Retrospectiva 2022: Empenho e dedicação da Abramed em um ano de transformações no setor da saúde

Entidade acredita em seu papel de influenciar o mercado na defesa de comportamentos éticos e transparentes, vitais para a evolução e a sustentabilidade do sistema de saúde

Nas palavras da diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, o ano de 2022 foi “de transformações e impactos para o setor da saúde”. Muitas foram as contribuições e conquistas pelo empenho e atuação da entidade nos últimos 12 meses, nas quais destacam-se o envolvimento em temas como RDC 302; Piso de Enfermagem e telemedicina, entre outros.

“A Abramed participou ativamente da revisão da RDC 302, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre o regulamento técnico e visa definir os requisitos necessários para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial públicos e privados que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e citologia. Reconhecemos o empenho e cuidado da Anvisa na atualização da norma e nosso objetivo foi de contribuir, trazendo clareza sobre os impactos na segurança do paciente com as modificações propostas”, frisou Milva.

Em maio, quando aprovado o PL 2.564/2020, que fixava o piso salarial da enfermagem, a Abramed se manifestou favorável à valorização dos recursos humanos desta profissão, mas entendendo que esse caminho deveria ser percorrido com sustentabilidade.

Outras ações enfatizadas por Milva foram a atuação da entidade na construção da Agenda Regulatória da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a criação do Fórum de Proteção de Dados; e o desenvolvimento de um planejamento estratégico para atuação e expansão da entidade nos próximos cinco anos.

O Fórum Permanente do Setor de Saúde em Proteção de Dados e Privacidade, lançado em agosto, em Brasília, trata-se de uma coalizão em caráter permanente composta de associações, federações e confederações representativas do setor de saúde, cuja missão é debater e fomentar os temas envolvendo Privacidade e Proteção de Dados, inovação e tecnologia para o segmento, além de preparar a proposta de autorregulação do setor.

Com a Abramed, integram o Fórum a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para a Saúde (Abraidi), Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Associação de Planos Odontológicos (Sinog), Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

“Esse Fórum nasceu da necessidade do setor de saúde de trabalhar, eventualmente, em uma autorregulação regulada, já que é um segmento muito sensível, que lida com dados sensíveis, e, simultaneamente, traz vários stakeholders, desde o hospital, que presta assistência beira-leito, até as entidades de medicina diagnóstica, como a Abramed; as operadoras, que trabalham com os dados; e as Santas Casas, que lidam muito com dados públicos. Em determinado momento, entendemos ser necessário tentarmos, em alguns temas críticos, buscar convergir entendimentos”, explicou Milva.

Como resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2021, a Abramed no início deste ano apresentou o seu novo posicionamento estratégico. O projeto, que conduzirá as ações da entidade nos próximos cinco anos, teve como foco a dinâmica setorial, que tem mudado bastante nos últimos anos, a visão dos associados com relação à entidade, bem como os desafios e oportunidades para a medicina diagnóstica. Entre os objetivos estão o fortalecimento, aumento da representatividade, pluralidade e oferta de valor da entidade para seus associados.

“A Abramed tem um olhar para o futuro, influenciando os caminhos da saúde no Brasil. Somos um agente influenciador e pretendemos manter a nossa contribuição constante para uma mudança setorial que envolva maior compartilhamento e maior integração dos elos da cadeia,” salienta Milva.

Em 2022, a entidade finalizou a implantação da reestruturação de seus dez comitês, com representantes dos associados, para deliberar sobre as agendas propositivas, com atuação em três eixos: benchmarking de boas práticas; desenvolvimento de conteúdos de valor; e desenvolvimento de projetos aplicados.

“Acreditamos no nosso papel de influenciar o mercado na defesa de comportamentos éticos e transparentes, vitais para a evolução e a sustentabilidade do sistema de saúde e em benefício da população que busca os serviços essenciais que o setor fornece e queremos gerar cada vez mais valor para nossos associados e para a sociedade”, afirma Milva.

Em um ano de retomada dos eventos presenciais, a diretora-executiva relembra a sexta edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, organizado pela Abramed, e realizado pela primeira vez em formato híbrido, com transmissão ao vivo, discutindo assuntos relevantes sob a temática central “A Medicina Diagnóstica na Disrupção da Saúde”. “Foi um reencontro marcante, com debates necessários para o melhoramento e desenvolvimento do setor da Saúde e da Medicina Diagnóstica nos próximos anos. Um verdadeiro sucesso”, destaca.

A Abramed participou ainda de importantes eventos do setor, entre eles: Hospitalar; JPR – Jornada Paulista de Radiologia; FIS Week; Congresso Brasileiro de Análises Clínicas; Diálogos Digitais Abramed; FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde; CBR – Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem; Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial; Global Summit Telemedicine & Digital Health; Debates Fenasaúde, e Saúde Business Fórum.

Durante a Hospitalar 2022, a Abramed participou da cerimônia de criação de área dedicada à medicina diagnóstica na feira. O espaço, que concentra as soluções e as inovações para laboratórios, diagnóstico e análises clínicas, surgiu para atender a crescente demanda dos visitantes por produtos relacionados à área. Nesta primeira edição, já foi um sucesso absoluto, reunindo 30 empresas.

Confraternização

A Abramed promoveu um jantar que reuniu membros do Conselho de Administração, Conselho Fiscal, líderes dos comitês, associados e parceiros para brindar o encerramento de 2022, ressaltar as conquistas e realizações e reafirmar o empenho da entidade em prol do setor de medicina diagnóstica no próximo ano.

“O nosso setor de medicina diagnóstica continua muito pujante. Novas metodologias são desenvolvidas, a indústria nos disponibiliza aqui no Brasil muitas inovações e novos exames são oferecidos aos médicos e aos nossos pacientes. O segmento tem demonstrado um crescimento ano a ano. Um estudo publicado essa semana, realizado por dois centros de pesquisa da Universidade Johns Hopkins, sintetizou pesquisas realizadas ao longo de 20 anos sobre os erros diagnósticos, revelando que 5,7% de pacientes atendidos em prontos-socorros, em vários países, recebem diagnóstico incorreto, e desses, 2% são vítimas de eventos adversos, ou seja, sofrem danos por conta disso”, comentou Shcolnik.

O presidente do Conselho de Administração prosseguiu ressaltando que o valor do trabalho, que é realizado por profissionais da área, muito qualificados, se reflete em um apoio diário oferecido aos médicos, quer seja na prevenção, no diagnóstico, na definição e gerenciamento de tratamentos.

“O compromisso da Abramed, firmado há anos, que é de conhecimento público, permanece intacto. Defendemos o uso racional de exames, a sustentabilidade do sistema de saúde, do qual todos somos parte, e a integridade e o acesso da nossa população a serviços de saúde de qualidade”, garantiu Shcolnik.

Abramed divulga dados atualizados sobre exames de covid-19 e mpox

Número de exames de covid-19 reduziu, mas positividade ficou estável, já a positividade em exames de mpox caiu 69,6% em novembro

O número de exames de covid-19 realizados na semana de 3 a 9 de dezembro de 2022 (48.881) caiu 15,8% em relação à semana anterior, 26 de novembro a 2 de dezembro (58.058). Já a taxa de positividade caiu de 39,8% para 38,4%, uma redução de 1,4 ponto percentual. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), cujos associados respondem por cerca de 60% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país.

Apesar da ligeira queda, a taxa de positividade pode ser considerada estável nas últimas cinco semanas (de 5 de novembro a 9 de dezembro), variando apenas entre 2,7 pontos percentuais no período.

Já no acumulado do ano, até 9 de dezembro, foram realizados pelas associadas aproximadamente 4,3 milhões de exames. Esse número representa uma redução de cerca de 60% em relação a 2021, quando foram realizados aproximadamente 11 milhões de exames. No entanto, a taxa de positividade em 2022 (35,9%) é mais alta do que a de 2021 (30,5%) em 5,4 pontos percentuais. O resultado pode ser atribuído, entre outros fatores, ao maior critério na solicitação dos exames. 

Mpox

No caso da mpox (monkeypox), a taxa de positividade de exames realizados pelas associadas à Abramed, em novembro, caiu 69,6% em comparação a outubro. Foram 20 resultados positivos em novembro contra 66 no mês anterior.  

Com relação ao número de exames realizados em novembro (137), a redução também foi significativa, de 58,7%, comparando com outubro (332).

O acompanhamento dos exames de mpox pela Abramed começou em primeiro de julho de 2022. Desde então, foram realizados 1.425 exames, com positividade de 26,2%.

Contribuições Científicas da Medicina Diagnóstica: o que evoluiu?

Os métodos de sequenciamento de nova geração na área diagnóstica deram um salto, impulsionados pela pandemia

A medicina diagnóstica vem ganhando cada vez mais protagonismo e não foi diferente em 2022. A área foi indispensável para a gestão de casos de covid-19, em suas mais variadas cepas, e também de outras doenças, como a mpox (monkeypox, ou varíola dos macacos).

“Iniciamos 2022 ainda com muitos casos de covid-19, gerando grandes incertezas. No entanto, ao longo dos meses, os casos diminuíram e entramos num período de menos registros graves, em comparação a 2020 e 2021. Por outro lado, houve picos de outras doenças respiratórias, como influenza, H3N2 e H1N1”, analisa o diretor científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e coordenador médico do Laboratório de Biologia Molecular do Hospital Israelita Albert Einstein, André Doi.

Um ponto de evolução neste ano, ainda segundo Doi, são os métodos de sequenciamento de nova geração na área diagnóstica. “Estamos caminhando no campo de medicina de precisão, por exemplo, na área oncológica, usando a técnica para caracterizar genomicamente diferentes tipos de câncer e tratar o paciente de maneira personalizada, com terapias específicas. Isso já existia antes, mas foi consolidado em 2022”, explica.

O método de sequenciamento de nova geração também deu um grande salto na área de doenças infecciosas, impulsionado pela covid-19. Por exemplo, a metagenômica – que consiste em colher uma amostra do paciente e fazer uma varredura de todos os agentes etiológicos que podem estar causando essa infecção – permite não só o diagnóstico de doenças conhecidas, como também de doenças raras, de baixa ocorrência e doenças novas.

Outra questão importante relacionada ao método foi viabilizar o sequenciamento de todos os patógenos. No caso do vírus SARS-CoV-2, isso possibilita entender os picos de casos e as mutações que ocorrem, permitindo caracterizar os tipos de variantes, como Ômicron e Delta.

Além de cânceres e doenças infecciosas, há marcadores genômicos também para doença de Alzheimer e outros tipos de doenças em diversas especialidades. “Cada vez mais a técnica está sendo divulgada e utilizada, e as pessoas estão tendo mais conhecimento sobre ela. “A medicina genômica entrou em pauta em 2022 e promete crescer muito em 2023”, expõe Doi. 

Vale lembrar que o uso da tecnologia de sequenciamento genômico é restrito, devido ao alto custo dos equipamentos, no entanto, todos os LACENs (Laboratório Central de Saúde Pública) serão equipados com sequenciadores de nova geração para fazer esse tipo de exame. “Os laboratórios públicos que não têm a tecnologia poderão encaminhar amostras para esses laboratórios no caso de doenças infecciosas ou mesmo para caracterização de cepas de vírus circulantes, como SARS-CoV-2 e variantes. Isso representa um grande avanço, pois como há LACENs em todos os estados, as instituições de saúde públicas, de alguma maneira, terão acesso a essa ferramenta”, conta Doi.

Com relação à pesquisa, o diretor científico da SBPC/ML destaca um ramo que tem evoluído e que representa uma grande inovação tecnológica: o transplante de fezes, já utilizado há alguns anos para tratamento de infecções refratárias a tratamentos. Ele cita casos de pacientes com a bactéria Clostridium difficile, causadora de inflamação no intestino e diarreia aguda, que não melhoram com o uso de antibióticos, apenas com o transplante de fezes.

A técnica consiste em retirar todo o microbioma do paciente doente e colocar o de um paciente saudável. “Há estudos sobre o papel do microbioma intestinal na saúde e na doença, inclusive existem bancos de fezes de pacientes saudáveis para tratar infecções por essa bactéria, o que seria inimaginável antigamente. O Food and Drug Administration (FDA) aprovou alguns tratamentos relacionados com transplante de microbioma nos Estados Unidos, então, isso logo vai chegar no Brasil”, adianta Doi.

O médico patologista clínico, gestor regional do Grupo Sabin e diretor do Comitê de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, destaca também que os laboratórios de análises clínicas estão bastante sintonizados com avanços tecnológicos, com relevantes contribuições de informática e inteligência artificial. Chama atenção, ainda, o uso de drones para o transporte de amostras de exames.

“Na fase pré-analítica, tem-se utilizado desde aparelhos para fazer aliquotagem, distribuição de amostras até drone para transporte de material em locais próximos, encurtando o tempo de entrega de exames, muitas vezes imprescindíveis. Quando o médico tem um resultado mais ágil, mais rápido ele pode tomar uma decisão, refletindo em ganho para o paciente. Com isso, o desenvolvimento da medicina diagnóstica será mais voltado para utilização de novas tecnologias e conhecimento das doenças, da fisiopatologia que permite o desenvolvimento e o lançamento de novos exames, novas pesquisas, material genético, metabólicos. Tudo isso trará subsídios para o clínico fazer o diagnóstico e ter uma atuação mais correta, o que chamamos de medicina personalizada”, reforça Galoro.

Em 2022, Snibe investiu mais de US$ 3 milhões em pesquisa e desenvolvimento

Há cinco anos no Brasil, a empresa chinesa especializada em equipamentos e reagentes de diagnóstico in vitro é a nova parceira institucional da Abramed. Jane Peng, gerente geral da companhia no território brasileiro comenta sobre atuação, crescimento e perspectivas

A Abramed acredita que a união de habilidades, conhecimentos e propósitos, além de aumentar a visibilidade para ambas as marcas, possibilitando um alcance mais abrangente, é também uma forma de alavancar o desenvolvimento de projetos visando o aprimoramento do setor de medicina diagnóstica. É neste cenário que a entidade anuncia a Snibe como nova parceira institucional.

Fundada em dezembro de 1995, na China, a empresa é especializada em equipamentos para laboratórios clínicos e reagentes de diagnóstico in vitro, sendo pioneira na utilização de “microesferas imunomagnéticas” avançadas como o principal material de separação do sistema. Inovou também na utilização de “compostos orgânicos moleculares sintéticos pequenos” avançados, ao invés de enzimas tradicionais, como marcadores luminescentes para aplicação da tecnologia de imunoensaio de quimioluminescência direta, realizando a produção em massa de instrumentos totalmente automáticos.

Em entrevista exclusiva para a newsletter Abramed em Foco, a gerente geral da Snibe no Brasil, Jane Peng, fala da atuação da companhia, as perspectivas para 2023 e sobre a ampliação do alcance no mercado nacional.

Confira o bate-papo na íntegra.

Abramed em Foco – Quais foram os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação que a Snibe promoveu em 2022?

Jane Peng – Temos foco em imunoensaio de quimioluminescência há 28 anos, nunca paramos de investir em pesquisa e inovação. Em 2022, a Snibe investiu mais de US$ 3 milhões em P&D e nossa nova sede estará pronta em janeiro de 2023.

Abramed em Foco – E quais são as perspectivas da companhia para 2023? Há potencial para crescimento?

Jane Peng – Estamos com meta de aumentar mais de 35% em comparação com 2022. Prevemos ampliar mais para a nova linha de produtos com profissionais.

Abramed em Foco – Tecnologia e qualidade também estão entre os principais investimentos da Snibe. Comente sobre como esses aspectos fazem a diferença no mercado.

Jane Peng – A Snibe possui 28 anos de foco no desenvolvimento de equipamentos de laboratório clínico e reagentes de diagnóstico in vitro visando os recursos humanos. Um novo equipamento e dez novos parâmetros são lançados a cada ano e atendem à demanda do mercado. Continuamos trabalhando com parceiros como Thermofisher e HITACH no sistema TLA para lançar nosso Produto Total de Automação Laboratorial.

Abramed em Foco – Para a Snibe, qual o papel da indústria na ampliação de acesso da população a exames de qualidade e na implementação de ações que promovam melhorias aos processos já estabelecidos?

Jane Peng – O sistema de gerenciamento de qualidade Snibe é estabelecido com base na ISO 9001 e ISO 13485, integrando os requisitos dos regulamentos GMP na China, União Europeia, Estados Unidos, Brasil e Coreia.

Nos concentramos no controle de qualidade do processo de produção, estabelecido com base nas características do produto e pontos de controle de processo adequados e apropriados. Além do controle de qualidade, na fabricação, também projetamos controles de qualidade no kit para colaborar na melhor experiência do usuário.

A Snibe está sempre atenta aos itens de teste realizados pelas reconhecidas organizações de EQA (sigla em inglês para avaliação externa da qualidade), como Comissão Nacional de Saúde da China, Centro de Dados de Reumatismo Chinês, BIO-RAD, Randox, Colégio Real de Patologistas da Australásia (região que inclui a Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia) e Colégio de Patologistas Americanos, para estabelecer um plano anual de controle de qualidade.

Abramed em Foco – A pandemia de covid-19 trouxe uma necessidade emergencial de otimizar os processos de diagnóstico a fim de expor o paciente ao menor risco possível. Quais os caminhos para que se consiga tornar os exames mais eficazes, especialmente no setor de análises clínicas?

Jane Peng – A Snibe fornece os testes CLIA de painel completo para anticorpo e antígeno SARS-CoV-2, que podem ser detectados em nosso analisador CLIA mais rápido MAGLUMI X8, que tem alto rendimento de até 600 testes por hora para atender às altas necessidades e melhorar a eficiência do laboratório. Além disso, fornecemos teste rápido de antígeno SARS-CoV-2 e teste RT-PCR para ajudar no diagnóstico de Covid-19.

Recentemente, lançamos o analisador de PCR digital Molecision S6, que é uma solução única para quantificação absoluta para o RT-PCR. Ele divide a amostra de ácido nucleico de entrada em dezenas de milhares de gotículas do tamanho de nanolitros e a amplificação por PCR das moléculas modelo ocorre em cada gotícula individual. Ao analisar cada gota, a fração de gotas positivas para PCR na amostra original pode ser determinada, concluindo, assim, a concentração do molde de DNA alvo na amostra original.

O analisador integra funções de geração de gotículas, amplificação de PCR, fluorescência de quatro cores, detecção e análise de dados. E a detecção geral leva apenas duas horas sem a necessidade de trabalho manual tedioso.

Desenvolvemos o sistema totalmente automático de Bioensaios E6, para substituir a operação manual. O teste de cálcio ionizado mede apenas a forma livre e metabolicamente ativa pelo método de eletrodo seletivo de íons. Pode refletir melhor o estado metabólico do cálcio no corpo do que o cálcio total.

Temos o SISTEMA TCA de personalização de laboratório com fácil adição de módulos novos ou existentes para mais funcionalidades., compatível com analisadores totalmente automáticos de outros fabricantes.

Abramed em Foco – Como a empresa avalia sua participação no mercado brasileiro?

Jane Peng – A Snibe entrou no mercado brasileiro há cinco anos e ganhamos o apoio de clientes, distribuidores e parceiros. Estamos orgulhosos de nossos produtos, pois muitos clientes se beneficiam de nossa boa qualidade, portfólio mais amplo e excelente serviço.

Com novas linhas de PCR, Bioquímica, Eletrólitos e Linha de Testes Rápidos, nossa equipe está crescendo no Brasil. Até agora, ainda somos tão jovens no país, então esperamos aprimorar com novos parceiros e novos clientes também. Continuaremos aperfeiçoando a qualidade de nossos serviços para o mercado brasileiro.

Abramed em Foco – Sob a ótica da empresa, quais os principais pontos de atenção para o futuro da medicina diagnóstica?

Jane Peng – A atenção principal está voltada para o pioneirismo global no campo de diagnóstico in vitro (com um serviço completo, de melhor qualidade e de crescimento conjunto com nossos parceiros no Brasil) e na liderança de participação no mercado nos próximos cinco anos.

Abramed em Foco – Como a Snibe enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Jane Peng – A Abramed é muito importante para cooperar com marketing profissional e compartilhar as notícias globais com o sistema médico em diagnóstico in vitro. Esperamos trabalhar junto com a entidade para expandir nossa cooperação no Brasil, tendo chances de mostrar nosso sistema de atualização e intercâmbio com os líderes para o campo de laboratórios diagnósticos.

Do diagnóstico à prevenção: como os exames de sequenciamento genético contribuem para a medicina

Eles permitem a adequação personalizada do tratamento com base no background genético do indivíduo e de sua doença

A avaliação genética com fins diagnósticos ou preventivos tomou um grande impulso nos últimos 10 anos, principalmente com o advento de uma tecnologia chamada sequenciamento de nova geração, conhecida como NGS (Next Generation Sequence).

O NGS tornou o custo de sequenciamento do material genético em laboratórios mais acessível e aumentou a velocidade do procedimento, possibilitando a utilização da informação em testes clínicos. “Podemos dizer que essa área se delineou a partir do uso mais maciço dessa tecnologia genômica”, explica Cristóvão Mangueira, membro do Comitê de Análises Clínicas da Abramed e diretor de Medicina Laboratorial do Hospital Israelita Albert Einstein.

Importante ressaltar que genômica não é o mesmo que genética. Genética é a disciplina médica mais tradicional, e a genômica é basicamente a aplicação do NGS na composição de painéis de testes genéticos, com a finalidade de uso na medicina clínica.

Segundo Marcos Queiroz, diretor suplente do Comitê de Radiologia da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Albert Einstein, a genômica está revolucionando a medicina. “Antigamente, o tratamento para um tumor de pulmão, por exemplo, era o mesmo para todas as pessoas acometidas por ele. Com o sequenciamento genético, é possível detectar subtipos e características próprias para aquele indivíduo, fazendo com que o tratamento seja diferenciado. Cada lesão tem sua característica, e o sequenciamento genético permite identificar e entender se há um tratamento específico”, explica.

O sequenciamento também é importante no desenvolvimento de terapias celulares, porque, uma vez conhecido o aspecto característico do tumor, desenvolvem-se terapias que podem ser aplicadas diretamente nele. Além dos benefícios no tratamento oncológico, a genômica tem grande papel preventivo. Já existem check-ups genéticos que permitem estudar o DNA para entender se há algum gene que determine predisposição para determinado tipo de câncer.

Abordagens

Existem várias abordagens e maneiras de usar a tecnologia NGS na medicina, mas Cristóvão as divide em três mais frequentes. Uma envolve o sequenciamento do material genético humano, o DNA, à procura de mutações e variações genéticas que possam estar associadas ao diagnóstico de alguma doença ou à predição de risco ao seu desenvolvimento. Um exemplo na área oncológica é o câncer de mama. “Algumas mutações são identificadas no sequenciamento de genoma, associadas a um risco aumentado de câncer de mama hereditário. Isso pode levar a condutas diferentes na condução da saúde do indivíduo com a mutação”, explica.

Outra abordagem é o sequenciamento de material genético de um câncer já diagnosticado. Por meio de uma biópsia, tira-se um pedaço do câncer ou todo ele, e é feito o sequenciamento genético do material. “Esse procedimento é útil para vários tipos de cânceres, pois é possível individualizar o tratamento, dependendo da mutação genética encontrada. Dessa forma, podemos prever se vale a pena tratar com medicação, quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia”, destaca Cristóvão.

Por essa abordagem, também é possível prever se o paciente terá mais ou menos propensão a efeitos colaterais do tratamento. “Isso é o que chamamos de medicina personalizada, individualizada ou medicina de precisão, que é a adequação do tratamento para um indivíduo com base no background genético dele e de sua doença”, acrescenta o especialista.

A terceira abordagem é a utilização da tecnologia NGS para sequenciar microrganismos. Atualmente é possível estudar completamente a flora bacteriana do intestino fazendo o microbioma, que pode ser útil no tratamento de doenças inflamatórias intestinais, síndromes disabsortivas que levam à diarreia e doenças crônicas associadas com o mau funcionamento do intestino, por exemplo.

No diagnóstico, a tecnologia pode ser utilizada, por exemplo, para fazer sequenciamento total do vírus da covid-19 e identificar as novas variantes, como delta, ômicron, alfa, beta e assim por diante. “Resumindo, podemos usar o sequenciamento genético para diagnóstico de doença, predição de risco de doenças e para sequenciamento de microrganismos que causam doenças”, expõe Cristóvão.

Prevenção

Muito se fala da saúde do futuro, que está mais relacionada a cuidar preventivamente do paciente no contexto de sua saúde do que tratar a doença quando ela chega. Sem dúvida, os testes genéticos fazem parte dessa revolução.

Cristóvão conta, inclusive, que existem várias iniciativas de incorporação do sequenciamento genético no check-up tradicional, ou seja, muito além de exames de sangue, de imagem, físicos e da consulta médica. “Isso possibilita uma análise geral da saúde do paciente e uma visão mais aprofundada do risco para desenvolver doenças no futuro, como câncer, cardiopatias e doenças neurológicas.”

Na área de neurologia, há pesquisas para identificar, a partir do sequenciamento genético, o risco de doenças neuromusculares, neuropatias hereditárias, risco de epilepsia, demência e Doença de Alzheimer, por exemplo.

No caso de doenças cardiológicas, uma das principais aplicações do teste genético é na identificação do risco de morte súbita, pois algumas pessoas não sabem que têm uma doença do coração, acabam sofrendo um mal súbito e vão a óbito. “O teste genético consegue identificar as doenças com antecedência, possibilitando ao médico prescrever medicamentos que previnam a morte súbita, como anticoagulantes ou outros que corrijam o ritmo cardíaco”, diz Cristóvão.

Como são feitos?

Testes genéticos são exames de alta tecnologia que demandam grande investimento nos sequenciadores genéticos, máquinas importadas dos Estados Unidos e China, por exemplo, que chegam a custar milhões de dólares. “Além do investimento nesse parque de equipamentos, os laboratórios e as clínicas de diagnóstico precisam investir em profissionais capacitados, pois não basta um profissional de laboratório comum, sem formação ou com formação generalista; são necessárias pessoas com PhD e treinamento específico na área genética”, conta Cristóvão.

Ele disse que foi incorporado um novo profissional ao laboratório: o bioinformata, profissional que une o conhecimento de TI e de biologia, capaz de desenvolver e utilizar softwares que interpretam dados de sequenciamento, transformando-os em um laudo inteligível para o profissional de saúde. “Atualmente, os laboratórios que trabalham com genômica têm equipes de bioinformática, ou seja, biólogos e biomédicos com formação específica, a maioria com pós-graduação.”

Na prática, a análise pode ser feita em qualquer material que contenha DNA ou RNA, no caso de vírus ou mesmo humano, como sangue ou saliva. Algumas informações oriundas do sequenciamento genético são chamadas de colaterais ou recreacionais, ou seja, não servem para fazer diagnóstico, mas matam a curiosidade das pessoas. Por exemplo, os testes de ancestralidade mostram o percentual de ascendência negra, europeia, indígena ou oriental no código genético da pessoa. No entanto, esse dado não tem nenhuma aplicação prática do ponto de vista médico.

Também é possível fazer sequenciamento de qualquer amostra que contenha células, pois todas têm DNA. Em testes focados em sequenciamento tumoral, que definem tratamento de cânceres, é usada a amostra de tecido tumoral, ou seja, um fragmento do próprio tumor retirado cirurgicamente, que é sequenciado no laboratório.

Análise dos resultados

Para análise dos resultados, a amostra passa por um processo de extração, que é a separação do DNA da amostra. Isso significa que primeiramente é preciso isolar o material genético e depois sequenciá-lo em outro equipamento, o sequenciador.

O resultado são alguns gigabytes ou até terabytes de informações, dependendo da profundidade do sequenciamento de dados brutos. Depois, esses dados são colocados em um software específico que traduz as informações para a linguagem médica clínica. O software vai rastrear os dados e identificar quais são as variações que estejam associadas a doenças. Depois, isso vai para outro sistema, que produzirá um laudo com a informação analisada.

“Não são exames fáceis com resultados que saem de um dia para outro. Geralmente são necessários vários dias ou até semanas para processar uma amostra e gerar um laudo. Esse exame geralmente é feito uma vez só e define o risco de ter alguma doença ou o tratamento específico para uma doença já diagnosticada, não é um exame de rotina”, explica Cristóvão.

Investimento

Para os laboratórios que querem investir nesses exames, Cristóvão diz que o retorno financeiro é difícil, porque o investimento inicial é muito alto, tanto em equipamentos quanto em profissionais qualificados. No caso de um laboratório inserido em sistemas de saúde de alta complexidade, com serviços de oncologia e outros serviços especializados, ele acredita que vale a pena buscar soluções genômicas para incorporar ao portfólio.

“Como o investimento é muito alto, uma tendência mundial é fazer associações entre laboratórios, pois o número maior de amostras viabiliza o retorno financeiro. O Brasil é um mercado de saúde grande e há poucos serviços de genômica privados. Assim, a tendência é que esses serviços se juntem para buscar sustentabilidade. Uma mão lava a outra”, analisa Cristóvão.

Por sua vez, Queiroz acredita que investir em genética é o futuro e que, com o tempo, o valor do aporte vai diminuir. “No entanto, é fundamental investir em educação médica, para que a análise desses resultados seja a mais assertiva possível”, acrescenta. Aliás, segundo ele, também é preciso educar a população em geral, através da divulgação dos benefícios gerados pela medicina genética de precisão.

“É fundamental fazer uma divulgação responsável desse tipo de exame. Por outro lado, vale lembrar que ele não resolve tudo, pois há doenças com fatores ambientais, que dependem da alimentação e de uma série de outros fatores”, finaliza Queiroz.

Texto publicado em: 12/12/2022

Especialistas em ESG compartilham suas experiências em episódio da série #DiálogosDigitais Abramed

Relatório de sustentabilidade, indicadores, metodologias, sensibilização e desafios foram alguns dos temas abordados

“O que ESG tem a ver com a sua saúde?” foi o tema de mais um episódio da série #DiálogosDigitais Abramed 2022, que aconteceu no dia 6 de dezembro, com transmissão ao vivo pelo canal do  YouTube  da entidade. Entre as perguntas respondidas durante o webinar, estiveram: de que maneira o ESG se conecta com a estratégia da empresa; porque ele é importante para o setor de saúde; como estamos e de que forma somos vistos; e quais seus desafios e oportunidades.

Participaram da conversa Lílian Mendes, gerente de ESG e Sustentabilidade da Dasa e membro do Comitê de ESG da Abramed; Meire de Fátima Ferreira, especialista e mentora em gestão de sustentabilidade; e Daniel Périgo, gerente de Sustentabilidade do Grupo Fleury e diretor suplente do Comitê de ESG da Abramed. A moderação ficou a cargo de Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

O conceito de ESG – Environmental, Social and Corporate Governance, sigla em inglês para governança corporativa, social e ambiental, vem ganhando bastante destaque, no entanto, ainda há muito o que evoluir na medicina diagnóstica. “Esse é um tema de grande interesse, mas que tem sido pouco falado no setor. Portanto, convidamos três especialistas que lidam com o assunto diariamente”, iniciou Shcolnik.

Lílian começou destacando a importância do relatório de sustentabilidade, que é um dos principais passos para quem pretende incluir o ESG em sua estratégia de negócio. “Esse relatório provoca uma evolução interna da empresa e traz os stakeholders para mais perto. Independentemente do porte da organização, pode ser implementado com facilidade e aprimorado aos poucos. Cada passo é dado no seu tempo, afinal, estamos falando de uma jornada”, disse.

Ela contou que a Dasa implementou a metodologia da GRI, mantendo a transparência e a reciprocidade com pacientes e stakeholders. A Global Reporting Initiative (GRI) é uma organização sem fins lucrativos que fornece os padrões mais usados ​​do mundo para relatórios de sustentabilidade, os padrões GRI, também chamados de relatórios GRI.

Um dos desafios enfrentados pela Dasa em relação ao tema é equilibrar os três pilares de forma estratégica para que todos tenham o mesmo peso de importância. “Por isso, sempre mantemos metas e indicadores para cada um deles, fomentando os temas de forma equilibrada junto ao Conselho de Administração da empresa. Evidentemente, nosso propósito tem cunho social e ambiental. A governança, pilar muito relevante, acaba permeando os outros dois”, expôs.

Meire, por sua vez, está em transição de carreira, mas compartilhou sua experiência enquanto esteve como gerente executiva de sustentabilidade na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Manter uma organização do porte da instituição, que possui 7 mil colaboradores diretos, em um ambiente regulado, é desafiador. Estrategicamente, o hospital trabalha com uma visão sistêmica muito imbuída no fundamento de Peter Senge, que considera as organizações organismos vivos. Segundo essa perspectiva, é preciso prestar atenção em tudo aquilo que me afeta e que é afetado por mim no ambiente onde estou inserida”, ressaltou.

Vale lembrar que as iniciativas de ESG não são voltadas apenas para grandes companhias. “Qualquer uma, não importa o tamanho, que conseguir pensar nesse impacto socioambiental pode organizar a própria gestão. O setor de saúde é altamente regulado, o S, de social, todas as empresas precisam ter para existir. O A, de ambiental, está conectado com o cumprimento da legislação, mas, é claro, é necessário ir além. Sobre o G, de governança, o simples fato de ter um contrato ou um estatuto social já gera o vínculo. É a governança que vai dar o tom da gestão para que se possam fazer as escolhas”, explicou a especialista.

Em se tratando dos relatórios, Meire afirmou que eles são ferramentas de gestão que ajudam a organizar as ideias, a tomar decisões, a priorizar determinados temas, sempre em função daquilo que a empresa tem mais facilidade em fazer. “Os relatórios permitem às organizações do setor de medicina diagnóstica adotarem uma gestão estruturada de sustentabilidade sem precisarem de uma estrutura muito robusta para isso.”

Falando pelo Grupo Fleury, Périgo citou algumas iniciativas da empresa em consonância com a pauta ESG, como a construção de usinas fotovoltaicas, que têm tornado a matriz energética mais sustentável. “Também atrelamos o programa de remuneração variável a metas de ESG e temos buscado iniciativas sociais mais focadas na ampliação da atenção primária em saúde e no uso de telemedicina, aproveitando os aprendizados da pandemia. Na área de finanças, emitimos uma debênture (título de dívida que gera um direito de crédito ao investidor. Ou seja, ele terá direito a receber uma remuneração do emissor e periodicamente ou quando do vencimento do título receberá de volta o valor investido) para o mercado atrelada a metas de ESG, o que foi algo pioneiro na saúde do país”, contou, ressaltando que o sucesso das iniciativas depende da atuação de todas as áreas da companhia.

Para elaborar seu relatório anual de sustentabilidade, o Grupo Fleury utiliza como metodologias o GRI, o relato integrado, o Sustainability Accounting Standards Board (SASB), ou Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade, e o Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), que diz respeito às questões climáticas.

“O relatório precisa mostrar a atuação integrada da companhia em relação às três letras da sigla. O objetivo é conseguir uma integração cada vez maior entre elas. Na área de saúde, o S ainda sobressai, pois a conexão é direta, embora o social seja o grande desafio das empresas. Importamos de outros países o maior destaque à questão ambiental, mas o Brasil precisa focar mais o social”, analisou Périgo.

Sobre os indicadores, o diretor suplente do Comitê de ESG da Abramed destacou, ainda, que eles permitem visibilidade e autorreflexão. “É o momento de avaliar os ganhos e as oportunidades de melhorias. A partir da análise dos indicadores, é possível trazer ganhos externos e para a companhia”, disse.

Périgo salientou também que o ESG demanda ações de longo prazo. É necessário aprender a desdobrar as metas e os indicadores entre as áreas e os projetos de uma empresa. “Não precisa esperar ter uma grande estrutura para começar a trabalhar com o tema, é possível iniciar com pautas pequenas e evoluir ao longo do tempo, como aconteceu com o Grupo Fleury.”

Sensibilização

Segundo Shcolnik, a sensibilização de colaboradores é sempre um desafio para obter os resultados desejados. Ele questionou os convidados sobre as iniciativas adotadas para atingir o engajamento dos envolvidos. Périgo respondeu que, para criar uma cultura de ESG, é preciso ter conexão com a estratégia e com o core businessda companhia. “Se trabalharmos dissociados disso, essa pauta será sempre secundária”, expôs.

Ele também citou a importância do apoio da direção, porque são necessários recursos para as pautas saírem do papel. “Tivemos dificuldades com a média liderança, o que exigiu um grande esforço de sensibilização”, revelou. O Grupo Fleury aprendeu, ainda, que é fundamental agregar a visão que vem de fora da companhia, ou seja, dos clientes, dos fornecedores e dos órgãos regulatórios. “É preciso conversar com todos os players envolvidos”, disse.

E, falando em outros atores no processo, Périgo lembrou que as operadoras de planos de saúde ainda são um público distante da pauta. “O diálogo com elas precisa avançar, porque há uma série de oportunidades e sinergias entre operadoras e prestadores de serviços”, observou.

Lílian, por sua vez, comentou que, neste mês de dezembro, a Dasa vai lançar a Jornada ESG. Todos os novos colaboradores passarão por ela para conhecer o significado e a importância da sigla, a maneira como a Dasa se posiciona e quais são suas metas, entre outras questões. Para a liderança, a experiência será diferenciada, sendo mais focada em como conectar a estratégia ao negócio e como liderar pessoas. “Não temos resultados ainda, mas isso vai ajudar muito na sensibilização dos colaboradores”, disse.

De acordo com a gerente de ESG e Sustentabilidade da Dasa, a empresa aprendeu a ouvir o que as pessoas, os diversos stakeholders, têm a falar. “Essa escuta é um ponto de partida fantástico, que tem espaço em rodas de conversas e palestras. Companhias de qualquer porte podem fazer isso. O que funciona, de fato, é utilizar as estratégias e sensibilizar.”

Já Meire contou que a BP criou a figura do influenciador, aquele que sempre está disposto a levantar a bandeira do ESG. Ela aproveitou para comentar sobre atores muito importantes no processo: os médicos. “Quando falamos com eles a respeito do assunto, todos conversam no mesmo nível de conhecimento e linguagem. Esses profissionais estão perto tanto dos pacientes quanto das operadoras. Também não podemos nos esquecer dos enfermeiros, essenciais para tocar essa missão tão relevante quando se fala de uma agenda de sustentabilidade.” O episódio completo pode ser visto neste link: https://youtu.be/hbXVmNCzWEM

Texto publicado em: 12/12/2022

Positividade em exames para Covid-19 está estável, mas continua alta, segundo Abramed

De 19 a 25 de novembro, mesmo com o aumento no número de exames em relação à semana anterior, a positividade manteve-se em 41,1%.

A quantidade de exames de Covid-19 realizados nos laboratórios privados associados à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) – entidade que representa 60% do volume de exames realizados na saúde suplementar -, vem crescendo, embora a taxa de positividade permaneça estável nas últimas duas semanas, no alto patamar de 41,1%.

Na semana de 12 a 18 de novembro, o número total de exames realizados chegou a 64.809, com 41,1% de positivos. De 19 a 25 de novembro, mesmo com o aumento na quantidade de exames (79.225), a positividade manteve-se na mesma porcentagem.

Em comparação com as últimas seis semanas, de 15 a 21 de outubro, foram realizados 18.229 exames, com positividade de 8,2%. De 22 a 28 de outubro, dos 18.928 exames realizados, 16,6% deram positivo. Na semana seguinte, de 29 de outubro a 4 de novembro, foram 21.019 exames, sendo 28,8% positivos. Um salto aconteceu de 5 a 11 de novembro, quando o número de exames quase triplicou em relação à semana anterior, chegando a 57.530, com 39,3% de positividade.

O total de exames realizados nas últimas seis semanas, ou seja, de 15 de outubro a 25 de novembro, foi de 259.740, com 36,1% de positividade (a taxa de positividade total é a média ponderada do período). Os números referentes a testes para diagnóstico são os primeiros a mostrarem a evolução de uma doença e o aumento da transmissibilidade, por isso os resultados apresentados semanalmente pela Abramed são tão importantes para o acompanhamento da Covid-19 no Brasil.

Positividade nos exames de Monkeypox cai de 19,1% para 7,1 em uma semana, segundo Abramed

Dados mostram oscilação na taxa de positividade, desde julho de 2022, quando diagnóstico começou a ser realizado

A positividade nos exames de Monkeypox (também conhecida como varíola dos macacos) na rede privada de medicina diagnóstica caiu 12 pontos percentuais, segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Na semana de 7 a 13 de novembro de 2022, foram realizados 35 exames, sendo que 7 registraram positivo para a doença, representando 19,1% de positividade. Já na semana de 14 a 20 de novembro, o número de exames caiu para 22, sendo 2 positivos, representando 7,1% de positividade em relação ao total de exames no período.

O acompanhamento semanal da Abramed dos exames de Monkeypox começou em julho de 2022. Desde então, a taxa de positividade vem oscilando. A maior incidência de casos positivos aconteceu na semana de 8 a 14 de julho, quando foram realizados 37 exames, sendo 24 positivos, representando 64,9% de positividade. A menor taxa foi registrada na semana de 3 a 9 de outubro, quando foram realizados 46 exames, com apenas 3 positivos, representando 6,5% de positividade.

De 1 de julho a 20 de novembro de 2022, período completo da apuração feita pela Abramed até então, foram realizados 1.331 exames, sendo 362 positivos, que representam 27,2% do total. Vale lembrar que suas associadas são responsáveis por cerca de 60% do total de exames realizados pela saúde suplementar.

No Brasil, estão confirmados 9.935 casos de Monkeypox, segundo Informe no 112 do Ministério da Saúde, publicado em 23 de novembro de 2022. No início de setembro, o governo incluiu a varíola dos macacos na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o Brasil.

Todos os resultados de testes diagnósticos para detecção da varíola dos macacos feitos por laboratórios das redes pública, privada, universitários e quaisquer outros em todo o País, sejam positivos, negativos ou inconclusivos, precisam ser notificados ao Ministério da Saúde de forma imediata, em até 24 horas.