Compliance é grande aliado dos negócios em medicina diagnóstica

Compliance é grande aliado dos negócios em medicina diagnóstica

Investir nessas práticas possibilita prevenir sanções, multas e outros tipos de penalidades, além das fraudes

Implantar práticas de compliance é um investimento importante para a melhoria dos negócios, isso porque agir preventivamente pode evitar custos elevados à organização e, no caso de fusões e aquisições, tão comuns na área de saúde, até amplia o valor das empresas no mercado.

“Uma companhia que investiu em melhorias de processos, com balanços auditados e controles internos pode valer até 2,5 vezes mais”, explica Jefferson Kiyohara, diretor de Compliance & Sustentabilidade na ICTS Protiviti, coordenador técnico de compliance sustentável e professor de Ética, Governança, Compliance, Riscos e ESG na FIA Business School.

Esse investimento permite, ainda, prevenir sanções, multas e outros tipos de penalidades que podem acontecer na justiça, além das fraudes. Um estudo feito por Arnold Schilder, doutor em Auditoria Independente, diz que, para cada dólar investido, a empresa deixa de gastar cinco com questões de compliance.

Já o estudo Report to the Nations, lançado periodicamente pela ACFE, organização de combate e prevenção a fraudes nos Estados Unidos, mostra que, em média, uma empresa perde 5% do faturamento com fraude. Mais da metade dos casos é identificada através do canal de denúncias, um dos elementos do programa de compliance.

Essas práticas estão ligadas à proteção e, muitas vezes, à sobrevivência da empresa, porque, dependendo do tipo de sanção recebida, a multa pode chegar a milhões de reais, fazendo a organização deixar de existir. A corrupção, por exemplo, tem penalidades muito fortes, assim como vazamentos de dados pessoais ou problemas comportamentais que envolvam abuso sexual ou pedofilia. Isso dentro de uma organização que atende pacientes infantis pode ser o suficiente para acabar com a reputação da instituição. 

“O conhecimento em governança corporativa, gestão de riscos, compliance, privacidade de dados, cibersegurança e auditoria interna forma um pacote que traz proteção ao negócio e também ajuda na valorização e no combate às fraudes que podem acontecer dentro desse tipo de ambiente”, explica Kiyohara.

A boa prática recomenda que se tenha um profissional dedicado à área de compliance, mas, como nem sempre é possível, a sugestão é partir para a terceirização ou aproveitar alguém do setor de qualidade, por exemplo, que já tem experiência em regulamentação e pode fazer cursos para atuar também nesse segmento. Com relação ao investimento, varia muito do tamanho da empresa e de quais são as ambições.

Em organizações menores, é muito comum um médico ou grupo de médicos tocar o dia a dia do negócio preocupando-se apenas com o lado assistencial e esquecendo que o lado administrativo demanda conhecimento de contabilidade e financeiro. É aconselhado estudar esses temas ou contratar alguém de confiança que tenha carreira, conhecimento técnico e perfil ético íntegro na forma de trabalhar.

Kiyohara lembra que existem metodologias de mercado que ajudam a entender como a pessoa lida com os dilemas éticos, por exemplo, ao saber de um erro, o que fazer? No caso de suborno, o que ela faz?

“Muitas associadas à Abramed foram criadas a partir do pioneirismo de seus fundadores, que foram movidos por valores. Esses valores, que sustentam o caráter assistencial, também precisam ser refletidos no organizacional”, expõe. 

Por onde começar

Para implantar práticas de compliance, o primeiro passo é ter o apoio da alta direção da empresa, porque, de acordo com Kiyohara, infelizmente, muitos ainda não enxergam isso como algo positivo, só percebendo sua importância quando um problema acontece. Por exemplo, em uma licitação, acaba descobrindo que não atende a esse requisito e vai perder um contrato. 

O próximo passo é ter os recursos necessários: dinheiro, pessoas, procedimentos e ferramentas. Imagine uma empresa que foi denunciada por assédio e não tem ninguém preparado para lidar com o denunciado, o expondo. Ou, então, não tem as técnicas necessárias e conclui que não aconteceu nada. Em ambos os casos, a situação acaba gerando um ambiente de trabalho ruim, que pode acarretar perda de profissionais, bem como penalidades, ou seja, a empresa pode ser autuada, receber um processo da esfera trabalhista ou até mesmo uma visita do Ministério Público do Trabalho, e isso tem impactos grandes dentro das organizações.

Antes de começar a implantação, é fundamental fazer o mapeamento de riscos ou diagnóstico, que permite identificar onde estão os problemas. Outros pilares do compliance envolvem engajamento, treinamento, comunicação, incentivos, medição, monitoramento, acompanhamento e melhoria contínua para saber que tudo está acontecendo da forma adequada.

São também necessárias diligências para conhecer fornecedores, colaboradores, clientes e pessoas que vão atuar na empresa. Outro passo se relaciona ao processo de apuração, incluindo o canal de denúncias e a política de sanções, ou seja, o que acontece quando a pessoa não respeita a regra. 

Como resume Kiyohara, fazer o que é certo e agir preventivamente é sempre a melhor opção.

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