Especial Hospitalar: Biologia molecular e a revolução na detecção precoce

A palestra de Guilherme Ambar, CEO da Seegene Brazil, durante o Summit Abramed na Hospitalar 2025, trouxe uma análise aprofundada sobre o impacto da biologia molecular na revolução do diagnóstico precoce. Com técnicas como o PCR em tempo real e o sequenciamento de nova geração, exames laboratoriais ganham agilidade, precisão e capacidade de detectar doenças antes mesmo do aparecimento dos sintomas — o que tem efeito direto sobre desfechos clínicos, custos do tratamento e qualidade de vida dos pacientes.

Segundo Guilherme, estudos recentes demonstram que exames moleculares podem reduzir em até 85% o tempo de internação hospitalar e gerar economias significativas em tratamentos, especialmente no caso de doenças oncológicas, infecciosas e genéticas.

“Estamos falando de tecnologias que já têm mais de 30 anos de aplicação, mas que hoje precisam ser ampliadas em termos de acesso e aplicadas com mais estratégia dentro da jornada do paciente”, reforçou.

Durante a apresentação, ele mostrou evidências concretas do impacto positivo dessas tecnologias em pacientes com câncer, recém-nascidos com doenças raras e infecções congênitas, além de exemplos sobre o uso de ferramentas moleculares durante a pandemia de Covid-19. “A biologia molecular não apenas melhora o diagnóstico, como também reduz custos ao longo da jornada. Mesmo com um custo inicial mais alto, ela evita terapias equivocadas, reduz internações e melhora o prognóstico”, destacou.

O palestrante também alertou para a necessidade de superar barreiras de custo e ampliar a incorporação desses exames na Saúde Pública e Suplementar. “O próximo passo é democratizar o acesso, treinar profissionais e fomentar políticas públicas que reconheçam o valor dessas tecnologias na atenção primária e na gestão de saúde populacional”, concluiu.

Especial Hospitalar: Summit Abramed debate diagnóstico como ponto de partida para a gestão da Saúde

A abertura institucional do Summit Abramed foi realizada pela diretora-executiva da Associação, Milva Pagano, que também moderou o primeiro painel do evento. Com o tema “A Importância do Diagnóstico na Gestão da Saúde”, o debate contou com o presidente do Conselho de Administração da entidade, Cesar Nomura, Paula Campoy, presidente da ASAP – Aliança para Saúde Populacional, Gustavo Campana, diretor médico no DB Diagnósticos e Ademar Paes Júnior, membro do Conselho de Administração da Abramed.

Milva reforçou a necessidade de “desfragmentar o olhar sobre o diagnóstico”, destacando que ele deve ser entendido como um elemento estruturante da jornada de cuidado. Também alertou para o desafio que o setor enfrenta para mensurar desfechos clínicos com base em dados integrados que demonstrem o valor da Medicina Diagnóstica para o sistema de Saúde.

Cesar Nomura deu continuidade destacando que a sustentabilidade e qualidade da Medicina Diagnóstica estão diretamente associadas à inovação e automação. “O que nos trouxe até aqui foi inovação, e é ela que continuará nos levando adiante. Nossa responsabilidade é seguir investindo em tecnologia e qualidade para mantermos o protagonismo da Medicina Diagnóstica na sustentabilidade do sistema de Saúde”, defendeu. Para Nomura, o papel das associações é essencial para promover equilíbrio entre os diferentes interesses da cadeia e construir soluções integradas para o setor.

Na mesma linha, Gustavo Campana ressaltou o potencial estratégico dos dados gerados pelos exames laboratoriais e de imagem. “Precisamos sair do modelo fragmentado e desestruturado. A Medicina Diagnóstica pode ser o eixo de um sistema mais coordenado, com base em dados objetivos que nos permitam influenciar os desfechos clínicos e financeiros”, afirmou. Para ele, tecnologias como Inteligência Artificial só trarão impacto real se apoiadas em estruturas de big data, interoperabilidade e indicadores bem definidos.

Por outro lado, Ademar Paes Júnior trouxe uma provocação contundente: embora os exames representem cerca de 17% a 18% do custo assistencial das operadoras, seus dados ainda são pouco usados para definir estratégias populacionais e precificar Planos de Saúde. “Temos dados estruturados e de alto valor, mas seguimos guardando tudo a sete chaves, sem transformar isso em inteligência para melhorar a performance do sistema”, alertou.

Ele defendeu que os laboratórios assumam uma postura mais ativa, criando áreas de dados capazes de transformar informações clínicas em ferramentas para decisões mais precisas, contratos mais equilibrados e políticas de Saúde mais efetivas.

Encerrando o painel, Paula Campoy, presidente da ASAP, reforçou que diagnóstico é antecipação, “é entender o risco da população, personalizar o cuidado e garantir que o paciente seja o centro. Precisamos resgatar o propósito da Saúde no país — cuidar das pessoas — e o diagnóstico é a porta de entrada”.

Paula também fez críticas à visão de curto prazo nas decisões assistenciais e lembrou que exames normais também têm valor, pois evitam procedimentos desnecessários. “Não é quanto custa fazer, é quanto custa não fazer”, sintetizou.

O papel do diagnóstico precoce no enfrentamento de doenças silenciosas

*Por Paula Campoy

Que o diagnóstico precoce é uma ferramenta essencial para reduzir despesas com tratamentos, potencializar uma cultura de medicina preventiva no país e melhorar a jornada de cuidados junto aos pacientes, não deveria haver dúvidas.

Estudos do setor indicam que mais de 20 mil internações por ano poderiam ser evitadas com um olhar mais estruturado sobre a atenção primária, especialmente com o uso sistemático de exames laboratoriais e de imagem que, graças à evolução tecnológica, tornam-se cada vez mais precisos, acessíveis e eficientes.

Em termos financeiros, essa redução de internações representa um potencial de economia de até R$ 400 milhões por ano para o sistema de saúde brasileiro — recursos que poderiam ser redirecionados para ampliar o acesso, fortalecer redes de atenção primária e reduzir desigualdades estruturais.

Ainda assim, há um olhar de curto prazo que alcança também o setor de Saúde Suplementar para o qual, a priorização dos investimentos em Medicina Diagnóstica – que, como vimos, podem gerar sustentabilidade financeira, impacto em desfechos e eficiência operacional — ainda é vista, muitas vezes, como custo. A pergunta certa, nesse cenário, não é ‘quanto custa diagnosticar?’ — e sim ‘quanto custa não diagnosticar?’

Além disso, é importante salientar que, do ponto de vista estritamente econômico, os exames laboratoriais representam hoje cerca de 17% do custo assistencial das operadoras, proporção que se manteve estável ou mesmo se reduziu nas últimas décadas, a despeito do aumento expressivo da complexidade diagnóstica e da alta na demanda por exames.

Ainda assim, tanto na prática assistencial quanto na formulação das políticas de Saúde, a negligência diante das doenças assintomáticas ainda é estrutural. Diabetes, hipertensão e doença renal crônica avançam de modo insidioso em milhões de brasileiros, transformando o tempo, que poderia ser um ativo estratégico da medicina, em vetor de dano cumulativo. Para elucidar esse cenário, segundo o IBGE, mais de 20 milhões de brasileiros já convivem com a diabetes, necessitando de um acompanhamento contínuo de exames laboratoriais para um cuidado mais eficiente de seus quadros clínicos.  

Nesse cenário, o diagnóstico precoce não é um recurso adicional, mas sim condição elementar de sustentabilidade para o ecossistema de Saúde nacional. É preciso reforçar também que não estamos falando apenas de diagnósticos complexos: exames laboratoriais simples, como hemogramas, são determinantes para a identificação de uma série de doenças silenciosas, incluindo casos de leucemia.

E o desafio aqui, não é de capacidade técnica, operacional ou tecnológica: na verdade, é animador observar que a inovação tem avançado de modo expressivo e contínuo no campo da Medicina Diagnóstica.

Segundo dados do Painel Abramed 2024, por exemplo, cerca de 27% dos investimentos realizados pelas principais empresas do setor em 2023 foram direcionados à inovação. Além disso, a Associação indica que, também em 2023, houve um aumento de 54% no número de exames ou laudos acessados digitalmente em relação a 2022. Na comparação com 2021, o volume dobrou. Em outras palavras: estamos falando de um contexto que favorece a integração de um ambiente que, conforme supracitado, segue muito fragmentado no Brasil.

Ainda em relação aos avanços tecnológicos, mais de 50% dos algoritmos de IA na Saúde foram desenvolvidos a partir de dados do campo da Medicina Diagnóstica. Trata-se, portanto, de uma área com processos estabilizados, resultados objetivos e forte capacidade de entrega.

No entanto, essa capacidade precisa estar vinculada à interoperabilidade e ao compartilhamento de dados entre os agentes da Saúde Suplementar, muitos dos quais já possuem bases de big data valiosas, mas precisam avançar na integração de data lakers modernos, capazes de revolucionar o cuidado com os pacientes e a prevenção de doenças silenciosas no Brasil.

Nesse mesmo sentido, é urgente o desenvolvimento de políticas públicas que favoreçam o uso inteligente e precoce dos exames; a conexão real entre os sistemas público e privado; e a valorização da Medicina Diagnóstica como eixo estruturante do cuidado — e não apenas como ferramenta de confirmação clínica.

Finalmente, associações e entidades do setor devem assumir um papel decisivo para fomentar a colaboração e o fortalecimento de um modelo de Saúde mais integrado e sustentável no Brasil. O diagnóstico precoce, afinal de contas, é não só um instrumento essencial para o enfrentamento de doenças silenciosas, mas também a porta de entrada para o cuidado e promoção da saúde populacional.

COP 30: desafios e oportunidades para o avanço da sustentabilidade e da agenda ESG na Medicina Diagnóstica

Com o Brasil no centro das discussões climáticas globais, o setor de saúde tem a oportunidade de se posicionar como um dos protagonistas da transição para modelos operacionais mais sustentáveis, inovadores e socialmente responsáveis

Por Daniel Périgo

A COP 30, que será sediada em Belém (PA) em 2025, representa um marco geopolítico e ambiental para o Brasil e para o mundo. Ao colocar o país como palco central das discussões sobre clima, a conferência também abre uma janela estratégica para que setores fundamentais para o desenvolvimento da sociedade, como o de saúde, se posicionem como protagonistas da transição para uma economia de baixo carbono e de práticas ESG mais maduras.

O momento é de urgência, mas também de enorme potencial de transformação, e naturalmente abarca os esforços da Medicina Diagnóstica, especialmente quando consideramos fatores como o aumento de doenças emergentes relacionadas ao aquecimento global e à proliferação de vetores em ambientes úmidos, além dos impactos nas doenças circulatórias e respiratórias, que aumentam a pressão sobre os setores de exames diagnósticos e cuidados preventivos.

No campo das oportunidades, por exemplo, o desenvolvimento de novos testes para doenças emergentes e melhoria dos modelos atuais visando uma maior agilidade na liberação de resultados pode ser decisivo para o desenho do futuro na Medicina Diagnóstica.

Isso posto, a responsabilidade ambiental do setor de saúde se apresenta como uma demanda indispensável para o planeta, haja vista que, atualmente, os sistemas de healthcare são responsáveis por cerca de 4,4% das emissões de CO2 globais.

Nesse sentido, o primeiro passo é entendermos que a agenda ESG é estratégica e merece destaque na condução central dos negócios, tendo de ser vista como um investimento essencial, e não somente como uma despesa, já que a sustentabilidade se reverte também em políticas de governança mais sólidas, redução de riscos, atração de investimentos e ganhos institucionais junto a uma sociedade cada vez mais atenta ao comprometimento das empresas com a pauta socioambiental.

Dentro desse contexto, é importante destacar ainda que a intensificação de eventos climáticos extremos já está aumentando a ocorrência de determinadas doenças, sobretudo em comunidades mais vulneráveis e sem acesso a saneamento básico e saúde de qualidade, fato que impõe,  segundo posicionamento recente da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em colaboração com o Ministério da Saúde do Brasil, a necessidade de preparar os serviços de saúde da América Latina para combaterem os impactos decorrentes das mudanças climáticas.

Essa necessidade mobiliza ainda a criação de um Plano de Ação sobre Clima e Saúde, atualmente em desenvolvimento por essas organizações que será considerado no âmbito da COP 30. Essa iniciativa, somada ao plano setorial de adaptação ao clima da área de saúde do governo brasileiro, atualmente em consulta pública, pode fornecer subsídios para um melhor enfrentamento aos efeitos das mudanças do clima no setor de saúde e no país.

Em outras palavras: o setor de saúde será um ator relevante para o cumprimento dos objetivos da COP 30 que prioriza, dentre outros, temas como adaptação e justiça climática, transição energética, redução da emissão de gases de efeito estufa, desenvolvimento de soluções de baixo carbono e atenção aos impactos sociais das mudanças no clima.

Para o setor de saúde e de Medicina Diagnóstica, na prática isso significa ampliar o acesso à saúde de forma equitativa, fortalecer a resiliência dos sistemas assistenciais frente às emergências climáticas e reduzir o impacto ambiental das operações implantando ações concretas que incluem desde a ampliação da telemedicina para diminuir deslocamentos, passando por um aumento nos investimentos na redução e em uma melhor gestão dos resíduos gerados e na diversificação da matriz energética das operações até a adoção de mecanismos de redução do consumo ou substituição do uso de gases anestésicos com alto potencial de geração de emissões, como o óxido nitroso.

No entanto, é necessário ainda avançar em iniciativas conjuntas, em especial com a cadeia de fornecimento, na busca de soluções mais sustentáveis com relação à logística reversa de resíduos e eletrificação de frotas logísticas, apenas para citar alguns exemplos que podem ser decisivos para uma nova mentalidade em um segmento tão importante para a vida da população.

Neste cenário, a inovação tecnológica desponta como ferramenta indispensável. A inteligência artificial, por exemplo, pode ajudar a construir modelos preditivos climáticos mais precisos que orientem investimentos em prevenção de impactos, otimizem fluxos e reduzam desperdícios. Equipamentos de menor consumo energético e investimentos na integração de informações e processos do ecossistema de saúde são outros passos fundamentais. Mas há desafios: o próprio processamento intensivo de informações na IA consome energia, o que exige a criação de modelos computacionais mais enxutos e bases de dados mais otimizadas.

Ato contínuo, no campo social da agenda ESG que dialoga com a COP 30 dentro da busca pela redução dos impactos sociais frente às mudanças climáticas, é fundamental fortalecer programas de saúde para populações vulneráveis, investir em diversidade, inclusão e na formação e bem-estar dos profissionais de saúde, bem como, garantir acesso equitativo ao diagnóstico e a saúde de qualidade para a toda a população.

Diante de tantas demandas urgentes que envolvem ainda a padronização de protocolos nacionais e internacionais voltados ao tema e fortalecimento da governança das políticas ESG, a Abramed coloca essa agenda no centro de suas discussões. Além de contar com um Comitê ESG exclusivo que incentiva os debates e trocas de experiências entre empresas associadas, a Associação tem investido na consolidação de dados de ESG do setor e na disseminação de conteúdo e aprendizado sobre essas pautas, seja na newsletter mensal, no Fórum de Líderes de Saúde (FILIS) ou na realização de simpósios específicos sobre as temáticas ambientais, sociais e de governança.

A COP 30 é, portanto, mais um chamado para que a temática socioambiental se torne um pilar estratégico do setor de saúde e da Medicina Diagnóstica, que deve cumprir um papel decisivo, tanto diante das mudanças climáticas que já são uma realidade no Brasil e no mundo, quanto como um setor ativo na jornada de transição para sistemas econômicos de baixo nível de emissões e na busca por mais equidade social. 

Daniel Périgo é Líder do Comitê ESG da Abramed e Gerente Sênior de Sustentabilidade do Grupo Fleury

Revisão da tabela TUSS 38 da ANS: Abramed participa de Comitê para aprimorar classificação de glosas

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou recentemente 1ª reunião do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS) da ANS de 2025.Entre os temas debatidos, um dos destaques foi a retomada da revisão da Tabela TUSS 38 — instrumento que organiza a nomenclatura, codificação de procedimentos e mensagens padronizadas na comunicação entre operadoras e prestadores de serviços de saúde, incluindo a Medicina Diagnóstica. A atualização da tabela busca eliminar repetições, padronizar descrições e trazer maior clareza e objetividade aos fluxos de informação.

Para a Abramed, trata-se de uma discussão estratégica, com impactos diretos na previsibilidade financeira e na sustentabilidade do setor. A entidade tem contribuído ativamente com propostas técnicas, com foco em dois desafios principais enfrentados por seus associados: o excesso de códigos pouco aplicáveis e a subjetividade das mensagens de glosa.

Segundo Claudio Laudeauzer, líder do Comitê Padrão TISS da Abramed e Gerente Corporativo de TI do Grupo Sabin, “a TUSS 38 possui muitos códigos que acabam ficando dúbios e em duplicidade. Isso dificulta o entendimento da glosa ou da negativa, e é comum as operadoras utilizarem códigos diferentes para o mesmo motivo”.

Essa falta de padronização prejudica a gestão operacional das instituições de Saúde, impactando diretamente o tempo e os custos administrativos. “O excesso de códigos atrapalha o entendimento do real motivo da glosa ou negativa. Muitas vezes, a correção depende da interpretação da descrição da mensagem, o que pode atrasar o processo ou, até mesmo, torná-lo ineficaz”, explica o especialista.

Com a revisão em curso, o objetivo é tornar a tabela mais enxuta, objetiva e funcional. “A proposta é reduzir o número de mensagens e clarificar os textos das remanescentes. Isso vai reduzir o trabalho interpretativo e gerar uma comunicação mais assertiva”, afirma Laudeauzer. “Teremos uma tabela mais compacta e objetiva, que permitirá uma correção mais rápida e eficaz, reduzindo a recorrência das glosas”.

A participação ativa da Abramed inclui a sistematização de contribuições técnicas elaboradas por seus associados, atualmente em fase de compilação pelo grupo de trabalho do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar, para posterior convergência entre as entidades envolvidas e envio da versão final para avaliação no COPISS.

Essa discussão também reforça a importância de se buscar, no futuro, maior interoperabilidade e padronização entre os sistemas utilizados na Saúde Suplementar brasileira. “Hoje, cada prestador possui seus códigos internos e muitas operadoras adotam protocolos próprios de comunicação. Isso gera um cenário fragmentado e de difícil sustentação. Um modelo único, padronizado e adotado por toda a cadeia traria ganhos reais de eficiência e transparência”, defende Laudeauzer.

O papel da Abramed como voz técnica da Medicina Diagnóstica em discussões como essa reforça o compromisso do setor com a promoção da qualidade da informação em saúde, a busca uma regulação mais eficiente e a construção de relações mais equilibradas e transparentes entre operadoras e prestadores.

Lançamento do livro Medicina Diagnóstica e Direito Administrativo tem apoio da Abramed

A obra Medicina Diagnóstica e Direito Administrativo, coordenada pelo professor André Saddy e publicada pelo Centro para Estudos Empírico-Jurídicos (CEEJ) da Universidade Federal Fluminense (UFF), reúne especialistas de diferentes áreas do Direito e da Saúde para discutir, sob uma perspectiva técnico-regulatória, temas relevantes para a prática da Medicina Diagnóstica no país.


Entre eles, a atuação normativa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os impactos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na gestão de exames e informações sensíveis, o papel da biossegurança nos laboratórios, o uso de inteligência artificial no diagnóstico, a responsabilização civil por erros em exames e a viabilidade legal dos serviços laboratoriais em farmácias.


Além disso, o livro discute a contribuição das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e de startups para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à saúde, destacando os desafios regulatórios e as oportunidades para a modernização do setor.

“Publicações como essa fortalecem a base técnica e jurídica que sustenta as transformações da Medicina Diagnóstica, promovendo um olhar mais integrado entre saúde, regulação e inovação”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.


Com mais de 400 páginas, o livro conta com o apoio da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e, em breve, estará disponível nas versões física e digital.


A obra se propõe a ser uma referência para profissionais da Saúde, juristas, gestores públicos, reguladores e pesquisadores interessados em compreender os desafios e caminhos para um setor mais seguro, ético e eficiente.

Abramed debate inovações baseadas em IA durante o Fórum Inovação Saúde 2025

O painel “IA no Diagnóstico: Como Expandir Possibilidades e Maximizar Oportunidades?”, realizado no dia 7 de abril, no Fórum Inovação Saúde 2025, evento organizado pela Iniciativa FIS, em Recife, contou com mediação de Milva Pagano, Diretora Executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), e reuniu Linaldo Vilar, Head of Lab Operations da DASA, e Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin e Vice-Presidente do Conselho de Administração da Abramed, para refletir sobre o uso da Inteligência Artificial no setor.

Os executivos compartilharam experiências e perspectivas sobre o uso da IA no setor, destacando avanços recentes, pontos de atenção e as transformações que ainda virão.

Linaldo Vilar relembrou que a jornada de inovação da DASA teve início em 2017 e passou por uma fase intensa de experimentação até alcançar resultados consistentes a partir de 2021. Segundo ele, hoje a empresa já opera com mais de 80 ressonâncias magnéticas equipadas com aceleradores de imagem e cerca de 50 algoritmos voltados à identificação de achados críticos.

“É preciso usar a tecnologia como um suporte à decisão clínica, e não como substituto da prática médica”, defendeu. Para Vilar, a IA oferece ganhos concretos de agilidade e qualidade, especialmente em áreas como oncologia e genômica, mas sua implementação precisa respeitar os fluxos operacionais dos prestadores. “Não será uma integração impositiva e única. É preciso escolher onde aplicar, adaptar rotinas, integrar sistemas e trabalhar a aceitação da equipe assistencial”, afirmou.

Ele também alertou sobre a importância de ter dados de qualidade para treinar as máquinas e poder usá-las com segurança.

Lídia Abdalla reforçou que a transformação digital exige mais do que investimento em tecnologia. Para ela, o fator humano ainda é o principal desafio. “Se as pessoas não confiarem na empresa e na liderança, se não entenderem que a IA está aqui para tornar a operação mais sustentável, haverá resistência — não só à IA, mas a qualquer tecnologia”, explicou.

A executiva também ressaltou o potencial da IA para ampliar o acesso ao diagnóstico em um país de dimensões continentais. No entanto, chamou atenção sobre os riscos de desigualdade em regiões que não têm estrutura operacional e iniciativas para capacitar as pessoas para usarem as novas tecnologias.

Em seu discurso, a CEO do Grupo Sabin ressaltou um entrave importante: o financiamento. “Na Saúde Suplementar, muitas operadoras ainda não cobrem procedimentos com IA, de modo que, muitas vezes, a inovação ainda é um privilégio de quem pode pagar particular”.

Segundo ela, o Grupo Sabin tem investido em um ecossistema robusto de inovação, com aceleradoras e parcerias com startups, buscando soluções que possam ser aplicadas de forma prática e sustentável para que os benefícios cheguem para todos, principalmente para os pacientes.

Tecnologia, comportamento e humanização

Durante a mediação do painel, Milva Pagano destacou o impacto da IA não apenas do ponto de vista técnico, mas também comportamental. Para ela, apesar do receio e medo de substituição, o avanço da tecnologia já transformou a forma como profissionais, pacientes e as pessoas no geral interagem com a tecnologia.

“Mesmo com resistência, nos acostumamos a usar e muitos até já criaram uma dependência. Mas, quando pensamos no cuidado com a saúde, não podemos perder a dimensão da relação humana e há o receio dessa relação ser substituída pela Inteligência Artificial”, pontuou.

Ela também mencionou a importância de considerar os pensamentos e valores das pessoas no processo de adoção tecnológica. “São as crenças que moldam nossa relação com o novo, por isso, nunca podemos subestimar as crenças que surgem nos seres humanos”.

Todo cuidado começa com um diagnóstico: o papel da Medicina Diagnóstica na Jornada da Saúde

A Medicina Diagnóstica tem um papel fundamental na promoção da saúde em todas as fases da vida, começando pelo acompanhamento gestacional e seguindo ao longo do desenvolvimento humano. No Dia Mundial da Saúde de 2025, celebrado em 7 de abril, essa importância ganha ainda mais destaque, reforçando como o diagnóstico precoce é essencial para garantir um início de vida saudável e prevenir complicações futuras.

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a campanha “Começos Saudáveis, Futuros Esperançosos”, com foco na saúde materna e neonatal. A iniciativa visa reduzir óbitos evitáveis de mães e recém-nascidos, promovendo cuidados de saúde de qualidade desde a gestação até o pós-parto. A Medicina Diagnóstica se destaca nesse cenário, especialmente com a triagem neonatal — como o teste do pezinho, realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida —, fundamental para detectar precocemente doenças genéticas, metabólicas e infecciosas, assegurando tratamento oportuno e melhor qualidade de vida para as novas gerações.

Com a ampliação promovida pela Lei nº 14.154, o teste do pezinho passou a identificar até 53 doenças, incluindo fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito e anemia falciforme. Essa evolução reforça a importância do diagnóstico precoce na promoção da saúde infantil e na prevenção de sequelas.

“A evolução tecnológica permitiu ampliar o painel de doenças rastreadas no teste do pezinho. Além disso, técnicas como sequenciamento genético e Inteligência Artificial estão revolucionando a velocidade e a precisão dos diagnósticos. Mas precisamos avançar na acessibilidade, garantindo que todas as crianças, especialmente em regiões remotas, tenham acesso a esses exames”, explica Alex Galoro, médico e líder do Comitê de Análises Clínicas da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica.

Diagnósticos nos primeiros 30 dias de vida reduzem em até 70% as hospitalizações por doenças tratáveis. No Brasil, o teste do pezinho alcança mais de 80% dos recém-nascidos, mas a cobertura do exame varia significativamente entre os estados brasileiros.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo, enquanto em Brasília 97% dos recém-nascidos são submetidos ao exame nos primeiros sete dias após o nascimento, estados como Piauí e Pernambuco apresentam cobertura de apenas 24%.

A campanha da OMS reforça a necessidade de sistemas de saúde que priorizem a prevenção e o cuidado desde o início da vida.

Com ações integradas, a Medicina Diagnóstica pode contribuir com a ampliação da cobertura de exames neonatais, parcerias para viabilizar testes expandidos e capacitação contínua de profissionais para a análise ágil e precisa dos resultados.

Para Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed, investir em saúde neonatal é um compromisso com a saúde da população. “Ao fortalecer o diagnóstico precoce, o setor contribui diretamente para políticas de saúde mais eficientes, equitativas e orientadas à prevenção”, pontua.

Como a nuvem está transformando o setor de Medicina Diagnóstica?

Com investimentos robustos em todo o mundo, tecnologia cloud fortalece a integração no setor de saúde

24 de março de 2025 – Quando pensamos no movimento de transformação digital que impulsiona a economia contemporânea, não há maiores dúvidas de que a computação na nuvem é um dos pilares dessa revolução que alcança também o setor de saúde e de medicina diagnóstica.

Para termos uma ideia desse cenário, só no ano passado, US$ 53,8 bilhões foram investidos globalmente em infraestrutura e soluções cloud para o segmento de healthcare global, segundo dados da consultoria Markets and Markets. E a expectativa é que a presença dessa tecnologia cresça 17,5% ao ano até 2029 no setor, gerando cerca de US$ 120,6 em direcionamento de recursos no mercado.     

Diante de tais indicadores, é possível afirmar que a Medicina Diagnóstica já está vivenciando uma mudança de paradigmas na forma como os dados médicos são armazenados, compartilhados e analisados, trazendo consigo uma série de benefícios que impactam diretamente a eficiência, a segurança e a qualidade dos serviços de saúde. 

As possibilidades abertas em termos de escalabilidade e acessibilidade são  ganhos primordiais dessa tecnologia para o setor, conforme explica Rafael Jácomo, membro do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Diretor Técnico do Grupo Sabin. 

“A principal vantagem da nuvem para os serviços de saúde é a alta disponibilidade que os sistemas em nuvem disponibilizam e seu consequente acesso independente da estrutura física. Juntos, estes dois benefícios se traduzem em facilidade para médicos e pacientes em conseguir as informações necessárias para tomada de decisões”, afirma. 

Rogéria Cruz, Líder do Comitê de Proteção de Dados da Abramed e Diretora-Executiva Jurídica da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, complementa essa visão, “Os profissionais de saúde podem acessar prontuários, laudos e exames de qualquer lugar, o que facilita o atendimento e a tomada de decisão. Além disso, a nuvem permite um compartilhamento seguro entre instituições”.

Redução de riscos e sustentabilidade

A transição para esse novo ecossistema tem como trunfo outro pilar decisivo na gestão de informações clínicas: a segurança de dados.

Um primeiro ponto mais evidente diz respeito à redução dos riscos associados à gestão de mídias físicas, como danos causados por incêndios, inundações ou mesmo a perda de documentos. A nuvem oferece ainda recursos avançados de segurança, como criptografia de ponta a ponta, monitoramento contínuo contra ataques cibernéticos e backups automáticos, dentro de um panorama em que os provedores investem de modo robusto em medidas de proteção e atualizações constantes para mitigar riscos.

Nesse mesmo sentido, a nuvem é um vetor de maior desempenho que aumenta a eficiência, precisão e produtividade nas rotinas de diagnóstico e na oferta de serviços de saúde de modo geral.

A capacidade de processar e compartilhar exames e laudos em tempo real, por exemplo, acelera o encaminhamento de diagnósticos e tratamentos, ao passo que a integração de sistemas na nuvem contribui para uma maior colaboração entre diferentes profissionais de saúde, tornando a distância física um fator irrelevante. 

Rogéria Cruz exemplifica esse contexto ao mencionar que “um paciente que realiza um exame de imagem pode ter seus resultados acessados instantaneamente por médicos de diferentes especialidades, possibilitando um diagnóstico mais rápido e preciso. Além disso, sistemas de telemedicina integrados à nuvem estão revolucionando o atendimento, permitindo consultas e laudos à distância sem comprometer a segurança dos dados”.

Finalmente, do ponto de vista financeiro e ambiental, a migração para a nuvem pode gerar tanto economia – ao reduzir a necessidade de investimento em data centers e aumentar o acesso a soluções que poderiam ser inviáveis por meio de aquisição direta – quanto uma maior eficiência energética por parte das empresas, que não dependem mais de infraestruturas físicas para o compartilhamento de arquivos.   

Um olhar para o futuro da Medicina Diagnóstica

Para que as empresas do setor de Medicina Diagnóstica acelerem a implementação da nuvem e absorvam tantos benefícios, é fundamental superar um desafio cultural importante de confiança por parte das equipes, promovendo uma mudança de mentalidade acerca da segurança dos dados na nuvem. 

A escolha de fornecedores cloud que atendam a altos padrões de cibersegurança e a consequente implementação de políticas internas e rigorosas de governança de dados, são passos essenciais para garantir a proteção de informações clínicas sensíveis e o entendimento dos colaboradores sobre as vantagens da nuvem.

Vantagens essas que incluem, por fim, a base para tecnologias mais integradas e um uso ampliado da inteligência artificial na saúde. 

Rafael Jácomo vislumbra um futuro em que “a Medicina Diagnóstica será moldada por tecnologias mais integradas, com uso ampliado da inteligência artificial e acesso mais abrangente. A análise de grandes volumes de dados será facilitada, permitindo a personalização do diagnóstico com um protagonismo sem precedentes”. 

Para que tudo isso seja possível, a ampla adoção da nuvem na Medicina Diagnóstica exige que as instituições do país avancem em sua maturidade digital e dependerá de fatores como regulamentação, custos e adesão das instituições de saúde.

Nesse contexto, a Abramed tem reafirmado seu compromisso em impulsionar um ecossistema mais inovador, alinhado às tendências, que permita a interoperabilidade entre sistemas de saúde para que hospitais, laboratórios e clínicas compartilhem informações de forma mais eficiente e segura e aprimorem a qualidade dos serviços de Medicina Diagnóstica no Brasil.

Dengue: apesar da queda nos índices de positividade, o primeiro trimestre de 2025 já registra o segundo maior número de casos da história

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) segue monitorando a evolução dos casos de dengue no Brasil. Dados recentes indicam que a taxa de positividade dos exames realizados pelos laboratórios associados permanece em níveis elevados, com aumento registrado nas últimas semanas de fevereiro (semanas epidemiológicas 07, 08 e 09), quando a positividade chegou a 19,2% —  o maior índice desde outubro de 2024.

Embora a média móvel aponte uma tendência de queda, essa redução ocorre porque o pico de casos de janeiro não compõe mais a base de comparação. Ao desconsiderar esse período, as taxas até fevereiro foram as mais elevadas desde agosto de 2024 (semana epidemiológica 32).

Dengue atinge níveis históricos no Brasil

Apesar de dados do Ministério da Saúde apontarem uma queda considerável de quase 70% nos casos prováveis de dengue registrados nos dois primeiros meses de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, historicamente, o Brasil enfrenta o segundo ano com mais ocorrências da doença.

Outro ponto que chama a atenção dos especialistas é a circulação do sorotipo 3, que esteve ausente no Brasil por mais de 15 anos e pode aumentar o risco de contágio, já que grande parte da população nunca foi exposta à essa variante e não possui anticorpos específicos.

“Os sintomas da dengue, como febre alta, dor abdominal intensa e vômitos persistentes, podem ser confundidos com outras viroses, dificultando o diagnóstico e diminuindo a atenção a sinais de agravamento, isto reforça a importância dos testes laboratoriais para a detecção da doença”, explica Dr. Alex Galoro, patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Além disso, mesmo com a adesão de todas as doses disponíveis para 2025, a distribuição ainda é restrita e a vacinação contra a dengue está disponível na rede pública apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — em algumas regiões, a faixa etária foi estendida até os 16 anos.

Com o aumento histórico de casos, as estratégias de combate à dengue incluem medidas preventivas como eliminação de criadouros do mosquito Aedes Aegypti, principal transmissor da doença. O Ministério da Saúde alerta que 75% dos focos do mosquito estão dentro de residências, reforçando a necessidade de ações contínuas de conscientização e controle ambiental.

A Abramed reitera a importância da vigilância laboratorial, do diagnóstico precoce e da notificação dos casos para a tomada de decisões estratégicas no enfrentamento da epidemia. O monitoramento contínuo e a atuação conjunta entre governos, setor privado e sociedade são fundamentais para conter o avanço da doença no Brasil.

Monitoramento

Os associados à Abramed são responsáveis por cerca de 80% do volume de exames realizados na Saúde Suplementar no Brasil. Os dados são compilados por meio da plataforma de inteligência de dados METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da associação. Essa colaboração tem permitido o acompanhamento de dados relevantes, fornecendo uma visão clara e estratégica para a tomada de decisões em prol da saúde populacional.

Importante ressaltar que as associadas da Abramed enviam os resultados dos exames diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo para o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para entender a progressão da dengue no Brasil e embasar medidas de saúde pública voltadas à contenção da doença.