Presidente do Conselho de Administração da Abramed participa da Academia Shift Summit e destaca desafios setoriais

Wilson Shcolnik fez uma discussão abrangente abordando os principais problemas que os associados da entidade devem enfrentar e como agir visando os desafios e as boas perspectivas para o próximo quadriênio

O presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, participou  da Academia Shift Summit, realizada no dia 6 de abril. Sob o tema “O Brasil é o melhor país da América Latina para parcerias público-privadas”,  ele demonstrou, por meio de dados, a situação da medicina diagnóstica atual e os pontos de atenção para os próximos quatro anos, como as questões éticas e financeiras, a sustentabilidade e a integração diagnóstica da Saúde baseada em valor centrado no paciente. A Shift é parceria institucional da Abramed e promoveu a Academia Shift Summit até o dia 14, com programação voltada  somente para especialistas. 

Shcolnik estimulou os laboratórios a cumprirem sua missão de oferecer resultados rápidos, na hora oportuna e com menor custo, não se tratando de uma questão de quantidade, mas de qualidade. Ele comentou, ainda, que é imprescindível que a medicina diagnóstica consiga demonstrar seu valor para que as operadoras de Saúde não se mantenham resistentes à incorporação de novos procedimentos por entenderem representar apenas mais custos. 

“Temos, hoje, um modelo que remunera quem produz mais exames e isso tem um incentivo muito perverso, ou seja, não se trata do valor que o exame traz. Estamos sendo cobrados em relação a isso”, comenta. Segundo ele, essa realidade não considera a oferta de novos serviços como, além da telessaúde, a biópsia líquida, a inteligência artificial para reconhecimento de imagem, os drones para transporte de amostras, bem como novos materiais, como saliva para detecção de câncer.

“É perverso não tratar do valor que o exame traz e remunerar em quantidade sem qualidade”, pondera o presidente, lembrando que os laboratórios têm investido para que o paciente e o médico sejam apoiados por seus resultados. “Não podemos mais ser onerados com impostos”, complementa. Neste âmbito, Shcolnik citou a reforma tributária, que deve ser votada ainda neste semestre.

O monitoramento da qualidade foi estimulado pelo presidente. “Temos formas de monitoramento desde 2000, e existem produções de indicadores que podem ajudar os laboratórios a avaliar desempenho de colaboradores, descarte de insumos etc.” A implementação de novas tecnologias deve ajudar num ecossistema mais sustentável e menos oneroso. Shcolnik lembrou do sistema Loinc para a transmissão de dados. “Não adianta compilar não tendo padronização.” Ainda no contexto de um ecossistema eficaz, ele destacou a parceria público-privada para a formação de redes de cuidado por meio de aquisições como acontece atualmente, formando grandes empresas que oferecem centros de diagnóstico, oncológicos, oftalmológicos, entre outras especialidades. 

“As pessoas precisam fazer menos exames? Para diagnosticar as principais doenças que causam morte, precisamos nos relacionar com exames laboratoriais”, indaga. De acordo com ele, é necessário ter uma ideia do que acontece no país, das questões epidemiológicas, por exemplo, para demonstrar o valor de exames laboratoriais na prevenção de doenças e promoção da saúde.

Por meio de estudos britânicos apresentados, Shcolnik contradisse a perspectiva do público em geral de que se faz exames de forma exagerada e desnecessária. Sobre isso, ele explicou que os exames subsidiam 70% das resoluções médicas e devem ser feitos, porém, com monitoramento e assertividade. 

Ele citou, ainda, as principais causas de morte no país; entre elas estão, principalmente, doenças crônicas não transmissíveis, como doenças arteriais coronarianas, derrame cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de traqueia, brônquios e pulmões, infecção de baixo trato respiratório, diabetes mellitus, cardiopatia hipertensiva, mal de Alzheimer e outras demências e câncer de estômago. 

“O ritmo do desenvolvimento tecnológico está trazendo inovações sempre mais disruptivas, que vão mudar a nossa forma de trabalhar na medicina diagnóstica”, fala Tommaso Montemurno

No “Por que Abramed?” deste mês, o Country Manager da Bracco, parceira institucional da Associação, ressalta a importância da implantação de novas tecnologias e a sustentabilidade do sistema de Saúde

Algumas pautas estão em plena discussão no setor da medicina diagnóstica. Novas tecnologias, a possibilidade da desburocratização do fazer médico e da jornada do paciente e a preocupação com o usuário por meio de uma medicina que seja preventiva são temas correlatos e estão na pauta de palestras, congressos e, claro, da Bracco Imaging do Brasil, líder em diagnóstico por imagem.

A Abramed, como provedora de conteúdos relevantes para seus associados, entrevistou, este mês, o Country Manager da empresa, Tommaso Montemurno, conhecedor profundo dos temas que envolvem o setor. “O diagnóstico por imagem tem uma responsabilidade e um papel absolutamente relevante em um modelo que vai privilegiar os cuidados preventivos, disponibilizando tecnologia, competências e recursos para uma ampla parcela da população”, comentou.

A entrevista completa pode ser lida abaixo. “Por que Abramed” é publicado mensalmente em nosso site e em nossa newsletter “Abramed em Foco”.

Abramed em Foco: Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para o aprimoramento do setor?

Tommaso Montemurno: A Abramed tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento e aprimoramento do setor de medicina diagnóstica no país, dialogando com todos os atores da nossa cadeia de valor, promovendo a qualidade e a segurança dos serviços prestados, a integração e a colaboração entre as partes envolvidas, garantindo a implantação de políticas de regulamentação e tutela do setor e divulgando conhecimento e dados relevantes (e.g. Painel Abramed).

A atuação da Abramed vai ser fundamental para coordenar os esforços do setor no sentido de um desenvolvimento sustentável, que garanta o acesso de parcelas sempre maiores da nossa população a serviços de diagnóstico de qualidade e a uma medicina sempre mais personalizada, preventiva e eficaz.

Abramed em Foco: Num contexto em que a inteligência artificial está sendo usada de maneira mais ostensiva na Saúde, como na leitura de diagnósticos por imagem, de que modo a Bracco atua com tecnologias como inteligência artificial? Quais são as novidades?

Tommaso Montemurno: A inteligência artificial é uma ferramenta já amplamente usada no diagnóstico por imagem, mas ainda existem áreas não exploradas e um grande potencial para outras aplicações. Na Bracco, acreditamos nesse potencial e estamos investindo em três principais áreas de aplicação ligadas à eficácia diagnóstica e à eficiência no fluxo de processamento e na administração de contraste.

Primeiramente, estamos trabalhando, no core da nossa operação, em soluções que permitam aumentar a eficácia do processo diagnóstico, elaborando os dados extraídos nos procedimentos de imagem para aprimorar o resultado. Dados que, propriamente captados e analisados, podem guiar um diagnóstico mais eficaz e assertivo e a um desfecho mais rápido para o paciente.

Sob o ponto de vista da eficiência, acreditamos em soluções que otimizem o fluxo de processamento das imagens, reduzindo o tempo de aquisição e acelerando o processo de produção de laudos e relatórios. Isso, de um lado, melhora o tempo de resposta às necessidades dos nossos pacientes e, de outro, libera capacidade para atender outros pacientes e ampliar o acesso a um diagnóstico de qualidade.

Ainda na área da eficiência, buscamos soluções que otimizem o processo de administração dos meios de contraste, reduzindo o desperdício e potencializando o resultado diagnóstico. Numa época de escassez de recursos como a que temos vivido, a otimização do uso dos insumos traz benefícios para os prestadores de serviço e, mais uma vez, melhora o acesso aos pacientes.

Abramed em Foco: A pandemia de covid-19 acelerou o processo de transformação digital na saúde, como acabamos de falar da inteligência artificial. Anteriormente, os pacientes, colaboradores diversos e médicos não observavam o uso tão grande de ferramentas como telemedicina, chatbots, genômica. Qual é a importância de se implementar cada vez mais esses métodos na medicina diagnóstica?

Tommaso Montemurno: O uso das ferramentas digitais ao longo de toda a cadeia de valor de saúde é uma realidade que foi impulsionada pela pandemia, demonstrando que a tecnologia estava pronta para nos dar suporte e que uma mudança cultural era necessária para aproveitar ao máximo o potencial que poderia nos oferecer. O ritmo do desenvolvimento tecnológico está trazendo inovações sempre mais disruptivas, que vão mudar a nossa forma de trabalhar na medicina diagnóstica. Eu acredito que a mudança cultural acelerada pela pandemia já nos permite uma adoção consciente dessas ferramentas, melhorando a qualidade do processo diagnóstico e otimizando o uso dos recursos. As ferramentas digitais não irão substituir as modalidades tradicionais de atendimento, mas representarão um válido complemento para nos aproximar do paciente, suportando uma medicina mais humanizada e personalizada para as exigências específicas de cada indivíduo.

Abramed em Foco: Os avanços tecnológicos, o aumento do envelhecimento populacional e a crescente preocupação com a saúde e o bem-estar tendem a impulsionar o setor de medicina diagnóstica no Brasil e no mundo. Entre os desafios a serem superados, podemos considerar a existência de infraestrutura, recursos tecnológicos e humanos capacitados para lidar com o contínuo aumento da demanda. Também deverá ser solucionado o acesso a exames laboratoriais e de imagem, que têm trazido avanços, proporcionando o cuidado personalizado, gerando economia para o sistema de saúde e benefícios diretos aos pacientes. Como o senhor avalia essa afirmação?

Tommaso Montemurno: Acredito que o setor de medicina diagnóstica vai ter um papel ainda mais fundamental na gestão da Saúde dos próximos anos. O envelhecimento da população e uma maior sensibilidade e preocupação com saúde, que a experiência pandêmica acentuou, estão colocando sob pressão os sistemas de saúde e desafiando o uso eficiente dos recursos disponíveis. O foco está mudando de uma medicina curativa para uma medicina preventiva, capaz de melhorar a saúde de uma população cada vez mais idosa, minimizando os custos e melhorando os recursos a tratamentos mais invasivos e caros.

A mudança de foco chama a atenção sobre problemas ainda não resolvidos no nosso setor e traz novas preocupações quanto à capacidade desse sistema para atender de forma eficaz a uma demanda maior e mais exigente.

De um lado, temos uma oportunidade única para inovar, aumentando a relevância da nossa atuação no sistema de Saúde e aprimorando a qualidade do serviço e dos resultados diagnósticos para os nossos pacientes. Por outro lado, as inovações na medicina diagnóstica absorvem recursos financeiros e enfrentam desafios estruturais em termos de infraestrutura e capacitação dos profissionais do setor.

O principal desafio da nossa indústria nos próximos anos vai ser quebrar essas barreiras para adoção de soluções diagnósticas inovadoras, disponibilizando o acesso de toda a população a uma medicina preventiva mais personalizada. Todos os players do mercado têm uma responsabilidade fundamental nesse processo de desenvolvimento e é necessário atuarmos em conjunto para alavancarmos as competências disponíveis para efetivar essa transformação. Nesse cenário, instituições como a Abramed têm um papel fundamental no estímulo à transformação e na criação de um ambiente favorável para a cooperação produtiva de todos os atores do mercado.

Abramed em Foco: Qual é a situação da medicina diagnóstica no país em comparação ao mundo? O Brasil está no caminho certo? O que um país como o nosso, com problemas continentais, ainda deve fazer para promover Saúde? Como a Bracco enxerga a medicina diagnóstica no Brasil daqui 10 anos? O acesso a tecnologias ultramodernas deve estar acessíveis a mais brasileiros?

Tommaso Montemurno: O Brasil é um país complexo, onde convivem modelos de atendimentos diversos e diferentes níveis de desenvolvimento dos sistemas de Saúde. Temos um dos maiores sistemas de Saúde pública do mundo, com ilhas de absoluta excelência quanto a serviços e desenvolvimento tecnológico, que convivem com situações de atraso e carência de atendimento mínimo. Em paralelo, temos um sistema de Saúde suplementar com invejável nível de desenvolvimento tecnológico e qualitativo, mas acessível a uma parcela muito restrita da população.

Ambos os sistemas enfrentam os desafios típicos da medicina diagnóstica de alta complexidade, incluindo investimentos, custos, disponibilidade de profissionais qualificados e adequação das normas legais e regulatórias.

Para desenvolver a medicina diagnóstica, o Brasil vai ter que enfrentar desafios similares aos demais países desenvolvidos, com as complicações específicas de um país de dimensões continentais e com diferentes velocidades de desenvolvimento e de acesso.

O setor da indústria farmacêutica, em específico o de diagnóstico por imagem, tem uma responsabilidade e um papel absolutamente relevante em um modelo que vai privilegiar os cuidados preventivos, disponibilizando tecnologia, competências e recursos para uma ampla parcela da população.

A sustentabilidade desses modelos de desenvolvimento vai determinar o sucesso do nosso setor nos próximos anos. Já os atores da nossa cadeia de valor deverão buscar garantir que os sistemas de saúde sejam capazes de atender às necessidades das populações, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às próprias necessidades, com práticas que minimizem o desperdício, otimizem a eficiência e reduzam os impactos negativos sobre o meio ambiente e a sociedade.

Abramed em Foco: Qual é o trabalho de sustentabilidade da Bracco? Qual é a importância dele? 

Tommaso Montemurno: Sustentabilidade não é uma novidade na Bracco: faz mais de 28 anos que publicamos anualmente o nosso relatório de sustentabilidade, detalhando os esforços para maximizar o impacto no triple bottom line da nossa atividade: econômico, social e ambiental.

Na Bracco, entendemos que um mundo saudável tem que ser sustentável e que os nossos pacientes são importantes demais para tomar decisões com base em um quadro parcial. Por esse motivo, tentamos, desde sempre, ter uma visão holística do impacto da nossa atuação não só no nosso mercado, mas também nas comunidades e nas estruturas sociais nas quais atuamos.

Pessoas, inovação e planeta são os três pilares e as áreas de impacto definidas em nosso Relatório de Sustentabilidade 2022, enquadrado de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030.

O pilar “Pessoas” expressa nosso compromisso com pacientes, profissionais de saúde, colaboradores e comunidades em que atuamos. Sempre comprometidos em valorizar as pessoas e proteger sua individualidade dentro e fora da empresa, estabelecemos objetivos desafiadores para salvaguardar e promover a diversidade, com inclusão de gênero e idade.

O pilar “Inovação” tem a ver com o nosso compromisso de desenvolver produtos e serviços de alta qualidade que melhorem a vida das pessoas e a segurança do paciente, assim como iniciativas educacionais inovadoras para promover temas STEM (science, technology, engineering and mathematics) entre os jovens.

Nosso pilar “Planeta” incorpora o respeito e a proteção aos recursos naturais, com ênfase específica na economia circular e na minimização do impacto ambiental. Estamos investindo nas melhores tecnologias disponíveis, tornando o uso de energia mais eficiente, reduzindo emissões e geração de resíduos, promovendo e consolidando práticas sustentáveis ​​e responsáveis ​​em toda a cadeia de valor. Além disso, estamos comprometidos com o objetivo de nos tornarmos carbon neutral até 2030.

Combate à Meningite: o exame do Líquor e os exames moleculares merecem destaque para diagnósticos precisos

Endêmica no país, atualmente a doença pode ser diagnosticada e tratada com precisão; vacinas também estão disponíveis nos laboratórios privados para público ampliado

A data de 24 de abril é marcada como o Dia Mundial de Combate à Meningite. Ela faz alusão à prevenção e ao diagnóstico dessa doença endêmica no Brasil, que pode ser fatal. Pela característica altamente transmissível, as vacinas são recomendadas e, no primeiro sinal de sintomas, é imprescindível realizar exames diagnósticos para evitar sequelas ou morte. São eles: exame Quimiocitológico do Líquor; Bacterioscopia Direta; Cultura de Bactérias; e Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (PCR).

Segundo o Dr. Carlos Senne, presidente do Senne Liquor Diagnóstico, laboratório associado da Abramed, o exame de líquor (LCR) é o mais recomendado para identificar a presença de meningite e também para definir o agente etiológico. “O diagnóstico diferencial entre as meningites virais e bacterianas inicia-se a partir da análise citológica e bioquímica do LCR. Como complemento, o diagnóstico microbiológico convencional, que inclui métodos de coloração (GRAM) e as culturas em placas de ágar, ainda são de grande importância nas meningites bacterianas”, declara.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2021, foram registrados quase 7 mil casos, que ocasionaram 793 óbitos. Um ano antes, um grande surto atingiu a cidade de São Paulo. No mundo, a meningite afeta mais de 2,8 milhões de pessoas a cada ano. A doença existe nas formas viral e bacteriana, as quais podem provocar inflamação no cérebro e na medula espinhal. Para as crianças menores de um ano de idade, a orientação é observar a presença de inchaço na moleira e choro persistente.

Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, náuseas e vômitos e febre. Em casos mais graves, podem levar a perda da consciência e convulsões. As meningites virais costumam ser mais leves – atingem crianças na maioria dos casos e têm grande potencial de causar surtos. Já as meningites bacterianas são mais graves e devem ser tratadas imediatamente, para evitar sequelas ou morte.

Por ter características distintas, o exame laboratorial da doença deve ser preciso para recomendação do melhor tratamento. Outro exame de destaque, segundo o médico, são os exames moleculares, por serem capazes de identificar o agente etiológico. Algumas metodologias moleculares envolvem técnica rápida e inovadora, podendo ser liberadas em poucas horas. “Foi um grande avanço”, afirma. Ainda segundo ele, a inteligência artificial (IA) pode permitir a integração de várias plataformas e abordagens para apoiar a tomada de decisões clínicas, uma vez que possibilita explorar vários fluxos de dados, incluindo, entre outros, informações laboratoriais, clínicas e radiológicas para fornecer aos médicos resultados preditivos e acionáveis. “Assim, temos grande potencial de contribuir no diagnóstico e na condução dos casos de meningite.”

Ainda segundo o Dr. Senne, durante datas alusivas, as pessoas tendem a se informar mais, e o número de exames solicitados pelos médicos aumenta. Embasando 70% das decisões médicas, os exames diagnósticos são indispensáveis para a garantia da saúde global. Tendo a doença diagnosticada, 20% podem ficar com sequelas, como amputação de um membro, surdez, cegueira ou outras complicações neurológicas. Mas 80% se curam.

As vacinas são consideradas a melhor forma de prevenção contra a doença e, na rede privada, elas atendem a todos os sorotipos por meio da administração da conjugada quadrivalente ACWY. São três doses até 1 ano de idade, dependendo da marca da fabricante. Também é recomendado um reforço entre os 5 e 6 anos e outra dose aos 11 anos. Pode ainda ser aplicada em adultos, em idosos e pessoas imunocomprometidas, ampliando o reforço do sistema público.

Uma vez que as coberturas vacinais estão em queda, a rede suplementar, por meio de distribuição particular, para empresas e subgrupos mais abrangentes, consegue auxiliar no atingimento da meta de 95% de cobertura e nas campanhas sazonais.

Abramed discute sustentabilidade da saúde suplementar em evento da Amcham

Presidente do Conselho de Administração mostrou a pertinência da medicina diagnóstica no contexto da Saúde suplementar e do acesso à Saúde

No último dia 30 de março, a Abramed esteve na Reunião Especial Amcham & Mattos Filho para discutir questões das indústrias Life Science e Saúde com foco nas atualizações regulatórias mais recentes. Em uma discussão multisetorial dentro da indústria da Saúde, problematizaram-se os rumos do setor nos próximos quatro anos e as questões que envolvem o acesso por meio da união entre público e privado e regulação. Representando a instituição no debate, estava o presidente do Conselho de Administração, Wilson Shcolnik. Os associados da Abramed são responsáveis por 60% de todos os exames diagnósticos da Saúde suplementar do país, despontando, assim, como um importante pilar do setor, que oferece mais de 4 mil tipos de exames atualmente.

Shcolnik comentou que a chegada de uma nova gestão governamental especializada anima o setor da Saúde, uma vez que os temas anunciados atendem aos interesses corporativos e da população. “Foi anunciado, por exemplo, o interesse em acelerar a atenção primária e empoderar a telessaúde, que é esperada como uma forma de levar eficiência a todo sistema, tanto público quanto privado.” Segundo ele, a pandemia deu a oportunidade de utilizar de forma mais ostensiva esses mecanismos tecnológicos e remotos e espera que as decisões regulatórias sirvam para a manutenção desse avanço.

Gustavo Swenson Caetano, sócio do escritório Mattos Filho, que patrocinou o evento, concorda que a pandemia acelerou assuntos até então parados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com relação à regulação. As atualizações das normas da agência rumo ao avanço tecnológico também foram destacadas. “Vemos uma tentativa de alinhamento de padrões internacionais para otimizar o trabalho regulatório”. Ainda de acordo com o advogado, a telemedicina foi um importante marco de implementação e regulação. “Precisamos buscar modelos de parceria saudáveis em termos financeiros que tenham segurança jurídica.”

Exaltando a parceria entre público e privado, Shcolnik ainda revelou que na pandemia foi preciso observar essa intersecção. Citando mais um anúncio do atual governo, ele fala que o complexo econômico-industrial da saúde é um destaque. “Sofremos muito na pandemia, pois não tínhamos reagentes para diagnosticar covid-19.” De acordo com ele, é muito importante o diagnóstico precoce, além da promoção e prevenção. “Isso alivia qualquer sistema de saúde de custos de agravamento de doenças.” O presidente do Conselho de Administração da Abramed relembrou que os associados da instituição são responsáveis por 60% dos diagnósticos privados no Brasil e complementou: “30% dos 2 bilhões de exames realizados no país são feitos por nossos associados – exames de laboratório e imagem”.

Nesse contexto, ele comentou que a Anvisa realiza diálogos abertos para a regulação, elogiando a Agência: “A norma de realização de exames fora de laboratório, que está em discussão, pode impactar a saúde do paciente”. Realizar exame dentro de clínicas adequando-a como posto de coleta laboratorial apresenta menos risco para o paciente, uma vez que cuidados pre-analiticos são essenciais para obtenção de um resultado de exameconfiável. “Se a agência não atuar para mudar essa perspectiva, haverá insegurança para a população.” 

Integrar setor público e privado é fundamental para promover acesso à saúde

Sobre as perspectivas para os próximos quatro anos e as pautas que devem ser destacadas nesse período, Fernando Iazzetta, head of Legal, Compliance & Government Affairs da Chiesi, também contribuiu dizendo que a Saúde deve ser prioridade em qualquer política de Estado. “Essa questão, em um país continental, é um dever de todos nós, inclusive da indústria.” O head destacou a criação de uma agenda para o uso das tecnologias e de digitalização e o aprimoramento de dados para criar recursos, inclusive chamando a esfera pública para esse desafio. “Como conseguimos reunir toda essa inteligência e esses dados incluindo todos os stakeholders e propor uma estratégia de alocação mais efetiva?”, indagou no contexto de valor agregado de cada produto, como os farmacêuticos.

Ainda segundo ele, é necessário integrar o setor público e o privado para promover acesso às regiões mais distantes e carentes de recursos. “Temos responsabilidade de, além de vender o medicamento, construir a Saúde da forma que ela merece.” Ponderou-se ainda, durante o debate, as questões orçamentárias que influenciam as propostas, uma vez que existem empresas com nível de endividamento grande, inclusive para promover crescimento, o que atrasaria as discussões econômicas, as discussões do setor da Saúde.

Leandro Fonseca, head of Public Affairs and Healthcare System Sustainability da Novartis, complementa a problematização dizendo que há uma grande busca por saúde suplementar e isso precisa ser observado pelo novo governo, além das questões econômicas. Mas tem uma visão otimista: “Há uma perspectiva de discussões para essa demanda no Planalto.”

Shcolnik aproveitou a chance e chamou a atenção para os obstáculos que podem interferir no acesso. Um deles é a proposta de aumento do piso salarial da enfermagem:“Esse assunto da enfermagem está em linha com o acesso. Quem está inserido na Saúde suplementar pode inviabilizar operações levando a aumento de custos e migração da população para o SUS e esse contingente não é esperado”. No mesmo contexto econômico, a reforma tributária deve ser neutra para o presidente: a exemplo do que ocorre em outros países, a Saúde e a educação devem ser tratadas de forma diferenciada.

Ele ainda se pronunciou sobre a Lei 14.454/22, que “dispõe sobre os planos privados de assistência à saúde, para estabelecer critérios que permitam a cobertura de exames ou tratamentos de saúde que não estão incluídos no rol de procedimentos e eventos em saúde suplementar”. “Temos uma posição não corporativista e nos posicionamos de forma contrária.” Segundo ele, a lei coloca em risco a sustentabilidade do setor. E destaca que a Lei 1.303/22, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde para tornar obrigatória a existência de contratos escritos entre as operadoras e seus prestadores de serviços, regulamentada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não apresentou efetividade. “Isso afeta a qualidade dos serviços oferecidos ao usuário final.”

Ana Cândida Sammarco, sócia da Mattos Filho, destacou a importância da saúde suplementar dentro do ecossistema, mas ponderou o processo de judicialização. “Tivemos aumento no número de beneficiários, mas temos número muito alto de processos”, declara. Segundo ela, a cobertura extra no rol impactou significativamente o setor. Marcos Paulo Novais, superintendente executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), receia que perderemos um ano discutindo economia “e teremos dificuldade de colocar nossas pautas prioritárias nesse momento”.

A Amcham é uma Câmara Americana que integra todo o país disponibilizando conteúdos e networking qualificado para diversos segmentos com foco no setor privado. As datas de todos os eventos podem ser consultadas no site www.amcham.com.br.

*Créditos da imagem: Mario Miranda, Fotógrafo Amcham.

Inteligência artificial: o futuro da saúde passa pela medicina diagnóstica

A tecnologia tem potencial de revolucionar o tratamento de doenças crônicas, permitindo um monitoramento contínuo e personalizado; o papel do médico e a regulamentação são pontos de atenção

A medicina tem utilizado cada vez mais recursos tecnológicos para atingir seus objetivos: promoção de bem-estar, prevenção e aumentar as chances de cura de doenças. O setor diagnóstico desponta como uma das áreas que mais têm se beneficiado com a nova realidade. Ferramentas como inteligência artificial (IA) são capazes de, por meio de algoritmos programados, fazer uma varredura rápida e assertiva sobre os melhores exames a serem ofertados em determinadas situações e ler com precisão os resultados. As ferramentas de comunicação remotas também são utilizadas para promover acesso à saúde.

Embasando 70% das decisões médicas, os exames diagnósticos são indispensáveis para a garantia da saúde global e cumprem papel fundamental nas ações de prevenção e detecção precoce de doenças. Para Ademar Paes Junior, médico radiologista, membro do Conselho de Administração da Abramed, presidente da Associação Catarinense de Medicina e sócio da Clínica Imagem e CEO LifesHub Inteligência em Saúde, o destaque vai para o uso da IA na patologia. “Sistemas como o Paige.AI identificam padrões em amostras de tecido que podem ser indicativos de câncer ou outras doenças”, declara.

Segundo o médico, sensores, wearables e implantes podem monitorar a saúde do paciente em tempo real e fornecer dados valiosos para médicos e pesquisadores e têm o potencial de revolucionar o tratamento de doenças crônicas como diabetes e doenças cardíacas, permitindo um monitoramento personalizado. Predisposição a doenças hereditárias também podem ser identificadas e prevenidas por meio de IA.

Paes Junior ainda traz outra inovação para o debate. “O projeto do Google DeepMind desenvolveu uma IA capaz de diagnosticar doenças oculares com precisão similar a especialistas humanos”, comenta.

No caso de exames por imagem, como ressonância magnética, tomografia computadorizada e radiografias, os benefícios das novas tecnologias também são múltiplos. “O resultado dessa digitalização vai do auxílio para diagnóstico aos médicos radiologistas e patologistas até a seleção da melhor conduta clínica”, explica Gustavo Meirelles, médico radiologista e líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed. Atualmente, uma imagem já pode ser lida por um software que consegue detectar padrões e ajuda o médico em diagnósticos.

 “Esses avanços estão em implantação principalmente nos grandes centros, com uma tendência de acontecer em seguida em clínicas menores”, avalia Meirelles. A aplicação de tecnologia nos serviços garante, ainda, o acompanhamento da jornada do paciente, por meio de interoperabilidade de dados que, inclusive, mostra situações de saúde para tomada de decisão e aplicação de novas políticas.

Entendendo que alguns recursos ainda são pouco acessíveis financeiramente, Paes Junior avalia que “à medida que a adoção dessas tecnologias aumenta e os custos associados caem, elas se tornam mais acessíveis para hospitais, clínicas e outros estabelecimentos públicos”. Segundo ele, os governos se beneficiam do uso da IA na medicina diagnóstica, pois tende a diminuir a demanda por tratamentos caros e prolongados, o que pode aliviar a pressão sobre os sistemas.

Meirelles também acredita que o SUS deverá ter mais acesso a tecnologias de última geração: “Novos auxílios levarão a IA para o setor público; não há inovação realmente transformadora e disruptiva que não passe pelo auxílio à esfera pública de saúde”. Ele comenta, ainda, que os chatbots poderão ser provedores de grandes mudanças no atendimento. Esses dispositivos simulam conversas e podem melhorar o acesso à saúde, além de promover agilidade na interação com o paciente.

Ele ainda exalta, no mesmo contexto, a telessaúde, que tem se tornado cada vez mais popular. “Essa combinação de IA e telemedicina tem o potencial de levar o atendimento médico a áreas remotas e melhorar o acesso aos cuidados de saúde para pessoas em todo o mundo”, comenta. A telessaúde foi muito usada durante a pandemia e ganhou espaço na oferta de saúde, assim como o uso de tecnologias modernas, que aceleram a tomada de decisão, como em momentos de crise sanitária. Porém, o acesso universal depende da oferta de internet de qualidade, inclusive para acessar prontuários remotamente.

O líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed defende que a IA trabalhe como aliada do médico, permitindo maior precisão diagnóstica “e evitando que o profissional perca tempo com tarefas repetitivas que podem ser automatizadas, oferecendo mais espaço para a interação com os pacientes”. Nesse sentido, diferentemente do que se pode imaginar, a IA proporciona mais possibilidades de humanização e menos burocracia para o profissional.

Segundo informações da AllScripts divulgadas pela Health IT & CIO Report, disponibilizadas pelo radiologista, os profissionais de saúde passam metade de seus dias inserindo dados em prontuários eletrônicos e conduzindo trabalhos administrativos, reduzindo o contato com os pacientes a apenas 27% de sua rotina diária. “Além disso, as atividades exaustivas provocadas pela fusão de trabalho administrativo e médico influenciam no absenteísmo por burnout”, afirma.

Ele ainda destaca outro ponto de atenção: a apreensão dos profissionais quanto aos seus empregos. “Os médicos não precisam se preocupar quanto à manutenção de suas funções nas clínicas e nos hospitais, uma vez que as tecnologias devem passar pelo crivo de um profissional, sendo elas uma forma de leitura ou revisão para aprimorar o trabalho humano e não extingui-lo.” Mas ele pondera que serão necessários investimentos para capacitar a prestação de serviços de saúde pública e privada. “Houve um medo muito grande no início, mas a IA está sendo bem aceita, inclusive pela população.”

IA sob ameaça

Em março deste ano, diversas autoridades internacionais no setor de tecnologia, entre outras personalidades, emitiram carta aberta ao mundo alertando sobre o uso da IA. Segundo o documento, é preciso regular e democratizar a tecnologia para evitar danos como a disseminação de informações equivocadas e o mau uso dos dados coletados. “Estamos em momento de regulamentação, discutindo isso neste momento”, afirma Meirelles.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já falava sobre a temática em 2021. Segundo o relatório Ethics and governance of artificial intelligence for health (Ética e governança da inteligência artificial para a saúde, em tradução livre) da entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), é preciso garantir alguns princípios para a regulamentação e governança da IA: proteger a autonomia humana; promover o bem-estar, a segurança e o interesse público; garantir transparência, explicabilidade e inteligibilidade; promover responsabilidade e prestação de contas; garantir inclusão e equidade e promover inteligência artificial que seja responsiva e sustentável.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados é usada para garantir a proteção de dados do paciente e a tranquilidade para a exposição de seus diagnósticos. O Projeto de Lei 21/20 cria o marco legal do desenvolvimento e uso da IA pelo poder público, por empresas, entidades diversas e pessoas físicas. O texto, em tramitação na Câmara dos Deputados, estabelece princípios, direitos, deveres e instrumentos de governança para a IA a fim de que se garantam os direitos humanos e os valores democráticos.

Na Abramed, os comitês discutem todas as questões que envolvem a proteção do paciente e as difundem entre seus associados. Resguardados esses princípios, as tecnologias tendem a se consolidar, como está acontecendo na saúde, uma vez que proporcionam benefícios múltiplos.

Em reunião mensal de associados, lideranças debatem os desafios do setor de saúde para 2023

Encontro teve palestra com Henrique Neves, CEO do Hospital Israelita Albert Einstein, seguido por debate com a participação de Jeane Tsutsui e Lídia Abdala, respectivamente CEOs do Grupo Fleury e Grupo Sabin

A Reunião Mensal de Associados (RMA) da Abramed aconteceu presencialmente no Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, no dia 3 de março, e representou um momento especial para a área de medicina diagnóstica, integrando lideranças do setor em torno de um debate sobre os desafios que serão enfrentados em 2023. 

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, revelou que as algumas reuniões mensais de associados serão agora realizadas em um modelo diferenciado. “Este evento inaugurou um ciclo de reuniões exclusivamente presenciais, com a presença de palestrantes e líderes da área, discutindo temáticas importantes para o desenvolvimento do setor.”, explicou.

Neste encontro, o convidado para palestrar foi Henrique Neves, CEO do Hospital Israelita Albert Einstein, liderança de grande destaque no setor. Ele iniciou sua fala afirmando que, após a pandemia, o mercado privado passou por uma mudança estrutural, desencadeando um desequilíbrio entre o financiamento e a demanda. “Precisamos olhar para o cenário que se avizinha, mas é complexo prever. Nosso problema de curto prazo é capacidade para atender à demanda”, disse.

O comentário de Neves destacou o desafio importante enfrentado pelo sistema de saúde no Brasil, que é a ênfase na produção de volume em detrimento da qualidade e da sustentabilidade da cadeia de cuidados. De fato, essa abordagem pode resultar em custos elevados e, em última análise, pode não garantir melhores resultados de saúde para a população.

Para enfrentar esse desafio, é necessário adotar uma abordagem mais ampla e estratégica. Isso envolve a adoção de uma visão de longo prazo, que priorize a sustentabilidade e a eficácia do sistema de saúde, em vez de apenas a produção de volume.

“Precisamos entender como as operadoras de saúde funcionam. Sua saúde financeira deve ser objeto de nossa preocupação. O setor necessita lançar iniciativas para mitigar os altos custos, e o compartilhamento de informação pode ser relevante nesse ponto”, frisou.

O CEO do Hospital Israelita Albert Einstein falou, ainda, sobre os benefícios da telemedicina como forma de expandir o acesso do paciente ao atendimento de saúde e reduzir custos para todo o sistema. Ele comentou que a medicina de precisão e a terapia celular são duas áreas com potencial de revolucionar o setor. Ambas avançam rapidamente e já estão sendo utilizadas em alguns tratamentos. Por exemplo, a terapia celular foi aprovada para o tratamento de certos tipos de câncer, e a medicina de precisão está sendo utilizada para ajudar no diagnóstico e tratamento de doenças como o câncer de mama e a fibrose cística.

À medida que essas tecnologias continuam a se desenvolver, é provável que tenham um impacto crescente no setor de saúde, oferecendo novas opções de tratamento e melhorando os resultados para os pacientes. “De um lado, olhamos para o que já praticamos, tentando fazer diferente e, ao mesmo tempo, olhamos para as novas tecnologias, pensando em como incorporá-las, focando em custo-benefício.”

Segundo Neves, 2023 não será um ano fácil, talvez o mais desafiador dos últimos três anos, pois será necessário lidar com o aumento da demanda, que se mantém elevada. “Percebemos que nossa capacidade está prestes a se esgotar em alguns locais. Precisamos pensar em expansões, sem saber como será a demanda ou o financiamento de saúde no futuro.”

Neves disse que é extremamente importante discutir o setor de saúde com todos os stakeholders envolvidos, incluindo pacientes, médicos, enfermeiros, administradores hospitalares, governos, organizações não governamentais e empresas de tecnologia médica, entre outros. Cada um desses grupos possui uma perspectiva única e valiosa sobre o setor, e é necessário considerar todas elas para garantir que as decisões tomadas sejam justas e eficazes. Ele também ressaltou a importância da integração entre os setores público e privado: “Há muito a ser feito”, finaliza.

Eliézer Silva, diretor do Sistema de Saúde Einstein, deu sequência ao evento moderando um debate, com participação de Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury, e Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin, além de Neves.

Para Jeane, a busca pela sustentabilidade do sistema de saúde é fundamental para garantir que ele continue funcionando de forma eficaz e acessível para toda a população. Isso significa que todos os stakeholders, incluindo governos, prestadores de serviços de saúde, pacientes e empresas de tecnologia médica, devem trabalhar juntos para encontrar soluções que garantam que o sistema seja financeiramente viável a longo prazo. “Temos ainda um desafio grande pela frente como sociedade, que é a formação de qualidade dos profissionais de saúde. Grande parte das pessoas que estão aqui também trabalha com educação médica, e é importante que levemos aos profissionais informações corretas, indicando exames que devem e não devem ser pedidos, com base em algoritmos”, disse.

Jeane reforçou ainda que assim como há o overuse, também há o problema do underuse, ou seja, de um lado está o indivíduo que faz demais sem precisar, e de outro aquele que deveria fazer e não está fazendo. “A adequação dos recursos é fundamental, e nós que atuamos no setor temos um trabalho importante de educação com o paciente e, principalmente, com o médico”, expôs.

A CEO do Grupo Fleury também levantou a questão da inovação, não apenas em termos de tecnologia avançada, mas também na criação de novos modelos de negócio que aumentem a produtividade e tragam benefícios significativos para o paciente – que deve ser o foco principal. “É por meio da inovação que conseguiremos desenvolver outras soluções. Precisamos priorizar o que realmente traz benefício real para o paciente, o médico e o sistema”, salientou Jeane.

Por sua vez, Lídia comentou que passamos várias vezes por momentos difíceis, mas sempre encontramos um caminho. “Não podemos perder a capacidade de sermos resilientes e continuar olhando para frente. O ponto principal é sempre seguir as boas práticas. Se há um pilar que a Abramed conseguiu conquistar em seus mais de 10 anos de atividade é a credibilidade no setor de saúde. Credibilidade às custas do trabalho contínuo, de discussões sempre proativas, transparentes, muitas vezes difíceis, mas sempre movidas pela vontade de fazer um setor melhor e mais saudável”, salientou a CEO do Grupo Sabin.

Lídia também destacou que, em qualquer setor, se o foco se mantiver na entrega do melhor serviço e em oferecer a melhor experiência para o cliente, sem dúvida será possível vencer parte dos desafios.

Saúde mental

O tema da saúde mental também foi foco no debate. Eliézer enfatizou os desafios enfrentados na área de recursos humanos, observando que muitos profissionais estão exaustos ou precisam de treinamento adicional. Ele citou estatísticas do Reino Unido e da Alemanha, mostrando que entre 20% e 25% dos médicos gostariam de deixar suas carreiras devido à falta de perspectivas a longo prazo, deficiências na educação médica e baixos salários. “Essa questão não é nova e a pandemia só agravou o problema, deixando as pessoas ainda mais cansadas e frustradas com seu trabalho, o que gera uma grande carga emocional, aumentado a necessidade de cuidados com a saúde mental”, disse.

Questionários de saúde desenvolvidos pelo Grupo Fleury mostraram o aumento do percentual de pessoas que relatam depressão e ansiedade. Jeane lembrou que as mulheres apresentam uma prevalência maior de problemas relacionados à saúde mental. Para enfrentar essa questão, a empresa implementou ações que oferecem apoio psicológico e psiquiátrico no próprio grupo. Além do diagnóstico, é fundamental implementar medidas que trabalhem o tema.

É importante lembrar que existem três aspectos da saúde: física, mental e os determinantes sociais de doença. Além do diagnóstico e suporte, é essencial abordar a questão do propósito nas organizações. “Nesse ponto, a vantagem da área de saúde é já ter um propósito claro: cuidar das pessoas. Essa conexão com o cuidado ajuda a manter as pessoas motivadas e engajadas em sua missão. Embora não seja uma solução simples, esse é um campo de atuação para empresas que prestam serviços na área de saúde. É fundamental levar a mensagem de que é preciso equilibrar os cuidados com o corpo e com a mente para uma vida saudável”, frisou Jeane.

Lídia comentou que a nova geração tem uma perspectiva diferente em relação à vida e ao trabalho em comparação às gerações passadas. Eles valorizam mais as experiências do que os bens materiais e o salário. “É importante entender que essas pessoas buscam um propósito em seu trabalho, algo que os motive e faça com que queiram continuar em suas posições. Oportunidades de crescimento profissional e um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e profissional são fatores cruciais para mantê-las engajadas. A remuneração e o salário ficam mais abaixo na lista de prioridades”, disse.

Lançamento Abramed

Durante o encontro, foi entregue o Relatório Anual de Atividades 2022, que traz as principais realizações e conquistas da entidade no ano, com os temas que ganharam destaque, o desempenho dos comitês em prol de melhorias para o setor, o que foi pauta na imprensa, a participação em eventos, além das parcerias firmadas com o governo e outras entidades.

“Entendo que o Relatório Anual de Atividades 2022 apresentado durante o encontro é uma importante ferramenta para avaliar o desempenho da entidade ao longo do ano e traçar estratégias para o futuro, atuando também como uma forma de demonstrar transparência e prestar contas aos nossos associados, bem como ressaltar as conquistas obtidas pela entidade”, comemora Milva. O documento está disponível para download neste link.

Para a diretora da Abramed, a Reunião Mensal dos Associados foi um evento inspirador, congregando o setor em torno de um debate extremamente valioso para a cadeia da saúde. “A palestra principal, ao trazer uma visão substanciosa sobre os desafios enfrentados pelo setor de saúde, deve ter proporcionado uma reflexão profunda sobre os problemas que precisam ser enfrentados e as soluções que podem ser adotadas. Além disso, o debate com líderes do setor permitiu a troca de experiências e o compartilhamento de ideias e soluções, enriquecendo ainda mais o encontro”, comentou.

“O fato de a Abramed promover eventos como esse demonstra seu compromisso em contribuir para a integração do setor e para a busca por soluções sustentáveis”, finalizou Milva.

Compliance e governança corporativa têm papel crucial na construção de uma cultura empresarial ética

Para aplicação de boas práticas no setor, a Abramed conta com um Código de Conduta, responsável por disciplinar todas as interações institucionais

Como referência importante para o segmento de saúde, a Abramed tem papel fundamental em fomentar políticas de integridade seguindo pilares éticos. Em 2017, a entidade introduziu medidas significativas para reforçar sua postura, incluindo a implementação do código de conduta, da política de conformidade e do canal de denúncias.

O código de conduta é fundamentado nos princípios de ética, foco no paciente, integridade, transparência, confiabilidade, livre concorrência e sustentabilidade. Esse documento é indispensável em qualquer instituição, independente do segmento, pois seu papel é direcionar os principais valores da organização.

“Para a Abramed, os efeitos e impactos do código de conduta são ainda mais amplos, considerando que a entidade possui a função de congregar várias empresas associadas, sendo uma referência, mesmo no cenário em que cada uma possua sua cultura, estrutura, valores e nível de conhecimento”, explica Jair Rezini, diretor de Controles Internos, Compliance, Riscos e Auditoria Interna do Grupo Pardini e líder do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) da Abramed.

“Buscamos com a publicação do Código de Consuta, usar uma linguagem mais acessível, menos técnica, sem deixar de lado os valores e princípios da entidade. A ideia é que esses valores possam ser utilizados não apenas pelos associados, mas também por todo o setor de medicina diagnóstica, orientando as empresas a criarem seu próprio código de conduta”, finaliza Rezini.

Representatividade

O Comitê de GEC é responsável por abordar assuntos importantes que, muitas vezes, representam dores para as empresas associadas. Nesse colegiado, são discutidas ideias e sugestões sobre diversos temas relevantes, tais como gerenciamento de riscos. O grupo foi responsável pela criação da Cartilha de Compliance, lançada em 2019, um material didático para auxiliar não só os associados, mas qualquer empresa, na criação de programas de integridade. “Quando necessário, geramos documentos, relatórios e notícias que são divulgados para todas as associadas e, muitas vezes, disponibilizados no site para que pessoas interessadas possam consultar e conhecer nosso posicionamento sobre determinado tema”, descreve Rezini.

Embora grandes corporações e multinacionais já possuam cultura de integridade e ética consolidada, existe uma parcela expressiva, composta na sua maioria por empresas de pequeno e médio porte, que ainda têm um longo caminho a percorrer no que se refere ao estabelecimento e à disseminação das práticas e diretrizes de governança e compliance.

“É fundamental que a associação se posicione claramente como defensora de questões éticas, de integridade e de responsabilidade ESG (ambiental, social e de governança), incluindo diversidade e inclusão”, salienta Rezini.

Na prática, o compliance

Compliance é muito mais do que seguir normas e regras. Trata-se de um programa abrangente de governança corporativa que envolve respeitar princípios legais, Normas e Políticas Internas, princípios e valores de ética e integridade, com tratamento justo a todos.

Toda e qualquer empresa que se compromete em estabelecer um programa de governança e compliance efetivo deve demonstrar que de fato pratica o que é descrito e proposto em seus normativos internos, essencialmente no código de conduta, mantendo coerência entre o discurso e a prática. Cabe ressaltar que se trata de um trabalho contínuo que conta com o envolvimento de pessoas, por isso, é imprescindível haver treinamentos, divulgações, orientações e incentivos por parte da empresa.

Segundo a “Teoria dos 10-80-10” ou “Teoria dos Três Grupos”, frequentemente citada em estudos sobre liderança, psicologia social e comportamento humano, as pessoas podem ser separadas em três grupos: aproximadamente 10% são absolutamente íntegras, corretas e nunca se desviam dos seus valores; outros 10% aproximadamente estão no outro extremo, planejando como vão se dar bem no dia seguinte, e com um forte poder de influenciar os 80% restantes. Segundo Rezini, o desafio é identificar e eliminar essa parcela de pessoas que se desviam do propósito da integridade e da ética e manter uma influência positiva.

Além disso, ele lembra que a diversidade e a inclusão devem ser vistas com atenção e efetividade. A inclusão é fundamental para garantir que as pessoas de diferentes origens, gêneros, orientações sexuais, etnias, entre outras, sejam devidamente respeitadas e valorizadas dentro da organização. É uma questão de justiça e de respeito aos direitos humanos, além de ser um diferencial para as empresas que se beneficiam da pluralidade e da diversidade, resultando em uma organização mais inovadora e sustentável. “Um dos desafios é garantir que haja efetivamente a inclusão dos grupos memorizados”, destaca.

Em resumo, o compliance e a governança corporativa têm um papel crucial na construção e na manutenção de uma cultura empresarial ética, que valorize a integridade, o respeito, a diversidade e a inclusão. É um trabalho contínuo, que requer o comprometimento de toda a organização, e que traz benefícios a todos os envolvidos: empresa, administradores, colaboradores e sociedade.

Clique aqui para acessar o código de conduta da Abramed

Clique aqui para acessar a Cartilha de Compliance da Abramed

FILIS 2023 discute a importância da integração para o futuro da saúde no Brasil

A 7ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde acontecerá em 31 de agosto, no formato presencial, no Teatro B32, em São Paulo

A 7ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) está confirmada para acontecer no dia 31 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo, capital. Organizado pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), o evento tem como objetivo fomentar o debate e a troca de experiências sobre as melhores práticas e soluções inovadoras em gestão e tecnologia na área da saúde. Além disso, busca promover a interação entre líderes da área, oferecendo um ambiente propício para a geração de novas ideias e parcerias.

O FILIS conta com algumas novidades este ano. O fórum, que retoma seu formato 100% presencial, trará o “Momento Transformação”, com a apresentação de cases nacionais e internacionais sobre inovações na área da saúde. Além disso, o “Leaders Connection” será um período de parada na programação, direcionado ao relacionamento e troca entre os participantes do evento.

“A Abramed mantém seu compromisso na realização de um evento que é uma referência para o setor da saúde, com um programa diferenciado e que trará novidades nesta sétima edição”, diz Milva Pagano, diretora executiva da entidade.

O macrotema deste ano, que permeará toda a programação, é “Saúde Integrada: um caminho para o futuro”, destacando a importância da integração como principal direção para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde, aumento de eficiência e redução dos custos, colaborando, especialmente, para a jornada do paciente e a sustentabilidade de todo o ecossistema de saúde.

O primeiro debate sobre “Valor da Medicina Diagnóstica para Integração da Saúde”, abordará a integração das especialidades da medicina diagnóstica, o que traz eficiência e ganhos para o setor. Quando as diferentes especialidades trabalham em conjunto, é possível oferecer um diagnóstico mais preciso e completo, evitando a realização de exames desnecessários e reduzindo os custos do sistema de saúde. A integração também permite um melhor gerenciamento de recursos, otimizando o tempo dos profissionais e o uso de equipamentos.

O segundo debate tratará de “Avanços e efetividade para a Gestão da Saúde”, destacando coordenação do cuidado; transformação do comportamento do paciente; predição e analytics para gestão do cuidado; e cases práticos, mostrando a realidade dos mecanismos que já são utilizados. “A gestão da saúde se tornou um desafio cada vez maior, exigindo novas abordagens e tecnologias para garantir a efetividade do cuidado ao paciente. Então, este debate é uma forma de mostrar como as soluções estão funcionando na prática. Esses exemplos podem inspirar outras instituições a adotar soluções semelhantes e aprimorar os próprios sistemas”, ressalta Milva Pagano.

O terceiro e último debate traz o tema “Novas tecnologias e seus impactos na Saúde: O que esperar do futuro?”. A discussão incluirá o impacto da inovação no dia a dia da saúde; as melhorias na prática médica; e a visão de futuro.

A programação conta ainda com palestras internacionais que trarão apresentações relacionadas aos temas debatidos durante o dia.  

“Com o evento, a Abramed coloca em pauta assuntos pertinentes a toda a cadeia de saúde, além de ser uma importante plataforma de conexão entre os profissionais e as empresas do setor”, finaliza a diretora-executiva da entidade.

Para mais informações e inscrições acesse www.abramed.org.br/filis 

Acompanhe também as redes sociais da Abramed (@abramedoficial).

Como garantir a gestão sustentável da água em serviços de medicina diagnóstica?

É importante definir um programa estruturado e continuado de monitoramento, metas e planejamento de ações

Sabe-se que a água é um recurso limitado, cuja disponibilidade tem diminuído ao longo dos anos, em função da ação do homem no ambiente, como poluição, desvio e assoreamento de cursos d’água, mudanças climáticas, entre outros fatores, vêm aumentando o risco de crises no abastecimento e afetando os ecossistemas.

Em alusão ao Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, a Abramed reafirma sua preocupação com a sustentabilidade do planeta, orientando os associados, através do Comitê de ESG (governança ambiental, social e corporativa), sobre como o setor de medicina diagnóstica pode preservar esse recurso. Tudo começa com a conscientização e a adoção de práticas sustentáveis de uso e conservação.

O Comitê de ESG da Abramed tem como objetivo atuar de modo colaborativo e sinérgico para a promoção de uma visão integrada de ESG no setor de saúde, por meio da geração de conhecimentos, mitigação de riscos e realização de projetos. “Uma das nossas primeiras ações foi desenvolver um conjunto de indicadores e questões ESG que, pela primeira vez, foram inseridas no questionário anual das associadas, como consumo histórico de água e fontes de captação utilizadas. Isso nos permite conhecer melhor o cenário de gestão do recurso e, a partir daí, definir prioridades e desenvolver ações mais orientadas às necessidades do setor”, explica Daniel Périgo, líder do Comitê de ESG.

Há muitas oportunidades de economia do consumo de água em empresas de saúde, das mais simples às mais complexas. Entre elas está a implantação de mecanismos de redução de consumo, como torneiras automáticas com temporizador (controle do fluxo) e redutores de vazão, além de maior controle na área de manutenção para acompanhamento e redução de vazamentos.

Também é importante aprimorar a gestão implantando indicadores de monitoramento e programas de gestão com metas e ações de redução definidas, assim como trabalhar a conscientização dos colaboradores acerca da importância do tema e ações de redução no dia a dia do laboratório ou clínica. Ao adquirir equipamentos analíticos, sistemas de condensação de ar-condicionado, entre outros, convém avaliar critérios ambientais, optando por aparelhos de menor consumo de água e energia.

As empresas podem utilizar, ainda, sistemas de reúso, por exemplo, reaproveitando água rejeitada em processos de deionização (tecnologia para remoção de sais inorgânicos dissolvidos) e destilação para outras finalidades; sistemas de captação de água da chuva; e sistemas de tratamento e reaproveitamento de água cinza, que são águas residuais que foram utilizadas em chuveiros, lavatórios de banheiro, tanques e máquinas de lavar roupa. “A escolha de qual ação executar dependerá de vários fatores, como as características de infraestrutura, o orçamento disponível e a visão de longo prazo para o tema”, expõe Périgo.

Passos da jornada

Para garantir uma gestão sustentável da água nos laboratórios e clínicas de imagem, primeiramente, deve-se fazer o diagnóstico atual do cenário local, incluindo questões de infraestrutura e avaliação histórica do consumo de água e das despesas relacionadas. O próximo passo é definir objetivos e metas, bem como as melhores ações a serem tomadas.

“É importante que o programa tenha uma visão de médio e longo prazo, para que as iniciativas sejam distribuídas ao longo do tempo, uma vez que muitas delas podem depender de investimentos financeiros que devem estar planejados e orçados”, ressalta Périgo.

Outro ponto importante é que o programa seja continuado, por isso devem ser definidos indicadores de acompanhamento que consigam demonstrar a evolução do tema e a eficácia das ações no período. Mais um elemento essencial é a comunicação, para que todos os colaboradores conheçam o programa e contribuam para o alcance dos objetivos, de modo que o sucesso da iniciativa passe a ser fruto de um esforço coletivo, e não somente da alta direção ou de áreas específicas da empresa.

Também é preciso se atentar à avaliação e atualização de metodologias analíticas. Uma tendência importante a ser avaliada é a miniaturização de métodos, que consiste na utilização de tubos menores ou placas no processamento, bem como no uso em menor quantidade de água e reagentes, gerando menos resíduos. Além dos ganhos ambientais, essa mudança traz maior conforto aos pacientes devido à diminuição do volume de amostra coletado.

Vale lembrar que a redução do consumo, além de beneficiar o ambiente, traz benefícios às empresas, como a diminuição das despesas financeiras e maior eficiência nos processos. Sistemas de redução de vazão, por exemplo, podem diminuir em até 60% o consumo na torneira, ao passo que sistemas de reúso podem gerar reduções superiores a 40%, dependendo da tecnologia adotada. Esse percentual, por sua vez, pode diminuir significativamente os valores das contas de água.

Desafios

Um dos grandes desafios enfrentados pelas empresas é alinhar os investimentos ao planejamento financeiro, balanceando as iniciativas com o resultado. A implantação de pequenas ações pode começar a surtir efeitos no curto prazo, mesmo que as iniciativas que demandem maior investimento sejam distribuídas em médio e longo prazos.

Segundo Périgo, também pode ser desafiador o estabelecimento e o acompanhamento de indicadores de monitoramento, pois, além de identificar os números, é importante analisá-los criticamente, de modo a definir ações efetivas, o que demanda tempo e disponibilidade das equipes.

Outro desafio está relacionado à questão comportamental e à adoção de práticas mais sustentáveis no dia a dia, que passam pelas ações de comunicação, conscientização e treinamento dos colaboradores do laboratório, a fim de que todos possam contribuir para uma melhor gestão do recurso.

Para trabalhar o desafio da conscientização dos colaboradores, Périgo destaca que existem vários mecanismos, desde a realização de estudos setoriais que tragam luz à questão de modo mais específico, até o desenvolvimento de campanhas motivacionais, competições entre unidades, palestras e treinamentos, pílulas e vídeos de conhecimento sobre o tema.

Portanto, é fundamental disponibilizar o desempenho do programa de gestão e consumo a todos, para que possam assumir a responsabilidade por ele e celebrar as conquistas e os resultados alcançados. “Ações desenvolvidas de modo coletivo, envolvendo parcerias entre os atores da cadeia de saúde, podem ter resultados ainda mais expressivos”, finaliza o líder do Comitê de ESG da Abramed.

“Devemos ser protagonistas do mundo, mas, primeiramente, protagonistas da nossa própria história”

Por Isabela Tanure*

A Abramed me convidou a participar de um interessante projeto, que compartilha histórias de mulheres inspiradoras. Não poderia ficar mais honrada, afinal, me vejo como uma gota, em um oceano cheio de histórias de força e superação. Começo esse texto reconhecendo todas as mulheres que me inspiraram e ajudaram a chegar até aqui.

Minha história profissional não foi pelo caminho óbvio, mas após me formar em Medicina, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, escolhi trilhar o caminho da gestão. O empreendedorismo veio de forma natural, talvez por ter sido um tema recorrente no ambiente onde cresci, e eu tinha um sonho: abrir uma clínica diferente de tudo que já existia no Rio de Janeiro; uma clínica em que o foco fosse o paciente e o médico. Uma clínica de médico para médico, sem perder a sua essência.

Com um grupo de entusiastas, consegui realizar esse sonho. Foi muito difícil abrir uma clínica do zero, pois nosso poder de barganha com as fontes pagadoras era “apenas” o zelo pelo paciente. Mas sempre foquei na excelência para buscar um lugar no mercado, acreditando que podemos fazer uma medicina de qualidade para todos os públicos.

Com esse pensamento, conseguimos ser um case de sucesso e rapidamente nos tornamos referência, embora alguns apostassem que não passaríamos de seis meses. Foi uma escola; aprendemos muito. Fiz cursos no Brasil e no exterior, mas, definitivamente, foi na prática que mais aprendi.

Desde pequena, entendi que precisamos crescer. Crescer é imperativo para a sobrevivência. Estamos “condenados” a evoluir e, para isso, precisamos sempre buscar algo novo, que tenha a ver com nosso propósito e valores e que encontre eco nos propósitos e valores de outras pessoas, afinal, ninguém faz nada sozinho.

O que me inspira e me move a fazer o meu melhor é saber que nosso trabalho impacta tantas vidas. Temos muitas pessoas conectadas a nós e a responsabilidade com cada uma dessas vidas é uma forte inspiração.

Dessa forma, pensando em crescer ainda mais e buscar oportunidades maiores, parti para um novo desafio. Assumimos o controle da Alliar no primeiro semestre de 2022 e, desde então, como vice-presidente do Conselho de Administração, participo de absolutamente tudo. Inclusive, falando em pautas de gênero, praticamos a igualdade salarial entre homens e mulheres e estamos buscando contratar cada vez mais mulheres para a empresa.

Agora, quase um ano após entrarmos, tendo já conhecido profundamente a companhia e dedicado tempo à montagem do time, estamos avançando para a criação de uma cultura de dono, mostrando como o trabalho de uma pessoa impacta o da outra e, fundamentalmente, influencia na experiência e jornada do paciente.

Como médica, o que sempre reforço com a equipe é o foco que devemos manter na qualidade. Nosso alvo é a excelência e sabemos que temos um desafiador caminho pela frente. Mas estamos muito confiantes. Nosso amor e respeito pela Medicina acima de tudo, cuidado e empatia com as pessoas, focando sempre no paciente e não apenas analisando números, são o que nos levará adiante. Aliás, acredito que esse cuidado a mais já nasce com a mulher, e ver a jornada do paciente como um todo, pensando na importância de cada detalhe, é muito gratificante. Naturalmente, temos uma visão 360° das situações.

A Alliar me divide apenas com minha família, que é minha grande conquista, fonte de inspiração e superação. Tenho meu marido e minha família como uma rede de incentivo e apoio, sem a qual não conseguiria estar onde estou. Mas a maternidade me trouxe lições que não encontrei em nenhum outro lugar: aprendi que há lutas que precisamos enfrentar sozinhas, mesmo contando com uma rede de apoio de amigos e familiares. As perdas são um exemplo.

Hoje tenho três filhos: duas meninas e um menino. Faço malabarismo para lidar com tudo! São eles que me impedem de estar o tempo todo fora de casa e, ao mesmo tempo, são eles que me dão força de vontade para continuar, principalmente, para mostrar às minhas filhas o quanto somos capazes.

Sigo valores pessoais cultivados desde criança pela minha família, que me fazem buscar maior conhecimento e flexibilidade para mudanças, sem transmitir para outros a responsabilidade sobre a minha trajetória. Acredito e defendo que é muito importante assumir o controle do percurso da própria vida, e é isso que eu quero compartilhar como conselho nesse Mês da Mulher.

Nós podemos, e devemos, ser protagonistas do mundo, mas, para isso, primeiramente, temos de ser protagonistas da nossa história. Temos muita força, coragem e inspiração para impactar, mas só conseguiremos alcançar esse feito se nos priorizarmos, cuidando sempre de nós mesmas, física, mental e espiritualmente.

Nós, mulheres, temos muitas lutas em comum, mas cada uma também tem sua luta individual, impactada por sua origem, etnia e tantas outras variáveis. É impossível apresentar uma solução única para tão diversos problemas, mas há uma mudança em particular que eu gostaria de ver no mundo: está nas políticas públicas voltadas a eliminar ou, pelo menos, diminuir o que deixa a mulher em desvantagem no mercado de trabalho e na vida.

A gente ouve falar muito sobre oportunidades, mas para aproveitarmos a oportunidade, precisamos estar preparadas. Eu acho que investir nesse preparo e oferecer condições abre um horizonte incrível para que cada mulher avance individualmente e, assim, contribua para o avanço e a melhoria de toda a sociedade. Afinal, somos gotas. Mas o oceano será melhor se todas tivermos condições de alcançar nosso maior potencial.

*Isabela Tanure é vice-presidente do Conselho de Administração da Alliar Médicos à Frente