Abramed debaterá inovação, qualidade e inteligência de dados em programação especial na Hospitalar 2026

Com dois painéis que reúnem lideranças de referência na medicina diagnóstica, a entidade participa da maior feira de saúde da América Latina. Associados e parceiros têm 15% de desconto no ingresso.

A Hospitalar, principal evento de saúde da América Latina, reunirá entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, no São Paulo Expo, lideranças, empresas e especialistas para debater os caminhos da transformação do setor. Em sua 31ª edição, a feira deve repetir o alto volume de negócios e a presença internacional, consolidando-se como um dos principais espaços de discussão técnica e estratégica do tema no país.

Na edição deste ano, o Summit Abramed será realizado no dia 19 de maio, das 14h30 às 17h40, e terá uma programação especial na Arena 1 da Plaza Hospitalar, sob o macrotema “Inovação, Qualidade e Inteligência de Dados: O Futuro da Medicina Diagnóstica”. 

A proposta reflete a atuação da entidade na articulação de temas centrais para o setor, ao conectar o avanço tecnológico — como inteligência artificial e soluções digitais — com a garantia de qualidade e segurança dos serviços e o uso estratégico de dados para apoiar decisões clínicas e de gestão, reforçando o papel da medicina diagnóstica como base para um cuidado mais integrado, eficiente e orientado a valor.

“Falar sobre inovação, qualidade e inteligência de dados é tratar dos elementos que, juntos, orientam a evolução do cuidado em saúde. Na medicina diagnóstica, essa integração permite transformar informação em decisão, com mais precisão, segurança e impacto real na jornada do paciente”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, que fará a abertura do Summit.

Debates

O primeiro debate abordará “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, sob moderação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês. 

O painel reunirá Douglas Penha, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Soluções Digitais na Roche Diagnóstica; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; e Marcos Queiroz, líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor do Hospital Israelita Albert Einstein.

A sessão abordará as principais tendências e inovações que estão redesenhando o setor e explorará como a tecnologia pode apoiar decisões mais precisas, ampliar a eficiência dos serviços e sustentar o crescimento das organizações. 

O segundo bloco será dedicado à “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, com moderação de Milva Pagano. A sessão começa com palestra de Luiza Bottino, gerente de P&D da Controllab, sobre o papel do controle externo da qualidade na segurança do paciente.

Ela também compõe a mesa de debate, com Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, e Guilherme Ferreira de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). O foco serão os desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos envolvidos na garantia de processos seguros, resultados confiáveis e melhoria contínua dos serviços diagnósticos.

A edição 2026 da Hospitalar contará ainda com múltiplos espaços de conteúdo, incluindo arenas temáticas sobre Inteligência Artificial, gestão, regulação e experiência do paciente, ampliando o debate sobre os desafios e oportunidades do setor.

“Participar deste evento é uma oportunidade de contribuir com discussões que estão no centro das transformações da saúde, ao lado de lideranças que têm papel ativo na construção de soluções para o setor no Brasil”, afirma Milva.

Condições especiais para associados

A Abramed também terá um estande próprio no espaço B-137 — no mesmo local da edição anterior. Associados e parceiros da entidade poderão usar o cupom ABRAMED15 para obter 15% de desconto nos ingressos de visitante e congressista. O benefício não é válido para a categoria Visitante Lounge. Inscrições e programação completa em https://www.hospitalar.com.

Abramed na Hospitalar 2026

Regulação, jornada de trabalho e agenda econômica marcam reunião da Abramed com associados

Encontro reuniu lideranças para alinhar posicionamentos e avançar em temas que impactam diretamente a operação e a sustentabilidade do setor.

A Reunião Mensal de Associados (RMA) da Abramed de abril evidenciou o papel ativo da entidade na condução das principais agendas que impactam o setor. Realizado em São Paulo, na sede da Roche, o encontro reuniu lideranças para alinhamento de temas regulatórios, econômicos e institucionais, com foco na construção de um ambiente mais previsível e sustentável para a medicina diagnóstica e toda a cadeia de saúde no país.

Entre os destaques, esteve a Consulta Pública nº 170/2026 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que propõe avanços na relação entre prestadores e operadoras. O tema foi apresentado sob a perspectiva de fortalecimento de um marco regulatório mais equilibrado e transparente, com incentivo à participação ativa dos associados e à construção de uma contribuição técnica qualificada em conjunto à agência.

A reunião também abordou a proposta de redução da jornada de trabalho, tema que vem ganhando espaço no debate público e exige atenção do setor. A discussão reforçou a necessidade de uma análise cuidadosa dos reflexos operacionais e assistenciais, diante de um segmento intensivo em mão de obra qualificada e essencial à continuidade do cuidado em saúde.

Os associados destacaram os desafios já existentes na reposição de profissionais especializados, o que limita a capacidade de substituição. Nesse contexto, foi enfatizada a preocupação com a segurança do paciente, considerando que a eventual recomposição de equipes com mão de obra não qualificada pode comprometer a qualidade dos serviços e das decisões clínicas. Também foram apontadas as diferenças regionais, especialmente em pequenas cidades, onde a escassez desses profissionais é ainda mais acentuada e demanda uma abordagem compatível com as realidades locais.

Na agenda econômica, a reunião trouxe atualizações sobre o imposto de importação, com destaque para a inclusão de parte relevante de itens médicos na lista de ex-tarifários. A medida contribui para preservar o acesso a insumos e tecnologias estratégicas, enquanto a entidade segue acompanhando a evolução do tema junto às autoridades.

Outro ponto de atenção foi a interlocução com a Anvisa em torno da RDC nº 978/2025. A Abramed mantém diálogo contínuo com o regulador, buscando aprimoramentos que considerem as particularidades operacionais do setor e promovam maior segurança jurídica e regulatória, ao mesmo tempo em que consolida e representa tecnicamente as contribuições das associadas nesse processo.

“Esse conjunto de agendas mostra que estamos diante de decisões que impactam diretamente a forma como o setor opera e entrega cuidado. O papel da Abramed é organizar tecnicamente essas pautas, consolidar a visão do setor e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão. Estamos falando de um segmento essencial, que sustenta decisões clínicas e precisa de condições adequadas para continuar operando com qualidade, segurança e previsibilidade, sempre em prol do paciente”, declara Milva Pagano, diretora-executiva da entidade.

Influenza: circulação segue intensa no país com positividade três vezes maior que em 2025

Taxa chega a 27,3%, após pico recente de 31,2%, ante 8,09% no mesmo período de 2025; “vacinação, atenção aos sintomas e busca por avaliação médica nos casos indicados ganham ainda mais importância neste momento”, afirma especialista da Abramed

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que reúne empresas responsáveis por mais de 85% dos exames realizados na saúde suplementar no país, mostram que a influenza (vírus causador da gripe) segue com circulação elevada no Brasil.  A taxa de positividade da influenza chegou a 27,3% no início de abril. Apesar do recuo em relação ao pico recente de 31,2%, o índice segue três vezes acima do que o registrado no mesmo período de 2025 (8,09%).

A média móvel das últimas cinco semanas subiu de 17,5% para 26,4%.

Segundo Carlos Eduardo Ferreira, médico patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, os dados indicam que a transmissão do vírus permanece intensa e maior do que o esperado para esta época do ano. Depois de semanas consecutivas de alta, os indicadores mostram acomodação em patamar elevado. 

“Ainda assim, a influenza pode manter a pressão sobre consultas e pronto-atendimentos por sintomas respiratórios.” Segundo ele, o cenário pode estar relacionado à circulação antecipada da Influenza A neste ano, ao avanço simultâneo em diferentes regiões do país e ao fato de a campanha de vacinação ainda estar em fase inicial.

Vacinação e diagnóstico ganham ainda mais relevância

O avanço dos casos coincide com a intensificação das campanhas de vacinação contra a gripe em diversas regiões do país, reforçando a necessidade de prevenção.

“Quando observamos esse cenário, ganham ainda mais relevância a imunização dos grupos prioritários, a atenção aos sintomas e a busca por avaliação médica nos casos indicados”.

Para a Abramed, a medicina diagnóstica tem papel essencial na resposta assistencial, ao permitir identificar casos com mais rapidez, orientar condutas médicas e apoiar o planejamento dos serviços de saúde.

“O diagnóstico no momento adequado contribui para decisões mais assertivas e ajuda o sistema de saúde a responder com mais eficiência.”

Monitoramento

Os dados são compilados pela plataforma de inteligência METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da Abramed. A ferramenta permite acompanhar tendências de forma estratégica e apoiar a tomada de decisões em saúde populacional.

As associadas da Abramed também enviam resultados diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo com o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para compreender a progressão das doenças respiratórias no Brasil e embasar medidas de saúde pública.

CID-11: impactos operacionais, tecnológicos e regulatórios para a Medicina Diagnóstica

A nova classificação exige adaptação de sistemas, capacitação e revisão de processos, com impacto direto na prática clínica e na gestão.

A Classificação Internacional de Doenças (CID) é o sistema utilizado globalmente para padronizar o registro de diagnósticos e condições de saúde. Presente em prontuários, exames, autorizações e bases de dados, ela organiza a informação clínica e permite que profissionais, instituições e gestores falem a mesma “linguagem” ao descrever doenças e procedimentos.

A transição da CID-10 para a CID-11 marca uma mudança relevante na forma como essa informação é estruturada e utilizada no dia a dia. Mais do que uma atualização de códigos, trata-se de uma nova lógica de registro clínico, alinhada a um ambiente cada vez mais digital, interoperável e orientado por dados.

Nesse novo cenário, a classificação deixa de ser apenas um instrumento de catalogação e passa a influenciar diretamente a prática clínica, os modelos de remuneração, a regulação e a análise epidemiológica.

A lógica que sustenta a CID-11

Desenvolvida e atualizada anualmente pela Organização Mundial da Saúde, a CID sempre foi a principal referência global para padronização de diagnósticos e sustenta diversas dimensões do sistema de saúde, incluindo estatísticas oficiais, vigilância epidemiológica, regulação sanitária, modelos de financiamento e integração entre sistemas de informação.

A décima primeira revisão passa a organizar os dados de forma diferente, permitindo combinar informações clínicas e detalhar melhor cada diagnóstico. Esse modelo, pensado para uso digital, com atualização contínua e integração entre sistemas, viabiliza aplicações como auditorias automatizadas, análises preditivas, avaliação de risco e avanços em medicina de precisão. Ao mesmo tempo, exige maior maturidade na governança e no uso responsável dessas informações.

Isso porque um único diagnóstico pode gerar um código composto por múltiplos elementos encadeados — como anatomia, lateralidade, histopatologia, severidade, etiologia e confirmação genômica. Um código como 2C6Z&XK9K&XH7KH3&XS7Z, por exemplo, deixa de ser exceção e passa a representar a lógica da classificação.

Os serviços de Medicina Diagnóstica terão grande impacto resultante dessas mudanças. Pedidos de exames, autorizações, laudos, documentação, armazenamento e pagamentos passam a exigir uma lógica de processamento mais complexa, dentro de uma plataforma digital. 

“Em muitos casos, será necessário demonstrar, de forma estruturada, a justificativa clínica para exames mais complexos, com base na evolução do caso e nos testes já realizados. O que irá requerer maior coerência entre a indicação clínica, a execução do exame e o registro das informações ao longo da jornada do paciente”, explica Nelson Akamine, membro do comitê de Recursos Humanos da Abramed.

Para Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, essa é uma transformação que amplia a relevância da Medicina Diagnóstica ao reforçar seu papel na produção, qualificação e integração das informações que sustentam a tomada de decisão ao longo da jornada do paciente.

Cronograma e implementação no Brasil

A adoção da CID-11 no Brasil segue as diretrizes da Nota Técnica nº 91/2024 do Ministério da Saúde. Atualmente, o país permanece utilizando a CID-10 (versão 2019), enquanto se prepara para a implementação completa prevista para janeiro de 2027. 

Este intervalo é um período crítico para testes de campo, tradução do sistema para o português (finalizada em 2024 pela UFMG em parceria com a OPAS), ajustes tecnológicos e operacionais do ambiente de saúde nacional.

Para laboratórios e serviços de diagnóstico por imagem, os impactos são amplos e se concentram em três frentes principais:

  • Sistemas de TI e Interoperabilidade: a transição exige que sistemas como LIS, RIS, PACS, ERPs e prontuários eletrônicos sejam atualizados. A CID-11 requer também a integração com a API oficial da OMS e deve interoperar com padrões como FHIR, SNOMED e LOINC. 
  • Planos de saúde e remuneração: haverá mudanças diretas na codificação para planos de saúde e nos padrões TISS/TUSS. Novos modelos de remuneração e auditorias automatizadas baseadas em IA poderão ser viabilizados visando maior qualidade dos dados gerados.
  • Saúde do Trabalho e Previdência: a CID-11 traz uma camada inédita de registro formal de nexo ocupacional que influenciará na responsabilização trabalhista, concessão de benefícios previdenciários e na vigilância epidemiológica.

Para que a implementação seja bem-sucedida, o setor precisará avançar na capacitação contínua de médicos, codificadores e gestores para o uso da nova lógica semântica na classificação de doenças, além da adaptação tecnológica das infraestruturas de dados.

A Abramed acompanha essa evolução por meio de três Comitês: Padrão TISS, RH e Interoperabilidade, compartilhando informações e apoiando seus associados na preparação para essa nova etapa.

Doenças raras: sem diagnóstico, não há cuidado adequado

Ampliação do acesso a exames no SUS acelera a identificação dos casos e reduz o tempo para o início do tratamento.

Hoje, estima-se que 13 milhões de pessoas convivam no país com alguma das cerca de 7 mil doenças raras catalogadas. A jornada desses pacientes costuma ser marcada por anos de incerteza, fragmentação de informações clínicas e acesso desigual a tecnologias especializadas. Um cenário que aumenta o risco de diagnósticos tardios ou inexistentes e limita a possibilidade de tratamento com terapias já disponíveis.

A recente decisão do Ministério da Saúde de ampliar a cobertura de diagnóstico e tratamento de doenças raras no SUS é um passo importante no enfrentamento desse problema. Com investimento de R$ 26 milhões anuais para viabilizar até 20 mil diagnósticos por ano quando a rede operar em plena capacidade, o Governo busca reduzir o tempo de espera das famílias, que hoje pode chegar a sete anos, para cerca de seis meses. 

O diagnóstico como base da decisão clínica 

Este movimento reforça o papel do ecossistema de Medicina Diagnóstica como um todo – incluindo a rede privada, responsável pelo processamento de 95% dos exames laboratoriais realizados no SUS – como o principal aliado para garantir a precisão e a agilidade dos resultados a milhões de brasileiros.

Não à toa: os diagnósticos fundamentam até 70% das decisões clínicas de acordo com a literatura médica consolidada. Um dado que ganha ainda mais relevância no caso das doenças raras, em que o uso de tecnologias de ponta, como a genômica e os testes moleculares, permitem identificar a causa da patologia com assertividade e rapidez, viabilizando a personalização do tratamento e evitando desperdícios com exames e intervenções ineficazes.

Apesar dos avanços, o desafio diagnóstico no campo das doenças raras é complexo e multifacetado.

“São doenças que simulam as comuns e que muitas vezes demoram anos para que alguém desconfie que se trata de um caso diferente do habitual — que não resolve com medicações e terapias convencionais. Esse é um dos grandes gargalos: o conhecimento”, afirma Armando Fonseca, coordenador médico de Triagem Neonatal e Doenças Metabólicas Hereditárias do Grupo Fleury e diretor da Dvyce Consultoria em Saúde.

A identificação dessas doenças também envolve fatores como:

  • Barreiras de acesso: existe ainda uma disparidade no acesso a exames de imagem avançada e biologia molecular em diferentes regiões do país;
  • Integração de dados: a falta de um histórico clínico unificado e a fragmentação da jornada do paciente comprometem a continuidade do cuidado.

“Esses pacientes passam por verdadeiras odisseias diagnósticas, que podem levar de cinco a oito anos até a confirmação da doença e, muitas vezes, recebem diagnósticos incorretos ao longo do caminho. Mesmo quando não há tratamento específico, identificar a doença já permite orientar o cuidado, melhorar a qualidade de vida e oferecer aconselhamento genético para as famílias”, reforça Fonseca.

A importância da integração no ecossistema de Medicina Diagnóstica 

Enquanto o SUS atua como o grande estruturador do acesso universal, a rede suplementar funciona como um vetor essencial de inovação, escala e rápida incorporação tecnológica. 

De acordo com Armando, 25% da população brasileira é assistida pela saúde suplementar, ou seja, ao menos 50 milhões de pessoas — um dos maiores contingentes de medicina privada do mundo. Por isso, a parceria público-privada é estrutural para garantir que todos os pacientes, independentemente de classe social, tenham acesso mais rápido à inovação e a possíveis tratamentos que ainda não estejam disponíveis no serviço público.

Outros exemplos positivos já podem ser observados a partir dessa sinergia, como a interoperabilidade crescente de dados por meio do SUS Digital (que conta com apoio da Abramed em parceria com o Ministério da Saúde) e a capilaridade dos laboratórios privados que apoiam a rede pública na descentralização de exames.

Para que as melhorias continuem e a experiência do paciente se torne cada vez mais completa e eficiente, é fundamental compreender o diagnóstico como um investimento estratégico, que gera impacto em diversas frentes:

  1. Clínica:  melhora o prognóstico e a qualidade de vida do paciente;
  2. Econômica: reduz custos ao evitar complicações decorrentes da progressão de doenças;
  3. Sistêmica: promove maior eficiência no uso dos recursos públicos e privados.

“No centro de tudo está o paciente. Cada diagnóstico preciso e oportuno representa anos de vida recuperados, tratamentos mais eficazes e famílias que finalmente têm uma resposta. A Medicina Diagnóstica tem um papel insubstituível para ampliar esse acesso com tecnologia e integração de dados. E é nisso que a Abramed segue atuando, em parceria com o setor público e com a sociedade”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Dia Mundial da Saúde 2026: juntos pela ciência e pelo desafio de transformá-la em cuidado

Em um cenário marcado pela rápida circulação de informações que nem sempre são confiáveis, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) colocaram a ciência no centro do debate global. 

Com o tema “Juntos pela ciência”, a campanha do Dia Mundial da Saúde de 2026 reforça a importância da cooperação entre setores, países e áreas do conhecimento e da adoção de decisões baseadas em evidências, além de chamar atenção para algo essencial: conhecimento só gera impacto quando é compreendido, confiável e aplicado.

Políticas baseadas em evidências e a lógica de Uma Só Saúde

A proposta incorpora a abordagem de Uma Só Saúde (One Health), que conecta saúde humana, animal e ambiental. Esse olhar amplia a discussão e exige respostas coordenadas para problemas que já não acontecem de forma isolada, como pandemias, mudanças climáticas e segurança alimentar.

Esse é um ponto que mostra a relevância do diagnóstico. Exames confirmam condições clínicas, orientam decisões e reduzem o tempo até o tratamento correto, evitando tentativas equivocadas que custam tempo e recursos.

Um papel que se estende para além do atendimento individual. Vigilância epidemiológica, identificação e monitoramento de surtos também dependem de dados gerados por estruturas diagnósticas para sustentar respostas coordenadas em saúde pública.

Explicar, comunicar e liderar: o papel do diagnóstico frente à desinformação

Outro ponto central desse movimento é tornar a ciência mais acessível e confiável. Hoje, a dificuldade é gerar informação e garantir que ela seja interpretada corretamente. Mas há uma dimensão que ainda fica em segundo plano: garantir que o conhecimento chegue ao momento da decisão clínica com clareza e sem distorções — um desafio que o avanço da desinformação torna cada vez mais urgente.

Enfrentar esse problema envolve qualificar o acesso à informação, aprimorar a comunicação com a sociedade e evitar distorções terminológicas para garantir que resultados de exames sejam compreendidos por médicos e pacientes. 

Ser embaixador da ciência na jornada do paciente

Para a maioria das pessoas, a ciência não está em artigos ou pesquisas. Ela aparece no momento em que um exame é solicitado, realizado e interpretado. É ali que o conhecimento ganha forma prática.

Quando o paciente entende o que está sendo investigado e como aquele resultado orienta sua condução, a ciência deixa de ser abstrata e passa a fazer parte da sua decisão.

Assim, o movimento lançado pela OMS também convoca profissionais e instituições a atuarem como embaixadores, aproximando o conhecimento da realidade das pessoas e fortalecendo o entendimento da população sobre como as evidências orientam o cuidado.

Do conhecimento à ação

Como fonte e elo técnico na interpretação das evidências, os serviços diagnósticos assumem protagonismo nesse processo, contribuindo para um ambiente de maior confiança na ciência e agindo em linha com o papel de liderança que a campanha da OMS propõe.

A Medicina Diagnóstica se posiciona não como etapa isolada, mas como parte do que permite que a ciência, de fato, chegue ao paciente no momento certo, transformando evidência em decisão e decisão em cuidado.

“A Abramed atua no ponto de conexão entre evidência e prática. Nosso papel é contribuir para que o setor opere com qualidade, segurança e base técnica sólida, fortalecendo a confiança na ciência ao longo de toda a jornada do paciente.”, ressalta Milva Pagano, diretora-executiva da entidade.

Liderança feminina na saúde: mais que diversidade, um alicerce para a transformação estratégica

Depoimentos de líderes da Abramed mostram como a presença feminina fortalece a qualidade, a gestão e a sustentabilidade na Medicina Diagnóstica.

A presença feminina na liderança da saúde é uma realidade que vem se consolidando ano após ano. Dados do Atlas CBEXS 2024 mostram, por exemplo, que 51% das posições de presidência, direção, gerência, supervisão ou coordenação no setor já são ocupadas por mulheres. O contraste com o mercado geral é evidente: no Brasil, mulheres ocupam cerca de 35% dos cargos C-Level, segundo estudo da Diversitera.

Esse cenário é fruto de um processo orgânico de crescimento profissional e que também alcança a Medicina Diagnóstica. Números da 7ª edição do Painel Abramed mostram que 100% das associadas têm mais de 50% do quadro de colaboradores formado por mulheres e 65% dessas instituições possuem metade dos cargos de liderança ocupados por mulheres.

Mais do que uma questão de representatividade, esse avanço implica diretamente eficiência, capacidade estratégica e geração de resultados nas organizações. Para termos uma ideia desse cenário, uma pesquisa publicada pela Harvard Business Review aponta que líderes femininas pontuam mais alto em 17 de 19 competências de liderança avaliadas no comparativo com homens.

No mês das mulheres, convidamos nossas líderes para compartilhar suas trajetórias, experiências e comentar sobre o cenário na Medicina Diagnóstica.

“É preciso garantir participação feminina sem a pressão pela escolha entre carreira e família.”

Andrea Pinheiro, Líder do Comitê de Comunicação da Abramed

A saúde trabalha, tradicionalmente, com grandes contingentes de mulheres, mas elas ainda possuem baixa representatividade nos espaços de poder. É preciso garantir condições reais para sua participação em todas as esferas, respeitando as diferentes fases da vida e sem a pressão pela escolha entre carreira e família.

Um dos maiores desafios em minha trajetória foi assumir a liderança ainda jovem, em um ambiente com pouquíssimas mulheres nesses cargos. Isso exigiu determinação, coragem, disciplina, resiliência e pragmatismo, mas também trouxe aprendizados importantes sobre o valor das diferentes competências no ambiente de trabalho.

Ao longo dessa jornada, encontrei mulheres exemplos de força, dedicação e competência técnica, o que contribuiu para fortalecer a minha identidade profissional, marcada por visão de contexto aguçada, autenticidade, empatia, equilíbrio, adaptabilidade e um espírito criativo e construtor.

Nesse percurso, meus valores inegociáveis: ética, responsabilidade, respeito e honestidade funcionaram como bússola para decisões na vida pessoal e profissional. Além disso, ter vivido espaços de escuta e posicionamento, e poder contribuir para o desenvolvimento de outras mulheres, foi fundamental na minha caminhada.

“Cuidar também é inspirar e formar líderes.”

Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed

O setor de saúde, por ter muitas mulheres — especialmente na base da assistência —, formou ao longo do tempo uma grande quantidade de profissionais com conhecimento técnico e de operação, que se tornaram potenciais gestoras. Tenho muito orgulho de fazer parte desse grupo, ao lado de gestoras e colaboradoras excepcionais que impactam a Medicina Diagnóstica e a saúde no Brasil.

Nessa jornada, desenvolvi características que norteiam minha identidade profissional: adaptabilidade, resiliência, espírito empreendedor e inovador, disciplina, colaboração e, principalmente, o compromisso de formar pessoas. Sempre tive uma “vontade de gente”, de construir, desenvolver e crescer junto. E isso foi moldando a forma como atuo e lidero.

Um caminho que está conectado a valores que considero inegociáveis: amor por cuidar, de várias formas, não como negócio, mas como uma missão que carrego desde cedo, e ser justa, porque a ética é uma premissa que orienta minhas decisões.

Como executiva, sigo cuidando de diferentes maneiras, porque acredito que cada decisão na Medicina Diagnóstica pode encurtar o caminho entre a dúvida, a ansiedade e o cuidado — e melhorar a saúde das pessoas é o que dá sentido ao meu trabalho.

“Humildade e integridade são essenciais para um legado positivo que impacte a vida do próximo.”

Isadora Bittar, membro do Conselho Fiscal da Abramed

A presença feminina na Medicina Diagnóstica, diferentemente de outros setores, é resultado, em grande parte, de um crescimento orgânico profissional das mulheres dentro da operação. Contudo, há vários níveis de liderança e nem todos refletem essa realidade — especialmente quando olhamos para cargos de alta direção e conselhos.

Na minha trajetória, enfrentei desafios que foram fundamentais para o meu amadurecimento profissional e aprendi que a qualidade das decisões está diretamente ligada à capacidade de reconhecer fragilidades e potencialidades, agindo com a humildade e integridade necessárias para sustentar ações.  Como aprendizado, sempre digo que “as pedras” do caminho podem deixar marcas, mas também nos tornam mais sábios e fortes.

Para mim, esses são os aspectos que nos permitem construir um legado para impactar positivamente na vida do próximo.

“O poder da escolha pertence a nós e é preciso exercê-lo sem culpa”

Lídia Abdalla, Vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed

É inegável o avanço da presença feminina na liderança, ainda assim, quando olhamos para os cargos C-Level, somos poucas. Existe um “teto de vidro” que ainda limita essa ascensão e o desafio agora é garantir que mais mulheres ocupem os lugares onde as decisões são tomadas. A participação e intencionalidade dos homens é fundamental nesse movimento.

Minha trajetória foi construída com muito estudo, preparo, autoconhecimento e confiança e, em parte, isso se deve ao apoio e referência que sempre encontrei na minha base familiar e profissional. Aprendi cedo que as oportunidades surgem para quem já está em construção e que nada é mais forte do que o exemplo. 

A experiência também me ensinou que nós, mulheres, precisamos nos apropriar das nossas decisões e parar de sofrer e carregar culpa por elas. Quando entendemos que decidir é abrir mão de algo e que temos o direito de fazer essas escolhas, a jornada se torna mais leve. nossa autoconfiança é fortalecida e ganhamos mais impulso para enfrentar novos desafios e sermos referência para outras mulheres que estão construindo o seu caminho.

Ética, integridade, transparência e relações de confiança são valores inegociáveis que sustentam a minha atuação. Porque, no fim, liderar é influenciar e transformar pessoas e, na saúde, esse alcance vai ainda mais longe: cada decisão tem o poder de impactar a vida de alguém no que ela tem de mais precioso.

“Cuidar de quem cuida é a forma mais profunda de transformar a saúde.”

Lucilene  Costa, líder do Comitê de Recursos Humanos da Abramed

Minha experiência na área, ao longo de mais de 30 anos, passou por diferentes frentes — do atendimento hospitalar às áreas administrativas, indústria farmacêutica, laboratórios e, mais recentemente, à gestão de Saúde, Segurança, Qualidade de Vida e Benefícios. Sempre fui movida pelo cuidado centrado nas pessoas e, nos últimos anos, aprofundei esse olhar para o cuidado com quem cuida. 

Ao longo desse percurso, vivi de perto como mudanças sociais, endemias e pandemias geram instabilidade na saúde das pessoas, mas também impulsionam adaptações contínuas e a busca por melhoria. Soma-se a isso o desafio dos custos e suas inconstâncias, exigindo um olhar conectado ao propósito de cuidar, sem perder a sustentabilidade.

Minhas decisões e a forma como lidero sempre foram orientadas por valores como integridade, respeito, transparência, ética e empatia. Em um mundo globalizado, dinâmico e em contínua ebulição, essa base me provoca a evoluir constantemente, pois acredito que a busca por conhecimento e partilha é parte do que dá sentido à nossa atuação e à nossa vida.

O protagonismo feminino na saúde, nesse sentido, representa não apenas força numérica, mas um diferencial qualitativo. As mulheres trazem um olhar integral no cuidado, com atenção multifatorial e centralidade no paciente. Contribuir para essa jornada, para mim, é orientar pessoas e a sociedade na busca por cuidado e longevidade de forma sustentável, mesmo diante dos desafios e de um caminho importante a ser percorrido na luta contra as desigualdades entre gêneros.

“Precisamos ampliar a presença feminina onde as decisões são tomadas.”

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed

A saúde sempre foi um campo onde nós, mulheres, estivemos muito presentes — especialmente nas áreas ligadas ao cuidado, à pesquisa e ao diagnóstico. Com o tempo, vejo que desenvolvemos uma liderança mais integradora e colaborativa, algo essencial em um setor que depende da articulação entre diferentes atores. Ainda assim, existem vieses inconscientes e menor acesso aos espaços estratégicos. Por isso, acredito que o próximo passo é ampliar a presença feminina justamente onde as decisões são tomadas.

Minha trajetória começou no campo jurídico, em uma seguradora de saúde, em um momento de intensas transformações regulatórias. Essa experiência me deu uma visão ampla sobre a complexidade do sistema e sobre como cada decisão impacta toda a cadeia de cuidado. Ao assumir a diretoria-executiva da Abramed em 2021, em plena pandemia, se consolidou em mim uma convicção muito forte: nenhuma transformação acontece sozinha. A saúde é construída em rede, e é preciso dialogar, construir pontes e manter o foco no que realmente importa: a jornada do paciente.

Na vida e no trabalho, levo valores inegociáveis: ética, responsabilidade e respeito pelas pessoas. A Medicina Diagnóstica acompanha o ser humano ao longo de toda a vida e isso nos lembra que, por trás de cada exame, existe uma história. Se olharmos para cada paciente como alguém que poderia ser um de nós — ou alguém que amamos —, nossas decisões serão sempre mais responsáveis e humanas para transformar informação em cuidado e em esperança para quem mais precisa.

“Ser mulher na Medicina Diagnóstica é transformar conhecimento em decisões que mudam vidas.”

Renata Coudry, líder do Comitê de Anatomia Patológica da Abramed

A Medicina Diagnóstica valoriza o conhecimento técnico, a formação científica e a dedicação ao paciente — características que muitas mulheres cultivam ao longo de suas trajetórias. Por isso, temos visto um avanço de diversidade na gestão, mas é preciso ampliar a presença feminina em posições decisórias e fortalecer ambientes que incentivem esse desenvolvimento.

Minha atuação esteve sempre conectada à inovação e à construção de novos caminhos dentro da patologia. São processos que exigem técnica, liderança, diálogo multidisciplinar e visão estratégica — principalmente para transformar inovação em prática clínica segura e sustentável. Foi isso que moldou minha forma de atuar. 

Integridade, responsabilidade científica, colaboração e respeito pelas pessoas são valores que considero inegociáveis. Na Medicina Diagnóstica, cada decisão impacta diretamente o paciente. Contribuir para o sucesso dessa jornada é, para mim, transformar conhecimento e tecnologia em decisões que garantam o tratamento mais adequado no momento certo.

“A liderança feminina é resultado de preparo, resiliência e transformação.”

Rogéria Cruz, líder do Comitê de Proteção de Dados da Abramed

Desde cedo, precisei desenvolver resiliência, adaptabilidade e amadurecimento profissional para atuar em um setor altamente regulado, complexo e sensível, que exige decisões de grande impacto e um equilíbrio constante entre técnica, ética, gestão de riscos e visão estratégica. Essa postura foi importante especialmente para construir credibilidade em ambientes muitas vezes hierarquizados e predominantemente masculinos. 

E também me fez ter a consciência de que cada decisão, mesmo nos bastidores, influencia a segurança do paciente e a confiança no sistema de saúde —  é isso que orienta minha forma de liderar, de conduzir as atividades e reflete os valores que são a base da minha atuação: ética, respeito, responsabilidade e compromisso com a qualidade e a sustentabilidade. 

Hoje, vejo o avanço da presença feminina no setor como resultado de uma maior formação técnica, mudanças culturais e novos modelos de gestão. Mas ainda é preciso aumentar o reconhecimento de trajetórias técnicas como caminho para que, nós mulheres, consigamos chegar nos órgãos de decisão máxima. 

Mais do que uma tendência, acredito que essa é uma evolução necessária para uma área que demanda alta performance aliada à sustentabilidade humana, flexibilidade e cuidado — dimensões em que temos muito a contribuir. 

O Imposto de Importação não pode virar custo assistencial: Resolução GECEX nº 852 é debatida entre associados da Abramed

Alta da alíquota do imposto pressiona custos, expõe fragilidades do setor e evidencia a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento industrial, inovação e acesso à saúde.

A recente movimentação do Governo Federal em torno da recomposição tarifária de itens importados colocou a saúde em um estado de alerta. A Resolução GECEX nº 852/2026, que elevou o Imposto de Importação (II) para mais de mil itens – muitos dos quais utilizados pela cadeia do setor – pode também atingir o núcleo da infraestrutura tecnológica da Medicina Diagnóstica no Brasil.

Embora o Governo busque estimular a indústria nacional por meio da norma, a medida não considera toda a complexidade de uma cadeia altamente dependente de tecnologias sem equivalentes produzidos no país, gerando um efeito cascata que ameaça a sustentabilidade assistencial e o acesso dos pacientes.

Esse tema foi o centro do debate da última Reunião Mensal de Associados (RMA) da Abramed, que contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed; Milva Pagano, diretora-executiva da entidade; Julio Aderne, gerente geral de diagnósticos laboratoriais e líder da Abbott Brasil; e Lucas Barducco, sócio do escritório Machado Nunes, especialista em Direito Tributário. O encontro aconteceu na Abbott, em São Paulo, parceira da entidade.

A saúde como cadeia dependente do fluxo de importações

Diferente de outros setores, a saúde opera como uma infraestrutura tecnológica integrada globalmente que depende, em grande parte, de itens importados. A Resolução GECEX nº 852 impactou 31 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) da Medicina Diagnóstica e pode afetar um volume de importações que soma cerca de US$ 1,2 bilhão anuais.

Isso inclui itens como aparelhos de ressonância magnética, PET scans, tomógrafos e equipamentos laboratoriais avançados, que saíram de uma alíquota zero para patamares de 7,2% a 20%.

Como destacado no debate, tudo que não tem similar nacional não pode ser tratado como algo passível de ser taxado, sem que sejam avaliados impactos sistêmicos.

Porém, essa definição é complexa e arriscada, visto que a interpretação adotada hoje gera distorções e amplia a insegurança regulatória ao desconsiderar diferenças técnicas, de aplicação e de desempenho entre equipamentos que, na prática, não são substituíveis.

Um exemplo emblemático é o magneto de ressonância magnética. Apesar de partes do equipamento poderem ser produzidas no Brasil, o seu principal e mais caro componente não possui fabricação local. Por isso, há consenso entre os players do mercado de que taxar itens sem substitutos nacionais não é algo que incentiva a indústria local; apenas encarece o diagnóstico.

O efeito multiplicador e os riscos

Além disso, o impacto financeiro para os laboratórios vai muito além do aumento nominal do imposto. A elevação no custo direto de importação atua como um gatilho inflacionário em toda a cadeia. A tarifa entra na base de cálculo de outros tributos e pode levar à perda de benefícios fiscais importantes, como isenções de ICMS.

O aumento da alíquota do Imposto de Importação se insere em um contexto de pressões tributárias de múltiplas frentes: a própria Reforma Tributária, que entrou em sua fase oficial de testes; a instituição da tributação sobre lucros e dividendos; e agora a Resolução GECEX. “É um cenário que demanda um olhar técnico e a busca por caminhos estratégicos”, explica Lucas Barducco, do Machado Nunes.

Outro aspecto desafiador da medida é a exigência de um projeto de investimento para que o importador acesse benefícios tarifários que diminuam seus impactos. Grande parte dos equipamentos médicos no Brasil é importada por revendedores e distribuidores que não possuem uma linha de produção industrial para apresentar como contrapartida de investimento.

Essa distorção cria um gargalo: mesmo que o produto não tenha similar nacional, se ele for trazido por um distribuidor, entra tributado, afetando instituições de saúde que dependem desses parceiros logísticos para acessar tecnologia de ponta.

O assunto resultou em uma importante troca de experiência entre os associados e convidados presentes na RMA.

Para João Paulo Souza, CEO da GE Healthcare, a discussão sobre investimento também precisa evoluir: “Investimento não é apenas ter uma planta no Brasil”, afirmou, trazendo a necessidade de explorar outras formas de enquadramento como, por exemplo, atividades de manutenção, logística e estrutura de suporte, e apontando que há resistência da equipe técnica do Governo em ampliar essa leitura.

Há ainda uma questão adicional que amplia a complexidade do cenário: a imprevisibilidade. Em um setor de capital intensivo e dependente de planejamento de longo prazo, mudanças abruptas e pouco calibradas dificultam decisões de investimento, atrasam a incorporação tecnológica e ampliam a heterogeneidade entre os prestadores.

Na visão dos participantes, o desafio não está em apoiar a indústria nacional, mas em calibrar a medida para separar o que, de fato, pode ser substituído daquilo que impacta diretamente a operação, a oferta de serviços e o acesso à tecnologia. Quando essa distinção não é feita, o efeito não se restringe aos custos, mas se estende à cadeia logística, à previsibilidade de fornecimento e à capacidade de atendimento.

Apesar das dificuldades, Rafael Arantes, que atua nas relações institucionais governamentais da Dasa, destacou a importância do apelo à essencialidade e alertou que o principal risco é o repasse desses impactos ao paciente. “É preciso demonstrar ao Governo que a elevação de despesas não necessariamente se traduz em maior arrecadação, já que os efeitos podem chegar ao consumidor final”, afirmou.

O posicionamento da Abramed: diálogo e cooperação

A Abramed tem participado de um movimento de interlocução proativa e técnica. Em reuniões realizadas com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e a equipe técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a entidade reforçou a urgência de calibrar a medida.

“Listamos item a item os insumos que impactam diretamente o paciente e o consumidor final para embasar a revisão da norma. A entidade atua também na criação de um Grupo de Trabalho (GT) junto ao Governo para discutir tecnicamente o conceito de ‘similar nacional’ e buscar a dispensa da exigência de projeto de investimento para distribuidores da saúde”, explicou Cesar Nomura.

Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, destacou a importância de manter o senso de urgência e a união do setor, especialmente em um momento em que há oportunidade de avançar em pautas que impactam toda a cadeia de saúde.

“A discussão proposta pela Abramed é um chamado à razoabilidade. Se a calibragem da medida não considerar a lógica da cadeia e a essencialidade dos insumos envolvidos, o impacto não se limita à indústria: ele chega ao diagnóstico, ao tratamento e, no limite, ao paciente”, finalizou Milva Pagano.

Nova resolução do CFM define limites e responsabilidades para uso de IA na medicina

Diretrizes atualizam o uso da Inteligência Artificial na Saúde, com foco em segurança, transparência e autonomia profissional.

O avanço acelerado da inteligência artificial na saúde começa a deslocar o debate do potencial tecnológico para os limites de uso. Com cerca de US$ 36 bilhões investidos globalmente em 2025 e crescimento projetado de quase 40% ao ano, a consolidação dessas ferramentas torna inevitável a definição de responsabilidades clínicas, éticas e regulatórias. Nesse contexto, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, estabelecendo diretrizes para a aplicação da IA na prática médica no Brasil.

O texto define parâmetros para uso seguro da tecnologia, delimita responsabilidades e estabelece critérios para sua incorporação no cuidado em saúde. A seguir, os principais pontos da norma.

Objetivos da norma e autonomia médica

A resolução estabelece que a inteligência artificial deve atuar exclusivamente como ferramenta de apoio à decisão clínica, sem autonomia para definir diagnósticos ou prognósticos. A responsabilidade final permanece com o médico, que mantém plena autonomia para aceitar, interpretar ou rejeitar recomendações geradas por sistemas automatizados.

Esse direcionamento também impede que sistemas de IA substituam o julgamento clínico ou realizem, de forma independente, a comunicação de diagnósticos ao paciente. A tecnologia passa a ser compreendida como suporte qualificado, e não como agente decisório.

Outro ponto relevante é a proteção ao profissional: o médico pode optar por não utilizar sistemas que não apresentem validação científica ou respaldo regulatório, desde que sua decisão esteja fundamentada em critérios técnicos e éticos.

Transparência e direitos do paciente

A norma reforça que o uso da IA não pode comprometer a relação médico-paciente nem reduzir a dimensão humana do cuidado. Sempre que houver utilização dessas ferramentas, o paciente deve ser informado de forma clara, com registro no prontuário.

Além disso, são consolidados direitos específicos, como o consentimento informado para uso de IA, a possibilidade de recusa da tecnologia no atendimento, o acesso a informações compreensíveis sobre sua condição de saúde e a garantia de proteção de dados pessoais, em conformidade com a LGPD.

Ao estruturar esses princípios, a resolução aproxima o Brasil de modelos internacionais que colocam o paciente no centro das decisões envolvendo tecnologias emergentes.

Governança e classificação de risco

No âmbito institucional, a resolução estabelece obrigações mais estruturadas para hospitais e clínicas. Instituições que utilizam sistemas próprios de IA devem implementar mecanismos de governança, incluindo a criação de comissões internas responsáveis por monitoramento, auditoria e avaliação contínua dessas ferramentas.

A norma também introduz uma classificação dos sistemas conforme o nível de risco:

  • Baixo risco: aplicações administrativas e operacionais, sem impacto clínico direto;
  • Médio risco: sistemas de apoio à decisão com supervisão humana;
  • Alto risco: tecnologias que influenciam decisões clínicas relevantes;
  • Risco inaceitável: usos proibidos.

Esse enquadramento orienta o nível de controle e supervisão exigido, de acordo com o potencial impacto sobre o cuidado.

Outro ponto central é a exigência de conformidade regulatória: softwares com função clínica devem atender às normas da Anvisa aplicáveis a dispositivos médicos. A fiscalização do uso da IA caberá aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), que poderão realizar auditorias e aplicar medidas disciplinares quando necessário.

Deveres do médico e proteção profissional

A norma também explicita responsabilidades do médico no uso dessas ferramentas, incluindo a necessidade de avaliação crítica das recomendações geradas, atualização contínua sobre capacidades e limitações dos sistemas e registro do uso (ou não uso) da IA no prontuário.

Ao mesmo tempo, estabelece uma salvaguarda importante: o profissional não será penalizado por optar por não seguir recomendações da IA, desde que sua decisão esteja tecnicamente fundamentada.

Impactos na formação médica

A resolução reconhece que a incorporação da inteligência artificial exige mudanças estruturais na formação dos profissionais. Entre os temas que passam a ganhar relevância nos currículos estão ética aplicada à IA, segurança da informação, cibersegurança e letramento em inteligência artificial.

A diretriz aponta para a necessidade de preparar médicos capazes de interpretar criticamente essas ferramentas e utilizá-las de forma responsável na prática clínica.

Proteção de dados e LGPD

A norma determina que todo o ciclo de uso da IA — desde o desenvolvimento até a aplicação clínica — deve observar rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados. Isso inclui a adoção de princípios como privacidade desde a concepção, além de garantir confidencialidade, integridade e segurança das informações de saúde.

Entre o toque humano e a tecnologia: por que é preciso redesenhar a experiência do paciente

A crescente adoção de ferramentas digitais na saúde evidencia a necessidade de repensar a experiência do paciente, equilibrando eficiência, empatia e responsabilidade clínica.

A saúde vive um momento de intensa transformação. Nunca se investiu tanto em tecnologia, dados e Inteligência Artificial e, ao mesmo tempo, nunca as pessoas estiveram tão ativas na busca por informação e na tomada de decisão sobre o próprio cuidado. Esse movimento, por si só, não é um problema. Ele revela um avanço importante em relação à autonomia de cada pessoa. O que chama atenção é o contexto em que ele ocorre.

Há uma percepção crescente sobre desafios na experiência do atendimento em saúde, especialmente relacionados à comunicação, ao acolhimento e à resolutividade. Um estudo da América do Sul, ao longo de quase duas décadas, apontou que 64% dos entrevistados relataram insatisfação em consultas médicas, especialmente pela falta de esclarecimento e pela sensação de não serem plenamente ouvidos.

Ao mesmo tempo, cresce a confiança em ferramentas digitais. Hoje, 7 em cada 10 pessoas já recorreram à IA para buscar informações sobre sintomas ou possíveis doenças. Plataformas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era exclusivo da relação médico-paciente, muitas vezes funcionando como a primeira etapa da jornada assistencial.

Seria precipitado interpretar esse movimento como uma substituição da medicina pela tecnologia. O que ele revela, na verdade, é uma transformação na forma como o valor é percebido. Fatores como tempo de espera, dificuldade de acesso e baixa responsividade contribuem para que muitos busquem alternativas mais ágeis, ainda que nem sempre mais seguras.

A confiança nas plataformas digitais está associada à velocidade, à disponibilidade contínua, à clareza da linguagem e à experiência do usuário — atributos que o sistema de saúde, muitas vezes, ainda não consegue oferecer plenamente.

Esse cenário traz um ponto de atenção importante. A mesma agilidade que aproxima da informação pode afastar da qualidade. Pesquisa da Abramed sobre o uso da Inteligência Artificial na Medicina Diagnóstica Brasileira aponta que essa confiança só é positiva quando sustentada por conteúdo científico qualificado e transparente. Fora disso, é importante não confundir velocidade com precisão.

A qualidade de uma resposta depende da forma como a pergunta é construída e da confiabilidade da fonte — algo ainda mais sensível em um país onde cerca de 70% da população enfrenta algum grau de limitação em letramento digital.

A questão, portanto, não é tecnologia versus medicina. É como integrar essas duas dimensões sem perder o que sustenta o cuidado: a confiança.

Parte dessa percepção tem sido atribuída à falta de empatia, mas o cenário é mais complexo. O que está em curso é uma mudança nas expectativas: hoje, a empatia também se expressa na capacidade de oferecer acesso, agilidade, clareza e previsibilidade. As pessoas querem ser ouvidas, mas também esperam respostas no tempo e na forma que consideram adequados.

Esse movimento impulsiona a evolução dos modelos de atendimento. A excelência técnica segue como base do cuidado e ganha ainda mais valor quando integrada à experiência do paciente.

Nesse contexto, a tecnologia deve ser compreendida como aliada. Quando bem aplicada, amplia a capacidade de análise e apoia a prática clínica do profissional de saúde, especialmente na organização de dados e no suporte à tomada de decisão.

Ao ser utilizada como sistema de suporte à decisão clínica (Clinical Decision Support System – CDSS), a tecnologia pode assumir tarefas operacionais, como triagem, análise de padrões e organização de dados, liberando tempo para aquilo que nenhuma ferramenta é capaz de reproduzir: a escuta qualificada, o raciocínio clínico e a decisão compartilhada.

Quando não integrada ao contexto assistencial, tende a reduzir a singularidade a padrões estatísticos, com impactos potenciais na qualidade do cuidado.

Compreender essa diferença é fundamental para fortalecer a confiança do paciente. Nesse cenário, as pessoas chegam mais informadas — ou, ao menos, mais expostas à informação — o que amplia o papel das instituições e dos profissionais de saúde como curadores e tradutores do conhecimento.

Laboratórios e serviços diagnósticos têm papel central em assegurar que a informação seja acessível, compreensível e cientificamente embasada, independentemente da jornada — presencial, digital ou híbrida.

Esse movimento também amplia a responsabilidade dessas instituições na qualificação da informação, com foco em esclarecer o significado dos resultados, seus limites e os fatores que influenciam os prazos dos processos. Tornar compreensível a diferença entre o tempo digital e o tempo clínico é parte essencial da atuação em saúde.

Essa perspectiva demanda investimento contínuo em formação e cultura organizacional. Não basta incorporar tecnologia; é necessário preparar os profissionais para utilizá-la com responsabilidade, fortalecendo a comunicação científica, adotando protocolos baseados em evidências e promovendo uma cultura orientada por transparência e ética.

O protagonismo do profissional de saúde será cada vez mais associado à capacidade de fortalecer e sustentar relações de confiança. A discussão, portanto, não se resume a escolher entre o toque humano e a tecnologia. Trata-se de integrar essas dimensões de forma complementar e inteligente.

A tecnologia pode ampliar o acesso, acelerar processos e qualificar decisões. Mas é o elemento humano que dá sentido ao cuidado, sustenta o vínculo e fortalece a confiança na prática assistencial.

Redesenhar a experiência do paciente não é apenas uma necessidade operacional, mas um passo essencial na evolução de um sistema de saúde cada vez mais orientado por dados, sem perder sua dimensão humana.

Lidia Abdalla

Vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin