Para análise e reflexão: ressignificando a medicina diagnóstica

Para análise e reflexão: ressignificando a medicina diagnóstica

Por Roberto Santoro*

A medicina diagnóstica é um importante elo da cadeia de saúde. Suas inovações, por exemplo, aprimoram a assistência e a eficiência do sistema. Não por acaso, o segmento assumiu seu protagonismo durante a pandemia de covid-19, iniciada, no Brasil, em março de 2020. E quando tudo indicava um setor atuando única e exclusivamente sobre o novo coronavírus, o que se viu – e se vê! – é uma evolução constante com o desenvolvimento de novas tecnologias e formas de atendimento para otimizar tanto testes quanto exames indispensáveis ao bem-estar humano.

O segmento é composto de pessoas, infraestrutura, logística, capacidade de produção, pesquisa e desenvolvimento, assim como interface de sistemas. A pandemia o evidenciou, permitindo ampliar sua perspectiva em prol de uma infraestrutura melhor no país. E foi a reação rápida e a adaptação em dar uma resposta eficaz, focada na menor geração possível de danos, que fez a medicina diagnóstica continuar relevante em momentos de crise.

Os resultados de exames laboratoriais apoiam cerca de 70% das decisões médicas e são de grande valia na atenção à saúde. A tendência é que ela continue protagonista. Isso porque o avanço tecnológico e a transformação digital garantem exames e análises cada vez mais precisos e eficientes. Ainda assim, os gastos das operadoras de saúde com medicina diagnóstica, em termos relativos, estão entre os menores, se analisarmos a relevância desse segmento.

Na perspectiva da prevenção, através da atenção primária, a medicina diagnóstica, além do impacto nas decisões médicas, contribui para os custos evitáveis, ou seja, diminuindo a propensão de adoecimento e doenças crônicas e, além disso, a atenção pode ser feita fora de ambientes hospitalares.

A medicina diagnóstica tem ainda uma parte de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) bastante valiosa, com alta velocidade na introdução de novas tecnologias, com custos menores e incorporação rápida. Essa capacidade de criar testes com maior acurácia, faz parte da essência da medicina diagnóstica, isto é, temos cada vez mais novas tecnologias disponibilizadas em menor tempo e com menos gastos.

Segundo o Painel Abramed 2021 – O DNA do Diagnóstico, a medicina diagnóstica é um dos setores que mais evoluem e inovam na busca por tecnologias capazes de aprimorar e melhorar a qualidade dos diagnósticos na área da saúde. O surgimento de tecnologias permite que os exames sejam realizados em grande escala, em menor tempo, com melhor qualidade e precisão, evitando o desperdício e o aumento na escalada dos custos na saúde. 

A publicação já destacou, inclusive, que inúmeros fatores impulsionam o crescimento do setor, entre os quais se destacam a inteligência artificial e os processos digitais para apoiar os diagnósticos, a modernização dos equipamentos e novas tecnologias laboratoriais, a utilização da telemedicina e subespecialidades em larga escala, as inovações na área de genética, a rede integrada de saúde, entre outros.

Entre tantos pontos positivos, a medicina diagnóstica tem ainda a possibilidade de movimentar amostras sem movimentar o paciente. E aqui estamos falando de acesso populacional. Você não precisa movimentar o paciente, você colhe em um local e pode circular por meio de serviços de logística, permitindo que uma parcela maior de pessoas possa realizar seus exames em grandes centros tecnológicos. Aliás, a logística é responsável pela quebra de barreiras, permitindo acesso à tecnologia em áreas remotas do Brasil, cujo território tem dimensões continentais.

E o que falta para a medicina diagnóstica ser cada vez mais valorizada? Ampliar o conhecimento do seu papel, da função dos exames, principalmente laboratoriais e de imagem, nas decisões médicas. Sob a ótica de educação em saúde, suponho que deveria haver maior foco na relevância das unidades de Serviço de Apoio de Diagnose e Terapia (SADT), porque no Brasil, de acordo com dados de junho de 2021, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde (CNES/MS), existem 26.545 deles.

É de suma importância o reforço desse tema, com maior intelectualidade relativa nas universidades brasileiras e entidades formadoras de profissionais de saúde. Além disso, é necessário que os próprios governos tenham mais consciência e que entidades, como a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), atuem como fomentadoras de atividades de ensino e pesquisa em medicina laboratorial, justamente para ressaltar o papel da medicina diagnóstica na cadeia de valor da saúde.

Ainda sobre educação médica, precisamos de uma “descomoditização” intelectual. A medicina diagnóstica é um setor com atualizações constantes e por vezes o próprio mercado tem dificuldade de acompanhar, e ao setor cabe incentivar, fomentar e contribuir para que nossos profissionais sejam plenamente capazes de lidar com a evolução constante do segmento.

Veja bem, estamos diante de um dos menores custos para o sistema, cuja importância e grandeza são incontestes, seja no acesso, na atenção primária, no impacto na decisão médica, no custo evitável. Mas como é possível ressignificar a medicina diagnóstica? Um dos passos é a educação em saúde deste tema.

Precisamos que seja destacada a sua importância também na saúde suplementar, por meio de atualizações constantes. Os gastos das operadoras de saúde com medicina diagnóstica são relativamente menores do que outros gastos e de alto impacto para o bem-estar social e na economia em saúde.

*Roberto Santoro é Diretor Presidente do Grupo Pardini, empresa associada à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed)

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