Com participação de Cesar Nomura, Presidente do Conselho de Administração da Abramed, debate sobre avanços da IA na medicina aponta perspectivas para o futuro de exames e tratamentos
A digitalização da saúde e o potencial da Inteligência Artificial (IA) para impulsionar diagnósticos, tratamentos e o desenvolvimento de fármacos foram o foco de um importante debate realizado durante o Congresso Nacional de Hospitais Privados (CONAHP) 2025. O painel reuniu especialistas para discutir como a tecnologia está transformando o dia a dia de profissionais e áreas como a Medicina Diagnóstica e a Patologia Clínica.
O encontro contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Fernando Soares, chefe do Departamento de Patologia Anatômica da Rede D’Or São Luiz; e Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital do Google. A moderação foi conduzida por Carlos Pedrotti, presidente da Saúde Digital Brasil (SDB).
Ao longo do painel, os especialistas destacaram o potencial disruptivo da IA, com ênfase na busca por sustentabilidade financeira para o uso de soluções eficazes e na importância da integração entre dados, diagnósticos e profissionais, fortalecendo os ecossistemas digitais na saúde.
A radiologia foi citada como uma das áreas que mais incorporou algoritmos de IA, com foco em segurança e qualidade na prática clínica. Cesar Nomura apontou que há mais de vinte anos o reconhecimento de voz já era utilizado nos Estados Unidos em rotinas radiológicas.
Nomura destacou também que a IA traz ganhos expressivos de produtividade e eficiência para a Medicina Diagnóstica, especialmente na ressonância magnética.
“Na ressonância magnética, o uso de algoritmos de IA permitiu um ganho de produtividade entre 25% e 30%. Antes, estávamos acostumados a exames longos, de 15, 20, até 30 minutos. Hoje, conseguimos qualidade de imagem em muito menos tempo, gerando eficiência e reduzindo custos para os laboratórios.”
Ele reforçou, ainda, que o debate sobre tecnologia precisa incluir o aspecto financeiro, como forma de demonstrar a viabilidade e o retorno sobre o investimento em soluções inovadoras.
“Quando se fala em sustentabilidade, é importante lembrar da sustentabilidade financeira. O financiamento dessas tecnologias não é baixo, mas compensa”, afirmou. Segundo Nomura, isso se deve à redução no consumo de energia e ao melhor aproveitamento das máquinas. Além disso, o uso de IA traz mais segurança aos pacientes. “Na tomografia computadorizada, por exemplo, a IA já contribuiu para uma redução de cerca de um terço na dose de radiação em comparação com dez anos atrás”, frisou o presidente da Abramed.
Carlos Pedrotti, presidente da Saúde Digital Brasil (SDB), concordou com a observação e destacou a necessidade de “racionalidade econômica” no setor de saúde. “Esse ponto é muito relevante e precisa ser considerado quando falamos da adoção de novas tecnologias para diagnósticos, tratamentos e desenvolvimento de fármacos.”
Nesse contexto, Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital do Google, destacou a mudança de paradigma trazida pelas soluções e serviços em nuvem.
“Hoje, com as tecnologias em nuvem e o modelo ‘as a service’, temos um novo panorama em que se paga apenas pelo que se usa. Isso permite que vivamos o mesmo momento tecnológico dos países mais avançados economicamente. O acesso está mais universal, e essa mudança de paradigma é muito relevante.”
Os especialistas concordaram que as novas infraestruturas tecnológicas, aliadas ao fortalecimento da segurança da informação e da interoperabilidade, permitirão que os profissionais de saúde concentrem esforços em questões mais estratégicas e no cuidado ao paciente. Segundo os painelistas, a IA pode inclusive acelerar o desenvolvimento de medicamentos, abrindo novas perspectivas de acessibilidade em tratamentos.
Facilitando e potencializando o trabalho humano
Refletindo sobre o avanço das soluções baseadas em IA, Cesar Nomura fez um apelo aos desenvolvedores de novas tecnologias para a saúde:
“Se eu pudesse deixar um recado aos desenvolvedores, diria que a prioridade precisa ser melhorar a vida do radiologista. Se a tecnologia aumenta a carga de trabalho, não estamos ganhando tempo com o paciente. Já conseguimos acelerar a execução dos exames, mas a produtividade dos laudos ainda precisa melhorar. O futuro exige investir mais em modelos que realmente facilitem o dia a dia do profissional.”
Ele mencionou que o potencial de ganho de produtividade com a IA é enorme, citando hospitais na China que realizam cerca de 6 mil tomografias por dia graças aos investimentos em inovação.
Fernando Soares, da Rede D’Or São Luiz, destacou que o próximo passo do uso de IA na patologia envolve justamente a organização da rotina dos profissionais.
“Eu produzo 9 mil lâminas por dia — preciso que o computador organize isso. Essa automatização está se tornando mais acessível. Assim, a digitalização da área avança com a patologia computacional, partindo agora para o uso da IA na interpretação de exames e na rotina laboratorial”, comentou o médico.
“Não existe bala de prata. A implementação tecnológica precisa ser simples, automatizada e bem parametrizada. O foco deve ser sempre facilitar a vida do médico”, concluiu o presidente do Conselho de Administração da Abramed.