Em palestra no FILIS, CEO da Aceso Global abordou o Value-Based Health Care e sua experiência dos EUA

Em palestra no FILIS, CEO da Aceso Global abordou o Value-Based Health Care e sua experiência dos EUA

Maureen Lewis citou as ACOs – redes de médicos, hospitais e outros provedores – que utilizam formas de pagamento baseadas em VBHC

Uma das palestras internacionais da sexta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi proferida por Maureen Lewis, CEO da Aceso Global, organização sem fins lucrativos que concentra seu trabalho em questões relacionadas ao sistema de saúde no setor público e no privado em mercados emergentes.

A palestrante abordou o financiamento e suas aplicações no diagnóstico, os desafios do cuidado em saúde no Brasil, a importância da qualidade no setor, o Value-Based Health Care (VBHC), os novos modelos de pagamento e as implicações para o setor de medicina diagnóstica.

Falando em desafios e oportunidades, a Maureen apontou que apesar do grande impacto na saúde global, a covid-19   alavancou o uso da telemedicina no mundo todo. Outros pontos citados foram o aumento rápido dos custos na saúde brasileira, o envelhecimento populacional, o crescimento das doenças crônicas e a busca dos pacientes por conveniências e conforto.

“No Brasil, o nível da qualidade do cuidado é muito baixo, com grande quantidade de eventos adversos, que são caros não só para o paciente como também para todo o sistema. Faltam qualidade e eficiência, mas o mais sério é que não existem dados para avaliar isso. Um prédio bonito, como os usuários gostam, não significa qualidade no cuidado”, disse.

Segundo ela, o paciente fica confuso com a bagunça no sistema, sem saber para onde vai: quem manda, como é organizado e como o financiamento funciona? Isso é um desafio também nos Estados Unidos, que tem um sistema muito parecido com o do Brasil.

Maureen citou que 25% da população brasileira custeia o próprio tratamento, enquanto nos Estados Unidos são 11%. No Brasil, 34% utilizam planos de saúde e 41% o SUS. De acordo com ela, o sistema brasileiro ainda não está pronto para pensar em valor em saúde, devido aos problemas já apontados, além do uso inadequado dos dados, da utilização do pronto-socorro em vez de consultas e da falta de informações sobre o desempenho.

As prioridades da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), com relação a financiamento e estrutura de saúde, são: colocar a qualidade do cuidado no centro; identificar e estratificar os riscos; concentrar-se em pacientes de alto risco e alto custo, mantendo-os saudáveis e evitando a hospitalização; sistema de dados integrados; e novos sistemas de pagamento.

Maureen mostrou um estudo feito nos Estados Unidos, em 2004, apontando que apenas metade dos pacientes recebeu o cuidado apropriado. Havia alta incidência de eventos adversos nos hospitais, baixa aderência a protocolos, alta morbidade e reinternações. Ao mesmo tempo, a despesa em saúde crescia em percentual do PIB sem melhores resultados. Depois desses dados preocupantes, o país mudou o sistema totalmente. 

O Value-Based Health Care foi uma resposta a alguns desses problemas. Trata-se de uma estratégia para promover qualidade e valor nos serviços em saúde com base nos pagamentos por resultados. Até então, o modelo predominante era o fee for service, pagamento por volume, que não informa sobre desempenho, nem se o gasto foi útil, além de não oferecer incentivos para eficiência nem qualidade. O pagamento por resultados é uma evolução do sistema.

Dentro do VBHC, Maureen citou bundled payments (pagamento por pacote), diagnostic related groups (DRGs), shared savings/risk (compartilhamento dos ganhos entre médicos e planos para melhorar qualidade e baixar custos) e pay for performance (P4P). Também falou sobre as Accountable Care Organizations (ACOs), redes de médicos, hospitais e outros provedores e prestadores de serviços de saúde, que utilizam várias formas de pagamento juntas, especialistas no VBHC. Essas entidades têm uma parceria muito forte entre gestão e equipe clínica, com enfoque em atenção primária e infraestrutura digital robusta. A palestrante acredita que, no Brasil, as ACOs podem oferecer muitos benefícios.

Segundo experiências de executivos de planos de saúde, com a adoção de VBHC, a qualidade melhorou em 80%, além de reduzir custos desnecessários. “Mas é difícil convencer operadores dos benefícios de bundled payments e outros sistemas de pagamento episódicos, porque é um modelo novo e há resistência”, disse.

Para melhorar a eficiência e aumentar a qualidade, as implicações para o setor diagnóstico, apontadas por Maureen, são: reduzir o desperdício no sistema, limitar o underuse, controlar os erros médicos, reduzir o número de infecções adquiridas em hospital e utilizar benchmarks para acompanhar o desempenho.

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