Quantidade de exames e positividade de Covid-19 seguem estáveis, segundo Abramed

Na semana de 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 2023, foram realizados 15.287 exames, com positividade de 12,6%

A quantidade de exames de Covid-19 realizados em clínicas e laboratórios privados no Brasil vem se mantendo estável nas últimas três semanas, assim como a taxa de positividade. Os dados são da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), cujos associados respondem por cerca de 60% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país.

Na semana de 28 de janeiro a 3 de fevereiro de 2023, foram realizados 15.287 exames de Covid-19, com positividade de 12,6%. Em relação à semana anterior, de 21 a 27 de janeiro, houve crescimento de apenas 5,7% na quantidade de exames (14.461) e redução de 0,9 pontos percentuais na positividade (13,5%). Na semana de 14 a 20 de janeiro, foram 15.715 exames, com 13% de positividade, comprovando a situação de estabilidade.

Desde 24 de dezembro de 2022, o número de positivos vem reduzindo, passando de 27,1% para 12,6%. No total das últimas seis semanas (24 de dezembro a 3 de fevereiro), foram realizados 111.329 exames de Covid-19, com taxa média de positividade de 17,7%.

Importante ressaltar que dados mais antigos estão sendo atualizados pelos associados da Abramed. Segundo as novas informações, de 31 de dezembro de 2022 a 6 de janeiro de 2023, foram realizados 21.643 exames de Covid-19, com 20,2% de positividade. De 7 a 13 de janeiro, foram 18.602 exames, com 15,7% de positividade. E de 14 a 20 de janeiro, foram 15.715 exames, com 13% de positividade. 

Segundo a Abramed, é fundamental que a saúde suplementar reporte os dados de diagnóstico em relação à Covid-19, pois isso ajuda a compreender a situação epidemiológica da doença e a identificar focos de disseminação, contribuindo para a tomada de decisões e a implementação de medidas de prevenção e controle mais eficazes.

Número de exames e positividade de covid-19 continuam a cair, segundo Abramed

De 14 a 20 de janeiro, o número de exames caiu 22,5% em relação à semana anterior; enquanto a positividade teve decréscimo de 1,1 ponto percentual

Dados reunidos pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), cujos associados respondem por cerca de 60% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país, revelam que o número de exames de covid-19 realizados e a taxa de positividade vêm caindo a cada semana.

De 14 a 20 de janeiro de 2023, foram realizados 13.548 exames, com 14,5% de positividade, contra 17.502 na semana anterior, de 7 a 13 de janeiro, com 15,6% positivos. A diferença no número de exames foi de 22,5%; em relação à positividade, registrou-se apenas 1,1 ponto percentual de decréscimo.

Nas últimas seis semanas, o maior valor, tanto de exames realizados quanto de positividade, foi registrado de 10 a 16 de dezembro de 2022, quando os laboratórios associados à Abramed realizaram 37.948 exames, com 34,9% de positividade. Em comparação com a semana atual, representa uma queda de 64,2% na quantidade de exames e de 20,4 pontos percentuais em positividade.

A Abramed lembra que vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças infecciosas e é de extrema importância, pois não apenas protege a pessoa vacinada, mas também a comunidade como um todo. Além disso, a vacinação evita complicações graves e mortes relacionadas às doenças imunizadas.

A medicina diagnóstica ajuda a identificar as doenças infecciosas em uma fase precoce, o que permite que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível e evita o agravamento da doença. Além disso, também é usada para determinar se uma pessoa está realmente infectada com uma determinada doença, o que é importante para a tomada de decisão sobre a vacinação. Isso é fundamental quando se trata de doenças infecciosas que podem ser transmitidas de pessoa para pessoa, como a covid-19.

Publicado em: 16/1/2023

Teste pode antecipar em 15 anos o diagnóstico da Doença de Alzheimer

Solução inovadora possui alto nível de automação, qualidade e segurança para levar resultados mais rápidos e precisos aos pacientes

Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2021, cerca de 1,2 milhão de brasileiros apresentavam alguma forma de demência e 100 mil novos casos são diagnosticados a cada ano. Em todo o mundo, o número chega a 50 milhões e, segundo estimativas da Alzheimer’s Disease International, os números poderão alcançar 74,7 milhões em 2030 e 139 milhões de pessoas em 2050, devido ao envelhecimento da população e a quatro fatores de risco associados à Doença de Alzheimer (DA), como: tabagismo, obesidade, altos níveis de glicose no sangue e escolaridade. 

Com mais de duas décadas de pesquisa científica sobre DA, a Roche Diagnóstica vem trabalhando em testes com biomarcadores inovadores para resolver questões clínicas e detectar a patologia em seus estágios iniciais, contribuindo para interromper sua progressão e, assim, preservar o que torna as pessoas quem elas são. “Trazemos para o mercado os testes IVD, em amostras de líquido cefalorraquidiano (LCR), que aumentam a precisão do diagnóstico e a confiança do médico”, explica Sandra Sampaio, diretora de Marketing da Roche.

Os critérios clínicos atuais para o diagnóstico da DA requerem que o paciente apresente algum grau de demência, sendo feito, na maioria das vezes, pela exclusão de outras patologias. Nesse sentido, a tecnologia da Roche é capaz de avaliar a dosagem de proteínas no líquor que possuem associação com a Doença de Alzheimer. A dosagem dessas proteínas, também conhecidas como biomarcadores TAU e beta-amiloide, permitem o diagnóstico e são detectáveis na fase de Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). Acúmulo de beta-amiloide e tau são as principais características patológicas do Alzheimer e podem surgir 15 anos antes do início dos sintomas.

Outro benefício do teste é a automação, algo muito relevante tanto para os laboratórios quanto para o paciente. Com ele, é possível simplificar o processo de execução, além de excluir interferentes por ser um sistema fechado de diagnóstico. Dessa forma, o laboratório passa a ter uma maior padronização, levando a resultados de alta precisão para os pacientes e, também, de uma forma mais rápida. Os testes Elecsys® CSF para DA (biomarcadores Aβ-42, tTAU e pTAU) da Roche Diagnóstica já estão aprovados pela Anvisa e podem ser prescritos por geriatras, psiquiatras e neurologistas, por exemplo. 

Publicado em 24/1/2023

Perspectivas da medicina diagnóstica para 2023: oportunidades e desafios

Por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed

Os avanços tecnológicos, o aumento do envelhecimento populacional, e a crescente preocupação com a saúde e o bem-estar tendem a impulsionar o setor de medicina diagnóstica no Brasil e no mundo. Entre os desafios a serem superados, podemos considerar a existência de infraestrutura, recursos tecnológicos e humanos capacitados para lidar com o contínuo aumento da demanda. Também deverá ser solucionado o acesso a exames laboratoriais e de imagem, que têm trazido avanços proporcionando o cuidado personalizado, gerando economia para o sistema de saúde e benefícios diretos aos pacientes.

Serão necessários investimentos para dotar os serviços com equipamentos que disponham de tecnologias mais avançadas, e a expansão, verificada para novos mercados na prestação de serviços de saúde, exigirá novos aprendizados.

Não podemos esquecer que para conviver com essa nova realidade é preciso uma mudança de cultura. O conhecimento médico avança e já há exames preditivos disponíveis, levando as pessoas a compreender a importância de cuidar de sua saúde antes que as doenças ocorram, em vez de aguardar o aparecimento de sintomas e até que elas sejam diagnosticadas.

Entre os novos exames podemos citar a biópsia líquida, um exame de sangue que possibilita detecção de câncer, testes genéticos para identificar predisposição a certas doenças hereditárias e os exames moleculares que possibilitam reclassificar doenças conhecidas, possibilitando indicação precisa de tratamentos. Equipamentos de diagnóstico por imagem modernos, que introduziram várias formas de imagem funcional e molecular já podem ser operados à distância e integrados com inteligência artificial, possibilitando a identificação de lesões e tumores cada vez menores.

Em 2023, esperamos ver um aumento na utilização de tecnologias de inteligência artificial (IA) em todas as áreas da medicina diagnóstica, o que pode trazer benefícios significativos para os pacientes, como aumento da precisão e rapidez dos diagnósticos. No entanto, também devemos estar atentos aos desafios potenciais da IA, como a necessidade de supervisão e regulamentação adequada para garantir a precisão dos resultados e a segurança dos pacientes.

A telessaúde também tem se tornado cada vez mais popular, permitindo que os pacientes tenham acesso a cuidados de saúde, o que amplia o acesso das pessoas a exames de diagnóstico, principalmente em áreas remotas. Outra tendência é o crescimento da medicina personalizada, que se baseia no uso de dados genéticos e outros marcadores para personalizar o tratamento e os diagnósticos para cada paciente individualmente. Isso pode levar a melhores desfechos e reduzidos efeitos colaterais.

Também é preciso estarmos cientes dos desafios financeiros e de infraestrutura necessária atrelados a essas tecnologias avançadas. É importante que os profissionais de saúde estejam capacitados para lidar com elas e sejam capazes de interpretar e utilizá-las de maneira eficaz para beneficiar os pacientes.

A demonstração de valor que cada exame pode trazer para atividade médica será cada vez mais necessária. Já é tema há muitos anos a necessidade de mudança da forma de pagamento fee-for-service para uma abordagem baseada em valor, Value Based Healthcare (VBH), em que o pagamento é feito de acordo com o valor dos serviços de saúde entregues aos pacientes e ao sistema de saúde, levando em conta a qualidade e a aplicação prática dos resultados reportados, não apenas o volume de procedimentos realizados.

Isso exige que a medicina diagnóstica demonstre seu valor e o impacto na saúde dos pacientes, e que os provedores de serviços trabalhem juntos com outras especialidades médicas para fornecer cuidados integrados e coordenados.

Também é tendência a crescente estruturação de ecossistemas integrados de saúde que incluam serviços de medicina diagnóstica. Esses ecossistemas são projetados para fornecer uma abordagem holística, permitindo que os pacientes tenham acesso a uma ampla variedade de serviços médicos e de saúde, num mesmo ambiente, seja corporativo ou empresarial.

No âmbito regulatório, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou sua agenda 2023, incluindo tópicos que deverão ser discutidos pela Abramed neste ano. Entre eles, as diretrizes para organização do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e a descentralização das ações de inspeção e fiscalização sanitárias, regulamentação da análise prévia de dispositivos médicos para diagnóstico in vitro e Regulamento Técnico para o Funcionamento de Provedores de Ensaios de Proficiência para Serviços que executam Exames de Análises Clínicas. Vale lembrar que a nossa entidade sempre atua em estreita colaboração com autoridades regulatórias para ajudar no desenvolvimento do setor de diagnóstico no país.

Vale mencionar, ainda, a disseminação da cultura ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), sigla em inglês para ambiental, social e governança corporativa. Organizações mais maduras na adoção de estratégias nesse contexto podem direcionar e apoiar as que estão ingressando. Exatamente enxergando a relevância e poder do compartilhamento de conteúdo e de melhores práticas, que a Abramed estruturou, em 2022, o Comitê ESG, com o desafio de desmitificar a relação que o tema possui com práticas exclusivamente voltadas às questões ambientais, trazendo a discussão para o contexto da área da saúde.

Como mencionado anteriormente, o setor está vivendo um intenso processo de transformação digital e de inovação com foco na ampliação do acesso à saúde. A medicina diagnóstica contribui diretamente para a crescente do ecossistema empresarial e pode contribuir com outros objetivos de desenvolvimento sustentável que abrangem as temáticas voltadas ao crescimento econômico e emprego; padrões de produção e consumo sustentáveis, e as medidas para combater a mudança do clima dinâmica econômica e social do país e tem também uma responsabilidade grande na redução e neutralização dos impactos das suas atividades no planeta.

Muitos laboratórios associados à Abramed já trilham o caminho da sustentabilidade, outros estão iniciando. A pauta ESG tem enorme potencial para o segmento, mas ainda há, sim, muito a evoluir. É necessário provocar uma mudança no mindset dos líderes.

Estamos cientes das oportunidades e dos desafios que a medicina diagnóstica enfrentará neste ano e comprometidos a trabalhar com nossos associados e parceiros para abordar esses desafios e aproveitar as oportunidades de melhoria do segmento. Continuaremos a promover a educação, a pesquisa, a ética e a transparência em colaboração com outras Entidades e autoridades sanitárias.

Contem sempre conosco!

Roche é a mais nova parceira institucional da Abramed

Sandra Sampaio, diretora de estratégia e marketing da Roche, fala sobre as contribuições da empresa para o setor de medicina diagnóstica

Fundado em 1896, na Suíça, o Grupo Roche hoje está presente em mais de 100 países, entre eles o Brasil, operando mundialmente em duas divisões: a Farmacêutica e a Diagnóstica. Seu objetivo é inovar para transformar os cuidados com a saúde e melhorar a vida dos pacientes ao redor do mundo por meio da inovação.

A empresa é a mais nova parceira institucional da Abramed, chegando para contribuir para o desenvolvimento do setor de diagnósticos através de soluções inovadoras que colaboram para a sustentabilidade da cadeia de saúde e a ampliação do acesso da população a exames precisos e rápidos.

Nesta entrevista exclusiva, Sandra Sampaio, diretora de estratégia e marketing da Roche, fala sobre as perspectivas para 2023, soluções digitais, otimização de processos, o papel da indústria, a participação da marca no mercado brasileiro e ações de ESG.

Abramed em Foco – Quais são as perspectivas da companhia para 2023? Há potencial para crescimento? Quais são as prioridades de negócios?

Sandra Sampaio – Nosso ponto de partida é sempre de fora para dentro, ou seja, do paciente para a Roche. E, quando olhamos para fora, vemos alguns aspectos do mercado que indicam potencial de crescimento em 2023. Por exemplo, mesmo a pandemia já estando num momento mais calmo, ainda existe represamento de procedimentos, principalmente na saúde suplementar. Também há muita movimentação no mercado de saúde em relação à consolidação, verticalização e formação de ecossistemas. Sem falar no avanço da saúde digital, que vem ajudando no maior acesso da população à atenção primária. Apesar desses potenciais, sabemos que ainda existem os desafios inerentes.

Em relação a prioridades, podemos citar três que consolidam bem o nosso objetivo: uma delas é continuar aumentando o acesso de maneira sustentável, principalmente fortalecendo as parcerias já estabelecidas e criando novas. A segunda é intensificar o processo de levar ao mercado de saúde mais soluções digitais, que ajudam a ampliar o acesso. Pensando nisso, contamos com um portfólio abrangente e estamos preparando mais inovações para 2023, fruto da dedicação à pesquisa e desenvolvimento. A terceira prioridade é fortalecer a experiência do cliente por meio da expansão de nossos serviços, oferecendo soluções digitais que garantem mais agilidade.

Abramed em Foco – Como tecnologia e qualidade fazem a diferença no mercado?

Sandra Sampaio – As empresas que atuam no setor sabem que 70% das decisões clínicas são tomadas com base em diagnóstico. E, quando se fala em diagnóstico, a qualidade não pode ser opção, ela é fundamental. Pensando pela perspectiva do paciente, estamos falando em qualidade de vida, algo de que não podemos abrir mão. Pelo ponto de vista da instituição de saúde, qualidade significa diagnóstico mais preciso, num tempo menor. Para essas organizações, qualidade é sinônimo de reputação. E, quando se alia qualidade com tecnologia, para garantir que o diagnóstico seja entregue corretamente no tempo certo, assegura-se também o crescimento sustentável das instituições.

Abramed em Foco – A pandemia de covid-19 trouxe uma necessidade emergencial de otimizar os processos de diagnóstico a fim de expor o paciente ao menor risco possível. Quais são os caminhos para que se consiga tornar os exames mais eficazes?

Sandra Sampaio – O primeiro caminho é escolher um teste que realmente possua a qualidade necessária para prover o diagnóstico com precisão e acurácia, que vai garantir melhor resultado e melhor direcionamento do paciente. No entanto, é importante lembrar que além do teste, há outros fatores na tomada de decisão. Precisamos aliar o teste de alta qualidade ao uso correto de protocolos específicos, provendo o conhecimento necessário para os profissionais que vão fazer uso dele. E aqui vejo outro caminho muito importante, mas que ainda está muito numa fase inicial: como dar mais apoio à decisão médica. É preciso garantir o emprego de protocolos que façam sentido para a enfermidade, como o correto uso do teste, e aliar isso ao poder de uma solução digital para permitir que o médico tome a melhor decisão. Só para tornar-se um pouco mais concreto, podemos citar a patologia digital, que por meio do scanner digital e softwares de rastreabilidade provêm a informação de maneira mais abrangente, com alta qualidade e rápida para o profissional da saúde. Na ponta, esse profissional também pode se valer de algoritmos que usam de inteligência artificial e vários outros componentes para enviar ao médico algumas possibilidades que vão tornar a decisão mais rápida e melhor. Assim, o teste acaba sendo mais eficaz.

Abramed em Foco – Qual é o papel da indústria na ampliação de acesso da população a exames de qualidade e na implementação de ações que promovam melhorias aos processos já estabelecidos?

Sandra Sampaio – A indústria é responsável por trazer inovações. A Roche é uma das empresas que mais investem em pesquisa e desenvolvimento, top 10 entre as indústrias de todos os setores. Em diagnóstico, é a número um em investimento em pesquisa e desenvolvimento, pois consegue trazer com velocidade e frequência muito grande mais tecnologia e soluções para ampliar o acesso da população a exames. Cito novamente a patologia digital, que permite às instituições oferecer um serviço de medicina diagnóstica para além das paredes do laboratório, pois o teste pode ser realizado remotamente, utilizando uma lâmina que será escaneada e avaliada por um profissional e oferecendo apoio à decisão com auxílio dos algoritmos. Mas vai muito além de anatomia patológica. Um exemplo bem recente é o lançamento do sistema cobas 5800, um instrumento que faz testes moleculares utilizando PCR como metodologia. O menu inclui desde diagnóstico de HIV e hepatites até testes voltados para a saúde da mulher, como HPV e clamídia. O que quero dizer é que precisamos garantir que instituições de saúde, laboratórios e hospitais, independentemente de seu tamanho, também tenham condições de realizar testes mais especializados, que usem diferentes tecnologias. Com esse lançamento, estamos levando para laboratórios médios e pequenos a possibilidade de realizar testes com a mesma qualidade que hoje um laboratório de grande porte é capaz de oferecer. Essa também é uma forma de proporcionar acesso.

Outro exemplo é que a Roche está trazendo para o mercado brasileiro o teste para Alzheimer, enfermidade com grande relevância, não só em escala nacional, mas também mundial. Temos, ainda, o teste para identificação de insuficiência cardíaca, que passou a ser aplicado para estratificação de risco de pacientes diabéticos. Isso significa que, a partir de agora, é possível, com o mesmo teste já usado para outra enfermidade, ampliar o acesso, mostrando para pacientes diabéticos qual nível de risco para determinada doença eles têm. Inovando e levando essa solução para o mercado, conseguimos mostrar com exemplos claros o papel da indústria. Também estamos trazendo um painel sindrômico que ajuda a fazer, de uma única vez, um diagnóstico mais preciso e rápido. Mais de 20% do nosso faturamento é direcionado para pesquisa e desenvolvimento. Por ser uma empresa familiar, temos um olhar muito forte para a sustentabilidade.

Gostaria de falar, ainda, sobre a importância do papel da indústria no ecossistema de saúde, que é muito complexo e precisa de integração. A Roche acredita que essa parceria precisa ser de valor e ajudar a levar acesso para beneficiar pacientes e clientes. Eu me questiono se a indústria é vista com o papel que ela realmente tem. Nossa cadeia de saúde é bem complexa, e a indústria está ali na ponta, provendo os insumos. A visão desse papel precisa passar por uma transformação, sair do âmbito de fornecedor para o de parceiro. O foco da Roche é no paciente, portanto, as parcerias que fazemos são sempre para beneficiá-lo e ajudar meu parceiro a beneficiar o cliente ou o parceiro dele.

Abramed em Foco – Como a empresa avalia a participação dela no mercado brasileiro?

Sandra Sampaio – A participação da Roche é muito positiva. A marca é líder no mercado diagnóstico no Brasil e globalmente. Aliando-se o altíssimo investimento para gerar mais soluções e inovações, isso nos traz mais perspectivas de ampliar ainda mais o acesso da população à saúde. “Doing now what patients need next” é o que nos representa, o olhar para o paciente. A empresa tem um propósito muito forte e inovação no seu “DNA”. Isso sem dúvida tem trazido mais resultados para o mercado de forma mais contundente. Por outro lado, olhando a falta de acesso da população brasileira à saúde, ainda há muito trabalho a fazer e estamos muito empenhados nessa missão.

Abramed em Foco – Para a Roche, é dever e responsabilidade zelar pela sustentabilidade nos negócios e no ecossistema de saúde, impulsionar o desenvolvimento de soluções que agreguem valor aos clientes e beneficiem cada vez mais pacientes. Como se dão as ações de ESG da companhia?

Sandra Sampaio – Para a Roche, não é um tema novo, a empresa tem um olhar muito especial para as boas práticas relacionadas aos fatores ambiental, social e governança corporativa em âmbito regional, nacional e global. Nossa responsabilidade social de reduzir o impacto ambiental pela metade é super ambicioso. Todos os colaboradores passam por treinamento para garantir o conhecimento e tudo que isso implica no dia a dia da instituição. A Roche é considerada, há mais de 10 anos, uma das empresas mais sustentáveis do planeta, segundo o índice de sustentabilidade da Dow Jones, o que nos orgulha muito e reforça nossas práticas de ESG. No Brasil, temos uma equipe local responsável por esse tema, abordando o cuidado às pessoas e a implementação das práticas, pois é importante que tenham conhecimento de sua responsabilidade dentro da responsabilidade da Roche. A empresa também atua com programas sociais em comunidades. ESG é e continuará sendo uma pauta dentro das nossas reuniões de liderança sênior.

Abramed em Foco – Como a Roche enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Sandra Sampaio – A Abramed representa a voz da medicina diagnóstica. Embora haja muitas oportunidades de ampliar os acessos, também há desafios; por exemplo, quando falamos de medicina preventiva, vemos que o investimento na área é muito baixo. O Brasil investe em torno de 9,4% do PIB em saúde, mas o investimento em diagnóstico representa 0,5% do montante, menos do que vários países, inclusive da América Latina. Isso mostra que o olhar para a medicina diagnóstica ainda é raso. Temos uma saúde muito reativa, que enfoca o tratamento e não a prevenção. A Abramed tem feito um trabalho que tende a se intensificar cada vez mais, elevando o valor do diagnóstico no nosso país. Seu papel é muito importante dentro de um desafio que é ainda maior.

Número de exames de covid-19 realizados na primeira semana de janeiro tem queda de 20,5%

De 26 de novembro de 2022 a 6 de janeiro de 2023, tanto o número de exames quanto de positividade foram diminuindo.

Na semana de 31 de dezembro de 2022 a 6 de janeiro de 2023, foram realizados na saúde suplementar 20.379 exames de covid-19, com 21,9% de positividade, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Na semana anterior, de 24 a 30 de dezembro de 2022, o total de exames foi de 25.621, com 27,1% de positividade. O resultado mostra queda de cerca de 20,5% no número de exames e de 5,2 pontos percentuais em positividade.

Comparando com o ano anterior, foram realizados 244.135 exames na primeira semana de janeiro de 2022, com 35,13% positivos. Em número de exames, a queda foi de mais de 91% em relação à primeira semana de janeiro de 2023, e de 13,2 pontos percentuais em positividade.

De 26 de novembro de 2022 até 6 de janeiro de 2023, tanto o número de exames quanto de positividade foram diminuindo gradativamente. Por exemplo, a positividade, que era de 39,6%, foi caindo para 38%, 34,9%, 32,6%, 27,1% até chegar em 21,9%.

No acumulado do ano de 2022, os associados à Abramed realizaram 4.440.811 exames de covid-19, com 35,7% de positividade. Outubro foi o mês que registrou menor número de exames realizados: 76.195, enquanto setembro registrou a menor taxa de positividade: 4%. Já os maiores índices do ano foram no mês de janeiro, com 1.210.169 exames e 49,7% de positividade.

Mesmo depois de muitos meses de pandemia, os casos de COVID-19 continuam a ocorrer. Um dos principais motivos é a falta de vacinação suficiente na população. Enquanto não houver uma imunidade coletiva suficiente, a doença poderá continuar a se espalhar.

A Abramed reforça que a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças infecciosas e sua importância é inestimável. Ela protege não apenas a pessoa vacinada, mas também a comunidade como um todo. Além disso, a vacinação evita complicações graves e mortes relacionadas às doenças imunizadas. É importante vacinar-se regularmente de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde.

Também vale ressaltar que os exames de diagnóstico são fundamentais para identificar doenças e determinar o tratamento adequado. Eles permitem que os médicos confirmem ou descartem a suspeita de uma doença, determinem sua extensão e acompanhem a evolução do tratamento. Os exames de diagnóstico também são importantes para a prevenção e detecção precoce de doenças, o que pode aumentar significativamente as chances de cura e evitar complicações graves.

Abramed divulga dados atualizados sobre exames de covid-19 e mpox

Número de exames de covid-19 reduziu, mas positividade ficou estável, já a positividade em exames de mpox caiu 69,6% em novembro

O número de exames de covid-19 realizados na semana de 3 a 9 de dezembro de 2022 (48.881) caiu 15,8% em relação à semana anterior, 26 de novembro a 2 de dezembro (58.058). Já a taxa de positividade caiu de 39,8% para 38,4%, uma redução de 1,4 ponto percentual. Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), cujos associados respondem por cerca de 60% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país.

Apesar da ligeira queda, a taxa de positividade pode ser considerada estável nas últimas cinco semanas (de 5 de novembro a 9 de dezembro), variando apenas entre 2,7 pontos percentuais no período.

Já no acumulado do ano, até 9 de dezembro, foram realizados pelas associadas aproximadamente 4,3 milhões de exames. Esse número representa uma redução de cerca de 60% em relação a 2021, quando foram realizados aproximadamente 11 milhões de exames. No entanto, a taxa de positividade em 2022 (35,9%) é mais alta do que a de 2021 (30,5%) em 5,4 pontos percentuais. O resultado pode ser atribuído, entre outros fatores, ao maior critério na solicitação dos exames. 

Mpox

No caso da mpox (monkeypox), a taxa de positividade de exames realizados pelas associadas à Abramed, em novembro, caiu 69,6% em comparação a outubro. Foram 20 resultados positivos em novembro contra 66 no mês anterior.  

Com relação ao número de exames realizados em novembro (137), a redução também foi significativa, de 58,7%, comparando com outubro (332).

O acompanhamento dos exames de mpox pela Abramed começou em primeiro de julho de 2022. Desde então, foram realizados 1.425 exames, com positividade de 26,2%.

Contribuições Científicas da Medicina Diagnóstica: o que evoluiu?

Os métodos de sequenciamento de nova geração na área diagnóstica deram um salto, impulsionados pela pandemia

A medicina diagnóstica vem ganhando cada vez mais protagonismo e não foi diferente em 2022. A área foi indispensável para a gestão de casos de covid-19, em suas mais variadas cepas, e também de outras doenças, como a mpox (monkeypox, ou varíola dos macacos).

“Iniciamos 2022 ainda com muitos casos de covid-19, gerando grandes incertezas. No entanto, ao longo dos meses, os casos diminuíram e entramos num período de menos registros graves, em comparação a 2020 e 2021. Por outro lado, houve picos de outras doenças respiratórias, como influenza, H3N2 e H1N1”, analisa o diretor científico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e coordenador médico do Laboratório de Biologia Molecular do Hospital Israelita Albert Einstein, André Doi.

Um ponto de evolução neste ano, ainda segundo Doi, são os métodos de sequenciamento de nova geração na área diagnóstica. “Estamos caminhando no campo de medicina de precisão, por exemplo, na área oncológica, usando a técnica para caracterizar genomicamente diferentes tipos de câncer e tratar o paciente de maneira personalizada, com terapias específicas. Isso já existia antes, mas foi consolidado em 2022”, explica.

O método de sequenciamento de nova geração também deu um grande salto na área de doenças infecciosas, impulsionado pela covid-19. Por exemplo, a metagenômica – que consiste em colher uma amostra do paciente e fazer uma varredura de todos os agentes etiológicos que podem estar causando essa infecção – permite não só o diagnóstico de doenças conhecidas, como também de doenças raras, de baixa ocorrência e doenças novas.

Outra questão importante relacionada ao método foi viabilizar o sequenciamento de todos os patógenos. No caso do vírus SARS-CoV-2, isso possibilita entender os picos de casos e as mutações que ocorrem, permitindo caracterizar os tipos de variantes, como Ômicron e Delta.

Além de cânceres e doenças infecciosas, há marcadores genômicos também para doença de Alzheimer e outros tipos de doenças em diversas especialidades. “Cada vez mais a técnica está sendo divulgada e utilizada, e as pessoas estão tendo mais conhecimento sobre ela. “A medicina genômica entrou em pauta em 2022 e promete crescer muito em 2023”, expõe Doi. 

Vale lembrar que o uso da tecnologia de sequenciamento genômico é restrito, devido ao alto custo dos equipamentos, no entanto, todos os LACENs (Laboratório Central de Saúde Pública) serão equipados com sequenciadores de nova geração para fazer esse tipo de exame. “Os laboratórios públicos que não têm a tecnologia poderão encaminhar amostras para esses laboratórios no caso de doenças infecciosas ou mesmo para caracterização de cepas de vírus circulantes, como SARS-CoV-2 e variantes. Isso representa um grande avanço, pois como há LACENs em todos os estados, as instituições de saúde públicas, de alguma maneira, terão acesso a essa ferramenta”, conta Doi.

Com relação à pesquisa, o diretor científico da SBPC/ML destaca um ramo que tem evoluído e que representa uma grande inovação tecnológica: o transplante de fezes, já utilizado há alguns anos para tratamento de infecções refratárias a tratamentos. Ele cita casos de pacientes com a bactéria Clostridium difficile, causadora de inflamação no intestino e diarreia aguda, que não melhoram com o uso de antibióticos, apenas com o transplante de fezes.

A técnica consiste em retirar todo o microbioma do paciente doente e colocar o de um paciente saudável. “Há estudos sobre o papel do microbioma intestinal na saúde e na doença, inclusive existem bancos de fezes de pacientes saudáveis para tratar infecções por essa bactéria, o que seria inimaginável antigamente. O Food and Drug Administration (FDA) aprovou alguns tratamentos relacionados com transplante de microbioma nos Estados Unidos, então, isso logo vai chegar no Brasil”, adianta Doi.

O médico patologista clínico, gestor regional do Grupo Sabin e diretor do Comitê de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, destaca também que os laboratórios de análises clínicas estão bastante sintonizados com avanços tecnológicos, com relevantes contribuições de informática e inteligência artificial. Chama atenção, ainda, o uso de drones para o transporte de amostras de exames.

“Na fase pré-analítica, tem-se utilizado desde aparelhos para fazer aliquotagem, distribuição de amostras até drone para transporte de material em locais próximos, encurtando o tempo de entrega de exames, muitas vezes imprescindíveis. Quando o médico tem um resultado mais ágil, mais rápido ele pode tomar uma decisão, refletindo em ganho para o paciente. Com isso, o desenvolvimento da medicina diagnóstica será mais voltado para utilização de novas tecnologias e conhecimento das doenças, da fisiopatologia que permite o desenvolvimento e o lançamento de novos exames, novas pesquisas, material genético, metabólicos. Tudo isso trará subsídios para o clínico fazer o diagnóstico e ter uma atuação mais correta, o que chamamos de medicina personalizada”, reforça Galoro.

Em 2022, Snibe investiu mais de US$ 3 milhões em pesquisa e desenvolvimento

Há cinco anos no Brasil, a empresa chinesa especializada em equipamentos e reagentes de diagnóstico in vitro é a nova parceira institucional da Abramed. Jane Peng, gerente geral da companhia no território brasileiro comenta sobre atuação, crescimento e perspectivas

A Abramed acredita que a união de habilidades, conhecimentos e propósitos, além de aumentar a visibilidade para ambas as marcas, possibilitando um alcance mais abrangente, é também uma forma de alavancar o desenvolvimento de projetos visando o aprimoramento do setor de medicina diagnóstica. É neste cenário que a entidade anuncia a Snibe como nova parceira institucional.

Fundada em dezembro de 1995, na China, a empresa é especializada em equipamentos para laboratórios clínicos e reagentes de diagnóstico in vitro, sendo pioneira na utilização de “microesferas imunomagnéticas” avançadas como o principal material de separação do sistema. Inovou também na utilização de “compostos orgânicos moleculares sintéticos pequenos” avançados, ao invés de enzimas tradicionais, como marcadores luminescentes para aplicação da tecnologia de imunoensaio de quimioluminescência direta, realizando a produção em massa de instrumentos totalmente automáticos.

Em entrevista exclusiva para a newsletter Abramed em Foco, a gerente geral da Snibe no Brasil, Jane Peng, fala da atuação da companhia, as perspectivas para 2023 e sobre a ampliação do alcance no mercado nacional.

Confira o bate-papo na íntegra.

Abramed em Foco – Quais foram os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação que a Snibe promoveu em 2022?

Jane Peng – Temos foco em imunoensaio de quimioluminescência há 28 anos, nunca paramos de investir em pesquisa e inovação. Em 2022, a Snibe investiu mais de US$ 3 milhões em P&D e nossa nova sede estará pronta em janeiro de 2023.

Abramed em Foco – E quais são as perspectivas da companhia para 2023? Há potencial para crescimento?

Jane Peng – Estamos com meta de aumentar mais de 35% em comparação com 2022. Prevemos ampliar mais para a nova linha de produtos com profissionais.

Abramed em Foco – Tecnologia e qualidade também estão entre os principais investimentos da Snibe. Comente sobre como esses aspectos fazem a diferença no mercado.

Jane Peng – A Snibe possui 28 anos de foco no desenvolvimento de equipamentos de laboratório clínico e reagentes de diagnóstico in vitro visando os recursos humanos. Um novo equipamento e dez novos parâmetros são lançados a cada ano e atendem à demanda do mercado. Continuamos trabalhando com parceiros como Thermofisher e HITACH no sistema TLA para lançar nosso Produto Total de Automação Laboratorial.

Abramed em Foco – Para a Snibe, qual o papel da indústria na ampliação de acesso da população a exames de qualidade e na implementação de ações que promovam melhorias aos processos já estabelecidos?

Jane Peng – O sistema de gerenciamento de qualidade Snibe é estabelecido com base na ISO 9001 e ISO 13485, integrando os requisitos dos regulamentos GMP na China, União Europeia, Estados Unidos, Brasil e Coreia.

Nos concentramos no controle de qualidade do processo de produção, estabelecido com base nas características do produto e pontos de controle de processo adequados e apropriados. Além do controle de qualidade, na fabricação, também projetamos controles de qualidade no kit para colaborar na melhor experiência do usuário.

A Snibe está sempre atenta aos itens de teste realizados pelas reconhecidas organizações de EQA (sigla em inglês para avaliação externa da qualidade), como Comissão Nacional de Saúde da China, Centro de Dados de Reumatismo Chinês, BIO-RAD, Randox, Colégio Real de Patologistas da Australásia (região que inclui a Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia) e Colégio de Patologistas Americanos, para estabelecer um plano anual de controle de qualidade.

Abramed em Foco – A pandemia de covid-19 trouxe uma necessidade emergencial de otimizar os processos de diagnóstico a fim de expor o paciente ao menor risco possível. Quais os caminhos para que se consiga tornar os exames mais eficazes, especialmente no setor de análises clínicas?

Jane Peng – A Snibe fornece os testes CLIA de painel completo para anticorpo e antígeno SARS-CoV-2, que podem ser detectados em nosso analisador CLIA mais rápido MAGLUMI X8, que tem alto rendimento de até 600 testes por hora para atender às altas necessidades e melhorar a eficiência do laboratório. Além disso, fornecemos teste rápido de antígeno SARS-CoV-2 e teste RT-PCR para ajudar no diagnóstico de Covid-19.

Recentemente, lançamos o analisador de PCR digital Molecision S6, que é uma solução única para quantificação absoluta para o RT-PCR. Ele divide a amostra de ácido nucleico de entrada em dezenas de milhares de gotículas do tamanho de nanolitros e a amplificação por PCR das moléculas modelo ocorre em cada gotícula individual. Ao analisar cada gota, a fração de gotas positivas para PCR na amostra original pode ser determinada, concluindo, assim, a concentração do molde de DNA alvo na amostra original.

O analisador integra funções de geração de gotículas, amplificação de PCR, fluorescência de quatro cores, detecção e análise de dados. E a detecção geral leva apenas duas horas sem a necessidade de trabalho manual tedioso.

Desenvolvemos o sistema totalmente automático de Bioensaios E6, para substituir a operação manual. O teste de cálcio ionizado mede apenas a forma livre e metabolicamente ativa pelo método de eletrodo seletivo de íons. Pode refletir melhor o estado metabólico do cálcio no corpo do que o cálcio total.

Temos o SISTEMA TCA de personalização de laboratório com fácil adição de módulos novos ou existentes para mais funcionalidades., compatível com analisadores totalmente automáticos de outros fabricantes.

Abramed em Foco – Como a empresa avalia sua participação no mercado brasileiro?

Jane Peng – A Snibe entrou no mercado brasileiro há cinco anos e ganhamos o apoio de clientes, distribuidores e parceiros. Estamos orgulhosos de nossos produtos, pois muitos clientes se beneficiam de nossa boa qualidade, portfólio mais amplo e excelente serviço.

Com novas linhas de PCR, Bioquímica, Eletrólitos e Linha de Testes Rápidos, nossa equipe está crescendo no Brasil. Até agora, ainda somos tão jovens no país, então esperamos aprimorar com novos parceiros e novos clientes também. Continuaremos aperfeiçoando a qualidade de nossos serviços para o mercado brasileiro.

Abramed em Foco – Sob a ótica da empresa, quais os principais pontos de atenção para o futuro da medicina diagnóstica?

Jane Peng – A atenção principal está voltada para o pioneirismo global no campo de diagnóstico in vitro (com um serviço completo, de melhor qualidade e de crescimento conjunto com nossos parceiros no Brasil) e na liderança de participação no mercado nos próximos cinco anos.

Abramed em Foco – Como a Snibe enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Jane Peng – A Abramed é muito importante para cooperar com marketing profissional e compartilhar as notícias globais com o sistema médico em diagnóstico in vitro. Esperamos trabalhar junto com a entidade para expandir nossa cooperação no Brasil, tendo chances de mostrar nosso sistema de atualização e intercâmbio com os líderes para o campo de laboratórios diagnósticos.

Do diagnóstico à prevenção: como os exames de sequenciamento genético contribuem para a medicina

Eles permitem a adequação personalizada do tratamento com base no background genético do indivíduo e de sua doença

A avaliação genética com fins diagnósticos ou preventivos tomou um grande impulso nos últimos 10 anos, principalmente com o advento de uma tecnologia chamada sequenciamento de nova geração, conhecida como NGS (Next Generation Sequence).

O NGS tornou o custo de sequenciamento do material genético em laboratórios mais acessível e aumentou a velocidade do procedimento, possibilitando a utilização da informação em testes clínicos. “Podemos dizer que essa área se delineou a partir do uso mais maciço dessa tecnologia genômica”, explica Cristóvão Mangueira, membro do Comitê de Análises Clínicas da Abramed e diretor de Medicina Laboratorial do Hospital Israelita Albert Einstein.

Importante ressaltar que genômica não é o mesmo que genética. Genética é a disciplina médica mais tradicional, e a genômica é basicamente a aplicação do NGS na composição de painéis de testes genéticos, com a finalidade de uso na medicina clínica.

Segundo Marcos Queiroz, diretor suplente do Comitê de Radiologia da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Albert Einstein, a genômica está revolucionando a medicina. “Antigamente, o tratamento para um tumor de pulmão, por exemplo, era o mesmo para todas as pessoas acometidas por ele. Com o sequenciamento genético, é possível detectar subtipos e características próprias para aquele indivíduo, fazendo com que o tratamento seja diferenciado. Cada lesão tem sua característica, e o sequenciamento genético permite identificar e entender se há um tratamento específico”, explica.

O sequenciamento também é importante no desenvolvimento de terapias celulares, porque, uma vez conhecido o aspecto característico do tumor, desenvolvem-se terapias que podem ser aplicadas diretamente nele. Além dos benefícios no tratamento oncológico, a genômica tem grande papel preventivo. Já existem check-ups genéticos que permitem estudar o DNA para entender se há algum gene que determine predisposição para determinado tipo de câncer.

Abordagens

Existem várias abordagens e maneiras de usar a tecnologia NGS na medicina, mas Cristóvão as divide em três mais frequentes. Uma envolve o sequenciamento do material genético humano, o DNA, à procura de mutações e variações genéticas que possam estar associadas ao diagnóstico de alguma doença ou à predição de risco ao seu desenvolvimento. Um exemplo na área oncológica é o câncer de mama. “Algumas mutações são identificadas no sequenciamento de genoma, associadas a um risco aumentado de câncer de mama hereditário. Isso pode levar a condutas diferentes na condução da saúde do indivíduo com a mutação”, explica.

Outra abordagem é o sequenciamento de material genético de um câncer já diagnosticado. Por meio de uma biópsia, tira-se um pedaço do câncer ou todo ele, e é feito o sequenciamento genético do material. “Esse procedimento é útil para vários tipos de cânceres, pois é possível individualizar o tratamento, dependendo da mutação genética encontrada. Dessa forma, podemos prever se vale a pena tratar com medicação, quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia”, destaca Cristóvão.

Por essa abordagem, também é possível prever se o paciente terá mais ou menos propensão a efeitos colaterais do tratamento. “Isso é o que chamamos de medicina personalizada, individualizada ou medicina de precisão, que é a adequação do tratamento para um indivíduo com base no background genético dele e de sua doença”, acrescenta o especialista.

A terceira abordagem é a utilização da tecnologia NGS para sequenciar microrganismos. Atualmente é possível estudar completamente a flora bacteriana do intestino fazendo o microbioma, que pode ser útil no tratamento de doenças inflamatórias intestinais, síndromes disabsortivas que levam à diarreia e doenças crônicas associadas com o mau funcionamento do intestino, por exemplo.

No diagnóstico, a tecnologia pode ser utilizada, por exemplo, para fazer sequenciamento total do vírus da covid-19 e identificar as novas variantes, como delta, ômicron, alfa, beta e assim por diante. “Resumindo, podemos usar o sequenciamento genético para diagnóstico de doença, predição de risco de doenças e para sequenciamento de microrganismos que causam doenças”, expõe Cristóvão.

Prevenção

Muito se fala da saúde do futuro, que está mais relacionada a cuidar preventivamente do paciente no contexto de sua saúde do que tratar a doença quando ela chega. Sem dúvida, os testes genéticos fazem parte dessa revolução.

Cristóvão conta, inclusive, que existem várias iniciativas de incorporação do sequenciamento genético no check-up tradicional, ou seja, muito além de exames de sangue, de imagem, físicos e da consulta médica. “Isso possibilita uma análise geral da saúde do paciente e uma visão mais aprofundada do risco para desenvolver doenças no futuro, como câncer, cardiopatias e doenças neurológicas.”

Na área de neurologia, há pesquisas para identificar, a partir do sequenciamento genético, o risco de doenças neuromusculares, neuropatias hereditárias, risco de epilepsia (InternationalEpilepsyDay), demência e Doença de Alzheimer, por exemplo.

No caso de doenças cardiológicas, uma das principais aplicações do teste genético é na identificação do risco de morte súbita, pois algumas pessoas não sabem que têm uma doença do coração, acabam sofrendo um mal súbito e vão a óbito. “O teste genético consegue identificar as doenças com antecedência, possibilitando ao médico prescrever medicamentos que previnam a morte súbita, como anticoagulantes ou outros que corrijam o ritmo cardíaco”, diz Cristóvão.

Como são feitos?

Testes genéticos são exames de alta tecnologia que demandam grande investimento nos sequenciadores genéticos, máquinas importadas dos Estados Unidos e China, por exemplo, que chegam a custar milhões de dólares. “Além do investimento nesse parque de equipamentos, os laboratórios e as clínicas de diagnóstico precisam investir em profissionais capacitados, pois não basta um profissional de laboratório comum, sem formação ou com formação generalista; são necessárias pessoas com PhD e treinamento específico na área genética”, conta Cristóvão.

Ele disse que foi incorporado um novo profissional ao laboratório: o bioinformata, profissional que une o conhecimento de TI e de biologia, capaz de desenvolver e utilizar softwares que interpretam dados de sequenciamento, transformando-os em um laudo inteligível para o profissional de saúde. “Atualmente, os laboratórios que trabalham com genômica têm equipes de bioinformática, ou seja, biólogos e biomédicos com formação específica, a maioria com pós-graduação.”

Na prática, a análise pode ser feita em qualquer material que contenha DNA ou RNA, no caso de vírus ou mesmo humano, como sangue ou saliva. Algumas informações oriundas do sequenciamento genético são chamadas de colaterais ou recreacionais, ou seja, não servem para fazer diagnóstico, mas matam a curiosidade das pessoas. Por exemplo, os testes de ancestralidade mostram o percentual de ascendência negra, europeia, indígena ou oriental no código genético da pessoa. No entanto, esse dado não tem nenhuma aplicação prática do ponto de vista médico.

Também é possível fazer sequenciamento de qualquer amostra que contenha células, pois todas têm DNA. Em testes focados em sequenciamento tumoral, que definem tratamento de cânceres, é usada a amostra de tecido tumoral, ou seja, um fragmento do próprio tumor retirado cirurgicamente, que é sequenciado no laboratório.

Análise dos resultados

Para análise dos resultados, a amostra passa por um processo de extração, que é a separação do DNA da amostra. Isso significa que primeiramente é preciso isolar o material genético e depois sequenciá-lo em outro equipamento, o sequenciador.

O resultado são alguns gigabytes ou até terabytes de informações, dependendo da profundidade do sequenciamento de dados brutos. Depois, esses dados são colocados em um software específico que traduz as informações para a linguagem médica clínica. O software vai rastrear os dados e identificar quais são as variações que estejam associadas a doenças. Depois, isso vai para outro sistema, que produzirá um laudo com a informação analisada.

“Não são exames fáceis com resultados que saem de um dia para outro. Geralmente são necessários vários dias ou até semanas para processar uma amostra e gerar um laudo. Esse exame geralmente é feito uma vez só e define o risco de ter alguma doença ou o tratamento específico para uma doença já diagnosticada, não é um exame de rotina”, explica Cristóvão.

Investimento

Para os laboratórios que querem investir nesses exames, Cristóvão diz que o retorno financeiro é difícil, porque o investimento inicial é muito alto, tanto em equipamentos quanto em profissionais qualificados. No caso de um laboratório inserido em sistemas de saúde de alta complexidade, com serviços de oncologia e outros serviços especializados, ele acredita que vale a pena buscar soluções genômicas para incorporar ao portfólio.

“Como o investimento é muito alto, uma tendência mundial é fazer associações entre laboratórios, pois o número maior de amostras viabiliza o retorno financeiro. O Brasil é um mercado de saúde grande e há poucos serviços de genômica privados. Assim, a tendência é que esses serviços se juntem para buscar sustentabilidade. Uma mão lava a outra”, analisa Cristóvão.

Por sua vez, Queiroz acredita que investir em genética é o futuro e que, com o tempo, o valor do aporte vai diminuir. “No entanto, é fundamental investir em educação médica, para que a análise desses resultados seja a mais assertiva possível”, acrescenta. Aliás, segundo ele, também é preciso educar a população em geral, através da divulgação dos benefícios gerados pela medicina genética de precisão.

“É fundamental fazer uma divulgação responsável desse tipo de exame. Por outro lado, vale lembrar que ele não resolve tudo, pois há doenças com fatores ambientais, que dependem da alimentação e de uma série de outros fatores”, finaliza Queiroz.

Texto publicado em: 12/12/2022