O novo profissional de saúde: entre a prática clínica, os dados e a Inteligência Artificial 

O novo profissional de saúde: entre a prática clínica, os dados e a Inteligência Artificial 

A incorporação da Inteligência Artificial amplia as competências que são exigidas dos profissionais de saúde e reforça a importância de uma cultura orientada por inovação e integração. 

Por muito tempo, a régua que media a excelência de um profissional de saúde foi quase inteiramente clínica: raciocínio diagnóstico apurado, precisão técnica e boa relação com o paciente. Essa base permanece essencial, mas passou a ser complementada por novas competências.

Médicos, gestores e equipes multiprofissionais também precisam compreender dados, interpretar sistemas e incorporar ferramentas de inteligência artificial à rotina assistencial, integrando esses recursos ao cuidado, e não como uma atividade paralela.

“O profissional de saúde não precisa se tornar um cientista de dados, mas precisa compreender como essas informações são produzidas, quais são seus limites e de que forma podem apoiar a decisão clínica. A inteligência artificial amplia a capacidade de análise, mas não substitui o raciocínio clínico, o olhar sobre o paciente nem a responsabilidade pela conduta”, afirma Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da entidade.

Quando bem integrada aos processos, a inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas e de organização da informação, liberando tempo para atividades que dependem do julgamento humano, como a interpretação dos casos, a comunicação com os pacientes e a tomada de decisões fundamentadas no contexto clínico de cada pessoa.

Esse avanço, porém, não depende apenas da adoção de novas ferramentas. Exige revisão de processos, integração entre equipes e qualificação contínua dos profissionais

Da adoção pontual à estratégia institucional

Um dos principais desafios do setor é transformar iniciativas pontuais de inteligência artificial em uma estratégia institucional. Muitas organizações incorporam ferramentas capazes de ampliar a produtividade sem revisar processos, integrar sistemas ou preparar as equipes. Esse descompasso limita os resultados e transfere novos problemas para a rotina assistencial.

Na prática, os profissionais convivem com processos em mudança e com um número crescente de sistemas, ferramentas e soluções de inteligência artificial que nem sempre fazem parte de uma estratégia comum. Sem integração, recursos criados para simplificar o trabalho podem aumentar a carga operacional e fragmentar a assistência.

Integração é condição para gerar valor

Essa fragmentação torna-se evidente quando múltiplas iniciativas de inteligência artificial são implementadas simultaneamente no diagnóstico, na triagem ou na automação de laudos. Os profissionais passam a consultar sistemas paralelos, confrontar resultados de diferentes fontes e identificar quando a falta de integração compromete o fluxo de cuidado.

Para o gestor, o desafio é articular essas iniciativas em uma estratégia única, garantir que diferentes sistemas e soluções adotados pela instituição conversem entre si e assumir a responsabilidade de formar equipes capazes de operar nesse ambiente.

Por isso, o investimento em tecnologia precisa ser acompanhado pela qualificação de médicos, gestores e equipes multiprofissionais. A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões, mas a responsabilidade pelas decisões clínicas continua sendo dos profissionais.

Sem coordenação institucional, iniciativas isoladas geram retrabalho, dificultam a interoperabilidade e reduzem os benefícios para profissionais, instituições e pacientes.

“A adoção da inteligência artificial precisa ser uma decisão institucional, com governança, integração e acompanhamento de resultados. Não faz sentido ganhar eficiência em uma etapa e criar retrabalho em outra. O valor aparece quando tecnologia, processos e equipes avançam na mesma direção”, acrescenta Marcos Queiroz.

O tema integra a agenda do FILIS 2026

Os impactos da inteligência artificial sobre a atuação dos profissionais e a organização dos serviços estarão no eixo de Inteligência Artificial do FILIS 2026, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo.

Marcos Queiroz irá moderar o debate “IA como vetor estratégico para a transformação da saúde, com foco em qualidade, inovação e novos modelos de cuidado”. Participam Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud; Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP (InovaHC); e Moritz Hartmann, diretor global da Roche Information Solutions.

Mais do que apresentar tendências, o FILIS reunirá diferentes perspectivas para transformar desafios já presentes na rotina assistencial em pautas propositivas para o setor.

Mais informações e inscrições em www.abramed.org.br/filis.

Postado em: 30/07/2026

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