Em Congresso Alliar, presidente do Conselho de Administração da Abramed palestrou sobre o mercado de saúde no país

Em Congresso Alliar, presidente do Conselho de Administração da Abramed palestrou sobre o mercado de saúde no país

Wilson Shcolnik ressaltou o papel da entidade, apontando também desafios e oportunidades do setor

Para apresentar o panorama do mercado de saúde no Brasil, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi convidado a palestrar no primeiro Congresso Alliar – Alliados para Gerar Valor. Realizado no dia 19 de agosto, de forma on-line e gratuita. O evento é uma iniciativa do Grupo Alliar, um dos maiores players de medicina diagnóstica do país.

Shcolnik começou ressaltando o papel da Abramed, cujas associadas realizam cerca de 60% do volume de exames na saúde suplementar no Brasil. Ele também mostrou a importância do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, publicação anual que traz um panorama do setor de medicina diagnóstica nacional, consolidando indicadores que contribuem para a visibilidade do setor e a tomada de decisões nas instituições. 

Entrando no tema, apontou as principais causas de morte de países de renda média-alta: doenças arteriais coronarianas, derrame cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica, cânceres de traqueia, brônquios e pulmões, infecções do trato respiratório inferior, diabetes mellitus, cardiopatia hipertensiva, mal de Alzheimer e outras demências, câncer de estômago e acidentes rodoviários.

“Muitas dessas doenças precisam ser diagnosticadas com base em informações de exames laboratoriais ou de radiologia e diagnóstico por imagem e, ainda, no caso dos cânceres, por meio de exames de anatomia patológica. Por isso, eles são fundamentais tanto para o diagnóstico quanto para a indicação do tratamento e seu gerenciamento”, ressaltou Shcolnik.

Ele mostrou números da pesquisa IMS Report 2003, apontando que 94% dos dados contidos em prontuários médicos são obtidos de laboratórios clínicos e que entre 60% e 70% das decisões clínicas são baseadas em resultados de exames laboratoriais. Esses exames também influenciam diretrizes e protocolos, que orientam as práticas médicas. “Por fim, 23% de diferentes doenças vêm sendo associadas à medicina personalizada, ou seja, as informações laboratoriais acabam definindo o tratamento e, indiretamente, o custo da assistência à saúde. E isso é uma contribuição positiva do setor”, expôs o presidente do Conselho de Administração da Abramed.

No entanto, como os dados de saúde são obtidos por diferentes dispositivos, surgiu um grande desafio: unificá-los e transformá-los em informações que possam ser úteis para o cuidado ao paciente. A inteligência artificial e o machine learning são dois exemplos de ferramentas inovadoras que vêm sendo usadas nos laboratórios clínicos, na radiologia e no diagnóstico por imagem para apontar as prioridades no tratamento. 

Falando em desafios setoriais, Shcolnik citou a contenção dos desperdícios, pois sabe-se que no mundo todo os recursos disponíveis para o sistema de saúde são insuficientes. “Como empresas de medicina diagnóstica, podemos contribuir fazendo o gerenciamento do uso dos exames, explicando aos médicos em quais situações esses documentos podem ser úteis e em quais não trarão nenhum valor para a assistência à saúde”, disse.

Outro desafio é a incorporação de exames ao sistema de saúde. “Atualmente existem inúmeros marcadores laboratoriais e sofisticados exames de imagem que devem ser disponibilizados à população brasileira. Os órgãos reguladores precisam estar cientes do valor que eles podem trazer para o desfecho assistencial”, comentou Shcolnik.

Também está entre os desafios a participação do setor na discussão sobre novas formas de remuneração. “O modelo utilizado atualmente, baseado no volume de serviços realizados, é considerado inapropriado e vem sendo discutido no mundo todo. Esse modelo é criticado porque acaba estimulando a maior realização de procedimentos. Cabe a nós ajudar a buscar uma melhor forma de remuneração”, apontou.

Shcolnik considera mais um desafio inserir o setor de medicina diagnóstica no movimento mundial de transformação digital, que também chegou à saúde. Exemplos disso são a telemedicina e a terminologia Loinc, que se refere a exames laboratoriais e permite a troca de informações padronizadas e qualificadas.

“Monitorar a qualidade e o desempenho já é um desafio antigo, com grande importância dentro da Abramed, pois as empresas só podem se tornar associadas se estiverem certificadas em relação à sua qualidade”, acrescentou.

Os outros desafios citados foram as questões éticas, que vêm demandando a elaboração de códigos de conduta, e as situações externas exclusivas do país, como a reforma tributária, cuja discussão ainda não amadureceu.

Shcolnik aproveitou para, mais uma vez, comentar informações, referentes aos desperdícios em exames, que não têm nenhuma base científica. “Infelizmente, temos raras oportunidades de nos defendermos. Na verdade, a porcentagem de exames não acessados nos laboratórios por médicos nem por pacientes não é 30%, nem 50%, como divulgado, mas sim menos de 5%, com base em uma pesquisa feita com nossos associados. Claro que esses desperdícios devem ser combatidos, mas os números precisam estar de acordo com a realidade”, expôs.

Também comentou do desafio regulatório, pois é necessário atender às normas tanto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em relação às oportunidades, Shcolnik apresentou algumas situações em que a Abramed pode atuar. “Como muitos sabem, o sistema de saúde brasileiro é muito fragmentado, na área pública e na área privada. E uma solução é a formação de um ecossistema que possa contar com a participação das empresas de medicina diagnóstica, sendo um dos agentes ou formando um ecossistema próprio para ser oferecido à população”, disse.

Segundo ele, existem muitas vantagens nesse ecossistema, desde conduzir a jornada do paciente até organizar os custos produzidos dentro de cada uma das partes. “Existe oportunidade para redução de custo e produção de escala para gerar economia, portanto é uma iniciativa que precisamos estudar e avaliar.”

Outra informação que levou aos participantes do evento foi a iniciativa do governo brasileiro para integrar dados. Ele citou que dentro do DataSUS há a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que visa à interoperabilidade e à troca de informação, de modo também a trazer economia para o sistema de saúde.

Shcolnik finalizou destacando, ainda, as consolidações, que têm merecido atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), bem como as oportunidades das parcerias público-privadas, já que os recursos são limitados e demandam soluções criativas para oferecer assistência à população.

O Congresso Alliar contou com apresentação de Isabella Tanure e Gustavo Meirelles, respectivamente conselheira e diretor médico da companhia, e com palestra do presidente do Conselho, Nelson Tanure, sobre o tema “Grupo Alliar – Visão de Futuro”.

Entre os palestrantes também estiveram Claudio Lottenberg, Presidente Institucional do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), que falou sobre as oportunidades e os desafios no setor de saúde; Karla Maciel, Vice-Presidente Administrativa Financeira da Alliar, que abordou o cenário macroeconômico do Brasil; Fabrício Machado, Diretor da Prevent Senior, que enfocou a saúde digital; e Augusto Antunes, Diretor do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação (NEPIA) da Alliar, que discorreu sobre inovação em saúde.

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