Para análise e reflexão: ressignificando a medicina diagnóstica

Por Roberto Santoro*

A medicina diagnóstica é um importante elo da cadeia de saúde. Suas inovações, por exemplo, aprimoram a assistência e a eficiência do sistema. Não por acaso, o segmento assumiu seu protagonismo durante a pandemia de covid-19, iniciada, no Brasil, em março de 2020. E quando tudo indicava um setor atuando única e exclusivamente sobre o novo coronavírus, o que se viu – e se vê! – é uma evolução constante com o desenvolvimento de novas tecnologias e formas de atendimento para otimizar tanto testes quanto exames indispensáveis ao bem-estar humano.

O segmento é composto de pessoas, infraestrutura, logística, capacidade de produção, pesquisa e desenvolvimento, assim como interface de sistemas. A pandemia o evidenciou, permitindo ampliar sua perspectiva em prol de uma infraestrutura melhor no país. E foi a reação rápida e a adaptação em dar uma resposta eficaz, focada na menor geração possível de danos, que fez a medicina diagnóstica continuar relevante em momentos de crise.

Os resultados de exames laboratoriais apoiam cerca de 70% das decisões médicas e são de grande valia na atenção à saúde. A tendência é que ela continue protagonista. Isso porque o avanço tecnológico e a transformação digital garantem exames e análises cada vez mais precisos e eficientes. Ainda assim, os gastos das operadoras de saúde com medicina diagnóstica, em termos relativos, estão entre os menores, se analisarmos a relevância desse segmento.

Na perspectiva da prevenção, através da atenção primária, a medicina diagnóstica, além do impacto nas decisões médicas, contribui para os custos evitáveis, ou seja, diminuindo a propensão de adoecimento e doenças crônicas e, além disso, a atenção pode ser feita fora de ambientes hospitalares.

A medicina diagnóstica tem ainda uma parte de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) bastante valiosa, com alta velocidade na introdução de novas tecnologias, com custos menores e incorporação rápida. Essa capacidade de criar testes com maior acurácia, faz parte da essência da medicina diagnóstica, isto é, temos cada vez mais novas tecnologias disponibilizadas em menor tempo e com menos gastos.

Segundo o Painel Abramed 2021 – O DNA do Diagnóstico, a medicina diagnóstica é um dos setores que mais evoluem e inovam na busca por tecnologias capazes de aprimorar e melhorar a qualidade dos diagnósticos na área da saúde. O surgimento de tecnologias permite que os exames sejam realizados em grande escala, em menor tempo, com melhor qualidade e precisão, evitando o desperdício e o aumento na escalada dos custos na saúde. 

A publicação já destacou, inclusive, que inúmeros fatores impulsionam o crescimento do setor, entre os quais se destacam a inteligência artificial e os processos digitais para apoiar os diagnósticos, a modernização dos equipamentos e novas tecnologias laboratoriais, a utilização da telemedicina e subespecialidades em larga escala, as inovações na área de genética, a rede integrada de saúde, entre outros.

Entre tantos pontos positivos, a medicina diagnóstica tem ainda a possibilidade de movimentar amostras sem movimentar o paciente. E aqui estamos falando de acesso populacional. Você não precisa movimentar o paciente, você colhe em um local e pode circular por meio de serviços de logística, permitindo que uma parcela maior de pessoas possa realizar seus exames em grandes centros tecnológicos. Aliás, a logística é responsável pela quebra de barreiras, permitindo acesso à tecnologia em áreas remotas do Brasil, cujo território tem dimensões continentais.

E o que falta para a medicina diagnóstica ser cada vez mais valorizada? Ampliar o conhecimento do seu papel, da função dos exames, principalmente laboratoriais e de imagem, nas decisões médicas. Sob a ótica de educação em saúde, suponho que deveria haver maior foco na relevância das unidades de Serviço de Apoio de Diagnose e Terapia (SADT), porque no Brasil, de acordo com dados de junho de 2021, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde (CNES/MS), existem 26.545 deles.

É de suma importância o reforço desse tema, com maior intelectualidade relativa nas universidades brasileiras e entidades formadoras de profissionais de saúde. Além disso, é necessário que os próprios governos tenham mais consciência e que entidades, como a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), atuem como fomentadoras de atividades de ensino e pesquisa em medicina laboratorial, justamente para ressaltar o papel da medicina diagnóstica na cadeia de valor da saúde.

Ainda sobre educação médica, precisamos de uma “descomoditização” intelectual. A medicina diagnóstica é um setor com atualizações constantes e por vezes o próprio mercado tem dificuldade de acompanhar, e ao setor cabe incentivar, fomentar e contribuir para que nossos profissionais sejam plenamente capazes de lidar com a evolução constante do segmento.

Veja bem, estamos diante de um dos menores custos para o sistema, cuja importância e grandeza são incontestes, seja no acesso, na atenção primária, no impacto na decisão médica, no custo evitável. Mas como é possível ressignificar a medicina diagnóstica? Um dos passos é a educação em saúde deste tema.

Precisamos que seja destacada a sua importância também na saúde suplementar, por meio de atualizações constantes. Os gastos das operadoras de saúde com medicina diagnóstica são relativamente menores do que outros gastos e de alto impacto para o bem-estar social e na economia em saúde.

*Roberto Santoro é Diretor Presidente do Grupo Pardini, empresa associada à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed)

Até quando garantiremos a sustentabilidade do setor de saúde?

Artigo assinado por Carlos Figueredo*

Os anos pandêmicos foram desafiadores para a saúde e para a medicina diagnóstica. Como sabemos, houve uma queda brusca no número de realização de exames e de terapias para o acompanhamento não só da rotina, mas também de doenças crônicas. Agora, essa demanda está ressurgindo e precisa ser atendida. E, obviamente o setor de medicina diagnóstica anseia muito por fazer isso da melhor maneira possível.

No entanto, não é simplesmente voltar ao que era antes. Ampliar o quadro de colaboradores, comprar mais insumos, aumentar as áreas para melhor atender aos clientes, como se faria em qualquer aumento de demanda anteriormente. O cenário é outro.  Em especial pelo aumento de custos. Garantir a sustentabilidade do setor tem se tornado um desafio.

A pergunta é: a que preço faremos isso? A começar pelo básico:  um frasco de 1 litro de soro, aumentou sete vezes de 2019 para cá. Já no frasco de 15 ml de contraste, esse salto foi de 42%. Lembrando que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), autorizou um reajuste de 10,89% no preço dos medicamentos em abril. Para exemplificar, no CURA grupo, tivemos nos últimos três anos um incremento de 30% nos custos com Mat/Med.  E, a situação tende a piorar. Estamos vivenciando uma escassez tremenda de falta de insumos no Brasil e esses dois itens fazem parte da lista. Os problemas incluem volume de produção, inflação elevada que aumenta o custo de transporte e alta do dólar, em especial por muitos insumos serem importados.

Mas, não foram somente os insumos – o que já não seria irrelevante.  Estamos ainda sob variação da folha de pagamento, que assim como em muitos setores, é o maior custo da medicina diagnóstica.

Apesar de valorizarmos muito a nossa força de trabalho, olhando novamente para os números do CURA grupo, dá para ter uma boa ideia desse impacto. Em São Paulo, os reajustes por conta dos dissídios coletivos, em 2022, chegaram a 12%; valor muito próximo ao vivenciado em Pato Branco, no Paraná, que foi de 11,95% e por Florianópolis e São José, em Santa Catarina, que foi de 11,08%. Já em Chapecó e na capital do Paraná, Curitiba, esse reajuste foi de 7%.

E, as perspectivas não são de que isso retroceda. Com o Projeto de Lei (PL 2564/2020), que está tramitando nas esferas de aprovação e fixa o piso salarial dos profissionais de enfermagem, a estimativa de aumento dos custos com medicina diagnóstica é de 9,5%, somente com essa categoria.

Outro fator que tem impactado muito nesse aumento de custo são os aluguéis dos imóveis, reajustados por IGP-M ou INPC, índices que tiveram bastantes elevações. Vemos muitas negociações de contratos em andamento, até para que os reajustes sejam por IPCA. O que também não diminui o impacto, já que em abril de 2022, o índice acumulado nos últimos 12 meses foi de 12%. Mais uma vez trazendo para o real, no CURA grupo isso significou um aumento de 33% nos últimos três anos.  Outros recursos importantíssimos também aumentaram. Despendemos 21% a mais com energia elétrica; e, também, houve reajustes na água, por conta da escassez hídrica.

Todas essas oscilações para cima vêm pressionando muito a estrutura de custos, ainda mais em um cenário político e econômico instável. Internamente, a eleição presidencial emerge como um agravante. Já externamente, a Guerra impacta, por exemplo, na cadeia de produção e provoca aumento nos custos de logística e transporte. 

Para apimentar ainda mais essa reflexão, é preciso lembrar, que todos esses reajustes que vivenciamos não foram repassados para os pacientes, apesar de os planos de saúde terem sido reajustados em cerca de 15%, em 2022.

Ou seja, como dizemos no dia a dia: não está fácil para ninguém: nem para os consumidores e muito menos para os prestadores de serviços, que estão pagando a conta da saúde suplementar em sua totalidade.  Afinal, as operadoras não estão na maioria das vezes repassando esse percentual desse reajuste para os prestadores e, mesmo quando fazem pressionam para que a faixa de incremento na remuneração seja de 4% a 5%. 

Em suma, esses números começam a colocar de fato em dúvida sobre até quando conseguiremos manter a sustentabilidade dos nossos negócios e do setor de medicina diagnóstica. Nesse momento, entramos em um alerta vermelho e alguns modelos devem ser repensados. É hora mais do que nunca de debates entre o setor, com o governo, operadoras para que todos juntos possam encontrar um caminho mais sustentável. E isso, sem dúvida depende do diálogo e da união de esforços. Caso contrário, temo que não conseguiremos segurar por muito tempo essa situação.

*Carlos Figueredo é CEO do Cura grupo

Abramed participa de lançamento do Programa Einstein de Inovação em Biotecnologia

Iniciativa possibilitará a criação de ações com indústrias farmacêuticas, de dispositivos médicos e diagnósticos


No dia 4 de julho, o presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, participou do Petit Comité para o lançamento oficial do Programa Einstein de Inovação em Biotecnologia, no Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo (SP).

Estiveram presentes os executivos do Einstein: Sidney Klajner, presidente; Nelson Wolosker e Claudio Mifano, vice-presidentes; e Henrique Neves, CEO, que compartilharam a jornada da organização na escolha da biotecnologia em saúde como um guia de visão estratégica para os próximos anos.

O novo programa nasceu para apoiar iniciativas e possibilitar maior acesso à infraestrutura, aos insumos e a equipes profissionais com as quais se consiga produzir inovações em biotecnologia que sejam de fato transformadoras e tenham a possibilidades de chegar ao mercado mundial.

“O lançamento do Programa de Biotecnologia do Einstein representa importante iniciativa de estímulo à inovação em nosso país. Certamente trará bons frutos para a comunidade científica e para a população brasileira”, avalia Shcolnik.

Como parte dessa ação, o Einstein também anunciou uma nova unidade, a Eretz.bio biotech, para apoio a startups e empreendedores do setor de biotecnologia com foco em saúde. O novo braço contribuirá para o desenvolvimento de novas soluções diagnósticas, medicamentos e vacinas, além do fomento a pesquisas translacionais.

A sede da incubadora fica no Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – Campus Cecília e Abram Szajman, e estará em operação a partir deste mês de julho. A Eretz.bio biotech foca nas frentes de pesquisa translacional, empreendedorismo, incubação e aceleração em redes internacionais de colaboração. Todas elas poderão gerar iniciativas em conjunto com startups e empreendedores e cocriar produtos, além de promover transferência de conhecimento e tecnologia entre países. O programa possibilitará também a criação de ações com indústrias farmacêuticas, de dispositivos médicos e diagnósticos para desenvolvimento de novos produtos.

Os participantes do programa se beneficiarão da estrutura do novo Centro de Ensino e Pesquisa, com acesso aos laboratórios de alta tecnologia, como suporte para pesquisas e procedimentos. No local, há uma plataforma de “Salas Limpas”, que contribuirá para estudos pré-clínicos e clínicos. Além do novo Centro, o Programa contará com as estruturas dos Centros de Estudos pré-clínicos e da Academic Research Organization (ARO) do Einstein.

A rede de iniciativas internacionais para intercâmbio tecnológico é formada por países como Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Espanha, Israel e Singapura. Ainda este ano, os acordos de cooperação poderão ser ampliados para outros locais da América Latina, China, Japão e Coreia do Sul.

Continuar as discussões sobre saúde mental nas empresas é a chave para uma sociedade mais saudável

Participação do trabalhador nesse processo é essencial, destacaram as executivas Milva Pagano e Cláudia Morgental, no 3º episódio do podcast Medtronic Cast

“Saúde vem de dentro” foi o mote do podcast da Medtronic, o Medtronic Cast, que reuniu, em seu terceiro episódio, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e Cláudia Morgental, diretora de Recursos Humanos da Medtronic Brasil – líder mundial em tecnologias, serviços e soluções médicas, para tratar de temas como equidade de gênero, bem-estar e saúde mental, os quais se tornaram cada vez mais importantes para os funcionários de uma empresa e fundamentais para garantir um ambiente saudável. Elas compartilharam experiências positivas, bem como discorreram sobre desafios que envolvem o cotidiano de uma gestão preocupada em manter esses valores.

A primeira abordagem neste novo episódio do Medtronic Cast ressaltou o fato da pandemia ter afetado a saúde mental das pessoas de muitas formas e aumentando várias doenças relacionadas a isso, como ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout, exigindo um novo olhar por parte das organizações, dado que as pessoas tiveram que se adequar a trabalhar em casa sem o convívio com os colegas, entre outras situações atípicas no mundo do trabalho tradicional.

Essa dinâmica suscitou a importância de entender a situação dos funcionários e oferecer alternativas para eles. Nesse contexto, Claudia contou sobre a experiência da Medtronic, e lembrou que a discussão sobre saúde mental vem evoluindo há um bom tempo, pois o tema já vinha ocupando espaço nos ambientes de trabalho antes da pandemia e, agora, em janeiro de 2022, em decorrência das discussões que aconteceram neste âmbito e devido ao agravamento que a crise da Covid-19 causou no quadro de saúde mental dos trabalhadores, o Burnout, por exemplo, como uma das consequências, passou a ser considerada uma doença ocupacional. “É mais uma das demonstrações do quanto esse tema foi significativo, é, e continuará sendo para todos nós daqui em diante”, salienta.

Claudia conta que na Medtronic, mesmo acompanhando seus profissionais no modelo virtual, foi dada uma grande atenção a todas as diferentes adaptações que os funcionários necessitaram passar. “É importante lembrar que as soluções não são iguais para todos e precisamos entender que as pessoas foram impactadas por diferentes realidades”, atentou, entre outras considerações, por exemplo, no que tange ao papel dos gestores e das empresas em tratar a saúde e segurança dos funcionários em primeiro lugar e vencer vários desafios gerados com a crise sanitária global. “Isso sempre foi muito importante para a Medtronic e conseguimos, desde o início da pandemia, nos posicionar muito bem em relação às questões de bem-estar e saúde”.

Para Milva, a questão da saúde mental dos funcionários está sendo discutida com mais ênfase nas empresas, pois a pandemia abriu espaço para se conversar mais sobre o assunto e, como observado por Cláudia, mostrou os diferentes níveis e momentos vividos pelas pessoas, além de que o nível de maturidade nas empresas também tem suas diferenças e exige um tipo diferenciado de interação com os líderes, muitas vezes sendo necessário um movimento maior de apoio e espaço para diálogo.

“Nesse período de dois anos de pandemia vivemos situações totalmente atípicas. E somado ao fato de que antes dela já tínhamos um quadro de adoecimento mental da sociedade na totalidade, isso foi agravado diante do sentimento de medo, do luto por entes queridos, pelas perdas de emprego, das inconstâncias socioeconômicas e de saúde em geral e da luta pela sobrevivência e subsistência das famílias, além de outros fatores cruciais”, pondera a diretora-executiva da Abramed.

De certa forma, conforme expôs Milva, a pandemia humanizou um pouco mais as pessoas, colocando todas no mesmo nível de fragilidade, tendo que conciliar diversos aspectos pessoais e profissionais nesta nova dinâmica de trabalho, mas com o viés emocional mais latente, demonstrando a necessidade de verbalizar seus medos e angústias. “Todo esse cenário já existia antes da pandemia, mas podemos considerar que seu advento trouxe a permissão para falar sobre essas aflições”, assinala.

Falar sobre saúde mental nesse momento de transição pós-pandemia é essencial, devido ao seu caráter extenso e complexo, mas que já mostra avanços. Segundo Milva, deixar esse assunto vir à tona nos ambientes de trabalho e ver que as pessoas estão mais atentas para essa questão é um divisor de águas, pois só assim será possível olhar e transformar esse processo para termos um ser humano mais equilibrado e uma sociedade mais saudável.

“Temos que colocar atenção, e não tensão e nem preocupação, para continuar a tratar desse assunto, possibilitando espaços de conversas nas empresas, abrindo portas entre as empresas, verificando cases que já têm resultados, com um benchmarking efetivo”, orienta a diretora-executiva da Abramed.

Claudia e Milva concordaram sobre a importância do olhar humanizado neste novo cenário, com uma postura mais madura por parte das empresas, construindo ambientes seguros para estimular a interação entre as pessoas e visando o bem-estar dos funcionários, alinhado com a visão de negócios e a sustentabilidade a longo e médio prazo.

Milva completou que estamos no momento de volta ao trabalho presencial, lembrando a expectativa que vinha sendo alimentada com o novo normal, esperando que voltemos para a mesma vida, mas, é importante frisar que a vida de todos foi transformada nesse processo. “Essa readaptação requer certos cuidados e um olhar para as pessoas de uma maneira diferente, tratando-as conforme as suas peculiaridades. Isso é exercer a justiça de fato porque ninguém é igual, essa é a realidade”, pontuou a diretora-executiva da Abramed.

Entre os temas pautados no podcast, o bate-papo tratou também sobre os desafios das empresas do setor de saúde em serem catalisadoras de boas práticas nesse novo contexto do trabalho. Para ouvir o terceiro episódio do Medtronic Cast na íntegra, clique aqui.

Fórum Internacional de Lideranças da Saúde acontece em agosto e aborda a medicina diagnóstica na disrupção da saúde

Em sua sexta edição e pela primeira vez no formato híbrido, evento tornou-se o principal ponto de encontro entre líderes da saúde

Os preparativos para a 6ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) já estão a todo vapor. O evento, programado para o dia 24 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo, tem como macrotema “A Medicina Diagnóstica na Disrupção da Saúde” e reunirá palestrantes nacionais e internacionais para discutir os assuntos relevantes da atualidade e do futuro do setor.

“Esta será a primeira edição em formato híbrido. Dessa forma, compartilhamos de forma mais abrangente, importantes temas que impactam o atual e o futuro cenário da saúde no Brasil, contribuindo significativamente para o aprimoramento e desenvolvimento do nosso setor”, ressalta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

O fórum, que já faz parte da agenda de gestores, especialistas e demais profissionais da saúde, será dividido nos módulos Regulatório, Econômico, Inovação e Futuro, e discutirá temas como “Ecossistema: A reinauguração da Saúde e seus impactos regulatórios”; “Obstáculos econômicos frente aos desafios atuais”; e “Inovação Digital na humanização do cuidado”.

Durante o 6º FILIS também será realizada a 4ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece profissionais da saúde que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira. O prêmio é uma homenagem ao doutor Rosenfeld, renomado profissional de medicina diagnóstica que faleceu em março de 2018 após décadas de empenho para maior união do setor.

Em breve, as inscrições para participar da sexta edição do FILIS estarão abertas. Acompanhe a Abramed nas redes sociais e fique por dentro das novidades.

Dedicação e investimento em recursos humanos são essenciais para aumentar competitividade no mercado

Em entrevista à Abramed, Hélio Magarino Torres Filho, diretor médico da Richet, fala sobre o segredo de manter-se há 70 anos no mercado. Laboratório é novo associado da Abramed

O Richet, destaque há 70 anos na área de medicina diagnóstica, é o novo associado da Abramed. Atuando tanto na área hospitalar, como em parceria com clínicas especializadas em fertilidade, check-up executivo, geriatria, medicina esportiva, apoio nutricional e medicina do trabalho. Além disso, também oferece uma estrutura de atendimento laboratorial a centros de pesquisa clínica com apoio técnico, operacional e logístico. 

Em entrevista exclusiva para a Abramed, Hélio Magarino Torres Filho, Diretor Médico do Richet, comentou as mudanças, desafios, perspectivas para o futuro do setor no pós-pandemia e como a empresa tem pautado sua estratégia, aliando atendimento humanizado da medicina ao diagnóstico através de tecnologia de ponta. Confira na íntegra: 

Abramed em Foco: O setor de medicina diagnóstica, sem dúvidas, passou por mudanças substanciais desde a fundação do Richet, há 70 anos. Em sua opinião, quais foram as principais delas?

Penso que as mudanças foram bastante significativas. A principal foi a introdução de tecnologias modernas e algoritmos de inteligência artificial, que modificaram completamente o setor, permitindo o crescimento e evolução dos serviços com maior segurança e precisão técnica. A segunda mudança foi uma consequência da primeira e consiste na consolidação do setor, permitindo a criação de grandes Núcleos Técnicos Operacionais, com alta tecnologia e menor custo. 

Abramed em Foco: Quais são hoje os principais desafios da medicina diagnóstica atualmente?

Os principais desafios correspondem a entrega de resultados cada vez mais preciso e clinicamente úteis a um custo que tem de ser adaptado à situação atual. 

Abramed em Foco: Qual o segredo para conseguir acompanhar essas transformações, unindo inovação, sem perder a tradição?

O segredo é o que todo serviço conceituado faz. Qualidade total, desde o início do atendimento até a entrega do resultado. Atualmente, com alta tecnologia presente nos grandes centros diagnósticos, o que continua fazendo a diferença é o pré e o pós-analítico. O bom atendimento ao paciente, tentando sempre surpreendê-lo e também a interação com o médico prescritor dos exames, também são fundamentais para diferenciar-se no mercado. Além, evidentemente, de conhecimento e expertise técnica. 

Abramed em Foco: Como o Richet enxerga a importância da tecnologia para manter a competitividade? E, como tem investido nisso nos últimos anos?

Ninguém que pretenda manter-se com presença marcante no mercado pode negligenciar o acompanhamento e introdução de novas tecnologias. Hoje esta seja, talvez, uma das principais bases dos bons serviços. Manter-se atualizado requer dedicação, estudo e investimento em capital humano. 

Abramed em Foco: Como equilibrar hoje qualidade e custos em um cenário tão volátil?

Temos que ter bons parceiros comerciais, tanto fornecedores como fontes pagadoras. Para permanecer saudável, o mercado tem que funcionar em perfeita sintonia. 

Abramed em Foco: A pandemia, em sua opinião, veio mais para ensinar ou transformar o setor? Quais as lições que ficaram?

A pandemia realmente trouxe grandes lições. A resiliência, dedicação e conhecimento fizeram a diferença. Acredito que a principal lição foi estarmos predispostos a realizar grandes mudanças, virando todo o cenário da empresa para um objetivo maior, sem perder as diretrizes principais.

Abramed em Foco: Centralidade no paciente e qualidade são realmente aspectos cruciais para manter-se hoje competitivo?

Qualidade é fundamental, não apenas para demonstrar aos médicos e ao público em geral, mas também para manter a equipe estimulada, vivenciando e sendo mais um “fiscal” das boas práticas. Quando a equipe “vive” a qualidade, todos saem ganhando. 

Abramed em Foco: E, as acreditações qual a importância no cenário atual?

As acreditações são os instrumentos para a resposta acima. É o que mantém toda a equipe e demonstra para o público o quanto a empresa investe nas boas práticas. Hoje, podemos dizer que os serviços de diagnósticos brasileiros se equiparam aos dos melhores centros de diagnóstico do mundo, através dos selos de qualidade.  

Abramed em Foco: Como enxerga o futuro da saúde no pós-pandemia? A medicina diagnóstica assume um papel diferente do que tinha anteriormente?

Penso que os serviços diagnósticos saíram fortalecidos após a pandemia, pois foi possível mostrar sua grande importância, não apenas para o diagnóstico da COVID-19, como também para uma infinidade de outras doenças e também a prevenção delas. 

Abramed em Foco: Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

A Abramed é muito importante para podermos discutir os desafios e chegarmos a decisões importantes para o setor. Sentimo-nos bem mais integrados ao mercado e com a segurança de ter um fórum permanentemente atualizado sobre tudo de importante que está acontecendo. 

Medicina diagnóstica, um elo fundamental na cadeia da saúde

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, participou da live do Citi Brasil e destacou a importância do segmento na efetivação e eficácia da assistência à saúde

A diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Milva Pagano, foi a convidada para uma live do Citi Brasil –  banco global, que atua no país há mais de cem anos –, no último dia 10 de março, para falar sobre os desafios e perspectivas do mercado de medicina diagnóstica.

Inicialmente, Milva falou sobre a representatividade da Abramed, que reúne empresas responsáveis pela realização de cerca de 60% dos exames da saúde suplementar no Brasil, representando o setor de forma bastante abrangente. Para compreender e atuar nos desafios do segmento, a entidade conta com dez comitês específicos, compostos por executivos das associadas, responsáveis pelo planejamento e implantação de ações que geram impacto coletivo e positivo para o segmento, atuando sob três eixos: disseminação de boas práticas e benchmark; produção de conteúdo relevante e desenvolvimento de projetos aplicados.

“O setor da saúde passa por transformações e é um mercado em constante ebulição. O mesmo ocorre com a medicina diagnóstica, que é um segmento  bastante complexo, um importante elo da cadeia da saúde, que envolve questões diversas que  exigem muito diálogo intersetorial. Estamos sempre dialogando com os públicos estratégicos, como os poderes Executivo e Legislativo, órgãos reguladores e a imprensa, mostrando que é fundamental a comunicação entre todos os elos e os players do setor”, destacou a diretor-executiva.

Um dos temas questionados durante a live foi o projeto de lei (PL) nº 2.564/2020, que institui piso salarial para enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e parteiras. O texto em análise na Câmara dos Deputados estabelece o valor mínimo inicial para os enfermeiros de R$ 4.750, R$ 3.325 para técnicos de enfermagem R$ 2.375  para auxiliares e parteiras, a serem  pagos nacionalmente pelos serviços de saúde públicos e privados.

A diretora-executiva da Abramed informou que participou de audiência realizada na Câmara dos Deputados convocada com o objetivo de viabilizar a aprovação do PL de maneira sustentável. Nesta audiência entidades de saúde apresentaram os possíveis  impactos financeiros sobre o setor  e a preocupação com as diferenças regionais.

A desoneração da folha de pagamento, segundo a diretora-executiva, foi uma possibilidade de solução apontada na ocasião, para tentar minimizar os efeitos da aprovação do piso salarial dos profissionais da enfermagem. O PL ainda precisa passar por quatro comissões da Câmara. Mas a aprovação de um pedido de urgência pode levar a proposta diretamente ao Plenário.

Outro assunto abordado foi a interlocução da Abramed com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre os dispositivos da RBAC nº 175 e da IS nº 175-012, que obrigam a utilização de embalagens ensaiadas e apresentação dos respectivos laudos para o transporte de artigos perigosos e infectantes, demonstrando os impactos e as dificuldades atuais do mercado para atender a nova exigência, que em princípio valeria a partir de 1º de outubro de 2021. Porém, em atendimento ao pedido de adiamento formulado pela entidade perante o órgão regulador, o início da vigência foi prorrogado para 1º de abril deste ano, para adaptação do setor.

Após a prorrogação da entrada em vigor da resolução, foi constituído, por solicitação da Abramed, um grupo de trabalho na ANAC, com a participação de associados da Abramed e outros players do setor, que discutiu impactos e ajustes necessários nas exigências, segundo Milva, pois “a nova regra impacta na dinâmica e na logística de toda a rede de medicina diagnóstica nacional, que habitualmente se vale da aviação para transportar milhões de amostras de exames utilizados para prevenção, diagnóstico e gerenciamento de doenças”.

Questionada sobre a liberação de autotestes para Covid-19 e a realização de exames em farmácias, a diretora-executiva da Abramed disse que ambos facilitam o acesso da população ao diagnóstico. Porém, é preciso estar atento a qualidade desses dispositivos, possíveis falhas na execução dos autotestes e há grande preocupação com o cuidado e segurança dos exames fora do ambiente seguro dos laboratórios, pois pode haver impactos nos seus resultados.

Panorama

Na visão de Milva, o panorama para o setor de medicina diagnóstica no Brasil é promissor, mesmo diante dos desafios econômicos, regulatórios e legislativos.

“A saúde é uma área altamente regulada, que segue rígidas diretrizes, algo fundamental para garantir a segurança dos pacientes. Inserida nesse cenário, a medicina diagnóstica vem mantendo o diálogo com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os anseios quanto a assuntos relacionados ao setor, bem como à adoção de políticas e medidas que consideram a importância do segmento para os cuidados da população”, pontuou.

A pandemia, de modo geral, foi um processo de grande transformação e evidenciou a relevância da medicina diagnóstica. Um período muito difícil, mas também de muito aprendizado a todos os setores.

Para a diretora-executiva, o segmento tem se mostrado um elo fundamental na cadeia da saúde, com participação extremamente importante na efetivação e eficácia da assistência da população à saúde.

“Possuímos competência e expertise para atender aos principais padrões mundiais de qualidade. Temos que proteger o setor para que continue investindo em pesquisa e inovação, gerando empregos e cuidando da população, sempre com o olhar para a saúde das pessoas para conseguir diagnosticar e tratar as patologias da melhor forma possível, bem como promover a saúde”, afirmou Milva.

O principal desafio do setor de saúde, para a diretora-executiva da Abramed, é a conexão e a interoperabilidade, com o alinhamento de interesses e objetivos, na busca para oferecer valor em saúde e melhores desfechos aos pacientes.

“O setor de saúde ainda é muito fragmentado no Brasil e com a pressão do aumento de custos acima da inflação, é natural que haja consolidações de modo a obter escala e ganhos de produtividade. O mercado de diagnóstico é bastante atuante na consolidação. Em 2021, foram pelo menos 11 movimentações informadas ao CADE. Embora tenha havido mais movimentos em capitais brasileiras, a fragmentação existe e ainda há muito espaço para consolidação, pois, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, existem cerca de 12 mil laboratórios e 6 mil clínicas de radiologia e diagnóstico por imagem no Brasil. Alguns players do mercado acreditam que a diversificação e integração com outros atores do setor de saúde é fundamental para aperfeiçoar o desempenho financeiro. Isso vai ao encontro do que é pregado pelos especialistas em sistemas de saúde, que entendem que a única maneira de aperfeiçoar o atendimento, aumentar a qualidade e reduzir custos é por meio da atenção organizada e integrada, favorecendo uma jornada satisfatória aos pacientes”, concluiu. 

Diagnósticos e perspectivas para o ano novo brasileiro

Fernando Silveira Filho*

Em 2021, a pandemia, como já ocorrera no ano anterior, exigiu esforço de guerra de toda a cadeia de valores da saúde, com ênfase para os profissionais do setor, que se superaram para salvar vidas. Nessa missão, médicos, enfermeiros e todo o pessoal da linha de frente dos hospitais e atendimento direto aos pacientes, tiveram uma grande aliada, chamada tecnologia, que tem avançado cada vez mais, tanto no que diz respeito a equipamentos, como respiradores, aparelhos para exames de imagem e monitoramento das funções vitais, como nos aplicativos e plataformas de TI, no contexto da profunda transformação digital em curso.

Mobilizada e alerta, pois, a despeito do êxito da vacinação no Brasil, ainda é preciso dimensionar os riscos reais da variante ômicron, a indústria de alta tecnologia para a saúde vislumbra 2022 com perspectivas mais otimistas, principalmente se os índices de contaminação da Covid-19 seguirem descendentes, como vem se observando nos últimos meses de 2021. Se continuarmos adotando todos os cuidados básicos necessários e com a sequência da imunização em massa, teremos tudo para comemorar expressivas vitórias contra o novo coronavírus em 2022.

De fato, em um levantamento realizado nas empresas associadas da ABIMED em novembro passado, 66% das respondentes apontaram expectativa de crescimento na base de negócios para o próximo ano. O resultado, portanto, gera perspectivas de novas contratações e sustentação dos investimentos atuais.

O ano novo será particularmente relevante para os brasileiros, que irão às urnas para eleger o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Seria bastante produtivo para o País se o Congresso Nacional, cuja presente legislatura conseguiu aprovar medidas importantes, conseguisse conciliar a agenda eleitoral com o prosseguimento das reformas estruturais, principalmente a tributária e a administrativa. São medidas importantes para melhorar o ambiente de negócios e contribuir para a retomada do crescimento em patamares mais elevados, bem como a recuperação dos empregos e dos investimentos. Entretanto, no âmbito da reforma tributária é de fundamental importância que os legisladores trabalhem com cenários que, no mínimo, não impliquem aumento da carga de impostos hoje incidente sobre o segmento de equipamentos e dispositivos médicos, uma das mais altas no mundo.

Também se exigirá um esforço grande do governo, de toda a sociedade e do universo corporativo no sentido de impedir a continuidade da escalada inflacionária, um fenômeno mundial, que nos atingiu de modo mais agudo este ano, na esteira da desorganização de várias cadeias de suprimentos provocada pela pandemia. Esse é um desafio crucial, pois com menores índices, poderemos retomar um novo fluxo de redução dos juros, fator que contribui para o avanço do PIB.

Consciente dos desafios e obstáculos a serem vencidos, analisamos com responsável otimismo o potencial de uma retomada da economia nacional em 2022. O segmento de produtos, tecnologia, equipamentos e suprimentos médico-hospitalares, com participação de 0,6% no PIB, constituído por aproximadamente 13 mil empresas e gerador de 140 mil empregos diretos de alto perfil técnico, tem missão estratégica nesse processo. Afinal, ao lado dos profissionais da área, é um dos pilares na luta contra a pandemia e no âmbito do propósito permanente de proporcionar melhor saúde aos brasileiros, uma prioridade com alto impacto na qualidade da vida e nos índices de produtividade, competitividade e prosperidade econômica.

Acreditamos que, com o empenho de todos — poder público, sociedade, empresas e entidades de classe –, poderemos ter bons resultados no ano novo. Há tratamento para os males de nosso país! Basta fazer os diagnósticos corretos e prescrever as receitas adequadas.

*Fernando Silveira Filho é presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed).

Instituto Lado a Lado pela Vida é voz reconhecida quando se fala em saúde cardiovascular

Além de ações de conscientização e prevenção, instituição também propõe alternativas para melhorar a saúde no Brasil.

Fundado há 13 anos, o Instituto Lado a Lado pela Vida é a única organização social brasileira que se dedica simultaneamente às duas principais causas da mortalidade – o câncer e as doenças cardiovasculares –, além do intenso trabalho relacionado à saúde do homem.

Desde 2014, o instituto atua fortemente na temática da saúde cardiovascular, que é a principal causa de morte no mundo e no Brasil. Naquele ano, a entidade lançou a campanha nacional Siga Seu Coração, com o objetivo de alertar a população para os cuidados com o coração.

Esta ação foi motivada por solicitação de pacientes, principalmente mulheres, que sentiam falta de encontrar informações e orientações sobre a saúde do coração, os principais fatores de risco, o diagnóstico precoce de doenças, inclusive aquelas que podem ser evitadas e as que podem ser controladas, como as doenças crônicas.

“Somos uma voz reconhecida no que se refere às ações de conscientização da população sobre as doenças cardiovasculares. Temos realizado ações de comunicação junto à sociedade civil e também atuado fortemente para impactar as políticas públicas para melhorar o grave cenário brasileiro da doença cardiovascular”, explica Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Há uma página no Facebook dedicada à Campanha Siga Seu Coração. E, na última semana de janeiro, foi relançado o perfil no Instagram, que reforça as mensagens da importância dos cuidados com o coração.

Outras doenças

Quando o Instituto LAL foi criado, em 2008, o propósito era atuar na causa da saúde do homem, orientando os brasileiros sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Ao longo do tempo, seu escopo foi ampliado para os demais tumores prevalentes na população masculina, como os de testículos, bexiga e rins. “Temos sido a voz mais atuante no Brasil para alertar a população sobre a inaceitável incidência do câncer de pênis, doença negligenciada e que pode ser evitada e prevenida com hábitos de higiene”, conta Marlene.

Em 2011, o LAL criou no Brasil a campanha nacional Novembro Azul, que, vale lembrar, não é um movimento internacional trazido para nosso país. Ao longo dos 10 anos desta campanha, foram realizadas inúmeras ações não só dedicadas à importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, mas também para incentivar os homens a assumirem o protagonismo com sua saúde de forma integral.

Em 2014, como já mencionado, foi incorporada a causa cardiovascular na agenda, além da ampliação da atuação na oncologia, incluindo os tumores femininos de colo de útero, ovários, endométrio e mama, porém, com menos destaque ao câncer de mama, pois há outras entidades que se dedicam diretamente a esse tipo de tumor. Os tumores femininos são trabalhados no guarda-chuva da campanha Mulher por Inteiro.

A entidade atua, ainda, em câncer de pulmão, incluindo o importante alerta para o aumento de casos em pessoas não fumantes. Nessa temática, conta com a campanha Respire Agosto e, ainda, dedica atenção ao câncer de pele e melanoma, muito prevalente no Brasil, principalmente nas áreas rurais, com alta incidência de sol.

Em dezembro de 2021, foi lançada a campanha Câncer por HPV: O Brasil pode ficar sem, com destaque à importância da vacinação dos adolescentes. “Entendemos que essa é uma missão importantíssima, eliminar o desenvolvimento de cânceres que podem não existir e para os quais já existe uma vacina segura e eficaz”, ressalta Marlene.

Paralelamente, a entidade se dedica a alguns temas que identifica como transversais, pois impactam diretamente as doenças cardiovasculares e as oncológicas: obesidade; medicina personalizada; pesquisa clínica e envelhecimento da população.

Políticas públicas em saúde

Além das campanhas de prevenção e conscientização citadas anteriormente e do compromisso em disponibilizar conteúdo qualificado sobre saúde, a instituição realiza um amplo e estruturado trabalho de advocacy, para impactar a definição de políticas públicas em saúde.

“Atuamos junto ao Parlamento e também a órgãos públicos e privados ligados à saúde, não só para ‘apontar o dedo’ para o que não está bem, para os gargalos, mas também para propor e sugerir alternativas viáveis e factíveis para melhorar a saúde no Brasil, seja no âmbito do SUS, seja na saúde suplementar”, destaca Marlene.

Para fortalecer essa abordagem, a entidade realiza, desde 2019, o Global Forum Fronteiras da Saúde, evento internacional dedicado a discutir a sustentabilidade dos sistemas de saúde, público e privado.

Maiores preocupações

São várias as preocupações atuais do LAL. Uma delas é a falta de informação da população sobre saúde, incluindo o combate às Fake News. “Trabalhamos diariamente para disseminar conteúdo qualificado nas áreas que definimos como prioridade. Além disso, temos a constante preocupação com a desigualdade na saúde no Brasil. Temos um olhar aguçado e atento para diminuir o abismo entre os setores público e privado. Entendemos que para atingir a equidade na saúde, temos de rever o modelo ‘tudo para todos’ e trabalhar para conseguirmos o ‘tudo para quem precisa na hora certa’”, salienta a presidente do Instituto.

Segundo ela, é fundamental que o país evolua no que se refere à participação social na saúde, incluindo a educação. O brasileiro precisa saber mais sobre como funcionam os sistemas de saúde no país, sobre a navegação, a jornada do paciente e destacar que ter direitos subentende-se também ter deveres.

Marlene frisa que é preciso elevar o diálogo. “Falar mais sobre prevenção e sobre promoção da saúde e não só dedicar atenção às doenças. Educar nossa sociedade de que é fundamental prevenir se desejamos lidar melhor, por exemplo, com pandemias como a que vivenciamos nos últimos dois anos”, expõe.

Expectativas

De acordo com a entidade, a grande expectativa é que a pandemia tenha acendido a luz de que não podemos ser passivos quando o assunto é saúde. Por isso, as atividades do Instituto em 2022 estarão ainda mais dedicadas a comunicar a população e os pacientes sobre a importância de consumir informação de qualidade quando o assunto for saúde/doenças.

“Não podemos nos esquecer que estamos em um ano de eleições e que a participação da sociedade com as escolhas nas urnas definirão muito o que acontecerá não só nos próximos quatro anos, mas também no longo prazo no ecossistema da saúde”, finaliza Marlene.

Abramed apoia webinar promovido pela Iniciativa FIS

Apoiado pela Abramed, evento discutiu o futuro da saúde e as estratégias necessárias para o desenvolvimento do setor

Um debate muito instigante foi promovido pela Iniciativa FIS (Fórum Inovação Saúde) no dia 27 de janeiro, virtualmente. Com o tema “Para onde vai você, Saúde Brasileira?”, o evento foi moderado por Josier Vilar, presidente da Iniciativa FIS. A Abramed é uma das apoiadoras.

“Se, através do FIS, conseguirmos avançar ao longo dos anos com alguns temas que resultem na melhoria do acesso da população brasileira aos serviços de medicina de qualidade, teremos dado uma grande contribuição para a sociedade”, destacou Vilar na abertura.

Felipe Salto, diretor executivo do Instituto Fiscal Independente e especialista em contas públicas, foi o primeiro convidado apresentado. Segundo ele, por um lado, o Brasil precisa de ajuste fiscal, equilíbrio das contas e sustentabilidade das dívidas para ter juros mais baixos, investimento mais alto e crescimento econômico sustentável, e, por outro lado, precisa de recursos para políticas públicas fundamentais, como de saúde.

“O Brasil investe 9% do PIB na saúde, não é pouco, mas esse valor poderia ser aplicado de forma mais eficiente. Veja o funcionamento das Santas Casas, que têm uma dependência muito grande de transferências feitas pelos parlamentares, sem as quais elas não teriam recursos para pagar os custos por mês, o que é muito preocupante. Também é necessário discutir a Tabela SUS. O que falta no Brasil é fazer uma revisão periódica do gasto público, o país acabou entrando no piloto automático”, ressaltou Felipe.

Dando continuidade à fala de Salto, Luiz Antonio Santini, pesquisador associado da FioCruz, falou sobre o subfinanciamento do sistema de saúde. “Concordo que precisa melhorar a governança, a gestão e destinar adequadamente os recursos existentes, mas é necessário garantir o que preconiza o artigo 196 da Constituição, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Não podemos continuar a buscar recursos onde não têm. Chegou o momento de decidir. Não temos direito a arranjos inferiores dentro da sistemática orgânica do sistema”, destacou.

De acordo com Santini, é possível melhorar a alocação de recursos e implantar tecnologias e ferramentas de apoio à gestão, mas faltam recursos. “A medicina brasileira vai para onde for essa discussão, definindo os papéis dos atores atuantes nesse processo e as necessidades da população. Temos de discutir com mais profundidade como mudar a estrutura de organização de financiamento do sistema. A premissa de gastar só o que arrecada precisa ser tirada da discussão, é fundamental gastar mais, a saúde precisa de mais recursos”, expôs.

Em sua participação, Paulo ChapChap, conselheiro estratégico do Dasa para Hospitais e Oncologia, disse que não é mais preciso defender o SUS, já que é unânime a sua importância, mas o valor é insuficiente porque é mal distribuído. “Temos de fazer um chamamento à parte melhor financiada do sistema, que é a suplementar. Deveria ser uma exigência que o setor privado contribua com o público. Não estou falando do sistema privado filantrópico, mas de um segmento com finalidade lucrativa, que desenvolve tecnologia, processos e pessoas. Ele deve ser chamado para ajudar a resolver essa equação”, disse.

ChapChap aproveitou para fazer um lamento: os profissionais de saúde estão sofrendo muito. “Quando médicos do município de São Paulo falam em greve em uma situação de pandemia, é quase um grito de basta. A combinação da alta expectativa da população com a incapacidade de oferecer todos os serviços gera uma tensão no cuidado, que leva a uma grande frustração do profissional de saúde e até insegurança em relação a ameaças físicas”, expôs. Para ele, é preciso ter um cuidado especial com os profissionais da linha de frente, fazendo algum movimento contundente, nem que seja temporário.

Fundador do E-Health Mentor Institute, Guilherme Hummel participou da discussão com seu amplo conhecimento em tecnologia. Ele se mostrou descrente em relação a soluções de curto prazo para melhorar o acesso da população à saúde. “O Brasil tem uma mentalidade muito complicada para executar ações em médio e longo prazos, nós não pensamos no futuro”, criticou.

Para Hummel, acesso não é problema de recursos. Recursos são importantes na média e na alta complexidades, sem dúvida, mas na baixa complexidade o problema é técnico. É preciso pensar sob uma ótica estrategicamente diferente. “Um problema compartilhado é resolvido, mas um problema fragmentado é multiplicado. No Brasil, os problemas não são compartilhados. A fragmentação do sistema é monstruosa e cada vez maior porque não existe parâmetro claro sobre a estratégia a ser atendida”, frisou.

O fundador do E-Health Mentor Institute mostrou as premissas para um sistema de saúde de maior qualidade, especificamente na baixa complexidade. Uma delas é agir em rede, isto é, com plataformas abertas, o que melhora a transversalidade da informação. Outra premissa é que tudo é código, tudo é programável. Sendo assim, a regulação é flexível. “E, se é assim, tudo é registro de dados também. Num primeiro atendimento, o registro é fundamental, não se melhora acesso sem essa transversalidade de dados”, expôs.

Hummel também citou que todas as estratégias precisam levar em consideração a nuvem como SaaS (software como serviço), que permite acesso a qualquer dado de paciente em qualquer lugar, sem necessidade de infraestrutura. “Isso significa que é preciso ser ‘figital’, ou seja, físico, digital e social. É imprescindível a flexibilização.”

Outro item elencado por ele é a necessidade de baixar o analfabetismo de saúde básica no Brasil. “As pessoas vão chegar aos 15 anos sem nenhum cuidado, sem nenhuma articulação com sua conduta sanitária. É preciso incluir o uso do smartphone dentro das ações em saúde. Desde a primeira escolaridade, o indivíduo deve receber instrução básica sobre saúde e também sobre utilização da internet. Isso é alfabetização em saúde e precisa acontecer, necessariamente junto com o autocuidado.”

Para Hummel, só há uma forma de sair do problema de custeio: reduzir rapidamente a demanda dos sistemas de atenção, não há outra possibilidade.

Já na análise do deputado federal Dr. Luizinho, a falta de definição sobre quem tem a responsabilidade por cada atividade na área de saúde atrapalha muito. “As atribuições e competências de forma mais clara podem nos ajudar na melhoria do sistema e na partilha dos recursos”, disse.

A respeito da hierarquização do sistema de saúde, Luizinho salientou que o único sistema universal em que qualquer pessoa recebe a prescrição do medicamento mais caro da rede é o brasileiro. “Nenhum outro sistema do tipo sofre com a mesma falta de hierarquização.”

O deputado federal também defendeu a ampliação do acesso à saúde suplementar. “O Brasil tem espaço para um número maior de usuários na saúde suplementar através de planos mais acessíveis. Este é um assunto polêmico, mas faço questão de colocar a minha opinião.”

Durante o debate, vários profissionais de saúde reconhecidos no setor fizeram suas perguntas aos convidados, enriquecendo ainda mais a discussão. No canal do You Tube do FIS podem ser vistos todos os webinares já realizados.