Nova resolução do CFM define limites e responsabilidades para uso de IA na medicina

Diretrizes atualizam o uso da Inteligência Artificial na Saúde, com foco em segurança, transparência e autonomia profissional.

O avanço acelerado da inteligência artificial na saúde começa a deslocar o debate do potencial tecnológico para os limites de uso. Com cerca de US$ 36 bilhões investidos globalmente em 2025 e crescimento projetado de quase 40% ao ano, a consolidação dessas ferramentas torna inevitável a definição de responsabilidades clínicas, éticas e regulatórias. Nesse contexto, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, estabelecendo diretrizes para a aplicação da IA na prática médica no Brasil.

O texto define parâmetros para uso seguro da tecnologia, delimita responsabilidades e estabelece critérios para sua incorporação no cuidado em saúde. A seguir, os principais pontos da norma.

Objetivos da norma e autonomia médica

A resolução estabelece que a inteligência artificial deve atuar exclusivamente como ferramenta de apoio à decisão clínica, sem autonomia para definir diagnósticos ou prognósticos. A responsabilidade final permanece com o médico, que mantém plena autonomia para aceitar, interpretar ou rejeitar recomendações geradas por sistemas automatizados.

Esse direcionamento também impede que sistemas de IA substituam o julgamento clínico ou realizem, de forma independente, a comunicação de diagnósticos ao paciente. A tecnologia passa a ser compreendida como suporte qualificado, e não como agente decisório.

Outro ponto relevante é a proteção ao profissional: o médico pode optar por não utilizar sistemas que não apresentem validação científica ou respaldo regulatório, desde que sua decisão esteja fundamentada em critérios técnicos e éticos.

Transparência e direitos do paciente

A norma reforça que o uso da IA não pode comprometer a relação médico-paciente nem reduzir a dimensão humana do cuidado. Sempre que houver utilização dessas ferramentas, o paciente deve ser informado de forma clara, com registro no prontuário.

Além disso, são consolidados direitos específicos, como o consentimento informado para uso de IA, a possibilidade de recusa da tecnologia no atendimento, o acesso a informações compreensíveis sobre sua condição de saúde e a garantia de proteção de dados pessoais, em conformidade com a LGPD.

Ao estruturar esses princípios, a resolução aproxima o Brasil de modelos internacionais que colocam o paciente no centro das decisões envolvendo tecnologias emergentes.

Governança e classificação de risco

No âmbito institucional, a resolução estabelece obrigações mais estruturadas para hospitais e clínicas. Instituições que utilizam sistemas próprios de IA devem implementar mecanismos de governança, incluindo a criação de comissões internas responsáveis por monitoramento, auditoria e avaliação contínua dessas ferramentas.

A norma também introduz uma classificação dos sistemas conforme o nível de risco:

  • Baixo risco: aplicações administrativas e operacionais, sem impacto clínico direto;
  • Médio risco: sistemas de apoio à decisão com supervisão humana;
  • Alto risco: tecnologias que influenciam decisões clínicas relevantes;
  • Risco inaceitável: usos proibidos.

Esse enquadramento orienta o nível de controle e supervisão exigido, de acordo com o potencial impacto sobre o cuidado.

Outro ponto central é a exigência de conformidade regulatória: softwares com função clínica devem atender às normas da Anvisa aplicáveis a dispositivos médicos. A fiscalização do uso da IA caberá aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), que poderão realizar auditorias e aplicar medidas disciplinares quando necessário.

Deveres do médico e proteção profissional

A norma também explicita responsabilidades do médico no uso dessas ferramentas, incluindo a necessidade de avaliação crítica das recomendações geradas, atualização contínua sobre capacidades e limitações dos sistemas e registro do uso (ou não uso) da IA no prontuário.

Ao mesmo tempo, estabelece uma salvaguarda importante: o profissional não será penalizado por optar por não seguir recomendações da IA, desde que sua decisão esteja tecnicamente fundamentada.

Impactos na formação médica

A resolução reconhece que a incorporação da inteligência artificial exige mudanças estruturais na formação dos profissionais. Entre os temas que passam a ganhar relevância nos currículos estão ética aplicada à IA, segurança da informação, cibersegurança e letramento em inteligência artificial.

A diretriz aponta para a necessidade de preparar médicos capazes de interpretar criticamente essas ferramentas e utilizá-las de forma responsável na prática clínica.

Proteção de dados e LGPD

A norma determina que todo o ciclo de uso da IA — desde o desenvolvimento até a aplicação clínica — deve observar rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados. Isso inclui a adoção de princípios como privacidade desde a concepção, além de garantir confidencialidade, integridade e segurança das informações de saúde.

Letramento digital: a base da inovação responsável na Medicina Diagnóstica

Aumento dos investimentos em tecnologia e dados deve vir acompanhado da capacidade crítica para extrair valor de novas soluções na saúde 

O ecossistema de saúde global atravessa uma era de investimentos sem precedentes em inovação. Só o mercado de inteligência artificial em healthcare foi estimado em mais de US$ 36 bi em 2025 e deve crescer próximo da casa de 40% ao ano até 2033. Nesse mesmo sentido, espera-se que os investimentos em dados na saúde superem US$ 193 bi nos próximos 5 anos, também acelerados pelo direcionamento de recursos para sistemas de análise de informações clínicas.   

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) junto aos seus associados — que representam mais de 85% do volume de exames realizados na saúde suplementar no país —, as empresas do setor destinam até 30% do orçamento anual a iniciativas de inovação tecnológica.

No entanto, há um gargalo desafiador no segmento entre a velocidade da corrida tecnológica e o déficit de maturidade digital de profissionais e organizações.Sem o devido letramento digital, corremos o risco de automatizar a desinformação em escala, pondo em risco a segurança dos pacientes e deixando de usufruir dos benefícios de uma saúde informatizada.

O que é letramento digital e os desafios para seu avanço no Brasil

Antes de aprofundarmos o debate sobre letramento digital na saúde, é importante definirmos esse conceito, que não se resume a treinamentos técnicos para operar sistemas ou navegar em dashboards. Hoje, isso é o básico para qualquer organização.

O verdadeiro letramento é a capacidade crítica de compreender o que os dados dizem, o que não dizem e o que jamais poderão dizer sozinhos. Envolve entender vieses algorítmicos, limitações de base informacional e também avaliar implicações éticas e assistenciais das decisões orientadas pela tecnologia. Pressupõe reconhecer que algoritmo não é neutro, que dados não são verdade absoluta e que decisões baseadas em sistemas cuja lógica não é compreendida representam risco institucional.

Sem essa maturidade, delega-se decisões clínicas complexas a sistemas que muitas vezes não são plenamente explicáveis, criando um ambiente em que a tecnologia é tratada como verdade incontestável — quando deveria ser instrumento de apoio crítico.

No Brasil, esse desafio é especialmente agudo quando consideramos que, segundo pronunciamento recente do Ministério das Comunicações, falta letramento digital para cerca de 70% dos brasileiros, índice que se reflete também na capacidade de operadores do ambiente de saúde em se integrar a uma cultura de base tecnológica e orientada por dados.

É nesse cenário que o gap de letramento se torna uma das principais barreiras para que a inovação entregue ovalor prometido. Isso vale, por exemplo, para a IA: sem maturidade crítica, a inteligência artificial torna-se apenas uma “vitrine tecnológica” que impressiona no piloto, mas enfrenta dificuldades na rotina assistencial, especialmente quando cobrada por impacto clínico mensurável, eficiência sustentável ou melhoria concreta de desfechos. Sem perguntas bem formuladas e critérios claros de validação, soluções sofisticadas podem se tornar tecnicamente avançadas e, ainda assim, clinicamente irrelevantes.

Profissionais híbridos e uma agenda de transformação

Para superar esse cenário, especialidades como a Medicina Diagnóstica precisam trabalhar na formação de profissionais híbridos. O fato é que hoje já contamos tanto com excelentes cientistas de dados quanto com clínicos brilhantes, mas poucos conseguem transitar com fluidez entre esses dois universos. 

E a realidade atual da saúde demanda profissionais que, além do conhecimento médico, saibam trabalhar com estatística, arquitetura de dados e machine learning – e entendam como esses pilares, integrados, influenciam na jornada do paciente, sendo ainda capazes de avaliar riscos clínicos, fatores regulatórios e ambientes informatizados. Mais do que novos cargos, é necessário reconhecer que dados deixaram de ser um tema exclusivo da TI e passaram a ocupar papelcentral nas decisões clínicas, estratégicas e institucionais.

Afinal de contas, a falta de letramento digital tem consequências diretas no cuidado. Quando a tecnologia avança mais rápido que a compreensão humana, o resultado é o aumento de algoritmos mal interpretados e decisões automatizadas sem contexto clínico. Isso pode se traduzir em atrasos diagnósticos ou intervenções desnecessárias, comprometendo a segurança do paciente e a própria sustentabilidade dos sistemas de saúde. Amplificam-se vieses, consolidam-se decisões opacas e eleva-se a exposição regulatória e reputacional das organizações.

Nesse novo panorama, os dados não são mais apenas um tema de TI, mas um instrumento clínico, estratégico e institucional que devolve ao médico o controle sobre a tecnologia, inclusive sobre quando utilizá-la ou não. 

Diante de tudo isso, a agenda do letramento digital deve unir os atores da saúde e da Medicina Diagnóstica. As organizações – com o apoio de entidades e do próprio poder público –, devem investir em capacitação contínua e criar ambientes onde a maturidade crítica é incentivada, de modo que o uso de tecnologias complexas venha acompanhado de formação, tempo e contexto para sua aplicação adequada.

Pois, em última análise, o letramento é o que diferencia a inovação responsável de uma automação sem governança e controle, colocando-se como uma base decisiva para que os dados se transformem, de fato, em ativos de valor capazes de melhorar a jornada de pacientes e o dia a dia dos profissionais.

Pedro Vieira é Líder do Comitê de Interoperabilidade da Abramed

27 de fevereiro de 2026.

Comitê de Radiologia da Abramed reuniu representantes da indústria e associados para debater inovação e sustentabilidade

Mesa-redonda realizada na sede da GE HealthCare explorou a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

A busca pelo equilíbrio entre inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência assistencial em exames radiológicos pautou a mesa-redonda realizada pelo Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed na sede da GE HealthCare, em São Paulo.

Juntos, representantes da indústria e associados exploraram a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

O encontro foi conduzido por Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e pelos líderes do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem: Alexandre Marconi, coordenador de Radiologia Abdominal do Hospital Sírio-Libanês, e Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

Sustentabilidade além do discurso

A sustentabilidade foi tratada como eixo estratégico do diagnóstico por imagem, com a importância de indicadores mensuráveis sendo colocada no centro da discussão. Para João Paulo Souza, CEO da GE HealthCare Brasil, a sustentabilidade já é um pilar de mercado.

“O debate já está na sociedade. O desafio é transformar o discurso em ações tangíveis, com números efetivos. Para fazê-lo avançar, nós olhamos para o conceito de economia circular e para o lançamento contínuo de novas tecnologias de foco sustentável. Mais do que uma boa intenção, essa é uma exigência do mercado diagnóstico: qualidade técnica e sustentabilidade são pilares de sobrevivência”.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, reforçou a necessidade de atuação conjunta para o avanço da sustentabilidade. “Na Abramed, pensamos no setor como um todo, indústria, prestadores, academia, governo e associações. Esse olhar conjunto é fundamental: entre nossos associados, por exemplo, já temos relatórios indicando redução no consumo de água em exames laboratoriais na casa de 20%”.

Inteligência artificial como vetor de práticas sustentáveis

Dentro do contexto de integração entre tecnologia e sustentabilidade, a IA apareceu como uma das principais alavancas para ganhos simultâneos de eficiência, melhores práticas e experiência do paciente. Os participantes compartilharam casos de redução de tempo de exames, otimização de fluxos e melhor aproveitamento da capacidade instalada com o apoio da inteligência artificial

Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, ressaltou os ganhos operacionais. “Cada vez mais, médicos e profissionais veem a IA como aliadas da produção radiológica, ela ajuda o radiologista nos relatórios, na identificação de lesões, no suporte diagnóstico e no ganho de eficiência diária”, afirmou, indicando que ainda há muito espaço para avanço da tecnologia no Brasil.

Angela Caiado, head de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Grupo Fleury, destacou iniciativas práticas da integração entre tecnologia e sustentabilidade. “Com apoio da inovação e da IA, já conseguimos reduzir em quase 50% o tempo dos exames. Há ganhos em redução de energia elétrica, de água e de emissões: mas é preciso demonstrá-los em métricas que sustentem essa jornada.”

Eficiência operacional e consumo energético

Outro ponto central foi a incorporação do consumo energético e do custo total de propriedade (TCO) como fatores centrais na aquisição de equipamentos. Alexandre Marconi, líder do Comitê, chamou atenção para a ausência de métricas padronizadas. “Ainda há um espaço importante para avançar em critérios objetivos de eficiência energética no setor, o que pode orientar melhores decisões de investimento”, afirmou.

Marcos Queiroz, também líder do Comitê , reforçou a importância de decisões baseadas em dados. “Quando olhamos para o ciclo dos equipamentos, eficiência operacional e sustentabilidade devem caminhar juntas e os dados precisam demonstrar isso”.

Boas práticas assistenciais, educação e próximos passos

A discussão também abordou estratégias para reduzir no-show, evitar exames desnecessários e melhorar a gestão da demanda. Algoritmos preditivos, confirmação ativa de agendamentos e maior integração entre sistemas foram apontados como caminhos para ganhos assistenciais e operacionais. Nesse contexto, a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde foi destacada como elemento-chave para evitar repetições de exames e promover integração.

O papel do radiologista como protagonista foi outro ponto de consenso. Mais do que emitir laudos, o profissional é um agente ativo na definição de protocolos, uso racional da tecnologia e na orientação de equipes multiprofissionais. Assim, a educação continuada apareceu como condição essencial para que os avanços tecnológicos se traduzam em benefícios clínicos, operacionais e de sustentabilidade.

Ao final, o Comitê definiu como próximos passos o mapeamento de boas práticas de sustentabilidade, a avaliação de indicadores mensuráveis, a integração dos debates à agenda ESG da Abramed e o aprofundamento das discussões sobre capacitação e uso efetivo da tecnologia. E a Abramed reforçou seu compromisso pelo diálogo estruturado com todo o ecossistema de Medicina Diagnóstica, avançando na construção de soluções alinhadas à realidade do país.

29 de janeiro de 2026

Inteligência Artificial no Brasil: como o setor da Saúde contribui para a construção do novo marco regulatório

Propostas da Abramed orientam a construção de um marco regulatório que concilie proteção ao paciente, segurança jurídica e desenvolvimento tecnológico.

O Projeto de Lei nº 2.338/2023, que estabelecerá as diretrizes para o desenvolvimento, o fomento e o uso ético e responsável da Inteligência Artificial no país, tem avançado no Congresso Nacional. Em um momento decisivo para a definição de parâmetros de inovação, segurança e responsabilidade, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) tem atuado de forma estratégica para assegurar que a futura legislação considere as especificidades da saúde e garanta equilíbrio regulatório.

Ao lado da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Saúde Digital Brasil e outras entidades, a Abramed enviou contribuições que foram apresentadas pela Frente Parlamentar Mista de Saúde ao relator do PL, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), um documento técnico estruturado: o Decálogo de Regulação de IA para o Setor da Saúde, que consolida entendimentos e propõe ajustes fundamentais para que o Brasil avance com segurança e sem criar barreiras desnecessárias à inovação.

De acordo com o advogado Lucas Bonafé, do escritório Machado Nunes, a atuação institucional concentrou-se em qualificar o debate e mitigar generalizações que poderiam dificultar a adoção de novas tecnologias no setor, apresentando propostas concretas de alteração legislativa baseadas em 10 pilares estratégicos. Destacamos abaixo algumas das contribuições apresentadas.

O primeiro trata da definição precisa de alto risco, com a proposta de que o enquadramento de sistemas seja competência do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), considerando probabilidade e gravidade dos impactos adversos. Outro ponto-chave aborda a responsabilidade proporcional e não duplicada, especialmente relevante em saúde, onde uma mesma instituição pode ser desenvolvedora e usuária: defendemos que a responsabilização recaia sobre quem efetivamente exerce controle sobre o sistema.

Também reforçamos a necessidade de proteger a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), recomendando que aplicações exclusivamente dedicadas à pesquisa fiquem fora do escopo da lei até sua entrada no mercado, garantindo liberdade para etapas iniciais de experimentação. Por fim, enfatizamos a harmonização regulatória entre o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que estrutura a visão estratégica, e o PL 2.338/2023, que deve oferecer segurança jurídica para a aplicação da IA em saúde.

As propostas foram apresentadas diretamente à liderança parlamentar, em nome de entidades representativas da Saúde Suplementar, e seguimos monitorando sua incorporação à versão final do relatório.

A aprovação do Marco Legal trará novos requisitos para empresas e prestadores de serviços de Saúde, entre eles a obrigatoriedade de avaliações de impacto algorítmico que contenham informações técnicas e operacionais sobre riscos potenciais aos direitos fundamentais, medidas adotadas para mitigá-los, etapas de supervisão humana e métricas utilizadas para aferir acurácia e desempenho. A Abramed entende que a regulação é necessária para fortalecer a segurança jurídica, proteger pacientes e promover boas práticas no ciclo de vida dos modelos, sem impor barreiras que inviabilizem a inovação responsável.

Para apoiar o setor nesse processo de transição, recomendamos que os associados iniciem a adoção de boas práticas em três frentes essenciais:

  • Governança de Dados: garantia de qualidade, completude e proteção dos dados utilizados no treinamento de algoritmos;
  • Interoperabilidade: adoção de padrões internacionais que permitam integração com prontuários, sistemas clínicos e repositórios nacionais;
  • Gestão do ciclo de vida da IA: monitoramento contínuo para evitar degradação de desempenho, vieses discriminatórios e perda de acurácia ao longo do tempo.

Nos próximos meses, nossas prioridades incluem a participação ativa em Grupos de Trabalho, contribuindo tecnicamente para a implementação da lei; a capacitação de equipes em temas como transparência, explicabilidade e mitigação de vieses; e o diálogo permanente com legisladores e reguladores para garantir que a regulamentação setorial da saúde seja convergente com o Marco Legal da IA.

A Abramed reafirma seu compromisso em representar o setor com responsabilidade, antecipar tendências regulatórias e contribuir para um ambiente que combine segurança, inovação e qualidade assistencial.

Mensagem de fim de ano

Prezado associado,

Ao nos aproximarmos do final de 2025, é tempo de pausar, olhar para trás e celebrar um ciclo verdadeiramente vitorioso para todos nós. Este ano não foi apenas mais um calendário cumprido, mas um marco definitivo em nossa história, onde nossos compromissos estratégicos se transformaram em entregas concretas que fortaleceram a Medicina Diagnóstica em todo o Brasil.

Foi um período em que a materialização dos nossos avanços ampliou a confiança da sociedade e reafirmou a importância do nosso setor. Intensificamos nossa presença institucional em Brasília e junto a órgãos reguladores, construindo pontes sólidas que garantiram que o diagnóstico fosse reconhecido como um componente estratégico e vital para a saúde nacional.

Essa maturidade institucional, fruto dos nossos 15 anos de caminhada, refletiu-se na qualidade dos nossos encontros. Momentos como o FILIS e o lançamento da nova edição do Painel Abramed não foram apenas espaços de debate, mas de construção coletiva de soluções, onde antecipamos tendências e compartilhamos conhecimentos valiosos.

Ao longo do ano, atuamos de forma decisiva na linha de frente das grandes discussões que moldam o futuro do nosso mercado. Desde os debates sobre Inteligência Artificial e a defesa da Política Nacional do Diagnóstico Laboratorial até o acompanhamento minucioso da Reforma Tributária, nosso foco foi garantir segurança, transparência e sustentabilidade. Trabalhamos incansavelmente para traduzir a complexidade desses temas em apoio real e informação clara para o seu dia a dia, ao mesmo tempo em que avançamos nas pautas de inovação e ESG.

Encerramos este ciclo com o coração cheio de gratidão e a convicção de que cada avanço e parceria firmada em 2025 tornou a Abramed um agente de transformação ainda mais forte. Nada disso seria possível sem a sua confiança e participação.

Que as conquistas deste ano sirvam de inspiração para o novo tempo que se aproxima. A Abramed reafirma o compromisso de seguir ao seu lado, apoiando as adaptações necessárias e promovendo a excelência.

Desejamos a você, à sua família e a toda sua equipe um final de ano de paz e alegria, e um 2026 repleto de prosperidade e novas realizações.

Boas festas!

Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed.

Quando se fala em IA na Saúde: o que já traz resultados e o que segue no campo das promessas?

Radiologia já colhe frutos da Inteligência Artificial, enquanto predição e interoperabilidade seguem como desafios para o futuro do setor

O entusiasmo em torno da Inteligência Artificial (IA) na saúde cresce a cada ano, impulsionado por promessas de diagnósticos mais rápidos, decisões clínicas mais precisas e modelos mais eficientes de cuidado. E esse movimento se reflete em investimentos: somente em 2024, o setor global de healthcare ultrapassou US$ 26 bilhões aplicados em IA, com expectativa de crescimento anual acima de 38% até 2033, segundo a Grand View Research.

Mas, ao observarmos o cenário brasileiro, torna-se evidente que convivemos com duas realidades distintas: enquanto áreas como a Medicina Diagnóstica já apresentam ganhos mensuráveis com IA, o salto para modelos preditivos, plenamente integrados e clinicamente explicáveis ainda permanece no campo das promessas.

Segundo Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, essa diferença entre expectativas e resultados é estrutural. “Ainda não temos uma IA plena, capaz de diagnosticar e prever desfechos e personalizar todo o cuidado de forma confiável. Mas já temos resultados sólidos em áreas específicas como a radiologia e análises clínicas”.

Os avanços na radiologia não são por acaso. Trata-se de uma das áreas com maior grau de padronização de linguagem, volume de dados estruturados e consolidados para aferir acurácia, sensibilidade e especificidade. Em diversos centros, modelos de IA já reduzem em até 50% o tempo de realização dos exames de Ressonância Magnética.

Para Cesar, essa maturidade não é casual. “O setor de Medicina Diagnóstica é o que mais utiliza IA porque gera dados estruturados, validados e auditáveis. É com base neles que a inovação acontece.”

A natureza padronizada dos exames cria ambiente favorável para o treinamento de modelos robustos, ao contrário de áreas assistenciais onde a variabilidade humana, social e ambiental é significativamente maior.

O que ainda não funciona: da IA preditiva à ausência de interoperabilidade

Se a IA diagnóstica já entrega resultados, a chamada IA preditiva — aquela capaz de combinar variáveis clínicas, comportamentais, genômicas e sociais para antecipar riscos — permanece desafiadora. Na prática, não existem modelos amplamente validados que operem com segurança clínica no cotidiano dos serviços.

Um dos motivos que interferem na validação robusta de algoritmos para população brasileira é a não consolidação de bases representativas de dados e estão relacionadas a não interoperabilidade plena entre sistemas, sejam públicos ou privados. Há, ainda, desafios de qualidade de dados. Bases fragmentadas, heterogêneas e com lacunas importantes dificultam modelos preditivos confiáveis.

Como alerta Cesar: “Sem dados de qualidade representativos e interoperáveis não existe Inteligência Artificial com oa acurácia, só correlação de ruído”.

Esse é um ponto crítico: modelos treinados em bases não representativas geram vieses clínicos, reforçam desigualdades e podem levar a decisões imprecisas, especialmente para populações historicamente subdiagnosticadas.

Outro limite importante é o da explicabilidade. Para ser incorporada na prática clínica, a IA precisa ser auditável, reprodutível e compreensível pelos profissionais de saúde. Por isso, a Abramed tem reforçado que o avanço da IA na saúde exige responsabilidade antecipada, mesmo antes da regulação formal.

Como sintetiza Cesar: “A Inteligência Artificial só tem valor quando vem acompanhada de contexto clínico, confiabilidade e responsabilidade ética”. Governança, rastreabilidade de dados, validação independente, critérios técnicos e prestação de contas são pilares para o uso seguro.

O caminho para o futuro: colaboração, padrões e maturidade setorial

Para que o Brasil evolua da IA diagnóstica para a IA preditiva, será necessário superar o hiato entre tecnologia e infraestrutura. Isso inclui:

  • Padrões de interoperabilidade adotados em escala;
  • Bases representativas e auditáveis;
  • Capacitação de equipes multidisciplinares;
  • Governança consistente entre público e privado;
  • Modelos regulatórios modernos e colaborativos.

Como conclui Cesar Nomura: “A IA pode prever doenças, reduzir custos e ampliar acesso. Mas só se for construída sobre dados de qualidade, com transparência e propósito. Tecnologia por si só não resolve. O que resolve é o uso responsável dela”.

FILIS 2025: onde os grandes debates da Saúde acontecem. Veja a agenda completa

Está chegando a hora! No dia 21 de agosto, o Teatro B32, em São Paulo, será palco da 9ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Abramed.

O evento reunirá especialistas, autoridades e executivos do Brasil para discutir alguns dos temas mais estratégicos para o setor: impactos climáticos na saúde, qualidade assistencial, inovação, interoperabilidade e perspectivas para o futuro da Saúde no país.

A programação inclui a entrega da 7ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, a apresentação dos dados inéditos do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico (que neste ano traz pela primeira vez um capítulo especial sobre interoperabilidade).

Confira a agenda completa do FILIS 2025:

21 de agosto de 2025 | Teatro B32 – São Paulo

Abertura e Prêmio Dr. Luis Gastão Rosenfeld
Entrega da 7ª edição do prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld – uma homenagem que reconhece profissionais cuja trajetória contribuem de forma significativa para o desenvolvimento e a melhoria do sistema de saúde brasileiro.

Apresentação do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico.

Esta publicação anual é amplamente aguardada pelo setor e reúne dados estratégicos e atualizados do mercado de medicina diagnóstica. A edição deste ano traz, ainda, um capítulo especial sobre Interoperabilidade na Saúde, tema fundamental para o avanço da integração e da eficiência no cuidado em saúde no Brasil.

Eixo ESG

Palestra “Desafios da Saúde em Tempos de Mudanças Ambientais” com Paulo Saldiva (Médico Patologista, Professor e Pesquisador da USP)

Debate com o tema “Do Clima à Saúde: Os Desafios de um Mundo em Transformação” e participação de:

  • Pedro Westphalen – Deputado Federal (PP/RS)
  • Paulo Saldiva – USP
  • Mediação: Claudia Cohn – Membro do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Alta Diagnósticos.

Eixo Qualidade na Saúde

Momento Transformação – com a apresentação de case internacional sobre soluções digitais que trazem impacto clínico na gestão e qualidade do cuidado em saúde, com Iván Mojica, Patologista Clínico e Líder em Medicina Diagnóstica.

Palestra “O Futuro do Diagnóstico e a Segurança do Paciente” – com Nelson Teich – Ex-Ministro da Saúde e Consultor Sênior na Teich Gestão em Saúde.

Debate com o tema “A Importância da Qualidade para a Eficiência do Sistema de Saúde” e participação de:

  • Anderson Nascimento – CEO da Rede Total Care
  • Jeane Tsutsui – CEO do Grupo Fleury
  • Nelson Teich, Ex-Ministro da Saúde e atual Consultor Sênior na Teich Gestão em Saúde
  • Marcos Queiroz – Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein e Membro do Conselho de Administração da Abramed
  • Mediação: Wilson Shcolnik – Membro do Conselho de Administração da Abramed e Gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury.

Eixo Inovação

Apresentação do Projeto de Interoperabilidade do InovaHC com Marco Bego – Diretor Executivo do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da FMUSP

Momento Transformação – com apresentação de case sobre Interoperabilidade com Paula Xavier – Diretora do Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS).

Debate final com o tema “Interoperabilidade na Saúde: Oportunidades e Caminhos para o Futuro”, e participação de:

  • Ana Estela Haddad – Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde
  • Carlos Marinelli – Diretor Presidente da Bradesco Saúde
  • Rafael Lucchesi – CEO da Dasa Diagnósticos
  • Cesar Nomura – Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês
  • Mediação: Ademar Paes Jr. – Sócio da Clínica Imagem e Membro do Conselho de Administração da Abramed

Encerramento – com participação da Vice-Presidente do Conselho de Administração da Abramed, Lídia Abdalla.

Ainda dá tempo de participar! Acesse www.abramed.org.br/filis e faça a sua inscrição!

Abramed alerta sobre a falta de segurança nos diagnósticos e atendimentos médicos fora do ambiente laboratorial

Em matéria publicada pelo portal Saúde Business, a Abramed esclareceu, com responsabilidade e respaldo técnico, a equívoca e preocupante ideia de dispor o setor farmacêutico como polo de diagnóstico e atendimento médico, cumprindo uma função que vai além do seu relevante papel na assistência e ampliação do acesso da população a medicamentos.

A entidade destaca que, de acordo com a RDC nº 978/2025 da Anvisa, em vigor desde 10 de junho, as farmácias podem realizar apenas exames simples de triagem, sem finalidade diagnóstica, e sob condições técnicas e sanitárias específicas.

“Não se faz diagnóstico em farmácia nem por meio de testes rápidos. O que pode ser feito ali são triagens muito pontuais, e mesmo assim com restrições claras”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed. A posição da Associação se baseia na necessidade de garantir segurança, qualidade e rastreabilidade — pilares que exigem infraestrutura e controle de processos, características próprias do ambiente laboratorial.

Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gerente médico do Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, acrescenta que “não é sequer viável tecnicamente transformar o espaço de uma farmácia em um posto de coleta ou em um centro diagnóstico. Testes pontuais, de triagem, são bem-vindos; agora exames que exigem coleta e armazenagem de material biológico demandam infraestrutura tecnológica, supervisão e rigor. Não atender a esses pilares é algo que vai contra toda a busca por mais precisão do setor de Medicina Diagnóstica”.    

Como representante de associados responsáveis por mais de 80% dos exames da saúde suplementar, a Abramed reafirma o seu compromisso de ampliar o acesso à Medicina Diagnóstica de qualidade com base na legalidade, nas boas práticas clínicas e na segurança do paciente e segue atuando para que isso aconteça da melhor forma possível.

Confira o posicionamento completo da entidade: https://www.saudebusiness.com/laboratorios/abramed-alerta-sobre-falta-de-seguranca-nos-diagnosticos-e-atendimentos-medicos-fora-do-ambiente-laboratorial.

O valor econômico da Medicina Diagnóstica: muito além do laudo

Por César Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed

Quando se pensa em um exame médico, normalmente se foca apenas no resultado, que chega em formato de um laudo — dando pouca atenção às imagens e gráficos indecifráveis para os leigos, mas que já são sinal inequívoco da complexidade da Medicina Diagnóstica.

Por trás de cada exame, existe uma profunda inteligência em saúde, movida por uma engrenagem complexa que movimenta bilhões de reais, sustenta milhares de empregos e impulsiona a inovação no Brasil.

A Medicina Diagnóstica não é apenas uma etapa do cuidado. É um motor silencioso que conecta ciência, tecnologia, indústria e desenvolvimento econômico.

Em 2024, as empresas associadas à Abramed realizaram cerca de 1 bilhão de exames. Esse número, por si só, impressiona. Mas o que ele representa vai muito além do volume: cada exame envolve insumos adquiridos, equipamentos em funcionamento, profissionais qualificados e cadeias de serviços que se movimentam.

Um simples teste de sangue mobiliza fornecedores de reagentes, fabricantes de materiais de coleta, empresas de logística, energia, tecnologia da informação e até empresas de descarte seguro de resíduos.

O impacto econômico é concreto. Em 2024, o consumo de produtos e equipamentos médico-laboratoriais cresceu 11,5%. O uso de reagentes subiu 28,4% e as importações, 19,4%. São recursos que irrigam o mercado, geram empregos e sustentam empresas de diversos segmentos.

Além de ser parte essencial das demandas geradas pelo setor de Saúde, que responde por cerca de 10% do PIB brasileiro, a Medicina Diagnóstica é também um vetor de inovação. A busca por precisão, agilidade e confiabilidade estimula investimentos constantes da indústria nacional e internacional em novas tecnologias.

O setor ainda possui um ativo de grande valor, mas pouco visível: a informação. Cada exame gera dados clínicos que, quando integrados e compartilhados com segurança, podem transformar o cuidado no país.

Esse, aliás, é o princípio da interoperabilidade, assunto tão debatido em nossa área por evitar exames repetidos, reduzir desperdícios, acelerar diagnósticos e liberar recursos para atender mais pacientes. Na prática, interoperabilidade é eficiência — e eficiência significa economia.

Toda essa engrenagem também está conectada a outro tema que dialoga diretamente com o impacto econômico do setor: a sustentabilidade.

Quando reduzimos o uso de filmes e papéis em exames de imagem e migramos para formatos digitais, estamos diminuindo nosso impacto ambiental e impulsionando um novo mercado de soluções sustentáveis. Isso envolve fornecedores de tecnologia, empresas de armazenamento seguro em nuvem, softwares de visualização, equipamentos de digitalização e serviços de descarte adequado.

Ou seja, até na busca por práticas ambientalmente responsáveis, a Medicina Diagnóstica continua sendo uma grande compradora, geradora de serviços e um setor que impulsiona a inovação. Um movimento que cria uma cadeia de valor que une eficiência operacional, responsabilidade ecológica e dinamismo econômico.

É por isso que defendo que a Medicina Diagnóstica seja vista e tratada como um pilar econômico e social do Brasil. Investir no nosso setor não é gasto — é estratégia. Cada real aplicado em diagnóstico de qualidade significa decisões clínicas mais assertivas, tratamentos mais eficazes, menos desperdício de recursos e mais vidas salvas.

O desafio agora é consolidar essa visão na formulação de políticas públicas, na regulação e no próprio planejamento das empresas.

Precisamos garantir um ambiente sustentável para que o setor continue crescendo, inovando e integrando a saúde do país. Porque fortalecer a Medicina Diagnóstica não é apenas cuidar melhor das pessoas — é fortalecer o Brasil.

Agentes de IA para otimizar a jornada do paciente no laboratório

Na Medicina Diagnóstica, cada minuto conta — não apenas para agilizar o resultado de um exame, mas para melhorar a experiência do paciente e garantir decisões clínicas mais rápidas e seguras. Nesse contexto, os agentes de Inteligência Artificial (IA) têm se consolidado como aliados estratégicos para reduzir gargalos operacionais e aumentar a eficiência em todas as etapas do atendimento, do agendamento à entrega do laudo.

Segundo o Dr. Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Israelita Albert Einstein, conselheiro e líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed, algumas aplicações já atingiram alto nível de maturidade para uso nos laboratórios.

“Na etapa analítica, as aplicações mais maduras estão associadas ao reconhecimento de padrões de imagens, à aceleração da leitura microscópica e à interpretação de exames complexos, como os exames genéticos”, afirma.

Essas soluções, já são implementadas em hospitais como o Albert Einstein, por exemplo, permitindo que exames como hemogramas, análises de sedimento urinário ou interpretações genéticas sejam processados com mais agilidade e acurácia.

Isso significa menos tempo de espera para o paciente, diagnósticos mais rápidos para o médico e maior capacidade operacional para o laboratório — sem abrir mão da qualidade.

O impacto também é sentido antes e depois da análise propriamente dita. Agentes de IA podem ajudar a reconhecer automaticamente problemas em amostras logo na coleta, evitando retrabalhos e convocações desnecessárias. No pós-análise, sistemas inteligentes geram alertas em prontuários eletrônicos para prevenir exames repetidos ou destacar resultados críticos, acelerando a tomada de decisão clínica.

Apesar dos grandes benefícios, a adoção de IA nos serviços de diagnóstico exige mais tecnologia avançada e compromisso com a segurança do paciente e com princípios éticos sólidos.

De acordo com o Dr. Marcos, os algoritmos precisam ser validados considerando a realidade populacional local, evitando o simples uso de soluções genéricas importadas. Essa validação demanda investimentos financeiros, tempo e treinamento especializado, mas é o que garante que as respostas geradas sejam adequadas e seguras para cada perfil de paciente atendido.

Outro ponto essencial é o olhar final do corpo clínico. Mesmo com a automação, a interpretação médica continua sendo decisiva: apenas o profissional, com visão integral do histórico e do quadro clínico, pode identificar possíveis erros ou inconsistências nas conclusões da IA.

Como os agentes de IA dependem de grandes volumes de dados para funcionar, a privacidade e a proteção dessas informações são pilares inegociáveis. A adoção de políticas rigorosas de cibersegurança e a criação de barreiras para impedir a entrada de sistemas sem todos os requisitos de proteção são medidas indispensáveis.

Além disso, o treinamento contínuo das equipes é fundamental para que se extraiam o máximo das soluções e para que se identifiquem eventuais quedas de performance dos algoritmos — o que pode ocorrer, por exemplo, com mudanças nos perfis epidemiológicos.

“A IA é uma aliada indispensável dos médicos, não uma substituta. Seu valor está no potencial de análise integrada e no suporte para decisões mais seguras e personalizadas”, conclui o Dr. Marcos.

O futuro do diagnóstico passa, inevitavelmente, pela capacidade de integrar inteligência artificial e sensibilidade humana. Quando aplicados com responsabilidade e supervisão clínica, os agentes de IA não apenas otimizam processos: eles redefinem o papel da Medicina Diagnóstica no cuidado à saúde, encurtando jornadas, ampliando acesso, preservando recursos e salvando vidas.

É nesse ponto de encontro entre dados precisos e olhar clínico que nasce o verdadeiro avanço: uma Medicina Diagnóstica mais ágil, precisa e centrada no paciente.