Abramed amplia diálogo com ANS e Anvisa sobre soluções regulatórias para a medicina diagnóstica

Aproximação institucional reforça construção conjunta de agendas voltadas à qualidade dos serviços de saúde, segurança do paciente, excelência assistencial e sustentabilidade do setor

Reforçando seu papel na interlocução qualificada entre os prestadores de serviços de saúde e as principais autoridades regulatórias do país, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reuniu, em Brasília, lideranças do setor e representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para debater caminhos que garantam a sustentabilidade, a segurança jurídica e, acima de tudo, a qualidade da assistência prestada ao paciente.

Os debates ocorreram durante a Reunião Mensal de Associados, no dia 27 de maio, e foram pautados em torno da cooperação mútua e do compartilhamento de conhecimento técnico com o poder público. O primeiro painel abordou os desafios regulatórios do ecossistema de serviços de saúde, com participação de Thiago Campos, diretor da 5ª Diretoria da Anvisa, e de Edmilson Diniz Filho, gerente-geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) da Agência. A mesa foi moderada pela diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração da entidade, Cesar Nomura.

Thiago Campos apresentou um panorama estrutural da agência e reafirmou o compromisso com uma atuação orientada pela responsabilidade regulatória e pela busca de soluções que equilibrem acesso, sustentabilidade e segurança assistencial, destacando a diretriz da atual gestão de manter canais abertos e transparentes para a escuta ativa do setor produtivo.

Também foi abordado o desenvolvimento dos Roteiros Objetivos de Inspeção (ROIs), ferramentas metodológicas que buscam modernizar e uniformizar a linguagem entre quem produz e quem fiscaliza no território nacional, aproximando o setor produtivo das vigilâncias locais com critérios claros e baseados em evidências.

A Abramed reforçou ainda sua atuação próxima no processo de implementação da RDC 978 e reafirmou ainda sua disponibilidade para colaborar tecnicamente com a Anvisa, contribuindo com a experiência acumulada pelos associados na construção de ferramentas regulatórias e processos que fortaleçam o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

Diálogo com a ANS: regulação responsiva e equilíbrio na cadeia da saúde suplementar

O segundo bloco foi dedicado à agenda regulatória da saúde suplementar, com participação de Carla Soares, diretora de Gestão Interina da ANS. A mesa foi moderada por Cesar Nomura e contou com a presença de Milva Pagano e da vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, Lídia Abdalla.

A diretora da ANS trouxe uma visão integrada do modelo atual, enfatizando o conceito de regulação responsiva e que a maturidade alcançada pela saúde suplementar permite uma atuação mais próxima das práticas do setor, promovendo boas práticas de governança e ampliando o diálogo entre operadoras e prestadores.

Ela também reconheceu a assimetria histórica nessa relação e sinalizou que a ANS tem trabalhado para ampliar sua capacidade de monitoramento e presença ao longo de toda a cadeia assistencial.

Foi consenso entre as lideranças da Abramed e a Agência que a medicina diagnóstica — eixo central da prevenção, do diagnóstico correto e da recuperação do paciente — precisa de previsibilidade, transparência e equilíbrio contratual para continuar investindo em inovação e evolução tecnológica.

Cesar Nomura alertou que cerca de 40% do parque tecnológico de alta complexidade do setor, incluindo tomógrafos, equipamentos de ressonância magnética e PET, entrará em fase de obsolescência nos próximos quatro anos.

Segundo ele, a renovação desse parque depende diretamente de um ambiente de maior previsibilidade e sustentabilidade financeira para o setor, tornando ainda mais relevante o avanço das discussões regulatórias em curso.

Carla Soares afirmou que o espaço de diálogo com as lideranças setoriais permanece aberto, reforçando que o aprimoramento contínuo da regulação é desejável e faz parte do papel institucional das agências reguladoras.

Ao final dos painéis, os participantes ressaltaram uma mensagem convergente entre reguladores, operadoras e prestadores: quando o paciente é colocado no centro das decisões, o diálogo técnico e institucional se fortalece.

Novo modelo de fiscalização da ANS: o que muda para operadoras e prestadores

A regulação responsiva já está em vigor e seus efeitos chegam até laboratórios e serviços de diagnóstico.

Neste mês, entrou em vigor o novo modelo de fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que tem potencial para alterar a forma como operadoras, hospitais, clínicas e laboratórios se relacionarão daqui para frente.

O modelo aprovado abandona parte da lógica tradicional baseada apenas em punição e amplia a chamada regulação responsiva. Com isso, a ANS prioriza mecanismos de prevenção de conflitos, monitoramento de condutas e estímulo à autorregulação antes da aplicação direta de sanções.

A mudança também atualiza e reorganiza os tipos infracionais e estabelece reajustes escalonados das multas. Dependendo da infração, os valores podem se tornar significativamente mais altos, sobretudo em situações de reincidência ou falhas consideradas sistêmicas.

Assim, a ANS passa a ter quatro modalidades de ação escalonadas:

  • A Ação Planejada Preventiva de Fiscalização (APP) é a mais leve e tem caráter orientador, sem previsão de sanção, voltada para situações de menor complexidade;
  • Para situações de risco moderado, será adotada a Ação Planejada Focal (APF), ainda sem aplicação de punição, mas com acompanhamento mais próximo; 
  • Em casos mais graves ou em que as duas medidas anteriores não surtirem efeito, a agência entrará com a Ação Planejada Estruturada (APE) e a multa poderá chegar a R$ 1 milhão por determinação descumprida, além da possibilidade de restrição do exercício do cargo para o administrador da operadora;
  • Por fim, a Ação Coercitiva Incidental (ACI) é reservada para casos de descumprimento relevante ou aumento expressivo de reclamações, com multa diária entre R$ 5 mil e R$ 12,5 mil, conforme o porte da operadora.

Em relação aos valores das penalidades, que terão reajuste escalonado em três etapas até 2028, a elevação total chegará a 170% sobre os valores vigentes atualmente. Por exemplo: uma multa que era fixada em R$ 80 mil, hoje passou a ser de R$ 108 mil e chegará a R$ 162 mil em janeiro de 2027 e a R$ 216 mil em janeiro de 2028.

Isso deve aumentar a pressão sobre toda a cadeia. Rastreabilidade, governança, transparência de processos, capacidade de resposta e redução de falhas evitáveis se tornam ainda mais necessárias.

Se antes muitos conflitos acabavam concentrados em glosas, negativas, prazos ou disputas operacionais pontuais, agora cresce a expectativa de que as empresas consigam demonstrar controles internos, fluxos assistenciais organizados, critérios técnicos documentados e mecanismos efetivos de prevenção de inconformidades.

O impacto para laboratórios e hospitais

Na medicina diagnóstica, os efeitos tendem a ser mais complexos. O setor opera com alto volume assistencial, múltiplas integrações tecnológicas, diferentes regras contratuais e crescente digitalização da jornada do paciente. Pequenas inconsistências cadastrais, falhas de autorização, problemas de comunicação entre sistemas ou ausência de rastreabilidade documental podem deixar de ser apenas gargalos administrativos e representar risco regulatório.

Ao mesmo tempo, o novo modelo cria um ambiente que tende a valorizar estruturas mais maduras de compliance, interoperabilidade e governança de dados.

Laboratórios e hospitais precisarão olhar com mais atenção para alguns pontos sensíveis, como documentação assistencial, padronização de fluxos, rastreabilidade de autorizações, registro adequado das interações com operadoras, governança de dados e gestão de indicadores de qualidade.

“O novo modelo da ANS surge em um momento em que o setor já convive com pressão de custos, judicialização crescente, necessidade de ganho de eficiência e incorporação acelerada de tecnologia. A fiscalização, portanto, deixa de ser apenas um tema jurídico ou regulatório e passa a fazer parte da estratégia operacional das instituições de saúde”, avalia Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Inteligência artificial, interoperabilidade e valor em saúde pautam debate da Abramed na Hospitalar 2026

Entre equipamentos em fim de vida útil, excesso de informação e modelos de remuneração, lideranças discutiram os desafios de sustentar a evolução da medicina diagnóstica no Brasil. 

Temas como inteligência artificial, interoperabilidade de dados, sustentabilidade financeira e a relação entre inovação e acesso à saúde conduziram o primeiro debate promovido pela Abramed durante a 31ª edição da Hospitalar. A discussão mostrou como a medicina diagnóstica vem passando por uma transformação acelerada, ao mesmo tempo em que precisa enfrentar desafios relacionados à eficiência operacional, integração de informações e sustentabilidade do sistema de saúde.

Com esse foco, a entidade reuniu lideranças do setor no painel “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, moderado por Marcos Queiroz, líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor do Hospital Israelita Albert Einstein.

Participaram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Douglas Penha, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Soluções Digitais na Roche Diagnóstica; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; e Rodrigo Lorenzo, diretor de diagnóstico por imagem da Siemens Healthineers para a América Latina.

Marcos Queiroz iniciou o debate chamando atenção para a pressão crescente sobre a medicina diagnóstica, impulsionada pelo envelhecimento populacional, pelo aumento do volume e da complexidade dos exames e pela incorporação de tecnologias voltadas à medicina preditiva e personalizada.

A trajetória do Grupo Sabin foi um dos pontos de partida desse debate. Lídia Abdalla compartilhou como a empresa conseguiu crescer de forma expressiva, mantendo seus padrões de excelência e qual o papel da tecnologia nesse processo. 

“Integramos todos os nossos sistemas para ter uma visão única do paciente. O cliente valoriza muito o histórico dos exames e hoje conseguimos entregar um diferencial enorme para médicos e pacientes”, afirmou. Para ela, no entanto, ferramentas são meio, não fim: “Nossos pilares são tecnologia, qualidade e gente. Gente é sempre o principal”.

Um dos principais paradoxos atuais da medicina diagnóstica também foi debatido: a abundância de dados que ainda não se traduz em inteligência aplicada. “Geramos muitos dados, mas ainda não usamos todos eles. O desafio é ter dados mais estruturados para trazer insights e tomar decisões, rumo a uma medicina de precisão cada vez mais personalizada”, destacou Douglas Penha. 

Ele também apontou a patologia digital e o conceito de analisador digital como as próximas fronteiras de inovação, além da inteligência artificial como ferramenta para democratizar o acesso a especialistas em regiões de escassez de profissionais. 

Essa visão foi endossada por Cesar Nomura, que ressaltou que o setor ainda utiliza pouco o potencial da jornada integrada do paciente: “As informações ainda estão muito segmentadas. Enquanto não integrarmos tudo isso com custo adequado, não conseguiremos entregar valor”.

Lídia Abdalla complementou com um questionamento que resume bem o desafio coletivo: “Temos ilhas de excelência no Brasil. Como conectá-las para que isso vire valor para o sistema como um todo? Como propor melhorias sem dados e sem informação?”.

A fragilidade econômica do setor, a relação com operadoras e os modelos de remuneração também foram discutidos. Com cerca de 35% dos equipamentos no Brasil em fim de vida útil e ausência de remuneração por qualidade, o risco de sucateamento é real. “Você usa um tomógrafo que projeta menos radiação no paciente e não será melhor remunerado por isso”, alertou Cesar Nomura. 

Para Douglas Penha, a saída rumo ao próximo estágio passa por mostrar números que comprovem que as novas tecnologias reduzem custos no longo prazo — uma mudança que, conforme adiantou a CEO do Grupo Sabin, exigirá coragem e disposição de ambos os lados para manter o equilíbrio e o benefício para todos.

Na plateia, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, levantou a questão da confiança e do prazo necessário para que investimentos em saúde gerem retorno, especialmente diante da rotatividade dos beneficiários nos planos. Rodrigo Lorenzo destacou o papel das empresas contratantes na valorização da qualidade assistencial durante as negociações com operadoras, para ajudar a minimizar as perdas.

Ele também trouxe a perspectiva da indústria e explicou o desafio de incorporar tecnologia em um setor de alto custo, especialmente na área de imagem. Em sua opinião, a solução passa por parcerias de valor, que considerem a venda de equipamentos e todo o ciclo de vida da tecnologia. A visão de um hub integrado de soluções diagnósticas, inspirado em modelos como o do Salesforce, foi apresentada como caminho para reduzir custos e ampliar o acesso à inovação.

Ao final, Cesar Nomura reforçou que a interoperabilidade pode ajudar o setor a operar com mais eficiência e gerar valor real ao paciente. “Ninguém quer ganhar em cima de algo que não é necessário. A interoperabilidade nos permite olhar para o setor com mais eficiência e levar valor ao paciente: fazer o que precisa ser feito”, concluiu.

O debate deixou evidente que a transformação da medicina diagnóstica não depende apenas da incorporação de novas tecnologias, mas da capacidade do setor de reorganizar relações, integrar informações e construir modelos sustentáveis de financiamento e remuneração.

Em um ambiente cada vez mais pressionado por eficiência, envelhecimento populacional e expansão da demanda, inovação isolada já não basta. O desafio agora é fazer com que avanço tecnológico, qualidade assistencial e viabilidade econômica consigam evoluir no mesmo ritmo.

Confira aqui o painel “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, que também foi realizado pela Abramed durante a Hospitalar 2026.

Qualidade e segurança na medicina diagnóstica: cultura, dados e o desafio da melhoria contínua

Da acreditação à interoperabilidade, debate da Abramed na Hospitalar mostrou os desafios de sustentar a excelência laboratorial em um cenário de maior complexidade diagnóstica e pressão financeira.

A qualidade e a segurança vêm ganhando centralidade nas discussões sobre o futuro da medicina diagnóstica, especialmente diante do avanço tecnológico, das novas exigências regulatórias e da crescente complexidade da assistência à saúde. Garantir processos seguros, rastreáveis e resultados confiáveis tornou-se um desafio estratégico para o setor.

Com esse foco, a Abramed promoveu, durante a Hospitalar, o painel “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, moderado por Milva Pagano, diretora-executiva da entidade. A sessão reuniu Luiza Bottino, gerente de P&D da Controllab; Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gerente médico do Laboratório Clínico do Einstein Hospital Israelita; e Guilherme Ferreira de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), para debater os desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos envolvidos na melhoria contínua dos serviços diagnósticos e na segurança do paciente.

O encontro se iniciou com a palestra de Luiza Bottino, que apresentou o papel do controle externo da qualidade na segurança do paciente e mostrou como o erro laboratorial pode impactar diretamente a vida do paciente, a reputação do laboratório e a cadeia de fornecedores. 

Conforme explicou, o controle externo funciona como antídoto para a miopia da gestão: ao comparar o desempenho com outros players do mercado, o laboratório consegue monitorar tendências, imprecisões e falhas antes que elas cheguem à rotina clínica.

Luiza também ressaltou que, além da função regulatória, os dados gerados por esses programas apoiam decisões estratégicas das instituições, incluindo avaliação de metodologias, desempenho de equipamentos e identificação de oportunidades de melhoria.

“O controle externo entrega dados de forma rápida para a sociedade”, reforçou, apontando que laboratórios com participação contínua em programas de controle externo apresentam melhoria de 8% no desempenho.

De acordo com sua apresentação, o futuro passa pela automação, para que a ferramenta seja incorporada à rotina sem impactar o fluxo operacional, e por um ecossistema integrado de qualidade, com painéis que reúnam desempenho de controle interno, externo e comparativo entre unidades de uma mesma rede.

No debate, realizado durante a segunda parte do encontro, Guilherme Ferreira de Oliveira lembrou que 70% das decisões médicas são baseadas em resultados laboratoriais e que a medicina diagnóstica brasileira não deve nada a nenhuma outra no mundo. Apesar disso, provar esse valor com dados objetivos ainda é um desafio. 

“O laboratório provoca desfechos intermediários, o que dificulta a medição. Depositamos na interoperabilidade a esperança de medir isso de forma mais sólida”, afirmou.

Carlos Eduardo Ferreira complementou, destacando a crescente complexidade do cenário: a medicina caminha para painéis com 50 a 100 indicadores integrados, e o desafio de garantir qualidade se amplifica nessa escala. “Estamos saindo da era do achismo para uma era em que implementamos a cultura de dados. É importante ter informação, mas também conduta e tomada de ação diante de resultados inadequados”, pontuou.

Qualidade como cultura, não como obrigação

Um dos momentos mais ricos do debate foi a discussão sobre o que sustenta a qualidade no longo prazo. Para Guilherme, qualidade, resultados confiáveis e segurança do paciente não podem ser tratados como caixas separadas. Além disso, tudo começa no topo. “Se a alta direção não estiver comprometida, haverá muitas barreiras. As pessoas precisam comprar esse discurso e entender que o problema não é errar, mas não descobrir a não conformidade”. 

Luiza acrescentou que um dos maiores desafios para sustentar programas de qualidade está na gestão de pessoas e na disseminação da cultura organizacional. “Se a qualidade não estiver incorporada na cultura da empresa, ela não ganha tração”.

Entre os temas abordados, os participantes comentaram as contradições do setor. As certificações ainda se concentram nos grandes laboratórios, em um percentual considerado baixo diante do universo total do setor. O presidente da SBPC/ML apontou o fator financeiro como determinante: enquanto a inflação acumulou 154% em determinado período, a remuneração dos laboratórios cresceu apenas 10%.

“A remuneração não acompanhou a escala de realização de exames. Precisamos dar condições para que todos os laboratórios invistam em qualidade. A qualidade tem preço, mas ela é um investimento”, alertou.

Carlos Eduardo apontou outra distorção que afeta diretamente o acesso: um laboratório pode realizar o mesmo exame com tecnologias completamente diferentes e receber a mesma remuneração.

Na etapa final, os debatedores falaram sobre soluções diagnósticas mais avançadas, como testes moleculares e tecnologias ômicas. O líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed destacou que boa parte dessas soluções ainda permanece restrita a poucos centros no Brasil e que o setor precisa avançar também em técnicas essenciais que ainda não chegam de forma adequada a toda a população.

Outra provocação trazida por Milva para a mesa foi que, embora a qualidade esteja no centro da operação laboratorial, grande parte desse trabalho permanece invisível para o paciente, que percebe o atendimento e a experiência final, enquanto boa parte da construção da qualidade acontece nos bastidores. 

A discussão terminou com uma reflexão sobre o próprio modelo da saúde suplementar. Muitas vezes, o paciente sequer consegue escolher o laboratório que deseja utilizar, já que essa decisão costuma estar vinculada às operadoras e aos contratos corporativos. Para Guilherme, essa desconexão entre paciente, assistência e decisão sobre o cuidado também é um dos desafios que o setor precisará enfrentar.

Confira aqui o debate “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, também promovido durante a Hospitalar 2026 pela Abramed.

Abramed debate IA, interoperabilidade e transformação digital no diagnóstico por imagem durante a JPR 2026

Especialistas abordaram desde os impactos da IA na rotina profissional até os desafios regulatórios, operacionais e de infraestrutura do setor..

A radiologia já convive com a Inteligência Artificial há anos. O desafio agora é discutir como ampliar o uso dessas ferramentas com segurança, qualidade, interoperabilidade e sustentabilidade operacional dentro das instituições de saúde.

Foi esse o tom do painel promovido pela Abramed durante a Jornada Paulista de Radiologia 2026 (JPR), um dos principais encontros de diagnóstico por imagem da América Latina. Com o tema “Como IA, Automatização e Fluxos Digitais estão Redesenhando o Trabalho Médico”, o debate reuniu especialistas da Medicina Diagnóstica, indústria e academia para discutir o que já mudou na prática médica e o que ainda trava a adoção dessas soluções em larga escala.

A abertura foi conduzida por Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, que reforçou o propósito da Abramed de ampliar o acesso aos serviços com qualidade e segurança.  O debate foi moderado por Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e líder do Comitê Técnico de Diagnóstico por Imagem da entidade. Os participantes foram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed; Giovanni Guido Cerri, presidente dos Conselhos dos Institutos de Radiologia (InRad) e de Inovação (InovaHC) do Hospital das Clínicas; João Paulo Souza, chefe-executivo da GE HealthCare no Brasil; e Leonardo Vedolin, vice-presidente Médico e de Operações da Dasa.

Giovanni Cerri lembrou que boa parte da Inteligência Artificial já está incorporada aos equipamentos e aos fluxos da radiologia há anos, muitas vezes sem que os próprios profissionais percebam. Para ele, a grande mudança agora está na incorporação dos algoritmos ao raciocínio diagnóstico do radiologista.

Ao comparar o momento atual com a chegada do Picture Archiving and Communication System (PACS) — sistema desenvolvido para armazenar, gerenciar e distribuir imagens médicas de maneira digital nos anos 90 —, Cerri afirmou que toda transformação tecnológica enfrenta resistência inicial. “O grande desafio é a capacitação”, resumiu. 

Segundo ele, os médicos precisarão dominar não apenas conhecimento técnico, mas também tecnologia, gestão, telemedicina e Inteligência Artificial.

Leonardo Vedolin, por sua vez, trouxe a visão de quem tenta transformar inovação em operação real dentro de uma estrutura de grande escala. E foi direto ao ponto: testar Inteligência Artificial é muito mais simples do que fazê-la funcionar no dia a dia.

“Dez anos depois de ter iniciado isso na Dasa, testamos 595 algoritmos, dos quais 592 falharam. Só três funcionaram”, exemplificou.

Em sua visão, muitas soluções funcionam em ambientes controlados, mas perdem desempenho quando precisam operar em escala, com fluxos complexos, diferentes perfis populacionais e limitações de infraestrutura. Vedolin também chamou atenção para barreiras financeiras e culturais. Em muitos casos, a tecnologia resolve um problema técnico, mas não fecha a conta operacional.

Ele também abordou os impactos distintos da IA sobre remuneração e mercado de trabalho.  Na sua leitura, os profissionais que entenderem seu papel como supervisores de sistemas sairão na frente. 

Outros aspectos levantados por ele foram a regulação e a recente norma do Conselho Federal de Medicina sobre Inteligência Artificial aplicada à prática médica, incluindo temas como consentimento informado e responsabilidade profissional.

Do ponto de vista regulatório, Cesar Nomura reforçou que o setor de saúde precisa ocupar espaço nas discussões sobre o tema antes que decisões sejam tomadas sem conhecimento técnico da assistência.

Ele citou as discussões do projeto de lei sobre IA que começou a tramitar no Senado e criticou versões iniciais que classificavam qualquer uso da tecnologia em saúde como “alto risco”, o que poderia inviabilizar aplicações já incorporadas à rotina médica.

“Se não formos protagonistas para mostrarmos a importância da Medicina Diagnóstica e da Inteligência Artificial, muitas vezes são os políticos e advogados que decidem”, enfatizou.

Nomura também trouxe a discussão para interoperabilidade e compartilhamento seguro de dados. Segundo ele, a fragmentação das informações ainda gera desperdício, repetição desnecessária de exames e perda de eficiência para toda a cadeia.

“Teremos que mudar essa cultura para oferecer o melhor para quem precisa, no momento certo”, ressaltou.

Ao abordar os desafios de infraestrutura, o presidente do Conselho de Administração da Abramed chamou atenção para o envelhecimento do parque de imagem brasileiro. O Brasil possui cerca de 12 mil equipamentos de tomografia e ressonância magnética, dos quais aproximadamente 40% têm mais de 11 anos de uso. “A estimativa é que seriam necessários cerca de R$ 23 bilhões para renovar esse parque tecnológico nos próximos anos”.

João Paulo Souza apresentou a visão da indústria sobre o assunto e afirmou que o setor deixou de vender apenas equipamentos e passou a operar em uma lógica de plataformas, softwares e integração de ecossistemas digitais.

“A indústria por muito tempo vendeu ferro, vendeu caixas. As empresas agora estão vindo com uma gestão de solução”.

Souza comentou que o avanço da Inteligência Artificial acelerou uma mudança importante em relação aos equipamentos, que já não são apenas geradores de imagem, mas estruturas capazes de organizar dados, identificar padrões e apoiar decisões clínicas em tempo real.

Ele chamou atenção para um problema recorrente no setor: a distância entre a velocidade da inovação e a capacidade de as instituições de absorverem essas tecnologias. “Quando a infraestrutura não está preparada, a tecnologia frustra”, pontuou.

O chefe-executivo da GE HealthCare no Brasil fechou o debate com dados do mercado: dos 1.430 dispositivos registrados com uso ativo de IA, 76% estão na radiologia — e o mercado global de IA para saúde, hoje em 36 bilhões de dólares, deve crescer 40% ao ano até 2032.

Ao reunir diferentes agentes do setor, a Abramed contribui para ampliar o debate sobre os caminhos da transformação digital na Medicina Diagnóstica brasileira. 

Abramed debaterá inovação, qualidade e inteligência de dados em programação especial na Hospitalar 2026

Com dois painéis que reúnem lideranças de referência na medicina diagnóstica, a entidade participa da maior feira de saúde da América Latina. Associados e parceiros têm 15% de desconto no ingresso.

A Hospitalar, principal evento de saúde da América Latina, reunirá entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, no São Paulo Expo, lideranças, empresas e especialistas para debater os caminhos da transformação do setor. Em sua 31ª edição, a feira deve repetir o alto volume de negócios e a presença internacional, consolidando-se como um dos principais espaços de discussão técnica e estratégica do tema no país.

Na edição deste ano, o Summit Abramed será realizado no dia 19 de maio, das 14h30 às 17h40, e terá uma programação especial na Arena 3 da Plaza Hospitalar, sob o macrotema “Inovação, Qualidade e Inteligência de Dados: O Futuro da Medicina Diagnóstica”. 

A proposta reflete a atuação da entidade na articulação de temas centrais para o setor, ao conectar o avanço tecnológico — como inteligência artificial e soluções digitais — com a garantia de qualidade e segurança dos serviços e o uso estratégico de dados para apoiar decisões clínicas e de gestão, reforçando o papel da medicina diagnóstica como base para um cuidado mais integrado, eficiente e orientado a valor.

“Falar sobre inovação, qualidade e inteligência de dados é tratar dos elementos que, juntos, orientam a evolução do cuidado em saúde. Na medicina diagnóstica, essa integração permite transformar informação em decisão, com mais precisão, segurança e impacto real na jornada do paciente”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, que fará a abertura do Summit.

Debates

O primeiro debate abordará “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, sob moderação de Marcos Queiroz, líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor do Hospital Israelita Albert Einstein.

O painel reunirá Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Douglas Penha, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Soluções Digitais na Roche Diagnóstica; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; e Rodrigo Lorenzo, managing director de Imagem Diagnóstica para a América Latina da Siemens Healthcare.

A sessão abordará as principais tendências e inovações que estão redesenhando o setor e explorará como a tecnologia pode apoiar decisões mais precisas, ampliar a eficiência dos serviços e sustentar o crescimento das organizações. 

O segundo bloco será dedicado à “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, com moderação de Milva Pagano. A sessão começa com palestra de Luiza Bottino, gerente de P&D da Controllab, sobre o papel do controle externo da qualidade na segurança do paciente.

Ela também compõe a mesa de debate, com Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, e Guilherme Ferreira de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). O foco serão os desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos envolvidos na garantia de processos seguros, resultados confiáveis e melhoria contínua dos serviços diagnósticos.

A edição 2026 da Hospitalar contará ainda com múltiplos espaços de conteúdo, incluindo arenas temáticas sobre Inteligência Artificial, gestão, regulação e experiência do paciente, ampliando o debate sobre os desafios e oportunidades do setor.

“Participar deste evento é uma oportunidade de contribuir com discussões que estão no centro das transformações da saúde, ao lado de lideranças que têm papel ativo na construção de soluções para o setor no Brasil”, afirma Milva.

Condições especiais para associados

A Abramed também terá um estande próprio no espaço B-137 — no mesmo local da edição anterior. Associados e parceiros da entidade poderão usar o cupom ABRAMED15 para obter 15% de desconto nos ingressos de visitante e congressista. O benefício não é válido para a categoria Visitante Lounge. Inscrições e programação completa em https://www.hospitalar.com.

Abramed na Hospitalar 2026

Influenza: circulação segue intensa no país com positividade três vezes maior que em 2025

Taxa chega a 27,3%, após pico recente de 31,2%, ante 8,09% no mesmo período de 2025; “vacinação, atenção aos sintomas e busca por avaliação médica nos casos indicados ganham ainda mais importância neste momento”, afirma especialista da Abramed

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que reúne empresas responsáveis por mais de 85% dos exames realizados na saúde suplementar no país, mostram que a influenza (vírus causador da gripe) segue com circulação elevada no Brasil.  A taxa de positividade da influenza chegou a 27,3% no início de abril. Apesar do recuo em relação ao pico recente de 31,2%, o índice segue três vezes acima do que o registrado no mesmo período de 2025 (8,09%).

A média móvel das últimas cinco semanas subiu de 17,5% para 26,4%.

Segundo Carlos Eduardo Ferreira, médico patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, os dados indicam que a transmissão do vírus permanece intensa e maior do que o esperado para esta época do ano. Depois de semanas consecutivas de alta, os indicadores mostram acomodação em patamar elevado. 

“Ainda assim, a influenza pode manter a pressão sobre consultas e pronto-atendimentos por sintomas respiratórios.” Segundo ele, o cenário pode estar relacionado à circulação antecipada da Influenza A neste ano, ao avanço simultâneo em diferentes regiões do país e ao fato de a campanha de vacinação ainda estar em fase inicial.

Vacinação e diagnóstico ganham ainda mais relevância

O avanço dos casos coincide com a intensificação das campanhas de vacinação contra a gripe em diversas regiões do país, reforçando a necessidade de prevenção.

“Quando observamos esse cenário, ganham ainda mais relevância a imunização dos grupos prioritários, a atenção aos sintomas e a busca por avaliação médica nos casos indicados”.

Para a Abramed, a medicina diagnóstica tem papel essencial na resposta assistencial, ao permitir identificar casos com mais rapidez, orientar condutas médicas e apoiar o planejamento dos serviços de saúde.

“O diagnóstico no momento adequado contribui para decisões mais assertivas e ajuda o sistema de saúde a responder com mais eficiência.”

Monitoramento

Os dados são compilados pela plataforma de inteligência METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da Abramed. A ferramenta permite acompanhar tendências de forma estratégica e apoiar a tomada de decisões em saúde populacional.

As associadas da Abramed também enviam resultados diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo com o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para compreender a progressão das doenças respiratórias no Brasil e embasar medidas de saúde pública.

CID-11: impactos operacionais, tecnológicos e regulatórios para a Medicina Diagnóstica

A nova classificação exige adaptação de sistemas, capacitação e revisão de processos, com impacto direto na prática clínica e na gestão.

A Classificação Internacional de Doenças (CID) é o sistema utilizado globalmente para padronizar o registro de diagnósticos e condições de saúde. Presente em prontuários, exames, autorizações e bases de dados, ela organiza a informação clínica e permite que profissionais, instituições e gestores falem a mesma “linguagem” ao descrever doenças e procedimentos.

A transição da CID-10 para a CID-11 marca uma mudança relevante na forma como essa informação é estruturada e utilizada no dia a dia. Mais do que uma atualização de códigos, trata-se de uma nova lógica de registro clínico, alinhada a um ambiente cada vez mais digital, interoperável e orientado por dados.

Nesse novo cenário, a classificação deixa de ser apenas um instrumento de catalogação e passa a influenciar diretamente a prática clínica, os modelos de remuneração, a regulação e a análise epidemiológica.

A lógica que sustenta a CID-11

Desenvolvida e atualizada anualmente pela Organização Mundial da Saúde, a CID sempre foi a principal referência global para padronização de diagnósticos e sustenta diversas dimensões do sistema de saúde, incluindo estatísticas oficiais, vigilância epidemiológica, regulação sanitária, modelos de financiamento e integração entre sistemas de informação.

A décima primeira revisão passa a organizar os dados de forma diferente, permitindo combinar informações clínicas e detalhar melhor cada diagnóstico. Esse modelo, pensado para uso digital, com atualização contínua e integração entre sistemas, viabiliza aplicações como auditorias automatizadas, análises preditivas, avaliação de risco e avanços em medicina de precisão. Ao mesmo tempo, exige maior maturidade na governança e no uso responsável dessas informações.

Isso porque um único diagnóstico pode gerar um código composto por múltiplos elementos encadeados — como anatomia, lateralidade, histopatologia, severidade, etiologia e confirmação genômica. Um código como 2C6Z&XK9K&XH7KH3&XS7Z, por exemplo, deixa de ser exceção e passa a representar a lógica da classificação.

Os serviços de Medicina Diagnóstica terão grande impacto resultante dessas mudanças. Pedidos de exames, autorizações, laudos, documentação, armazenamento e pagamentos passam a exigir uma lógica de processamento mais complexa, dentro de uma plataforma digital. 

“Em muitos casos, será necessário demonstrar, de forma estruturada, a justificativa clínica para exames mais complexos, com base na evolução do caso e nos testes já realizados. O que irá requerer maior coerência entre a indicação clínica, a execução do exame e o registro das informações ao longo da jornada do paciente”, explica Nelson Akamine, membro do comitê de Recursos Humanos da Abramed.

Para Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, essa é uma transformação que amplia a relevância da Medicina Diagnóstica ao reforçar seu papel na produção, qualificação e integração das informações que sustentam a tomada de decisão ao longo da jornada do paciente.

Cronograma e implementação no Brasil

A adoção da CID-11 no Brasil segue as diretrizes da Nota Técnica nº 91/2024 do Ministério da Saúde. Atualmente, o país permanece utilizando a CID-10 (versão 2019), enquanto se prepara para a implementação completa prevista para janeiro de 2027. 

Este intervalo é um período crítico para testes de campo, tradução do sistema para o português (finalizada em 2024 pela UFMG em parceria com a OPAS), ajustes tecnológicos e operacionais do ambiente de saúde nacional.

Para laboratórios e serviços de diagnóstico por imagem, os impactos são amplos e se concentram em três frentes principais:

  • Sistemas de TI e Interoperabilidade: a transição exige que sistemas como LIS, RIS, PACS, ERPs e prontuários eletrônicos sejam atualizados. A CID-11 requer também a integração com a API oficial da OMS e deve interoperar com padrões como FHIR, SNOMED e LOINC. 
  • Planos de saúde e remuneração: haverá mudanças diretas na codificação para planos de saúde e nos padrões TISS/TUSS. Novos modelos de remuneração e auditorias automatizadas baseadas em IA poderão ser viabilizados visando maior qualidade dos dados gerados.
  • Saúde do Trabalho e Previdência: a CID-11 traz uma camada inédita de registro formal de nexo ocupacional que influenciará na responsabilização trabalhista, concessão de benefícios previdenciários e na vigilância epidemiológica.

Para que a implementação seja bem-sucedida, o setor precisará avançar na capacitação contínua de médicos, codificadores e gestores para o uso da nova lógica semântica na classificação de doenças, além da adaptação tecnológica das infraestruturas de dados.

A Abramed acompanha essa evolução por meio de três Comitês: Padrão TISS, RH e Interoperabilidade, compartilhando informações e apoiando seus associados na preparação para essa nova etapa.

Doenças raras: sem diagnóstico, não há cuidado adequado

Ampliação do acesso a exames no SUS acelera a identificação dos casos e reduz o tempo para o início do tratamento.

Hoje, estima-se que 13 milhões de pessoas convivam no país com alguma das cerca de 7 mil doenças raras catalogadas. A jornada desses pacientes costuma ser marcada por anos de incerteza, fragmentação de informações clínicas e acesso desigual a tecnologias especializadas. Um cenário que aumenta o risco de diagnósticos tardios ou inexistentes e limita a possibilidade de tratamento com terapias já disponíveis.

A recente decisão do Ministério da Saúde de ampliar a cobertura de diagnóstico e tratamento de doenças raras no SUS é um passo importante no enfrentamento desse problema. Com investimento de R$ 26 milhões anuais para viabilizar até 20 mil diagnósticos por ano quando a rede operar em plena capacidade, o Governo busca reduzir o tempo de espera das famílias, que hoje pode chegar a sete anos, para cerca de seis meses. 

O diagnóstico como base da decisão clínica 

Este movimento reforça o papel do ecossistema de Medicina Diagnóstica como um todo – incluindo a rede privada, responsável pelo processamento de 95% dos exames laboratoriais realizados no SUS – como o principal aliado para garantir a precisão e a agilidade dos resultados a milhões de brasileiros.

Não à toa: os diagnósticos fundamentam até 70% das decisões clínicas de acordo com a literatura médica consolidada. Um dado que ganha ainda mais relevância no caso das doenças raras, em que o uso de tecnologias de ponta, como a genômica e os testes moleculares, permitem identificar a causa da patologia com assertividade e rapidez, viabilizando a personalização do tratamento e evitando desperdícios com exames e intervenções ineficazes.

Apesar dos avanços, o desafio diagnóstico no campo das doenças raras é complexo e multifacetado.

“São doenças que simulam as comuns e que muitas vezes demoram anos para que alguém desconfie que se trata de um caso diferente do habitual — que não resolve com medicações e terapias convencionais. Esse é um dos grandes gargalos: o conhecimento”, afirma Armando Fonseca, coordenador médico de Triagem Neonatal e Doenças Metabólicas Hereditárias do Grupo Fleury e diretor da Dvyce Consultoria em Saúde.

A identificação dessas doenças também envolve fatores como:

  • Barreiras de acesso: existe ainda uma disparidade no acesso a exames de imagem avançada e biologia molecular em diferentes regiões do país;
  • Integração de dados: a falta de um histórico clínico unificado e a fragmentação da jornada do paciente comprometem a continuidade do cuidado.

“Esses pacientes passam por verdadeiras odisseias diagnósticas, que podem levar de cinco a oito anos até a confirmação da doença e, muitas vezes, recebem diagnósticos incorretos ao longo do caminho. Mesmo quando não há tratamento específico, identificar a doença já permite orientar o cuidado, melhorar a qualidade de vida e oferecer aconselhamento genético para as famílias”, reforça Fonseca.

A importância da integração no ecossistema de Medicina Diagnóstica 

Enquanto o SUS atua como o grande estruturador do acesso universal, a rede suplementar funciona como um vetor essencial de inovação, escala e rápida incorporação tecnológica. 

De acordo com Armando, 25% da população brasileira é assistida pela saúde suplementar, ou seja, ao menos 50 milhões de pessoas — um dos maiores contingentes de medicina privada do mundo. Por isso, a parceria público-privada é estrutural para garantir que todos os pacientes, independentemente de classe social, tenham acesso mais rápido à inovação e a possíveis tratamentos que ainda não estejam disponíveis no serviço público.

Outros exemplos positivos já podem ser observados a partir dessa sinergia, como a interoperabilidade crescente de dados por meio do SUS Digital (que conta com apoio da Abramed em parceria com o Ministério da Saúde) e a capilaridade dos laboratórios privados que apoiam a rede pública na descentralização de exames.

Para que as melhorias continuem e a experiência do paciente se torne cada vez mais completa e eficiente, é fundamental compreender o diagnóstico como um investimento estratégico, que gera impacto em diversas frentes:

  1. Clínica:  melhora o prognóstico e a qualidade de vida do paciente;
  2. Econômica: reduz custos ao evitar complicações decorrentes da progressão de doenças;
  3. Sistêmica: promove maior eficiência no uso dos recursos públicos e privados.

“No centro de tudo está o paciente. Cada diagnóstico preciso e oportuno representa anos de vida recuperados, tratamentos mais eficazes e famílias que finalmente têm uma resposta. A Medicina Diagnóstica tem um papel insubstituível para ampliar esse acesso com tecnologia e integração de dados. E é nisso que a Abramed segue atuando, em parceria com o setor público e com a sociedade”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Dia Mundial da Saúde 2026: juntos pela ciência e pelo desafio de transformá-la em cuidado

Em um cenário marcado pela rápida circulação de informações que nem sempre são confiáveis, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) colocaram a ciência no centro do debate global. 

Com o tema “Juntos pela ciência”, a campanha do Dia Mundial da Saúde de 2026 reforça a importância da cooperação entre setores, países e áreas do conhecimento e da adoção de decisões baseadas em evidências, além de chamar atenção para algo essencial: conhecimento só gera impacto quando é compreendido, confiável e aplicado.

Políticas baseadas em evidências e a lógica de Uma Só Saúde

A proposta incorpora a abordagem de Uma Só Saúde (One Health), que conecta saúde humana, animal e ambiental. Esse olhar amplia a discussão e exige respostas coordenadas para problemas que já não acontecem de forma isolada, como pandemias, mudanças climáticas e segurança alimentar.

Esse é um ponto que mostra a relevância do diagnóstico. Exames confirmam condições clínicas, orientam decisões e reduzem o tempo até o tratamento correto, evitando tentativas equivocadas que custam tempo e recursos.

Um papel que se estende para além do atendimento individual. Vigilância epidemiológica, identificação e monitoramento de surtos também dependem de dados gerados por estruturas diagnósticas para sustentar respostas coordenadas em saúde pública.

Explicar, comunicar e liderar: o papel do diagnóstico frente à desinformação

Outro ponto central desse movimento é tornar a ciência mais acessível e confiável. Hoje, a dificuldade é gerar informação e garantir que ela seja interpretada corretamente. Mas há uma dimensão que ainda fica em segundo plano: garantir que o conhecimento chegue ao momento da decisão clínica com clareza e sem distorções — um desafio que o avanço da desinformação torna cada vez mais urgente.

Enfrentar esse problema envolve qualificar o acesso à informação, aprimorar a comunicação com a sociedade e evitar distorções terminológicas para garantir que resultados de exames sejam compreendidos por médicos e pacientes. 

Ser embaixador da ciência na jornada do paciente

Para a maioria das pessoas, a ciência não está em artigos ou pesquisas. Ela aparece no momento em que um exame é solicitado, realizado e interpretado. É ali que o conhecimento ganha forma prática.

Quando o paciente entende o que está sendo investigado e como aquele resultado orienta sua condução, a ciência deixa de ser abstrata e passa a fazer parte da sua decisão.

Assim, o movimento lançado pela OMS também convoca profissionais e instituições a atuarem como embaixadores, aproximando o conhecimento da realidade das pessoas e fortalecendo o entendimento da população sobre como as evidências orientam o cuidado.

Do conhecimento à ação

Como fonte e elo técnico na interpretação das evidências, os serviços diagnósticos assumem protagonismo nesse processo, contribuindo para um ambiente de maior confiança na ciência e agindo em linha com o papel de liderança que a campanha da OMS propõe.

A Medicina Diagnóstica se posiciona não como etapa isolada, mas como parte do que permite que a ciência, de fato, chegue ao paciente no momento certo, transformando evidência em decisão e decisão em cuidado.

“A Abramed atua no ponto de conexão entre evidência e prática. Nosso papel é contribuir para que o setor opere com qualidade, segurança e base técnica sólida, fortalecendo a confiança na ciência ao longo de toda a jornada do paciente.”, ressalta Milva Pagano, diretora-executiva da entidade.