Outubro Rosa e Novembro Azul – Prevenção sempre será o caminho

O calendário de saúde nacional dedica dois meses inteiros à prevenção de duas das doenças que mais matam no mundo: câncer de mama e câncer de próstata. Com campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o país fortalece a cultura da prevenção, atitude que é sempre  o melhor caminho para garantir a saúde e a qualidade de vida populacional.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) a prevenção está ligada a duas abordagens distintas. A primeira é impedir que o câncer se desenvolva, ou seja, evitar a exposição aos fatores de risco adotando estilos de vida mais saudáveis. A segunda está em detectar e tratar doenças pré-malignas ou cânceres ainda quando são assintomáticos e estão sem seus estágios iniciais. E nesse momento a medicina diagnóstica assume papel extremamente relevante.

O INCA estima que em 2021 tenhamos cerca de 66.280 novos casos de câncer de mama no país, doença que mais causa a morte das brasileiras. Após investir em uma vida mais saudável, cortando hábitos ruins como o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo, as mulheres precisam se lembrar de manter os seus exames preventivos em dia.

A mamografia – radiografia capaz de detectar alterações mamárias – é um exame de rotina que contribui com o rastreamento do câncer de mama e permite a identificação da doença antes do surgimento de qualquer sintoma. No Brasil, a recomendação das autoridades é que mulheres de 50 a 69 anos realizem uma mamografia a cada dois anos. 

São inúmeros os desafios que o país enfrenta para garantir acesso à mamografia a todas as suas mulheres. Além do fato de que somente um em cada cinco municípios brasileiros tem um mamógrafo, o que nos leva a um vazio assistencial regionalizado, a pandemia tornou-se um novo empecilho para a prevenção do câncer de mama.

Muitas mulheres que estão na faixa etária para o rastreamento da doença deixaram de realizar o exame. Segundo dados do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, somente nas empresas que integram a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) – que em 2019 representaram 56,4% do total de exames realizados na saúde suplementar – entre março e novembro de 2020 houve diminuição de 53,1% na quantidade de mamografias quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

Com o maior conhecimento acerca da disseminação do novo coronavírus, bem como com o avanço da testagem e o início da vacinação, o panorama começou a melhorar e as mulheres gradualmente voltaram às consultas, laboratórios e clínicas de imagem. Porém, a campanha segue sendo ainda mais necessária para lembrar a todos que mesmo diante de uma doença infecciosa como a covid-19, as outras doenças não deixam de existir.

No âmbito do câncer de próstata, o cenário não é muito diferente. Segundo tipo de câncer mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma) tendo matado, segundo o INCA, quase 16 mil brasileiros em 2019, a doença também carece de detecção precoce. Ao diagnosticar nos estágios iniciais, as chances de sucesso no tratamento aumentam consideravelmente.

Para essa detecção precoce estão disponíveis exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos e o rastreamento de homens assintomáticos é feito pelo toque retal e pelo exame de sangue para avaliação da dosagem de PSA (antígeno prostático específico).

Durante a pandemia, os homens também se afastaram dos cuidados com a saúde e deixaram de realizar seus exames. Dados levantados pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) analisando relatórios do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS do Ministério da Saúde referentes aos procedimentos realizados entre janeiro e agosto de 2020 e comparando-os com as quantidades de testes no mesmo período de 2019, apontou queda média de 34,4% no número de exames de PSA.

Outros dois exames de imagem também relacionados ao diagnóstico da patologia, ultrassonografia de próstata por via abdominal e por via transretal, apresentaram queda de 37,8% e 35,7% respectivamente. Já a biópsia reduziu 22,7% no período.

Os números nos levam à percepção de que a pandemia de covid-19 fez o país dar um passo atrás na cultura da prevenção dessas doenças. O momento é de reforçar a importância do autocuidado, dos exames preventivos, e dos benefícios do diagnóstico precoce junto à população.

Margareth Dalcolmo, médica pneumologista da Fiocruz, é premiada durante 5º FILIS

A especialista foi agraciada com a terceira edição do prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, reconhecimento da Abramed pela sua atuação durante a pandemia de covid-19

Há três anos a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) instituiu o prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld durante a realização anual do FILIS (Fórum Internacional de Lideranças da Saúde) a fim de homenagear profissionais que fomentam o desenvolvimento e a melhoria da saúde no Brasil. Nesta edição de 2021, a homenageada foi Margareth Dalcolmo, médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Neste ano a Abramed conferiu o prêmio à doutora Margareth reconhecendo sua inestimável contribuição ao combate da pandemia especialmente pelo compartilhamento de informações científicas corretas e confiáveis com toda a população tanto sobre as características da doença quanto sobre as mais seguras formas de proteção”, disse Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed ao entregar o prêmio.

Participando ao vivo da cerimônia, Margareth agradeceu a homenagem. “Esse troféu me deu honra e um enorme sentimento afetivo de pertencimento lembrando, mais uma vez, que a união entre clínica e laboratório nunca esteve tão presente”, disse. 

A especialista aproveitou a oportunidade para vangloriar a atuação de todos os profissionais de saúde que se mostraram prontos e disponíveis para gerir a crise no Brasil. “Esse não é um reconhecimento somente a mim, mas a todos os médicos que mais do que eu estiveram na linha de frente, no SUS e na rede suplementar, e foram exigidos exaustivamente em uma realidade tão adversa como a que enfrentamos há vinte meses”, pontuou agradecendo à Abramed.

Margareth Dalcolmo tem sido uma das grandes porta-vozes da ciência durante todo o período da pandemia, visto que, segundo a Fiocruz, tem mais de 100 artigos científicos publicados nacional e internacionalmente. 

Graduada em medicina pela Santa Casa de Misericórdia de Vitória, tem especialização em Pneumologia Sanitária pela Fiocruz e doutorado em medicina pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com ampla experiência na condução e participação de protocolos de pesquisa clínica e tratamento da tuberculose e outras microbacterioses, é presidente eleita para a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o biênio 2022-2024.

Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld

Ao criar o Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, a Abramed buscou prestar uma homenagem a este renomado profissional do setor que, por décadas, esteve empenhado em tornar o segmento de diagnóstico mais unido. Médico hematologista e patologista clínico, Luiz Gastão Rosenfeld foi membro da Câmara Técnica da Abramed, além de diretor de Relações Institucionais do DASA e conselheiro do Hospital Israelita Albert Einstein.

Comitê de Proteção de Dados lança Guia de Boas Práticas

Documento está disponível para download e busca auxiliar o processo de adequação à LGPD nas empresas de medicina diagnóstica

6 de outubro de 2021

Visando sempre enfatizar a importância de comportamentos éticos, transparentes e vitais para a evolução da sustentabilidade do sistema de saúde, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) acaba de lançar, por meio do Grupo de Trabalho (GT) de Proteção de Dados, o Guia de Boas Práticas em Proteção de Dados para o Setor de Medicina Diagnóstica.

O documento – que está disponível para download AQUI – traz as bases legais para o tratamento de dados sensíveis, apresenta detalhes sobre como atender aos direitos dos titulares, e aborda o compartilhamento de dados de saúde com as operadoras. Além disso, contribui diretamente com a gestão corporativa ao abordar a proteção de dados pessoais no contexto dos recursos humanos e as práticas comerciais em marketing.

“Para garantir a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as empresas devem criar estratégias administrativas, mecanismos jurídicos e tecnológicos e identificar responsabilidades, prevenindo e antecipando riscos. Para apoiar nossos associados e demais empresas do setor no processo de adequação à lei, preparamos esse guia com uma linguagem simples e exemplos práticos. Trata-se de uma ferramenta consultiva para diferentes áreas das corporações”, pontua Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Devido à relevância do tema, em reunião realizada dia 23 de setembro, Milva Pagano, diretora-executiva da Associação, mencionou o interesse da entidade em transformar o GT de Proteção de Dados em um Comitê permanente na entidade. “Os grupos de trabalho têm ação específica e tempo pré-determinado de atuação. E o GT de Proteção de Dados foi iniciado com essa perspectiva. Porém, agora, a proposta é que ele evolua para um Comitê permanente envolvendo não somente membros dos departamentos jurídicos dos nossos associados, mas profissionais das áreas de tecnologia e segurança da informação. Assim poderemos ampliar as discussões”, disse.

Cibersegurança

A fim de promover conhecimento sobre a criação de um ambiente virtual seguro, a reunião de 23 de setembro contou com a participação de Domingo Montanaro, perito em TI e cofundador da Ventura Enterprise Risk. O especialista apresentou a palestra “Riscos e prevenção no uso de dados no setor de medicina diagnóstica”.

“Precisamos tratar desse assunto que é recorrente e não se refere apenas à segurança do dado em si. Temos acompanhado, na Europa, que as instituições de saúde muitas vezes são as mais atingidas com a interrupção dos serviços e o sequestro de dados”, disse Rogéria Leoni Cruz, diretora jurídica e Data Protection Officer do Hospital Israelita Albert Einstein, ao iniciar a reunião e apresentar Montanaro.

Explicando em detalhes as ameaças do ransomware – software de extorsão utilizado por quadrilhas digitais para sequestrar sistemas e exigir um resgate para a liberação em ataques cada vez mais recorrentes – o especialista fez alguns apontamentos bastante interessantes.

“Tratávamos de dois a três casos de ransomware por ano. Hoje estamos tratando dez ou doze. Essas gangues que executam os ataques estão conseguindo bilhões de dólares em pagamentos e se antes eles apenas interrompiam as operações, hoje conseguem também copiar uma grande massa de dados das corporações”, declarou. 

Algumas empresas, a fim de se precaver desse tipo de incidente, podem dedicar muitos esforços na criação e atualização constante de um backup, mas nem sempre isso é suficiente. O especialista exemplificou com o caso de uma companhia que tinha um backup ideal, porém a restauração poderia demorar 21 dias. “Nesse caso a empresa pagou o resgate não porque não tinha os dados, mas porque não podia aguardar três semanas para retomar sua operação. Então é importante analisar o tempo da restauração do backup”, declarou.

Outro ponto que foi abordado por Montanaro é que atualmente essas quadrilhas não planejam quem vão atacar, ficam escaneando a rede em busca de uma oportunidade. “Cerca de 80% dos casos de ransomware a quadrilha não escolheu o alvo”, pontuou. São tantos ataques nos Estados Unidos gerando bilhões de dólares em pagamentos de resgate que o Tesouro Nacional resolveu se posicionar quanto a essas ações.

O que as empresas precisam fazer para prevenir esses ataques?

O primeiro passo, na opinião do especialista, é reconhecer os erros. “Estamos colocando motores cada vez mais potentes sem melhorar os pneus, a suspensão, o câmbio e sem instalar airbag, extintor e cinto de segurança”, disse. Além disso, é preciso entender que o risco cibernético é intransferível e que a responsabilidade não é apenas das áreas de TI e segurança da informação.

Na sequência, existem algumas perguntas que precisam ser feitas olhando para o ambiente interno:

  • Quem está preocupado com o tema?
  • Quais são os ativos mais importantes da empresa?
  • Quem são os adversários?
  • Quais são as ameaças?
  • Qual a estratégia de combate a ameaças cibernéticas?

E o interessante é que esses questionamentos sejam debatidos junto ao conselho que, inclusive, segundo Montanaro, deve sempre ter pelo menos um membro bastante familiarizado com o assunto. “Além disso, é preciso ter um comitê com uma linha direta ao conselho”, disse.

Em sua apresentação, o especialista mencionou uma palestra de Ronald Sugar, que atuou como presidente do Conselho e CEO da Northrop Grumman até 2010, sobre todo esse cenário de cibersegurança, sugerindo que todas as pessoas que estão inseridas nesses projetos assistissem. Essa palestra está disponível no YouTube e você pode vê-la clicando AQUI.

Reforma Tributária – Atualização do cenário e impactos para a medicina diagnóstica

Segunda fase está totalmente voltada ao imposto de renda; impactos variam de acordo com o modelo de tributação das empresas

14 de setembro de 2021

Desde as primeiras movimentações pela Reforma Tributária no Brasil, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), por meio do seu Comitê Jurídico, segue atenta avaliando os impactos das mudanças no setor de saúde e contribuindo para um debate mais claro e transparente tanto com os tomadores de decisão quanto com a sociedade.

Ao final do ano passado, encerradas as atividades da Comissão Mista que avaliou a PEC 45/19 e a PEC 110/19, foi gerado um novo projeto de lei: o PL 3887/20. Esse projeto altera a legislação tributária federal e institui a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), que unifica PIS/Pasep e Cofins num único tributo com uma alíquota geral de 12%.

Ainda sem considerar que alguns setores da economia – como saúde e educação – são essenciais, o PL 3887/20 ameaça a funcionalidade e a sustentabilidade da medicina diagnóstica nacional e permanecem os problemas apontados previamente pelas instituições de saúde: a aprovação dessa reforma desencadeará o fechamento de muitas unidades que atuam com medicina diagnóstica, que não conseguirão arcar com o aumento expressivo de custos, e, como consequência, teremos uma nova leva de desempregados (já que o segmento é responsável pela manutenção de 264 mil postos de trabalho); ampliaremos a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), já sobrecarregado e tentando se recuperar de uma pandemia; e teremos uma dificuldade ainda maior de garantir acesso a exames de qualidade a todos os cidadãos brasileiros.

“Seguimos dedicados à discussão da CBS. Semanalmente temos audiências com deputados e senadores, por meio da Aliança Saúde e Educação, e essa é uma frente que tem surtido bastante efeito. Tanto que agora estamos considerando uma perspectiva positiva de uma alíquota diferenciada para os setores da saúde, educação e também de transportes. A neutralidade fiscal é justamente o nosso pleito”, explica Fábio Cunha, diretor do Comitê Jurídico da Abramed.

Porém, paralelamente ao debate sobre o PL 3887/20, no início deste ano a Reforma Tributária entrou em uma segunda fase com a apresentação, pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, do projeto de lei 2337/21, que altera a legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas e das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.

“Essa é uma fase totalmente voltada ao imposto de renda e temos que nos atentar a duas modificações principais: a reinstituição da tributação da distribuição de lucros e dividendos, que desde 1995 é isenta; e a redução da alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica”, explica Renato Nunes, sócio da área Tributária da Machado Nunes.

É preciso entender que essas mudanças propostas pelo PL 2337/21 afetam as empresas de forma diferente a depender do seu modelo de tributação.

Para as optantes pelo Simples Nacional (ou seja, pessoas jurídicas com faturamento máximo anual de R$ 4,8 milhões), se o projeto for aprovado não deve haver muito impacto. Isso porque na versão mais recente do texto essas empresas estarão dispensadas de promover a retenção de Imposto de Renda sobre as distribuições de lucros, independentemente de valor. Considerando que inicialmente a isenção seria apenas para a distribuição de até R$ 20 mil por sócio, podemos entender que houve um avanço.

A mesma previsão acima voltada ao Simples se aplicaria às empresas optantes pelo Lucro Presumido e que faturam até R$ 4,8 milhões ao ano. Para estas, os impactos devem ser indiretos, ou seja, podem surgir pelo aumento de preços de fornecedores e prestadores de serviço que sofrerão com uma possível ampliação da carga tributária.

Já para empresas que faturam mais de R$ 4,8 milhões ao ano e atuam sobre Lucro Real ou Lucro Presumido, os impactos precisam ser compreendidos e analisados, pois são bem significativos. As companhias mais penalizadas, em tese, serão aquelas que optam pelo lucro presumido.

“Isso acontece porque essas empresas trabalham com percentuais de presunção, e não com lucro efetivo. Assim, acabam sentindo menos o impacto positivo da redução do IRPJ, que é uma das principais contrapartidas ao retorno da tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos”, explica Nunes reforçando que ao mesmo tempo em que se beneficiam pouco dessa redução, do outro lado estão sentindo totalmente o peso do aumento da carga tributária.

Outro ponto apresentado por Nunes e que deve ser percebido é que no setor de serviços da saúde, o lucro presumido conta com um regime especial apelidado de “lucro presumido saúde”. Enquanto no modelo tradicional, o percentual de presunção para se chegar à margem de cálculo é de 32%, nesse formato especial os percentuais de presunção do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro caem para, respectivamente, 8% e 12%. “Isso faz com que tenhamos o aproveitamento da redução da alíquota do IRPJ seja bastante limitado, e, por consequência, uma menor neutralização do Imposto sobre a distribuição de lucros”, declara Nunes.

“Tínhamos uma grande preocupação com o impacto dessas mudanças nos prestadores de serviço e no efeito em cascata que poderia ocorrer. Quando o texto foi alterado, mantendo a isenção para todas as empresas do Simples Nacional e para uma parcela das optantes pelo lucro presumido, a situação melhorou”, relata Cunha.

Monitorando a Reforma Tributária desde o início, o executivo acredita que nos últimos dias a aprovação da reforma foi dificultada. “Enquanto na primeira fase, de aprovação do CBS, tínhamos metade da sociedade contra e outra metade a favor, nessa segunda fase focada no imposto de renda temos 100% dos setores se posicionando contrários ao projeto de lei. Na nossa visão, isso faz com que a reforma enfrente muito mais dificuldades para ser tramitada e o fato de a aprovação ter sido recentemente postergada deixa claro o enfraquecimento do governo com relação a esse movimento”, finalizou.

A Abramed segue acompanhando todos os novos passos para esclarecer os impactos e as demandas do setor de medicina diagnóstica, evitando prejuízos para as empresas e para a população. Inclusive, participará de uma reunião com o deputado federal Luiz Carlos Mota (PL-SP), relator do PL 3887/20, intermediada pela Frente Parlamentar de Serviços.

Wilson Shcolnik palestra sobre relevância da medicina laboratorial para o futuro do diagnóstico

Presidente do Conselho de Administração da Abramed fez apresentação no Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico

02 de agosto de 2021

Na tarde de quarta-feira, 28 de julho, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), ministrou uma palestra sobre as contribuições da medicina laboratorial ao futuro do diagnóstico na primeira edição do Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico. Durante a apresentação o executivo abordou temas bastante atuais sobre o desenvolvimento do setor.

Um dos assuntos debatidos foi a importância da coleta de dados para a formação do raciocínio clínico. Reunir essas informações envolve obter detalhes sobre o histórico do paciente – o que é uma tarefa árdua diante de um mercado de trabalho onde os médicos estão a cada dia mais sobrecarregados – mas também dados advindos dos exames físicos, que podem evidenciar importantes sinais, e aqueles contidos nos resultados dos exames complementares. “Assim o profissional encarregado do diagnóstico pode tirar suas conclusões e seguir com o ciclo de cuidado”, pontuou o presidente.

Durante os primeiros meses de pandemia de COVID-19, o setor assistiu a uma diminuição drástica do número de exames realizados no país, já que as pessoas se sentiram ameaçadas e deixaram de comparecer a consultas e exames eletivos. Porém, o segmento já vem se recuperando e, na visão de Shcolnik, o número de solicitação de exames tende a aumentar nos próximos anos.

Esse aumento não está relacionado à crise do novo coronavírus, mas sim a outros fatores. A população está envelhecendo e cada dia mais atenta aos cuidados. “Vivemos um momento que valoriza a prevenção e a promoção da saúde. Paralelamente, continuamos convivendo com doenças crônicas e degenerativas que exigem exames rotineiros para gerenciamento e controle dos tratamentos”, esclareceu o palestrante.

Outro ponto que leva a um potencial aumento do número de exames realizados está nas conquistas obtidas pela exploração do genoma humano, que abriram novos horizontes para a medicina diagnóstica. “Graças a esses avanços, agora contamos com a medicina de precisão, a medicina personalizada e outras abordagens que partem de dados da saúde populacional”, disse.

Como forma de consolidar a percepção de que a cada dia temos mais exames relevantes para a saúde humana e mais pessoas necessitando desses testes, o presidente da Abramed mencionou a publicação, há três anos, por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma lista com mais de uma centena de exames considerados essenciais. Essa lista passou por duas atualizações e, hoje, envolve também um conjunto de testes para doenças infecciosas e evitáveis por vacinas, além de exames para detecção de doenças não transmissíveis como câncer e diabetes.

Os 4 P’s da medicina

Em sua palestra, Shcolnik também falou sobre os quatro P’s da medicina: preditiva, preventiva, personalizada e participativa. Em sua explanação, o executivo enfatizou a importância do diagnóstico em cada uma delas. “O primeiro P, de preditividade, reforça a relevância dos dados preditivos trazidos pelos exames genéticos e que, feitos logo após o nascimento, podem orientar a gestão de saúde quanto a predisposições a doenças e nos levam justamente ao segundo P, de prevenção. Além disso, temos a medicina personalizada (terceiro P) que também acontece graças aos exames genéticos, e o quarto e último P, de medicina participativa, que coloca o paciente no centro do cuidado e permite, inclusive, que ele mesmo realize alguns exames por meio de autotestes”, declarou.

Para consolidar todo esse cenário, o presidente mencionou os significativos avanços obtidos no setor ao longo do tempo. Apontou melhorias que otimizaram o diagnóstico, como os painéis de biologia molecular que são capazes de identificar muitos patógenos diferentes responsáveis por infecções de corrente sanguínea, gastrointestinais, respiratórias, encefalites e meningites. “Pense em uma mãe que está com seu filho com suspeita de uma meningite bacteriana, como ela fica ansiosa com a confirmação do diagnóstico. Os métodos tradicionais envolviam recursos como análise citológica, análise bioquímica do liquor, exames demorados e que podem levar até dias para serem concretizados como as culturas, a microscopia e a bacterioscopia. Testes inseguros, limitados e inespecíficos”, pontua. “Agora temos esses painéis, um recurso fundamental sobretudo nos prontos-socorros”, complementa.

Mostrou, também, como os testes podem contribuir com a definição do melhor tratamento, impactando inclusive no prognóstico. Para isso, trouxe um excelente exemplo que já está, inclusive, disponível no Brasil: exame capaz de identificar, através de marcadores laboratoriais e mutações genéticas, se aquela mulher que acabou de ser diagnosticada com um câncer de mama de fato será beneficiada pela quimioterapia, um tratamento bastante agressivo. “Esse é um tipo de teste que auxilia muitas pacientes e traz um enorme valor ao diagnóstico dessa patologia”, completou.

Essencial para a gestão da pandemia

Shcolnik também abordou a importância dos laboratórios clínicos para o melhor controle da pandemia. “Essa área tem sido essencial não somente para a confirmação dos diagnósticos, mas também para a tipagem dos agentes etiológicos, visto que estamos convivendo com diferentes cepas do novo coronavírus”, esclareceu.

Mudança de paradigma

Por fim, um dos pontos bastante relevantes apresentados por Shcolnik em sua palestra do Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico foi uma mudança de percepção dos conceitos e missões dos laboratórios. “Pensávamos que o nosso papel era fornecer resultados exatos, precisos, oportunos, no tempo certo e com o menor custo possível. Hoje acreditamos que nossa missão é fornecer resultados de forma rápida e eficiente, sem descuidar dos custos dos exames, para possibilitar um diagnóstico exato e preciso, a seleção de um tratamento apropriado, e um monitoramento correto do status da saúde ou de uma doença”, finalizou.

O I Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico: O Futuro do Diagnóstico foi realizado entre os dias 27 e 29 de julho de 2021 e contou com apoio da Abramed.

11 anos de Abramed – Dedicação e fortalecimento do diagnóstico no Brasil

Entidade reúne associados que representam 56% dos exames da saúde suplementar e atua na construção da valorização da medicina diagnóstica no setor de saúde brasileiro

13 de julho de 2021

Em 14 de julho de 2021 a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) completa 11 anos de atuação em prol do setor de medicina diagnóstica no Brasil. Em mais de uma década de dedicação, a entidade acumula vitórias e enxerga que existem ainda muitos desafios pela frente. Vivenciando uma pandemia infecciosa como a de COVID-19, que torna o diagnóstico rápido e preciso ainda mais fundamental para a contenção da crise – a Associação aproveita esse momento para enfatizar ainda mais a importância do segmento para a saúde da população e a economia do país.

“A medicina diagnóstica ganhou ainda mais protagonismo no último ano. Continuamos sendo indispensáveis para a gestão da pandemia. O reconhecimento, que se tornou ainda maior quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o melhor caminho para reduzir a disseminação do novo coronavírus era ‘testar, testar e testar’, é justo e necessário e soma-se a contribuição dos exames no monitoramento de pacientes hospitalizados para tratamento da COVID-19, assim como de pacientes portadores de outras doenças”, comenta Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Para o executivo, a crise vivenciada nos últimos meses mostrou a importância da união setorial, uma das metas da entidade. “Como associação nacional, trabalhamos para que as necessidades da medicina diagnóstica brasileira sejam identificadas e levadas aos tomadores de decisão. Buscamos, sempre, garantir que todos os nossos associados que compõem essa complexa cadeia sejam valorizados, independentemente da região em que atuam ou do público atendido”, completa.

Hoje, a Abramed reúne empresas que são responsáveis pela realização de 56% dos exames da saúde suplementar, representando o setor de forma bastante abrangente, mas muitas atendem também a área pública. “A Abramed reúne empresas com diferentes portes que atuam com diagnósticos de diferentes níveis de complexidade em todas as regiões do país. Defendemos e representamos, incansavelmente, os interesses do setor, buscando contribuir com a qualidade dos serviços prestados e a gestão da saúde”, pontua Milva Pagano, diretora-executiva.

Para compreender todos os desafios do segmento, a entidade conta com comitês específicos para entendimento de cada área, compostos por executivos das associadas que se reúnem – agora, na pandemia, virtualmente – todos os meses colocando em debate as principais notícias e buscando soluções para os entraves que surgem diante de uma economia dinâmica e instável.

Além disso, a Abramed constituiu, ao longo de todos esses anos, um excelente relacionamento com tomadores de decisão. Está presente nas principais conversas que ocorrem no âmbito legislativo e também no executivo, levando avaliações relativas a um mercado com receita bruta de mais de R$ 44 bilhões e responsável pela manutenção de 265 mil postos de trabalho.

Esses dados, inclusive, são anualmente atualizados e compilados no Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, uma publicação que traz um panorama completo da medicina diagnóstica no país. O documento é fonte de pesquisa para que empresas que atuam no setor possam enxergar o atual cenário e tomar decisões estratégicas com base em informações relevantes e atualizadas.

O reconhecimento da entidade também veio por parte da mídia. Sempre disposta a compartilhar dados e informações confiáveis sobre a medicina diagnóstica, a Abramed passou a ser fonte de informação direta para os principais veículos de comunicação do país, situação que vem se fortalecendo dia após dia e leva informações seguras e corretas aos cidadãos. “Estamos vivendo uma das piores crises de saúde no mundo e estamos totalmente dedicados para contribuir com o cuidado da população e para a superação da pandemia de COVID-19.  Comemoramos os nossos onze anos, reforçando o nosso compromisso com a saúde dos brasileiros, com as empresas responsáveis pelo diagnóstico rápido e preciso que salva vidas, e com o poder público a fim de contribuir com o acesso a serviços de qualidade”, finaliza Milva.

Confira depoimento de Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Cultura da saúde corporativa deve ser iniciada na alta liderança

Especialistas debateram o tema em novo episódio da série Diálogos Digitais Abramed

07 de julho de 2021

O segundo episódio da temporada 2021 de #DiálogosDigitais Abramed trouxe um tema novo para debate: Gestão da Saúde Corporativa e Medicina Diagnóstica. Moderado pela diretora-executiva da entidade, Milva Pagano, o encontro virtual recebeu Adriano Londres, empreendedor na Arquitetos da Saúde; Jacques Chicourel, head of Digital Services da Siemens Healthineers; e Fernando Akio, sênior medical manager na Procter & Gamble. Realizado dia 22 de junho e disponível para visualização no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para acessar), o bate-papo alavancou discussões extremamente relevantes sobre o papel das corporações na saúde populacional.

Para dar boas-vindas aos participantes, Wilson Shcolnik, presidente da Abramed, foi o responsável por abrir a sessão. “Esse é um tema importante, contemporâneo e que dá margem para muitos debates. A saúde corporativa tem ampla representação no sistema de saúde nacional e relação íntima com a medicina diagnóstica”, pontuou.

Na sequência, Milva falou um pouco sobre sua experiência nesse segmento. “Sabemos que a maior parcela dos beneficiários da saúde suplementar está em planos coletivos. E sabemos, também, que, infelizmente, grande parte dos contratantes desses planos não estão devidamente empoderados, instrumentalizados para realizar uma efetiva gestão da saúde”, declarou.

Partindo desse pressuposto, o debate foi desencadeado por Londres. “Dois terços do mercado suplementar estão em planos coletivos e precisamos fazer um corte para analisar qual perfil de empresa de fato poderia ter uma atuação mais forte”, relata enfatizando que é sabido que empresas pequenas acabam reféns do mecanismo e do mercado, deixando de cuidar da saúde de seus colaboradores até por limitação de recursos, mas que as empresas grandes poderiam – e deveriam – fazer algo mais concreto.

Questionado sobre os motivos que levam a essa apatia das corporações no que tange ao envolvimento com a saúde corporativa, o executivo mencionou que é uma questão cultural e que ainda há falta de conhecimento, o que leva a uma necessidade de capacitação dos profissionais envolvidos.

Na Procter & Gamble, quatro pilares foram apontados como estratégicos: atenção primária e cuidado com a saúde; atenção secundária e rastreamento seguido de diagnóstico precoce; atenção terciária com tratamento e reabilitação, e atenção quaternária evitando a iatrogenia.

Por lá, a cultura já foi implementada e segue priorizada, como relata Akio. “A P&G sempre pensou em saúde em todos os aspectos, tanto dos trabalhadores quanto dos consumidores. Por isso temos uma diretoria médica que responde diretamente ao CEO da companhia. Essa estrutura faz com que toda a cadeia de liderança entenda o que é saúde suplementar, quais os custos e como diferenciá-los”, afirmou.

Um dos pontos mais importantes, segundo ele, é que a cultura precisa ser implementada verticalmente, ou seja, iniciar na alta direção e seguir sendo disseminada ao longo da hierarquia total. “Não podemos educar os trabalhadores sobre o uso correto dos planos de saúde se a alta liderança não nos apoia”, esclareceu.

Milva concordou com a construção de uma cadeia de conhecimento envolvendo todos os níveis da corporação e apontou como muito eficaz a estratégia adotada pela P&G. “Se você não tem uma área de saúde reportando diretamente ao CEO, dependendo da distância entre essa área e a alta cúpula da empresa, o foco se perde”, disse.

Empoderamento do paciente

“O usuário não vê o valor da saúde suplementar”, pontuou Akio, enfatizando que o colaborador pode enxergar o plano de saúde como um “cheque em branco”. Além da conscientização, o empoderamento desse paciente se faz necessário. É o que defende Chicourel. “Precisamos enxergar a experiência e o empoderamento do paciente. Acreditamos que saúde e bem-estar vêm do acesso e desse empoderamento”.

Para Milva, até mesmo a nomenclatura “paciente” se mostra equivocada quando o assunto é colocá-lo no centro da atenção. “O nome ‘paciente’ nos coloca em uma posição de passividade. Porém as pessoas estão e devem estar cada vez mais empoderadas ao autocuidado, ao conhecimento. E é por isso que precisamos investir cada vez mais em educação e conscientização. Aqui vemos, novamente, a importância das empresas empregadoras educando seus colaboradores”, completou.

Medicina Diagnóstica

A medicina diagnóstica tem papel fundamental dentro do contexto da saúde corporativa, atuando principalmente na prevenção. “Em nossa carteira, os custos com exames são em torno de 16%”, disse Akio sobre como a P&G enxerga os investimentos em exames laboratoriais e de imagem. “Entendemos que exames de rastreamento são investimento. Vamos diagnosticar de forma precoce para iniciar mudanças no estilo de vida ou, em caso de algum diagnóstico, terapias rápidas para que a doença não se agrave”, complementou.

O debate abordou também a eficiência da saúde, mencionando inclusive os conceitos de overuse e underuse, respectivamente quando há uma solicitação extra de exames e quando há a ausência de exames que se fazem necessários e importantes para o cuidado. “O problema não está na realização dos exames, os testes preventivos são necessários. O problema está, muitas vezes, na solicitação incorreta”, disse Akio.

Interoperabilidade e compartilhamento de dados

Assim como em outros setores da saúde, a interoperabilidade surge como desafio. “Como fazer com que as informações das redes de laboratórios fiquem mais acessíveis?”. O questionamento feito pelo executivo da P&G foi lançado para os outros participantes.

Chicourel concorda que essa é uma área que precisa de movimentação ágil. “Como compartilharemos os dados gerados pelos prestadores e pela empresa de maneira simples, para que o colaborador não precise carregar um monte de documentos, exames, papeis em suas consultas, é assunto complexo”, declarou. Para ele, a tecnologia está pronta para contribuir e viabilizar esse acesso aos dados.

“Vemos a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) como um grande marco no tratamento dos dados da saúde do ponto de vista externo, porém nos questionamos como as informações serão armazenadas. Como daremos, ao paciente, o poder de acesso às suas informações e, de maneira consciente, dar consentimento para que outro provedor possa visualizá-las? Tudo isso está envolto nas plataformas de saúde digital”, afirmou ao trazer, para o debate, um exemplo da Áustria onde uma plataforma foi instalada para padronizar todo o sistema de saúde, fazendo com que o paciente tivesse acesso a qualquer informação de qualquer lugar.

Concluindo a temática, Milva pontuou que a navegação do paciente através dos dados é, de fato, um desafio enorme. “Seja na esfera pública, seja na privada, as informações seguem espalhadas em cada player”, afirmou.

Envolvimento de todos os players para sustentabilidade

Na visão de Londres, mais do que sustentabilidade, é preciso buscar eficiência. “Precisamos ver que cuidar da saúde é o melhor caminho. Abandonamos a percepção da prevenção, da relação próxima entre médico e paciente, da atenção primária como orquestradora do ciclo de cuidado”, disse. Para ele “cuidar de saúde pode dar muito lucro”, o que estimularia uma visão mais consolidada entre todos os players, das operadoras às empresas contratantes.

“Todos os elos da cadeia estão correndo nessa direção, mas é um movimento que leva tempo”, completou ao falar sobre a mudança nos modelos de remuneração, permitindo o pagamento pelo desfecho positivo, e não pela quantidade de procedimentos realizados.

Na P&G, por exemplo, há uma parceria muito próxima entre a empresa e a operadora de saúde contratada. “A gente trabalha em conjunto com a operadora. Tudo o que vamos decidir, eles participam. Assim como nosso vínculo com os fornecedores de serviços de checkup médico, educação física, nutrição e etc”, comentou Akio.

Por fim, os participantes concordaram que esse é um mundo em construção, que depende do empenho e da motivação conjunta de todos os elos da complexa cadeia de saúde, para que as empresas empregadoras possam investir na saúde corporativa, garantindo times mais saudáveis, motivados e tendo, como retorno, um investimento mais eficaz e um retorno ainda mais próspero.

Confira o segundo episódio dessa temporada de #DiálogosDigitais Abramed na íntegra clicando AQUI.

FILIS – Edição de 2021 será totalmente digital

Fórum Internacional de Lideranças da Saúde acontecerá nos dias 13 e 14 de outubro

1º de junho de 2021

A quinta edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde será realizada pela primeira vez em um formato integralmente digital. Promovido anualmente pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), o evento traz uma programação dinâmica e enriquecedora, com debates altamente relevantes sobre os principais pleitos, desafios e tendências da saúde no país.

Com tema central “A Medicina Diagnóstica de hoje na construção do sistema de saúde do amanhã”, o FILIS mantém seu formato interativo com participação ativa do público em tempo real, além de palestrantes nacionais e internacionais discutindo as vertentes mais urgentes não somente da medicina diagnóstica, mas da saúde como um todo.

“Depois de quatro edições de sucesso, o FILIS se consolidou como um importante evento do setor por reunir líderes e gestores responsáveis pelas tomadas de decisões estratégicas no setor de saúde. Entendemos que, devido à instabilidade ainda gerada pela disseminação do novo coronavírus, não seria o momento de organizar um evento presencial. Porém, cientes de que o setor carece desse encontro até mesmo para ampliar o diálogo sobre a gestão da crise, optamos pela realização virtual do fórum”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

A edição virtual traz algumas novidades. Serão dois dias de evento, das 9h até às 12h, com salas paralelas, das 12h às 13h, para apresentação de temas mais fechados e específicos relacionados a Telemedicina, LGPD e COVID-19.

Além disso, esse ano o FILIS começará antes mesmo da data oficial com a realização, em setembro, de um evento de aquecimento para debater os movimentos empresariais da medicina diagnóstica e apresentar dados setoriais.

Com uma agenda bastante relevante, a quinta edição do FILIS abordará os temas:

  • Desafios regulatórios para o desenvolvimento do sistema de saúde
  • Futuro da saúde e os impactos econômicos no pós-pandemia
  • Vigilância sanitária na medicina diagnóstica
  • Ciência de Dados e tecnologia em medicina diagnóstica
  • A transformação e o futuro da medicina diagnóstica

Premiação – Desde 2018, o FILIS entrega o Prêmio Doutor Luiz Gastão Rosenfeld como reconhecimento a profissionais que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira. Na edição de 2021 a premiação será mantida. O prêmio é uma homenagem ao doutor Rosenfeld, renomado profissional de medicina diagnóstica que faleceu em março de 2018 após décadas de empenho para maior união do setor.

Em breve as inscrições para participar da quinta edição do FILIS estarão abertas. Acompanhe a Abramed nas redes sociais (Instagram | Facebook | Linkedin | YouTube) e fique por dentro.

Todo exame que coleta amostras do nariz com um cotonete é RT-PCR?

A resposta é não. Abramed esclarece a diferença entre os testes e seus graus de confiabilidade para que nenhum brasileiro faça um exame de moderada sensibilidade acreditando estar sendo testado por uma metodologia de alta sensibilidade

1º de maio de 2021

Desde o início da crise causada pelo novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS), apoiada pelas comunidades científicas globais, indicou o RT-PCR como o exame padrão-ouro para diagnóstico da COVID-19. Cientes de que esse era o exame mais confiável dentro desse cenário, muitos brasileiros passaram a identificar essa metodologia como o teste que coleta amostras nasais com um cotonete. Porém, com o passar dos meses, muitos outros testes surgiram e, hoje, há uma certa confusão entre todos os tipos que estão disponíveis, quais seus graus de confiabilidade e quando cada um deles deve ser utilizado.

Para trazer mais clareza, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esclarece todas as dúvidas que estão no ar. E o primeiro apontamento dado pela entidade é: nem todo exame hoje disponível que coleta amostras pelo nariz é um RT-PCR.

Atualmente, outras metodologias diagnósticas utilizam esse tipo de amostra. É o caso do teste rápido de antígeno viral que também serve para identificar a doença na fase ativa mas, erroneamente, tem sido chamado por muitos estabelecimentos de POCT-PCR (Point-of-Care Testing – PCR). Esse teste é, na verdade, um teste imunocromatográfico simples, menos sensível, que dispensa o uso de reagentes adicionais e equipamentos sofisticados e precisos usados em laboratórios clínicos, ou seja, é diferente do RT-PCR, que é um exame molecular de alta complexidade.

“No RT-PCR, as amostras coletadas com um swab do fundo do nariz e da garganta do paciente são dispostas em um equipamento capaz de detectar e amplificar o material genético do vírus ali contido. É exatamente essa multiplicação que aumenta a sensibilidade do teste. Já no teste de antígeno nasal não há essa amplificação. Isso significa que mesmo doente, caso o paciente não tenha uma carga viral alta em suas vias respiratórias, há grande chance daquele teste dar um falso negativo”, explica Alex Galoro, diretor do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Disponível na literatura científica internacional, um estudo1 publicado em novembro de 2020 concluiu que a sensibilidade e a especificidade do teste de antígeno viral são inferiores às dos exames RT-PCR. Para tal, a pesquisa utilizou esfregaços de cidadãos testados via RT-PCR e foram selecionadas, para o comparativo, 75 amostras de pacientes comprovadamente infectados pelo novo coronavírus e outras 75 amostras de pacientes comprovadamente saudáveis.

Na ocasião, entre todas as amostras avaliadas, o teste rápido apontou três falsos positivos (o que o levou a 96% de especificidade) e 53 falsos negativos (sensibilidade de 70%). Entendendo que a sensibilidade do teste depende do ciclo da doença e da proporção da carga viral nas amostras, outra análise foi feita levando à compreensão de que: em amostras com alta carga viral, o teste rápido alcançou 100% de sensibilidade; em amostras com carga viral média, 95% de sensibilidade; em amostras com carga viral baixa, 44,8% de sensibilidade; e em amostras com carga viral muito baixa, apenas 22,2% de sensibilidade.

“O paciente não tem como saber qual sua carga viral. Por esse motivo, a indicação é de que o teste rápido de antígeno viral seja utilizado unicamente quando não houver a possibilidade de realização de um RT-PCR e em pacientes sintomáticos, já que a presença de sintomas, na teoria, indica uma carga viral mais alta”, explica Galoro. Importante destacar que qualquer cidadão infectado transmite a doença independentemente da quantidade de vírus que carrega.

Outros testes para detecção da doença na fase ativa

Além dos testes descritos acima, há outros exames disponíveis no mercado para detecção da doença na fase ativa, a exemplo do PCR-Lamp. Trata-se de um teste isotérmico que, apesar de usar outra metodologia para amplificação da carga viral e posterior análise de resultados, tem desempenho similar ao RT-PCR e pode ser feito tanto com amostras colhidas do nariz quanto com saliva.

Porém, é importante que todos saibam que há diferença de desempenho dos testes de acordo com o tipo de amostra utilizada: a sensibilidade de qualquer teste para COVID-19 é maior quando utilizadas secreções nasais, visto que a carga viral costuma ser inferior em amostras de saliva. “O recomendado é que os testes sempre sejam feitos com swab nasal e que o teste via saliva seja utilizado apenas em pessoas que tenham dificuldades anatômicas para a coleta da secreção pelo nariz”, diz Galoro.

Sorológicos para identificação de anticorpos

Os testes disponíveis no Brasil são os mesmos utilizados pela maioria dos outros países. Além dos já mencionados para detecção da doença na fase ativa (RT-PCR, PCR-LAMP e Teste de Antígeno Viral), estão disponíveis os testes capazes de detectar anticorpos e, assim, apontar se aquele paciente já teve contato com o novo coronavírus. Os mais realizados, hoje, são os testes sorológicos para IGG, IGM e anticorpos totais.

Entre eles, há diferenças na metodologia de análise, na sensibilidade e na entrega de resultados.

O teste-rápido – que é feito através de um pequeno furo na ponta do dedo para extração de uma gota de sangue a ser avaliada por imunocromatografia em um dispositivo portátil – depende muito da experiência e conhecimento do profissional de saúde que está executando a coleta e traz um laudo qualitativo, ou seja, apenas indica “positivo ou negativo” para IGG e IGM. Por ser uma metodologia mais simples, tem sensibilidade menor, o que aumenta a chance de resultados falso negativos.

Já os testes sorológicos feitos em laboratório com coleta de sangue venoso trazem resultados quantitativos e conseguem indicar, com mais precisão, como foi a exposição daquele paciente ao patógeno.

Aqui, novamente é preciso estar atento à janela imunológica, ou seja, cada pessoa demora um período específico para produzir anticorpos após ser infectado. Portanto, qualquer exame sorológico só deve ser feito dez dias após o início dos sintomas.

Teste pós-vacinação

Com a imunização fluindo no mundo, surgiram os testes de sorologia pós-vacina, pesquisas de anticorpos neutralizantes focadas em investigar a resposta imune de cada indivíduo à vacinação. Importante enfatizar que dependendo da vacina que é aplicada, o anticorpo pesquisado deve ser diferente. Isso porque cada imunizante estimula uma resposta do sistema imunológico.

Além disso, estudos clínicos realizados com esses testes mostram que nem todo cidadão vacinado apresenta soropositividade. E isso não significa que ele não está protegido. O que os pesquisadores notaram é que, por vezes, o teste aplicado não é capaz de detectar exatamente o anticorpo gerado e que, além disso, anticorpos não são a única fonte de defesa do organismo, que conta também com os linfócitos T, inacessíveis aos testes sorológicos.

Portanto, mesmo que o paciente opte por fazer um teste de anticorpo pós-vacina, o resultado não deve interferir na conduta. Isso significa que tendo resultado positivo ou negativo na pesquisa de anticorpos neutralizantes, o indivíduo deve permanecer utilizando máscara, realizando os processos adequados de higiene e cumprindo o distanciamento social. Além disso, não há, até o momento, qualquer indicação de reforço vacinal ou mudança do tipo de vacina justamente porque, apesar de serem fonte importante de informação para médicos e vacinados, os resultados desses testes sorológicos pós-vacinação ainda não foram completamente compreendidos pela ciência.

A Abramed descreveu, na tabela abaixo, os detalhes mais importantes de cada teste. Porém, a Associação reforça que o melhor caminho para a realização do teste certo no momento certo está na indicação médica. “Para uma boa assertividade, o paciente precisa saber o que ele está pesquisando – se RNA do vírus ou anticorpos – e em qual momento do ciclo da doença ele está. É difícil para o cidadão comum ter esse discernimento. Portanto, o ideal é que o brasileiro procure o médico, explique o seu caso para que ele consiga indicar o melhor teste para aquela situação”, diz Galoro. Isso porque independentemente do teste escolhido, se for feito em um período inadequado da janela imunológica (fazer um RT-PCR quando já passaram muitos dias do início dos sintomas ou um sorológico no começo da infecção) pode gerar resultados equivocados.

Referências:

1. Comparison of the SARS-CoV-2 Rapid antigen test to the real star Sars-CoV-2 RT PCR kit

Teste de sorologia pós-vacina – Por que é importante avaliarmos a população

A pesquisa de anticorpos auxilia na compreensão dos efeitos da vacinação na resposta imune de cada indivíduo, mas não altera as medidas de proteção independentemente do resultado

22 de abril de 2021

A pandemia de COVID-19 tem sido um desafio para a ciência e para o setor de saúde. Aprender a lidar com uma doença nova, potencialmente fatal, e sem um tratamento eficaz até o momento vem exigindo da comunidade médica agilidade na interpretação de estudos clínicos e urgência nas tomadas de decisão.

Muito teve de ser feito com base em informações incompletas ou sob entendimento ainda em construção, conquistado a duras penas e em tempo real, concomitantemente à elevação ou diminuição no número de novos casos e de óbitos, nas sucessivas ondas da COVID-19 que tivemos até o momento.

Isso tudo não foi diferente na medicina diagnóstica, que desde o início da crise vem sendo apontada como essencial para o controle das contaminações. Além do RT-PCR, exame molecular considerado o padrão-ouro para detecção da infeção, surgiram os testes sorológicos, que têm papel complementar, auxiliando na identificação de anticorpos no sangue de pacientes que tiveram a COVID-19.

Até meados de dezembro de 2020, essa era a principal função do teste sorológico. A pessoa infectada fazia o teste para identificar anticorpos específicos contra diferentes proteínas do vírus SARS-Cov-2. Porém, com a chegada das vacinas e o início da imunização ao redor do mundo, pesquisadores e laboratórios passaram a realizar os testes sorológicos também para investigar a resposta imune de cada indivíduo à vacinação.

Nesse contexto, foram desenvolvidos novos testes sorológicos: um grupo busca a identificação do bloqueio da ligação da proteína Spike às células do doente e é denominado teste de anticorpos neutralizantes; outro identifica diretamente anticorpos gerados contra a proteína Spike.

Estudos clínicos realizados com esses testes mostram que nem todo indivíduo vacinado apresenta soropositividade. Mas isso não significa que ele necessariamente não está protegido. O que vem ocorrendo, e pode ser notado pelos pesquisadores, é que nem sempre o teste é capaz de detectar exatamente o anticorpo que foi gerado pelo paciente. Além disso, o anticorpo não é a única fonte de defesa do organismo, que conta, também, com os linfócitos T, inacessíveis aos testes sorológicos.

Mesmo que os resultados dos testes sorológicos pós-vacinação ainda não sejam totalmente compreendidos, eles são uma importante fonte de informação para médicos e indivíduos vacinados que precisem ou queiram saber a sua resposta imunológica à vacina. Por isso, esses testes, embora complexos, têm um papel relevante se forem adequadamente realizados por laboratórios clínicos que tenham condições de oferecê-los seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade.

Nesse contexto, algumas diretrizes precisam ser bem compreendidas. A conduta de proteção indicada hoje não deve ser, em hipótese alguma, modificada. Isso significa que tendo um resultado positivo ou negativo na pesquisa de anticorpos neutralizantes, o indivíduo deve permanecer utilizando máscara, realizando os processos adequados de higiene e cumprindo o distanciamento social. Não há, até o momento, qualquer indicação de reforço vacinal ou mudança do tipo de vacina.