“Canal de Denúncias e Compliance na Saúde” é tema de discussão em #DiálogosDigitais Abramed 2022

Evento digital contou com a participação de especialistas da área que abordaram o assédio nas instituições de saúde; a importância do canal de denúncias; novas tecnologias na área; entre outros.

No último dia 26 de julho, a série #DiálogosDigitais discutiu o tema “Canal de Denúncias e Compliance na Saúde”, com participação da sócia-fundadora da Flesch Advogados, Esther Flesch; o diretor executivo da Aliant – Plataforma de Riscos, Ética e Compliance do Grupo ICTS, Maurício Fiss; e a diretora de Riscos, Auditoria e Compliance no Hospital Albert Einstein, Viviane Miranda. A moderação foi da superintendente Jurídico e de Compliance na Dasa e diretora do Comitê de Governança, Ética e Compliance da Abramed, Walquiria Favero.

Segundo relatório da Aliant, a retomada do mercado de trabalho para o modelo presencial após a diminuição das restrições da pandemia acarretou um aumento de 18% no registro de denúncias de assédio em 2021 em relação a 2020. Para Maurício, apesar do crescimento, o número mostra uma maior conscientização, ou seja, comportamentos considerados “normais” não são mais vistos dessa forma e são denunciados.

O canal de denúncias é uma ferramenta importante para lidar com a questão, desde que realmente funcione e ofereça segurança ao denunciante. “Saber que serão levadas a sério, que não sofrerão retaliação e que receberão algum feedback faz as pessoas não terem medo de denunciar. Essa é a dica inicial para as empresas implementarem um canal de denúncia efetivo”, acrescentou Esther.

As companhias precisam ter processos bem estabelecidos para que as investigações sigam sem negligências. No caso de envolvimento com a alta direção e em assuntos sensíveis à organização, é importante recorrer a terceiros, para não haver constrangimentos e garantir a credibilidade no processo.

Viviane Miranda acrescenta que, no caso de assédio, seja moral, sexual ou discriminatório, o ideal é ter uma comissão de apuração permanente que se reúna com periodicidade para tratar de casos que envolvam qualquer colaborador. “No Einstein, conversamos com o denunciado e o denunciante e fazemos entrevistas com pessoas da área envolvida, para identificar as evidências. Após a apuração, é decidido qual medida educativa ou disciplinar é adequada, que pode ser demissão por justa causa, necessidade de coaching, alinhamento ou mudança de área. Planos de ações não faltam para mitigar as questões de assédio na instituição”, contou.

Todos que atuam na instituição são agentes de compliance e devem evitar que o assédio aconteça. “É preciso treinar, educar e agir. Temos visto muitas evoluções significativas. O mercado está amadurecendo”, acrescentou Viviane.

Walquiria aproveitou para deixar a mensagem para que as instituições reforcem as campanhas de conscientização e a cultura da organização, a fim de que todos cooperem com o sistema de retaliação a esse tipo de comportamento. “O comitê precisa dar respostas rápidas, sérias e idôneas ao denunciante e proteger a integridade da empresa, especialmente na relação médico e paciente”, ressaltou.

Sobre as mudanças referentes ao Decreto 11.129/2022, que entrou em vigor em 18 de julho de 2022, regulamentando a Lei Anticorrupção Brasileira (12.846, de 1º de agosto de 2013), Esther comenta que o decreto tornou necessário ter um mecanismo de tratamento de denúncias. “Não basta apenas implantar um canal de denúncias, elas precisam ser levadas a fundo. Algumas podem ser inconsistentes, mas todas devem ser investigadas para realmente confirmar se são reais”, explica a sócia-fundadora da Flesch Advogados.

Ela ainda destaca que, quando a empresa tem uma boa cultura, isso é transmitido aos colaboradores. No caso de contratação de terceiros, a recomendação é que seja feita uma due diligence (diligência prévia) para conhecer esse colaborador e saber se seus valores estão alinhados aos da empresa. 

Outro ponto fundamental citado por Esther é a documentação dos passos de compliance tomados pela companhia, a fim de comprovar o que se alega. “Há muita maquiagem sobre as ações executadas e isso é preocupante, pois geralmente envolve ganhos financeiros e vantagens. É mais importante documentar o que tem sido feito do que alardear o que não foi executado ainda”, finalizou.

Para os laboratórios pequenos que querem implantar ações de compliance, a diretora de Riscos, Auditoria e Compliance no Hospital Albert Einstein sugere começar com um mapeamento de riscos, analisando os pontos que podem comprometer os objetivos estratégicos da empresa. “Classifique os riscos em altos, médios e baixos e, a partir desse diagnóstico, escreva um manual de ética com os principais temas que vão direcionar o comportamento ético dos colaboradores. Importante, aqui, já ter um canal de denúncia. Conforme a evolução do programa, a área de compliance vai crescendo também”, disse, lembrando que a área precisa ter autonomia e apoio da alta administração.

Tecnologia

Sobre as tecnologias que apoiam a área de compliance, Maurício citou duas categorias. As tecnologias reativas, que são aquelas que permitem recuperar conversas apagadas por redes sociais ou apps, as que monitoram palavras-chaves em mensagens trocadas, além das câmeras de vigilância. E as tecnologias preventivas, que permitem detectar algo, como assédio, antes mesmo de acontecer, por meio de machine learning. As denúncias são classificadas em tipologias e identificadas automaticamente pelo sistema. “Também é possível identificar e traçar o perfil de um colaborador, por exemplo, monitorando suas interações nas redes sociais, possibilitando trabalhar a conscientização diretamente com ele”, destacou. 

O episódio “Canal de Denúncias e Compliance na Saúde” pode ser visto na íntegra no canal do YouTube da Abramed, clicando neste link.

Sobre #DiálogosDigitais Abramed

Lançada pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) em 2020, período em que os eventos presenciais foram cancelados por conta da pandemia de Covid-19, a série #DiálogosDigitais Abramed trouxe uma sequência de bate-papos online com o propósito de manter o diálogo entre os diversos atores da cadeia de saúde, contribuindo para o desenvolvimento do setor no Brasil.

Abramed participa de lançamento do Programa Einstein de Inovação em Biotecnologia

Iniciativa possibilitará a criação de ações com indústrias farmacêuticas, de dispositivos médicos e diagnósticos


No dia 4 de julho, o presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, participou do Petit Comité para o lançamento oficial do Programa Einstein de Inovação em Biotecnologia, no Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, em São Paulo (SP).

Estiveram presentes os executivos do Einstein: Sidney Klajner, presidente; Nelson Wolosker e Claudio Mifano, vice-presidentes; e Henrique Neves, CEO, que compartilharam a jornada da organização na escolha da biotecnologia em saúde como um guia de visão estratégica para os próximos anos.

O novo programa nasceu para apoiar iniciativas e possibilitar maior acesso à infraestrutura, aos insumos e a equipes profissionais com as quais se consiga produzir inovações em biotecnologia que sejam de fato transformadoras e tenham a possibilidades de chegar ao mercado mundial.

“O lançamento do Programa de Biotecnologia do Einstein representa importante iniciativa de estímulo à inovação em nosso país. Certamente trará bons frutos para a comunidade científica e para a população brasileira”, avalia Shcolnik.

Como parte dessa ação, o Einstein também anunciou uma nova unidade, a Eretz.bio biotech, para apoio a startups e empreendedores do setor de biotecnologia com foco em saúde. O novo braço contribuirá para o desenvolvimento de novas soluções diagnósticas, medicamentos e vacinas, além do fomento a pesquisas translacionais.

A sede da incubadora fica no Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein – Campus Cecília e Abram Szajman, e estará em operação a partir deste mês de julho. A Eretz.bio biotech foca nas frentes de pesquisa translacional, empreendedorismo, incubação e aceleração em redes internacionais de colaboração. Todas elas poderão gerar iniciativas em conjunto com startups e empreendedores e cocriar produtos, além de promover transferência de conhecimento e tecnologia entre países. O programa possibilitará também a criação de ações com indústrias farmacêuticas, de dispositivos médicos e diagnósticos para desenvolvimento de novos produtos.

Os participantes do programa se beneficiarão da estrutura do novo Centro de Ensino e Pesquisa, com acesso aos laboratórios de alta tecnologia, como suporte para pesquisas e procedimentos. No local, há uma plataforma de “Salas Limpas”, que contribuirá para estudos pré-clínicos e clínicos. Além do novo Centro, o Programa contará com as estruturas dos Centros de Estudos pré-clínicos e da Academic Research Organization (ARO) do Einstein.

A rede de iniciativas internacionais para intercâmbio tecnológico é formada por países como Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Portugal, Espanha, Israel e Singapura. Ainda este ano, os acordos de cooperação poderão ser ampliados para outros locais da América Latina, China, Japão e Coreia do Sul.

“Laboratório do Futuro” foi tema do painel promovido pela Abramed, no 47º CBAC, em Fortaleza

Com experiências dos Grupos Dasa, Fleury e Sabin, foram mostradas novas dinâmicas que o conceito traz para a área de Análises Clínicas

As questões que permeiam o “Laboratório do Futuro”, com abordagens que trouxeram um olhar estratégico para portfólios e parcerias, laboratórios clínicos e ecossistema de saúde, bem como transformação digital, foram destaques na temática do painel promovido pela Abramed, durante o 47º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), no dia 21 de junho, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza – CE.

Moderado por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da entidade, o painel contou com a participação de Aline Amorim Martinez Ribeiro, Diretora no Grupo Fleury; Lídia Abdalla, CEO do Sabin Medicina Diagnóstica; e Linaldo Vilar Jr. – Diretor de Produção na Dasa.

A importância de debater esse tema na programação do congresso foi ressaltada por Luiz Fernando Barcelos, ex-presidente da SBAC. “Tratar sobre o Laboratório do Futuro faz-se necessário pela sua relevância no cenário atual do mercado de saúde, em constante evolução e, cada vez mais, voltado para as novas tecnologias”, destacou ele na abertura do painel.

Na sequência, Shcolnik fez seus agradecimentos e enalteceu a oportunidade de a Abramed, a convite da SBAC, participar pela primeira vez de um congresso de análises clínicas e poder, dessa forma, apresentar as atividades institucionais da associação, que foi criada há 11 anos com o objetivo de unir prestadores de serviços que atuam na área de Medicina Diagnóstica e são lideranças nesta área.

O presidente destacou que, devido a essa composição da Abramed, que conta com a participação significativa de empresas do setor, foi possível reunir, neste painel, participantes dos Grupos Dasa, Fleury e Sabin, associados da Abramed e protagonistas nesse tema, para mostrarem suas visões sobre o que está acontecendo em escala nacional. “Esses trabalhos respondem ao patamar que a Abramed atingiu por ser responsável por quase 60% dos exames que são realizados em saúde suplementar. Nesse nicho de mercado, alguns associados atuam também realizando exames na área pública, no Sistema Único de Saúde (SUS), através de convênios com prefeituras”, disse Shcolnik, compartilhando um panorama sobre as atividades da Abramed e seu quadro de associados.

Em termos de planejamento estratégico para 2022, informou ainda que a Abramed já tem aprovação para trazer à entidade laboratórios de pequeno e médio portes, ampliando as fronteiras na área da medicina diagnóstica.  Segundo ele, os objetivos da associação são modernos e, acima de tudo, visam debater temas de interesse do setor, promovendo um diálogo aberto, mas com uma característica que está vinculada aos tempos atuais em torno, principalmente, da ética.

“A Abramed tem um código de conduta e exige que seus associados o respeitem incondicionalmente. Sabemos que temos diversos desafios e estamos preparados para responder e atuar dia a dia a fim de superá-los com ética e transparência, especialmente no que tange aos exames de laboratório”, declarou.

Ele ainda fez considerações em torno de detalhes que estão sendo envolvidos na Reforma Tributária, que vai atingir prestadores de serviços de todos os portes e os diálogos que a entidade vem conduzindo para evitar possíveis penalidades ao setor, além de outros temas que interessam aos trabalhos da entidade e de seus associados nacionalmente, bem como os influenciam.

Em sua apresentação, o presidente falou especialmente sobre a forte atuação da Abramed na regulação do setor de Radiologia e destacou o trabalho em torno da Revisão da RDC 302, discutida pela associação com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com entidades como a SBAC, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e os Conselhos Federais de Farmácia, de Biomedicina e de Medicina. Ele finalizou explanando sobre as ações em torno da Agência Reguladora dos Planos de Saúde.

Destacou também que a Abramed atua de braços dados com as sociedades científicas. “Consideramos os trabalhos dessas organizações essenciais para a sobrevivência também do nosso setor e sua valorização. Portanto, além de parceria com a SBAC, atuamos com diversas outras entidades ligadas ao assunto”, diz.

Para Shcolnik, essas iniciativas dão o tom empreendedor da Abramed em seu pouco tempo de história, alimentando a disposição e o empenho da entidade para conduzir os trabalhos que ainda virão. Com isso, deu início às apresentações do painel convidando Linaldo Vilar Jr, que abordou o tema “Laboratório Clínico e Ecossistema de Saúde” e apresentou o modelo de saúde inteligente que busca integrar todo o setor de saúde para tratar de forma personalizada, contínua e preventiva ao longo da vida dos clientes.

“Olhar para a saúde e não para a doença é o objetivo do Dasa através da conexão com todos os entes que impactam o ecossistema da saúde e priorizando a inovação em nosso trabalho”, disse Vilar Jr.

O executivo destacou que a jornada da empresa não é fácil, é um processo longo, mas muito focado na prevenção, na promoção e na predição da saúde, embasado por um banco de dados robusto que permite toda a integração. “Ter esse ecossistema integrado não consiste só na infraestrutura ligada aos laboratórios e hospitais, mas em como conectá-los através de dados e como isso impacta também a jornada dos nossos pacientes e de todos os atores envolvidos, desde médicos até operadoras e parceiros em todo o Brasil”, informou.

Compartilhar esse trabalho com foco na inovação e em consonância com as premissas do conceito de Laboratório do Futuro é o grande diferencial do propósito da Dasa nesse setor, frisou o executivo ao apontar que a empresa busca conciliar a saúde que as pessoas desejam com a que o mundo precisa. “É uma realização diária que exige compromisso, eficiência, excelência e melhor experiência para o nosso paciente para alcançarmos a materialização do nosso trabalho”, descreveu. Vilar Jr. que fez, ainda, um breve relato sobre os três modelos de gestão adotados pela Dasa e os benefícios que propiciam para a empresa e seus clientes.

O painel contou também com o tema “Laboratório do futuro: um olhar estratégico para portfólio e parcerias”, ministrado por Aline Amorim Martinez Ribeiro. Ela apresentou a gestão estratégica conduzida pela empresa e seu portfólio de ações e parcerias que permitem a expansão da capilaridade no setor de investimentos em novos elos da cadeia da saúde, como ortopedia, oftalmologia, infusões de imunobiológicos e fertilidade.

A diretora do Grupo Fleury explorou a atuação da empresa na área de Lab to Lab. “Olhando para esse mercado no setor de medicina diagnóstica em 2021, conforme dados da Abramed, tivemos cerca de R$ 5 bilhões em exames diagnósticos feitos no sistema Lab to Lab e entendemos que é uma grande oportunidade de complementação de portfólio para os mais de 15 mil laboratórios espalhados em todo o território nacional”, informou.

Ela fez observações sobre as implicações no papel do paciente também no que concerne a esse trabalho e falou sobre a gestão do Grupo Fleury nas questões que envolvem as atividades de alta complexidade. “Conforme as nossas práticas internas, a gestão da complexidade exige o entendimento com o suporte transversal e da nossa equipe médica, que acompanha todo esse processo e suas diversas etapas, demandas e atores envolvidos”, observou.

“Transformação Digital no Laboratório Clínico” foi a pauta da palestra feita porLídia Abdalla, que destacou a representatividade da SBAC no país face à sua atuação em prol dos laboratórios clínicos no Brasil.

A CEO do Sabin abordou a importância da tecnologia, da inovação e da transformação digital ao longo da pandemia, em especial para o setor da saúde passar por ela e se reinventar. “Sem a tecnologia, certamente esses dois últimos anos teriam sido muito mais duros”, expressou.

A executiva contou sobre a estratégia de inovação adotada pelo Sabin nos últimos anos, com foco no propósito principal da companhia: inspirar e cuidar da saúde das pessoas, oferecendo prestação de serviços de saúde com excelência, entre outros valores adotados pela empresa desde 1999, quando implementaram o primeiro selo de qualidade do Sabin, em conformidade com a norma ISO 9001.  “Esses valores são revisados anualmente para atender à nossa estratégia de gestão e todo o desenvolvimento tecnológico que vem sendo construído ao longo dos anos. Assim, a inovação é parte do nosso DNA”, destacou, completando sobre as linhas de trabalho do Sabin em torno do tema e alguns resultados alcançados com a transformação digital onde a marca atua.

O painel foi finalizado com um debate entre os especialistas, que puderam discorrer sobre especificidades em torno da implementação do “Laboratório do Futuro” e demais informações importantes para o desenvolvimento das análises clínicas com base nesse conceito inovador.

Mais informações sobre a programação do 47º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas da SBAC podem ser acessadas no link: www.sbac.org.br/cbac/.

Abramed contribui para discussão sobre legado da pandemia no Fórum Brasil Imune

Milva Pagano salientou a importância da atuação dos associados à entidade, que oferecem a vacina de maneira complementar

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do Fórum Brasil Imune, evento online promovido pelo Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) nos dias 08 e 09 de junho.

A diretora-executiva da entidade, Milva Pagano, integrou o painel que discutiu os legados deixados pelo programa de imunização da covid-19, no dia 08. Compondo a mesa de debate também participaram Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); Renato Casarotti, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge); Lely Guzmán, especialista internacional em imunização da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil; Ana Karolina Marinho, médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP); e Ana Goretti Kalume Maranhão, pediatra do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A presidente do LAL, Marlene Oliveira, participou juntamente com a jornalista Andressa Simonini, moderadora do debate.

A pandemia tornou o assunto vacinação comum entre familiares e amigos, então é preciso aproveitar esse interesse para aumentar a conscientização, já que o país passa por uma fase de baixa na cobertura vacinal.

“Acredito que, se algumas doenças estão voltando por falta de aderência ao programa de vacinação, todos temos nossa cota de responsabilidade. Por isso, é vital levarmos informações para a população em todas as frentes, tanto nas escolas quanto nas empresas. As palavras de ordem são educação e conscientização”, comentou Milva.

Sobre medicina diagnóstica, destacou a importância da atuação dos associados à Abramed, que oferecem a vacina de maneira complementar ao SUS. Citou, ainda, como o setor tem sido impactado por toda a transformação digital.

Destaques

A importância da integração entre o setor público e suplementar foi um dos temas apresentados. Para Cassarotti, da Abramge, as operadoras de saúde estão abertas e se sentirão honradas com essa parceria, porque sabem dos efeitos positivos para a saúde da população e para todo o sistema. “Poderemos participar de forma mais assertiva em prol do programa de imunização, porque é um benefício para todos”, disse.

Ana Goretti, do PNI, ressaltou a necessidade de investimento em três grandes campanhas: covid-19, influenza e sarampo. “Temos de aproveitar a experiência com a pandemia para trabalhar intensamente e recuperar o tempo perdido, a fim de que as vacinas cheguem principalmente a crianças e adolescentes.”

Sobre a questão da baixa cobertura de vacinação, Kfouri, da SBP, apontou que os motivos são diversos, de acordo com cada região. Por isso, são necessários estudos que avaliem essas razões, que podem ser falta de vacina, acesso, qualidade na informação, capacitação vacinal e, principalmente, falta de confiança da população.

“Não estamos sabendo passar informações de forma adequada, e a crítica é para todos. Se não tivermos a confiança das pessoas, será difícil a adesão. O caminho é duro, é difícil, mas precisa ser construído com informação de qualidade, usando as ferramentas digitais que os novos pais hoje utilizam, para que, de forma empática, possamos motivá-los a se vacinarem e vacinarem seus filhos”, comentou.

Lely, da OPAS e da OMS, lembrou que o PNI está prestes a comemorar 50 anos e que é necessário recuperar os bons resultados. “Temos de melhorar os números em toda a região pan-americana. Precisamos fortalecer políticas de vacinação para recuperação e construção de conhecimento e práticas especificamente voltadas aos trabalhadores de saúde, que garantem as boas práticas no processo.”

Além do desenvolvimento tecnológico, a pandemia trouxe como legado positivo a reflexão sobre pontos a fortalecer, como infraestrutura em saúde, ciência, cooperação e transdisciplinaridade, acrescentou Ana Karolina, da HC/FMUSP. “Nisso, o papel da comunicação é muito prioritário”, destacou.

No fim do debate, foi transmitido um vídeo produzido pelo LAL, que apresenta entrevistas com algumas pessoas sobre o que sabem a respeito de imunização e suas percepções.

A transmissão completa do evento no dia 8 de junho pode ser vista neste link.

Empresas devem ser protagonistas na promoção do cuidado integral dos seus colaboradores

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, moderou o debate sobre promoção da saúde e Gestão de Pessoas no evento digital #ComMeet, na FISWeek

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) promoveu, no dia 3 de maio, durante o #ComMeets, um dos eventos digitais da FISWeek — encontro virtual que reúne lideranças, empresas e entidades para compartilhar conteúdos e experiências para transformar o ecossistema da saúde —, o painel Promoção da Saúde na Gestão de Pessoas.

Com a participação de Lucilene Costa, gerente de Saúde e Segurança Corporativa no Grupo Fleury e diretora do Comitê de RH da Abramed; Cesar Izique, gerente-executivo da Dasa e também membro do Comitê de RH da Abramed, e moderação da diretora-executiva da entidade, Milva Pagano, o debate destacou que as empresas vêm passando por um processo de transformação nos últimos anos no que se refere à gestão e promoção da saúde de seus colaboradores e beneficiários, acelerado ainda mais nos últimos dois anos pela pandemia de Covid-19.

Os especialistas ressaltaram que, por isso, cada vez mais é importante que as organizações sejam protagonistas do cuidado integral desses profissionais, inclusive de seus familiares, pensando no ecossistema da saúde como um bem maior.

“É importante que a empresa cuide dos seus colaboradores indo além da oferta de planos de saúde, completando esse ciclo com a gestão e a promoção da saúde, inclusive para haver o autocuidado”, afirmou Lucilene.

Para tanto, é fundamental um processo de mudança das instituições em que o ponto de partida deixe de ser a doença para dar lugar à saúde. Segundo Milva, trata-se de uma nova perspectiva em que as organizações passam a acompanhar de perto o histórico clínico dos seus colaboradores e fazer a coordenação do cuidado para que esses profissionais tenham mais qualidade de vida, ao mesmo tempo, em que sejam evitados desperdícios de recursos financeiros.

A resposta para esse desafio passa pela formação de ecossistemas. Na prática, é o desenvolvimento de soluções integradas que viabilizam enxergar todos os aspectos relacionados à saúde de cada indivíduo para fazer a efetiva coordenação de cuidados.

“É uma nova forma de observar a saúde, de maneira mais ampla, com atenção aos cuidados preventivos e preditivos, trabalhando com dados para evitar desperdícios, visto que o custo  hoje relacionado às doenças é altíssimo”, ponderou Izique, que salientou ser importante que se avalie também porque as pessoas estão precisando cuidar da saúde física e mental e como está a cultura de saúde dentro dessas organizações.

Na visão de Milva, a ideia da linha de cuidado no ecossistema, com a atuação primária, secundária e terciária efetivamente mostra essa transformação da saúde ocupacional e da medicina do trabalho, saindo da esfera meramente burocrática, muitas vezes de somente cumprir legislação, fazer exames admissionais e demissionais, para muito além.

“As empresas com a área da saúde ocupacional envolvida estão implantando os programas mais bem-sucedidos em gestão da saúde ou até mesmo liderando essas ações. Isso representa um forte indicador de sucesso nos programas de gestão de saúde corporativa”, afirmou a executiva.

O empoderamento das pessoas, enquanto pacientes, também foi destacado pela  diretora da Abramed.

“Hoje ele dialoga com o médico, discute os diagnósticos, ou seja, atua sob uma nova postura. Para nós, esse empoderamento representa vantagens e diversas oportunidades, pois estamos falando de pessoas e a pandemia revisitou a importância das pessoas, suas forças e fraquezas. Essa transformação pela qual o setor passa e que na saúde ocupacional também foi intensificada, trouxe mudanças positivas e vejo isso com bons olhos, como a telemedicina e a telessaúde, que com a eficácia dos atendimentos a distância, conseguiram promover a jornada do ciclo do cuidado com muito mais efetividade”, pontuou.

Saúde mental

Se hoje a saúde ocupacional tem uma atuação muito mais protagonista e relevante na gestão de saúde corporativa, liderando ou co-liderando a jornada do cuidado, também é necessário, segundo Milva, que as organizações estejam atentas às questões da saúde mental dos profissionais, pois antes mesmo do novo coronavírus já se vivia uma epidemia, com muitos afastamentos do trabalho em decorrência desse tipo de doença.

Saber como as pessoas estão sendo cuidadas nas corporações, com atenção ao tipo de ambiente, clima e cultura organizacionais ofertados, para identificar o que está adoecendo as pessoas, ou mantendo a saúde delas é papel da Gestão de Pessoas.

Para Lucilene, é muito importante a diretoria entender que os departamentos da empresa não são ilhas, que todas as informações recebidas a partir da operadora de plano de saúde, das gerências de RH, incluindo dados sobre turnover (taxa de rotatividade de funcionários), absenteísmo, presenteísmo e afastamento de trabalho, são necessárias para se entender como área de apoio.

“No Fleury, assim como em outras organizações, temos setores e negócios com as suas peculiaridades e entender que as necessidades de quem atua no laboratório, no administrativo, no home office, e no hospital diferem é fundamental. Essa delicadeza e pesquisa são importantes, assim como avaliar os dados com continuidade, pois darão insumos para analisar as necessidades de cada população. É entender no perfil epidemiológico qual é a sua população e criar programas específicos para ela, conforme o que precisa, inclusive com o olhar para a saúde mental”, explicou Lucilene.

É um trabalho dinâmico, segundo Izique, para entender se a linha do cuidado da sua população de colaboradores está no caminho certo. Ele ressaltou ser muito importante a integração entre a medicina assistencial, ocupacional e a segurança do trabalho, estruturas que não podem atuar em áreas e conceitos diferentes.

“A atuação do médico do Trabalho é relevante para direcionar as atuações nas companhias. Eles são os captadores das informações nos exames periódicos  para direcionar os cuidados que os colaboradores precisam”, justificou o gerente-executivo da Dasa.

Já para a segurança psicológica inclusive de líderes e gestores, ele informou ser preciso realizar treinamento e prepará-los para identificar quem está doente e necessita de acolhimento, por questionários, e contribuir para haver uma relação de confiança, algo tão importante em qualquer relação.

“Quando se  traz isso diminui-se turnover, absenteísmo, presenteísmo e de fato se consegue enxergar o cuidado que a empresa tem com o colaborador e com sua família”, finalizou Izique. 

Painel Abramed na JPR 2022 discute tendências do mercado de Saúde na visão de CEOs que atuam no setor

Entidade também participou com estande institucional que recebeu associados e parceiros durante os quatro dias de evento

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esteve na 52ª Jornada Paulista de Radiologia (JPR), evento organizado pela Sociedade Paulista de Radiologia (SPR), que ocorreu entre os dias 28 de abril a 01 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Em Painel promovido pela entidade e que compôs a programação oficial do evento, executivos discutiram as principais tendências do setor de medicina diagnóstica. O objetivo foi evidenciar os movimentos mais atuais, em curso em hospitais e em grupos de medicina diagnóstica e trazer subsídios para um maior entendimento do caminho para o qual o futuro aponta, especialmente na radiologia. 

Conduzida por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, o bate-papo contou com a participação de Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury; Fernando Ganen, Diretor Geral do Hospital Sírio Libanês; e Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin. Fragmentação do setor, digitalização, interoperabilidade, qualidade e a importância da educação continuada e da formação de profissionais foram tópicos abordados e apontados como desafios importantes pelos executivos.

“A JPR é um evento com foco em temas científicos e cumpre essa missão com muito brilhantismo. Mas, complementar a programação com discussões de cunho mercadológico, como a que estamos promovendo, é bastante importante para que os radiologistas conheçam o seu ambiente de trabalho”, iniciou Shcolnik, ao agradecer o espaço e também enfatizar a necessidade de que cada vez mais pautas como essas façam parte da grade de eventos para especialistas.

O setor de saúde, sem dúvidas, é um dos mais visados do ponto de vista de investimentos e de crescimento. Trata-se do 8º maior mercado de saúde globalmente, 6º mercado farmacêutico mundial e o 3º maior privado de saúde do mundo. São mais de 6,2 mil hospitais, 20 mil Centros de Diagnóstico e 300 mil entidades de saúde.

Entre os maiores desafios, segundo Ganen, que abriu o painel trazendo números sobre o setor, estão os movimentos cada vez mais intensificados de verticalização e consolidação e também um nível muito baixo de integração e conectividade. Tudo isso potencializado pela alta da inflação no pós-pandemia e pelo processo eleitoral para a Presidência da República e outros importantes cargos públicos. 

Fragmentação

A alta fragmentação do ecossistema, com múltiplas regiões, perfis diferentes de pagadores e provedores, foi também outro aspecto salientado por Ganen. Para ele, nesse cenário, é ainda mais importante para que o cuidado centrado no paciente seja o ponto inicial para qualquer discussão em saúde e que todos os stakeholders trabalhem em alinhamento. Sem isso, o sistema torna-se insustentável. “É preciso colocar a fonte pagadora, os contratantes da fonte pagadora e os prestadores de serviços para pensarem em soluções conjuntas e, desta forma, entregarem um melhor cuidado ao paciente”, enfatizou.

Segundo Jeane Tsutsui, esta fragmentação e a formação de diversos ecossistemas acaba atingindo todo setor de uma forma geral no Brasil. Mesmo quando se olha para o diagnóstico, os quatro maiores players do setor, correspondem a 30% do market share. A executiva lembrou durante a sua explanação que a própria jornada de cuidado do paciente é fragmentada e que, durante sua trajetória, não é incomum que o paciente se sinta perdido e seja deslocado de um local para outro, sem nenhuma conexão. Mas, destacou a importância da medicina diagnóstica tanto para integrar, como para respaldar todas essas etapas do cuidado.

“O diagnóstico está presente em todas as etapas do cuidado, seja na atenção primária ou no suporte para questões mais simples, até a alta complexidade. Ela acaba sendo a espinha dorsal. Por isso, ela traz uma vantagem: o paciente pode ser conduzido no cuidado na saúde, englobando o diagnóstico de uma maneira integrada e indo além, conseguindo completar a jornada de cuidado mesmo em um ambiente outpatient e com parcerias com hospitais de maior complexidade”.

A CEO do Grupo Sabin, Lidia Abdalla, também reforçou a ideia de o Brasil ser um país heterogêneo e com muitas diferenças de uma estrutura para outra. É evidente, na opinião da executiva, que olhar para a sustentabilidade do setor da saúde e também dos negócios para seguir sendo competitivo no mercado, seja algo complexo no atual cenário. Mas, atentou também para o fato que, embora essa estrutura traga os desafios da fragmentação, ela cria, em simultâneo, oportunidades para o setor e possibilidades de solucionar problemas que ocorrem já há algum tempo.

“Temos que estruturar novos serviços e inseri-los no fluxo para termos de fato uma presença maior na jornada do paciente, pensando em como podemos nos diferenciar e entregar mais valor ao cliente. A medicina diagnóstica tem uma característica muito importante, como já foi dito, e não podemos deixar de lado esse foco central: tudo começa por ela e tudo continuará passando independente do modelo verticalizado ou de consolidações.”, enfatizou Lídia. 

Ainda sobre a crucialidade do setor de medicina diagnóstica, o presidente do Conselho de Administração da Abramed, reforçou o seu papel na prevenção, que, no que lhe concerne, é ainda uma forte aliada para a redução dos custos totais na saúde. “Um diagnóstico errado, compromete todos os passos que se sucedem no cuidado à saúde. A medicina diagnóstica pode contribuir muito para trazer eficiência ao sistema de saúde. E, o nosso desafio é comprovar isso”, complementa Shcolnik.

Interoperabilidade

Emendando o tema aumento de eficiência, os CEOs foram indagados a respeito da importância da digitalização e da interoperabilidade nesse sentido. A inovação e o uso da tecnologia foram apontados como inegociáveis para o setor de radiologia, em especial com a chegada do 5G, inteligência artificial, entre outros avanços. Os radiologistas são afeitos a tecnologias e em alguns casos pioneiros em sua utilização. Muitos aspectos relacionados à digitalização e à interoperabilidade na saúde começam na medicina diagnóstica, área onde também muitos dados médicos são gerados. Inclusive, elas já são uma realidade e devem ser pensadas para agregar valor aos negócios e aos pacientes, sempre considerando os aspectos relacionados à segurança.

Porém, Lídia Abdalla, chamou a atenção para um ponto, enfatizando que existe uma certa ambiguidade nesse tema: de um lado a necessidade e do outro, a manutenção da privacidade. Ter dados e informações integradas de todos os exames, sejam eles de análises clínicas ou de imagem, é uma tendência. Como solução, a LGPD emerge como algo bastante positivo que norteia como trabalhar essa questão do compartilhamento de dados e destacou ainda que “muitas pessoas falam que a interoperabilidade é complicada e ela é. Mas, ela acontecerá de qualquer forma”, ressalta a executiva.

Fora a adequação, Jeane, apontou que a tecnologia tem que ser usada a favor da medicina e da prática médica para aumentar a produtividade. Segundo a presidente do Grupo Fleury, isso é crucial em um país de muita carência em saúde e de sobrecarga de trabalho.  “Existe diferença entre teoria e prática e uma lacuna grande entre o que é possível e o que é necessário. É importante pensar em como fazer isso, na prática. Olhando o futuro, o equilíbrio está em nossas mãos, e precisamos incorporar a tecnologia, porque o mundo será cada vez mais digital. Se somos organizações focadas no cliente, temos por obrigação aderir ao digital, pois isso já faz parte da vida dele e a área da saúde também pede isso”.

Porém, Ganen ressaltou que a despeito da tecnologia ser crucial, a humanização segue sendo um fator de extrema importância. “Diante de um achado crítico, por exemplo, é importante que o radiologista pegue esse exame e vá até à sala ao lado discutir esse caso com o seu colega. Isso muda a vida do paciente. Falo isso como clínico e não como gestor”.

A mudança nos modelos de remuneração e a continuidade ou não do modelo fee service também foram abordados durante a discussão. E, os painelistas chegaram à conclusão de que a complexidade da saúde não permite que se tenha um único modelo. O setor está tentando buscar alternativas sustentáveis, mas o fator crítico de sucesso desse negócio é ter pessoas preparadas, capacitadas e sendo desenvolvidas continuamente. Por isso, qualidade e educação continuada também foram aspectos abordados pelos CEOs durante diversos momentos do painel.

“O paciente é dono de seus dados e também de escolhas. Por isso temos que trabalhar para ter melhor serviço, pelo atendimento humanizado e sim olhando para a sustentabilidade financeira dos nossos negócios”, finaliza Lídia a respeito da questão.

Abramed participa do Fórum ABRAIDI e discute a saúde financeira dos fornecedores da área

Wilson Shcolnik destacou que vem assistindo grandes transformações no sistema de saúde há anos, inclusive como personagem dessa história

O Fórum ABRAIDI 2002, realizado de forma híbrida (online e presencial), em São Paulo, no dia 26/4, debateu “O presente e o futuro do setor de produtos para saúde no Brasil”. Durante o evento, o atual presidente executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI), Bruno Boldrin, mencionou os 30 anos da entidade e o lançamento da campanha publicitária pública, que divulgará a importância da cadeia para qualidade da saúde. Representando Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração, participou do Painel que discutiu a financeirização em saúde, o fenômeno da verticalização e consolidações no setor de saúde e os desafios decorrentes.

Dentro da ótica dos prestadores, profissionais e operadoras, acerca dos benefícios, dilemas e desafios do fenômeno da financeirização da saúde, Shcolnik destacou que vem assistindo grandes transformações no sistema de saúde há anos, inclusive como personagem dessa história, quando 20 anos atrás o laboratório de análise de sua família foi adquirido pelo Grupo Fleury.

O presidente da Abramed apresentou um cenário que continua favorável para verticalização, assunto que já foi temido pelo setor e a consolidação horizontal, mas que se mantém mesmo depois da pandemia, “mesmo com um mercado aparentemente paralisado, houve um crescimento no setor de 30%. As consolidações continuam, como a Rede D’Or, a SulAmérica Saúde, o Fleury que está adquirindo clínicas oftalmológicas e de ortopedia, o Sabin, de Brasília, que comprou CML, além de vários hospitais adquirindo Centros de Imagens”, comenta.

Shcolnik contextualizou em sua apresentação os números do setor, como os de empreendimentos no país. “É importante entender que quando há uma base estrutural correta, todos ganham. Precisa haver um maestro para conduzir a jornada do paciente, que se puder encontrar em um mesmo espaço tudo ou quase tudo que necessita para manutenção ou socorro da sua saúde, através de uma prestação de serviço de qualidade, terá prazer de ser cliente desse sistema privado. É necessário saber reger, ter colaboradores de qualidade e oferta de tecnologia avançada. Cada setor é um elo de uma corrente que deve ser perfeita”, finalizou.

Dividindo o painel com Shcolnik, estava Miyuki Goto, assessora da Associação Médica Brasileira (AMB), que falou do papel das agências reguladoras e suas falhas em não colocar na mesa de negociação fornecedores junto com as operadoras de saúde, entre outros itens.

Sergio Rocha, presidente do Conselho de Administração da ABRAIDI, aproveitou o momento para apresentar os dados do anuário lançado, trazendo alguns números que vem acender sinais de alerta, como a comparativo entre exportação de produtos médicos, que teve um crescimento de 4,8% em contraponto de 7,3% de importação. Os valores de R$ 1.3 bilhões gastos com Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME´s) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) se mantém o mesmo há anos, com o agravante do longo prazo para pagamento estar a cada dia mais estendido, além de uma série de produtos que não são reajustados há duas décadas.

No painel de discussão sobre a complexidade da cadeia de valor do fornecedor de produtos para saúde, com foco no desequilíbrio de responsabilidades entre os players da cadeia que oneram o fornecedor de produtos para saúde, Felipe Barreiro, general manager da Medtronic do Brasil, fez ressalvas importantes para o setor.

“Embora o Brasil tenha um sistema único que atende toda a população, a falta de uma política de longo prazo resulta em uma incerteza constante para as empresas globais. A Medtronic está no Brasil há 50 anos, temos duas fábricas no país, mas lamentavelmente deparamos com um cenário desfavorável devido as constantes incertezas do cenário político e econômico”, comenta Barreiro, que conclui quanto ao setor: “Temos um imenso leque de produtos, R$ 13 bilhões em estoques e com lead time de mais de 79 dias, o que nos dá uma margem corroída, uma conta que não fecha e um sistema perto de travar. A solução tem que ser construída além das fronteiras de nossas organizações, é hora de pararmos de nos enxergar como concorrentes, passando a ter uma visão mais geral para encontrarmos soluções transversais”.

Doutor em Economia, Roberto Luís Troster trouxe informações sobre contexto macroeconômico, alertando, inclusive, sobre o posicionamento do dólar no cenário mundial, que vem perdendo frente cada vez mais para o Euro e para as criptomoedas – uma luz para as informações trazidas por Patricia Marrone, sócia-diretora da Websetorial Consultoria Econômica, que afirmou que 37% dos produtos do setor, comercializados no mercado, são importados e vêm sofrendo variação de custos. “Em dezembro devemos ter o dólar estável em R$ 4,50, mas devemos ter atenção a cinco fatores de risco: Ucrânia, eleições no Brasil, fatores energéticos, pandemia, economia da China e questões fiscais mundiais, além do nosso maior monstro – a inflação”, apontou Troster.

Fechando o evento, os painéis sobre e-commerce e doenças cardiovasculares, ministrados por Rodrigo Correia da Silva, CEO da Suprevida, e Sergio Madeira, Diretor Técnico ABRAIDI, respectivamente, levantaram pontos essenciais para o setor, como o debate sobre a importância da telemedicina, inteligência artificial, robótica e o avanço das tecnologias de ponta como um todo.

Assista ao Fórum Abraidi 2022 na íntegra AQUI.

Abramed contribui para discussão sobre agenda de políticas para a saúde em evento virtual

Participante do Welcome Saúde, Leandro Figueira destacou a importância da educação para o desenvolvimento do setor

“Diálogos para uma agenda de políticas para a saúde” foi o tema do debate promovido pelo Grupo Mídia no evento Welcome Saúde: Perspectivas políticas e econômicas pós-pandemia, realizado virtualmente no dia 27 de janeiro. 

Com moderação de Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Abimo – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, o debate contou com profissionais de grande experiência no setor, que discutiram as necessidades da área de saúde e as perspectivas para este ano.

Segundo Francisco Balestrin, presidente do SINDHOSP – Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Demais Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo e do CBEXs – Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde, em 2020 começou um movimento muito positivo da sociedade, mostrando a interdependência entre todos os atuantes na área de saúde, inclusive entre os setores público e privado.

“Entretanto, nessa trajetória, sofremos muito. A política repercutiu em todas as ações: no desenvolvimento de produtos, nas ações coordenadas de combate à doença e de produção de vacinas, ou seja, além do ‘inimigo comum’, chamado Covid-19, tivemos de enfrentar outro elemento, a política, com mudanças constantes de ministros e disseminação de notícias falsas”, destacou Balestrin.

Para o presidente do SINDHOSP e do CBEXs, será muito difícil desenvolver uma política pública de saúde em 2022. “O cristal já está trincado, não tem jeito de colar. Precisamos de uma grande mudança. Todos teremos de trabalhar para produzir propostas de reestruturação do sistema que possam ser utilizadas a partir do ano que vem, não deste ano”, revelou. 

Também convidado para o debate, Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed – Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica, concordou com a opinião de Balestrin sobre não ser possível haver mudança política este ano, pois o país vai se concentrar na agenda eleitoral.

Questionado sobre a necessidade de uma melhor organização dos recursos disponíveis para saúde, Figueira comentou que o mercado de saúde privado é extremamente onerado. “Geramos riqueza, resultado para o PIB, emprego, mas sua sustentabilidade é questionável. A questão é: qual o limite da gestão para fazer com que todas as margens decrescentes sejam responsáveis por manter o setor?”

Figueira citou os desperdícios e a falta de recursos tanto do setor público quanto do privado. “Todos dizem que a racionalização de recursos é necessária, mas nós, como agentes de mudança, ainda não internalizamos ou não tivemos a força política necessária para poder mudar a mentalidade dos políticos e criar uma política de Estado, seja para a saúde suplementar, seja para o Sistema Único de Saúde.” 

Para o vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, precisamos educar a população sobre a utilização dos recursos em saúde conscientemente. “Mobilizando a sociedade, a racionalização do recurso vai naturalmente aparecer e teremos um setor mais sustentável”, expôs.  

De acordo com Figueira, não adianta ir atrás dos políticos para criar uma agenda pública e discutir o acesso à saúde. É necessário criar políticas públicas para definir qual é o grau de instrução da população para poder levar conhecimento. “E levando conhecimento, faremos uma sociedade melhor, elegeremos representantes melhores e será um círculo virtuoso de crescimento para o país.”  

Em sua apresentação, Figueira também destacou o papel da Abramed durante a pandemia, já que os associados foram extremamente requisitados, por ser a porta para a realização de exames. No entanto, o Brasil não conseguiu lidar com maestria com a crise. “Foi a iniciativa privada que se mobilizou para que os dados chegassem ao Ministério da Saúde. Em relação à área pública, a privada tem como diferenciais a disciplina, a capacidade de execução, a utilização de protocolos rígidos e a cobrança de profissionais superiores, no sentido de responsabilidade”, disse.

Falando sobre a atenção primária, Denise Eloi, diretora-executiva do ICOS – Instituto Coalizão Saúde, salientou a importância de ampliar e organizar o acesso à saúde, mas evitando soluções isoladas, investindo também nas atenções secundária e terciária.

“Algumas discussões pedem alterações na atenção primária, mas elas só aumentam a fragmentação do sistema de saúde. Entendo que aprimorar o modelo assistencial, a gestão, o financiamento, o desenvolvimento científico e tecnológico, a indústria, a relação entre público e privado, enfim, propostas que entreguem valor ao cidadão, deve ser o foco dessa agenda política”, expôs Denise. 

Também contribuiu para o debate Carlos Alberto Pereira de Oliveira, coordenador do Projeto “Sífilis Não”, pesquisador do LAIS/UFRN, vice-diretor do IFHT/UERJ e assessor externo da OMS para a Estratégia de Aprendizagem. Ele concorda com os enormes desafios para 2022, mas acredita que é nele que começará a construção para os anos seguintes. 

“Precisamos entender que 2022 será um ano em que a pandemia passará a ser uma endemia. A saúde, a economia, os empregos, o recolhimento de impostos não podem parar. Por isso, nossa agenda política na saúde é mais que prioritária e exige mobilização. Precisamos ter uma bancada no Congresso Nacional que defenda a saúde pública e privada como um negócio”, afirmou.

Conforme explicou Oliveira, é necessário ter um plano específico para o setor da saúde que dialogue transversalmente com outras áreas. E que chegue ao Congresso até o fim de fevereiro ou começo de março, senão não haverá uma política pública para defender coletivamente.  

Para os participantes, é importante definir os principais eixos que nortearão os próximos passos da saúde, unir forças e reunir pessoas que tenham compromisso com a saúde e sejam fundamentais para a tomada de decisões. A responsabilidade é de todos nós.

Abramed debate o futuro da saúde pós-Covid-19 durante o evento da MD Health

A proposta do evento é servir como um guia para os profissionais do setor, que já tem em curso diversas transformações digitais e outras tantas novidades que estão a caminho, como o 5G

O dia 9 de novembro de 2021 ficou marcado para o presidente do conselho da MD Health, Dr. Marcelo Sampaio. “Após dois anos este é o meu primeiro evento presencial. Fiz muitas especializações onlines, mas nada substitui o ‘olho no olho’. Portanto, posso definir esse momento como especial também pela possiblidade de, quem sabe, estejamos vencendo a Covid-19”, discursou. Na ocasião, Dr. Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), e Luis Natel, ex-diretor executivo do Grupo Notredame Intermédica e fundador da Abramed, estiveram presentes para debater “O futuro da saúde pós-Covid” ao lado de Henrique Neves, diretor geral do Hospital Israelita Albert Einstein; e Dr. Nelson Teich, oncologista clínico e mestre em Economia da Saúde.

De acordo com o Dr. Marcelo Sampaio, só será possível ter a real dimensão da Covid-19 daqui cinco anos. “Eventos como esse em que podemos discutir sobre o futuro da saúde servem como um guia para iluminar os caminhos na medicina, que está passando por uma verdadeira revolução. A prova viva disso é o quanto estão avançando os atendimentos virtuais, os devices, monitoramento à distância, realidade virtual expandida, robótica, entre tantas outras novidades que estão a caminho, como o 5G”.

Em sua apresentação de abertura, Sampaio também explanou como a MD Health, empresa de educação médica independente do Brasil e América Latina, [JP1] vem contribuindo para que a capacitação profissional seja cada vez mais independente e, assim, ser capaz de lidar com as adversidades. “Até pouco tempo atrás, a informação era restrita a academia. Se saíssemos da faculdade não tínhamos mais acesso ao conhecimento. Agora não mais. Queremos ser a maior potência de conhecimento deste país, e no final poder gerar a cura de doenças e elevar a qualidade de vida das pessoas. Hoje, queremos expandir nossa atuação de oncologia para a cardiologia, neurologia e ortopedia. Montamos um verdadeiro time para termos mais médicos qualificados e assertivos em suas decisões terapêuticas”.

Para Dr. Wilson Shcolnik, a pandemia trouxe diversos desafios que prevalecerão nos próximos anos. “Antigamente, era nítido que cada um tinha seu nicho de atuação. Nesse período de crise sanitária vimos muita cooperação e solidariedade entre os profissionais da saúde. E tem que ser assim daqui por diante. Outro ponto que merece um olhar atento é a questão da barreira regulatória. Temos como exemplo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que simplificou os caminhos para termos os registros mais facilitados. As perspectivas para o futuro são boas e não estão diretamente ligada à Covid, como a constituição de ecossistemas”.

Outra observação do presidente da Abramed foi em relação a importância da medicina diagnóstica constante. “Em 2020 eram esperados que fossem realizados 1 bilhão de exames complementares na saúde suplementar. Por conta da pandemia, apenas 85% foi feito. A consequência disso, na prática, é que tivemos uma queda de 46% no número de mamografias, por exemplo, entre outras doenças que necessitam de diagnósticos essenciais. Além disso, temos uma população que está envelhecendo e que, via de regra, tem mais de duas doenças crônicas que necessitam de exames. Com a medicina personalizada na tendência do setor, é inegável a importância de combater o desperdício na hora do diagnóstico. Sabemos de todas as limitações para a sustentabilidade do sistema”.

“O mundo é global quando interessa. Quando o problema fica grande, ele é local”, foi o que apontou Luis Natel. “Os insumos inacessíveis durante a primeira onda da Covid e a dificuldade de vacinar a população foram as provas disso. Sempre vimos as Entidades de classe tentando aglutinar os objetivos. Mas, de fato, só vimos isso acontecer com a pandemia. Devemos continuar esse movimento colaborativo. A inflação médica também ficou bem clara e exposta. O desperdício deve ser combatido, seja o que for: erro, má conduta, medo, recursos. É preciso aprender sobre gestão. O mercado vem se profissionalizando e, para termos um trabalho mais amplo, devemos ser integrados”.

Já Henrique Neves destacou o fato de algumas mudanças já estarem em curso quando o surto da Covid chegou. “Já havia uma transformação digital em andamento, na questão da transmissão e do armazenamento dos dados. Já emergia um novo consumidor, com voz ativa, que se manifesta e diz suas necessidades sem intermediador. O grande fato que vimos foi o poder de resiliência do brasileiro. Vimos um esforço profundo do estado e dos municípios para conseguir controlar a situação. Na segunda onda, vimos um sistema de saúde mais calibrado e evoluído, capaz de administrar e conseguir recursos. Estamos chegando no ‘início do final’, espero não estar sendo traído pelo vírus”, disse bem-humorado.

Na visão de Neves, o que é interessante é refletir se teremos paciência de olharmos para trás para refletir sobre essa experiência. “O que é tendência? O que acontecerá com o sistema de saúde no futuro? Quais as lições aprendidas durante a pandemia? Precisamos entender cada ponto e avaliar a questão da equidade, o que nós, como país, entendemos como equidade de acesso. Temos obrigação de fazer e discutir mais sobre esse tema que, certamente, dominará a agenda política”.

Dr. Nelson Teich lamentou o fato de ter presenciado o mundo inteiro brigando por um respirador. “A experiência de querer ajudar e não conseguir foi tensa, sofrida. A Covid veio para mostrar as fragilidades e ineficiências do sistema de saúde. A inovação transformou rapidamente os acessos, como o recurso diagnóstico. Mas, a capacidade de gestão não acompanhou na mesma velocidade. Os gestores precisam ter informação detalhada sobre o financiamento, a operação e a entrega. A informação deve ser clara, senão caminha-se às cegas e tomam-se decisões baseadas em intuição. Quando não se domina as variáveis, trabalhamos com a sensação que estamos usando a lógica. Em uma pandemia, aquilo que deveria ser tratado como evolução é encarada como uma situação de confronto. Nenhum país é preparado para uma sobrecarga como foi, nem Japão e países europeus foram capazes de lidar com o coronavírus”. O presidente da MD Health mostrou sua preocupação: “Onde está o verdadeiro colapso? É esse que vimos ou virá pós-Covid?”. Para o executivo é essencial estudarmos algumas variáveis. “Os médicos precisam entender um pouco sobre gestão, independente do sistema ser público ou privado. Vimos uma mudança de pensamento da população brasileira, que está mais preocupada com a sua saúde. Nos grandes centros vimos outro fenômeno, a vinda de pacientes que não imaginavam que alguns serviços não tinham o custo tão elevado. Agora: o que faremos com os programas de prevenções de doenças crônicas que foram interrompidos nesses dois anos? Quais serão os efeitos? Tivemos pesquisas e áreas de conhecimentos que também foram interrompidas. O que isso vai representar para o mundo pós-Covid?”, finalizou.

Abramed promove discussão sobre Medicina Diagnóstica do Futuro no ComMeets 21

Painel teve presença da Quest Diagnostics e do Hospital Israelita Albert Einstein

A “Medicina Diagnóstica do Futuro” foi o tema discutido no ComMeets 21, uma iniciativa do Fórum Inovação Saúde (FIS), que contou com a mediação de Wilson Shcolnik, presidente do conselho de administração da Abramed. No dia 12 de novembro, Carlos Moreira, diretor gerente da Quest Diagnostics CALA (Caribe e América do Sul); e Eliezer Silva, diretor de medicina diagnóstica e ambulatorial do Hospital Israelita Albert Einstein, estiveram juntos para mostrar seus cases e suas visões de mercado.

Em sua apresentação, Eliezer Silva mostrou que a medicina diagnóstica começou desde a fundação do Albert Einstein para dar todo o suporte necessário ao processo assistencial. “São 50 anos de experiência. Quando decidimos montar unidade de urgência e consultórios médicos, tivemos uma expansão da medicina diagnóstica, sempre casada com a assistência. Cada unidade lançada era associada a um serviço, papel preponderante dentro do hospital. Nos últimos três anos, decidimos criar a rede de atenção primária e, novamente, ela esteve presente – nos exames essenciais, permeando todos os níveis de atenção, participando ativamente na sustentabilidade da instituição. Atendemos o SUS, administramos dois hospitais, 23 unidades básicas, AMAS, Caps”, revela.

Carlos Moreira apresentou toda a expertise da Quest, inclusive o know-how em promover muito mais do que diagnósticos. “Trabalhamos na direção e consideração de riscos, bem como na predição de doenças e enfermidades antes mesmo dela existirem. Os investimentos nessa linha são altos, como espectrometria de massa, mobilidade iônica, entre outras tecnologias. Afinal, é preciso obter resultados melhores em saúde por meio de insights no diagnóstico”.

O Albert Einstein foi o primeiro laboratório brasileiro a diagnosticar um paciente com Covid. “Em janeiro de 2020, criamos uma rotina semanal, depois diária para o enfrentamento da doença. Isso foi fundamental para fazer uma previsão da curva de progressão e traçar a taxa de ocupação hospitalar e terapia intensiva. No final de fevereiro, registramos 135 internados na rede privada. Participamos da criação do Hospital Campanha do Pacaembu, tivemos que desenvolver nossa área de biologia molecular, precisávamos criar uma capacidade operacional brutal. Apoiamos, e continuamos apoiando, o Instituto Butantan na realização dos exames RT-PCR”.

Para Silva, a área de imagem foi fundamental, principalmente na medida que os processamentos de exames de pulmão foram demandados de maneira intensa, dando suporte tanto a unidade de pronto atendimento, quanto terapia intensiva. “Nos preparamos muito. O que achamos que ia acontecer em 2020, aconteceu no ano seguinte. Em 2021, tivemos 303 pacientes internados (o dobro do ano anterior) e quase 100 pacientes em ventilação mecânica. Fomos obrigados a criar um hospital de campanha dentro da nossa unidade no Morumbi. O fato é que a medicina diagnóstica vem se estruturando em processos e dando suporte em tempo real para assistir adequadamente os pacientes. Hoje, em novembro de 2021, temos oito internados e apenas dois em ventilação mecânica”.

Os investimentos da Quest durante o auge da pandemia foram massivos. “Colocamos para operar 25 centros de testagem nos Estados Unidos, repentinamente. Hoje, fazemos 200 mil testes PCR e 350 mil de antígeno por dia. Prestamos um serviço importante para as empresas que não podiam deixar seus funcionários em casa. Foram 6.800 postos de atendimentos nos EUA e 30 mil espalhados pelo mundo, por meio dos nossos parceiros. Foi muito importante ter tido essa estrutura e capacidade de grandes testagens”, afirma Moreira.

Revolução tecnológica

No final do ano passado, o diretor de medicina diagnóstica do Einstein recebeu a missão de coordenar o processo de transformação digital da instituição. “Um desafio enorme de aproximar as áreas de TI, big data, assistenciais e de negócios. Ao desenhar a jornada do paciente começamos pela medicina diagnóstica. Notamos que havia um distanciamento enorme desses processos da ponta que tem íntima relação com a experiência do cliente na percepção da equipe de tecnologia. Ouvimos com frequência: ‘não sabia que era para isso’. Nosso propósito da mudança é entender as necessidades mais triviais de forma integrada. Durante a pandemia, saltamos de 200 mil clientes atendidos diretamente pelo médico para uma base de 2 milhões por meio dos recursos digitais. O que notamos é que o indivíduo aprendeu a usar a tecnologia”. Moreira afirma que na Quest o digital sempre teve papel importante. “São 1,800 milhão de testes diariamente, 7 mil postos de atendimentos, 3.700 veículos de coleta, 23 aviões, 56 bilhões de data points de pacientes. É muito investimento em pesquisa e desenvolvimento para combinar dados e algoritmos. O uso da tecnologia é caro, mas permite informações mais precisas e de qualidade superior que conseguem trazer aspecto de predição”, finaliza.