Ampliar o acesso só faz sentido quando há garantia de qualidade e segurança, defende Abramed

No Rio Health Forum 2025, a entidade reafirmou que novos modelos de cuidado precisam operar com responsabilidade técnica e rigor sanitário para proteger o paciente.

Em sua participação no Rio Health Forum 2025, a Abramed destacou que ampliar o acesso à saúde só é efetivo quando há garantia de qualidade e segurança em todos os pontos de cuidado, sobretudo com a chegada de novos atores ao sistema, particularmente na área diagnóstica.

A discussão ocorreu no painel “Jornada do Paciente: quando ecossistemas aumentam acesso com qualidade”, que reuniu Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed; Bruno Pipponzi, vice-presidente da RD Saúde; Hellen Miyamoto, superintendente da FenaSaúde; Márcia de Oliveira, gerente da Anvisa; e Tulio Landin, diretor do Mercado Livre, tendo Paula Campoy, presidente da ASAP, como moderadora.

Ao apresentar a visão da Abramed, Milva Pagano salientou que a expansão de pontos de cuidado — do varejo farmacêutico a plataformas digitais — não pode prescindir de critérios técnicos rígidos. Para ela, a questão não é apenas ampliar portas de entrada, mas assegurar que cada uma delas opere com padrões compatíveis com o impacto clínico dos serviços. “Quando falamos em acesso, precisamos falar de acesso com qualidade e segurança. Saúde não é espaço para experimentação baseada em modelo de negócio”, destacou.

A diretora-executiva da Abramed lembrou que o diagnóstico deixou de ser uma etapa pontual da jornada e passou a ocupar papel contínuo na vida das pessoas, presente desde antes da concepção até os cuidados de fim de vida. Ele funciona como um “mapa”, orientando decisões clínicas, prevenindo riscos e melhorando a alocação de recursos. No entanto, para que cumpra esse papel, sua utilização precisa ocorrer no momento certo, dentro de uma jornada coordenada e apoiada por responsabilidade técnica. “Caso contrário, vira apenas custo adicional no sistema”, expôs Milva. Essa visão ecoou em vários momentos do debate, especialmente quando a discussão tocou no uso de testes rápidos em farmácias.

Pipponzi, da RD Saúde, trouxe dados relevantes sobre o potencial da farmácia como ponto de cuidado primário, com alcance territorial e capacidade de promover campanhas de saúde, vacinação, monitoramento de doenças crônicas e serviços de baixa complexidade. A rede RD Saúde conta com 3.500 farmácias, integrando um universo de 90 mil estabelecimentos farmacêuticos em todo o Brasil.

Representando o setor de plataformas digitais, Tulio Landin ressaltou que o Mercado Livre tem atuado para democratizar o acesso a medicamentos, especialmente em municípios onde a população enfrenta barreiras geográficas ou ausência de farmácias locais — uma visão que reforçou a necessidade de integrar inovação com responsabilidade sanitária.

Hellen, da FenaSaúde, expôs entraves históricos à coordenação do cuidado, mostrando como o beneficiário ainda vive uma jornada fragmentada, desorganizada e marcada por incentivos desalinhados. Isso reforçou a provocação de Milva sobre o impacto direto dessa fragmentação na segurança e no desfecho clínico. “Ou paramos de brincar de faz de conta com esse discurso do paciente no centro, ou nada muda. O paciente nunca esteve no centro. A jornada só existe se for segura”, completou a diretora-executiva da Abramed.

A participação da Anvisa trouxe elementos sobre a evolução da regulação sanitária, enfatizando que a agência busca atuar como indutora de boas práticas, sem comprometer a inovação. Márcia ressaltou que o foco regulatório permanece na proteção da população e na garantia de serviços seguros, mesmo em um cenário de novos modelos de negócio. Essa visão foi alinhada pela Abramed, que reforçou o papel da regulação como base para qualquer transformação do sistema.

O debate encerrou com um consenso entre os participantes: nenhum ator conseguirá transformar o sistema de forma isolada. A integração é necessária, mas só será efetiva se sustentada por responsabilidade técnica, governança sólida e decisões orientadas pelo impacto real na vida das pessoas.

Para Milva, isso exige coragem das lideranças para encarar conversas difíceis e colocar a segurança e a qualidade acima das disputas de protagonismo. “Todo mundo precisa ser sustentável, mas sustentabilidade não existe sem coerência técnica ao longo da jornada. Acesso sem qualidade não é acesso — é risco”, finalizou.

Cooperação para sustentabilidade no sistema de saúde

A Abramed também esteve representada no debate “Como a cadeia da saúde pode cooperar para um sistema mais sustentável”, com participação de Cesar Nomura, ao lado de Fernando Silveira Filho, presidente da Abimed; Helaine Capucho, diretora de Acesso ao Mercado da Interfarma; Marcos Novais, diretor-executivo da Abramge, e Paulo Henrique Fraccaro, CEO da Abimo.

O painel reforçou princípios que orientam a agenda institucional da Abramed: colaboração setorial, eficiência sistêmica, sustentabilidade e cuidado de qualidade. As discussões destacaram que modelos centrados exclusivamente em custo não são suficientes — é necessário alinhar incentivos, aprimorar governança e fortalecer práticas baseadas em evidências.

Ambos os debates demonstraram o papel estratégico da medicina diagnóstica como base para decisões clínicas precisas e para a sustentabilidade de longo prazo do sistema de saúde brasileiro.

Abramed reforça protagonismo em inovação, IA e interoperabilidade na FISWeek 2025

Presença intensa da entidade evidenciou o compromisso com inovação responsável, eficiência e melhoria contínua do cuidado em saúde.

A Abramed marcou presença na FISWeek 2025, o maior evento de inovação, criatividade e tendências da saúde da América Latina, realizado de 5 a 7 de novembro, no Rio de Janeiro. Com mais de 7 mil participantes e 1.400 executivos C-level, o encontro se consolidou como um dos principais pontos de convergência do ecossistema de saúde no país.

Nesse ambiente altamente qualificado, a Associação ampliou seu protagonismo ao organizar dois painéis, participar de outros dois debates e levar ao palco lideranças que avançam discussões centrais para o futuro da saúde: da adoção responsável da IA à interoperabilidade, passando pela digitalização de dados e pela eficiência assistencial.

O primeiro painel promovido pela Abramed foi “Inovação com Responsabilidade: Desafios para Estruturar o Uso da IA com Segurança, Eficiência e Acesso”. Moderado por Milva Pagano, Diretora Executiva da Associação, o debate reuniu Augusto Antunes, da Axial Inteligência Diagnóstica – Grupo Alliança; Lucas Bonafé, do Machado Nunes Advogados; e Manuel Coelho, da Siemens Healthineers.

Os participantes trouxeram perspectivas complementares sobre governança, validação, segurança e aplicação prática da IA no cotidiano da Medicina Diagnóstica. A conversa evidenciou que inovação só se sustenta quando acompanhada de ética, rigor e impacto assistencial — pilares que orientam a atuação técnica da Abramed.

Dois dias depois, a Associação voltou ao palco com o painel “Interoperabilidade: Pilar da Eficiência e do Cuidado em Saúde”, que também foi moderado por Milva Pagano. Atualpa Aguiar, da MedSênior; Jacqueline Torres, da Agência Nacional de Saúde (ANS); e Jussara Macedo, da HL7 Brasil, discutiram a urgência de padrões nacionais, integração entre sistemas e governança de dados para reduzir desperdícios, apoiar decisões clínicas e aprimorar a coordenação do cuidado. A interoperabilidade foi reafirmada como um dos alicerces da transformação digital no país.

Ainda durante o evento, a entidade participou do painel “Próximos Passos: Digitalizando e Unificando os Dados na Saúde”. Com mediação de Milva Pagano e presença de Alessandra Zanqueta, da ZMed;, Luciana Albuquerque, da Secretaria Municipal de Saúde de Recife; e Victor Hugo Nascimento, integrante do #EcossitemaFIS, a discussão reforçou que a consolidação de padrões de troca de informação, aliada à segurança dos dados, é determinante para uma jornada de cuidado fluida e integrada. 

Já no painel “Reimaginando a Imagem com IA”, realizado no último dia do evento, Cesar Nomura, Presidente do Conselho de Administração da Abramed, participou como speaker ao lado de Daniel Vital, da Harpia AI, e Flavio Carneiro, da MV S/A, sob moderação de Iomani Engelmann, da Pixeon. 

A conversa reforçou o protagonismo da Medicina Diagnóstica na adoção de IA, especialmente na radiologia, área que concentra o maior número de algoritmos aprovados globalmente. 

A participação intensa da Associação na FISWeek 2025 evidencia, mais uma vez, seu compromisso com a construção de um ecossistema de saúde mais integrado, seguro, eficiente e orientado por evidências. Ao liderar debates sobre IA, interoperabilidade e saúde digital e contribuir em discussões de sustentabilidade e acesso, a entidade reafirma seu papel como interlocutora técnica entre setor privado, indústria, formuladores de políticas públicas e sociedade.

Novembro Azul: tecnologia e prevenção ampliam as oportunidades de diagnóstico precoce

Medicina de precisão e avanços em imagem reforçam o papel central da detecção da doença em estágio inicial para o cuidado à saúde masculina.

A campanha Novembro Azul reforça, ano após ano, a importância do cuidado contínuo com a saúde masculina. Ao mesmo tempo, os avanços da Medicina Diagnóstica ampliaram a precisão dos exames voltados à próstata, fortalecendo o debate sobre prevenção e incentivando que mais homens incluam a rotina de cuidado em seu dia a dia. 

Tecnologias como a medicina de precisão e a evolução dos métodos de imagem tornaram a detecção do câncer de próstata mais qualificada, criando novas oportunidades para o diagnóstico precoce.

Entre os destaques, exames como o CA 15-3 e a imuno-histoquímica apresentaram crescimento acima da média. Essa tendência está diretamente associada à evolução da medicina de precisão, que permite identificar subtipos de tumores e orientar tratamentos personalizados.

“A imuno-histoquímica ajuda a determinar o subtipo do tumor de próstata e possibilita terapias mais direcionadas. Esse avanço representa uma revolução silenciosa, que torna o tratamento mais eficaz e reduz a mortalidade”, explica Dr. Marcos Queiroz, líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein.

O especialista também destaca o avanço dos exames de imagem, especialmente a ressonância magnética, como ferramenta essencial na detecção precoce:

“A ressonância tem altíssima acurácia para detectar tumores prostáticos e se tornou mais acessível nos últimos anos. Hoje, equipamentos de 1,5 Tesla já permitem diagnósticos de qualidade, o que amplia o acesso e fortalece a prevenção”, complementa.

Para o Dr. Queiroz, o cenário atual é promissor. “Temos um arsenal diagnóstico amplo — exames de sangue como PSA, testes de imunoquímica, ressonância magnética e o exame clínico. Não há motivo para que o câncer de próstata não seja diagnosticado precocemente. A mensagem central deste Novembro Azul é: o cuidado contínuo com a saúde masculina salva vidas”, afirma.

A Abramed reforça que o aumento nos exames voltados à próstata acompanha o movimento de modernização da Medicina Diagnóstica no país, que vem incorporando tecnologias de precisão e práticas integradas de cuidado. O diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes oncológicos, além de representar uma estratégia concreta para reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso à prevenção.

Com colaboração estratégica da Abramed, Política Nacional do Diagnóstico Laboratorial avança e une entidades do setor

Proposta inédita visa modernizar a regulação da Medicina Diagnóstica e fortalecer a rede de serviços laboratoriais no país

As principais entidades representativas da Medicina Diagnóstica se uniram para consolidar a Política Nacional do Diagnóstico Laboratorial (PNDL) — uma proposta inédita que avança no Congresso Nacional com o objetivo de estabelecer diretrizes técnicas, científicas e regulatórias para o setor, fortalecendo a rede de serviços laboratoriais e garantindo a sustentabilidade da Medicina Diagnóstica no Brasil.

O projeto, que conta com colaboração estratégica da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), marca um movimento histórico de convergência entre os setores público e privado, com apoio de instituições como:

  • SBAC (Sociedade Brasileira de Análises Clínicas),
  • SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial), 
  • CBDL (Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial), 
  • CFF (Conselho Federal de Farmácia), 
  • Fenafar (Federação Nacional dos Farmacêuticos), 
  • CFBM (Conselho Federal de Biomedicina) 
  • e Febralac (Federação Brasileira das Redes de Apoio à Lactação).

“A PNDL apresenta as bases essenciais para um futuro marco regulatório do setor, reconhecendo o Diagnóstico Laboratorial como um componente essencial do sistema de saúde e propondo caminhos concretos para ampliar o acesso e a qualidade dos exames”, afirma Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed.

Recentemente apresentada ao Congresso Nacional, sob liderança do deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS), a proposta está aguardando despacho do Presidente da Câmara dos Deputados. 

Modernização e integração

A PNDL busca consolidar a regulação do setor a partir de padrões rigorosos de qualidade, segurança e interoperabilidade, promovendo maior integração entre os serviços públicos e privados. 

Atualmente, 95% dos diagnósticos laboratoriais do SUS são realizados por laboratórios da rede privada, segundo o ElastiCNES (2025) — o que reforça a importância de uma política nacional que garanta equilíbrio e sustentabilidade no acesso aos exames.

“O sistema público depende fortemente da rede privada para oferecer exames à população. Essa integração precisa ser reconhecida e estruturada de forma estratégica”, destaca Milva Pagano.

Entre as ações previstas estão a ampliação da cobertura geográfica, a incorporação sustentável de novas tecnologias, a redução de custos para os usuários do SUS e a implementação de sistemas de gestão de qualidade. Hoje, o país conta com cerca de 18 mil laboratórios, incluindo unidades completas, postos de coleta e núcleos técnico-operacionais, conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

A proposta também está alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda parâmetros globais para a oferta de diagnósticos essenciais, seguros e de qualidade — conforme a Resolução 76.5 da agência.

“Ao adotar os princípios da OMS, a PNDL coloca o Brasil em sintonia com as melhores práticas internacionais e contribui para a consolidação de uma política robusta e sustentável”, conclui Milva.