Fortalecimento do SUS e aumento do financiamento da saúde estão entre as prioridades do próximo governo do Brasil

Evento realizado conjuntamente por Abramed, ABIMO, AMB, ComSaude/Fiesp e SindHosp reuniu assessores de Ciro Gomes, Lula e Simone Tebet. Wilson Shcolnik questionou sobre a oferta de serviços de saúde em farmácias

Na semana que antecede o primeiro turno das eleições gerais no Brasil, algumas das principais entidades de saúde do país promoveram, em 27 de setembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o evento “Diálogos com assessores de saúde dos presidenciáveis” para apresentação das propostas dos candidatos à presidência da República para o setor. Participaram Nelson Marconi, pelo candidato Ciro Gomes (PDT); João Gabbardo, pela candidata Simone Tebet (MDB); e o Senador Humberto Costa, pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os representantes do candidato Jair Bolsonaro (PL) não apresentaram justificativa à organização para a ausência no debate.

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esteve à frente da iniciativa, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), a Associação Médica Brasileira (AMB), o Comitê da Cadeia Produtiva de Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude/Fiesp), e o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp).

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, destacou que o evento foi muito importante por reunir assessores de três candidaturas muito representativas, com ideias convergentes e que mostraram conhecer com profundidade os problemas dos sistemas de saúde brasileiros e as oportunidades necessárias para elevar a qualidade da assistência prestada.

“Os maiores beneficiários serão os brasileiros e as brasileiras, que hoje, em sua maioria, dependem do sistema público. Lucram também todos os componentes da cadeia de saúde que estiveram aqui nesse evento representados e que confirmaram a importância do papel de cada um para mudarmos para esse novo patamar a assistência à saúde em nosso país. Acredito que o setor de medicina diagnóstica, especificamente, se representou aqui colocando de alguma maneira as nossas expectativas e a nossa esperança de que algo melhor venha para o nosso país”, disse Shcolnik.

Ao lado dele, compuseram a mesa o diretor titular do ComSaude/Fiesp, Ruy Baumer; o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin; o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro; e o presidente da AMB, César Eduardo Fernandes.

O representante do candidato Ciro Gomes iniciou as apresentações ressaltando que, quando se fala de política de saúde, é necessário pensar no resgate do Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecido mundialmente e que tem sido, infelizmente, bastante desestruturado.

“Esse é um princípio básico do nosso programa de governo: fortalecer o SUS. Também gostaria de ressaltar que na pandemia o atendimento do SUS foi muito direcionado para a covid-19 e por isso existe agora uma série de procedimentos e uma fila de atendimentos de diagnósticos que precisam ser equacionados. Para isso, precisamos fazer um esforço concentrado, juntando setores público e privado, para zerar essa fila”, expôs Marconi.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) também foi abordado por ele. Segundo Gabbardo, a cobertura vacinal no Brasil já vinha perdendo amplitude mesmo antes da pandemia e os índices só pioraram, trazendo o risco de reaparecimento de doenças há muito erradicadas no país, sendo esse um dos pontos de atenção caso Ciro Gomes seja eleito.

Marconi evidenciou a falta de medicamentos como outra questão séria. “E tem tudo a ver com o complexo industrial da Saúde, que precisa ser recuperado”, afirmou. Segundo ele, o programa Farmácia Popular é um importante instrumento, por oferecer medicamentos essenciais para a saúde preventiva, como os que controlam a pressão arterial e a diabetes. “Para não aumentar a fila do SUS, precisamos fortalecer a Farmácia Popular”, disse o assessor, defendendo um sistema centralizado de compra de medicamentos de alta complexidade.

Por sua vez, o assessor de Simone Tebet elencou como prioridade número um de quem assumir o Ministério da Saúde o resgate da credibilidade do SUS, cuja falta de comando durante a pandemia foi um desastre. De acordo com Gabbardo, a governança do sistema precisa ser restabelecida.

“Também queria destacar o que considero um ponto mais difícil e relevante ao qual teremos que demandar mais atenção, que é a questão do acesso, que sempre foi uma dificuldade do SUS”, ressaltou Gabbardo, complementando que, entre os utentes do SUS, a avaliação é sempre muito mais positiva do que negativa e que as pesquisas apontam que a maioria daqueles que avaliam mal o sistema não o utiliza. 

“Isso acontece porque o problema do SUS é a dificuldade de acesso. As pessoas não conseguem marcar o procedimento, demoram a ser atendidas, entram numa fila de espera que nem sempre é transparente ou clara e não sabem quando vão ser chamadas”, disse o representante de Simone Tebet.

O incentivo para que hospitais tenham interesse em realizar os procedimentos foi outro ponto de atenção lembrado por Gabbardo. “Precisamos aumentar o financiamento e criar incentivos financeiros, assim como revisar a tabela de procedimentos”, frisou.

Representando o candidato Lula, Costa explicou que o PT elaborou um programa de governo, segundo ele, mais bem caracterizado como diretrizes de programa de governo a partir dos partidos que integram a frente que sustenta a candidatura do ex-presidente.

“Criamos uma plataforma em que todo mundo podia apresentar sugestões. Incorporamos algumas ideias e aquelas que não incorporamos até agora serão encaminhadas à futura equipe de transição. Queremos resgatar o diálogo. Hoje, o Ministério da Saúde é uma estrutura fechada, onde se substituiu o federalismo de colaboração por uma espécie de federalismo de conflito. Não há diálogo com os setores público e privado e queremos restabelecer isso. Também propusemos um conjunto de ações para a área da saúde e a primeira delas, condição sine qua non para se fazer qualquer coisa, é exatamente a questão do financiamento”, afirmou Costa.

De acordo com o Senador, o futuro governo de Lula atuará sob a perspectiva de que a saúde não é meramente gasto, e sim um investimento importante para geração de melhor qualidade de vida, sendo também investimento econômico, porque é um segmento com destacada participação no PIB do país, bem como na geração de empregos formais.

“É uma área que, mediante estímulos não tão grandes, conseguirá dar uma contribuição importante para o processo de retomada do crescimento e do desenvolvimento econômico do nosso país. Por isso, estamos colocando como grande prioridade o fortalecimento do complexo industrial e econômico da saúde”, garantiu Costa.

Em tempo, Costa ainda pontuou que se pretende substituir mecanismos de controle fiscal que estão superados, citando a Emenda Constitucional 95, que retirou R$ 37 bilhões da área da saúde entre 2018 até 2022. “Vamos trabalhar para fazer essa recomposição e acabar com o orçamento secreto, para o qual estão bloqueados R$ 10 bilhões só no ano que vem”, afirmou.

Abramed questiona sobre a oferta de serviços de saúde em farmácias

Com a palavra, o presidente do Conselho de Administração da Abramed parabenizou os assessores pelo amplo conhecimento que demonstraram dos problemas do sistema de saúde e ressaltou que a entidade tem associados que prestam serviços na área laboratorial e também em radiologia e diagnóstico por imagem, muitos deles atendendo a clientela do SUS, contratados por prefeituras. Na sequência, comentou que o problema da tabela de procedimentos coloca em risco, sobretudo, a qualidade dos serviços oferecidos, sendo este, portanto, um ponto que se espera ser corrigido durante o mandato do novo presidente.

“Sabemos que uma atenção primária abrangente, baseada na comunidade, consegue resolver quase 90% de todas as necessidades em saúde de um indivíduo ao longo da sua vida. Ela oferece vários serviços que vão desde a promoção e prevenção até o controle de doenças crônicas; cuidados paliativos até reabilitação, ou seja, uma atenção integral próxima do ambiente cotidiano de todas as pessoas, e, como sabemos, tem se mostrado custo-efetiva, pois diminui os gastos totais em saúde e melhora a eficiência, reduzindo, por exemplo, as internações hospitalares. Com a inovação chegando ao setor de saúde, outros segmentos se preparam para oferecer novos serviços, ampliando as suas atividades, como as farmácias. Os senhores consideram que essa oferta de serviços em farmácias, que podem incluir a telessaúde, poderá substituir a atenção primária oferecida hoje pelo SUS?”, questionou Shcolnik.

Confira o que disseram os assessores:

“Penso que a farmácia não vai substituir a estratégia de saúde da família, de jeito nenhum. Elas podem contribuir de uma forma muito relevante na dispensação de medicamentos. Acho que a dispensação de medicamentos do SUS pode ser ampliada ao extremo, pode ser distribuída em todas as redes de farmácias e com isso facilitamos a vida das pessoas, que poderão receber medicamentos sem deslocamento e de uma forma mais rápida. Em hipótese alguma acredito que qualquer serviço que possa se implementar em uma farmácia substituirá o programa de saúde da família”, disse João Gabbardo, representando Simone Tebet.

“Entendemos que o SUS é a porta de entrada do ponto de vista da prevenção, do acompanhamento da saúde. A unidade básica de saúde deve estar bem estruturada para poder acompanhar o cidadão, fazer a prevenção com a equipe de saúde da família, para evitar um procedimento mais custoso e para evitar um problema de saúde maior. Esse componente do sistema é essencial para o seu bom funcionamento. Acho que a farmácia não tem como substituir a unidade básica de saúde nessa etapa, mas concordo que ela pode ser uma importante organização para disseminar, fazer com que o medicamento chegue à população”, disse Nelson Marconi, representando Ciro Gomes.

“Não acredito que as farmácias serão esse espaço ou de substituição, ou de acréscimo, eu acho que elas têm um grande papel a cumprir. Por exemplo, tenho certeza de que, se ganharmos a eleição, vamos trabalhar com um programa de Farmácia Popular mais arrojado. Se uma das três razões de gasto privado são os medicamentos, se amplio a oferta gratuitamente ou em modo de copagamento, posso evitar muitas complicações de doenças, permitir melhor acompanhamento e ampliar o acesso das pessoas a medicamentos que originalmente estavam na distribuição direta do SUS. Podemos construir entendimentos que incluam as nossas pretensões de fortalecimento do complexo econômico industrial da saúde. Acho que as farmácias podem cumprir um papel importante”, disse Humberto Costa, representando Luiz Inácio Lula da Silva.

Fórum Permanente do Setor de Saúde em Proteção de Dados e Privacidade é lançado em Brasília

Com participação da Abramed, iniciativa visa debater e fomentar discussões envolvendo privacidade, proteção de dados, inovação e tecnologia para o segmento de saúde, além de desenvolver uma proposta de autorregulação do setor

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), representada pela diretora do Comitê de Proteção de Dados, Rogéria Cruz, participou do lançamento do Fórum Permanente do Setor de Saúde em Proteção de Dados e Privacidade, que aconteceu durante o Congresso “Diálogo Entre os Poderes no Direito da Saúde”, no dia 29 de agosto, no Conselho de Justiça Federal, em Brasília. Trata-se de uma coalizão em caráter permanente composta de associações, federações e confederações representativas do setor de saúde, cuja missão é debater e fomentar os temas envolvendo Privacidade e Proteção de Dados (P&PD), inovação e tecnologia para o segmento, além de preparar a proposta de autorregulação do setor.

Com a Abramed, integram o fórum a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para a Saúde (Abraidi), Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Associação de Planos Odontológicos (Sinog), Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – Lei 13.709/2018 – trouxe um enorme impacto para o setor de saúde, que utiliza dados sensíveis em seu cotidiano, desde a anamnese, o diagnóstico e a identificação até o tratamento de doenças. Com a pandemia de covid-19, surgiram novos desafios voltados não só à cibersegurança como também às relações trabalhistas. O tema é bastante complexo para todos os atores da cadeia de saúde e, justamente por isso, o diálogo aberto e transparente é fundamental.

Nesse contexto, o objetivo do Fórum é uniformizar os conceitos, os entendimentos, discutir os temas de interesse do setor no que compete à privacidade de dados, bem como para ser um interlocutor qualificado tanto para a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) quanto para o poder legislativo. Ainda, o debate subsidia o segmento de saúde com um modelo de regulação mais homogêneo, único e conforme o que de fato é vivenciado no cotidiano.

“Esse Fórum nasceu da necessidade de o setor de saúde de trabalhar, eventualmente, em uma autorregulação regulada, já que é um segmento muito sensível, que lida com dados sensíveis, e, ao mesmo tempo, traz vários stakeholders, desde o hospital, que presta assistência beira-leito, até as entidades de medicina diagnóstica, como a Abramed; as operadoras, aquelas que trabalham com os dados; e as Santas Casas, que lidam muito com dados públicos. Em determinado momento, entendemos ser necessário tentarmos, em alguns temas críticos, buscar convergir entendimentos”, explica Rogéria.

A diretora do Comitê de Proteção de Dados da Abramed fala que, felizmente, conseguiu-se unir todas as entidades que integram esse Fórum para participar desse conceito, muito bem-recebido, afinal todas sofrem as mesmas dores nesse sentido. Existem questões críticas para discutir conjuntamente, por exemplo, compartilhamento de dados, interoperabilidade, transferência internacional de dados, limite da tutela da saúde, assim como acompanhamento do trabalho da ANPD, que já está se organizando para iniciar os primeiros processos fiscalizatórios.

Rogéria destaca que estão em andamento consultas públicas (CPs) sobre dosimetria e tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes, dois assuntos relevantes na saúde, que exigem atenção. A CP sobre dosimetria quer ouvir os setores sociais para que a ANPD estabeleça parâmetros, regras e critérios claros para a aplicação de sanções administrativas decorrentes de incidentes de segurança. Esta será a primeira contribuição do Fórum, visando contribuir com o órgão, levando-lhe a sensibilidade do segmento de saúde, que trabalha com dados sensíveis, procurando não apenas apoiá-lo, mas tornar-se referência em assuntos relacionados à privacidade e inteligência artificial.

O Fórum é composto de dois Grupos de Trabalho (GTs). Um deles é responsável por police, coordenado pela Abramed. O outro irá compilar todas as discussões para desenvolver um guia de boas práticas. Um primeiro documento, embrionário, foi feito pela CNSaúde, mas o que se quer, agora, é aperfeiçoar esse material, uma vez que a LGPD já está em vigor e permitiu experiências, ou seja, vai ser possível publicar uma versão atualizada desse código.

“O setor de saúde, que engloba medicina diagnóstica (laboratórios), assistência (hospitais) e operadores de saúde têm questões muito parecidas, como o compartilhamento de dados. E sempre surgem dúvidas: o que se pode compartilhar? Qual é o limite do compartilhamento na tutela da saúde? Qual é o conceito de tutela da saúde? São definições que permeiam todo o setor e que, quando definidas, reduzem as incertezas jurídicas. O Fórum discutirá assuntos relevantes e dores de todo o setor”, ressalta a diretora do Comitê de Proteção de Dados da Abramed. De acordo com Rogéria, a ideia é somar onde for possível e atuar de maneira unificada. A expectativa é a convergência entre entidades para oferecer à ANPD um posicionamento do setor de saúde.

Na saúde, os dados estão sendo coletados e manuseados a todo momento e, em razão disso, é importante que o colaborador esteja envolvido em um programa sólido e consistente de privacidade. Rogéria fala que os associados à Abramed sabem da importância de apoiar a conscientização e o treinamento profissional de seus colaboradores, mas também reconhecem que pessoas são falíveis, o que torna ainda mais sensível o tema. Por ser um programa contínuo, investir em treinamento é essencial. 

“As ferramentas são valiosas e agregam valor aos programas, mas o foco deve estar nas pessoas, seja no aculturamento, seja na aplicação dos conceitos, para se identificar no dia a dia as melhorias significativas aos processos”, complementa Rogéria.

A saúde é um segmento muito assimétrico no Brasil, com estabelecimentos que apresentam realidades muito distintas. Existem instituições que ainda estão longe de possuir suporte tecnológico para se adequar às exigências da LGPD. Por isso, o Fórum deseja se tornar um interlocutor qualificado, a fim de contribuir para temas sensíveis que envolvem a saúde promovendo união no setor.

“Este foi o primeiro ponto que tentamos tratar, as diferenças existentes no Brasil. Por isso, temos conosco a FBH, as Santas Casas, por exemplo, justamente com o intuito de inseri-las nessa discussão e sermos apresentados a essas outras realidades. Queremos propor soluções, alternativas, sugestões que busquem contemplar a saúde como um todo e em todas as suas particularidades”, sentencia Rogéria.

Entendendo a anonimização e sua importância na utilização de dados em conformidade com a LGPD

Procedimento visa garantir a segurança e a privacidade de uma pessoa, desvinculando os dados pessoais do seu titular

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – Lei 13.709/2018 – explica a anonimização como um procedimento técnico que visa dissociar dados a uma pessoa física, de modo que não se consiga identificar uma pessoa. Trata-se da utilização de meios técnicos razoáveis e disponíveis no momento do tratamento, por meio dos quais um dado perde a possibilidade de associação, direta ou indireta, a um indivíduo. O conceito tem aplicabilidade e impacto na saúde, inclusive na medicina diagnóstica.

Segundo o diretor-executivo da Nommad, empresa de consultoria em tecnologia da informação, Wagner Hiendlmayer, a anonimização de um dado é, por definição, um ato irreversível. Isso quer dizer que, utilizando ferramentas disponíveis, após o tratamento de um dado pessoal sensível, não se chegará a um indivíduo específico.

É importante saber discernir os tipos de dados, de acordo com a LGPD. Dado pessoal é a informação relacionada à pessoa natural identificada ou identificável; dado pessoal sensível é o dado pessoal relacionado à origem racial ou étnica, à convicção religiosa, à opinião política, à filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, à saúde ou à vida sexual, à genética ou à biometria, quando vinculado a uma pessoa natural.

“Em suma, dados pessoais são nome, endereço, telefone, CEP. O dado pessoal sensível pode indicar algum tipo de perseguição política, ou, na área da saúde, por exemplo, pode ser constrangedor, sobre algum tipo de doença, isto é, uma informação que pode fazer com que a pessoa sofra algum preconceito. O dado pessoal sensível significa que eu tenho um conjunto de proteções adicionais necessárias para garantir a segurança da pessoa física”, explica Hiendlmayer.

A anonimização de dados, segundo ele, é imprescindível, principalmente para que se possa tratar grandes volumes de informações e se consiga, eventualmente, compartilhá-las sem se preocupar com a pessoa física que está por trás daquilo.

“Estamos falando de um procedimento técnico, que visa desvincular os dados pessoais de uma pessoa natural. Dados anonimizados, portanto, são aqueles que perdem sua característica de dados pessoais e você não tem a aplicação dos efeitos da lei sobre tais”, completa Leila Paulino, integrante do Comitê de Proteção de Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e coordenadora jurídica da área cível do Grupo Fleury.

Ela reitera ser fundamental observar qual é a técnica utilizada na anonimização. Para que um dado seja considerado, de fato, anonimizado, é necessário que se considere o processo irreversível, ou seja, que não se consiga chegar novamente ao titular do dado. Nesse sentido, se for possível reverter a anonimização, usando meios que se têm disponíveis, como softwares ou sistema interno da companhia, trata-se de um dado pseudonimizado.

Hiendlmayer também chama a atenção para a pseudonimização, que, embora semelhante no nome, não tem relação direta com a técnica da anonimização, mas está sob o escopo de aplicação da LGPD. É o tratamento por meio do qual um dado perde a possibilidade de associação, direta ou indireta, a um indivíduo, senão pelo uso de informação adicional mantida separadamente pelo controlador em ambiente controlado e seguro.

“Nesses casos, continua-se tendo alguma referência do indivíduo por trás do dado, ou seja, são compartilhadas informações com as quais não se deseja associar a alguém, mas ainda assim pode haver uma ‘chave’ que permitirá a identificação. O processo é protegido, mas de maneira reversível. De posse de um ID, será possível descobrir quem é o paciente, por exemplo. Então, a pessoa que está tratando um conjunto de informações pseudonimizadas não consegue saber quem é o paciente, mas com essa ‘chave’ consigo fazer isso”, fala Hiendlmayer.

Quando fazer anonimização de dados?

Leila explica que não se pode dizer que a anonimização é um processo obrigatório, porque há situações, como para o cumprimento de obrigações legais ou regulatórias, em que é preciso que o dado seja identificado.

“Em medicina diagnóstica, existe a obrigatoriedade de manter a guarda de laudos e exames por um prazo de cinco anos. Isso é determinado pela RDC 302/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nessas situações, não podemos anonimizar o dado, precisamos fazer a guarda dele de maneira identificada. Devemos anonimizar sempre que possível”, atesta Leila.

As instituições de saúde, de acordo com a membro do Comitê de Proteção de Dados da Abramed, devem avaliar quais são as situações em que é possível e até recomendável realizar a anonimização, de modo que ela não possa representar risco, sendo, portanto, um procedimento que garante mais segurança nas operações.

“Você terá segurança tanto para a instituição trabalhar com dados anonimizados, quanto para os titulares de dados. Imagine o seguinte exemplo: em algum tipo de incidente, seja ele acesso não autorizado, seja vazamento, se estiver diante de uma base de dados anonimizada, você não vai ter risco para o titular do dado envolvido no episódio. A anonimização garante segurança nas operações de tratamento de dados”, evidencia Leila.

Segundo ela, o procedimento é muito indicado na área da saúde, justamente por envolver dados sensíveis, com potencial discriminatório. Por isso, a lei costuma tratá-los com mais rigor, o que exige maiores cuidados dos profissionais que trabalham nessas instituições.

“Em termos de bases legais, quando se trata de dados sensíveis, o que é o caso dos dados de saúde, a lei é mais restrita para o tratamento. A anonimização dos dados é um importante mecanismo para as instituições, mas, conforme informado, nem sempre os dados poderão ser anonimizados, considerando determinadas finalidades de tratamento como aquelas exigidas para o cumprimento de obrigações legais ou regulatórias, como é o caso da RDC 302/2005. Também é importante considerar que a lei faz uma recomendação expressa de anonimização, sempre que possível, quando a finalidade de tratamento for estudos por órgãos de pesquisas – entretanto, esta base legal de estudos é válida apenas para instituições de pesquisas, é importante ressalvar”, diz Leila.

Ainda conforme Leila, a anonimização também é um dos direitos do titular, previsto na lei, sendo possível ao titular solicitá-lo ou não em face da instituição, de modo que a instituição deve estar preparada para avaliar cada caso e, eventualmente, fazer o procedimento como solicitado.

Técnicas de anonimização

Para tornar um dado anonimizado, existem técnicas específicas: 1) supressão, que é a remoção completa dos dados da base de dados, de forma definitiva; 2) encobrimento, com a utilização de símbolos como “xxx” ou “***” para substituição dos caracteres em uma tabela. Este caso preserva a parte da informação que ainda é relevante para alguma finalidade específica; e 3) generalização, que é o agrupamento de informações por faixas, como a troca do CEP por região do país, ou a conversão de faixas etárias.

“Na supressão de dados, eu retiro uma parte das informações, removo o dado da base e isso também, por definição, é algo irreversível, ou seja, eu chego à conclusão de que aquele meu banco de dados, que possuía nome, telefone, CEP e toda uma condição de saúde do paciente, passará a ter apenas a parte que me interessa, a condição de saúde do indivíduo, servindo para políticas públicas e estudos clínicos, por exemplo. No restante, eu faço uma supressão absoluta, apago, literalmente, ou encubro”, ressalta Hiendlmayer.

O diretor-executivo da Nommad faz uma analogia de como funciona o encobrimento: quando alguém efetua um pagamento com cartão de crédito, no comprovante é devolvida uma parte do número do cartão em asterisco. Quem faz transação bancária deve encobrir uma parte desses dados, porque, se houver um episódio de vazamento, não se compartilharão números, como os do cartão.

Quem não faz a anonimização de dados de maneira correta pode ser punido com o bloqueio do uso ou a exclusão desses dados, pelo que estabelece a LGPD. A primeira hipótese se caracteriza pela suspensão de qualquer operação de tratamento de dados pessoais de determinada pessoa ou determinado grupo de pessoas. A segunda opção se dá por solicitação do titular, que deve ser atendida se considerando as bases legais para o tratamento de dados. Nesses casos, os dados poderão ser retidos, desde que exista previsão legal.

“A melhor recomendação para as instituições que já estão fazendo esse trabalho de adequação à LGPD é que avaliem e conheçam suas operações de tratamento de dados, bem como as finalidades de tratamento. Quando conhece a finalidade, você identifica corretamente a base legal e consegue saber se é possível anonimizar o dado. É claro que, sempre que for possível, deve-se trabalhar com dados anonimizados, assim se garante mais segurança para a instituição e para os titulares. Os dados de saúde têm, de fato, essa sensibilidade, porque existe um risco maior para o titular”, sentencia Leila.

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Abramed integra nova gestão do Instituto Coalizão Saúde

Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho de Administração do ICOS, fala da importância da medicina diagnóstica como um dos pilares de sustentabilidade da assistência ao paciente

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, agora integra o Conselho de Administração do Instituto Coalizão Saúde (ICOS) – Gestão 2022-2025, entidade formada por representantes da cadeia produtiva do setor da saúde que tem um importante papel no fortalecimento de políticas e processos para melhorar o ecossistema de saúde no Brasil, promovendo discussões propositivas, trabalhando em inovações e soluções para os principais desafios e engajando toda a cadeia produtiva. O novo corpo diretivo, que inclui ainda os Conselhos Fiscal e Consultivo, foi eleito, em assembleia extraordinária, no final do mês de junho.

De forma inédita, criou-se o cargo de presidente institucional, para o qual foi indicado o ex-presidente do Conselho de Administração, Claudio Lottenberg, que segue contribuindo para a instituição, participando das reuniões do Conselho de Administração e atuando junto ao novo presidente, Giovanni Guido Cerri, na representatividade e multiplicação das propostas do ICOS.

“A Abramed é uma entidade relativamente jovem, e eu fiz parte da sua criação. Atualmente, a medicina diagnóstica é um dos pilares de sustentabilidade da assistência ao paciente, é um setor enorme e mostrou o seu valor na pandemia de covid-19, a sua importância na estratégia para diagnosticar e mostrar os caminhos para o atendimento aos pacientes, seja na área laboratorial, seja na radiologia. Trata-se de uma associação que representa um setor realmente estratégico na saúde. A Abramed está muito bem contemplada nesta diretoria. Wilson mostrou grande interesse em participar ativamente e trazer propostas dentro da nossa agenda ao longo dos próximos anos”, fala Cerri.

O presidente do Conselho de Administração do ICOS ressalta que, durante a pandemia, a Abramed teve participação muito importante na discussão de temas relevantes para contribuir no enfrentamento e no atendimento aos pacientes. Em diversas ocasiões, esteve com o ICOS para tratar sobre a relevância dos exames de diagnóstico. Cerri destaca os encontros que tiveram com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para evitar uma judicialização desnecessária.

“Discutimos essa pauta com o Ministério Público do Estado de São Paulo e também com o próprio Governo do Estado, sempre com a participação da Abramed, visando facilitar o acesso aos exames diagnósticos pela população em geral. A Abramed participou com o ICOS de diversas iniciativas importantes ao longo da pandemia, sempre com o intuito de garantir à população uma assistência ágil e um diagnóstico rápido da covid-19”, salienta Cerri.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Abramed, a nova gestão do ICOS marca uma nova fase para o Instituto, tendo à frente Giovanni Guido Cerri. “A Abramed está representada no Conselho de Administração do ICOS, agora com uma nova presidência, o professor Cerri, um radiologista bastante conhecido, com uma trajetória política muito relevante. Ele já foi Secretário de Saúde em São Paulo, é professor titular de Radiologia e Diagnóstico por Imagem na Universidade de São Paulo, e vem com novas ideias, entendendo que o ciclo passado não estava atendendo a muitos associados. Diante disso, ele pretende reverter esse quadro dando mais oportunidades e destaque a várias das entidades representadas ali. O ICOS tem uma importância política, que nós já evidenciamos a partir de vários encontros realizados, com acesso a muitas autoridades”, ressalta Shcolnik.

Gargalos na saúde

Cerri lembra o subfinanciamento do setor de saúde como um dos principais gargalos que inviabilizam o aumento do acesso. No sistema privado, o financiamento chega a 55%, porém reúne apenas 25% dos usuários, em contrapartida aos 75% dos pacientes que dependem, exclusivamente, do Sistema Único de Saúde (SUS). Como o Brasil é um país de renda per capita relativamente baixa, segundo o presidente do Conselho de Administração do ICOS, os investimentos do PIB em saúde acabam sendo insuficientes para atender de forma adequada a população.

“E o que temos que fazer? Temos que buscar, primeiro, que esses recursos sejam utilizados adequadamente, que não haja desperdício, e para isso a gestão é muito importante. A segunda questão é aprimorar o uso e a incorporação da tecnologia, que durante algumas décadas sempre representaram um impacto de aumento de custo e não contribuíram nessa equação de capacidade limitada de investimentos. Temos, atualmente, a saúde digital, por exemplo, que pode gerar redução de custos, melhoria de acesso e redução da desigualdade, levando especialistas para onde não existem, a fim de ajudar a regular o sistema, e permitir o acesso de populações em locais remotos, ou seja, a utilização da tecnologia é uma alavanca para essa redução de desigualdade e melhoria de acesso à saúde”, explica Cerri.

União para o fortalecimento do setor

Desde sua criação, em 2015, o ICOS assumiu o compromisso de ser uma instituição propositiva de políticas inovadoras para a saúde do país. Sua atuação ao longo desses sete anos tem sido pautada por grandes realizações, promovendo o diálogo com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em busca de soluções efetivas para os desafios do setor. O Instituto também atua juntamente com as organizações associadas, desenvolvendo conteúdos e publicando títulos fundamentais para entender e desenvolver os diferentes aspectos da cadeia produtiva de saúde e a realização de fóruns de discussão, sempre com a participação de acadêmicos, especialistas e grandes lideranças, congregando os diversos agentes do segmento.

“No ICOS, temos representantes do setor de medicina diagnóstica, dos hospitais, das operadoras, das indústrias farmacêutica e eletromédica, isto é, temos um universo do segmento produtivo de saúde, que, embora tenha seus embates, compreende a necessidade que temos de construir uma agenda estratégica de interesse comum, com assuntos prioritários, com ações que fortaleçam tanto o SUS como a saúde suplementar”, destaca Cerri.

Confira os nomes que compõem os conselhos do ICOS (2022-2025)

Conselho de Administração:

Presidente: Giovanni Guido Cerri (FFMUSP)

Vice-presidente: Claudia Alice Cohn (Dasa)

Elizabeth de Carvalhães (Interfarma)

Fernando Silveira Filho (Abimed)

Francisco Balestrin (Sindhosp)

Henrique S. S. Neves (Anahp)

Omar Abujamra Júnior (Unimed do Brasil)

Ruy Salvari Baumer (Sinaemo)

Wilson Shcolnik (Abramed)

Presidente institucional:

Claudio Luiz Lottenberg

Conselho Fiscal:

Mirócles Campos Veras Neto (CMB)

Nelson Augusto Mussolini (Sindusfarma)

Renato Casarotti (Abramge)

Conselho Consultivo:

Fernando Ganem (HSL)

Guilherme Freire (Sanofi)

Lídia Abdalla (Sabin)

Manoel Peres (Fenasaúde)

Sérgio Dilamar (Abraidi)

Sidney Klajner (Hospital Israelita Albert Einstein)

Diretora executiva:

Denise Eloi

Entidades promovem encontro com assessores dos presidenciáveis para debater propostas para a saúde

Evento realizado conjuntamente por Abramed, ABIMO, AMB, ComSaude Fiesp e SindHosp acontece no dia 27 de setembro, em São Paulo

No próximo dia 2 de outubro, será realizado o primeiro turno das eleições gerais no Brasil e, para entender o que pretende o próximo governante da nação, entidades do setor de saúde realizam, no dia 27 de setembro, às 9h, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o evento “Diálogos com assessores de saúde dos presidenciáveis” para apresentação das propostas dos candidatos à Presidência da República na área da saúde.

Confirmados até o momento estão Dr. Nelson Marconi, pelo candidato Ciro Gomes (PDT); o Dr. João Gabbardo, pela candidata Simone Tebet (MDB); e o Senador Humberto Costa, pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A iniciativa é uma organização em conjunto da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), a Associação Médica Brasileira (AMB), o Comitê da Cadeia Produtiva de Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude/Fiesp), e o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp).

Clique AQUI para se inscrever gratuitamente.

Serviço:

Data: 27 de setembro de 2022

Horário: das 9h às 12h

Local: Edifício Fiesp: Avenida Paulista, nº 1313, 15º andar – Espaço Nobre, São Paulo/SP

Inovação digital: símbolo de uma revolução humanizada do atendimento ao paciente. O papel da indústria.

Por Tommaso Montemurno*

A pandemia de covid-19 acelerou o processo de transformação digital na saúde, algo para o qual estávamos nos preparando e já tínhamos à disposição as tecnologias necessárias, mas que ainda sofria por algumas resistências e preconceitos. Como consequência disso, percebeu-se, de um lado, uma maior oferta de ferramentas digitais para o cuidado de nossos pacientes e, do outro, uma maior aceitação na adoção dessas ferramentas por parte deles e das estruturas sanitárias.

Precisamos destacar que a maioria das tecnologias que estão surgindo e sendo implementadas visam a melhor assistência ao ser humano. Isso envolve diagnóstico, tratamento e monitoramento remoto – uma série de ferramentas e de informações que irão colaborar com o cuidado individualizado e contribuir com a antecipação das necessidades.

Trata-se de uma mudança de paradigma: estamos passando de um modelo onde o cuidado é concentrado no atendimento à doença para um modelo focado em prevenção para garantir a saúde de cada pessoa. As novas ferramentas digitais viabilizam um maio foco no indivíduo e na sua singularidade, ao longo de toda a jornada de saúde.

A indústria também precisou se adaptar para compreender as demandas e estabelecer a sua atuação nesse novo cenário, para suportar a digitalização desse segmento.

Como representante da indústria de diagnostico, a reflexão que faço começa pela ótica de como estamos nos posicionando diante dessa mudança do sistema. Em muitos casos, a indústria traz inovações; em outros, colabora com a entrega de um elemento facilitador. Assim, o nosso papel é criar e personalizar alternativas para disponibilizar aos nossos clientes prestadores de serviços sanitários as melhores soluções em prol da nova realidade do sistema.

A indústria tem uma responsabilidade relacionada com a sustentabilidade de todo o setor. As novas tecnologias digitais nos permitem implantar soluções que aumentam a eficiência, otimizando as operações de hospitais, clínicas e demais estabelecimentos de saúde, viabilizando a disponibilidade de mais recursos e a redução dos custos de provisão de serviços. A nós cabe fornecer soluções que sejam sempre mais eficientes para que o custo final do atendimento ao cliente, aquele que garantirá a saúde do cidadão, seja o menor possível.

Quando nos referimos à responsabilidade da indústria no ecossistema de saúde, em outras palavras, falamos do nosso papel em prover soluções tecnológicas, informáticas e modelos de negócio que otimizem o uso dos nossos produtos, reduzindo o desperdício e otimizando a base de custos.

Além da sustentabilidade, há o viés do conhecimento. Na indústria, temos hoje a possibilidade de intensificar a divulgação de informações sobre os nossos produtos e das melhores práticas médicas. Durante a pandemia, tivemos uma profusão de lives de treinamentos, discussões e fóruns online; agora vivenciamos um momento em que podemos alavancar todas as tecnologias utilizadas durante a crise pandêmica, otimizando-as para entregar mais facilidade, maior eficácia e conhecimento para os nossos clientes.

Não podemos esquecer a responsabilidade na pesquisa e desenvolvimento de novas soluções e no aprimoramento das existentes. A indústria precisa estar envolvida nesse processo, tendo à disposição ferramentas de networking e de trabalho colaborativo, que permitem acelerar os processos de aprimoramento e lançamento de produtos bem como aumentar a eficácia dos departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Tudo isso nos ajudará a entregar produtos e atendimento de maior qualidade.

Muito se tem discutido, por exemplo, sobre o potencial da Web 3.0 na saúde, com os conceitos de realidade virtual e aumentada e, potencialmente do metaverso, que vêm trazendo a possibilidade de uma extensão da realidade que conseguiremos agregar informações e conexões. Com essas inovações digitais, podemos combinar dados que recriam situações teóricas na prática. Essa complexidade nos permite testar nossos produtos e nossas soluções, no que chamamos de hiper-realidade – situações que podem acontecer e que conseguimos levar ao extremo para compreender a sua previsibilidade. Com isso, certamente, temos um cenário em que somos mais eficazes nos testes dos nossos produtos.

A tecnologia está ajudando os profissionais a reduzir a carga de trabalho em atividades de menor valor agregado, liberando a capacidade do sistema de saúde para conseguir se dedicar mais ao paciente, garantindo um atendimento mais próximo, uma medicina mais humanizada, com foco acentuado nas relações humanas, com maior eficácia e rapidez.

O caminho, apesar de acelerado, não é simples e apresenta algumas barreiras que precisaremos ultrapassar.

Dentre as barreiras para a implementação do cuidado temos, principalmente, as barreiras culturais.  Isso é algo que exige amadurecermos para que a tecnologia seja vista como um código, e não como um complemento da interação humana. Com ela, agilizamos e otimizamos processos que antes desviavam a atenção do foco principal, as pessoas. Além disso, liberamos, também, capacidade para que os prestadores de serviços e operadores de saúde, dediquem mais tempo às pessoas.

Soma-se a essas barreiras as necessidades de investimento tecnológico. Infelizmente, vivemos em um país desigual em muitos aspectos, inclusive no acesso à tecnologia, que é diferente entre as regiões, e precisamos lutar para derrubar isso. Não podemos ter um Brasil com velocidades diferentes de acesso à internet. Conseguiremos grande valor à população quando dermos a ela acesso tecnológico igualitário. Dessa forma, poderemos explorar o enorme potencial da saúde digital, propiciando atendimento de qualidade e humanizado em todo território, levando o cuidado às regiões mais remotas, com profissionais capacitados para atender da melhor maneira possível.

Não tenho dúvidas de que a tecnologia nos ajudará a ficarmos mais próximos dos nossos pacientes, atentando às suas exigências individuais.

Esse é o um paradoxo que a tecnologia permite: de um lado, ela padroniza o atendimento e, ao mesmo tempo, possibilita customizá-lo para cada ser humano, aprimorando técnicas para cada situação, de acordo com o histórico da pessoa, considerando sua situação física e psicológica naquele momento.

O próximo futuro nos reserva muitas oportunidades de aprimorar o serviço às pessoas, aumentando a proximidade e a interação, reduzindo os custos e potencializando o acesso a saúde. Por isso vejo a inovação digital como um grande símbolo de uma revolução humanizada do atendimento.

*Tommaso Montemurno é Country Manager da Bracco Imaging do Brasil

Membros da gestão 2022 – 2025 dos Conselhos de Administração e Fiscal da Abramed foram apresentados durante o 6º FILIS

Wilson Shcolnik foi reconduzido à presidência do Conselho de Administração e Cesar Higa Nomura assumiu a vice-presidência. Conheça os demais conselheiros

Durante a sexta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), realizado em 24 e agosto, no Teatro Santander, em São Paulo, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) apresentou os membros que irão compor os Conselhos de Administração e Fiscal da entidade pelos próximos três anos. A eleição dos nomes ocorreu no mês de agosto, em Assembleia Geral Extraordinária. Wilson Shcolnik (Grupo Fleury) foi reeleito à presidência do Conselho de Administração e Cesar Higa Nomura (Hospital Sírio-Libanês), já integrante do Conselho na última gestão, assumiu a vice-presidência. Os demais membros nomeados são Ademar Paes Junior (Clínica Imagem), Carlos Figueiredo (Cura Grupo), Claudia Cohn (Dasa), Eliezer Silva (Hospital Israelita Albert Einstein) e Lídia Abdala (Grupo Sabin). O Conselho Fiscal da próxima gestão é formado por Caio Duarte (DMS Burnier), Guilherme Colares (Grupo Pardini) e Isadora Bittar (Lab Rede).

“Esse é um momento muito especial para a Abramed, de expansão, de implantação de conhecimento estratégico; um momento desafiador e rico do mercado. Temos a possibilidade de continuar a cumprir com nossa missão enquanto entidade empresarial setorial, defendendo sempre os interesses não apenas das empresas associadas, mas de todas que integram o segmento de medicina diagnóstica, promovendo acesso à saúde, ao tratamento e ao diagnóstico”, disse a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano.

Na gestão anterior, a Abramed viu o seu segmento ser alçado a um protagonismo poucas vezes observado, dada a importância que os exames de diagnóstico tiveram na pandemia de covid-19, contribuindo para confirmar infecções agudas, proporcionar informações sobre a gravidade da doença, na identificação de variantes do vírus e na avaliação de resposta vacinal.

Houve, ainda, a capacitação de equipes, a adaptação da infraestrutura e dos processos e a inovação do drive thru. Os atendimentos domiciliares aumentaram e os pacientes que precisavam tratar outras doenças não foram abandonados. As empresas associadas à Abramed solidarizaram-se e muitas delas contribuíram com atendimento na área pública.

Shcolnik ressalta o apoio oferecido aos associados na interlocução com diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que muito contribuíram para a liberação de reagentes e de kits que proporcionaram a realização dos exames de covid-19; assim como os diálogos com diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que possibilitaram a incorporação dos exames de covid-19 no rol de cobertura obrigatória. Além disso, outros biomarcadores para monitoramento de gravidade da doença em doentes hospitalizados foram igualmente incorporados.

Em discurso no FILIS, o presidente mencionou a cooperação da entidade para possibilitar a transmissão de resultados de exames para a rede nacional de dados em saúde, possibilitando, dessa maneira, ao Ministério da Saúde monitorar epidemiologicamente o que se passava durante a pandemia.

“Fechamos um ciclo e agora temos de olhar para a frente, e acho que com esse time a Abramed vai conseguir cumprir a sua missão. Sabemos da importância do setor de medicina diagnóstica, tanto na promoção de saúde como na prevenção e no gerenciamento de doenças, e agora com a definição de tratamentos com a medicina personalizada. Somos conscientes da nossa importância para o segmento de saúde e temos um papel a desempenhar em nosso país”, completou Shcolnik após ser reconduzido à presidência do Conselho de Administração.

Novos membros

Pequenas mudanças foram feitas na composição da atual gestão, uma delas é a entrada do CEO do Cura grupo, Carlos Figueiredo, que descreve o novo desafio como uma “imensa responsabilidade”. Segundo ele, a Abramed conquistou o espaço para representatividade ao longo das últimas gestões, atuando na defesa do segmento de medicina diagnóstica e se consagrando no mercado de saúde; sua tarefa é contribuir naquilo que o time já vinha realizando.

Para Figueiredo, a pandemia foi um momento muito importante para o setor, mas continuamente a medicina diagnóstica tem novos desafios surgindo. O papel da Abramed é exatamente estar atento na defesa do setor, fazendo advocacy e representação, buscando fortalecimento das empresas associadas e reconhecimento junto a todas as esferas legislativas e executivas, assim como movendo ações quando necessárias, inclusive junto a entidades congêneres.

Ele considera a Abramed um projeto vencedor para o qual pode contribuir com sua expertise no setor de regulação. Ele atuou na ANS durante oito anos como servidor público federal e conhece, portanto, intimamente o processo regulatório de elaboração de normas e câmaras técnicas.

“A minha trajetória profissional me possibilita apoiar a Abramed no fortalecimento e desenvolvimento de tudo o que ela vem fazendo até agora. Obviamente ninguém faz nada sozinho. Esse é um trabalho de equipe, todo mundo está engajado nessa jornada, no entanto estou à disposição e muito animado para contribuir com todos os projetos da Associação”, comemora o CEO do Cura grupo.

Para o atual Conselho Fiscal da Abramed, juntam-se ao grupo a presidente do Conselho de Administração do Lab Rede, Isadora Bittar, e o diretor-executivo do Laboratório DMS Burnier, Caio Duarte.

Para Isadora, é uma honra fazer parte do Conselho Fiscal da Abramed. Ela conta que o Lab Rede tem em seu DNA laboratórios de médio e pequeno porte, então estar no Conselho garante representatividade interna. Isso se soma ao propósito de avançar para o amadurecimento das boas práticas de governança e, consequentemente, maior diversidade empresarial na representatividade da entidade. Sobre o momento atual da medicina diagnóstica, especialmente no pós-pandemia de covid-19, a executiva faz apontamentos.

“Na minha leitura, o momento requer adaptabilidade, flexibilidade e visão inovadora por parte dos empresários, mas sem perder o DNA e lastro assistencial que o caracteriza. O protagonismo e a importância da medicina diagnóstica foram reconhecidos, mas é preciso fortalecer esse espaço/reconhecimento. É certo que os desafios se estendem desde os setoriais até os mais genéricos e macroeconômicos. Mas a vivência, a natureza, o protagonismo e o grau de exposição variam de acordo com o porte, a região e a localidade da empresa. Não dá para medir com a mesma régua a intensidade e complexidade dos desafios, mas isso certamente traz à tona uma necessidade pujante para rever estratégias corporativas e novos modelos de parcerias funcionais”, sentencia Isadora.

Duarte também cita a honra e responsabilidade em fazer parte do Conselho Fiscal da Abramed, especialmente pelo crescimento e pela notória relevância que a entidade vem conquistando. “Faço parte de uma organização de médio porte do interior de São Paulo, esse fato demonstra que a constituição do Conselho é um ato democrático, não tendo como influência o porte da empresa”, afirma diretor-executivo do Laboratório DMS Burnier.

Isadora ressalta que o Conselho Fiscal é, por natureza, um órgão que visa garantir a integridade das boas práticas, a transparência e o controle dos atos internos. E, acima de tudo, garantir a representatividade. Obviamente, a sua plenitude funcional acompanha uma curva de amadurecimento da governança. Isadora almeja somar, junto aos demais membros, para que esse propósito seja alcançado.

“A missão do Conselho Fiscal não é só analisar relatórios da administração da entidade, mas também propor melhorias em prol do bom andamento da Abramed. Entendo que temos o papel de sermos divulgadores da nossa Associação”, complementa Duarte.

Segundo ele, a pandemia acelerou as operações de M&A (mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições, em português), tornando o setor ainda mais concentrado em poucos players. Enquanto o volume de exames covid-19 estava alto, as empresas estavam gerando caixa, mas, a partir do momento em que houve uma queda acentuada, as organizações começaram a sentir o efeito negativo da crise. De modo geral, os custos subiram acima da inflação e as receitas dos exames recorrentes não foram ajustadas pelas operadoras. O resultado foi a compressão de margem, o que pressionou os empresários de médio e pequeno porte a buscarem uma saída via M&A.

Sobre perspectivas e tendências da medicina diagnóstica, Duarte fala que o setor será cada vez mais concentrado em poucos players, empresas de médio e pequeno porte serão raras no mercado. O modelo one stop shop estará cada vez mais presente e necessário para atender às necessidades dos clientes, assim como os processos serão cada vez mais automatizados e rápidos, agregando valor para a experiência do paciente nos postos de coleta.

“A mudança no formato de remuneração das operadoras para os prestadores de serviços será um dos pontos cruciais para o controle de sinistralidade. Verticalização de grandes grupos, mas também o desaparecimento de grupos já verticalizados, comprovando que essa estratégia não é tão simples como pensam. Exames cada vez mais voltados a cada indivíduo irão tornar a medicina de precisão algo mais acessível”, revela Duarte.

Conselho de Administração – Gestão 2022 – 2025

Presidente

Wilson Shcolnik – Grupo Fleury

Vice-presidente

Cesar Higa Nomura – Hospital Sírio-Libanês

Ademar Paes Junior – Clínica Imagem

Carlos Figueiredo – Cura Grupo

Claudia Cohn – Dasa

Eliezer Silva – Hospital Israelita Albert Einstein

Lídia Abdalla – Grupo Sabin

Conselho Fiscal – Gestão 2022 – 2025

Caio Duarte – DMS Burnier

Guilherme Colares – Grupo Pardini

Isadora Bittar – Lab Rede

Painel Abramed no CBR22 promoveu debate sobre tendências do mercado de saúde

LGPD, desafio populacional e tecnologias foram temas abordados por representantes do setor de radiologia durante congresso

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do 51º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR22), que aconteceu de 1º a 3 de setembro, em Florianópolis, SC. Além de estar presente com um estande institucional, a entidade promoveu, no último dia do evento, o painel “Tendências do Mercado de Saúde”, que fez parte da programação do I Simpósio de Qualidade e Gestão de Clínicas do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).

Participaram do debate Ademar Paes Junior, membro do Conselho de Administração da Abramed e presidente da Clínica Imagem; Valdair Francisco Muglia, presidente do CBR; Marcos Queiroz, diretor suplente do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein; e Marcelo Rodrigues de Abreu, diretor do SIR – Serviço Integrado de Radiologia. A moderação foi de Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e de Luiz Ronan Souza, diretor do CBR.

Paes Junior iniciou com um panorama da saúde no Brasil, mostrando que estamos passando pelo fim do bônus demográfico, ou seja, até 2020 a população dependente era menor do que a ativa, período que proporciona ao país crescer, gerar riqueza e estruturar os serviços de saúde e a previdência, já que mais pessoas no mercado de trabalho geram mais tributos para financiar tanto o SUS quanto a saúde suplementar. “Agora, a população dependente está voltando a crescer, especialmente devido ao aumento da idade média, e o mercado não tem indicado tendência de conseguir absorver essa população com mais idade”, expôs. 

Segundo Paes Junior, o grande problema da saúde brasileira é a despesa per capta em dólar por poder de qualidade de compra. O valor é muito baixo comparado com os investimentos em saúde. “Se quisermos ser um país desenvolvido, precisamos aumentar o investimento e a participação no PIB para 16%, que hoje é de 9,6%. É importante contar com esforços públicos e privados para estimular esse movimento”, disse, acrescentando que o mercado de saúde é favorável em termos de fluxo de capital, o que é uma tendência para seu crescimento e desenvolvimento. 

Os principais desafios enfrentados no setor hoje no Brasil são: envelhecimento da população, aumento dos custos acima da inflação, regulação complexa e judicialização, fatores que levam ao aumento da taxa de sinistralidade e a uma menor rentabilidade do negócio, por isso é fundamental pensar em soluções para mitigar esses problemas. “Embora tenhamos muitos desafios, o setor da saúde tem as maiores possibilidades de ser protagonista dentro da economia”, disse Paes Junior.

Uma das soluções para vencer esses desafios é usar a tecnologia, que pode ser dividida em três grupos: saúde digital (realidade virtual, robótica, telemedicina e wearables), saúde de precisão (com grande destaque para a biologia molecular) e big data & analytics (machine learning, inteligência artificial e blockchain). A adoção dessas ferramentas conduz à melhoria da performance do sistema. 

Por sua vez, Milva salientou a questão da geração de dados de saúde fora dos hospitais e centros médicos, por meio de aplicativos e softwares que monitoram o indivíduo o tempo todo. “Na última pesquisa com associados da Abramed, dois itens chamaram a atenção: aumento expressivo no número de aplicativos utilizados pelos pacientes e aumento dos softwares de gerenciamento. Qual é o impacto dessa tecnologia e da inteligência artificial tanto na jornada do paciente quanto para o prestador de serviço?”, questionou.

Queiroz vê com bons olhos esse movimento, pois as pessoas estão se colocando como protagonistas do seu cuidado à saúde, fazendo o próprio gerenciamento. “Elas estão se sentindo mais empoderadas, sem esperar que um terceiro faça isso por elas. Na pandemia, inclusive, o número de usuários de planos de saúde aumentou, o inverso do que se esperava”, comentou.

Já Abreu lembrou que o desperdício de dinheiro é o principal problema da saúde mundial e, portanto, a coleta de dados tem grande benefício financeiro ao colaborar para a prevenção de doenças, evitando gastos com tratamentos para casos já avançados. “Os planos de saúde estão de olho nos aplicativos e bancos de dados, pois querem reduzir os custos de qualquer forma. Nós que somos médicos, sabemos que há muito desperdício no setor, com cirurgias e exames desnecessários, mas é preciso tomar cuidado com o vazamento de dados”, disse. 

Neste tópico, entrou em discussão a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), cujo objetivo é proteger a sociedade, como ressaltou Muglia. “Pode ser que uma operadora de saúde tenha acesso a um dado que indique histórico familiar de câncer, negando o acesso do indivíduo como beneficiário. Ou seja, o big data pode ser usado para o bem ou para o mal, por isso, é necessária a regulamentação. Para isso, é importante a união de entidades que tenham afinidades, pois o mercado é bastante competitivo”, ressaltou. 

A preocupação com o vazamento de dados é importante, mas os benefícios com a disponibilização dessas informações precisam ser considerados. Segundo foi apresentado no painel, vale a pena o risco de acordo com o benefício oferecido, a exemplo do que acontece no setor bancário com relação ao capital das pessoas e à confiança depositada nas administradoras. As empresas da cadeia de saúde terão de mostrar claramente como a sociedade poderá ser beneficiada ao ceder seus dados, já que eles podem ajudar na melhoria de políticas públicas, além de colaborar para a redução de reajuste no caso de planos coletivos empresariais, ao permitir a gestão mais adequada da demanda. Como mostrou o debate, a LGPD precisa de revisão e reajuste, mas o caminho está sendo traçado. 

Milva lembrou que é fundamental ter em mente quem é o proprietário do dado: o paciente. “As operadoras de planos de saúde são as mais interessadas no gerenciamento dos dados, pois isso permite a redução da sinistralidade, bem como aplicar o recurso certo no local certo. Ao mesmo tempo, vemos por parte delas uma posição de proprietária do dado, o que não é verdade. Os profissionais, quando geram esses dados dentro de suas entidades, precisam ter isso claro”, apontou.

A diretora-executiva da Abramed salientou que a LGPD veio para normatizar esse setor, sob regulamentação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). “Mas ela não é especialista em saúde, cabe a nós, que atuamos na área, orientar a entidade sobre as peculiaridades do setor.”

Em relação ao uso da inteligência artificial, ficou bem claro que ela não vai substituir o profissional de saúde. De acordo com as discussões no painel, o papel do profissional na prevenção de doenças vai ser cada vez maior, com o diferencial de ser baseado em dados bem estruturados e bem coletados.

Outro assunto colocado em pauta foi a redução de exames de imagem, em razão da pandemia. A tendência, agora, é de crescimento, motivado tanto por exames represados quanto pelo aumento da preocupação das pessoas com a própria saúde. Ainda, a relação entre número de empregos formais e a quantidade de vidas no plano de saúde influencia na quantidade de exames na saúde suplementar. No SUS, há outras questões; apesar da sobreoferta de alguns exames, existem aqueles que estão muito aquém da necessidade. Nesse ponto, convém criar estratégias que favoreçam o crescimento da oferta de exames de imagem dentro do sistema público.

Em outubro, Abramed participa do 54º Congresso da SBPC/ML

Associação terá estande institucional e o presidente do Conselho de Administração coordenará mesa-redonda sobre a revisão da RDC 302, da Anvisa. 

De 4 a 7 de outubro, em Florianópolis/SC, acontecerá o 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica Medicina Laboratorial, promovido pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) marcará presença no evento com estande institucional e participação na programação.

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, será o coordenador da mesa-redonda “Revisão da RDC 302: o que podemos esperar?”, que ocorre no dia 5 de outubro. Como palestrante, a participação de um diretor da Anvisa – cujo nome ainda não foi divulgado pela organização do evento –, e, como debatedores estarão Fábio Brazão, presidente SBPC/ML; Maria Elizabeth Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC); e Edgar Garcez Junior, conselheiro titular do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM).

A norma publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dispõe sobre o regulamento técnico para funcionamento de laboratórios clínicos e visa definir os requisitos necessários para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial públicos e privados que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e citologia.

A RDC 302 abrange diversas instruções para a realização dos procedimentos laboratoriais, desde as etapas de coleta, armazenamento e esterilização, até questões de infraestrutura e recursos humanos. Por isso, estabelece um padrão de qualidade para os serviços laboratoriais, garantindo a biossegurança bem como evitando erros e riscos em seus laudos, o que faz sua revisão ser fundamental para a atualização e o posicionamento do setor laboratorial.

A programação completa e o caminho para inscrições estão disponíveis em: http://www.cbpcml.org.br/.

Sobre o evento

Após dois anos no formato virtual, o 54º Congresso da SBPC/ML ocorrerá de forma presencial, na capital catarinense, Florianópolis. O tema deste ano é “A Patologia Clínica/Medicina Laboratorial como Protagonista no Apoio à Decisão do Diagnóstico”. O evento reúne, em média, 4,2 mil participantes entre congressistas, visitantes, palestrantes e expositores do Brasil, da América Latina, dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. 

A programação científica começa no dia 3 com cursos pré-congresso, e, a partir do dia 4, serão mais de 100 atividades entre conferências, mesas-redondas, cursos, encontros com especialistas, workshops, casos clínicos, entre outras – apresentadas por palestrantes brasileiros e estrangeiros. Haverá também lançamentos de publicações técnicas voltadas aos profissionais da área laboratorial.

Em Congresso Alliar, presidente do Conselho de Administração da Abramed palestrou sobre o mercado de saúde no país

Wilson Shcolnik ressaltou o papel da entidade, apontando também desafios e oportunidades do setor

Para apresentar o panorama do mercado de saúde no Brasil, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi convidado a palestrar no primeiro Congresso Alliar – Alliados para Gerar Valor. Realizado no dia 19 de agosto, de forma on-line e gratuita. O evento é uma iniciativa do Grupo Alliar, um dos maiores players de medicina diagnóstica do país.

Shcolnik começou ressaltando o papel da Abramed, cujas associadas realizam cerca de 60% do volume de exames na saúde suplementar no Brasil. Ele também mostrou a importância do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, publicação anual que traz um panorama do setor de medicina diagnóstica nacional, consolidando indicadores que contribuem para a visibilidade do setor e a tomada de decisões nas instituições. 

Entrando no tema, apontou as principais causas de morte de países de renda média-alta: doenças arteriais coronarianas, derrame cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica, cânceres de traqueia, brônquios e pulmões, infecções do trato respiratório inferior, diabetes mellitus, cardiopatia hipertensiva, mal de Alzheimer e outras demências, câncer de estômago e acidentes rodoviários.

“Muitas dessas doenças precisam ser diagnosticadas com base em informações de exames laboratoriais ou de radiologia e diagnóstico por imagem e, ainda, no caso dos cânceres, por meio de exames de anatomia patológica. Por isso, eles são fundamentais tanto para o diagnóstico quanto para a indicação do tratamento e seu gerenciamento”, ressaltou Shcolnik.

Ele mostrou números da pesquisa IMS Report 2003, apontando que 94% dos dados contidos em prontuários médicos são obtidos de laboratórios clínicos e que entre 60% e 70% das decisões clínicas são baseadas em resultados de exames laboratoriais. Esses exames também influenciam diretrizes e protocolos, que orientam as práticas médicas. “Por fim, 23% de diferentes doenças vêm sendo associadas à medicina personalizada, ou seja, as informações laboratoriais acabam definindo o tratamento e, indiretamente, o custo da assistência à saúde. E isso é uma contribuição positiva do setor”, expôs o presidente do Conselho de Administração da Abramed.

No entanto, como os dados de saúde são obtidos por diferentes dispositivos, surgiu um grande desafio: unificá-los e transformá-los em informações que possam ser úteis para o cuidado ao paciente. A inteligência artificial e o machine learning são dois exemplos de ferramentas inovadoras que vêm sendo usadas nos laboratórios clínicos, na radiologia e no diagnóstico por imagem para apontar as prioridades no tratamento. 

Falando em desafios setoriais, Shcolnik citou a contenção dos desperdícios, pois sabe-se que no mundo todo os recursos disponíveis para o sistema de saúde são insuficientes. “Como empresas de medicina diagnóstica, podemos contribuir fazendo o gerenciamento do uso dos exames, explicando aos médicos em quais situações esses documentos podem ser úteis e em quais não trarão nenhum valor para a assistência à saúde”, disse.

Outro desafio é a incorporação de exames ao sistema de saúde. “Atualmente existem inúmeros marcadores laboratoriais e sofisticados exames de imagem que devem ser disponibilizados à população brasileira. Os órgãos reguladores precisam estar cientes do valor que eles podem trazer para o desfecho assistencial”, comentou Shcolnik.

Também está entre os desafios a participação do setor na discussão sobre novas formas de remuneração. “O modelo utilizado atualmente, baseado no volume de serviços realizados, é considerado inapropriado e vem sendo discutido no mundo todo. Esse modelo é criticado porque acaba estimulando a maior realização de procedimentos. Cabe a nós ajudar a buscar uma melhor forma de remuneração”, apontou.

Shcolnik considera mais um desafio inserir o setor de medicina diagnóstica no movimento mundial de transformação digital, que também chegou à saúde. Exemplos disso são a telemedicina e a terminologia Loinc, que se refere a exames laboratoriais e permite a troca de informações padronizadas e qualificadas.

“Monitorar a qualidade e o desempenho já é um desafio antigo, com grande importância dentro da Abramed, pois as empresas só podem se tornar associadas se estiverem certificadas em relação à sua qualidade”, acrescentou.

Os outros desafios citados foram as questões éticas, que vêm demandando a elaboração de códigos de conduta, e as situações externas exclusivas do país, como a reforma tributária, cuja discussão ainda não amadureceu.

Shcolnik aproveitou para, mais uma vez, comentar informações, referentes aos desperdícios em exames, que não têm nenhuma base científica. “Infelizmente, temos raras oportunidades de nos defendermos. Na verdade, a porcentagem de exames não acessados nos laboratórios por médicos nem por pacientes não é 30%, nem 50%, como divulgado, mas sim menos de 5%, com base em uma pesquisa feita com nossos associados. Claro que esses desperdícios devem ser combatidos, mas os números precisam estar de acordo com a realidade”, expôs.

Também comentou do desafio regulatório, pois é necessário atender às normas tanto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Em relação às oportunidades, Shcolnik apresentou algumas situações em que a Abramed pode atuar. “Como muitos sabem, o sistema de saúde brasileiro é muito fragmentado, na área pública e na área privada. E uma solução é a formação de um ecossistema que possa contar com a participação das empresas de medicina diagnóstica, sendo um dos agentes ou formando um ecossistema próprio para ser oferecido à população”, disse.

Segundo ele, existem muitas vantagens nesse ecossistema, desde conduzir a jornada do paciente até organizar os custos produzidos dentro de cada uma das partes. “Existe oportunidade para redução de custo e produção de escala para gerar economia, portanto é uma iniciativa que precisamos estudar e avaliar.”

Outra informação que levou aos participantes do evento foi a iniciativa do governo brasileiro para integrar dados. Ele citou que dentro do DataSUS há a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que visa à interoperabilidade e à troca de informação, de modo também a trazer economia para o sistema de saúde.

Shcolnik finalizou destacando, ainda, as consolidações, que têm merecido atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), bem como as oportunidades das parcerias público-privadas, já que os recursos são limitados e demandam soluções criativas para oferecer assistência à população.

O Congresso Alliar contou com apresentação de Isabella Tanure e Gustavo Meirelles, respectivamente conselheira e diretor médico da companhia, e com palestra do presidente do Conselho, Nelson Tanure, sobre o tema “Grupo Alliar – Visão de Futuro”.

Entre os palestrantes também estiveram Claudio Lottenberg, Presidente Institucional do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), que falou sobre as oportunidades e os desafios no setor de saúde; Karla Maciel, Vice-Presidente Administrativa Financeira da Alliar, que abordou o cenário macroeconômico do Brasil; Fabrício Machado, Diretor da Prevent Senior, que enfocou a saúde digital; e Augusto Antunes, Diretor do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Inovação (NEPIA) da Alliar, que discorreu sobre inovação em saúde.