Abramed lança movimento de conscientização sobre golpes envolvendo resultados de exames 

Iniciativa orienta a população sobre como identificar tentativas de fraude e se proteger de golpes envolvendo resultados de exames. 

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) lançou um movimento de conscientização para alertar a população sobre golpes relacionados à entrega de resultados de exames. A iniciativa tem como objetivo orientar os pacientes sobre como reconhecer abordagens fraudulentas, evitar prejuízos financeiros e buscar informações seguras junto aos hospitais e laboratórios.

Uma das principais mensagens é que os serviços de diagnóstico não cobram valores para liberar ou entregar resultados de exames. Solicitações de pagamento, PIX ou depósito feitas por telefone, SMS, WhatsApp ou e-mail com essa finalidade são sinais de alerta para possíveis tentativas de fraude.

O movimento busca ampliar o alcance dessas orientações, levando informações aos pacientes por meio de conteúdos educativos, acessíveis e de fácil compartilhamento. A proposta também incentiva a disseminação dos alertas entre familiares e amigos, contribuindo para que mais pessoas saibam identificar situações suspeitas e se proteger. Uma das publicações do movimento pode ser conferida no Instagram da Abramed.

“A informação é uma das principais ferramentas para proteger os pacientes contra esse tipo de fraude. Nosso compromisso é contribuir para uma jornada de cuidado cada vez mais segura”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Como funciona o golpe?

Os golpistas entram em contato por telefone ou por aplicativos de mensagens e se apresentam como funcionários de um hospital ou laboratório. Alegam que o resultado de um exame não pode ser disponibilizado pela internet ou que foi identificada alguma alteração que exige a entrega do resultado em domicílio.

Para tornar a abordagem convincente, podem mencionar informações sobre exames já realizados pelo paciente e utilizar o nome de instituições conhecidas. Em seguida, oferecem a entrega dos resultados mediante o pagamento de uma pequena taxa, geralmente cobrada por cartão.

O prejuízo ocorre no momento da suposta entrega. O criminoso apresenta uma máquina de cartão adulterada, que pode exibir um valor diferente daquele efetivamente cobrado, ou simula problemas na transação para induzir novas tentativas de pagamento. Em alguns casos, os valores cobrados são muito superiores à taxa inicialmente informada.

Uma reportagem do programa Fantástico (TV Globo) mostrou o caso de uma aposentada de Porto Alegre que teve prejuízo superior a R$ 8 mil após aceitar a entrega mediante pagamento de uma taxa de R$ 4,99. A matéria ilustra como uma cobrança aparentemente pequena pode ser utilizada para aplicar fraudes de valores elevados.

Como identificar uma abordagem suspeita?

A principal orientação é desconfiar de contatos inesperados que solicitem pagamentos para liberar ou entregar resultados de exames. As pessoas devem ficar atentas a alguns sinais que podem indicar uma tentativa de golpe:

  • Cobranças inesperadas por telefone, SMS ou aplicativos de mensagens;
  • Pedidos urgentes de pagamento para a liberação ou entrega de resultados;
  • Solicitação de dados pessoais, bancários ou senhas;
  • Envio de links suspeitos por mensagens;
  • Exigência de pagamento por PIX, depósito ou cartão para receber resultados de exames.

Caso receba uma ligação ou mensagem desse tipo, é preciso entrar em contato diretamente com a instituição pelos números de telefone ou canais indicados no site oficial, sem utilizar os dados fornecidos por quem fez a abordagem.

Também é importante não clicar em links suspeitos, não compartilhar informações pessoais ou financeiras e nunca realizar pagamentos antes de verificar a legitimidade da solicitação.

A apresentação de máquinas de cartão com visor danificado e a alegação de falhas na transação, acompanhadas de pedidos para repetir o pagamento, também são sinais de alerta. Diante de qualquer suspeita, a recomendação é interromper o contato e procurar a instituição de saúde por seus canais oficiais.

Se a fraude já tiver ocorrido, é importante comunicar imediatamente o banco ou a operadora do cartão, solicitar o bloqueio quando necessário, registrar um boletim de ocorrência e informar a instituição de saúde cujo nome foi utilizado pelos criminosos.

Informação como forma de proteção

Além dos prejuízos financeiros, esse tipo de golpe pode provocar preocupação e insegurança, afetando a confiança dos pacientes nas instituições de saúde — especialmente quando os criminosos afirmam que os exames apresentaram alterações ou que os resultados precisam ser entregues com urgência.

Aplicativos, sites e portais oficiais das instituições, no entanto, continuam sendo canais legítimos de acesso aos resultados de exames. A orientação é verificar a origem de mensagens e solicitações inesperadas, preservando a confiança nos serviços digitais oferecidos pelo setor.

Por isso, hospitais e laboratórios vêm divulgando alertas em seus sites, nas áreas de acesso aos resultados e nas redes sociais, com orientações sobre seus canais oficiais de atendimento e formas de identificar possíveis tentativas de fraude.

Em 2025, a Abramed e a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) divulgaram uma nota conjunta de alerta à população e informaram que estavam colaborando com as autoridades competentes para investigar e coibir essas práticas. A nova iniciativa dá continuidade a esse trabalho, reforçando o compromisso da Abramed com a conscientização, a prevenção de fraudes e a segurança dos pacientes. 

Abramed promoveu debate sobre uso adequado de exames e eficiência na saúde suplementar

Encontro de associados aproximou prestadores e operadoras em torno de temas como qualidade, atenção primária e integração de informações, com proposta de desenvolver uma parceria entre Abramed e FenaSaúde

Aumentar a efetividade e a eficiência sem comprometer o acesso ao diagnóstico exige qualificar a indicação dos exames e ampliar o diálogo entre prestadores e operadoras. Essa discussão orientou o painel “Saúde e sustentabilidade: desafios e caminhos para o setor”, realizado em 2 de outubro, no Hcor – Hospital do Coração, em São Paulo, durante a Reunião Mensal de Associados (RMA) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Com condução de Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, o debate iniciou com as boas-vindas de Alexandre Biasi, superintendente médico do Hcor, e reuniu Abdalla Skaf, chefe do departamento de diagnóstico por imagem do Hcor; Bruno Sobral, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; e Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin.

Ao abrir a discussão, Milva reforçou que o objetivo era aprofundar as conversas iniciadas na 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) e identificar pautas que possam aproximar operadoras e prestadores. Também chamou a atenção para a necessidade de diferenciar problemas que, embora apareçam muitas vezes no mesmo debate, têm naturezas distintas. Fraude, ressaltou, é crime e não deve ser tratada como sinônimo de sobreutilização.

Prestadores e operadoras buscam pontos de convergência

Para a CEO do Grupo Sabin, a capacidade das empresas de continuar investindo em tecnologia, inovação, estrutura e qualificação profissional depende de relações mais equilibradas dentro da cadeia de saúde. Ela colocou a valorização da medicina diagnóstica e a qualidade entre os principais pontos dessa construção.

A discussão, segundo Lídia, precisa avançar da identificação dos problemas ao desenvolvimento de projetos capazes de envolver os diferentes atores. Em vez de manter operadoras, hospitais e empresas de medicina diagnóstica discutindo suas dificuldades a partir de perspectivas isoladas, o desafio é encontrar pontos em que os interesses possam convergir.

O diretor-executivo da FenaSaúde trouxe a visão das operadoras e apontou o desalinhamento dos incentivos econômicos e a assimetria de informações como obstáculos à gestão do sistema. Defendeu, por isso, maior atenção aos desfechos assistenciais e à organização do cuidado.

“O que hoje me preocupa não é a sustentabilidade dos laboratórios, não é a sustentabilidade dos hospitais, não é a sustentabilidade da operadora. O que mais me preocupa é a sustentabilidade de quem paga”, afirmou Sobral.

Ao trazer o beneficiário para a discussão, ele reforçou que a busca por eficiência precisa considerar a capacidade das pessoas de permanecerem na saúde suplementar. De acordo com ele, reduzir ineficiências ao longo da cadeia pode ajudar a preservar o acesso e criar condições para relações mais sustentáveis entre os diferentes atores.

Indicação de exames e valorização da qualidade

A discussão levou à necessidade de qualificar as solicitações médicas. Skaf observou que tanto o uso excessivo quanto a realização insuficiente de exames podem trazer prejuízos. Deixar de solicitar um exame necessário pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, com consequências para o paciente e o sistema.

O executivo diferenciou a aplicação de protocolos em cada ambiente. No hospital, é possível organizar a atuação das equipes com base em diretrizes clínicas e definir os exames indicados em cada situação. Já no atendimento ambulatorial, o serviço recebe uma solicitação previamente definida pelo médico, muitas vezes com poucas informações clínicas disponíveis para avaliar o contexto do pedido.

Como possibilidade de trabalho conjunto, Skaf sugeriu ações de educação médica para qualificar a solicitação dos exames, com orientação sobre quando pedir cada um e quais informações podem apoiar a decisão clínica. Ele relatou uma experiência realizada com uma operadora de São Paulo em que, ao longo de seis meses, ações de educação médica contribuíram para reduzir em 38% as solicitações desnecessárias de exames.

Já Sobral pontuou que a criação de protocolos baseados em evidências entre as equipes técnicas de operadoras e prestadores, aliada à capacitação de profissionais para trabalhar com dados e compreender novos modelos de pagamento, é uma condição importante para desenvolver parcerias.

Lídia lembrou que a manutenção de acreditações, a capacitação das equipes e os protocolos de segurança do paciente exigem recursos contínuos, mas, segundo ela, esses esforços nem sempre se refletem na remuneração dos serviços. Para a CEO do Grupo Sabin, a avaliação da qualidade deve integrar a discussão sobre os modelos de relacionamento entre prestadores e operadoras.

Nomura reforçou que a discussão sobre eficiência não deve ser confundida com uma redução indiscriminada da realização de exames. “Nós queremos fazer os exames que precisam ser feitos”, afirmou. Para ele, o uso adequado do diagnóstico precisa caminhar junto à qualidade, à formação profissional e à capacidade das empresas de manter os investimentos necessários à assistência.

Atenção primária e integração de informações

Além da orientação aos profissionais, Nomura defendeu a participação das empresas contratantes dos planos na organização do cuidado. Na sua avaliação, é preciso envolver também os pacientes, que muitas vezes associam a qualidade de uma consulta à solicitação de exames. Iniciativas de saúde populacional e atenção primária podem contribuir para mudar essa percepção e melhorar o acompanhamento ao longo do tempo.

A interoperabilidade foi apontada como outra frente de cooperação. A possibilidade de consultar o histórico do paciente em diferentes serviços ajuda a identificar exames já realizados e a avaliar a necessidade de novas solicitações. Nomura associou o apoio da Abramed à integração de dados ao compromisso com o uso adequado dos recursos e com a qualidade assistencial.

Um dos exemplos apresentados foi a Amparo Saúde, empresa de atenção primária do Grupo Sabin. Lídia compartilhou a experiência, que contribuiu para reduzir a sinistralidade do plano de saúde dos colaboradores. Também explicou a decisão de manter a parceria com a operadora que participou da construção da iniciativa, valorizando a continuidade do trabalho.

O exemplo se conectou a uma dificuldade discutida durante o encontro: a rotatividade dos beneficiários entre planos pode limitar o interesse em investimentos cujos resultados aparecem no longo prazo. Para Sobral, esse é um dos fatores que precisam ser considerados na estruturação de modelos de cuidado e de cooperação entre as organizações.

Ao falar sobre o envolvimento dos pacientes, ele considerou a coparticipação e a franquia como mecanismos para ampliar a percepção sobre os custos da assistência e estimular o uso consciente dos serviços. Ponderou, porém, que sua aplicação não deve impedir o acesso ao cuidado.

Proposta de cooperação entre as entidades

Durante a participação da plateia, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa, questionou a dificuldade de transformar discussões recorrentes em decisões. “O que falta para a tomada de decisão estratégica?”, perguntou, ao propor uma atuação conjunta voltada ao setor.

Sobral atribuiu às entidades representativas um papel crescente na formulação de propostas que possam ser adotadas pelas empresas. Ao comentar sua experiência na interlocução com prestadores e operadoras, destacou a necessidade de compreender as dificuldades de ambos e trabalhar sobre objetivos comuns. Segundo o executivo, focar apenas nas divergências mantém prestadores e operadoras em lados opostos: “Não podemos quebrar pontes. Temos que construir”, afirmou.

No encerramento, Milva convidou a FenaSaúde a desenvolver com a Abramed um modelo de parceria, com o objetivo de apresentar os primeiros resultados na 11ª edição do FILIS, em agosto de 2027. Sobral colocou a entidade à disposição para dar continuidade às conversas. A proposta é que as entidades organizem o trabalho conjunto a partir das possibilidades discutidas no encontro.

Anvisa altera RDC 978 e atende pleitos da Abramed sobre coleta domiciliar e supervisão remota

Nova resolução permite que postos de coleta mantenham serviços itinerantes e autoriza a supervisão remota em centrais de distribuição; exigências de estrutura física permanecem em discussão.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 30 de setembro, alterações na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 978/2025, que regulamenta o funcionamento dos serviços que realizam exames de análises clínicas. As mudanças constam da RDC nº 1.043/2026, publicada no Diário Oficial da União em 5 de outubro e republicada com correções no dia 15.

A atualização contempla dois pleitos apresentados pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed): a autorização para que postos de coleta mantenham serviços itinerantes próprios ou contratados e a possibilidade de supervisão remota do pessoal técnico em determinadas centrais de distribuição de material biológico.

As exigências de estrutura física aplicáveis a essas centrais, entretanto, foram mantidas e continuam na agenda de interlocução da entidade com a Anvisa.

Segundo Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, as alterações representam avanços decorrentes do diálogo da entidade com as diretorias e áreas técnicas da agência, com o objetivo de adequar a regulamentação à realidade operacional dos serviços, preservando a qualidade dos exames e a segurança dos pacientes.

Postos de coleta voltam a realizar coleta domiciliar

Uma das principais mudanças diz respeito aos serviços itinerantes, responsáveis pela coleta de material biológico em domicílios, empresas e outros estabelecimentos.

A RDC nº 978/2025 havia restringido essa atividade aos serviços classificados como Tipo III, categoria que inclui laboratórios clínicos e de anatomia patológica. A limitação impediu que postos de coleta mantivessem seus próprios serviços itinerantes, prática anteriormente permitida pela RDC nº 786/2023.

A mudança provocou dificuldades operacionais e afetou o acesso de pacientes que dependem da coleta domiciliar, especialmente aqueles com limitações de mobilidade ou dificuldades para se deslocar até uma unidade.

Com a RDC nº 1.043/2026, os postos de coleta classificados como Serviço Tipo II voltam a poder manter serviços itinerantes próprios ou contratados, sem a necessidade de que a atividade seja conduzida diretamente por um laboratório clínico.

A autorização mantém os requisitos sanitários aplicáveis. O atendimento itinerante deve ocorrer de forma esporádica ou sazonal, para uma população específica e em local determinado. As atividades permanecem restritas à fase pré-analítica, e as amostras devem ser encaminhadas ao serviço ao qual o atendimento está vinculado, conforme as possibilidades previstas na norma.

Também permanecem obrigatórias as condições adequadas de coleta, acondicionamento, armazenamento, transporte e rastreabilidade das amostras, além da atuação de profissionais habilitados ou capacitados sob supervisão, conforme a atividade realizada.

Supervisão remota nas centrais de distribuição

Outra alteração atende parcialmente a um pleito da Abramed relacionado às centrais de distribuição de material biológico.

Essas unidades desempenham funções de apoio logístico, como recebimento, armazenamento, acondicionamento e encaminhamento de amostras aos laboratórios. Em determinadas operações, sua atuação se limita ao manuseio de embalagens secundárias ou terciárias, sem acesso direto ao material biológico acondicionado na embalagem primária.

A Abramed tem defendido que as exigências regulatórias aplicáveis a essas estruturas considerem a natureza das atividades executadas e os riscos sanitários envolvidos.

Embora o enquadramento das centrais na RDC nº 978/2025 tenha sido mantido, a nova resolução passou a admitir a supervisão remota do pessoal técnico nas unidades que manipulam exclusivamente embalagens secundárias ou terciárias.

A supervisão deve ocorrer durante todo o período de funcionamento do serviço e ser documentada. Os registros precisam contemplar as comunicações entre o supervisor e a equipe técnica, as ocorrências identificadas e as medidas preventivas e corretivas adotadas.

Dessa forma, o supervisor do pessoal técnico não precisa permanecer fisicamente nessas unidades, desde que sejam atendidas as condições estabelecidas pela regulamentação.

A exigência de responsável técnico, entretanto, permanece, assim como as demais obrigações relacionadas à integridade, à conservação e à rastreabilidade das amostras.

Exigências de estrutura física continuam em discussão

Apesar dos avanços, a revisão não alterou os requisitos de infraestrutura previstos para as centrais de distribuição na RDC nº 978/2025.

A norma determina, entre outros itens, a existência de sala para recebimento, triagem e guarda temporária de material biológico, com área mínima de 3 m², bancada e lavatório; vestiários e sanitários para funcionários; expurgo; depósito de material de limpeza; e áreas destinadas a equipamentos e à movimentação dos recipientes de transporte.

Essas exigências também se aplicam às centrais cujas atividades se limitam ao manuseio de embalagens secundárias e terciárias, o que pode demandar adaptações estruturais e investimentos, conforme as condições de cada unidade.

Para a Abramed, é importante avaliar a proporcionalidade desses requisitos, considerando as particularidades dos serviços que atuam exclusivamente em etapas logísticas e não realizam procedimentos laboratoriais.

A entidade mantém o diálogo com a Anvisa para discutir a aplicação e a interpretação dessas exigências, buscando conciliar a segurança sanitária com as características operacionais das diferentes estruturas.

A preocupação também envolve a integridade das amostras ao longo de todo o processo diagnóstico. Desde a coleta até o processamento, identificação, acondicionamento, armazenamento e transporte devem seguir procedimentos controlados, já que eventuais falhas podem comprometer a confiabilidade dos resultados.

Diálogo regulatório e harmonização das regras

A revisão da RDC nº 978/2025 integra um processo mais amplo de aperfeiçoamento regulatório, que envolve o acompanhamento dos efeitos da norma e a identificação de oportunidades de ajuste.

A Anvisa também trabalha na proposta de instituição de uma câmara técnica voltada ao gerenciamento do risco sanitário dos serviços que realizam exames de análises clínicas. A iniciativa deverá ampliar os espaços de discussão sobre a regulamentação, com a participação de representantes do setor e do controle social.

Outra prioridade é a harmonização dos entendimentos entre as vigilâncias sanitárias locais. As diferentes interpretações dos requisitos regulatórios podem gerar dificuldades operacionais e insegurança jurídica, especialmente para empresas que atuam em diversas regiões do país.

Nesse contexto, a Abramed defende maior uniformidade na aplicação das regras, com orientações técnicas claras e critérios compatíveis com os riscos das atividades desenvolvidas.

A própria Anvisa prevê a realização de uma Avaliação de Resultado Regulatório (ARR) da RDC nº 978/2025, com obtenção de dados até o primeiro semestre de 2028 e conclusão prevista para o segundo semestre daquele ano. O processo permitirá examinar os efeitos da regulamentação e das alterações implementadas.

Para Milva, a continuidade dessa interlocução é essencial para que a regulamentação acompanhe as transformações da medicina diagnóstica sem comprometer os requisitos sanitários.

“Manter o diálogo com a agência é fundamental para que a regulação acompanhe a realidade dos serviços e as necessidades da população, preservando a qualidade e a segurança do atendimento”, afirma.

Outubro Rosa marca ampliação do acesso à mamografia digital na saúde suplementar

Nova regra da ANS garante exame mediante indicação médica e reforça papel da avaliação individual no rastreamento do câncer de mama

Desde 1º de outubro, os planos de saúde são obrigados a cobrir a mamografia digital para pacientes de qualquer idade ou gênero, desde que haja indicação médica.

A mudança, aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), coincide com o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama – o tipo mais frequente entre as brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028.

O que muda na cobertura dos planos de saúde?

Até setembro, a cobertura obrigatória da mamografia digital estava limitada às mulheres de 40 a 69 anos, conforme a Diretriz de Utilização (DUT) nº 52 do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. Fora dessa faixa etária, a mamografia convencional já contava com cobertura mediante indicação médica, mas a modalidade digital permanecia sujeita à restrição.

A revisão passou por discussões na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde) e pela Consulta Pública nº 173 antes de ser aprovada pela Diretoria Colegiada da agência, em 3 de setembro.

Com a retirada da diretriz, mulheres abaixo dos 40 anos ou acima dos 69 anos, assim como homens, passam a ter acesso garantido à modalidade quando houver indicação médica. Embora menos frequente, o câncer de mama também pode atingir os homens, que representam cerca de 1% dos casos, segundo o Ministério da Saúde.

O que muda para pacientes e serviços

A mudança não consiste apenas na ampliação do acesso. De acordo com a ANS, a tecnologia digital envolve menor exposição à radiação e menor tempo de compressão da mama. O armazenamento eletrônico das imagens também facilita a comparação entre exames ao longo do acompanhamento e a avaliação por diferentes especialistas.

Para os serviços de medicina diagnóstica, a regra aproxima a cobertura do padrão de cuidado já adotado. Com a retirada da restrição etária, a indicação médica passa a orientar a cobertura da mamografia digital, reforçando a importância de pedidos fundamentados em informações clínicas que auxiliem na escolha do exame e na interpretação dos resultados.

Rastreamento continua dependendo da avaliação individual

A ampliação da cobertura da mamografia digital não altera as recomendações de rastreamento. A mamografia diagnóstica deve ser solicitada na investigação de situações específicas, como a presença de um nódulo ou de outras alterações suspeitas. Já no rastreamento, a indicação do exame e a periodicidade dependem da idade, do histórico pessoal e familiar e de outros fatores de risco avaliados pelo médico.

Para mulheres de 50 a 74 anos, a recomendação do Ministério da Saúde é o rastreamento ativo a cada dois anos, mesmo sem sinais ou sintomas. Entre 40 e 49 anos, a mamografia pode ser feita sob demanda, a partir da decisão conjunta entre paciente e médico. A partir dos 75 anos, a indicação deve considerar comorbidades e expectativa de vida.

Já o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam o rastreamento anual dos 40 aos 74 anos, com avaliação individualizada a partir dos 75 anos.

Acesso ao exame e qualidade do diagnóstico

O acesso ao exame é uma das etapas do diagnóstico precoce. A qualidade das imagens, a precisão dos laudos e a agilidade na investigação de achados suspeitos também influenciam o percurso do paciente, assim como a integração entre serviços de diagnóstico, médicos assistentes e especialistas quando há necessidade de exames complementares.

“É necessário assegurar que o acesso à tecnologia esteja associado à qualidade da realização e da interpretação dos exames e à continuidade do cuidado, para que a mudança se traduza em benefícios aos pacientes”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Para Milva, garantir o acesso a exames de rastreamento e diagnóstico também contribui para reduzir o risco de detecção tardia da doença, que pode exigir tratamentos mais complexos e custosos para o paciente e para o sistema de saúde.

A Abramed segue acompanhando as atualizações do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde e atua para que as especificidades da medicina diagnóstica sejam consideradas nas decisões sobre cobertura, com foco na qualidade, na segurança do paciente e na detecção precoce.

Integração entre imagem e prática clínica exige novos caminhos na formação médica

Recursos de visualização tridimensional aproximam diagnóstico, planejamento de intervenções e ensino, com implicações para a formação e a atuação de diferentes especialidades

O avanço dos recursos de visualização médica coloca em discussão a preparação dos profissionais para incorporar novas possibilidades do diagnóstico às decisões assistenciais. Reconstruções tridimensionais, simulação e realidade virtual ampliam as formas de explorar informações anatômicas e planejar intervenções. Seu aproveitamento depende da conexão entre conhecimento clínico, interpretação da imagem e compreensão das tecnologias disponíveis.

Essa relação entre formação e prática médica foi um dos temas abordados por Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed, em entrevista a Marco Bego, diretor-executivo do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InRad-HCFMUSP), no podcast Inova na Real. Ao discutir a convergência entre medicina, tecnologia e engenharia, Nomura destacou a necessidade de atualizar o ensino diante das mudanças na assistência.

“Não dá para ensinar a Medicina como nós aprendemos há 20 anos, nem há 10 anos, talvez nem há cinco anos. Um básico vai se manter, mas tem muita coisa nova surgindo”, afirmou.

A discussão tem implicações para o valor da medicina diagnóstica. A contribuição dos exames para o cuidado está relacionada à capacidade das equipes de interpretar seus resultados e utilizá-los na definição de condutas. Nesse contexto, a formação é parte das condições necessárias para que os avanços tecnológicos tenham aplicação clínica.

O ensino da anatomia ilustra essa conexão. O uso de tomografia e ressonância aproxima o aprendizado das representações anatômicas que serão utilizadas na investigação de doenças, na discussão de casos e no planejamento terapêutico.

“A radiologia hoje é obrigatória. Na maioria das faculdades, você já ensina aos alunos anatomia topográfica pela tomografia e pela ressonância”, disse Nomura.

Essa presença na graduação reforça a importância de compreender a informação produzida pelo diagnóstico por imagem em diferentes especialidades. A integração entre o conhecimento do radiologista e o das equipes assistenciais favorece a discussão dos achados à luz da condição clínica e dos objetivos do cuidado.

Compreensão espacial e planejamento de intervenções

As tecnologias de visualização acrescentam novas possibilidades a esse aprendizado. Reconstruções tridimensionais e ambientes de realidade virtual permitem explorar relações espaciais entre estruturas anatômicas, aproximando a análise das imagens das necessidades de planejamento de uma intervenção.

“Na realidade virtual, o interessante é que você vai para um mundo 3D, para uma interação que, a meu ver, é fundamental. Principalmente porque, ao realizar uma cirurgia, você precisa entender o modelo tridimensional”, ressaltou. 

O ponto destacado por Nomura conecta o desenvolvimento tecnológico a uma competência clínica: relacionar as representações do organismo à anatomia do paciente e à abordagem planejada. Em procedimentos laparoscópicos e robóticos, essa compreensão espacial ganha relevância na articulação entre informações pré-operatórias e visualização durante a intervenção.

A informação diagnóstica integra, assim, diferentes momentos da assistência. Sua utilização no planejamento e na condução do cuidado reforça a importância do diálogo entre as equipes responsáveis pelos exames e aquelas que utilizarão seus resultados.

Convergência entre áreas e atualização profissional

A aproximação entre medicina, tecnologia e engenharia também traz questões para a atualização dos profissionais e a incorporação de novos recursos aos serviços de saúde. Compreender suas aplicações e limitações é parte do processo de avaliar como podem contribuir para a prática clínica.

“Hoje, eu não consigo imaginar que medicina, tecnologia e engenharia não vão caminhar juntas”, comentou durante a entrevista.

Essa convergência exige que a formação acompanhe tanto a evolução das ferramentas quanto as mudanças na maneira de utilizar a informação diagnóstica. Para instituições de ensino e serviços de saúde, isso envolve conectar aprendizado, discussão multidisciplinar e necessidades assistenciais.

O valor desses avanços se concretiza quando a informação produzida pelos exames qualifica o planejamento e sustenta decisões ao longo do cuidado. Preparar os profissionais para esse uso é um componente estratégico da inovação em medicina diagnóstica.

Confira o episódio completo do podcast com Cesar Nomura em: https://www.youtube.com/watch?v=g-f1p56Hzgs

Abramed realiza 1º Fórum de Saúde e Sustentabilidade e lança Caderno ESG com indicadores e iniciativas das associadas

Encontro reunirá lideranças de diversos segmentos para discutir estratégia, gestão de riscos, ética e governança e apresentar a publicação dedicada às práticas ESG na medicina diagnóstica

Transformar compromissos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) em decisões de gestão é um dos desafios das organizações de saúde. Para aprofundar essa conversa e compartilhar experiências do setor, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) realizará, no dia 5 de novembro, o 1º Fórum Abramed de Saúde e Sustentabilidade (FASS). O encontro acontecerá no auditório do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), na capital paulista.

Com o tema “Sustentabilidade como estratégia de valor para a saúde”, o fórum reunirá lideranças da medicina diagnóstica, hospitais, entidades e outros segmentos da cadeia para debater como incorporar a sustentabilidade ao planejamento das empresas.

O FASS amplia os encontros sobre ESG que a Abramed já promovia em formato fechado, voltados aos associados, e leva a discussão aos demais stakeholders do setor. O tema integra as agendas estratégicas da entidade, que também mantém um Comitê de ESG.

“Nosso objetivo é fortalecer a capacidade das organizações de saúde de transformar compromissos de ESG em decisões práticas e em resultados concretos”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Indicadores ESG ganham publicação própria

Um dos destaques do evento será o lançamento do Caderno ESG Abramed, que reunirá indicadores e iniciativas das associadas, apresentando avanços, desafios e oportunidades relacionados às dimensões ambiental, social e de governança.

Nas duas edições anteriores do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, os indicadores ESG integraram a publicação como um capítulo. Neste ano, o tema ganha uma publicação própria, que pretende contribuir para a troca de conhecimentos e oferecer referências para apoiar a incorporação de critérios ESG aos processos de gestão. 

A proposta é aproximar compromissos institucionais de iniciativas que possam ser acompanhadas por indicadores e avaliadas a partir de seus resultados.

Estratégia, investimentos e geração de valor

Após o lançamento do Caderno ESG, será realizada a palestra “Sustentabilidade aplicada à saúde”, que apresentará uma experiência do setor e sua conexão com decisões de gestão e resultados.

Na sequência, o painel “ESG na estratégia das organizações de saúde” discutirá como as lideranças podem incorporar critérios de sustentabilidade às decisões empresariais, relacionando investimentos, inovação, gestão de riscos e uso responsável dos recursos.

O debate também trará o papel das pessoas nessa agenda e a contribuição da medicina diagnóstica para a qualidade, a segurança e a continuidade do cuidado, mostrando como essas dimensões podem ser consideradas no planejamento das organizações e na avaliação dos impactos de suas atividades.

Ética e governança entre as orgnizações de saúde

A segunda parte do encontro começará com a palestra “Integridade e responsabilidade nas relações entre os agentes da saúde”, que trará a ética como base para relações institucionais pautadas pela confiança, pela transparência e pela responsabilidade.

Já o painel “Governança, ética e responsabilidade na saúde” abordará o papel dos conselhos e das lideranças, os códigos de conduta, a prestação de contas e as relações com terceiros. Também estarão em pauta os desafios de conciliar sustentabilidade econômica, qualidade assistencial e responsabilidade com pacientes e beneficiários.

Esse debate dará continuidade à agenda de governança e ética apresentada pela Abramed na 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), reforçando a importância de práticas que possam ser incorporadas  à rotina das organizações e posteriormente verificadas.

A participação é gratuita, mediante inscrição, e aberta a empresas de medicina diagnóstica associadas ou não à Abramed, representantes da indústria, entidades apoiadoras, imprensa e demais interessados.

Para fazer a inscrição e obter mais informações, acesse 1º Forum Abramed de Saúde e Sustentabilidade – Abramed 

Sustentabilidade humana: um imperativo estratégico para o futuro das organizações de saúde

Por Daniela de Andrade Bernardo

Durante muito tempo, as discussões sobre sustentabilidade estiveram concentradas em aspectos econômicos, ambientais e de eficiência operacional. Embora essas dimensões continuem indispensáveis, elas já não são suficientes para explicar a capacidade de uma organização de permanecer competitiva, inovadora e resiliente no longo prazo.

Nas organizações de saúde, a sustentabilidade depende cada vez mais da forma como as pessoas trabalham, se desenvolvem e permanecem nas instituições. Em um setor caracterizado por alta complexidade técnica, forte pressão regulatória e responsabilidade direta sobre a segurança do cuidado, torna-se necessário incorporar uma dimensão muitas vezes tratada de forma periférica: a sustentabilidade humana.

A medicina diagnóstica retrata com clareza essa realidade. Dados da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram que as empresas associadas realizaram aproximadamente 1,13 bilhão de exames em 2025. Além da contribuição assistencial, o setor apresenta expressiva movimentação no mercado de trabalho. As associadas reúnem 91.602 colaboradores e registraram quase 29 mil admissões ao longo do ano. Aproximadamente 43% dos colaboradores possuem formação técnica ou superior, enquanto cerca de 80% atuam nas áreas operacional e técnica.

Esses números evidenciam não apenas a relevância econômica e assistencial da medicina diagnóstica, mas também a importância estratégica de atrair, desenvolver e reter talentos em um cenário de intensa transformação tecnológica e aumento da demanda por assistência à saúde.

O envelhecimento da população impulsiona a demanda por exames e acompanhamento diagnóstico, ao mesmo tempo em que as empresas convivem com profissionais de diferentes gerações. Nesse contexto, a sustentabilidade humana passa também pela capacidade de preservar conhecimento, estimular a transferência de experiência e promover atualização contínua ao longo de trajetórias profissionais cada vez mais longas.

Mais do que programas isolados de qualidade de vida ou iniciativas pontuais de bem-estar, a sustentabilidade humana representa a capacidade de uma organização criar condições para que seus profissionais exerçam suas atividades com segurança, saúde, respeito e perspectivas concretas de evolução profissional. Em outras palavras, não há organização sustentável sem relações de trabalho sustentáveis.

Questões relacionadas à saúde, diversidade, inclusão, desenvolvimento profissional, liderança e clima organizacional deixaram de ser temas restritos às áreas de Recursos Humanos. Hoje, impactam resultados, reputação institucional, continuidade operacional e qualidade assistencial. Essa mudança exige que lideranças, conselhos de administração, áreas jurídicas, compliance e gestão de pessoas atuem de forma integrada. Afinal, riscos humanos também são riscos corporativos.

A própria evolução regulatória sinaliza nessa direção. A inclusão dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais, previsto na NR-01, reforça a necessidade de tratar a saúde e a organização do trabalho de forma estruturada, preventiva e integrada à gestão de riscos. A cartilha da Abramed “NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho para Serviços de Medicina Diagnóstica” contribui para essa reflexão no setor. O adoecimento, os conflitos recorrentes e os elevados índices de afastamento não produzem apenas impactos individuais. Eles afetam produtividade, retenção de talentos e sustentabilidade institucional.

No setor da saúde, onde decisões são tomadas diariamente em contextos de elevada responsabilidade, a construção de ambientes de trabalho saudáveis torna-se um requisito estratégico. A qualidade do cuidado prestado ao paciente depende, em grande medida, das condições oferecidas aos profissionais que atuam em toda a jornada assistencial.

Ao mesmo tempo, automação, digitalização, inteligência artificial e análise avançada de dados ampliam a capacidade diagnóstica, aumentam a eficiência operacional e impulsionam a geração de conhecimento. Entretanto, o avanço tecnológico não reduz a relevância das pessoas. Ao contrário.

Quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas, maior é a necessidade de profissionais preparados para interpretar informações, exercer julgamento crítico, supervisionar processos e garantir que a inovação seja incorporada com qualidade, segurança e responsabilidade. O verdadeiro desafio, portanto, não está em substituir pessoas por tecnologia, mas em desenvolver pessoas capazes de potencializar seus benefícios.

A sustentabilidade humana não deve ser compreendida como uma agenda paralela às prioridades organizacionais. Ela constitui um elemento central da governança, da gestão de riscos e da capacidade de geração de valor das instituições de saúde.

A medicina diagnóstica construiu sua relevância combinando ciência, tecnologia e inovação. O próximo ciclo de crescimento do setor dependerá da capacidade de combinar esses mesmos atributos com uma estratégia consistente de desenvolvimento humano. Porque, em um ambiente cada vez mais automatizado, o diferencial competitivo não estará apenas na tecnologia disponível, mas na qualidade das pessoas capazes de transformá-la em valor para pacientes, profissionais e para todo o sistema.

Daniela de Andrade Bernardo
Advogada, sócia da Andrade Mariano Advogados e consultora trabalhista da Abramed.

Cesar Nomura é destaque em especial do Labornews sobre lideranças da medicina diagnóstica

Presidente do Conselho de Administração da Abramed integra publicação que reúne profissionais que contribuem para a evolução do diagnóstico e da saúde no Brasil.

O presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, Cesar Nomura, é um dos profissionais destacados pelo Labornews no especial “Protagonistas da Medicina Laboratorial: Homens que fazem História!”. A publicação reúne lideranças do setor para compartilhar experiências, perspectivas e reflexões sobre os caminhos da medicina diagnóstica no país.

A participação de Nomura reforça uma trajetória marcada pela atuação médica, acadêmica e institucional e pelo envolvimento em discussões estratégicas para o desenvolvimento da medicina diagnóstica. À frente do Conselho de Administração da Abramed, ele tem participado de debates relacionados à inovação, integração do diagnóstico, incorporação de novas tecnologias e construção de um sistema de saúde mais eficiente e sustentável.

Confira a publicação completa no Labornews. Acesse o especial: https://labornews.com.br/jornais/protagonistas-da-medicina-laboratorial-homens-que-fazem-hist-ria

Abramed amplia participação no 58º CBPC/ML com debate sobre IA no diagnóstico laboratorial

Pela primeira vez com programação própria de conteúdo no congresso, entidade reuniu lideranças do setor para discutir aplicações e desafios da Inteligência Artificial e ampliou o relacionamento com diferentes públicos em seu estande.

Sustentabilidade no diagnóstico por imagem não se resume a reduzir custos. Ela envolve decisões sobre tecnologia, uso de recursos, eficiência operacional, segurança do paciente e capacidade de manter serviços de qualidade em diferentes realidades assistenciais.

Foi a partir dessa perspectiva que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do CBR26 – 55º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, realizado em Recife. A entidade promoveu uma programação dedicada a temas estratégicos para o setor, que incluiu o lançamento de uma iniciativa voltada ao uso consciente de impressões, um painel sobre sustentabilidade econômica e uma palestra sobre biossegurança em sistemas multipacientes.

Na abertura, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, trouxe indicadores da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico e reforçou a relevância do diagnóstico por imagem na jornada do paciente. Um dos destaques foi o lançamento do movimento pelo uso consciente de impressões de exames, iniciativa que incentiva, sempre que possível e adequado, o acesso e o compartilhamento digital de imagens e laudos para reduzir consumo de materiais e geração de resíduos.

Ao apresentar a proposta, ela destacou que a mudança já faz parte da rotina do setor, no qual os resultados são cada vez mais acessados digitalmente. Dados apresentados pela Abramed mostram que mais de 96% dos resultados foram acessados ou retirados, contrariando a percepção de que exames não retirados fisicamente deixam de ser utilizados.

Para a diretora-executiva, a mudança depende de uma mobilização que envolva toda a cadeia. “Queremos gerar um movimento maior de conscientização de todos os players — médicos, pacientes e laboratórios — para reduzir a impressão dos exames”, afirmou. “É uma mudança de hábito que pode diminuir a geração de resíduos, sem comprometer o acesso às informações necessárias para o cuidado”, complementou.

A ação ganhou o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Durante o debate, Hélio Vieira Braga, 1º vice-presidente da entidade no biênio 2025/2026 e presidente eleito para o biênio 2027-2028, chamou a atenção para outro aspecto: uma impressão representa apenas uma seleção limitada das imagens produzidas em determinados exames. Em alguns casos, as imagens selecionadas para impressão representam menos de 10% do total gerado no exame.

De acordo com ele, a redução das impressões depende de condições adequadas de acesso remoto às imagens. “Quando o acesso remoto funciona bem, entendo que a impressão de imagens se torna desnecessária”, ponderou. 

O tema também envolve diferenças de infraestrutura e de perfil dos pacientes. Conectividade limitada, sistemas pouco integrados e dificuldades de pessoas idosas no uso de ferramentas digitais ainda precisam ser consideradas para que a transição aconteça sem comprometer o acesso.

Sustentabilidade econômica exige visão de longo prazo

Moderado por Milva Pagano, o painel “Sustentabilidade econômica do Diagnóstico por Imagem” contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Gileno Portugal, vice-presidente do Grupo Meddi; Hélio Vieira Braga; e Silvio Braga, diretor de Negócios Brasil da Siemens Healthineers.

Para Nomura, decisões de investimento precisam considerar todo o ciclo de vida da tecnologia. “Precisamos olhar qualquer projeto por pelo menos dez anos”, ressaltou. Isso significa avaliar não apenas o preço de aquisição, mas consumo de energia, infraestrutura necessária, manutenção, perfil dos exames realizados, disponibilidade do equipamento e capacidade da equipe.

Um dos exemplos apresentados foi o uso de Inteligência Artificial embarcada em equipamentos de ressonância magnética. Segundo ele, essas soluções vêm proporcionando ganhos de produtividade entre 20% e 30% em determinadas aplicações. No Hospital Sírio-Libanês, a atualização tecnológica de um equipamento já instalado permitiu ampliar sua produtividade sem a necessidade de substituí-lo integralmente.

O raciocínio reforça a ideia de que inovação não deve ser incorporada apenas porque é nova. Silvio Braga acrescentou que o custo real de um equipamento também passa por sua disponibilidade ao longo do tempo. Manutenção, acesso a peças, capacidade técnica do fornecedor e tempo de máquina parada podem ter impacto maior do que o investimento inicialmente previsto.

Por isso, defendeu que a avaliação do custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) seja complementada pela análise do custo por exame realizado, considerando a produtividade, a eficiência operacional e a disponibilidade dos sistemas. 

Novos modelos para ampliar acesso e previsibilidade

Outro eixo do debate foi a busca por modelos de negócio capazes de ampliar acesso e reduzir a dependência de uma única fonte de receita.

Gileno Portugal apresentou diferentes experiências de parceria, incluindo contratos com cooperativas, parcerias público-privadas e acordos com prefeituras. O ponto comum entre os modelos é a tentativa de gerar maior previsibilidade financeira e combinar eficiência operacional, volume assistencial e qualidade. Segundo ele, a sustentabilidade também depende da capacidade de adaptar soluções às diferentes realidades regionais do país. 

A experiência do paciente apareceu, ainda, como componente econômico. Segurança, presença médica, treinamento das equipes e qualidade do atendimento influenciam diretamente a percepção de valor e a capacidade de fidelização.

Uso de recursos e impacto ambiental 

O consumo de energia também fez parte do debate. Nomura destacou que centros de diagnóstico demandam uso intensivo de energia elétrica. No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, o centro de diagnóstico responde por cerca de 20% da energia elétrica utilizada pela instituição. 

Ao abordar especificamente a impressão de exames, relatou a experiência de redução do uso de filmes e de investimento em infraestrutura digital para disponibilizar resultados remotamente. A instituição mantém a possibilidade de impressão para quem necessita, mas alterou o padrão de entrega depois de um processo de adaptação de médicos e pacientes.

O debate reforçou que medidas ambientais nem sempre representam economia imediata. Algumas escolhas podem até elevar custos no curto prazo, mas sinalizam compromissos institucionais e reduzem impactos que não aparecem diretamente no balanço financeiro.

Segurança como condição para eficiência

Encerrando a programação da Abramed, Marcela Padilha Facetto Azevedo, coordenadora de Desenvolvimento de Produtos e Suporte Clínico da Alko do Brasil, apresentou a palestra “Biossegurança em injetoras de contraste: avaliação microbiológica de sistemas multipacientes”.

Ela apresentou estudos sobre a avaliação microbiológica desses sistemas e abordou o funcionamento de válvulas antirrefluxo, o tempo de utilização e os protocolos de manuseio. A palestra ressaltou a necessidade de validar materiais e processos com base em evidências científicas e em conformidade com as normas sanitárias vigentes.

A participação da Abramed no CBR26 fortaleceu o diálogo com a comunidade radiológica sobre os desafios que afetam a oferta e a qualidade dos serviços. Ao contribuir com dados e experiências das associadas, a entidade ampliou a discussão sobre o papel da medicina diagnóstica na construção de um sistema de saúde mais integrado, eficiente e centrado no paciente. 

No CBR26, Abramed lançou movimento pelo uso consciente de impressões e debateu a sustentabilidade do diagnóstico por imagem

Programação da Associação no 55º Congresso Brasileiro de Radiologia reuniu dados do setor, debate sobre eficiência, parcerias e incorporação tecnológica e palestra sobre biossegurança em injetoras de contraste

Sustentabilidade no diagnóstico por imagem não se resume a reduzir custos. Ela envolve decisões sobre tecnologia, uso de recursos, eficiência operacional, segurança do paciente e capacidade de manter serviços de qualidade em diferentes realidades assistenciais.

Foi a partir dessa perspectiva que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do CBR26 – 55º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, realizado em Recife. A entidade promoveu uma programação dedicada a temas estratégicos para o setor, que incluiu o lançamento de uma iniciativa voltada ao uso consciente de impressões, um painel sobre sustentabilidade econômica e uma palestra sobre biossegurança em sistemas multipacientes.

Na abertura, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, trouxe indicadores da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico e reforçou a relevância do diagnóstico por imagem na jornada do paciente. Um dos destaques foi o lançamento do movimento pelo uso consciente de impressões de exames, iniciativa que incentiva, sempre que possível e adequado, o acesso e o compartilhamento digital de imagens e laudos para reduzir consumo de materiais e geração de resíduos.

Ao apresentar a proposta, ela destacou que a mudança já faz parte da rotina do setor, no qual os resultados são cada vez mais acessados digitalmente. Dados apresentados pela Abramed mostram que mais de 96% dos resultados foram acessados ou retirados, contrariando a percepção de que exames não retirados fisicamente deixam de ser utilizados.

Para a diretora-executiva, a mudança depende de uma mobilização que envolva toda a cadeia. “Queremos gerar um movimento maior de conscientização de todos os players — médicos, pacientes e laboratórios — para reduzir a impressão dos exames”, afirmou. “É uma mudança de hábito que pode diminuir a geração de resíduos, sem comprometer o acesso às informações necessárias para o cuidado”, complementou.

A ação ganhou o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Durante o debate, Hélio Vieira Braga, 1º vice-presidente da entidade no biênio 2025/2026 e presidente eleito para o biênio 2027-2028, chamou a atenção para outro aspecto: uma impressão representa apenas uma seleção limitada das imagens produzidas em determinados exames. Em alguns casos, as imagens selecionadas para impressão representam menos de 10% do total gerado no exame.

De acordo com ele, a redução das impressões depende de condições adequadas de acesso remoto às imagens. “Quando o acesso remoto funciona bem, entendo que a impressão de imagens se torna desnecessária”, ponderou. 

O tema também envolve diferenças de infraestrutura e de perfil dos pacientes. Conectividade limitada, sistemas pouco integrados e dificuldades de pessoas idosas no uso de ferramentas digitais ainda precisam ser consideradas para que a transição aconteça sem comprometer o acesso.

Sustentabilidade econômica exige visão de longo prazo

Moderado por Milva Pagano, o painel “Sustentabilidade econômica do Diagnóstico por Imagem” contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Gileno Portugal, vice-presidente do Grupo Meddi; Hélio Vieira Braga; e Silvio Braga, diretor de Negócios Brasil da Siemens Healthineers.

Para Nomura, decisões de investimento precisam considerar todo o ciclo de vida da tecnologia. “Precisamos olhar qualquer projeto por pelo menos dez anos”, ressaltou. Isso significa avaliar não apenas o preço de aquisição, mas consumo de energia, infraestrutura necessária, manutenção, perfil dos exames realizados, disponibilidade do equipamento e capacidade da equipe.

Um dos exemplos apresentados foi o uso de Inteligência Artificial embarcada em equipamentos de ressonância magnética. Segundo ele, essas soluções vêm proporcionando ganhos de produtividade entre 20% e 30% em determinadas aplicações. No Hospital Sírio-Libanês, a atualização tecnológica de um equipamento já instalado permitiu ampliar sua produtividade sem a necessidade de substituí-lo integralmente.

O raciocínio reforça a ideia de que inovação não deve ser incorporada apenas porque é nova. Silvio Braga acrescentou que o custo real de um equipamento também passa por sua disponibilidade ao longo do tempo. Manutenção, acesso a peças, capacidade técnica do fornecedor e tempo de máquina parada podem ter impacto maior do que o investimento inicialmente previsto.

Por isso, defendeu que a avaliação do custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) seja complementada pela análise do custo por exame realizado, considerando a produtividade, a eficiência operacional e a disponibilidade dos sistemas. 

Novos modelos para ampliar acesso e previsibilidade

Outro eixo do debate foi a busca por modelos de negócio capazes de ampliar acesso e reduzir a dependência de uma única fonte de receita.

Gileno Portugal apresentou diferentes experiências de parceria, incluindo contratos com cooperativas, parcerias público-privadas e acordos com prefeituras. O ponto comum entre os modelos é a tentativa de gerar maior previsibilidade financeira e combinar eficiência operacional, volume assistencial e qualidade. Segundo ele, a sustentabilidade também depende da capacidade de adaptar soluções às diferentes realidades regionais do país. 

A experiência do paciente apareceu, ainda, como componente econômico. Segurança, presença médica, treinamento das equipes e qualidade do atendimento influenciam diretamente a percepção de valor e a capacidade de fidelização.

Uso de recursos e impacto ambiental 

O consumo de energia também fez parte do debate. Nomura destacou que centros de diagnóstico demandam uso intensivo de energia elétrica. No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, o centro de diagnóstico responde por cerca de 20% da energia elétrica utilizada pela instituição. 

Ao abordar especificamente a impressão de exames, relatou a experiência de redução do uso de filmes e de investimento em infraestrutura digital para disponibilizar resultados remotamente. A instituição mantém a possibilidade de impressão para quem necessita, mas alterou o padrão de entrega depois de um processo de adaptação de médicos e pacientes.

O debate reforçou que medidas ambientais nem sempre representam economia imediata. Algumas escolhas podem até elevar custos no curto prazo, mas sinalizam compromissos institucionais e reduzem impactos que não aparecem diretamente no balanço financeiro.

Segurança como condição para eficiência

Encerrando a programação da Abramed, Marcela Padilha Facetto Azevedo, coordenadora de Desenvolvimento de Produtos e Suporte Clínico da Alko do Brasil, apresentou a palestra “Biossegurança em injetoras de contraste: avaliação microbiológica de sistemas multipacientes”.

Ela apresentou estudos sobre a avaliação microbiológica desses sistemas e abordou o funcionamento de válvulas antirrefluxo, o tempo de utilização e os protocolos de manuseio. A palestra ressaltou a necessidade de validar materiais e processos com base em evidências científicas e em conformidade com as normas sanitárias vigentes.

A participação da Abramed no CBR26 fortaleceu o diálogo com a comunidade radiológica sobre os desafios que afetam a oferta e a qualidade dos serviços. Ao contribuir com dados e experiências das associadas, a entidade ampliou a discussão sobre o papel da medicina diagnóstica na construção de um sistema de saúde mais integrado, eficiente e centrado no paciente.