Ministério da Saúde e Abramed: Renovação do acordo de cooperação técnica potencializa integração laboratorial privada com SUS

Além da ampliação do acesso, aliança fortalece a saúde digital e vigilância epidemiológica

Na última segunda-feira, 24/11, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) realizou uma edição especial da sua Reunião Mensal de Associados (RMA), em Brasília, para celebrar os 15 anos da entidade e oficializar a renovação do Acordo de Cooperação Técnica – que avança para seu segundo ciclo (2025-2027). 

Além de reforçar o propósito de integrar o sistema de saúde brasileiro por meio de dados qualificados, o acordo também estabelece a interoperabilidade laboratorial como prioridade central e política de Estado. E propõe ainda o avanço na construção de um modelo informacional comum para exames laboratoriais no país, capaz de superar a fragmentação histórica entre o setor público, a saúde suplementar e as diversas redes de laboratórios, passo fundamental para fortalecer a saúde digital e a vigilância epidemiológica. 

O evento contou com a participação do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da Secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, além de representantes da Anvisa: Diogo Soares, Daniela Marreco Cerqueira e Marcia Gonçalves de Oliveira.

Os Deputados Federais Ismael Alexandrino e Pedro Westphalen, e o Secretário-Executivo da Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e à Defesa Cibernética, Carlos Diego, participaram dos debates. 

Resultados Alcançados e Próximos Passos

O trabalho conjunto, que nasceu de uma interlocução com a Secretária de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad, e o então Ex-Presidente e atual membro do Conselho de Administração Abramed, Dr. Wilson Shcolnik, já gerou importantes entregas. 

A iniciativa alcançou a padronização nacional com a conclusão da tradução de todos os códigos dos exames constantes na Lista Nacional de Notificação Compulsória, garantindo a padronização e permitindo a harmonização entre diferentes sistemas e padrões utilizados pelos laboratórios clínicos. 

O modelo de Resultado de Exames Laboratoriais (REL) da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) também foi revisado e modernizado (conhecido como HELP na transcrição da fala), consolidando um modelo informacional capaz de atender às necessidades do SUS, da saúde suplementar e da vigilância epidemiológica. 

Validado e incorporado à RNDS, esse modelo já tornou possível a interoperabilidade de 204 exames, incluindo todos os relacionados às arboviroses (dengue, zika, Chikungunya e febre amarela). 

A cooperação está permitindo ainda a expansão contínua para doenças respiratórias, como febre do Nilo, mayaro, e futuramente, para toda a linha de cuidado da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). 

Dessa forma, a renovação amplia por mais 24 meses o escopo do acordo, permitindo aperfeiçoar fluxos de notificação, modernizar a infraestrutura de comunicação com a RNDS e priorizar novas doenças e agravos para integração. 

Benefícios para o Cidadão e para o Sistema de Saúde

Esse esforço conjunto traz benefícios diretos ao cidadão, que pode acessar resultados de exames de forma padronizada no Meu SUS Digital. Já para os profissionais de saúde, a integração dessas informações no SUS Digital Profissional favorece a continuidade, a segurança clínica e a resolutividade. 

A federalização do modelo já está em curso, ampliando o alcance da iniciativa para estados e municípios, o que é essencial para fortalecer a vigilância em saúde e possibilitar respostas mais rápidas a surtos, epidemias e emergências sanitárias. 

“A continuidade demonstra a confiança mútua construída ao longo do processo e reafirma que essa cooperação vai muito além da digitalização de processos: ela qualifica o cuidado, fortalece políticas públicas e aproxima o cidadão das informações que lhe pertencem”, declara Dr. Cesar Nomura, Presidente da Abramed. 

Mais sobre a Abramed

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) foi fundada em 2010 como resultado da junção de esforços de empresas de Medicina Diagnóstica do país. Em um momento em que o sistema de saúde brasileiro passava por transformações, tais como a consolidação de um novo perfil empresarial e regulamentações necessárias para o futuro da Medicina Diagnóstica, essas empresas de atuação de ponta no mercado perceberam os benefícios que uma ação integrada poderia trazer para a defesa de suas causas comuns.

Assim, a Abramed tornou-se a voz de seus associados nos diálogos com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os anseios do setor sobre assuntos relacionados à saúde e a adoção de políticas e medidas que considerem a importância da Medicina Diagnóstica para os cuidados da população brasileira.

Ainda traduz sua representatividade através da parceria com a comunidade científica e demais entidades envolvidas com o setor e no diálogo com a sociedade civil.

Seus associados, juntos, respondem por mais de 80% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país. Empresas essas, reconhecidas por sua qualidade na prestação de serviços, excelência tecnológica, práticas avançadas de gestão, inovação, governança e responsabilidade corporativa.

27 de novembro de 2025

Abramed e Novembro Azul: sem preconceito e com mais tecnologia, não há motivos para não prevenir o câncer de próstata

Da ressonância à imuno-histoquímica, novas ferramentas permitem identificar tumores mais cedo e orientar tratamentos personalizados

O movimento Novembro Azul reforça, ano após ano, a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata — um dos tumores mais incidentes entre os homens. Em um cenário de modernização acelerada da Medicina Diagnóstica, a Abramed destaca que, hoje, o país dispõe de um arsenal tecnológico robusto, acessível e capaz de identificar alterações prostáticas com precisão cada vez maior.

Mais do que discutir números ou volumes de exames, a mensagem deste ano é clara: a combinação de tecnologia avançada, métodos complementares e cuidado contínuo elimina qualquer motivo para adiar a prevenção.

Entre os principais recursos usados na prática clínica estão exames laboratoriais e de imagem, como PSA, testes de imuno-histoquímica, ultrassom, ressonância magnética multiparamétrica, biópsia dirigida, além da análise anátomo-patológica, etapa decisiva para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento. Esse conjunto de ferramentas representa um ecossistema integrado capaz de detectar tumores em estágios cada vez mais iniciais — aumentando as chances de sucesso terapêutico e reduzindo impacto para o paciente.

Para o Dr. Marcos Queiroz, líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein, a evolução tecnológica transformou profundamente o diagnóstico do câncer de próstata:

“A imuno-histoquímica, além de auxiliar o diagnóstico nos casos duvidosos, tem a capacidade de detectar variantes histológicas e padrões especiais, fornecendo dados prognósticos que direcionam o tratamento. Esse avanço representa uma revolução silenciosa, que torna o tratamento mais eficaz e reduz a mortalidade”, explica.

Ele também destaca o papel da imagem na prevenção:

“A ressonância magnética tem altíssima acurácia para detectar tumores prostáticos e se tornou mais acessível nos últimos anos. Equipamentos modernos de 1,5 Tesla já permitem diagnósticos de grande qualidade, ampliando o acesso e fortalecendo a prevenção”, complementa.

O especialista reforça que a união entre tecnologia e cuidado contínuo coloca o Brasil em um cenário favorável:

“Temos um arsenal diagnóstico amplo — exames de sangue como PSA, testes de imunoquímica, ressonância magnética e o exame clínico. Não há motivo para que o câncer de próstata não seja diagnosticado precocemente. A mensagem central deste Novembro Azul é: o cuidado contínuo com a saúde masculina salva vidas.”

A Abramed destaca que o avanço dos métodos diagnósticos, somado à ampliação do acesso e à integração entre equipes clínicas, fortalece o combate ao câncer de próstata em todas as regiões do país. A prevenção segue como a principal aliada da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes — e a tecnologia, como um pilar fundamental para tornar esse cuidado cada vez mais preciso.

24 de novembro de 2025

Influenza volta a crescer e registra 19,1% de positividade, aponta Abramed

Taxa avança pelo 13º período consecutivo; média móvel da positividade chega a 14,2% na última semana e reforça tendência de circulação elevada do vírus às vésperas do verão.

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) — que reúne empresas responsáveis por mais de 85% do volume de exames realizados na saúde suplementar — apontam que a Influenza voltou a crescer no país.


A tendência de alta começou na semana epidemiológica 32 (03 a 09 de agosto) e, na leitura mais recente, a taxa de positividade chegou a 19,1%, o maior índice registrado desde junho. Antes disso, o último pico havia sido de 15,8%, reforçando o alerta para a circulação intensa do vírus às vésperas do verão.

De acordo com o patologista clínico Dr. Alex Galoro, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, o comportamento atual está ligado sobretudo a fatores sazonais e à imunidade populacional diante das cepas em circulação.

“É um comportamento típico dos vírus respiratórios. Fatores sazonais e imunidade populacional exercem grande influência na retomada da Influenza após um período de baixa”, explica o especialista.

Alta na positividade reflete sazonalidade, não gravidade clínica

Apesar do avanço da positividade, o aumento não indica que os casos estejam mais sintomáticos ou graves.

“A taxa de positividade não permite avaliar aumento de casos sintomáticos; apenas mostra que, entre os testes realizados, há maior proporção de positivos — o que é típico da sazonalidade”, reforça Galoro.

A média móvel da positividade da última semana está em 14,2%, indicando circulação elevada e sustentada do vírus.

Diagnóstico diferencial entre Influenza e Covid-19 continua essencial

Com a presença simultânea de diferentes vírus respiratórios, o Dr. Galoro destaca a importância do diagnóstico preciso tanto para medidas de prevenção quanto para a conduta clínica.

“O diagnóstico diferencial entre Influenza e Covid-19 segue fundamental. A testagem permite maior assertividade nas medidas de precaução, no monitoramento do tempo de transmissão e na indicação de antivirais e sintomáticos”, afirma.

Recomendações do especialista:

  • Isolamento ou uso de máscara por sintomáticos ou positivos;
  • Vacinação em dia, sobretudo em grupos de risco;
  • Testagem rápida para orientar condutas e reduzir transmissão;
  • Atenção dos laboratórios para fluxos internos, demanda por testes e comunicação com unidades de saúde.

Próximas semanas: tendência ainda incerta

“Quando um vírus entra em circulação, permanece ativo por um período influenciado pela imunidade da população — incluindo vacinação — e pelas condições climáticas. Em geral, dura ao menos de 4 a 5 semanas, mas não é possível definir com precisão”, explica Galoro.

O cenário reforça a necessidade de atenção de toda a cadeia da saúde para responder ao aumento da circulação viral no fim da primavera e início do verão.

Monitoramento

Os dados são compilados pela plataforma de inteligência METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da Abramed. A ferramenta permite acompanhar tendências de forma estratégica e apoiar a tomada de decisões em saúde populacional.


As associadas da Abramed também enviam resultados diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo com o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para compreender a progressão das doenças respiratórias no Brasil e embasar medidas de saúde pública.

24 de novembro de 2025

Com colaboração estratégica da Abramed, Política Nacional do Diagnóstico Laboratorial avança e une entidades do setor

Proposta inédita visa modernizar a regulação da Medicina Diagnóstica e fortalecer a rede de serviços laboratoriais no país

As principais entidades representativas da Medicina Diagnóstica se uniram para consolidar a Política Nacional do Diagnóstico Laboratorial (PNDL) — uma proposta inédita que avança no Congresso Nacional com o objetivo de estabelecer diretrizes técnicas, científicas e regulatórias para o setor, fortalecendo a rede de serviços laboratoriais e garantindo a sustentabilidade da Medicina Diagnóstica no Brasil.

O projeto, que conta com colaboração estratégica da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), marca um movimento histórico de convergência entre os setores público e privado, com apoio de instituições como SBAC, SBPC/ML, CBDL, CFF, Fenafar, CFBM e Febralac.

“A PNDL apresenta as bases essenciais para um futuro marco regulatório do setor, reconhecendo o Diagnóstico Laboratorial como um componente essencial do sistema de saúde e propondo caminhos concretos para ampliar o acesso e a qualidade dos exames”, afirma Milva Pagano, diretora executiva da Abramed.

Recentemente apresentada ao Congresso Nacional, sob liderança do deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS), a proposta está aguardando despacho do Presidente da Câmara dos Deputados. 

Modernização e integração

A PNDL busca consolidar a regulação do setor a partir de padrões rigorosos de qualidade, segurança e interoperabilidade, promovendo maior integração entre os serviços públicos e privados. Atualmente, 95% dos diagnósticos laboratoriais do SUS são realizados por laboratórios da rede privada, segundo o ElastiCNES (2025) — o que reforça a importância de uma política nacional que garanta equilíbrio e sustentabilidade no acesso aos exames.

“O sistema público depende fortemente da rede privada para oferecer exames à população. Essa integração precisa ser reconhecida e estruturada de forma estratégica”, destaca Milva Pagano.

Entre as ações previstas estão a ampliação da cobertura geográfica, a incorporação sustentável de novas tecnologias, a redução de custos para os usuários do SUS e a implementação de sistemas de gestão de qualidade. Hoje, o país conta com cerca de 18 mil laboratórios, incluindo unidades completas, postos de coleta e núcleos técnico-operacionais, conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Alinhamento internacional

A proposta também está alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda parâmetros globais para a oferta de diagnósticos essenciais, seguros e de qualidade — conforme a Resolução 76.5 da agência.

“Ao adotar os princípios da OMS, a PNDL coloca o Brasil em sintonia com as melhores práticas internacionais e contribui para a consolidação de uma política robusta e sustentável”, conclui Milva.

Sobre a Abramed

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) foi fundada em 2010 como resultado da junção de esforços de empresas de medicina diagnóstica do país. Em um momento em que o sistema de saúde brasileiro passava por transformações, tais como a consolidação de um novo perfil empresarial e regulamentações necessárias para o futuro da medicina diagnóstica, essas empresas de atuação de ponta no mercado perceberam os benefícios que uma ação integrada poderia trazer para a defesa de suas causas comuns.

Assim, a Abramed tornou-se a voz de seus associados nos diálogos com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os

anseios do setor sobre assuntos relacionados à saúde e a adoção de políticas e medidas que considerem a importância da medicina diagnóstica para os cuidados da população brasileira.

Ainda traduz sua representatividade através da parceria com a comunidade científica e demais entidades envolvidas com o setor e no diálogo com a sociedade civil.

Seus associados, juntos, respondem por mais de 85% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país. Empresas essas, reconhecidas por sua qualidade na prestação de serviços, excelência tecnológica, práticas avançadas de gestão, inovação, governança e responsabilidade corporativa.

11 de novembro de 2025

PAINEL ABRAMED: Medicina diagnóstica sustenta mais de 300 mil empregos e quadruplicou abertura de vagas em 2024

O setor compõe 11,1% da força de trabalho em saúde, com associados respondendo por mais de 111 mil postos de trabalho. Região Sudeste se destaca em número de empresas e empregados 

A Medicina Diagnóstica é um dos motores da geração de empregos em saúde no Brasil. De acordo com a 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, o setor foi responsável por 11,1% dos postos de trabalho do setor em 2024, sustentando 307.339 empregos. 

Do total, 37,7% da força de trabalho são geradas por empresas associadas à Abramed (116.247 empregados). A Medicina Diagnóstica também se destacou com a abertura de 9.133 novas vagas no ano passado, alta 4 vezes maior que os números registrados em 2023 e 7% do total de postos de trabalho abertos na área de saúde.  

Os números consolidam a Medicina Diagnóstica como estratégica na assistência em saúde e jornada de cuidados aos pacientes e como pilar importante da economia e geração de oportunidades qualificadas de carreira. 

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, explica que os resultados traduzem o papel estruturante do setor: “A medicina diagnóstica é protagonista quando pensamos em empregabilidade na saúde. Sustentamos milhares de postos de trabalho e ampliamos a cada ano a diversidade de funções, pessoas e carreiras disponíveis no setor.”

Sobre a diversidade, é interessante observar a predominância no setor de postos de trabalho ocupados por mulheres (79,7%) – número quase dois pontos percentuais superior ao de toda a área de saúde – e sua ampla pluralidade geracional, especialmente na faixa dos 30 aos 49 anos, que compõem 47,5% dos profissionais.

Outro indicador analisado foi a escolaridade dos trabalhadores: mais de 60% dos profissionais em ambos os setores concluíram o Ensino Médio, sendo que o número é maior na Medicina Diagnóstica (66,8%). O mesmo vale para o nível de superior completo (25,8% na Medicina Diagnóstica, três pontos percentuais a mais que na saúde em geral). 

“O cenário se explica pelo segmento contratar um volume significativo de profissionais de nível técnico. O ensino superior, nesse sentido, surge como um caminho para maior especialização e progressão de carreira”, comenta Pagano.

Perfil das empresas

A força da empregabilidade na Medicina Diagnóstica se deve, entre diferentes fatores, ao avanço na abertura de novos estabelecimentos. No total, o crescimento foi de 3,1% entre 2023 e 2024, com destaque para os serviços de diagnóstico por métodos ópticos (6,1%), diálise e nefrologia (4,8%) e ressonância magnética (4,4%).   

Em termos de representatividade dos empregos, os laboratórios clínicos geraram quase metade dos postos de trabalho no setor em 2024 (47,1%), seguidos dos serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia (16,3%), e de diálise e nefrologia (8,8%).

A Medicina Diagnóstica ocupa, nesse sentido, papel central no sistema de saúde, empregando milhares de pessoas em funções que vão da operação técnica de serviços com alta complexidade, como a hemoterapia (67,3% do total de postos de trabalho no setor) aos processos mais padronizados do setor.

Distribuição das vagas

Acerca da distribuição nacional da empregabilidade, o Painel da Abramed indica que a região Sudeste lidera tanto em número de empresas, com 43,5% do total, quanto em número de empregados, com 50,9%. Esse domínio pode ser atribuído à maior densidade populacional, desenvolvimento econômico e à concentração de infraestrutura de saúde nesta região. 

O Sul é a segunda região mais expressiva em estabelecimentos, tendo 21,6%. Entretanto, o contingente de empregados é o terceiro, (14,3%) e fica atrás do Nordeste, que possui 19,8% do total. A região Norte, por fim, apresenta o menor número de empresas (967) e empregados (15.527).

“Esse cenário indica, por um lado, um contraste que alcança outros setores da economia, ao mesmo tempo em que oferece uma oportunidade de crescimento e investimentos em diferentes regiões do país, ponto que deve ser observado de modo estratégico pelos laboratórios e empresas diagnósticas”, acrescenta MIlva Pagano. 

Com perspectivas de crescimento diante do avanço da medicina personalizada, integração de dados em saúde e avanço na curva do envelhecimento, o setor deve ampliar ainda mais sua contribuição para a empregabilidade no Brasil nos próximos anos. 

Sobre a Abramed

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) foi fundada em 2010 como resultado da junção de esforços de empresas de medicina diagnóstica do país. Em um momento em que o sistema de saúde brasileiro passava por transformações, tais como a consolidação de um novo perfil empresarial e regulamentações necessárias para o futuro da medicina diagnóstica, essas empresas de atuação de ponta no mercado perceberam os benefícios que uma ação integrada poderia trazer para a defesa de suas causas comuns.

Assim, a Abramed tornou-se a voz de seus associados nos diálogos com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os

anseios do setor sobre assuntos relacionados à saúde e a adoção de políticas e medidas que considerem a importância da medicina diagnóstica para os cuidados da população brasileira.

Ainda traduz sua representatividade através da parceria com a comunidade científica e demais entidades envolvidas com o setor e no diálogo com a sociedade civil.

Seus associados, juntos, respondem por mais de 85% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país. Empresas essas, reconhecidas por sua qualidade na prestação de serviços, excelência tecnológica, práticas avançadas de gestão, inovação, governança e responsabilidade corporativa.

Mais informações sobre o setor, acesse a 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico: https://abramed.org.br/publicacoes/painel-abramed/painel-abramed-o-dna-do-diagnostico-edicao-7/

Diagnóstico em Pauta: Setor ultrapassa a marca de 1bi de exames em 2024 e um crescimento de 28,6% em relação ao ano anterior 

Associadas registraram receita bruta de R$ 33,9 bilhões; Análises clínicas continuam sendo a principal modalidade (94%).

Em evento exclusivo para imprensa, realizado na última quarta-feira (06/08), no Instituto de Estudo e Pesquisa do Hospital Sírio-Libânes, a Abramed – Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica apresentou em primeira-mão a 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, publicação que reúne dados estratégicos e atualizados sobre o setor no Brasil (confira o report no final do texto). 

De acordo com o levantamento, o número total de exames realizados em 2024 ultrapassou a marca de 1 bilhão, representando um crescimento de 15,7% em relação a 2023.

As análises clínicas continuam sendo a principal modalidade, respondendo por 94% dos exames no período, seguidas pelo diagnóstico por imagem. As associadas da Abramed foram responsáveis por 86,8% desse total (realizados na saúde suplementar). 

O faturamento do setor também acompanhou esse ritmo de crescimento. As empresas associadas registraram uma receita bruta de R$ 33,9 bilhões em 2024 – um aumento de 28,6% em relação ao ano anterior. A principal fonte de receita para essas companhias ainda são os planos de saúde, que representam uma fatia entre 60% e 90%. 

“Os números do 7º Painel Abramed confirmam a força e a resiliência do setor de medicina diagnóstica, que se moderniza e se expande para atender às crescentes demandas por saúde no país”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed. 

“O compromisso da entidade é reforçar a importância da prevenção com qualidade e segurança de forma clara e transparente. O investimento contínuo em tecnologia e na capacitação dos nossos profissionais é o que nos permite entregar diagnósticos cada vez mais precisos e, consequentemente, contribuir de forma decisiva para a saúde da população brasileira.” 

Inovação e Pessoas como Foco

O Painel também apontou um setor em transformação com um forte enfoque em inovação e na valorização dos recursos humanos. Em 2024, 61% das associadas da Abramed investiram em novos modelos de negócios, incluindo:

  • Abertura de novas unidades
  • Negócios especializados em soluções digitais 
  • Criação de centros de pesquisas 
  • Incorporação de inteligência artificial 
  • E parcerias com empresas e startups 

No campo de recursos humanos, o segmento viu um aumento de 21,7% no número de colaboradores das empresas associadas, totalizando 116.247 profissionais em 2024. 

“Mesmo com a alta de volume de exames, conseguimos transferir ganhos de produtividade para o mercado. É um impacto positivo para a economia do país com maior produtividade, redução do absenteísmo e força de trabalho ativa. Nós crescemos e o Brasil também cresce”, afirmou Rafael Lucchesi, CEO do Dasa. 

O Valor Estratégico do Diagnóstico

Ainda durante o debate, Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury, destacou a importância do setor para todo o ecossistema de saúde. “No diagnóstico entregamos dados precisos e com qualidade. São informações valiosas, que devem ser utilizadas pelos profissionais para melhores tomadas de decisão e o desfecho da jornada do paciente adequado.”

A executiva enfatizou também que esses dados sobre diagnóstico precoce quando devidamente encaminhados reduzem efetivamente o custo total. “Uma paciente com câncer de mama, que é conduzida em um protocolo pertinente, reduz em até 18% o do tratamento.”

“E esses custos se mantêm estáveis. Mesmo com mais investimentos em tecnologia, estamos entregando mais qualidade”, ressalta o Dr. Cesar Nomura, Presidente do Conselho de Administração da Abramed e Diretor de Medicina Diagnóstica no Sírio-Libanês, que exemplifica:  

“Estamos fazendo ressonâncias com mais agilidade, oferecendo experiências melhores. Os exames de sangue, por sua vez, são muito mais acurados, com uso de algoritmos de inteligência artificial. Apesar do aumento da utilização, não há impacto para as operadoras de planos de saúde.” 

É esse tipo de informação que precisa chegar para a população, que Lídia Abdalla, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin, evidencia: “Se prescrevermos exames mais assertivos e obtermos diagnósticos mais rápidos na internação, teremos uma redução do custo hospitalar ainda mais significante para o sistema.”

Interoperabilidade e Futuro do Setor

Por fim, os debatedores destacaram a importância da interoperabilidade e compartilhamento de dados no setor de saúde para otimização do cuidado ao paciente, combatendo o desperdício. 

“Com a integração de sistemas de informação e protocolos de comunicação claramente definidos para que os dados não se percam, teremos uma grande chance de ampliarmos o acesso do diagnóstico com qualidade e controlarmos a utilização”, conclui Rafael Lucchesi. 

Interoperabilidade será um dos eixos de debate do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), marcado para o dia 21 de agosto, no Teatro B32.  Confira a programação através do link: Filis 

Sobre a Abramed

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) foi fundada em 2010 como resultado da junção de esforços de empresas de medicina diagnóstica do país. Em um momento em que o sistema de saúde brasileiro passava por transformações, tais como a consolidação de um novo perfil empresarial e regulamentações necessárias para o futuro da medicina diagnóstica, essas empresas de atuação de ponta no mercado perceberam os benefícios que uma ação integrada poderia trazer para a defesa de suas causas comuns.

Assim, a Abramed tornou-se a voz de seus associados nos diálogos com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os anseios do setor sobre assuntos relacionados à saúde e a adoção de políticas e medidas que considerem a importância da medicina diagnóstica para os cuidados da população brasileira.

Ainda traduz sua representatividade através da parceria com a comunidade científica e demais entidades envolvidas com o setor e no diálogo com a sociedade civil.

Seus associados, juntos, respondem por mais de 80% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país. Empresas essas, reconhecidas por sua qualidade na prestação de serviços, excelência tecnológica, práticas avançadas de gestão, inovação, governança e responsabilidade corporativa.

Mais informações sobre o setor, acesse a 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico: https://abramed.org.br/publicacoes/painel-abramed/painel-abramed-o-dna-do-diagnostico-edicao-7/ 

Abramed alerta sobre a falta de segurança nos diagnósticos e atendimentos médicos fora do ambiente laboratorial

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) vem a público esclarecer e se posicionar, com responsabilidade e respaldo técnico, a equívoca e preocupante ideia de dispor o setor farmacêutico como polo de diagnóstico e atendimento médico, cumprindo uma função que vai além do seu relevante papel na assistência e ampliação do acesso da população a medicamentos. 

Já na RDC nº 786/2023, da Anvisa, há uma definição clara quanto aos limites acerca da realização de exames em farmácias. De modo objetivo, só é permitido ao setor a execução de EACs (Exames de Análise Clínica), cuja realização não requeira instrumento para leitura, interpretação e visualização de resultados, e se houvesse uma vinculação deste estabelecimento à supervisão formal de um laboratório clínico. 

E, mesmo nesses casos, a coleta de material biológico era extremamente restrita, limitando-se a coletas por punção capilar (ponta do dedo), nasofaríngea ou orofaríngea. Ainda na vigência da RDC nº 786/2025, a legislação não permitia que uma farmácia armazenasse ou transportasse material biológico para outros locais. Antes da RDC 786, aliás, as farmácias só podiam proceder com a aferição da glicemia capilar. Atualmente, além da glicemia capilar, é possível processar exames mais simples, que não têm finalidade diagnóstica e são utilizados apenas para fins de triagem.

Ato contínuo, a RDC nº 978/2025 (que substituiu integralmente a RDC 786 e está em vigor desde 10 de junho), representa um avanço para a Medicina Diagnóstica ao modernizar processos e reforçar a segurança na cadeia laboratorial, mantendo e ampliando as exigências de qualificação e padronização nos exames, trazendo, nesse sentido, maior clareza para a identificação e demandas adicionais para os laudos; pontos que destacam a necessidade de infraestrutura e supervisão técnica para garantir qualidade e rastreabilidade dos diagnósticos.

“Não se faz diagnóstico em farmácia nem por meio de testes rápidos. O que pode ser feito ali são triagens muito pontuais, e mesmo assim com restrições técnicas, legais e sanitárias muito objetivas”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed. 

“Temos visto uma tentativa de naturalizar práticas que desrespeitam a legislação e colocam em risco pacientes em nome de uma suposta ampliação do acesso. Isso é um desserviço à população, já que o Brasil conta com uma estrutura laboratorial robusta, com mais de 86 mil laboratórios que disponibilizam exames de modo seguro em todo o território nacional”, complementa.

Há no mercado uma incorreta sugestão de que médicos possam atender, prescrever e realizar procedimentos dentro de farmácias, prática que é proibida por diferentes dispositivos da legislação brasileira. 

Dessa forma, é muito importante que a população brasileira compreenda o papel dos laboratórios dentro do ecossistema de saúde nacional. Com seus investimentos contínuos em inovação, controle de qualidade, infraestrutura e capacitação profissional, somente os ambientes laboratoriais oferecem o suporte e meio adequado para a realização de exames que são a base fundamental para um diagnóstico preciso.   

Reforça-se ainda de que não há dúvidas sobre a função relevante que o setor farmacêutico cumpre para o acesso seguro de todos a medicamentos. No entanto, não é nas farmácias que se realizam exames. 

Testes rápidos, para triagem, não podem ser confundidos com a rede de processos, pessoas, controles e tecnologias envolvida nos exames laboratoriais – e que só podem ser executados, como deve-se inferir, em laboratórios.

Além disso, inúmeros dispositivos legais impedem também o atendimento de médicos em farmácias. A Lei nº 5.991/1973, por exemplo, veda expressamente que a farmácia ou drogaria mantenham consultório. 

Já o Decreto nº 20.931/1932 proíbe que a medicina seja exercida em conjunto com a farmácia. O Código de Ética Médica caminha nesse mesmo sentido. O objetivo dessa limitação é, justamente, garantir que a prescrição do profissional médico seja feita em benefício do paciente e não orientada pela venda de medicamentos. E o atendimento médico é restrito, em farmácias, tanto de forma presencial quanto remota. 

Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gerente médico do Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, acrescenta que “não é sequer viável tecnicamente transformar o espaço de uma farmácia em um posto de coleta ou em um centro diagnóstico. Testes pontuais, de triagem, são bem-vindos; agora exames que exigem coleta e armazenagem de material biológico demandam infraestrutura tecnológica, supervisão e rigor. Não atender a esses pilares é algo que vai contra toda a busca por mais precisão do setor de Medicina Diagnóstica”.     

Com seus associados sendo responsáveis por mais de 80% dos exames realizados pela Saúde Suplementar em 2024, a Abramed reitera que ampliar o acesso a Medicina Diagnóstica de qualidade é uma pauta prioritária e se coloca à disposição da imprensa para tratar do tema, sempre reforçando, no entanto, que esse objetivo deve ser perseguido com base na segurança do paciente, na legalidade e nas boas práticas clínicas que, ao longo de 15 anos, a Associação promove em todo o país.

Carnaval e dengue: Abramed revela aumento dos casos e alerta sobre prevenção

Nas semanas de 19/01 a 01/02 de 2025, a taxa de positividade chegou a 19,3%, a maior desde outubro de 2024

O período de Carnaval traz um risco adicional para a transmissão de doenças como a dengue, especialmente no cenário atual. Isso porque segue alta a taxa de positividade dos exames de dengue realizados nos laboratórios privados associados à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Os números em janeiro de 2025 são os maiores desde outubro de 2024.

Na semana epidemiológica 40 de 2024 (29/09 a 5/10), a positividade chegou a 19,2% e foi baixando, até atingir um pico de 28,8% na segunda semana epidemiológica de 2025 (de 5 a 11 de janeiro). Mesmo caindo para 22,7% na terceira semana de 2025 (de 12 a 18 de janeiro) e para 19,3% na quarta e quinta semanas (de 19/01 a 01/02), o índice é alto.

A média móvel da positividade, quando comparada com as últimas cinco semanas, confirma a tendência de alta nos casos, já que considera todas as semanas do mês de janeiro. “O aumento observado pode ser um alerta de surto ou início de uma epidemia de dengue. A positividade é elevada e indica uma possível ampliação da transmissão”, alerta Alex Galoro, patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Carnaval

Durante o Carnaval, milhões de pessoas se deslocam entre cidades e estados para participar de festas, desfiles e blocos de rua. Este intenso movimento populacional facilita a disseminação do vírus da dengue, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, para regiões onde a transmissão ainda está controlada.

Além disso, pessoas infectadas, mas ainda assintomáticas, podem contribuir para a propagação do vírus. Isso cria um cenário perigoso, onde áreas menos afetadas acabam enfrentando um aumento de casos após o período festivo.

O Carnaval ocorre em pleno verão, época marcada por temperaturas elevadas e alta incidência de chuvas. Essas condições climáticas são ideais para a reprodução do mosquito, que encontra nos acúmulos de água parada o ambiente perfeito para colocar seus ovos.

Os próprios eventos carnavalescos podem agravar o problema. O lixo acumulado – como copos, garrafas e latas – quando exposto à chuva, transforma-se em criadouros do mosquito.

O contato próximo entre multidões é outro fator de preocupação. Além de aumentar o risco de picadas por mosquitos infectados, a reunião de pessoas em grandes aglomerações facilita a disseminação do vírus para novas localidades.

A prevenção contra a dengue é fundamental. Antes de viajar ou participar de eventos, é indicado verificar e eliminar qualquer recipiente que possa acumular água em casa, evitando criadouros do mosquito Aedes aegypti. Durante as festividades, recomenda-se o uso de repelentes aplicados regularmente no corpo todo, reforçando a proteção especialmente à noite.

“É aconselhado, sempre que possível, usar roupas de manga longa e calças, principalmente em locais com alta incidência da doença. Importante ficar atento aos sintomas de dengue, como febre alta, dores no corpo ou manchas vermelhas na pele, buscando assistência médica imediatamente em caso de suspeita. A prevenção é a melhor forma de garantir um Carnaval seguro e saudável”, acrescenta Galoro.

Monitoramento

Os associados à Abramed são responsáveis por cerca de 80% do volume de exames realizados na Saúde Suplementar no Brasil. Os dados são compilados por meio da plataforma de inteligência de dados METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da associação. Essa colaboração tem permitido o acompanhamento de dados relevantes, fornecendo uma visão clara e estratégica para a tomada de decisões em prol da saúde populacional.

Importante ressaltar que as associadas da Abramed enviam os resultados dos exames diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo para o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para entender a progressão da dengue no Brasil e embasar medidas de saúde pública voltadas à contenção da doença.

Dengue em alta: dados de laboratórios privados reforçam necessidade de testagem e prevenção

Segundo Abramed, a taxa de positividade dos casos de dengue na semana de 22 a 28 de dezembro de 2024 foi a maior do último trimestre do ano

13 de janeiro de 2025 – Com a temporada de calor e chuvas, o temor das arboviroses – doenças virais transmitidas principalmente por mosquitos – volta a rondar a população brasileira. Dentre as mais conhecidas estão dengue, zika, chikungunya, oroupouche e febre amarela, segundo o Ministério da Saúde.

A combinação de altas temperaturas e acúmulo de água parada cria um ambiente propício para a proliferação dos mosquitos transmissores da doença. Eles se tornam portadores dos vírus ao picar uma pessoa infectada e, subsequentemente, passam o vírus para outras pessoas durante suas picadas. Por isso, é importante intensificar as ações de prevenção e diagnóstico.

Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), cujos associados são responsáveis por cerca de 80% do volume de exames realizados na Saúde Suplementar no Brasil, a taxa de positividade dos casos de dengue foi de 13,81% na semana de 22 a 28 de dezembro de 2024, a maior do último trimestre de 2024.

Além disso, a taxa de positividade registrou sua 3ª semana consecutiva de alta (de 1 a 28 de dezembro de 2024). O mesmo acontece com a média móvel, quando comparada com as últimas 5 semanas, indicando uma tendência de alta para os próximos períodos.

“A testagem e a prevenção são as chaves para enfrentar o desafio que as arboviroses representam, especialmente no período de maior vulnerabilidade climática. Nesse contexto, a análise de dados laboratoriais torna-se estratégica para antecipar tendências epidemiológicas, avaliar a eficácia das campanhas de prevenção e orientar políticas públicas”, comenta o médico patologista Alex Galoro, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Exames como PCR e testes de antígeno são essenciais, permitindo o tratamento adequado dos pacientes. No caso da dengue, Galoro lembra que as sorologias permitem detectar em apenas alguns dias os anticorpos IgM. Já os anticorpos IgG passam a ser detectáveis a partir do sétimo dia de doença.

“Na dengue, o hemograma é imprescindível após o diagnóstico, para monitoramento do paciente, para avaliação da necessidade de reidratação e o risco de dengue hemorrágica”, explica.

A Abramed reforça a importância de que exames diagnósticos sejam realizados em laboratórios clínicos, que garantem precisão nos resultados, testes mais abrangentes e total conformidade com os padrões de qualidade. Diagnósticos rápidos e precisos são essenciais para o controle das arboviroses.

Monitoramento

Os dados de exames realizados pelas associadas à Abramed são compilados por meio da plataforma de inteligência de dados METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da associação. Essa colaboração tem permitido o acompanhamento de dados relevantes, fornecendo uma visão clara e estratégica para a tomada de decisões em prol da saúde populacional.

Importante ressaltar que as associadas da Abramed enviam os resultados dos exames diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo para o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para entender a progressão da dengue no Brasil e embasar medidas de saúde pública voltadas à contenção da doença.

Privacidade e tecnologia: Abramed alerta sobre a responsabilidade na gestão de dados de saúde

No Dia Internacional da Privacidade de Dados (28/1), a entidade mostra como garantir a segurança das informações, especialmente na era da inteligência artificial

13 de janeiro de 2025 – A proteção de dados pessoais vem ganhando cada vez mais relevância no cenário mundial, e em especial no setor de saúde, responsável por tratar um grande volume de dados sensíveis e de natureza confidencial. Em alusão ao Dia Internacional da Privacidade de Dados (28/1), a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) lembra a importância do tema.

Antes da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o setor de saúde não se preocupava tanto com a segurança dos dados pessoais, limitando-se à confidencialidade entre médico e paciente, que era frequentemente comprometida devido à falta de boas práticas em governança de dados e segurança tecnológica nas empresas.

“Antigamente, as quebras de confidencialidade não causavam grandes danos, mas, com a globalização das informações e o aumento de golpes envolvendo dados pessoais, o setor de saúde tornou-se alvo de estelionatários”, explica Eduardo Nicolau, membro do Comitê de Proteção de Dados da Abramed e DPO – Data Protection Officer da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Diante desse novo cenário, empresas de medicina diagnóstica implementaram soluções para garantir a segurança da informação. Entre elas, a adoção de controles de acesso baseados na função do colaborador e a autenticação de sistemas com múltiplos fatores. Ou seja, o colaborador recebe um token, por mensagem ou aplicativo de celular que, juntamente com seu usuário e senha, permite o acesso a sistemas e plataformas da empresa.

Outros exemplos são a criptografia de dados armazenados, a atualização de patches de segurança para sistemas operacionais e acesso remoto a sistemas com rede privada — que corrigem vulnerabilidades e falhas de segurança, protegendo os sistemas contra ataques — e o uso de protocolo seguro de transferência de dados na internet.

Além dos cuidados com a segurança cibernética, muitas empresas do setor de medicina diagnóstica implementaram modelos de governança, garantindo a proteção dos dados pessoais de pacientes, médicos e parceiros de negócio. Entre as principais medidas adotadas está a gestão de risco em privacidade, por meio de processos que orientam a proteção dos dados pessoais desde sua concepção e incluem medidas compensatórias para processos de alto risco.

“Também é comum a avaliação de terceiros quanto à sua maturidade em proteção de dados, a gestão adequada de políticas de retenção de dados para cumprir obrigações legais e reduzir riscos em casos de vazamentos ou acessos indevidos, como também a implementação de um plano robusto de resposta a incidentes”, acrescenta Nicolau.

Após a promulgação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as empresas tiveram tempo para se adaptar aos novos requisitos antes das sanções entrarem em vigor. Essa adaptação incluiu um passo importante: conscientizar os colaboradores sobre como manipular dados pessoais de acordo com a lei, esclarecendo seus direitos como donos dos dados e os deveres das empresas que os tratam.

“Hoje aqueles que manipulam os dados pessoais de outras pessoas o fazem com a consciência dos impactos e da responsabilização de seus atos, deixando as operações mais seguras”, comenta. Embora algumas empresas estejam mais maduras em privacidade e proteção de dados do que outras, Nicolau diz que todas, sem exceção, incluem em seus orçamentos anuais iniciativas para aumentar sua maturidade, implantar controles e fortalecer a governança.

Legislação

Em relação à privacidade e proteção de dados pessoais no uso da inteligência artificial (IA), Nicolau diz que o Projeto de Lei 2338/2023, em análise pela Câmara dos Deputados, garante a proteção aos direitos fundamentais dos cidadãos e estabelece responsabilidades para desenvolvedores e operadores, mas sua eficácia só será comprovada com o passar do tempo, a evolução da tecnologia e o poder fiscalizatório dos órgãos reguladores.

“A proposta de regulação da IA permite inovações ao proteger dados pessoais e garantir algoritmos eficazes e éticos, mas o modelo de classificação de riscos pode dificultar a responsabilização e gerar debates complexos sobre impactos em direitos fundamentais. A IA ainda é muito recente e o mundo a entende de forma superficial”, expõe.

Nicolau considera a legislação atual de proteção de dados abrangente, mas aponta que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) precisa abordar as particularidades do setor de saúde, que envolve um ecossistema de informações heterogêneas e desconexas.

“Diferentemente do modelo europeu, o Brasil carece de regras específicas para o compartilhamento de dados de saúde. O setor necessita de regulamentações que garantam a segurança, a qualidade e a interoperabilidade dos dados, permitindo a integração entre entidades públicas e privadas e melhorando os diagnósticos, tratamentos e redução de custos”, comenta.

A privacidade de dados é essencial para evitar consequências graves, como discriminação ou exposição indesejada de informações de saúde. Em um mundo digital, organizações que investem na proteção e transparência dos dados se destacam. “A implementação da privacidade está ligada a práticas éticas e responsáveis, aumentando a confiança e reduzindo riscos legais. Com a crescente conscientização sobre a proteção de dados, os consumidores tendem a escolher marcas que priorizam a privacidade de seus dados pessoais”, expõe Nicolau.

Através de seu Comitê de Proteção de Dados, composto por profissionais de diversas áreas, como saúde, direito, tecnologia e cibersegurança, a Abramed discute questões relevantes para o setor. “Entre as conquistas, destaque à contribuição para subsídios da ANPD sobre temas como multas, sanções administrativas, transferência internacional de dados e notificação de incidentes. Atualmente, o Comitê está focado em discutir a regulação da inteligência artificial, buscando influenciar as políticas que impactam as atividades do setor de saúde”, finaliza Nicolau.