Associados da Abramed exploram a tecnologia para reduzir impacto ambiental na medicina diagnóstica

Iniciativas impulsionam a transformação ecossistêmica, refletindo o compromisso ético do setor com o meio ambiente

17 de junho de 2024 – Como toda atividade produtiva, a medicina diagnóstica impacta o meio ambiente, exigindo uma gestão consciente e eficiente dos recursos naturais e das emissões de gases de efeito estufa geradas pelas operações assistenciais e administrativas. Um aspecto chave no setor é a gestão adequada de água, efluentes, energia, resíduos e emissão de CO2.

Para ajudar nesse processo, as empresas do setor vêm investindo em tecnologia, como destaca Andrea Pinheiro, membro do Comitê ESG da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e diretora de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa do Grupo Sabin. Segundo ela, a inovação tecnológica tem contribuído de forma decisiva em várias frentes. “A adoção de métodos de construção sustentáveis, a automação predial para iluminação e refrigeração, captação de águas da chuva e estações de tratamento de efluentes mais inovadoras viabilizam o reúso de um volume maior de água, por exemplo”, explica.

Como mostra o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, quase metade das associadas participantes do levantamento recorre a fontes alternativas, como poços artesianos, água pluvial e água de reúso. As empresas não apenas captam água de forma responsável, mas também adotam práticas de conservação e uso eficiente da água em suas operações.   

“Aqui no Grupo Sabin, adquirimos, em 2021, uma nova Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) para nosso maior Núcleo Técnico Operacional (NTO) em Brasília, permitindo a reutilização de 100% da água consumida no processamento de amostras clínicas para regar jardins e nas descargas sanitárias, totalizando 2,6 milhões de litros reutilizados no último ano”, conta Andrea.

Segundo ela, desde 2019, a empresa investe em projetos de migração de matriz energética, alcançando em 2023 a marca de 45% da energia consumida proveniente de fontes renováveis em todo o país. “Além disso, reciclamos 196,3 toneladas de material e recebemos o Certificado de Neutralização de Emissões de Gases de Efeito Estufa pelo terceiro ano consecutivo, com uma redução de 40% nas emissões em comparação com o ano anterior”, complementa.

Em relação ao processo analítico, Andrea acrescenta que a automação, através do uso de esteiras automatizadas em laboratórios de análises clínicas, é um grande divisor de águas. Essas esteiras transportam amostras de forma eficiente e organizada, permitindo a redução do número de tubos e do volume das amostras necessárias para a realização de exames. Como consequência, há uma redução significativa dos resíduos gerados. A cada ano, a evolução dessas esteiras automatizadas traz novos aspectos de integração que melhoram a gestão desses indicadores de eficiência e sustentabilidade.

Na área de diagnóstico por imagem, a tecnologia permite a digitalização e o uso de sistemas de laudos digitais. Isso significa que os resultados dos exames, como radiografias, ressonâncias magnéticas e tomografias, podem ser armazenados e compartilhados de forma eletrônica. Além da economia de recursos na cadeia de insumos, como toners de impressora e energia elétrica, a tecnologia também possibilita agilizar o processo de análise e de suporte ao diagnóstico à comunidade médica.

Vale destacar que a própria evolução dos sistemas de informações laboratoriais permitiu a disponibilização de laudos e históricos de exames digitais não só por meio de sites, mas também de aplicativos, contribuindo para a redução da impressão de laudos. Segundo o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, em 2022, a quantidade de laudos acessados por meio eletrônico foi de aproximadamente 122 milhões, o que equivale a cerca de 19% do total de exames realizados. “Esses dados mostram que ainda temos um grande espaço para evoluir tanto tecnologicamente quanto na conscientização e educação dos usuários dos serviços”, expõe Andrea. 

Apesar da transformação digital, as empresas de medicina diagnóstica ainda possuem em suas operações a necessidade de impressão, guarda e descarte de papeis devido ao faturamento que envolve guias físicas em seus processos transacionais com as operadoras de saúde. “Os investimentos em sistemas integradores e que permitem a interoperabilidade dessas transações também contribuem positivamente na gestão ambiental”, acrescenta.

Além das associadas, a própria Abramed colabora para as práticas sustentáveis, ajudando a reunir e consolidar ações realizadas pelas empresas do setor. A entidade possui também um papel relevante nas discussões e contribuições técnicas a partir de seus comitês e consultas públicas sobre mudanças regulatórias. 

“Outra entrega importante se refere à geração de informações, indicadores e conteúdos, como o Painel Abramed, que permite acompanhar a evolução do setor, inspirando e dando suporte aos associados e outras empresas na expansão de suas ações e programas ambientais”, salienta Andrea.

Por fim, vale ressaltar que a adoção de práticas ESG não só mitiga os impactos no meio ambiente, mas também reflete um compromisso ético com a saúde e o meio ambiente. Além de demonstrar responsabilidade socioambiental, essas ações ajudam a fortalecer relações com clientes, fornecedores e outros stakeholders.

Ferramentas diagnósticas são fundamentais para mitigar os impactos da Covid longa

Conheça os sistemas e órgãos afetados, os principais exames para o diagnóstico de cada caso e as evidências até então

17 de junho de 2024 – A pandemia de Covid-19 trouxe desafios sem precedentes para a saúde pública e, agora, estudos se debruçam sobre as sequelas da Covid-19 ou Covid longa, condição caracterizada pela persistência ou desenvolvimento de novos sintomas três meses ou mais após a infecção inicial pelo SARS-CoV-2, sem que exista outra justificativa médica para o quadro clínico.

Segundo Estudo Multicêntrico Brasileiro, cerca de 10% a 20% dos pacientes que tiveram Covid-19, especialmente aqueles com formas mais graves da doença ou que já tinham problemas crônicos de saúde, podem apresentar sintomas relacionados à Covid longa. “O número de pessoas com sequelas da doença e sintomas persistentes é significativo, o que impacta diretamente a demanda por serviços de medicina diagnóstica”, comenta Marcos Queiroz, líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e diretor de Medicina Diagnóstica no Albert Einstein.

A Covid longa tem o potencial de afetar múltiplos sistemas e os principais órgãos do nosso corpo, sendo relacionada a mais de 200 sintomas diferentes na literatura médica, como: fadiga persistente, dificuldade respiratória, dor no peito, problemas de memória e concentração, dores musculares e articulares, alterações no paladar e olfato, taquicardia e outros sintomas cardíacos. 

De acordo com Queiroz, o comprometimento pulmonar na Covid-19 nas suas formas mais graves gerou sequelas, como cicatrizes pulmonares e diminuição da capacidade respiratória, aumentando, nestes casos, a demanda por exames diagnósticos específicos, como radiografia, tomografia de tórax e prova de função pulmonar.

“Essa demanda tem exigido planejamento e uma série de medidas para garantir o bom atendimento dos pacientes nos serviços de medicina diagnóstica, como disponibilidade ampliada de horários para exames, equipes médicas e de enfermagem capacitadas e rápida entrega de resultados. No entanto, com a diminuição da pressão causada pelos casos agudos de Covid-19, os sistemas de saúde estão mais aptos a atender pacientes com suspeita de Covid longa de forma eficaz, sem maiores dificuldades”, explica.

Queiroz destaca que, especialmente durante a fase aguda da Covid-19, houve um aumento significativo de fenômenos tromboembólicos. Isso, em parte, é atribuído à inflamação e ao dano vascular causados pelo vírus, resultando na formação de coágulos nos vasos sanguíneos, principalmente tromboses venosas. Esses coágulos podem, por exemplo, se desprender dos vasos e migrar para os pulmões, causando embolia pulmonar, gerando falta de ar e dor no peito, com potencial risco de vida.

O líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed também ressalta que em uma pequena proporção de casos, os coágulos não são totalmente dissolvidos e podem levar à doença tromboembólica crônica. No entanto, ainda não está claro se esse fenômeno será observado na Covid longa e com qual frequência.

“Testes de sangue são fundamentais para detectar marcadores de inflamação e avaliar o estado da coagulação. Técnicas de imagem avançadas, como ultrassonografia com Doppler vascular, angiotomografia computadorizada e angiorressonância magnética, são cruciais para identificar coágulos sanguíneos e avaliar danos vasculares”, explica.

Queiroz acrescenta, ainda, que avaliações cardíacas, incluindo ecocardiograma, eletrocardiograma e ressonância magnética cardíaca, são empregadas para monitorar complicações cardiovasculares, como inflamação do miocárdio, pericardite e infarto agudo do miocárdio.

“A detecção precoce e o gerenciamento abrangente por meio dessas ferramentas diagnósticas são fundamentais para mitigar os impactos de longo prazo da Covid longa na saúde e melhorar os resultados dos pacientes, considerando que este aspecto ainda não foi completamente explorado na literatura médica”, destaca o entrevistado.

Já as condições neurológicas frequentemente identificadas em pacientes com Covid longa incluem: confusão mental, cefaleias crônicas, neuropatia periférica e encefalite. No entanto, por serem queixas muito frequentes, a relação causal com infecção prévia por Covid-19 nem sempre é clara. Os exames utilizados para identificar essas condições são ressonância magnética (RM) do cérebro, eletroencefalograma (EEG), estudos de condução nervosa e avaliações neuropsicológicas.

Tecnologia 

Sobre as inovações tecnológicas, Queiroz menciona que a pandemia foi um grande catalisador no desenvolvimento de novos algoritmos e ferramentas de inteligência artificial, conhecimentos que podem ser utilizados no melhor entendimento das alterações a longo prazo da infecção por Covid-19. Isso se dá por meio da análise de dados longitudinais coletados ao longo do tempo, incluindo sintomas, exames laboratoriais, imagens, avaliações funcionais, anotações médicas e monitoramentos.

O objetivo é compreender melhor a doença, suas diferentes formas de apresentação, evolução e os resultados dos tratamentos, permitindo um entendimento mais preciso de como a Covid longa se manifesta em cada indivíduo, qual a evolução esperada, o momento ideal para intervenção e o tratamento mais eficaz para cada caso.

Fronteiras da IA na Medicina: desafios regulatórios e potencial transformador

Por Rogéria Cruz*

Na saúde e na medicina diagnóstica, a inteligência artificial está revolucionando a forma como os profissionais lidam com diversas tarefas, desde a triagem de pacientes até a personalização de tratamentos. Sua aplicação abrange o apoio ao diagnóstico por imagem, a condução de pesquisas médicas avançadas e a otimização de processos de trabalho. A IA permite avaliar uma grande quantidade de dados de um paciente de maneira ágil e precisa, analisando prontuários eletrônicos para compilar o histórico de saúde, identificar riscos e ajudar na formulação de terapias personalizadas.

Por exemplo, na área de diagnóstico por imagem, existe um protocolo de AVC que permite uma avaliação mais rápida e facilita a comunicação entre a imagem e o pronto atendimento. Também há uma ferramenta que realiza o cálculo automatizado da idade óssea em radiografias de mão, outra que detecta fraturas em radiografias de extremidades, e mais uma, ainda, que utiliza tecnologia avançada para a detecção automática de alterações em radiografias de tórax.

Já estamos testemunhando modelos que trazem maior eficiência e redução de custos, o que tem impulsionado debates maduros sobre o impacto de uma regulamentação restritiva que não permita captar todo o benefício possível.

E justamente para regulamentar o tema, está em tramitação e discussão no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) 2338/2023, que propõe estabelecer um novo marco regulatório para a IA no Brasil, visando garantir a proteção dos direitos fundamentais, a implementação de sistemas seguros e confiáveis e o desenvolvimento responsável dessa ferramenta. 

Recentemente, uma nova proposta foi apresentada para o texto regulatório, trazendo mudanças significativas e introduzindo algumas novidades. Entre elas, a criação do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), que atuará em cooperação e harmonização com as demais agências e órgãos reguladores. Além disso, a proposta prevê a implementação de Códigos de Conduta, certificadoras e mecanismos de autorregulação.

A regulamentação precisa considerar questões éticas e de segurança, como a garantia do uso responsável das tecnologias, a segurança e o tratamento adequado dos dados, a acessibilidade, o impacto social, a desigualdade digital e as implicações morais e sociais específicas dessas tecnologias. É fundamental discutir sobre ética na inteligência artificial e garantir transparência. A tecnologia deve ser desenvolvida e usada de maneira responsável e justa, com o objetivo de atender a sociedade.

Enquanto a regulamentação está em tramitação, as empresas que atuam no setor de saúde precisam lidar com a tecnologia de forma responsável, utilizando dados confiáveis. É fundamental realizar uma análise de impacto algorítmico e implementar uma supervisão humana com monitoramento constante.

Os principais obstáculos que ainda precisam ser superados para uma regulamentação mais eficaz e abrangente são diversos. O maior desafio reside em buscar uma regulamentação que promova a inovação, mitigue os riscos e garanta segurança jurídica. Este é um processo complexo e desafiador.

Observando o cenário internacional, vemos discussões avançadas nos Estados Unidos e na Europa. Enquanto os Estados Unidos focam em iniciativas principiológicas e estruturas de governança e avaliação de risco, a União Europeia optou por uma legislação mais robusta e prescritiva, como o AI ACT, com 458 páginas.

Recentemente, tive a oportunidade de saber como o tema é tratado no Reino Unido e sua abordagem criteriosa e ponderada, com cinco princípios orientadores fundamentais: segurança, robustez, transparência, governança e segurança jurídica, que despertaram minha simpatia. Neste momento, estamos em busca de uma legislação que estimule o desenvolvimento socioeconômico, a inovação e a competitividade do país, sem deixar de lado a proteção de direitos e garantias. 

A colaboração entre governos, empresas de tecnologia, profissionais de saúde, reguladores e entidades, como a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), é essencial para o desenvolvimento da regulamentação em IA na área da saúde. A entidade tem desempenhado um papel de destaque nesse cenário, participando ativamente de discussões e audiências públicas, com o objetivo de sensibilizar senadores, deputados e a sociedade em geral sobre o impacto da IA no setor.

Inclusive, a Abramed desenvolveu a pesquisa “O uso da IA na medicina diagnóstica brasileira”, com dados de 30 laboratórios privados, que representam 65% de todos os exames realizados na Saúde Suplementar no Brasil. Segundo o documento, o uso da IA impacta mensalmente um número significativo de pacientes, variando de 10 mil a 140 mil, dependendo do porte e capacidade dos laboratórios.

Essa colaboração multifacetada pode gerar uma série de benefícios, incluindo a redução da desigualdade e a ampliação do acesso aos serviços de saúde. A inteligência artificial tem o potencial de ampliar as habilidades humanas e melhorar os resultados clínicos. Portanto, ouvir e valorizar todos os setores envolvidos, em uma abordagem integrativa, é fundamental para assegurar o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do país, garantindo ao mesmo tempo a segurança, a eficácia e a ética no uso da IA.

Questões cruciais como responsabilidade civil, definição e classificação de riscos, governança e sanções estão sendo discutidas e refinadas. Estamos engajados com a sociedade na construção desse caminho, contribuindo ativamente para o texto em discussão. Já conseguimos a prorrogação, solicitada pelo Senador Eduardo Gomes, até o dia 18 de julho, da Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial no Brasil (CTIA). Essa prorrogação garante discussões integrativas e multissetoriais, promovendo um debate amplo e aprofundado.

À medida que avançamos rumo a uma regulamentação abrangente da IA, é essencial manter um diálogo contínuo entre todos os envolvidos. Com a colaboração entre governo, empresas, profissionais de saúde e entidades reguladoras, podemos moldar um futuro em que a IA aprimore os cuidados de saúde, promovendo tanto a inovação quanto a segurança dos pacientes.

*Rogéria Cruz, Líder do Comitê de Proteção de Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Diretora-Executiva Jurídica da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

17/06/2024

Conectando informações em Saúde: avanços e desafios na integração de dados

Por Fabiano Gomes Estellita*

Na medicina diagnóstica, a integração de dados entre sistemas é como um quebra-cabeça complexo: peças de informação valiosas espalhadas, com alta sensibilidade e sem um padrão para uni-las. Imagine os desafios: garantir a segurança de dados de saúde, como rege a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e encontrar um modelo que atenda às necessidades de segurança, integridade e praticidade.

É como se cada organização tivesse seu próprio idioma, dificultando a comunicação e o compartilhamento de conhecimentos que podem salvar vidas. Sem um padrão claro de codificação, é preciso decidir qual modelo usar. A criação de novos formatos só complica ainda mais o processo de decisão, para quem tem à frente o desafio de fazer integrações cada vez mais complexas.

A saída para responder a estes anseios tem sido o foco de ação de empresas desenvolvedoras de softwares, entidades de representação, como a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), e outros agentes participantes deste complexo cenário. Em geral, são adotados modelos já criados pelos fornecedores de software com adequações específicas para atender alguma demanda. No entanto, cada integração é quase um novo modelo ou a versão adaptada de um já existente

Essa diversidade de formatos e codificações contribui para gerar ineficiência no setor, além de retrabalho e uma demora excessiva em viabilizar ações. Muitas vezes nos deparamos com mudanças que levam meses, desde a identificação de uma necessidade de integração, passando pela definição do formato e conciliação de códigos e validação. Ter a tecnologia como um fator que gera atrasos é um dilema antagônico, afinal, ela deve ser um catalizador para otimização de processos.

Nesse ponto, a Inteligência Artificial (IA) e a Internet das Coisas (IoT) estão revolucionando a troca, o tratamento e a análise de dados em saúde. A IoT facilita integrações entre sistemas, enquanto a IA identifica padrões, anomalias e sugere melhorias na gestão de informações, de forma rápida. Ainda estamos vivendo um momento de entendimento de até onde estas tecnologias podem nos levar, mas sem dúvidas há uma quebra de paradigmas e possibilidades a nossa frente.

Entre os fatores críticos relacionados à integração estão a segurança e a privacidade dos dados. Para lidar com isso, os protocolos de comunicação devem incluir camadas de proteção para garantir que apenas emissor e receptor interpretem os dados. Outros pontos importantes são integrar apenas informações necessárias e garantir que os proprietários estejam cientes do uso e acesso aos seus dados. Ao alimentar bases de conhecimento públicas, é fundamental proteger a identidade e os dados sensíveis dos indivíduos, tornando as informações úteis para pesquisas sem comprometer a privacidade.

De fato, a pandemia de 2020 destacou a importância de informações unificadas e padronizadas para respostas mais eficientes no sistema de saúde. Com a diversidade de empresas envolvidas na geração e compartilhamento de dados, a troca de dados é essencial para um sistema de saúde democrático e acessível, reduzindo custos e possibilitando o acesso a procedimentos modernos e eficazes.

Padrões de codificação como o LOINC (Padrão Universal para identificação procedimentos médicos) e o HL7 (conjunto de normas internacionais para a transferência de dados clínicos entre sistemas de informação em saúde), que já são usados em grande escala fora do Brasil, são caminhos promissores na direção da padronização e do ganho de eficiência. 

Vale ressaltar que a troca de informações de saúde garante que as operações tenham escala para suportar o grande volume de demandas por diagnósticos ágeis e confiáveis, além de ampliar o acesso a procedimentos complexos e diferenciados, possibilitados pela integração entre organizações. Além disso, o compartilhamento de dados entre as empresas viabiliza ações de negócios entre elas e ajuda a construir bases de conhecimento que possam servir como fonte de dados para orientar políticas de saúde públicas.

No Comitê de Interoperabilidade da Abramed, trabalhamos para democratizar o entendimento sobre interoperabilidade, tornando-o acessível a todos, não restrito a fóruns mais técnicos. Com uma equipe multidisciplinar, incluindo profissionais de diversas áreas e de relevantes empresas da medicina diagnóstica, buscamos promover uma visão ampla e integrada.

Também colaboramos com órgãos governamentais e outras associações para incentivar a adoção de padrões de comunicação e codificação, impulsionando a padronização e a simplificação das trocas de informações no setor. Estamos comprometidos em facilitar a colaboração e garantir um futuro mais conectado e sustentável para toda a cadeia da saúde.

* Fabiano Gomes Estellita, gerente de Tecnologia da Analiza e Membro do Comitê de Interoperabilidade da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Formado em Matemática com especialização em Governança de Tecnologia de Informação (SENAC-RJ) e MBA em Liderança, Gestão de Equipes e Produtividade (PUCRS), atua há 30 anos com tecnologia em empresas de medicina diagnóstica.

28/05/2024

FILIS 2024 – Integrando a cadeia de valor: Desafios e soluções para melhoria do cuidado em saúde

Tema será discutido na oitava edição do evento, que acontecerá em 29 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo

24 de maio de 2024 – Para atuar no complexo cenário da saúde, é preciso dedicar esforços em dois importantes pilares, já reconhecidos e debatidos. Um deles é a gestão dos serviços, que envolve as áreas de estratégia, pessoas, marketing, vendas e operações financeiras. O segundo é a inovação, que abre novos caminhos para resolver antigos problemas e está intrinsecamente ligada à gestão.

“A novidade é a incorporação de um terceiro pilar: a integração dos elementos da cadeia de valor. Se exercer a excelência em gestão e estar atualizado com as últimas inovações sempre foram obrigatórios para um sistema sustentável, agora precisamos reconhecer a importância de criar e implementar soluções inovadoras em conjunto, de forma eficaz”, explica Ademar Paes Junior, membro do Conselho de Administração da Abramed e moderador do debate “Integrando a cadeia de valor: Desafios e soluções para melhoria do cuidado em saúde”, programado para a 8ª edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde.

Fazem parte da cadeia de valor: as empresas que contratam planos de saúde e oferecem esses benefícios aos seus funcionários; os intermediários financeiros, como seguradoras, operadoras de planos de saúde e cooperativas médicas; os prestadores de serviços de saúde, como hospitais, clínicas, consultórios médicos e profissionais de saúde autônomos; e demais fornecedores, como indústria farmacêutica, fabricantes de equipamentos médicos, serviços de manutenção e logística, startups, entre outros.

“Essas empresas frequentemente tentam resolver problemas sozinhos, o que resulta em barreiras e burocracias”, observa Paes Junior. A integração vem, justamente, para auxiliar em duas questões críticas quando se fala em sistema de saúde. A primeira é aprimorar a experiência do paciente, ou seja, reduzir o tempo de jornada e melhorar o desfecho, afinal, medicina não é só acesso. A segunda questão é otimizar os recursos financeiros, quer dizer, sempre fazer mais com menos.

Para fazer essa integração na prática, Paes Junior cita alguns exemplos. Uma startup pode unir forças com uma empresa e uma seguradora para reduzir a sinistralidade. Um plano de saúde e um prestador de serviços podem aprimorar a eficiência do atendimento e diminuir o deslocamento desnecessário dos pacientes, o que resultaria em uma maior eficiência e, consequentemente, em menores custos.

Além disso, um fornecedor pode melhorar a experiência do paciente em uma instalação médica, agregando valor em uma negociação com um plano de saúde. E, ainda, projetos colaborativos entre empresas, seguradoras e prestadores podem garantir a eficiência no atendimento de grupos específicos, como pacientes crônicos, de alto custo ou idosos com fragilidades.

“Isso já vem ocorrendo, mas de forma bastante limitada. Temos visto alguns modelos de planos de saúde estabelecendo parcerias diretas com hospitais e tanto hospitais quanto laboratórios fornecendo serviços diretamente para empresas. Há, portanto, diversas possibilidades”, acrescenta.

Segundo Paes Junior, a integração depende de criatividade e confiança entre os elementos da cadeia. Para ganhar essa confiança, são necessários três elementos-chave: comunicação assertiva, disponibilidade de dados e criação de uma agenda de trabalho. “Quando demonstramos uma abordagem ética, respeitosa e centrada no paciente, a confiança é construída de forma natural”, expõe.

Espaço para discussão

O FILIS, organizado pela Abramed – Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica, surgiu, justamente, como um ponto de encontro para iniciar a discussão sobre integração, já que seu objetivo é reunir lideranças de diversos setores da cadeia de saúde.

Especialmente agora, de acordo com Paes Junior, o setor vem encarando alguns desafios, como a dificuldade das empresas em lidar com os aumentos propostos pelos planos de saúde, os altos custos enfrentados pela cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, bem como as dificuldades da rede prestadora em repassar esses custos aos intermediadores financeiros e planos de saúde.

“Nosso propósito é apresentar sugestões inovadoras que possam ser assumidas como compromissos após o FILIS, com o intuito de informar a comunidade da Abramed sobre os avanços que esse debate pode trazer para o setor”, acrescenta Paes Junior.

A Abramed também inova ao trazer para o evento representantes da indústria e das empresas que contratam planos de saúde. “Elas são o ponto inicial no financiamento do setor suplementar, e sua participação na discussão é considerada essencial pela entidade. Em algumas situações, as empresas enxergam o plano de saúde como uma ameaça devido aos custos crescentes, porém, o desenvolvimento econômico é crucial para que elas possam consumir serviços de saúde privados e contribuir financeiramente para o sistema de saúde público de qualidade”, ressalta.

Paes Junior destaca, ainda, que o FILIS tem se estabelecido como um evento de referência altamente conceituado entre os tomadores de decisão. “Durante sua realização, não temos apenas a oportunidade de compartilhar informações e dados relevantes do setor de medicina diagnóstica, mas também de utilizá-los como base para enriquecer nossas discussões. Além disso, a presença das lideranças oferece um momento propício para estabelecer uma agenda de trabalho, aproveitando as conexões estabelecidas ao longo do encontro”, finaliza.

Serviço

8ª edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde

Macrotema: “Saúde Inovadora: Oportunidades para um setor sustentável”

Quando: 29 de agosto de 2024

Horário: Das 9h00 às 18h00

Onde: Teatro B32, São Paulo

Inscrições em: www.abramed.org.br/filis

As vagas são limitadas!

Os impactos da RDC 786/2023 na assinatura eletrônica: como proceder?

A exigência da assinatura traz desafios operacionais e técnicos para o setor medicina diagnóstica e demanda atenção

10 de maio de 2024 – A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n° 786, promulgada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), representa um marco regulatório significativo no setor da saúde. Ao estabelecer diretrizes específicas para laboratórios clínicos, de anatomia patológica e outros serviços relacionados a exames de análises clínicas, essa norma visa aprimorar a qualidade e a segurança dos serviços prestados à população.

Um dos pontos abordados é a exigência de assinatura eletrônica avançada ou qualificada nos laudos de exames, que visa garantir a autenticidade, a integridade e a confiabilidade dos documentos emitidos. No entanto, a implementação eficaz dessa exigência apresenta desafios operacionais e técnicos para os profissionais e organizações do setor.

A fiscalização da assinatura eletrônica será realizada principalmente pelos órgãos de vigilância sanitária, podendo ser estaduais ou municipais. A ANVISA publica roteiros de inspeção para orientar essa atividade, incluindo um específico para serviços de laboratório clínico. Durante a fiscalização, será verificado se os laudos são assinados de forma legalmente válida, conforme definido na própria RDC 786, e se o estabelecimento possui instruções escritas para liberação de resultados, incluindo situações de rotina, plantões, urgências e emergências.

É esperado que, durante a fiscalização, seja exigida a comprovação de que a assinatura eletrônica atende aos requisitos legais para ser considerada avançada ou qualificada, embora seja pouco provável que os fiscais tenham conhecimento técnico em tecnologia da informação. Enquanto a assinatura eletrônica qualificada segue procedimentos específicos, como a obtenção de certificados digitais por meio de autoridades certificadoras, a assinatura eletrônica avançada oferece uma alternativa mais flexível, embora ainda deva atender a padrões de segurança estabelecidos.

A questão sobre quem pode assinar os laudos não está completamente esclarecida. O artigo 138 da norma exige a inclusão do nome e número de registro do Responsável Técnico (RT) no documento, mas não especifica se o profissional legalmente habilitado que assina o laudo do exame deve ser o mesmo RT ou outro profissional.

Inicialmente, pode-se interpretar que a assinatura do laudo deve ser feita pelo profissional que realizou o exame, uma vez que o RT é mencionado separadamente no artigo 138, sem indicação explícita de sua necessidade de assinatura. No entanto, devido à falta de clareza nesta questão, foi enviado um questionamento à ANVISA para esclarecer se o RT pode ou deve assinar todos os laudos ou se outros profissionais legalmente habilitados podem realizar essa tarefa.

Para evitar custos adicionais, as empresas podem desenvolver internamente ou em parceria com empresas de tecnologia soluções de assinatura eletrônica que atendam aos requisitos legais, em vez de recorrer a plataformas comerciais, como DocuSign e outras. 

Desafios e considerações operacionais 

A exigência da assinatura eletrônica avançada e qualificada, conforme estipulado na RDC ANVISA n° 786/2023, pode acarretar diversos impactos operacionais, especialmente devido às características dos laudos digitais, que são geralmente compostos por dados dispersos e compilados ao final.

Para implementar a assinatura qualificada, é necessário, inicialmente, definir a tecnologia e a plataforma a serem utilizadas, além de manter os dados atualizados de todos os profissionais de saúde envolvidos na emissão dos documentos. Além disso, a tecnologia empregada precisa ser revisada periodicamente para garantir a conformidade com os requisitos de autenticidade, integridade e disponibilidade.

No caso da assinatura qualificada, o impacto operacional é ainda maior, pois os profissionais devem manter ativos seus certificados digitais, geralmente médicos, e a instituição deve encontrar maneiras para que os demais, que não possuem esses certificados, possam assinar os documentos. Isso é crucial para a operacionalização, pois nem todos os conselhos de classe oferecem os certificados gratuitamente, e eles precisam ser renovados a cada dois anos em média.

Para os serviços de laboratórios clínicos, anatomia patológica e outros relacionados aos exames de análises clínicas, a RDC n° 786/2023 exige assinatura eletrônica avançada ou qualificada. No entanto, para os serviços que realizam exames de imagem, regulamentados pela RDC ANVISA n° 611/2022, não há especificações sobre as modalidades de assinatura eletrônica aceitas em laudos.

Embora haja essa lacuna na regulamentação específica para os exames de imagem, entende-se que prevalece o disposto na Lei nº 14.063/2020, que permite a utilização de assinatura eletrônica avançada ou qualificada em documentos assinados por profissionais de saúde. A exceção ocorre nos casos de receituário de medicamentos sujeitos a controle especial e atestados médicos, nos quais a assinatura deve ser qualificada.

Como a implementação da assinatura eletrônica requer um entendimento claro dos requisitos legais e dos desafios operacionais envolvidos, a Abramed desenvolveu a “Cartilha de Boas Práticas: Os impactos da RDC 786 na assinatura eletrônica”, focando nas equipes de Tecnologia de Informação dos associados. O material atua como um guia no desenvolvimento de soluções de assinaturas digitais com as equipes internas ou fornecedores externos e pode ser baixado gratuitamente no site da entidade.

A Abramed tem como missão promover a excelência e a segurança na prestação de serviços diagnósticos, visando sempre o bem-estar dos pacientes e a qualidade dos resultados oferecidos pelos laboratórios. “Nesse contexto, a definição de diretrizes claras e atualizadas sobre as modalidades de assinatura eletrônica é essencial para garantir a segurança jurídica, a integridade dos documentos médicos e a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde”, ressalta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Segundo ela, a entidade está comprometida em colaborar ativamente com as autoridades competentes e demais stakeholders do setor para contribuir com a construção de um marco regulatório adequado e eficaz, alinhado às necessidades e às melhores práticas do segmento de medicina diagnóstica no Brasil.

Abramed lança pesquisa sobre o uso de Inteligência Artificial na medicina diagnóstica

O propósito é fornecer insights para a tomada de decisão estratégica e ações de advocacy em defesa do setor

9 de maio de 2024 – A Inteligência Artificial (IA) tem se destacado como uma poderosa aliada na área da saúde, otimizando tanto procedimentos clínicos quanto administrativos e operacionais. Diversas empresas da área de medicina diagnóstica têm implementado soluções baseadas em IA para aprimorar seus serviços e oferecer um atendimento mais eficiente e personalizado aos pacientes.

Comprometida com o desenvolvimento e a regulamentação da Inteligência Artificial no Brasil, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) desenvolveu a pesquisa “O uso da IA na medicina diagnóstica brasileira”. Seu propósito é fornecer insights para a tomada de decisão estratégica e ações de advocacy em defesa do setor, especialmente com relação ao Projeto de Lei 2.338/2023, que regula o uso da IA no país e está em discussão no Congresso Nacional. A tramitação deste PL é de extrema importância à Abramed e seus associados.

A pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa com um questionário estruturado, aplicado em 30 laboratórios privados, que representam 65% de todos os exames realizados na Saúde Suplementar no Brasil. Segundo o documento, o uso da IA impacta mensalmente um número significativo de pacientes, variando de 10 mil a 140 mil, dependendo do porte e capacidade dos laboratórios. 

Nos procedimentos clínicos, de acordo com percepção dos entrevistados, a IA permite a melhora da experiência do paciente, com a priorização de laudo por médicos radiologistas na suspeita de casos urgentes. Para os algoritmos de IA que atuam como triagem de casos de urgência, o que faz mais sentido é o algoritmo analisar o exame assim que ele é realizado, para ganhar tempo.

Entre os principais procedimentos clínicos beneficiados pelo uso de IA estão a Tomografia Computadorizada (TC) de Crânio para diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral (AVC); a Ressonância Magnética para análise de volumetria cerebral, identificação de escore de cálcio em TC de tórax de rotina, quantificação de gordura abdominal e idade óssea; e o Raio-X de Tórax. Nestes casos, algoritmos de IA são empregados para analisar imagens médicas com precisão e rapidez, auxiliando os profissionais de saúde no diagnóstico precoce e na tomada de decisões mais assertivas.

Além disso, a aplicação de Processamento de Linguagem Natural (NLP) tem sido fundamental na interpretação de laudos médicos e prontuários, automatizando tarefas de leitura e identificação de informações relevantes. Essa tecnologia também é utilizada na gestão de agendamentos, filas e liberação de resultados de exames, proporcionando uma experiência mais fluida e eficiente tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde.

No âmbito administrativo e operacional, a IA tem se mostrado igualmente imprescindível. A leitura automatizada de carteirinhas de planos de saúde facilita o processo de agendamento de exames, eliminando burocracias e reduzindo o tempo de espera dos pacientes. Além disso, a aplicação de NLP na leitura de prontuários médicos contribui para a melhoria da jornada do paciente, garantindo uma comunicação mais clara e eficaz entre os diversos profissionais envolvidos no seu tratamento.

A pesquisa revelou que a maioria das tecnologias de IA utilizadas é desenvolvida por terceiros (80%), enquanto apenas 20% são desenvolvidas internamente, geralmente por grandes laboratórios. Os fornecedores de IA são tanto nacionais quanto internacionais, com uma ligeira predominância de empresas multinacionais.

Apontamentos e contribuições

Segundo o documento, é necessária uma abordagem regulatória principiológica para o uso da IA na saúde, respeitando princípios como transparência, justiça, equidade e responsabilidade. É crucial o diálogo entre o setor da saúde e as agências regulatórias para estabelecer normativas que garantam a segurança e eficácia da IA.

Também é destacada a necessidade de regulamentação específica para garantir a qualidade e a segurança dos procedimentos assistenciais que utilizam IA, enquanto se defende a autonomia do profissional de saúde na tomada de decisão.

“As evidências apresentadas na pesquisa servem como contribuição, por exemplo, para que o PL 2338/2023 seja alterado profundamente, especialmente no que diz respeito ao enquadramento das aplicações de IA no setor da saúde como sendo de alto risco, independente dos dados que são utilizados e a sua área de atuação, já que existe uma vasta possibilidade de utilização no campo administrativo e operacional”, destaca Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Por fim, existem as questões técnicas específicas do desenvolvimento do algoritmo relacionadas à qualidade da distribuição, composição e representatividade dos dados, assim como análise de bias, também chamado de viés, que se refere a uma tendência sistemática do modelo de IA para produzir resultados imprecisos, injustos ou incorretos devido a certos preconceitos ou desequilíbrios nos dados de treinamento. Nesse sentido, é preciso conectar as referências e trazer o olhar da ciência aplicada e da segurança do paciente na formatação final do uso dessas aplicações na medicina.

Acesse aqui a pesquisa completa “O uso da IA na medicina diagnóstica brasileira”.

6ª edição do Painel Abramed terá capítulo exclusivo com análise do mercado da medicina diagnóstica no país

Incluindo dados regionalizados dos exames, a publicação ampliará sua relevância para todos os stakeholders da saúde

A 6ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, anuário produzido pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), está em produção e trará algumas novidades. A publicação, que já é uma referência, traz um panorama único do setor de medicina diagnóstica nacional, consolidando indicadores que contribuem para a visibilidade do setor e a tomada de decisões.

Uma das novidades desta edição é a inclusão de um capítulo exclusivo dedicado à análise de mercado da medicina diagnóstica no país, englobando saúde suplementar e pública, com dados regionalizados dos exames, tornando o documento ainda mais relevante, inclusive para balizar pautas de imprensa. Ele substitui o capítulo “Sistemas de Saúde”, publicado na 5ª edição.

A estrutura do 6º painel Abramed é delineada para proporcionar uma perspectiva ampla e detalhada da área. São cinco capítulos: Demografia e Conjuntura Econômica; Panorama do Setor de Saúde; Medicina Diagnóstica no Brasil; o próprio Painel Abramed; e, por fim, ESG e Medicina Diagnóstica, explorando as conexões entre práticas sustentáveis e a entrega de serviços de saúde de alta qualidade. Esses dois últimos trazem dados específicos das associadas.

“O Painel Abramed é uma publicação de destaque, reconhecido por sua alta relevância, sendo uma fonte de informações para os diversos atores envolvidos na cadeia, desde investidores interessados em entender o mercado, até empresas e prestadores de serviços que desejam se manter atualizados sobre o desenvolvimento do setor. Sua reputação como referência é indiscutível”, declara Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Outro diferencial desta edição é a implantação de uma nova metodologia de coleta de dados por meio de uma plataforma, desenvolvida em parceria com a Controllab, que promete aperfeiçoar o processo em todos os aspectos: segurança, agilidade e eficiência. “Inicialmente, teremos uma versão intermediária do sistema, funcionando de maneira semelhante a uma enquete. No próximo ano, se tudo ocorrer conforme o planejado, a plataforma será aprimorada, apresentando maior sofisticação, rastreabilidade e capacidade de gerenciamento. Este é apenas o primeiro passo rumo a um processo mais refinado e eficaz”, explica Bruno Santos, coordenador de inteligência de mercado da Abramed e líder do projeto. 

Vale destacar o compromisso da Abramed com a segurança dos dados, sua legitimidade é assegurada por meio da rastreabilidade e garantia da origem lícita das informações. Medidas robustas de cibersegurança são implementadas, incluindo planos de prevenção e contingência para proteger os dados contra ameaças digitais. “A propriedade dos dados anonimizados coletados pela Abramed é preservada, garantindo a privacidade e a confidencialidade. Além disso, seu processamento e divulgação são conduzidos de acordo com princípios da ética médica e empresarial”, acrescenta Santos.

Para supervisionar todo esse processo, está sendo estabelecido um Comitê Gestor, coordenado pela Abramed. Sua responsabilidade é garantir que todos os passos da produção do Painel sejam implementados de forma eficaz e que os objetivos propostos sejam alcançados. Os líderes de tecnologia das associadas estão convidados a fazer parte. 

“A medicina diagnóstica desempenha um papel fundamental no setor de saúde do Brasil, que por sua vez é de grande importância para a economia nacional. Por isso, ao fornecer dados concretos, que permitam a tomada de decisões fundamentadas, o Painel Abramed torna-se um impulsionador da melhoria em toda a cadeia da saúde”, ressalta Ademar Paes Junior, membro do Conselho de Administração da Abramed e coordenador do Painel.

A entidade representa empresas de análises clínicas, anatomia patológica, genética e radiologia e diagnóstico por imagem, responsáveis por aproximadamente 65% dos exames realizados na saúde suplementar e 33% dos exames realizados em todo o Brasil. As empresas associadas geram mais de R$ 25 bilhões em faturamento e empregam mais de 107 mil colaboradores.

O lançamento da 6ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico ocorrerá em agosto.

Business Intelligence aprimora jornada do paciente através da análise de dados

O BI gera insights, permite customização das informações para as equipes operacionais e acelera análises críticas

18 de abril de 2024 – Já parou para pensar que a análise inteligente de dados tem o poder de salvar vidas? Esse é um dos papéis do Business Intelligence (BI) na área de saúde, que vem transformando a forma de lidar com as informações dos pacientes. Mais que uma ferramenta, o BI faz parte de um conjunto de estratégias de gestão capazes de transformar grande quantidade de dados em informações valiosas.

Na medicina diagnóstica, isso significa: compreensão mais profunda das operações e das condições de saúde dos pacientes, além de uma prestação de cuidados mais eficaz. “O diagnóstico precoce e o entendimento dos riscos associados a cada situação clínica permitem sugestões assertivas que melhoram a jornada do paciente”, explica Flávia Helena, gerente sênior da área de inteligência da qualidade – Torre Médica Técnica Negócios em Hospitais e Novos Elos do Grupo Fleury, associada Abramed.

Funciona assim: a partir de repositório de dados geridos pela TI, as informações são organizadas e apresentadas às equipes através de painéis interativos customizados com alta granularidade de informações, o que favorece correlações, benchmarking e análise de causa raiz. Esses insights acionáveis são importantes para uma cultura data driven, o que gera conhecimento e aprendizado organizacional através de melhorias, oportunidades e identificação de criticidades de forma mais ágil. 

“A acessibilidade aos dados e a geração de ideias que viram ações concretas nas operações são importantes aspectos na melhoria da qualidade. Cada vez mais, recursos de BI serão conectados com sistemas operacionais e analíticos para acelerar a disponibilização de informações ‘já tratadas’ para as equipes. No caso da rotina médico-técnica, isso contribui para aprimoramento de fluxos, processos e sinalização de criticidades para suporte à decisão”, destaca Flavia.

Por exemplo, na Torre Médica e Técnica do Grupo Fleury, a equipe de Quality Intelligence foca em indicadores de qualidade e conformidade com normas técnicas. “Através de design empático e guidelines oriundos de certificações/acreditações como CAP ISO 15.189, implementamos um modelo de gestão denominado ‘razão e sensibilidade’, em que indicadores hard e soft se encontram para engajar os times de diagnóstico na identificação de causas raiz e oportunidades de melhoria na experiência dos pacientes. Indicadores de orgulho, criados em colaboração com as equipes, reforçam a cultura de qualidade e segurança”, salienta.

A área da saúde é rica em dados e guidelines, portanto, as normas técnicas devem permear toda a construção de portfólio de indicadores e soluções data driven. O BI amplia o potencial de visualização de dados, de geração de insights e de aceleração de análises críticas na jornada do paciente. Ciclos contínuos de melhoria são essenciais, e o registro dessas melhorias é fundamental para gerar conhecimento e aprimorar as práticas das equipes.

A interpretação precisa dos dados requer expertise técnica, enquanto a integração de diversos conhecimentos é valorizada para alinhar processos às necessidades dos pacientes. Promover a comunicação e o compartilhamento de propósito entre as equipes é essencial para fortalecer a interdisciplinaridade e melhorar o trabalho em equipe.

“O uso de BI, junto com outras ferramentas de gestão e uma comunicação efetiva sobre nossa essência como organização, reforçam o engajamento dos times. BI sozinho não faz plano de ação: o engajamento emocional através de métricas afetivas e efetivas é essencial para converter estudos em ação e gerar impacto positivo no paciente, promovendo um ciclo virtuoso do dado à ação”, afirma Flavia.

Potencialidades de uso na rotina da medicina diagnóstica

O uso de tecnologias de BI e análise de dados na medicina diagnóstica oferece uma série de potencialidades para aprimorar a rotina médica. Primeiramente, essas ferramentas possibilitam uma governança mais eficiente dos dados, garantindo sua qualidade, integridade e segurança, aspectos cruciais para a confiabilidade dos resultados diagnósticos. Além disso, permitem análises detalhadas dos dados, proporcionando uma compreensão mais profunda dos padrões e tendências nos resultados dos exames.

Outro benefício é a capacidade de identificar anomalias operacionais, como falhas nos processos de coleta ou interpretação de dados, permitindo uma intervenção rápida para correção. A integração dos recursos de BI às plataformas e sistemas operacionais agiliza a disponibilização de informações de qualidade para apoio à decisão clínica. 

Além disso, a análise de dados históricos permite a simulação de cenários e condições, tanto descritivas quanto preditivas, gerando alertas de criticidade e relevância na gestão das operações e na coordenação do cuidado. Essa capacidade de prever possíveis desfechos clínicos e antecipar problemas permite uma intervenção proativa, influenciando desde o pré até o pós-analítico.

Desafios e como vencê-los

Alguns dos desafios ao implementar sistemas de BI em laboratórios de medicina diagnóstica incluem: garantia da qualidade dos dados, escolha da ferramenta adequada, validação e integração do sistema, segurança da informação, equilíbrio entre investimento e retorno, além de garantir conformidade com guidelines/normas pertinentes, entre outros.

“A experiência mostrou que o planejamento da jornada da implantação de sistema em BI se fortaleceu a partir dos direcionadores de cultura de excelência, qualidade e foco no paciente – o que por sua vez exigiu muito aprendizado a partir de guidelines, normas e referências CAP e CAP ISO 15.189, entre outros”, acrescenta. 

Segundo Flavia, promover uma cultura de qualidade, excelência e foco no paciente é essencial para uma jornada data driven na saúde. Isso pode ser alcançado por meio de projetos estruturantes que organizem os dados e incentivem uma abordagem colaborativa e orientada para resultados ‘fim’ (impactos na experiência do paciente). Além disso, o desenvolvimento do letramento em saúde e em dados colabora para que todos os envolvidos no processo compreendam a importância que os times desempenham na experiência dos pacientes.

As parcerias entre empresas de tecnologia e instituições são cruciais para o desenvolvimento de novas soluções e sua devida validação. Interoperabilidade, jornada do paciente e coordenação de cuidados são exemplos de temas que trazem necessidades de inovação tecnológica. De acordo com Flavia, elas precisam ser devidamente validadas e alinhadas às necessidades clínicas e de excelência do cuidado.

“A Abramed desempenha um papel fundamental nesse cenário, fortalecendo a comunidade de associados, orientando discussões sobre questões regulatórias e conectando parceiros ao longo da jornada do paciente. Além disso, a entidade promove a disseminação de conhecimento, oportunidades de cocriação e codesenvolvimento, reforçando a excelência na prática médica e garantindo que o conhecimento médico e técnico seja colocado a serviço dos pacientes e da sociedade”, salienta Flavia.

O avanço do Business Intelligence na saúde significa mais do que apenas uma mudança tecnológica. Ele está transformando a maneira como lidamos com os dados dos pacientes, habilitando cuidados de saúde mais precisos e eficazes. Enfrentar os desafios dessa implementação requer uma cultura organizacional focada na qualidade e no bem-estar do paciente.

Abramed promove summit sobre transformação digital durante a Hospitalar 2024

Programação traz debates e palestras sobre desafios regulatórios e oportunidades para o uso da Inteligência Artificial na saúde

18 de abril de 2024 – No primeiro dia da Feira Hospitalar, que ocorre entre os dias 21 e 24 de maio de 2024, no São Paulo Expo, será realizado o Summit Abramed, da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica, com o tema “Transformação Digital na Saúde: Como a Inteligência Artificial está moldando o futuro do cuidado”. O encontro acontecerá na Sala 209 do mezanino, das 14h30 às 18h00, e reunirá profissionais e especialistas do setor para discutir os avanços e desafios dessa revolução tecnológica no setor. 

O primeiro debate, com o tema “Desafios e Oportunidades para o uso de Inteligência Artificial na saúde”, discutirá como o uso da IA na saúde pode levar a avanços significativos na prestação de cuidados, como aumento da eficiência operacional, diagnósticos precoces e mais precisos, além de personalização do tratamento. Participarão Adriana Costa, managing director da Siemens Healthineers Brazil, e Rodrigo Demarch, chefe de Inovação no Hospital Albert Einstein, sob moderação do sócio da Clínica Imagem e membro do Conselho de Administração da Abramed, Ademar Paes Jr.

O segundo debate, “Desafios regulatórios da Inteligência Artificial na saúde”, abordará as políticas e regulamentações que promovem a inovação responsável, ao mesmo tempo em que protegem os interesses e direitos dos pacientes e garantem que a IA na saúde seja utilizada de forma ética e equitativa. Participarão Guilherme Forma Klafke, líder de Projetos no Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação na FGV; Fábio Cunha, membro do Grupo de Trabalho em Inteligência Artificial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); Marcelo Abreu, radiologista do Grupo Sir; e Rogéria Leoni Cruz, diretora jurídica no Hospital Albert Einstein e líder do Comitê de Proteção de Dados da Abramed, que irá moderar a discussão.

A abertura e o encerramento ficarão por conta de Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, reforçando o compromisso da entidade com a promoção do conhecimento. “Neste momento de avanços tecnológicos rápidos e constantes, é fundamental que estejamos na vanguarda das discussões sobre como essas inovações podem ser aplicadas de forma eficaz em nosso setor. A IA oferece oportunidades sem precedentes para melhorar a eficiência operacional, realizar diagnósticos mais precisos e personalizar o tratamento de cada paciente”, ressalta Milva.

A Abramed estará com estande institucional, na rua B-137, durante os quatro dias de evento. 

Serviço:

Summit Abramed na Hospitalar 2024

Data: 21 de maio

Horário: das 14h30 às 18h00

Local: São Paulo Expo, sala 209, mezanino

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