FILIS 2026 debate caminhos para uma regulação alinhada à realidade, com foco em segurança e qualidade assistencial

Debate mostrou que o cumprimento de normas deve caminhar ao lado de cultura organizacional, governança, tecnologia, formação humana e diálogo com órgãos regulatórios

A discussão sobre regulação em saúde deve considerar os impactos das normas na relação com o paciente, nos processos das organizações e na qualidade dos serviços oferecidos. Esse foi um dos focos do segundo debate do FILIS 2026, que contou com mediação de Wilson Shcolnik, membro do Conselho de Administração da Abramed e gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury. Participaram Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; Rafael Lucchesi, CEO da Dasa; e Thiago Lopes Cardoso Campos, diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os executivos discutiram como os marcos regulatórios podem contribuir para serviços mais seguros e eficientes, relacionando a atuação das agências à incorporação desses princípios na gestão e na operação das instituições. 

Na abertura, Thiago Lopes Cardoso Campos destacou o esforço da Anvisa para ampliar o diálogo com o setor, enfrentar gargalos acumulados e fortalecer o acompanhamento dos serviços e produtos ao longo de todo o ciclo de vida. Segundo ele, a agenda de segurança e qualidade não nasceu apenas de uma determinação regulatória, mas das próprias necessidades identificadas nos serviços de saúde e posteriormente incorporadas às políticas públicas.

Nas experiências apresentadas pelo Grupo Sabin, Fleury e Dasa, qualidade e segurança apareceram diretamente relacionadas à cultura organizacional, à formação das pessoas e à capacidade de manter padrões comuns mesmo em operações de grande escala e com presença em diferentes regiões do país.

Lídia Abdalla lembrou que o Brasil reúne realidades muito distintas de infraestrutura, sistemas de saúde e qualificação profissional.Por isso, desde a escolha de novos mercados e parceiros, o processo de expansão do Sabin considera a afinidade cultural e a capacidade de incorporar os padrões da organização. “Nós não abrimos mão e não há flexibilidade em segurança do paciente e qualidade”, afirmou. A integração envolve desde requisitos sanitários e sistemas informatizados até a capacitação das equipes e valorização de lideranças locais.

No Fleury, segundo Jeane Tsutsui, a padronização precisa acompanhar toda a jornada diagnóstica, incluindo preparo do paciente, coleta, transporte e as etapas pré-analítica, analítica e pós-analítica. Para uma operação que reúne unidades próprias, atendimento móvel, hospitais e milhares de laboratórios parceiros, transformar o conhecimento dos especialistas em processos institucionalizados e replicáveis é parte essencial da manutenção da qualidade. “A governança técnica é fundamental”, resumiu.

Já Rafael Lucchesi trouxe a experiência da Dasa e reforçou que a escala só se transforma em vantagem quando vem acompanhada de integração, processos e indicadores capazes de mostrar rapidamente qualquer desvio. Segundo ele, indicadores financeiros e de experiência do paciente convivem hoje com painéis específicos de qualidade assistencial e segurança. Quando algum risco é identificado, a informação chega prioritariamente à alta gestão. 

Com a digitalização dos serviços e o avanço da Inteligência Artificial, a cibersegurança também entrou nessa rotina de acompanhamento. Lucchesi destacou que os riscos tecnológicos passaram a exigir atenção permanente das lideranças. Wilson Shcolnik reforçou que, para o setor de saúde, proteger sistemas e informações também significa proteger o próprio paciente.

A gestão do parque tecnológico dessas empresas mostrou outra dimensão da estrutura de qualidade. Os participantes relataram processos contínuos de acompanhamento de equipamentos, que envolvem engenharia clínica, manutenção, desempenho analítico, qualidade de imagem, produtividade, calibração e planejamento de substituições.

No Sabin, o monitoramento alcança todo o parque tecnológico e é acompanhado diariamente. No Fleury, Jeane ressaltou que “a qualidade começa na seleção dos equipamentos” e explicou que o acompanhamento se estende durante toda a vida útil da tecnologia. Em 2025, o grupo destinou R$ 98 milhões à renovação de equipamentos. Já na Dasa, a aprovação regulatória é seguida por uma validação técnica própria antes da incorporação: equipamentos que não atingem os parâmetros estabelecidos pela instituição podem retornar aos fornecedores para ajustes antes de entrar na operação.

Uma regulação mais integrada

Ao tratar do papel da Anvisa, Thiago apresentou a complexidade da atuação da agência, especialmente nas áreas de portos, aeroportos, fronteiras e importações. De acordo com ele, o desafio envolve não apenas a amplitude das atribuições, mas a necessidade de aperfeiçoar processos e integrar os diferentes órgãos envolvidos nas análises.

Ele defendeu que a modernização precisa simplificar a relação com o poder público sem comprometer a avaliação sanitária. “Um processo na administração pública não pode ser tratado como uma gincana”, afirmou, ao defender sistemas em que diferentes órgãos possam analisar simultaneamente um mesmo processo, em vez de impor sucessivas etapas ao setor regulado.

Thiago também apontou a convergência internacional como um caminho importante para o aperfeiçoamento regulatório. A Anvisa já participa de fóruns globais e trabalha para aproximar suas regras das referências adotadas em outros mercados, embora algumas áreas ainda tenham espaço para ampliar esse intercâmbio. Para o diretor da Agência, a discussão precisa partir sempre da avaliação do risco sanitário que o país está disposto a aceitar e das melhores práticas disponíveis para gerenciá-lo.

A discussão mostrou que a regulação estabelece uma base indispensável, mas a qualidade se sustenta no dia a dia, por meio da formação das equipes, da governança técnica, do acompanhamento de indicadores e da atualização de processos e equipamentos. O desafio é construir normas capazes de responder às diferentes realidades dos serviços sem perder de vista o princípio que orientou todo o debate: a segurança do paciente. 

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Abramed participa de publicação do JOTA sobre avanço da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial 

Entidade reforça a importância da PNDL para fortalecer a integração entre os setores público e privado e ampliar o acesso ao diagnóstico laboratorial no país.

A Abramed participou de publicação do JOTA sobre a tramitação do Projeto de Lei nº 5.478/2025, que propõe a criação da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL). A matéria aborda as perspectivas para votação da proposta, que já conta com regime de urgência aprovado na Câmara dos Deputados e busca fortalecer a parceria entre a rede privada e o Sistema Único de Saúde (SUS) na realização de exames laboratoriais.

No material, a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, avalia que o projeto reúne condições para avançar ainda este ano, já que a construção do texto ocorreu de forma consensual entre entidades representativas do setor e o relator da proposta, deputado Dr. Ismael Alexandrino, além de ter recebido boa receptividade pelo Ministério da Saúde.

Para a Abramed, a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial representa um passo importante para estruturar o diagnóstico laboratorial no país, promovendo maior integração entre os sistemas público e privado, segurança jurídica e previsibilidade para a organização da rede assistencial.

O conteúdo completo está disponível para assinantes do JOTA PRO.

FILIS chega à 10ª edição transformando debates em propostas para a saúde 

Ao completar uma década, o Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) reunirá dirigentes, executivos e autoridades para transformar os principais desafios do setor em pautas propositivas para a saúde brasileira.

No dia 26 de agosto, o Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Abramed, reunirá líderes da saúde para tratar dos próximos passos do setor diante das escolhas que a transformação da saúde impõe. Como incorporar a inteligência artificial sem abrir mão da segurança? Como fortalecer a governança em organizações que precisam, ao mesmo tempo, inovar e garantir sua sustentabilidade? Como construir um ambiente regulatório capaz de acompanhar a velocidade das mudanças?

Essas são algumas das questões que marcarão a 10ª edição do FILIS, realizada no Teatro Santander, em São Paulo. A nova casa acompanha o crescimento do fórum e marca os dez anos de um encontro que aproxima diferentes setores e transforma os desafios da saúde em pautas propositivas.

“O FILIS é, acima de tudo, um espaço de construção conjunta. A cada edição, reforçamos nosso compromisso em fomentar discussões e iniciativas que impulsionam a medicina diagnóstica. O Diagnóstico 5.0 não é apenas uma visão, mas um caminho que estamos trilhando coletivamente para um sistema centrado no paciente”, afirma Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Com o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, a programação foi organizada em quatro eixos que se complementam: Regulação, Valor da Medicina Diagnóstica, ESG e Inteligência Artificial.

A programação começa às 8h, com o credenciamento. A abertura institucional, às 9h, será conduzida por Cesar Nomura e Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Regulação – segurança regulatória, inovação e sustentabilidade na saúde

O eixo Regulatório abre a programação com foco na regulação sanitária da medicina diagnóstica. As normas que estabelecem os requisitos para o funcionamento dos serviços precisam acompanhar a evolução das práticas e dos processos do setor, com atenção à gestão dos riscos sanitários, à qualidade e à segurança do paciente.

O primeiro debate abordará “Regulação, inovação, agenda regulatória e os impactos para a medicina diagnóstica”, com moderação de Cesar Nomura. Participam Fernando Ganem, CEO do Hospital Sírio-Libanês; Henrique Neves, diretor-geral do Einstein Hospital Israelita; e Julio Vieira, CEO do Hcor e membro do Conselho Fiscal da Abramed.

A programação continua com o debate “Regulação, segurança e qualidade dos serviços oferecidos”. Estão confirmados Rafael Lucchesi, CEO da Dasa; Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury; e Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin.

Após os painéis, acontece o primeiro Leaders Connection da programação, intervalo dedicado ao networking executivo e à aproximação entre os participantes.

Valor da Medicina Diagnóstica – dados, precisão e valor na jornada do paciente

No segundo eixo, o valor da medicina diagnóstica é abordado a partir de seu principal propósito: apoiar decisões clínicas mais precisas, qualificar a assistência e fortalecer a segurança do paciente ao longo de toda a jornada de cuidado.

O debate sobre o tema será moderado por Lídia Abdalla, com participação de Daniel Greca, diretor de Novos Negócios de Saúde do Hospital Sírio-Libanês, e Bruno Sobral de Carvalho, diretor-executivo da FenaSaúde.

Após o almoço, a programação será retomada às 14h25 com a entrega do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece profissionais que contribuem para o desenvolvimento da medicina diagnóstica e de todo o setor da saúde.

ESG – governança, ética e compliance como pilares da sustentabilidade institucional

A transformação da saúde não depende apenas da tecnologia que as organizações incorporam. Depende também da qualidade das decisões, dos critérios adotados, da gestão de riscos e da capacidade de conciliar inovação, ética e responsabilidade institucional.

Por isso, o eixo ESG abordará o papel da governança na construção de organizações mais transparentes, resilientes e preparadas para responder a um ambiente marcado por novas tecnologias, mudanças regulatórias e expectativas crescentes da sociedade.

Ives Gandra, advogado, professor, escritor e conferencista, participará do eixo com uma reflexão sobre governança e ética e sua importância para a solidez e a perenidade das instituições.

Em outro momento, serão apresentados os indicadores do Caderno ESG Abramed, que reúnem dados das associadas nos três pilares do ESG — ambiental, social e governança — e evidenciam a contribuição dessas empresas para o avanço de práticas mais responsáveis, éticas e sustentáveis na medicina diagnóstica.

Às 15h55, o segundo Leaders Connection abrirá mais um espaço para relacionamento e troca direta entre os participantes.

Inteligência Artificial – IA como estratégia para eficiência e qualidade na saúde

O último eixo do FILIS será dedicado à inteligência artificial, aos dados e às plataformas digitais. O Momento Transformação apresentará o case “OpenCare Interop”, projeto do InovaHC voltado à interoperabilidade. A apresentação será conduzida por Felipe Grecco, diretor de Relacionamento e Planejamento Comercial da Trillia, e Marco Bego, diretor-executivo do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretor de Inovação do InovaHC.

Na sequência, Moritz Hartmann, diretor global da Roche Information Solutions, apresentará a palestra internacional “Como IA, plataformas digitais e dados estão transformando a medicina diagnóstica”. A participação trará ao FILIS uma visão global sobre as mudanças já em curso e as condições necessárias para que a tecnologia gere valor na prática.

Com o tema “IA como vetor estratégico para a transformação da saúde, com foco em qualidade, inovação e novos modelos de cuidado”, o debate deste eixo reunirá diferentes perspectivas sobre o uso dessas ferramentas, sob moderação de Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

Participam, além de Moritz Hartmann, Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud, e Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP (InovaHC).

O painel encerrará a programação de conteúdo, conectando a tecnologia aos demais eixos do FILIS. “Os blocos temáticos do FILIS 2026 mostram como regulação, valor, governança e inteligência artificial se complementam na construção de um ecossistema de saúde mais eficiente e ético. Nosso objetivo é transformar conhecimento em decisões capazes de impulsionar o setor”, destaca Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

O encerramento será conduzido por Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa.

“Essa construção de pautas propositivas só é possível porque quem participa do FILIS também toma decisões no dia a dia. O fórum não é um encontro sobre o futuro da saúde. É um encontro de quem constrói esse futuro”, afirma Milva Pagano.

Ao completar dez anos, o FILIS reafirma sua vocação de antecipar pautas, aproximar diferentes setores e transformar conhecimento em propostas para a saúde brasileira. Se, nas primeiras edições, o desafio era identificar tendências, hoje o fórum amplia essa missão ao articular diferentes perspectivas e transformar inovação em valor para pacientes, organizações e todo o sistema de saúde.

Mais informações e inscrições em www.abramed.org.br/filis.

Nova lei amplia o papel das empresas na promoção do diagnóstico

Ao incentivar ações de conscientização sobre vacinação e  rastreamento, a legislação reforça a prevenção e fortalece a presença da medicina diagnóstica nas estratégias corporativas de promoção da saúde. 

A Lei nº 15.377/2026 reforça uma das principais contribuições da medicina diagnóstica para a saúde: o diagnóstico precoce. Ao ampliar o papel das empresas na conscientização sobre vacinação e rastreamento de doenças, a legislação fortalece a prevenção e incentiva a incorporação de exames laboratoriais e de imagem às estratégias permanentes de promoção da saúde.

Essa abordagem favorece a identificação de doenças em fases iniciais, etapa em que as possibilidades de sucesso terapêutico são maiores e os impactos clínicos e econômicos tendem a ser menores.

A efetividade dessa estratégia já encontra respaldo na literatura científica. Revisão sistemática publicada em 2024 na revista BMC Cancer concluiu que programas de rastreamento realizados no ambiente de trabalho aumentam a adesão aos exames e fortalecem a cultura da detecção precoce, com diversos estudos registrando crescimento superior a 30% na participação dos trabalhadores.

A importância de ampliar estratégias de diagnóstico precoce também é reforçada pelos dados epidemiológicos. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028. Entre eles estão cânceres de mama, próstata e colo do útero, além daqueles relacionados ao HPV, todos contemplados pelas ações de conscientização previstas na nova legislação.

Como a norma se aplica a todas as empresas com empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), independentemente do porte ou segmento de atuação, o potencial de alcance é amplo e distribuído por todo o país, incluindo organizações que historicamente não contam com programas estruturados de promoção da saúde.

O que muda na prática

A nova lei, em vigor desde sua publicação (6 de abril de 2026), inclui o artigo 169-A na CLT e determina que os empregadores disponibilizem aos colaboradores informações sobre campanhas oficiais de vacinação, o papilomavírus humano (HPV) e os cânceres de mama, colo do útero e próstata, em conformidade com as orientações do Ministério da Saúde. Mais do que informar, a norma estabelece que as organizações promovam ações de conscientização e orientem os trabalhadores sobre o acesso aos serviços de diagnóstico.

O artigo 473 da CLT também passa a prever expressamente que o empregador informe aos trabalhadores sobre o direito de se ausentar do trabalho para vacinação e exames preventivos previstos na legislação. O benefício, de até três dias por ano sem prejuízo da remuneração, já existia, mas passa a contar com previsão expressa de comunicação ao empregado.

Embora a lei não determine como essa comunicação deverá ser realizada nem obrigue a contratação direta de serviços diagnósticos, ela cria condições para que laboratórios e redes de diagnóstico atuem como parceiros das organizações na implementação de programas de conscientização. Convênios corporativos, campanhas de rastreamento, iniciativas em conjunto com operadoras de saúde e modelos de encaminhamento facilitado passam a representar possibilidades de atuação alinhadas às novas diretrizes.

“O diagnóstico precoce depende de informação, acesso e conscientização. Quando esses elementos passam a integrar a rotina das organizações, ampliam-se as oportunidades para que os exames cumpram seu papel de apoiar decisões clínicas mais precoces e contribuir para melhores desfechos em saúde”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Segundo ela, mais do que atender a uma exigência legal, essa é uma oportunidade para fortalecer a cultura da prevenção e ampliar a geração de valor proporcionada pela medicina diagnóstica, aproximando empresas, profissionais de saúde e pacientes em torno de um cuidado mais estruturado, eficiente e sustentável.

Um debate estratégico para a saúde

A valorização da medicina diagnóstica como elemento estratégico para a tomada de decisão clínica e para a sustentabilidade do sistema de saúde está no centro das transformações discutidas pelo setor.

Esse é um dos pilares do eixo Valor da Medicina Diagnóstica, que integra a programação do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed, em 26 de agosto, em São Paulo.

Sob o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, o fórum discutirá como a medicina diagnóstica gera valor ao apoiar modelos assistenciais mais eficientes, orientar decisões clínicas mais precisas e contribuir para melhores desfechos e para a sustentabilidade da saúde.

Para adquirir seu ingresso e participar, acesse: https://www.abramed.org.br/filis/

A inovação em saúde começa pelo diagnóstico: o papel dos exames na pesquisa clínica 

Da geração de evidências ao desenvolvimento de novas soluções, a medicina diagnóstica é essencial para que a inovação chegue ao paciente.  

Toda inovação em saúde depende de evidências. Elas são construídas muito antes de um medicamento chegar ao mercado. Por trás de cada nova terapia existe uma etapa indispensável para transformar conhecimento científico em cuidado: a medicina diagnóstica.  

Por meio dos exames laboratoriais, genéticos e de imagem, pesquisadores identificam biomarcadores, selecionam pacientes para estudos clínicos, acompanham a resposta aos tratamentos e produzem evidências que sustentam a incorporação de novas tecnologias à prática médica. 

Esse papel ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento populacional, do aumento das doenças crônicas e do avanço da medicina de precisão. Hoje, terapias personalizadas dependem da capacidade de identificar características específicas de cada paciente, permitindo indicar o tratamento mais adequado e evitar intervenções desnecessárias. 

Fortalecer essa capacidade também é estratégico para ampliar a competitividade do Brasil na pesquisa clínica. Atualmente o país ocupa a 12ª posição no ranking mundial e tem potencial para figurar entre os dez principais nesse segmento. Para que isso aconteça, o setor de diagnóstico brasileiro precisa estar à altura em tecnologia, em padronização e em capacidade de integração de dados. 

“O laboratório deixou de ser apenas o lugar onde se processa uma amostra. Hoje, ele também é um gerador de conhecimento. Cada exame produz um dado que pode alimentar pesquisas, ampliar o entendimento sobre as doenças e acelerar o desenvolvimento de novas terapias”, explica Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

Mais do que apoiar a pesquisa clínica, a medicina diagnóstica produz conhecimento capaz de acelerar a inovação em saúde.  

O diagnóstico como infraestrutura da pesquisa 

A participação da medicina diagnóstica começa antes mesmo do primeiro paciente ser incluído em um estudo clínico. O desenvolvimento de novas tecnologias e novos indicadores permite identificar quais pessoas apresentam determinadas características biológicas, aumentando a precisão das pesquisas e tornando possível avaliar, com maior confiabilidade, a eficácia e a segurança de novas terapias.  

Exames laboratoriais, testes moleculares e métodos de imagem acompanham continuamente a evolução dos participantes, monitorando respostas ao tratamento, possíveis eventos adversos e indicadores clínicos que servirão de base para a geração de evidências científicas. Sem essa infraestrutura funcionando com qualidade, agilidade e rastreabilidade, os estudos podem perder precisão e credibilidade científica. 

Os biomarcadores têm papel duplo nesse processo: funcionam como critérios de seleção de pacientes, identificando quem tem maior probabilidade de responder a um tratamento, e como endpoints dos ensaios, facilitando a avaliação dos resultados. 

Tecnologias voltadas à medicina de precisão já crescem a dois dígitos no Brasil, impulsionadas pelo aumento da incidência de doenças complexas, especialmente em oncologia, neurologia e doenças autoimunes. 

Com os avanços da biologia molecular e do sequenciamento de nova geração, o mapeamento genético tende a ocupar espaço cada vez maior na prática clínica, ampliando a capacidade de identificar riscos, apoiar diagnósticos mais precisos e orientar terapias personalizadas.  

“A incorporação da genômica mostrou que a inovação não acontece apenas quando uma nova terapia é desenvolvida, mas também quando ampliamos nossa capacidade de compreender a biologia das doenças. Quanto melhor entendermos cada paciente, maiores são as possibilidades de oferecer tratamentos mais assertivos e acelerar a produção de conhecimento científico”, afirma Lídia. 

Dados que alimentam a inovação 

Os dados gerados pelos exames ajudam a compreender a evolução das doenças, identificar tendências epidemiológicas, desenvolver novos indicadores e apoiar pesquisas capazes de acelerar a chegada de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Para que esse potencial se concretize, é fundamental que essas informações possam ser compartilhadas de forma padronizada e segura. É a interoperabilidade que permite a circulação desses dados entre laboratórios, prontuários e sistemas de saúde, fortalecendo a integração entre pesquisa, assistência e inovação em saúde.  

Além de reduzir tentativas sucessivas de tratamento e favorecer melhores desfechos clínicos, esse processo contribui para o uso mais racional dos recursos disponíveis e acelera o desenvolvimento de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Na visão de Lídia Abdalla, os dados gerados pela medicina diagnóstica representam um patrimônio científico para o país. “Transformar esse volume de informações em conhecimento exige interoperabilidade, qualidade e responsabilidade no uso dos dados. É isso que fortalece a pesquisa clínica, amplia nossa capacidade de inovação e gera valor para o paciente e para  todo o sistema de saúde”, analisa. 

Essa transformação, que consolida a medicina diagnóstica como elemento essencial da inovação em saúde, será um dos fios condutores do FILIS 2026, que reunirá líderes do setor para discutir como a inteligência artificial, a medicina de precisão e a transformação digital estão redesenhando o futuro da saúde. 

A discussão reforça um princípio cada vez mais evidente: toda inovação começa com conhecimento e, na saúde, esse conhecimento frequentemente nasce a partir do diagnóstico. 

Para participar do FILIS 2026, acesse o site oficial do evento e adquira o seu ingresso: https://www.abramed.org.br/filis. 

Como a medicina diagnóstica protege e recupera atletas da Seleção durante a Copa?

A estrutura de “SAMU ambulante” reflete a evolução da medicina do esporte, onde exames de imagem e diagnósticos precisos em tempo real definem o futuro de jogadores como Neymar e Raphinha

Enquanto milhões de torcedores acompanham o desempenho da Seleção dentro de campo, existe uma equipe que trabalha longe dos holofotes para que cada atleta esteja apto a competir. A delegação brasileira viajou para a Copa do Mundo 2026 com aproximadamente 10 toneladas de carga destinadas ao suporte médico, formando o que a imprensa rapidamente apelidou de “SAMU ambulante”.

Para alguns, pode parecer exagero, mas são equipamentos essenciais para monitorar a saúde dos jogadores antes, durante e após cada partida, avaliar alterações musculares e indicadores bioquímicos que podem comprometer a performance ou aumentar o risco de lesões, que representam entre 30% e 50% de todas as ocorrências relacionadas ao esporte. Sendo assim, a velocidade do diagnóstico é determinante para o desfecho clínico e para a continuidade do atleta na competição.

“No esporte de alto rendimento, cada decisão precisa ser baseada em evidências. Os exames laboratoriais não servem apenas para confirmar um diagnóstico, mas para acompanhar a evolução da recuperação e verificar se o organismo está preparado para suportar novamente o nível máximo de exigência física. O objetivo, mais do que acelerar o retorno do atleta, é garantir que essa volta aconteça com segurança e menor risco de lesões”, explica Alex Galoro, médico patologista clínico, líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed.

A rotina de exames antes de cada jogo

Ao contrário do que muitos imaginam, a medicina diagnóstica no esporte não atua apenas diante de uma contusão. Jogadores de alto rendimento passam por avaliações frequentes que incluem exames laboratoriais, testes cardiológicos, exames de imagem, monitoramento hormonal e marcadores inflamatórios.

Essas informações permitem ajustar cargas de treino, identificar sinais precoces de sobrecarga e tomar decisões baseadas em dados objetivos antes que uma lesão aconteça.

Se ainda assim ela ocorrer, o tempo se torna o principal adversário. Por isso, na medicina esportiva de alto rendimento, atletas passam por exames de imagem avançados — ultrassom point-of-care em campo ou vestiário, ressonância magnética e tomografia para lesões musculoesqueléticas — e por monitoramento em tempo real com sensores vestíveis, análise de biomarcadores e dados de carga de treinamento.

O acesso a diagnósticos instantâneos é imprescindível para determinar se um jogador continuará na partida ou precisa ser substituído para evitar danos maiores.

“A medicina esportiva é um excelente exemplo de como diferentes áreas da medicina diagnóstica atuam de forma complementar. Enquanto os exames de imagem identificam e caracterizam uma lesão, as análises clínicas mostram como o organismo está respondendo a esse processo. A integração dessas informações oferece mais segurança para que a equipe médica decida o momento ideal para manter um atleta em campo, afastá-lo ou autorizar seu retorno às competições”, avalia Galoro.

Raphinha, Neymar e o diagnóstico em tempo real

Casos recentes da própria Seleção ilustram essa realidade. Às vésperas da Copa, Neymar foi submetido a uma ressonância magnética que detectou lesão grau 2 na panturrilha direita. O diagnóstico preciso permitiu um plano de reabilitação milimétrico e exames subsequentes confirmaram a boa evolução da cicatrização, orientando o momento exato em que o atleta poderia intensificar os treinos sem risco de recidiva.

Já a situação de Raphinha revelou outra função do diagnóstico: o monitoramento de lesões recorrentes. Durante o segundo jogo da Seleção, exames de imagem confirmaram lesão muscular na região posterior da coxa direita – a quarta na região em doze meses.

Devido à recorrência, o caso exige investigação aprofundada: a ressonância magnética, muitas vezes potencializada por algoritmos de inteligência artificial para evidenciar alterações mínimas, permite avaliar não apenas a nova lesão, mas o tecido cicatrizado das anteriores. Esse nível de detalhamento é fundamental para definir o plano de reabilitação com segurança.

Para além dos gols e das escalações, a Copa do Mundo mostra que o desempenho em campo depende de uma estrutura diagnóstica invisível ao torcedor, mas absolutamente decisiva para o resultado.

E, embora a realidade da Seleção Brasileira envolva tecnologias altamente especializadas, muitos avanços desenvolvidos para o esporte acabam sendo incorporados à prática clínica.

Para o setor de saúde, a medicina esportiva de elite funciona como laboratório de inovação, testando tecnologias e protocolos que, em breve, estarão disponíveis para o público geral, democratizando o acesso a técnicas avançadas de diagnóstico.

Abramed lança Cartilha sobre NR-1 e riscos psicossociais no trabalho

Guia prático oferece orientações para que serviços de medicina diagnóstica implementem a gestão de fatores psicossociais de forma alinhada à realidade operacional do setor.

A Portaria MTE nº 1.419/2024 trouxe uma mudança histórica na legislação trabalhista brasileira: pela primeira vez, os riscos psicossociais foram equiparados aos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Em vigor desde maio de 2026, a norma exige que as empresas identifiquem, avaliem e implementem medidas preventivas relacionadas à organização do trabalho e às relações interpessoais.

Diante dessa transformação regulatória, a Abramed reconheceu a necessidade de oferecer orientações estruturadas e específicas para o setor. “A cartilha foi elaborada para apoiar os serviços de medicina diagnóstica na compreensão das mudanças regulatórias e na organização de práticas estruturadas de identificação, avaliação e gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho”, explica Daniela de Andrade Bernardo, sócia e diretora jurídica da Andrade Mariano Advogados e uma das revisoras técnicas do projeto.

O material foi desenvolvido ao longo de aproximadamente um ano e meio de debates internos no Comitê de Recursos Humanos da entidade e contou com contribuições de especialistas em medicina do trabalho, direito e ergonomia.

Uma abordagem flexível e contextualizada

Um dos diferenciais da cartilha é que ela foi concebida deliberadamente sem indicar uma metodologia única de avaliação. Essa escolha reflete a própria discussão tripartite no âmbito do Ministério do Trabalho, que caminhou no sentido de não engessar as empresas em um único método.

“O que funciona para uma grande empresa com presença nacional pode não funcionar para uma clínica de pequeno porte no interior”, destaca Daniela. Essa flexibilidade permite que cada organização adote a abordagem mais adequada à sua realidade operacional, tamanho, estrutura e capacidade institucional.

A cartilha está organizada em 11 capítulos, que cobrem:

Apresentação: contextualização da importância do tema

Contexto regulatório: histórico e marcos legais da NR-1

•Conceitos fundamentais: entendendo os riscos psicossociais relacionados ao trabalho

O que a NR-1 exige das organizações: identificar, avaliar, implementar medidas, monitorar

Implementação: estratégias para gestão desses riscos

Integração com NR-17: como articular riscos psicossociais com ergonomia e acompanhamento da saúde ocupacional

Especificidades da medicina diagnóstica: riscos psicossociais particulares do setor

Documentação e evidências: como registrar e manter registros das ações

Preparação: checklist para se preparar

Perguntas frequentes: dúvidas comuns respondidas

Referências: fontes e materiais complementares

Baixe a cartilha

A Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho está disponível para download gratuito e pode ser acessada por todas as empresas da área da saúde que desejam estruturar suas práticas de gestão de riscos psicossociais de forma alinhada às novas exigências regulatórias.

O material é um convite à ação não apenas para cumprir obrigações legais, mas também para construir ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e sustentáveis, algo indispensável para a qualidade de vida dos profissionais de saúde e para a excelência na prestação de serviços à população.

Baixar a Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho

Abramed debate implementação da NR-1 e riscos psicossociais em reunião do Comitê de RH

A adequação às novas exigências regulatórias, que entraram em vigor em maio, foi o tema do encontro, que reuniu especialistas e líderes do setor para discutir estratégias de implementação.

A reunião de junho do Comitê de Recursos Humanos da Abramed, realizada no Grupo Fleury, em São Paulo, foi marcada pelo lançamento da Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho: Guia Prático para Serviços de Medicina Diagnóstica, seguido de uma importante discussão sobre as novas exigências regulatórias e estratégias de implementação no setor.

Na abertura da reunião, Afranio Haag, diretor de Recursos Humanos do Grupo Fleury, destacou que as transformações sociais têm ampliado a atenção das organizações para a saúde dos trabalhadores e reforçado a importância de discutir os riscos psicossociais de forma estruturada.

Já Lucilene Costa, Head de Gestão de Saúde, Segurança e Bem-Estar no Grupo Fleury e líder do Comitê de Recursos Humanos da Abramed, destacou a importância do preparo das instituições de medicina diagnóstica diante do novo cenário regulatório.

Em vigor desde maio de 2026, a norma passou a ser fiscalizada em caráter orientativo, sem aplicação de penalidades. Pela primeira vez, os riscos psicossociais passaram a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

“Essa cobrança já está acontecendo, seja via ações trabalhistas, seja via Ministério Público do Trabalho. Não dá para ficar inerte”, alertou Daniela de Andrade Bernardo, sócia e diretora jurídica da Andrade Mariano Advogados.

Contexto e urgência: dados que reforçam a necessidade de ação

Flávia Vianna, gerente de Saúde e Trabalho do Pacto Global da ONU Rede Brasil, apresentou o Guia Prático de NR-1 elaborado no âmbito do Movimento Mente em Foco — iniciativa lançada em 2020, no auge da pandemia, e que integra a estratégia Ambição 2030 do Pacto Global.

Ela trouxe números que reforçam a urgência do tema: mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais foram registrados no Brasil em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. No setor de saúde, entre 2012 e 2024, o salto foi de 750% na participação proporcional dos afastamentos por transtornos mentais: o maior crescimento relativo entre todos os setores analisados.

O Movimento Mente em Foco propõe seis compromissos públicos que as empresas signatárias assumem perante a ONU: ter um profissional de referência para escuta e encaminhamento; oferecer orientação e manejo de crises; garantir avaliação permanente dos fatores de risco; manter lideranças engajadas e treinadas; criar um programa antiestigma; e promover ações de incentivo à saúde mental baseadas nas demandas reais dos colaboradores.

A discussão avançou para a aplicação prática da norma com a participação de Paulo Leal, consultor médico em saúde ocupacional do Grupo Fleury, que compartilhou como a organização atua na gestão dos fatores psicossociais.

Com metodologia baseada na identificação de áreas críticas a partir de indicadores como afastamentos, atestados, banco de horas e passivos trabalhistas, seguida da aplicação de instrumentos validados para avaliação dos fatores de risco, o programa utiliza inteligência artificial para o processamento de dados e mapeamento das dimensões de risco em três categorias: condições favoráveis, intermediárias e desfavoráveis. 

A experiência mostra que a IA ajuda a organizar grandes volumes de dados, mas a análise humana continua insubstituível para captar as nuances de cada contexto e construir planos de ação efetivos, com participação ativa das lideranças e acompanhamento contínuo dos resultados.

Segurança jurídica, cultura organizacional e o papel da liderança

O debate final foi mediado por Lucilene Costa e reuniu Daniela Bernardo, Flávia Vianna, Paulo Leal, Leandro Romani, diretor médico da Lockton, e Luiz Massad, médico do trabalho e diretor da Massad Perícias Judiciais e Consultoria.

Ao abrir o debate, Lucilene destacou que um dos principais desafios das organizações é avançar de um modelo reativo para uma gestão preventiva dos fatores psicossociais, reforçando a importância da troca de experiências para apoiar as empresas nessa transição. 

Os números trazidos por Romani revelaram o tamanho do desafio: uma pesquisa da Lockton com 174 empresas mostrou que apenas 3% a 5% já mapearam os riscos psicossociais com programas consolidados, enquanto 40% sequer iniciaram.

Na dimensão jurídica, Massad alertou que questionários assinados pelos trabalhadores são documentos que podem ser utilizados em processos judiciais, e a ausência deles pode gerar prova contra a empresa. Ao abordar a prevenção, reforçou: “é preciso ir ao local de trabalho, ver o que o trabalhador faz, como faz e em que condições faz”, destacando que esse acompanhamento é essencial para identificar riscos e preservar a saúde dos profissionais.

Sobre a principal barreira para a implementação da NR-1, Flávia apontou a mudança de mindset. “Enquanto não colocarmos as pessoas trabalhadoras na centralidade da tomada de decisão, vamos continuar gerindo de forma inadequada”, afirmou. No papel da liderança, os especialistas convergiram que gestores precisam aprender a diferenciar limitação de adoecimento.

Um aspecto crítico enfatizado pelos participantes foi que a avaliação de riscos psicossociais incide sobre as condições e a organização do trabalho, não sobre o diagnóstico individual de saúde mental dos trabalhadores. Essa distinção é necessária para evitar que os programas se tornem apenas ferramentas de triagem individual, sem endereçar as causas estruturais do adoecimento.

Conforme destacado, a gestão desses riscos exige o envolvimento de diferentes áreas da empresa, combinando aspectos jurídicos, assistenciais e de gestão de pessoas. Não é uma responsabilidade isolada de um departamento, mas um esforço integrado e multidisciplinar. Nesse contexto, Leal destacou que “conhecer o trabalho, conhecer o trabalhador e ouvi-lo” é o caminho para compreender a realidade das equipes e construir intervenções efetivas.

Romani ressaltou que sensibilizar a alta gestão com argumentos como penalidades jurídicas, custos dos afastamentos, perda de produtividade e impactos financeiros é fundamental para viabilizar o avanço das ações de gestão da saúde corporativa. Já Daniela salientou que as empresas precisam demonstrar, por meio de ações concretas e registros consistentes, que atuaram para promover um ambiente de trabalho saudável. 

Encerrando o debate, Flávia propôs uma reflexão: “Como esperamos que uma pessoa entregue algo que ela não está sendo capaz, porque o trabalho está distorcendo a sua identidade por fatores que podem ser identificados, mapeados, controlados, tratados e monitorados?”.

Ao final, Lucilene reforçou que, mesmo em um cenário de crescente automação e transformação tecnológica, as organizações continuam sendo formadas por pessoas. “Lidamos com a saúde. Então, não podemos deixar de olhar que, como estamos entre seres humanos, precisamos ter cuidado uns com os outros”, afirmou. 

Manter a saúde e o bem-estar dos profissionais de saúde é fundamental não apenas para a qualidade de vida desses trabalhadores, mas também para garantir a excelência na prestação de serviços e a segurança do paciente — aspectos indissociáveis da medicina diagnóstica.

Com essa visão, a Abramed reforça seu compromisso em apoiar o setor nessa transição, promovendo a troca de conhecimentos para o desenvolvimento de ambientes de trabalho cada vez mais seguros e saudáveis.

Diagnóstico 5.0: líderes discutem os desafios da medicina diagnóstica em uma era de mudanças exponenciais

Debate organizado pela Abramed promoveu reflexões sobre inovação, inteligência artificial e os desafios de adaptar as organizações a um cenário de transformações rápidas. 

A Abramed reuniu líderes de grandes instituições da saúde para debater os desafios e as oportunidades da transformação tecnológica no setor. O debate “Diagnóstico 5.0: inovação, inteligência artificial e os novos rumos da medicina diagnóstica” foi realizado em 19 de junho durante a Reunião Mensal de Associados (RMA), na sede administrativa da Dasa, em São Paulo.

Ao longo do encontro, ficou evidente que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas adotar novas tecnologias e passou a ser desenvolver modelos de gestão capazes de acompanhar a velocidade das transformações. 

A abertura foi conduzida pelo CEO da Dasa, Rafael Lucchesi, que enfatizou que as lideranças enfrentam um momento sem precedentes. “Vocês lideram empresas no momento mais volátil e desafiador da história da humanidade. Não só pela questão de países e de geopolítica, mas também pela questão tecnológica”, afirmou. 

Lucchesi ressaltou que, nesse cenário, a Abramed tem um papel estratégico. “A entidade precisa estar no centro da discussão sobre regulação, tecnologia, dados e interoperabilidade, e como isso será feito com responsabilidade.” Segundo ele, o modelo de inovação em saúde deve sempre equilibrar velocidade e segurança do paciente. 

“Nem sempre é possível aplicar o modelo de startup no mercado de saúde, pois, para não levar risco ao paciente, o setor tem uma velocidade diferente de aceite e de teste para inovar”, explicou.

Na sequência, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa, moderou o debate. Participaram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da entidade e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Leonardo Vedolin, diretor vice-presidente médico e de produção da Dasa; e Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

O desafio da inovação organizacional

Marcos Queiroz iniciou sua participação defendendo que as organizações precisam evoluir. O grande desafio atual é que as inovações deixem de ser pontuais e passem a ser organizacionais. “Dentro das  empresas existem muitas iniciativas de inteligência artificial, algoritmos e até de agentes. Só que, muitas vezes, são ações desconectadas”, pontuou.

Para ele, a transformação exige investimentos robustos em infraestrutura de dados, pessoas e tecnologia. Como exemplo, comentou sua experiência no Einstein: “Se no passado não tivéssemos constituído um banco de dados muito bom, nada do que a gente faz hoje seria possível”. A instituição utiliza modelos de linguagem para integrar dados de pacientes e fornecer resumos automáticos aos médicos.

Além da integração de ações, um ponto recorrente no debate foi a importância da educação e da mudança cultural.  Segundo Queiroz, o desafio agora é preparar as pessoas para acompanhar o crescimento. 

“Precisamos capacitar as pessoas em IA, em agentes, em inovação como um todo, para conseguir suportar o crescimento que está por vir. Profissionais têm que estudar para construir uma organização melhor. No final, nós somos a instituição, cada um de nós a representa”, afirmou.

Ao abordar o papel da cultura organizacional, Cesar Nomura apontou que enquanto a China e o Japão têm culturas fortemente focadas em trabalho e produção, o Brasil caminha em direção contrária e sem uma educação que ajude as pessoas a evoluírem.

A tensão entre tradição e agilidade

Nomura também refletiu sobre o desafio de inovar em uma instituição centenária em um momento de transformação acelerada. Em sua análise, a chave para a sobrevivência é manter um olhar de startup mesmo dentro de uma grande organização tradicional. “Se nós não conseguirmos implementar algumas iniciativas com agilidade, creio que vai ser difícil sobreviver.”

Como referência, comentou a decisão do Sírio-Libanês de montar seu próprio laboratório de análises clínicas, contrariando a prática comum do mercado. O resultado foi revolucionário: hemogramas que saem em até 10 minutos, eliminando erros humanos. Essa transformação só foi possível porque a instituição conseguiu olhar para o problema com outra mentalidade.

A lição da China: velocidade e escala

Recém-chegado de uma viagem ao gigante asiático, Leonardo Vedolin compartilhou impressões sobre o país que, em sua visão, está cerca de um século à frente do Brasil em transformação tecnológica. 

Ele destacou a alta interoperabilidade que a China tem entre seus sistemas, a quantidade de empresas locais que oferecem energia limpa e a disciplina de planejamento e execução, que permite implementar mudanças em velocidade incomparável. 

Apesar das diferenças entre os países, Vedolin demonstrou otimismo em relação ao potencial de transformação da saúde. “A setor tem um ambiente de transformação muito propício para que as tecnologias de verdade causem impacto”, afirmou. Dados mostram que a produtividade da área pouco evoluiu nos últimos 40 anos, o que revela um amplo espaço para avanços impulsionados pela inovação. 

Na visão de Nomura, dois fatores travam esse desenvolvimento no Brasil: custo-efetividade de incorporação tecnológica ainda desfavorável em comparação com os EUA e China e uma cultura de busca por consenso antes de experimentar, oposto do modelo asiático, que experimenta primeiro e debate depois. “Enquanto o uso das novas tecnologias não for simples e o custo não for barato, isso irá nos limitar”, constatou, com exemplos de hospitais digitais chineses que, apesar de tecnologicamente avançados, apresentam processos mais lentos do que os analógicos.

O debate deixou claro que a medicina diagnóstica brasileira está em um momento de mudanças. As organizações que conseguirem equilibrar inovação com responsabilidade, agilidade com governança, e visão de futuro com execução presente estarão melhor posicionadas para avançar na era do Diagnóstico 5.0.

Participe da 10ª edição do FILIS

Neste ano, o FILIS 2026 – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde terá como macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”. O fórum será realizado em 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo. As inscrições estão abertas em https://www.abramed.org.br/filis/.

FILIS 2026 celebra 10 anos de diálogo estratégico para o futuro da saúde

Fórum da Abramed reunirá lideranças para discutir como regulação, valor, governança e inteligência artificial se conectam na construção do Diagnóstico 5.0. 

Estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), que será realizada em 26 de agosto de 2026. Desta vez, o evento acontecerá no Teatro Santander, em São Paulo, ampliando a capacidade de receber participantes e acompanhando o crescimento que o Fórum registrou nos últimos anos.

Ao longo de uma década, o FILIS consolidou-se como um importante espaço gerador de pautas propositivas para o setor de saúde, reunindo gestores, executivos e representantes de diferentes segmentos para discutir os desafios e as transformações que impactam o sistema de saúde.

Com o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, a edição de 2026 propõe uma reflexão integrada sobre os fatores que vêm redefinindo a medicina diagnóstica e seu papel na sustentabilidade, na eficiência e na qualidade da assistência. 

“O FILIS é, acima de tudo, um espaço de diálogo e construção conjunta. A cada edição, reforçamos nosso compromisso em fomentar discussões e ações que impulsionam a medicina diagnóstica a um patamar cada vez mais estratégico. O Diagnóstico 5.0 não é apenas uma visão, mas um caminho que estamos trilhando coletivamente para um sistema de saúde mais robusto e centrado no paciente”, afirma Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

A estrutura do evento foi cuidadosamente planejada com eixos temáticos sequenciais e complementares, que guiam os participantes por uma compreensão abrangente dos desafios e oportunidades do setor.

Os eixos que orientam a edição de 2026 

O Fórum começa com o eixo Regulatório, que terá como tema “Segurança regulatória, inovação e sustentabilidade na saúde”. O debate abordará os fundamentos necessários para o desenvolvimento sustentável do setor em um cenário marcado pela inovação tecnológica, pela transformação digital e pela crescente complexidade assistencial.

Entre os assuntos em destaque estarão a modernização regulatória, a integração entre os setores público e privado e os desafios para a construção de um ambiente capaz de acompanhar a velocidade das mudanças sem comprometer a segurança e a qualidade dos serviços.

Na sequência, o eixo Valor discutirá o tema “Dados, precisão e valor: os novos desafios do diagnóstico”. O foco estará na contribuição da medicina diagnóstica para a melhoria dos desfechos clínicos, o apoio à tomada de decisão médica e o uso mais eficiente dos recursos.

O debate destacará como a utilização estratégica de dados e a precisão diagnóstica podem ampliar a eficiência assistencial e reforçar o papel do diagnóstico ao longo da jornada do paciente.

O terceiro eixo será sobre ESG, focando em “Governança, ética e compliance: os pilares da sustentabilidade institucional”. Em pauta, estarão os mecanismos que contribuem para a solidez das organizações, como integridade, transparência e fortalecimento da cultura organizacional.

A discussão evidenciará como esses elementos apoiam a sustentabilidade institucional e fortalecem a capacidade das organizações de responder aos desafios de um ambiente em constante transformação.

Encerrando a programação, o eixo Inteligência Artificial abordará o tema “IA como estratégia para eficiência e qualidade na saúde”. O debate discutirá como a IA, a interoperabilidade e a inteligência de dados estão ampliando as possibilidades de integração de informações, apoio à decisão e geração de conhecimento para profissionais e organizações.

O eixo também mostrará como essas tecnologias estão transformando processos, redefinindo modelos de trabalho e criando oportunidades para uma saúde mais conectada, eficiente e orientada por dados.

“Os desafios da saúde não podem mais ser analisados de forma isolada. Regulação, valor, governança e inteligência artificial são temas interdependentes e fundamentais para a evolução da medicina diagnóstica e do sistema de saúde. O FILIS foi concebido justamente para promover essa visão integrada entre os diferentes atores do setor e direcionar iniciativas concretas”, destaca Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Reconhecimento e conexão entre lideranças

Além dos quatro eixos temáticos, a edição de 2026 contará com a entrega da 8ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece contribuições relevantes para a medicina diagnóstica. O evento também promoverá os tradicionais momentos de Leaders Connection, voltados à troca de experiências e ao relacionamento entre lideranças do setor. 

A expectativa é que ao final do encontro fique reforçado o conceito de Diagnóstico 5.0, que representa a convergência entre todos os eixos para construir um sistema de saúde mais integrado, sustentável, inteligente e centrado no paciente — uma síntese que traduz também os dez anos de trajetória do FILIS.

Participe da 10ª edição do FILIS

As inscrições para o FILIS 2026 estão abertas. Garanta sua participação neste marco de uma década de discussões estratégicas para o futuro da saúde: https://www.abramed.org.br/filis.

* Programação preliminar sujeita a alterações.