tecnologia aparecerem como prioritários na pesquisa, pensar em como capacitar e desenvolver o capital humano são aspectos que não podem ficar de fora da pauta. “É preciso ter médicos que atendam no SUS com qualidade. Essa questão é fundamental”. 

Já Osmar Terra, deputado federal pelo PMDB-RS, apontou a implantação do conceito de meritocracia como uma saída interessante para a saúde. “Quanto melhores forem os indicadores na área geográfica que o médico atua, mais ele deve ganhar. Isso faz com que o profissional esteja mais presente. Afinal, médico sem dedicação exclusiva não tem tempo para atender com qualidade”, considerou Terra, que ainda salientou a necessidade de harmonizar a prevenção, a promoção e o atendimento médico hospitalar.

Prevenção também foi um ponto salientado por Denizar Vianna, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Para ele, a falta de cuidado é preocupante e envolve mudança de hábito de vida das pessoas, o que não é uma tarefa fácil. E, salientou que a telemedicina é um instrumental muito importante para dar acesso a mais de cinco mil municípios, mas que é preciso também investir no cuidado presencial. “Assim como telemedicina sem regulação pode gerar mais gasto, do que entrega resultados. Temos, ainda, que olhar para P&D com uma visão interministerial. Esses são os pontos principais para articular numa proposta.”

Para Leandro Piquet, professor e coordenador do Programa Partido Novo, na área da saúde é fundamental pensar a ideia de parcerias público- privadas (PPPs) e a reforma do sistema previdenciário. “O sistema não pode ter esse papel apenas assistencialista. Passar para papel de prestador de serviço é importante para que não se gere esse tipo de relação quase parasitária que existe. E, ainda, precisamos pensar de uma forma inovadora a importância fundamental de pensar a efetividade dos gastos com saúde e olhar o resultado final dos atendimentos”, explica. 

Levaram suas ideias e seus anseios para o representantes políticos, além da Abramed, representantes da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), do Conselho Nacional de Saúde (CNSaúde), da Interfarma, da Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para Saúde (Abimed), do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Demais Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (SindHosp), da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) e da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

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