Diálogo e decisões estratégicas orientam a agenda da saúde no segundo semestre 

Diálogo e decisões estratégicas orientam a agenda da saúde no segundo semestre 

Definições regulatórias e a aproximação das eleições exigirão  articulação entre entidades, reguladores e formuladores de políticas públicas para manter o avanço de pautas estruturantes. 

Com a aproximação das eleições, a agenda pública tende a ser marcada por pautas de maior apelo eleitoral, enquanto discussões técnicas e estruturantes podem perder espaço no debate legislativo.

Para a saúde, esse cenário representa um desafio. Temas como regulação, sustentabilidade, transformação do modelo assistencial e governança continuam essenciais e exigirão articulação entre entidades representativas, reguladores e poder público para avançar.

Um tema que deve permanecer na pauta é o Projeto de Lei nº 2.338/2023, que propõe o marco regulatório da inteligência artificial no Brasil. A regulamentação precisa garantir transparência, segurança, supervisão humana e responsabilização, sem impedir o desenvolvimento de ferramentas capazes de apoiar profissionais, qualificar processos e ampliar a capacidade assistencial.

Aprovada pelo Senado e em análise na Câmara dos Deputados, a proposta aguarda parecer na comissão especial e seguirá demandando atenção do setor.

Outro ponto relevante é a Agenda Regulatória 2026–2028 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O planejamento estabelece 14 pautas prioritárias, organizadas em três eixos: proteção dos beneficiários; qualidade do cuidado e transformação assistencial; e sustentabilidade, dados e governança da informação. Entre os assuntos previstos estão o aprimoramento das regras para reajustes coletivos, portabilidade e reembolsos.

Embora muitas dessas iniciativas não sejam direcionadas especificamente à medicina diagnóstica, elas influenciam o ambiente regulatório da saúde suplementar e ajudam a definir as condições para o desenvolvimento do setor nos próximos anos.

“Acompanhar e influenciar esse processo é essencial. Projetos estruturantes não podem depender apenas de questões circunstanciais, e o papel do setor é garantir que o debate técnico aconteça no momento certo e com a profundidade necessária”, avalia Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

A saúde no debate eleitoral

Ao longo do semestre, propostas relacionadas ao financiamento do sistema, à transformação do modelo assistencial, ao acesso e à integração entre os sistemas público e privado devem ganhar espaço nas conversas com candidatos, partidos e formuladores de políticas públicas.

Por estar presente em diversas etapas da jornada do paciente e por conectar o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar, a medicina diagnóstica contribui para aproximar diferentes players em torno de desafios que ultrapassam as fronteiras de cada segmento.

Esse período também amplia a responsabilidade das entidades representativas de levar dados, evidências e conhecimento técnico ao debate público, contribuindo para que a saúde seja tratada como uma política estratégica para o desenvolvimento social e econômico do país, e não apenas sob a perspectiva das demandas imediatas.

A Abramed amplia o diálogo e a produção de conhecimento

Os próximos meses reúnem algumas das principais iniciativas da Abramed. Entre elas está a 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), marcada para 26 de agosto.

O encontro reunirá reguladores, gestores e lideranças empresariais para debater temas estratégicos e transformar as discussões em propostas para os desafios e as oportunidades dos próximos anos da saúde brasileira.

“Como costumo dizer, somos vasos comunicantes. Saúde pública, saúde suplementar, reguladores e setor produtivo precisam caminhar de forma integrada. É essa habilidade de construir soluções em conjunto que permitirá à medicina diagnóstica manter sua capacidade de adaptação”, pontua Cesar Nomura.

O FILIS também será o principal momento de divulgação dos dados da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. A publicação será lançada na noite anterior, durante um jantar exclusivo para convidados, e reunirá os indicadores mais recentes das empresas associadas, acompanhados de análises sobre os resultados apurados.

A agenda do segundo semestre contará ainda com o Simpósio ESG Abramed, que aprofundará temas como responsabilidade ambiental, sustentabilidade econômica, governança e qualidade assistencial, cada vez mais relevantes para a gestão das organizações de saúde.

Na ocasião, a associação lançará, pela primeira vez em edição independente, o Caderno ESG Abramed. Até então, os indicadores e as iniciativas de sustentabilidade integravam o Painel Abramed. A realização de um simpósio e a criação de uma publicação dedicados ao tema refletem o amadurecimento dessa agenda na associação e no setor.

Essas iniciativas reforçam a relevância da medicina diagnóstica nos debates que influenciam a saúde brasileira. Diante das definições regulatórias e das articulações que antecedem um novo ciclo político, o setor precisará levar dados, conhecimento técnico e propostas aos espaços em que as decisões são construídas.

Postado em: 30/07/2026

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