Quatro prismas sobre ética e compliance para 2019

*Por Matheus Sabbag Leonel

Janeiro de 2019

O que todos ouvimos falar por compliance eu prefiro aqui denominar como integridade. Afinal, aquele que é íntegro consequentemente estará em compliance, termo proveniente do inglês to comply – estar em conformidade com algo.

Para fazer uma análise do nosso atual momento, é interessante considerarmos o tema em quatro prismas distintos: a visão macro de um país que está em pleno processo de mudança; o recorte do setor de saúde; a visão das instituições e empresas; e a perspectiva individual do ser humano.

Olhando pelo aspecto macro do Brasil, o que movimentou todo o processo de renovação recente do Governo foi a expectativa de mudança na forma de fazer política. Uma consolidação da visão voltada à meritocracia, com a ética acima de tudo, somada ao combate à corrupção e à valorização dos “bons costumes” e de visões mais conservadoras – mesmo que, muitas vezes, tenhamos a percepção de que a mudança não foi tão drástica quanto a esperada.

Esses primeiros movimentos, após a definição do processo eleitoral, mostram-nos que essa perspectiva ainda existe principalmente no que diz respeito à continuidade do combate ostensivo a práticas de corrupção e ao fortalecimento do ambiente regulatório que constrói instituições mais independentes e fortes. Talvez o que se espere agora seja uma maior evolução na eficiência da aplicação de penalidades a todos que transgredirem a lei, incluindo aperfeiçoamentos institucionais que podem ser feitos para implementar medidas estruturais que tragam resultados de longo prazo capazes de influenciar mudanças na educação e na cultura da população.

Como exemplo, temos o novo pacote de medidas anticorrupção proposto com apoio de diversas organizações, que, desde a campanha eleitoral, vem sendo amplamente debatido.

Trazendo a questão do compliance para o prisma da saúde, os desafios não são muito diferentes, mas estão em outro estágio. O setor evoluiu em alguns aspectos de integridade e viveu algumas “dores” que despertaram iniciativas de autorregulação em entidades setoriais como a Abimed, a Abraidi, a Abimo e a própria Abramed.

Uma iniciativa mais ampla e intersetorial existente é o Ética Saúde. Criado em 2014 como um movimento voluntário de empresas, é liderado pela Abraidi e pelo Instituto Ethos e, desde 2016, teve seu escopo de atuação ampliado para congregar os demais atores do segmento de saúde, sendo disponibilizado como uma importante ferramenta para a mobilização e a transformação do mercado.

Porém, o mercado de saúde é muito amplo e tem relações acontecendo nos mais diversos cantos do país, inclusive em locais onde a maior parte dessas iniciativas não chega para evitar que práticas antiéticas sigam destruindo valores e vidas todos os dias. E é justamente nesse ponto que encontramos nossos grandes desafios, que abrangem desde o desenvolvimento de regulamentações, até a sensibilização e a criação de iniciativas, ferramentas e medidas que possam efetivamente alcançar todas as práticas e localidades, fazendo com que as relações do setor deixem os interesses escusos de lado para retomar seu objetivo central, que é o cuidado com o paciente. Isso contribuirá fortemente com um dilema discutido há anos por todos no setor: a sustentabilidade e a eficiência na utilização dos recursos da saúde.

Olhemos, agora, para as instituições que têm papel importante em todo esse processo e, justamente por isso, deveriam ter maior interesse em alavancar as construções internas e externas de ambientes de negócios cada vez mais íntegros. A ACFE (Association of Certified Fraud Examiners) estima que as empresas perdem, anualmente, o equivalente a 5% de seu faturamento com fraudes. O que, por si só, já seria motivo para que se dedicassem às iniciativas de integridade.

O que temos visto até o momento é um movimento das empresas na implantação de programas de compliance em maior ou menor grau de complexidade. Porém, o problema não está nessa complexidade, mas no que costumo chamar de “grau de verdade”. Muitas companhias encaram esses programas como uma mera questão de conformidade sob o pensamento de que “se todos têm, também precisamos ter”. Elaboram códigos de conduta, políticas internas, criam áreas de compliance, mas, na verdade, não incorporam as questões de integridade em suas práticas de negócios.

Outras empresas até enxergam nessas ferramentas algo positivo para identificar e punir transgressões que lesem a companhia, mas essa preocupação não alcança as decisões pouco íntegras ou mesmo ilegais tomadas conscientemente pela administração em favor dos interesses do negócio, de seus executivos ou proprietários. Nesses casos, os programas são implantados para que a administração seja capaz de controlar os outros, mas não para se autorregular.

O grande paradoxo é que os maiores escândalos estão em companhias as quais vivenciam este último modelo e contam com programas formais de compliance e integridade. Porém, são as decisões da alta administração que levam suas organizações a caminhos equivocados que destroem o valor de suas empresas.

Por fim, em meio a todos esses aspectos, estamos nós, seres humanos que respondem por uma parcela importante de todo esse contexto. De forma geral, todos concordam ser necessário implementar medidas e aprimorar o controle e a punição a condutas inadequadas, visto que existem pessoas que não são íntegras e que vão transgredir. Mas nós mesmos nunca nos enxergamos nessa situação.

É como indica em seus estudos o Professor Doutor Alexandre Di Miceli. Ele diz que o ser humano em geral tem uma visão superestimada da sua própria ética, o que nos faz crer que somos mais éticos do que a média e provoca o que ele denomina como “cegueira ética”. Esse cenário, aliado ao ambiente em que vivemos, muitas vezes contribui com incentivos inadequados, fazendo com que as pessoas tomem atitudes acreditando, realmente, que não estão cruzando o limite do legal ou mesmo que aquela atitude é totalmente justificável (Silveira, 2018).

Esse cenário nos indica que temos um trabalho importante a ser feito junto aos indivíduos. No fim do dia são as pessoas físicas os agentes executores de ações que podem ou não ser corruptivas. O trabalho com as pessoas para melhorar suas percepções, capacidades de escolha e de tomada de decisões, somado a uma forte atuação na educação e na disponibilidade de informações, poderá construir um panorama mais positivo.

Diante de tudo isso há um otimismo e uma expectativa muito grandes de que tudo continue a evoluir com mais celeridade no próximo ano. A eleição foi uma demonstração dessa vontade e expectativa. O desafio, em todos esses prismas, é a execução. De fazer as coisas efetivamente acontecerem. Todos sinalizam que querem e precisam de um ambiente mais íntegro e saudável, onde a confiança se estabeleça, os negócios possam fluir de maneira transparente e, no caso do setor de saúde, possamos sempre manter o foco exclusivamente no cuidado com o paciente.

*Matheus Sabbag Leonel atua na área de Gestão de Riscos e Compliance do Grupo Fleury e integra o grupo de trabalho de Compliance da Abramed.

¹ Silveira, A. D. M. (2018). Ética empresarial na prática: soluções para gestão e governança no século XXI. Alta Books.

Qualidade dos testes diagnósticos é primordial durante pandemia

Especialistas estiveram reunidos em webinar realizado pela Roche Diagnóstica Brasil para tratar da relevância dos exames durante a crise de COVID-19

3 de junho de 2020

Promovido pela Roche Diagnóstica Brasil e dedicado a jornalistas e profissionais de comunicação, o webinar “A Tecnologia por trás dos testes de COVID-19” reuniu, na tarde de 3 de junho, especialistas para falar sobre a importância do diagnóstico seguro durante a pandemia de COVID-19. Com Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed); Gonzalo Vecina, sanitarista, ex-presidente da Anvisa e ex-secretário municipal de Saúde; e Antonio Vergara e Micha Nussbaun, respectivamente presidente e diretor de Valor Médico e Acesso da Roche Diagnóstica Brasil; o encontro virtual promoveu um debate didático sobre as diversas perspectivas dos testes disponíveis para diagnóstico da infecção pelo novo coronavírus.

Moderado pelo jornalista especializado em saúde, Andre Biernath, o webinar foi iniciado com uma fala de Vergara sobre o valor do diagnóstico e a importância da qualidade em um momento de pandemia. “A testagem para COVID-19 é extremamente importante, bem como é imprescindível contar com um laboratório de qualidade, seguir os protocolos dos exames, entender qual tipo de teste deve ser realizado em cada etapa e prezar pela segurança desses procedimentos”, declarou.

Depois de Nussbaun explicar as diferenças entre o teste molecular RT-PCR, considerado o padrão ouro para diagnóstico da infecção na fase aguda da doença, e os testes sorológicos, capazes de identificar os anticorpos em amostras sanguíneas dos pacientes, Shcolnik destacou que os testes de anticorpos serão importantes em uma segunda fase para que o país possa entender a extensão da epidemia em seu território.

“Sabemos que existem preocupações econômicas e estamos vivenciando as notícias da retomada, então será muito importante termos real compreensão de qual parcela da população já foi exposta ao patógeno”, comentou o presidente da Abramed que reforçou que essas respostas serão ainda mais confiáveis quando obtidas pelos exames convencionais, realizados nos laboratórios, em ambientes controlados que seguem as boas práticas, contam com técnicos qualificados e utilizam dispositivos validados. “Assim, teremos uma quantificação dos anticorpos e poderemos prover uma solução em escala”, completou.

Ao falar em qualidade dos exames, Nussbaun reforçou a importância da especificidade dos kits nos resultados positivos e da sensibilidade deles em caso de resultados negativos: “quando faço o teste, preciso ter certeza de que aquele resultado é exato. Um teste que gera dúvidas não agrega”.

Valorização do diagnóstico e logística afetada

Gonzalo Vecina foi prático ao afirmar que antigamente os laboratórios eram comprovadores de uma hipótese diagnóstica, mas que, agora, diante da COVID-19, são o único caminho possível para dizer se o paciente está ou não contaminado e se poderá desenvolver a doença. “Temos que testar muito para que possamos identificar os contaminantes e, na sequência, testar as pessoas que tiveram contato com esse indivíduo para isolar o maior número possível de diagnósticos positivos. Não basta, inclusive, testarmos apenas os sintomáticos. Precisamos lembrar que 40% das pessoas infectadas são assintomáticas. E que esses assintomáticos também transmitem a doença”, declarou.

Garantir maior capacidade de testagem em todo o território nacional tem sido um dos desafios do Brasil durante a pandemia, e a crise trouxe empecilhos logísticos, como mencionado por Shcolnik. “As companhias aéreas foram as primeiras vítimas da crise. Com a falta de passageiros para viabilizar voos, encontramos problemas para transportar as amostras entre as regiões, o que se tornou um fator crítico”, disse. O executivo também mencionou que a Abramed chegou a contatar o Ministério da Infraestrutura para destravar essa questão.

Outras doenças durante a COVID-19 e uso racional de exames

Tema do último webinar promovido pela Abramed (clique AQUI para acessar), o impacto das outras doenças durante a pandemia de COVID-19 também foi abordado neste encontro realizado pela Roche. Sobre esse assunto, Vecina reforçou a necessidade de o sistema de saúde retomar a assistência principalmente a pacientes crônicos.

“Nos EUA já vimos aumento de 30% nas mortes de cardiopatas em casa que, com medo do novo coronavírus, não buscaram atendimento”, disse enfatizando que todos estão cientes que as intervenções que exigem internação ainda estarão prejudicadas devido à ocupação dos leitos para casos de COVID-19, mas que outros atendimentos como atividades ambulatoriais, consultas, exames e tratamentos precisam ocorrer.

Ao relembrar que o sistema de saúde não deve entender o diagnóstico como alta despesa ou desperdício, Shcolnik disse: “Um atraso no diagnóstico pode atrasar um tratamento e até mesmo uma alta hospitalar, visto que muitos médicos aguardam resultados de exames para então liberar os pacientes”. Para o executivo, o uso racional de exames é prioridade, até por isso a Abramed é apoiadora da iniciativa Choosing Wisely. “Temos que fazer as escolhas certas para não desperdiçar recursos, promovendo um exame bem indicado, no momento certo, para o paciente certo”, complementou.

Inovação e pesquisa

No Brasil, conforme mencionado por Shcolnik, os laboratórios privados foram imprescindíveis atuando de forma prioritária logo no começo da pandemia para confeccionar, in house, os exames de RT-PCR que ainda não eram comercializados pela indústria. Esse pioneirismo somado à rápida ação do setor privado foi fundamental para que os testes pudessem ser iniciados o quanto antes. Na sequência, com o fornecimento da indústria, esses laboratórios passaram a processar os exames focando, inclusive, na ampliação de suas capacidades.

Na Roche, a inovação também é frequente. Tanto que, segundo Vergara, a empresa dedica 20% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. “O que representa mais de 11 bilhões de francos suíços ao ano”, completou.

Informação clara para a sociedade

A moderação de André Biernath foi muito importante para que os temas mais complexos fossem “traduzidos” de uma forma compreensível para a maior parte da população. Ao pedir explicações sobre termos técnicos como, por exemplo, a eletroquimioluminescência – método diagnóstico apontado tanto pelos especialistas da Roche quanto por Shcolnik como um dos sistemas com melhor desempenho para a COVID-19 – , o jornalista proporcionou um maior entendimento do público que acompanhou o webinar.

Durante toda a apresentação, os participantes se mostraram abertos a discorrer, de forma clara e facilitada, sobre o atual cenário de diagnóstico na pandemia, sempre priorizando a informação de que a segurança da população está diretamente atrelada à realização adequadas de testes validados e com eficácia e qualidade comprovadas.

Ao encerrar, inclusive, Vergara reforçou a importância dos jornalistas e profissionais de comunicação na conscientização da população quanto a necessidade de exigir exames de qualidade para diagnostico da COVID-19. “A população tem que pensar nisso para garantir a própria saúde”, declarou.

Negligenciar manifestações neurológicas associadas à COVID-19 nos coloca em uma rota errada

* Por Carlos Senne, presidente do Conselho do Senne Liquor Diagnóstico

3 de junho de 2020

Vivemos um momento de inúmeros desafios gerados pela disseminação mundial de um patógeno ainda pouco conhecido. Por isso, surgem desafios multidisciplinares que abrangem especialidades diversas e chegam, inclusive, à neurologia, já que possivelmente estamos falando de um vírus neurotrópico.

Em um primeiro momento, especialistas enxergavam a COVID-19 como uma afecção pulmonar. Posteriormente, foram apontados problemas de coagulação e vimos os pacientes infectados pelo novo coronavírus com sintomas renais. Na sequência, observaram-se manifestações neurológicas associadas à infecção. Nenhuma dessas constatações pode ser negligenciada.

Em fevereiro, antes mesmo de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia do novo coronavírus, surgiram estudos internacionais – muitos deles na China, primeiro país fortemente afetado pelo patógeno – apontando relações entre sintomas neurológicos e COVID-19. Um deles, por exemplo, afirmava que 36,4% dos 214 pacientes internados com infecção causada pelo novo coronavírus apresentavam sintomatologia neurológica, entre elas tontura, cefaleia e mialgia com aumento das enzimas musculares.

Além disso, verificamos que anosmia e ageusia, respectivamente perda do olfato e do paladar, poderiam aparecer em até 85% dos pacientes com diagnóstico confirmado, enquanto somente 18% deles desenvolviam obstrução nasal e rinorreia, indicando que esses sintomas não estão associados ao acometimento das mucosas, mas sim de nervos cranianos como, por exemplo, o nervo olfatório.

Comum em outras infecções graves, a encefalopatia também pode acometer pacientes infectados pelo novo coronavírus, gerando agitação psicomotora, confusão mental e rebaixamento do nível de consciência causada por hipóxia, produção exagerada de mediadores inflamatórios com efeitos em SNC e até mesmo como resultado de medicações depressoras do SNC e crises epilépticas subclínicas.

Reforçamos: não podemos negligenciar e deixar de diagnosticar corretamente pacientes com suspeita de COVID-19 e manifestações neurológicas.

Estudos internacionais também destacam outras condições possivelmente associadas à COVID-19, como encefalopatia necro-hemorrágica, síndrome de Guillain-Barré, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e encefalite. Esta última, por sua vez, foi primeiramente apontada em um paciente chinês de 56 anos de idade com rebaixamento de consciência. Nesse caso, o exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) não mostrou alterações na celularidade e bioquímica, mas no RT-PCR foi identificado o novo coronavírus.

Na sequência, outro paciente analisado apresentou encefalite associada à COVID-19 com crises epilépticas refratárias após nove dias de sintomas respiratórios. Na ocasião, a ressonância magnética mostrou lesão compatível com encefalite. Em um terceiro caso estudado de paciente com encefalite, o LCR não foi coletado, mas a autópsia identificou o coronavírus no tecido cerebral.

Diante desse panorama, o acompanhamento neurológico é fundamental em pacientes acometidos pela COVID-19, com os médicos responsáveis sempre avaliando a necessidade de submeter essas pessoas a exames de LCR e de imagem, além de avaliações cognitivas e biomarcadores liquóricos como, por exemplo, o neurofilamento de cadeia leve (NfL).

Outro fato que precisa ser estudado emergencialmente e que nós, como especialistas em diagnósticos neurológicos, já estamos investindo em pesquisa, está nas consequências da COVID-19 durante a gestação e na saúde dos recém-nascidos. Estudos chineses mostram que as mulheres que contraíram a infecção no último terço da gestação tiveram bebês predominantemente saudáveis, nos quais não foi identificado o novo coronavírus, nem no líquido amniótico, nem no sangue. Porém, de que forma a COVID-19 pode afetar mulheres que engravidaram agora, durante a pandemia, e que, portanto, estão expostas ao patógeno nos primeiros meses de gravidez? A nossa experiência com o Zika Vírus associado à microcefalia nos obriga a ficar atentos a essa situação.

Em seis meses de convivência com o novo coronavírus, com toda a comunidade científica mundial debruçada em pesquisas e estudos para melhor compreensão de como o patógeno afeta o corpo humano, concluímos que se trata de uma doença multidisciplinar e que nenhum sintoma deve ser negligenciado, muito menos suas manifestações neurológicas.

* Carlos Senne é médico, especialista em patologia clínica e presidente do Conselho do Senne Liquor Diagnóstico

Pandemia de COVID-19 gera mudanças nas relações e enfatiza importância da prevenção e da tecnologia

Temas foram debatidos por especialistas durante webinar promovido pela Feira Hospitalar; Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, foi uma das convidadas

22 de maio de 2020

A rápida disseminação do novo coronavírus pelo mundo exigiu medidas emergenciais em todos os setores da economia, derrubando mitos enraizados e despertando novas tendências comportamentais. O assunto foi abordado no webinar “O Futuro do Sistema de Saúde Brasileiro”, evento virtual promovido pela Feira Hospitalar na noite de 21 de maio que recebeu grandes líderes da saúde. Representando o setor de diagnóstico, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, enfatizou a relevância da prevenção, da digitalização e da tecnologia neste cenário de crise.

O encontro mediado por Vitor Asseituno, da Saúde Business, também recebeu Ary Costa Ribeiro, CEO do Hospital Infantil Sabará; José Augusto Ferreira, diretor de Provimento de Saúde da Unimed BH; e René Parente, diretor-executivo da Accenture.

A telemedicina foi um dos assuntos de destaque da discussão. Para Priscilla, a aprovação em caráter emergencial dos atendimentos virtuais mostrou que a relação médico e paciente pode ocorrer de forma segura no ambiente digital e que inclui, ao contrário do que muitos pensavam, a população mais idosa.

Reforçando que o telediagnóstico já estava consolidado no país, a executiva destacou a interoperabilidade como um gargalo a ser resolvido. “Neste momento de pandemia vemos que o compartilhamento de informações é, de fato, um desafio. A subnotificação é uma realidade e está muito fundamentada em entraves tecnológicos e operacionais”, declarou relembrando que a Abramed se mantém em contato frequente com o governo a fim de facilitar a notificação de casos de COVID-19 diagnosticados na rede privada.

Falando em entraves, Parente concordou que houve uma rápida evolução tecnológica nos últimos meses e declarou que muitas das barreiras de transformação digital caíram de uma hora para a outra. “De repente, tudo o que era apontado como um entrave, foi resolvido em questão de dias”, disse ao citar, por exemplo, a adesão ao home office. “Continuamos tendo uma relação saudável dentro de casa como tínhamos dentro do ambiente de trabalho”, comentou.

Essa busca rápida por solucionar pendências precisa permanecer na visão de Priscilla. “Não podemos esperar outra pandemia para acelerarmos novos processos de transformação e melhorias. Temos que seguir em frente, sem retornar ao lugar que estávamos antes”, pontuou. Com positividade, Ferreira acredita que essa imersão tecnológica veio para ficar. “A tecnologia gera mais conveniência para todos. Sou muito otimista com relação ao futuro. A pandemia surgiu como um momento preditor da transformação”, disse.

Dividindo o atual cenário em fases, Ary Ribeiro acredita que estamos em um momento de transição. Para o executivo, até o final de 2020 seguiremos em modo de sobrevivência. E isso impacta diretamente os relacionamentos tanto entre as pessoas quanto entre as corporações. “Temos que analisar essas relações em um ambiente de instabilidade. A humanidade tem uma enorme oportunidade de repensar e se reposicionar, revendo valores. Temos todas essas mudanças nas relações entre médicos e pacientes, também nas relações de trabalho, e muita coisa boa está surgindo”, afirmou.

Diagnóstico e prognóstico

O fato de que o receio da COVID-19 fez com que muitos pacientes adiassem seus exames preventivos e seus tratamentos também veio à tona durante o webinar. Lembrando que prevenção é o caminho, Priscilla traçou um paralelo com as recomendações de distanciamento social. “Prevenção é uma atitude primária, não secundária. E vemos isso com as pessoas que ficam em casa a fim de evitar a infecção pelo novo coronavírus. A quarentena é um ato de prevenção”, disse.

Considerando que, no momento, há uma queda nos sinistros das operadoras, o que levaria a uma adimplência nos próximos meses devido ao represamento de procedimentos eletivos, Ribeiro reforça que neste cenário não há ganhadores. “O que faremos com a maior gravidade dos pacientes com acometimentos de infecções agudas e que não estão procurando atendimento a tempo?”, questionou.

Para o executivo que comanda o Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, é preciso enfatizar para a população que tratamentos necessários não devem ser postergados. Para isso, os hospitais precisam garantir a segurança de todos os pacientes criando processos e fluxos separados para atender aqueles com suspeita de COVID-19 e outros pacientes com outras patologias e necessidades. Além disso, acredita que é equivocado pensar no curto prazo. “Este é um filme de longa duração. Daqui dois anos que poderemos entender se as estratégias adotadas foram boas ou ruins, quem ganhou e quem perdeu”, argumentou.

Ferreira acredita em um reflexo positivo deste atual cenário. “As pessoas terão uma visão diferente a respeito da saúde, darão mais importância ao sistema – seja o SUS seja o suplementar – e investirão em novos hábitos de vida”, disse. Para ele, o atual formato de busca assistencial deve mudar. “Os pacientes entenderão quando devem acionar o sistema de saúde, onde o atendimento é mais seguro, se o pronto-socorro é o local adequado ou se compromete a sua segurança. E a saúde passa a ser um assunto de debate mais universal”, completou.

Essa mudança também parece impactar a saúde corporativa, como especulou Parente. “Um dos aspectos que despertou a atenção foi uma mudança dentro das organizações e uma maior preocupação com o monitoramento. Muitas empresas não sabiam quantas pessoas estavam em casa, quantas tinham sintomas, quem estava trabalhando. Isso acelerou novas políticas de recursos humanos para maior controle, uma demanda que seguirá também para os prestadores de saúde”, finalizou.

Outras doenças não esperam a pandemia de COVID-19 passar para se manifestarem

Webinar promovido pela Abramed reuniu médicos especialistas para alertar sobre a importância de manter as rotinas de prevenção e o tratamento de doenças crônicas durante a crise gerada pelo novo coronavírus

13 de Maio de 2020

O mundo inteiro está mergulhado em assuntos relacionados à COVID-19, mas é preciso enfatizar que outras doenças não esperarão a pandemia passar para se manifestarem. Foi com esse intuito que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reuniu especialistas de áreas clínicas e do setor de diagnóstico para o webinar “A sua saúde pode esperar? Em tempos de pandemia, não podemos deixar de lado a prevenção e o tratamento de outras doenças”. O objetivo foi reforçar a importância da prevenção e da manutenção de tratamentos mesmo diante da crise de saúde vivida atualmente.

Mediado por Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, o encontro teve o formato de mesa-redonda virtual e contou com a expertise de Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD); Juan José Cevasco Junior, diretor-médico da Alliar Médicos à Frente; e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Com as recomendações de distanciamento social e as diretrizes amplamente divulgadas para que as pessoas evitassem ao máximo procurar o hospital para prevenir exposições desnecessárias ao coronavírus, a população deixou de buscar assistência médica mesmo em casos extremamente importantes.

Algumas cidades como São Paulo vivenciam o distanciamento social há dois meses e um atraso de sessenta dias no diagnóstico de alguma patologia oncológica pode ser fatal. É o que explica Clarissa ao lembrar que quanto mais tarde for descoberta a doença, menores as chances de recuperação e a eficiência dos tratamentos. “Existem neoplasias com atividade muito acelerada e um retardo de dois meses no diagnóstico pode fazer com que o paciente saia de um cenário onde haveria cura para um cenário voltado apenas ao tratamento paliativo”, declarou.

Essa é uma preocupação mundial e um estudo inglês recentemente publicado pelo The BMJ e mencionado por Clarissa durante o debate constrói um cenário preocupante: a mortalidade por câncer pode aumentar 20% por causa da pandemia.

Segundo o estudo, parte desse aumento está diretamente atrelado às pessoas com câncer que são infectadas pelo novo coronavírus e, por serem grupo de risco, chegam ao óbito; mas outra parte relevante ocorre pois, por conta da crise, o diagnóstico foi atrasado ou o tratamento, como a quimioterapia, interrompido.

Com muito receio de ir a um pronto atendimento e, assim, contrair a infecção, os pacientes deixam de procurar os médicos mesmo em situações em que, em sua rotina pré-pandemia, naturalmente procurariam. “Hoje mesmo eu atendi um paciente que estava com a pressão 18/10 e não queria ir à emergência por não se sentir seguro”, pontuou Clarissa retratando uma situação muito clara de como doenças crônicas, como a hipertensão, por exemplo, podem se tornar uma questão grave durante crises de saúde que assustam a população.

Para entrar nessa área e falar sobre cardiologia, o webinar recebeu Marcelo Queiroga, da SBC, que trouxe dados sobre a alta taxa de mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis no mundo, situação compartilhada também pelos brasileiros. “São cerca de 18 milhões de mortes ao ano por doenças cardiovasculares. Somente no Brasil, 380 mil óbitos anualmente”, comentou.

Para o presidente da SBC, a drástica redução de atendimentos cardiovasculares na emergência é sinônimo de alerta. “No Incor, que em São Paulo é o serviço de referência em angioplastia primária como tratamento para o infarto, em março deste ano verificamos uma redução de 50% no número de atendimentos quando comparamos com março de 2019. Na SBC vemos dados que mostram redução de até 70% no número de intervenções coronárias percutâneas na primeira semana de maio de 2020 no comparativo com o mesmo período do ano passado”, apontou enfatizando que ainda não é possível afirmar que a letalidade aumentou, já que os dados de óbitos não estão disponíveis.

Mesmo sem as informações precisas para conclusões, é possível que o Brasil esteja vivenciando o mesmo que os EUA já divulgaram: aumento significativo de mortes súbitas detectadas pelas ambulâncias locais. “É preciso que o sistema de saúde crie rotas alternativas para assegurar o atendimento à população tanto dessas doenças prevalentes quanto das crônicas”, disse Queiroga.

Essa “rota alternativa” mencionada por Queiroga já é apontada por Juan José Cevasco Junior, diretor-médico da Alliar Médicos à Frente, como uma realidade em alguns locais. “Claro que existem cidades onde os sistemas estão super lotados, mas o paciente não pode achar que vai procurar o pronto socorro e sairá de lá infectado. Existem rotas especiais para suspeitas de COVID-19 e rotas para outros pacientes, além das unidades hospitalares trabalharem com isolamento entre as equipes”, explicou dizendo que alguns estudos mostram que a taxa de contaminação de profissionais de saúde em atuação nas áreas de atendimento à COVID-19 é similar às taxas de contaminação de profissionais de outras áreas, o que leva a uma compreensão de que a infecção pode estar ocorrendo de forma ainda mais relevante na comunidade do que nos equipamentos de saúde.

Essa falta de assistência também afeta os diabéticos. “Com a orientação de que não devem ir ao pronto-socorro, as pessoas com diabetes estão aguardando em casa sem controle adequado. Aqueles que precisavam retornar ao médico após dois meses, não o fizeram. Lembrando que 40% das pessoas que morreram de COVID-19 eram pacientes diabéticos”, afirmou Fadlo Fraige Filho, presidente da ANAD, reforçando que a patologia piora o prognóstico de outras doenças, inclusive da infecção pelo novo coronavírus.

Diagnóstico

Com os pacientes deixando de comparecer às consultas, eles também desaparecem dos laboratórios e das clínicas de imagem. Hoje, segundo Cevasco Junior, os exames que estão sendo realizados mostram patologias em níveis bem mais avançados. “O que vemos, do ponto de vista da radiologia, são casos muito mais graves do que a média. As pessoas deixam de realizar seus exames no momento indicado para fazê-los somente quando a resolução já será muito mais complexa”, declarou.

Para o especialista, comparecer a uma unidade de diagnóstico hoje pode ser mais seguro do que ir ao mercado. “Muitas unidades oferecem o teste de diagnóstico de COVID-19, o RT-PCR, no formato drive-thru para evitar que pessoas que estão no local para outros exames não relacionados ao novo coronavírus tenham contato com esses pacientes com suspeita da doença. Além disso, quando um paciente potencialmente infectado pelo novo coronavírus vai a uma clínica para uma tomografia de tórax, por exemplo, ele tem um acesso separado dos outros cidadãos. Isso sem falar no reforço com a higienização dos equipamentos, que está muito mais intensa”, explicou.

Telemedicina

Aprovada em caráter emergencial para suprir demandas geradas pela pandemia de COVID-19, a telemedicina também foi pauta no webinar. Clarissa enfatizou que a SBOC montou uma plataforma de telemedicina que está sendo utilizada por até 30% dos pacientes que estão em atendimento oncológico.

Na cardiologia, evidências científicas sugerem que a telemedicina pode salvar vidas. “O telemonitoramento da insuficiência cardíaca pode ajudar na redução da mortalidade. Essa é uma ferramenta que deve ser utilizada dentro ou fora de uma pandemia”, disse Queiroga.

Para Cevasco Junior, a telemedicina já era uma realidade que vem sendo confirmada durante a crise do novo coronavírus, podendo inclusive auxiliar nesse controle para que eventos evitáveis recebam o atendimento devido. “Com medo de se expor ao risco, o paciente pode fazer uma primeira avaliação via telemedicina e o médico saberá quais as suas limitações, a qual tipo de risco ele pode estar sujeito e se é melhor que ele seja examinado naquele momento, encaminhando-o ao consultório se julgar necessário”, disse. Quanto ao futuro da telemedicina no país, o especialista declarou: “Espero que esse acesso remoto faça parte do ‘novo normal’ que vivenciaremos em breve”.

Para encerrar o debate, Priscilla questionou os participantes sobre o Brasil entrar em uma situação grave já vivida por países europeus e que exigirá, dos médicos, a tomada de decisões sobre quem terá acesso ou não aos equipamentos e leitos hospitalares. Cenário que já está sendo cogitado em estados como o Rio de Janeiro.

“Quando a pandemia extrapola a capacidade dos sistemas, as decisões passam a ser mais radicais. É um cenário de guerra, bastante complicado. E é difícil escrever um mesmo protocolo que atenda a todas as especialidades médicas”, pontuou Cevasco Junior.

Para que seja possível evitar que essa hipótese se torne realidade, é ainda mais necessário que as pessoas mantenham seus tratamentos em dia e não deixem de procurar assistência caso tenham sintomas que possam indicar outras patologias, assim como todos os que estão com alguma investigação de saúde em curso devem manter seus exames e consultas. “É a hora de se cuidar ainda mais. Procurar os serviços de saúde, fazer os exames periódicos e seguir com os controles. Caso contrário teremos uma terceira onda da pandemia, focada na mortalidade das doenças crônicas, ainda mais devastadora”, concluiu Fraige Filho.

Importância da colaboração entre os setores e da análise de dados durante pandemia é tema de webinar

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, foi um dos convidados do debate virtual

12 de Maio de 2020

O Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) reuniu, na tarde de 11 de maio, líderes do setor para debater como a colaboração entre as áreas e a enorme quantidade de dados gerados na atualidade podem contribuir para a gestão da crise desencadeada pelo novo coronavírus. Sob o tema “Data Science e Inteligência Artificial no contexto da pandemia: O que temos disponível?”, o encontro virtual recebeu Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed; Jorge Salluh, diretor e cofundador da Epimed Solutions; Marco A. Ferreira, CEO da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP); Thiago Constancio, CEO do MedPortal; e Evandro Tinoco, presidente do Chapter Rio de Janeiro do CBEXs.

Diante de um surto de uma doença então desconhecida, a falta de informações para a tomada de decisões surge como um dos principais entraves para o controle de uma epidemia. Sem detalhes sobre como, de fato, o vírus é transmitido; quais os grupos de risco e como a infecção se comporta em cada cidadão; quais os tratamentos mais promissores e eficientes; e como tomar medidas que sirvam para preservar a saúde da população ao mesmo tempo em que o sistema de saúde é reforçado e a economia segue girando, o caos tende a se instalar.

Nesse cenário, todos os dados gerados tanto em ambiente internacional quanto regionalmente são válidos para consolidar análises e fundamentar estratégias. Porém, não basta gerar dados, é preciso que essas informações estejam corretas e sejam analisadas por profissionais capacitados, como disse Evandro Tinoco, que mediou o debate, ao apresentar Shcolnik.

“De nada adianta coletarmos dados ruins ou, então, informações de instrumentos pouco confiáveis. Esse é o caminho para tomarmos decisões erradas”, pontuou Tinoco relembrando que há 60 dias a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia. “Falando em diagnóstico, quais testes efetivamente funcionam e o que temos de eficaz, hoje, no mercado brasileiro?”, direcionou o questionamento ao presidente da Abramed.

Shcolnik enfatizou que a pandemia que vivemos despertou, no setor de saúde, alguns questionamentos principais: a quantidade de leitos de UTI e o número de respiradores disponíveis para a população; a necessidade dos equipamentos de proteção individual para proteção da força de trabalho; e os exames laboratoriais, que habitualmente são utilizados pelos médicos para identificar fatores de risco, confirmar diagnóstico e orientar a tomada de decisões.

Além de explicar a diferença entre os exames para diagnóstico de COVID-19, citando o RT-PCR, exame molecular considerado o padrão ouro pela OMS, e os testes sorológicos capazes de identificar anticorpos em amostras dos pacientes, o presidente reforçou que o pior cenário seria termos, em mãos, resultados errados ou pouco confiáveis para que os médicos tracem suas estratégias e não termos colaboração entre todos os players para que os dados possam contribuir com a análise epidemiológica da doença no Brasil.

“Os testes rápidos – que não são autotestes como os exames de gravidez vendidos em farmácias – devem ser realizados em ambientes apropriados, por profissionais capacitados, que usem controles de qualidade. Caso contrário, teremos resultados questionáveis”, esclareceu. Um resultado falso negativo gerado pela realização de um teste rápido dentro da janela imunológica do paciente pode, por exemplo, criar uma falsa sensação de segurança. “Outra desvantagem é que no Brasil ainda não conseguimos atingir a interoperabilidade, ou seja, se tivermos exames de COVID-19 realizados dentro de empresas privadas, esses dados ficarão restritos a essa empresa, não serão compartilhados e, assim, não chegarão aos epidemiologistas que tentam compreender como a epidemia evoluiu no nosso país”, finalizou.

A fim de melhorar esse compartilhamento de informações, a Abramed investiu em uma interface com o Data SUS para que os exames para diagnóstico de COVID-19 realizados na rede privada chegassem ao Ministério da Saúde. “Sabemos que os dados oficiais são subnotificados, mas esse processo de compartilhamento está em curso e em um curto intervalo de tempo teremos uma explosão desses dados”, disse.

Questionado se os exames sorológicos, que identificam anticorpos, podem ser úteis como uma espécie de passaporte de imunidade, Shcolnik declarou: “nem a OMS tem essa resposta ainda. Sabemos que muitos desses anticorpos produzidos não são neutralizantes, ou seja, não nos protegem de uma segunda infecção caso ela ocorra. Temos muitas incertezas e poucas definições até o momento”.

Setor hospitalar – Para tratar sobre a rede hospitalar brasileira, o webinar contou com a participação de Marco A. Ferreira, CEO da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), que reforçou a importância da colaboração na luta contra a COVID-19. “Precisamos trabalhar juntos, estabelecer metas comuns a todos os nossos setores”, disse.

Para Ferreira, a pandemia trouxe luz a algumas necessidades brasileiras, entre elas a de recortar a quantidade de leitos de UTI por região, sem fazer uma análise generalizada no país; e a de criar uma cultura de análise de dados capaz de reunir informações relevantes levando-as para os tomadores de decisão. “Precisamos criar caminhos e, também, essa nova cultura. Enquanto entidades do setor, devemos investir em melhorias nesse processo”, pontuou.

Trazendo uma visão mais tecnológica do tema, Jorge Salluh, diretor e cofundador da Epimed Solutions, empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas para melhoria do desempenho dos hospitais nacionais, declarou que no Brasil mais de 1.100 unidades de terapia intensiva utilizam as ferramentas da Epimed para compartilhar informações. “Antes mesmo de registrarmos o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no Brasil já estávamos trabalhando em modelos que nos permitiriam apoiar os hospitais com dados gerados em nossas plataformas”, explicou. “O que fizemos foi aproveitar o fato de que levamos informações para o gestor que está na ponta, seja do hospital, da rede, ou mesmo da UTI, para que ele tenha uma visão epidemiológica e consiga compreender quando está chegando ao seu limite de ocupação, quando precisará de novos respiradores e em que momento conseguirá receber novos pacientes”, finalizou.

O webinar também contou com a participação de Thiago Constancio, CEO do MedPortal, que contribuiu com a moderação do debate e das perguntas enviadas pelos espectadores.

Testes de COVID-19 são tema de webinar com presença de Wilson Shcolnik

13 de Abril de 2020

Convidado pela Aliança para a Saúde Populacional, Wilson Shcolnik esclareceu principais questionamentos sobre os diferentes modelos de testes

A pandemia do novo coronavírus trouxe muitos desafios para os sistemas de saúde e, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o melhor caminho para vencer a COVID-19 era testar o maior número possível de pessoas, diversas dúvidas surgiram com relação aos diferentes tipos de exames disponíveis no mercado. Para esclarecer todos esses aspectos, a Aliança para a Saúde Populacional (ASAP) realizou, dia 9 de abril, uma entrevista virtual com Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Interagindo com Fábio Gonçalves e Letícia Azeredo Diniz, respectivamente diretor técnico e assessora da ASAP, Shcolnik enfatizou que neste momento o setor de diagnósticos preza pelo registro e pela validação dos testes disponibilizados no país. “Precisamos que a utilização desses testes seja feita com segurança. Caso contrário teremos resultados que não serão confiáveis”, pontuou.

Explicando que no momento o Brasil tem cerca de 25 testes registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre eles o teste molecular RT-PCR que é tido pela OMS como o padrão-ouro para diagnóstico de COVID-19, o presidente declarou que a preocupação com os diferentes testes que surgem e não têm sua eficácia devidamente avaliada visa evitar a repetição de um passado recente não tão vantajoso. “Quando vivenciamos a epidemia de dengue vimos que os testes rápidos têm desempenho variável. Por isso registro e validação são etapas tão importantes”, declarou.

Shcolnik aproveitou a oportunidade para reafirmar a força-tarefa que está sendo realizada por laboratórios privados e entidades do segmento para validar os exames de diagnóstico de COVID-19 no Brasil, uma iniciativa inédita que trará segurança para o país e para o cidadão brasileiro, já que os resultados serão divulgados apontando quais as metodologias mais confiáveis. Além disso, o projeto contribuirá com o cenário global ao compartilhar as informações obtidas durante a validação para formulação de estudos promovidos pela London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e pela Aliança Latinoamericana para o Desenvolvimento do Diagnóstico in Vitro (ALADDIV).

RT-PCR ou teste sorológico?

A OMS apontou o RT-PCR (reação em cadeia da polimerase em tempo real), exame molecular capaz de identificar o RNA do novo coronavírus em amostras dos pacientes, como o exame mais apropriado para o diagnóstico da COVID-19 na fase aguda da doença, ou seja, quando a pessoa já apresenta sintomas ou confirma ter tido contato com alguma pessoa infectada. Esse exame, que é de alta complexidade, é oferecido em hospitais e laboratórios, porém devido à alta demanda os insumos para sua realização estão escassos, o que enfatiza a necessidade do uso racional deste procedimento.

Porém, segundo o presidente da Abramed, o país conseguiu se desenvolver rapidamente logo que os primeiros casos foram diagnosticados em território nacional. “Nas semanas iniciais conseguíamos realizar centenas de exames ao dia. Hoje, tanto as redes privadas quanto as públicas já são capazes de executar de 4 a 5 mil exames diariamente para diagnosticar a COVID-19 na fase aguda da doença”, explicou.

Já o teste rápido – que conta com um método realizado em laboratório e outro método conhecido como auto-teste e que se assemelha ao exame de gravidez disponível nas farmácias – não atua na identificação do RNA do vírus, mas sim na checagem de anticorpos. E é nesse momento que o falso negativo pode ocorrer, gerando uma perigosa falsa sensação de segurança.

O sistema imunológico se comporta de forma diferente em cada pessoa, produzindo anticorpos em ritmos diferenciados. “Sabemos que o anticorpo IgM demora até 10 dias para constar nas amostras sanguíneas. Isso mostra que se o exame for realizado logo que os sintomas surgirem, o resultado será negativo mesmo que a pessoa esteja infectada pelo novo coronavírus”, explicou Shcolnik complementando que o IgG, outro anticorpo identificado, somente aparece após o 14º dia do início dos sintomas. “Para a fase aguda contamos com o RT-PCR e, para a fase tardia, os exames de anticorpos serão de grande valia”, complementa o executivo.

Quando trata da utilização dos exames sorológicos na fase tardia, o presidente explica que esses testes terão um papel fundamental na retomada das atividades, já que poderão apontar as pessoas que têm anticorpos e, dessa forma, poderiam retornar ao trabalho. Além disso, esses exames também serão de grande valia para avaliação do perfil de imunidade da comunidade como um todo. Concomitantemente, Shcolnik reforça que a ciência ainda não pode afirmar que a pessoa que foi uma vez infectada não está mais suscetível à novas infecções. Aos interessados, o webinar segue disponível no canal da ASAP no YouTube.

Abramed é fonte para imprensa sobre a pandemia do Coronavírus

20 de Março de 2020

No cenário atual de pandemia pelo novo coronavírus e seus desdobramentos, o papel da imprensa é fazer a cobertura responsável dos fatos, com comprometimento com a verdade, levando notícias acuradas e de qualidade à população.

A Abramed tem canal aberto de comunicação com a imprensa brasileira e tem colaborado para que os veículos levem informação devidamente apurada e de interesse público à sociedade. Confira alguns destaques da participação da Associação durante esta semana de 13 a 18 de março de 2020.

Sudeste concentra quase metade dos mamógrafos do Brasil

Painel Abramed 2019 ressalta desigualdade na oferta de exames nos estados, ocasionando o chamado vazio assistencial; região Norte possui apenas 6% dos equipamentos do país

Não há dúvidas de que os equipamentos de imagem e sua evolução tecnológica são essenciais para a melhoria na qualidade do diagnóstico e maiores chances de cura de algumas doenças. Esse fato é ainda mais significativo quando falamos em mamografia, exame mais indicado pela Sociedade Brasileira de Mastologia para detecção precoce do câncer de mama – que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é o câncer que mais acomete as mulheres do país, com um total de novos 59.700 casos previstos para todo o ano de 2019.

“Os casos detectados precocemente têm muito mais chances de cura e melhor tratamento”, explica Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed. “Segundo o relatório de auditoria operacional do Tribunal de Contas da União, uma das principais causas para imprevisibilidade da atenção oncológica é o despreparo da atenção primária para rastrear os casos de câncer, refletindo no diagnóstico avançado da doença”, diz.

O relatório demonstra que 53,9% dos pacientes com câncer de mama no Brasil foram diagnosticados em estadiamento avançado, estágios 3 e 4. Para entendimento: o câncer de mama é classificado em 5 estágios principais (0 a 4), tendo chances melhores de tratamento quando detectado entre os estágios 0 e 2. Mesmo sendo um número relevante e desafiador para o sistema de saúde, existem outros entraves que cercam o câncer de mama no país, como o vazio assistencial.

Dados do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram que dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 1.217 (21,8%) possuem ao menos um equipamento de mamografia. Entre esses, o número aproximado de mamógrafos é de 4,7 por cidade, em média. Do total de 5.723 mamógrafos em uso distribuídos no país em dezembro de 2018, 11,4% concentravam-se nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, com um total de 652 unidades.

A região Sudeste concentra quase 47,44% dos aparelhos do país, tanto na esfera pública como na privada. Em seguida vem Nordeste (22,2%); Sul (15,7%), Centro-Oeste (8,5%) e Norte (6%). “Norte e Nordeste, juntos, com todo o seu tamanho de território e população de quase 75 milhões de habitantes, têm um número muito reduzido em relação ao Sudeste, por exemplo”, pontua Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed.

“Nas regiões mais urbanizadas e populosas há maior oferta dos recursos de saúde, além de uma maior presença de hospitais, laboratórios e profissionais da área médica”, comenta Priscilla. “Adicionalmente, os determinantes sociais e outras características individuais ou de grupos da população influenciam a demanda. A consequência desse arranjo é a desigualdade na oferta de bens e serviços de saúde, ocasionando o chamado vazio assistencial”, acrescenta.

MAMOGRAFIA NO BRASIL: VOLUME DE EXAMES ABAIXO DO IDEAL

Considerando a disponibilidade de equipamentos em uso – nas esferas pública e privada –, nota-se que a distribuição geográfica dos equipamentos de mamografia não é homogênea ao longo do território nacional. O resultado dessa discrepância é a cobertura insuficiente de exames de mamografia.

Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia, em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, divulgaram em 2018 um estudo revelando que o percentual das mulheres da faixa etária entre 50 e 69 anos, em 2017, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi o menor dos últimos cinco anos. Para se entender o contexto, eram esperadas 11,5 milhões de mamografias e realizaram-se apenas 2,7 milhões, uma cobertura de 24,1%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Por um lado, na saúde suplementar, dados do Painel Abramed mostram que o número de mamografias apresentou ligeira redução, registrando 5 milhões de exames entre 2017 e 2018, queda de 0,4%. Por outro, o número de mamografias em mulheres de 50 a 69 anos alcançou 2,3 milhões e cresceu 1,8%, no mesmo período. “Na saúde suplementar, considerando o número de exames realizados e a quantidade de mulheres com idade entre 50 e 69 anos, a taxa de cobertura para o exame alcançou 48,6% das mulheres, ou seja, 1/3 das mulheres nessa faixa etária não realizou o exame preventivo. Para atender esse público seria necessário a realização de aproximadamente 3,3 milhões de mamografias, ou seja, cerca de 1 milhão acima do observado em 2018, segundo a recomendação da OMS de 70% de cobertura para o grupo de risco”, diz Priscilla

“Mesmo com as campanhas de conscientização, o número de exames de mamografia ainda é abaixo do ideal, tanto no setor público como no setor privado. Confrontando esses dados, é alarmante ver, em algumas áreas críticas da saúde, tanta deficiência em exames para detecção precoce de doenças graves”, finaliza Shcolnik.

Dados destacados (2018):

• Mamógrafos em uso distribuídos no país em dezembro de 2018: 5.723*

• Número de mamógrafos simples: 3.963*

• Número de mamógrafos computadorizados: 889; eram 456 em 2014 (aumento de 95%)*

• 1.217 (21,8%) municípios brasileiros possuem ao menos um equipamento de mamografia*

• Distribuição de mamógrafos por região brasileira: Sudeste (47,44%); Nordeste (22,2%); Sul (15,7%), Centro-Oeste (8,5%) e Norte (6%)*

• Distribuição de mamógrafos na rede privada, por região brasileira: Centro-Oeste (78%), Nordeste (72,90%), Sudeste (70,90%), Sul (67,40%), Norte (58,4%)*

• Distribuição de mamógrafos na rede pública e sem fins lucrativos, por região brasileira: Norte (41,6%), Sul (32,6%), Sudeste (29,1%), Nordeste (27,1%), Centro-Oeste (22%)*

• Número de mamografias apresentou ligeira redução e registrou 5 milhões na saúde suplementar entre 2017 e 2018, com redução de 0,4%**

*Fonte: Ministério da Saúde – Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde do Brasil (CNES)

**Fonte: Painel Abramed 2019 – O DNA do Diagnóstico

Abramed participa de debate no Welcome Saúde 2020

Com o tema “Despertar de uma nova era”, evento discute perspectivas econômicas e políticas para o setor na nova década

28 de Janeiro de 2020

O vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, Leandro Figueira, foi um dos executivos da saúde convidados a participar do Welcome Saúde 2020, promovido pelo Grupo Mídia, no dia 28 de janeiro, em São Paulo, e que reuniu líderes e representantes de indústrias, laboratórios, hospitais, operadoras de planos de saúde e fornecedores do setor. Figueira compôs a mesa que discutiu “A busca por um ambiente seguro e estável de negócios na saúde em 2020”, com a participação de Valdir Ventura, CEO do Grupo São Cristovão; Rodrigo Lopes, CEO do Grupo Leforte; Amaury Guerrero, CEO do Grupo Opty; moderado pelo doutor em filosofia e direito pela Universidade de Frankfurt, Giovanni Agostini Saavedra.

De acordo com Figueira, poucas áreas foram tão beneficiadas pelo avanço da tecnologia como a saúde, e a medicina diagnóstica tem sido um dos segmentos que têm aproveitado muito essa oportunidade, evoluindo a ponto de permitir que, por exemplo, se detecte a probabilidade de alguém desenvolver determinadas doenças. “Há casos também em que patologias são identificadas muito precocemente, aumentando as chances de sucesso no tratamento”, ressaltou. 

Destacou ainda ser importante que se continue investindo em tecnologia e inovação para a descoberta de novos exames e processos que irão fazer com que a sociedade esteja mais segura. Trouxe como exemplo, o mapeamento do código genético do coronavírus, realizado em menos de dez dias. “Isso vai acelerar a busca por uma vacina eficaz no combate ao vírus e mostra que investir em tecnologia e em segurança fará a sociedade mudar a história no mundo”, completou Figueira.

Já Valdir Ventura, aposta em planejamento estratégico e qualidade para a obtenção de um ambiente seguro nos negócios em saúde. Segundo ele, planejar estratégias trouxe confiança à economia para desenvolver ações dentro da organização que realmente tivessem retorno financeiro, visando o crescimento no mercado.

Outro ponto fundamental, segundo Ventura, foi a mudança na cultura da instituição, investindo em qualidade e transparência. “Temos trabalhado em processos, por meio das certificações, na busca por qualidade no plano de saúde, hospital e unidades ambulatoriais, e vamos trabalhar com muita força em 2020 na sustentabilidade e nos pilares: transparência, iniciativa, comprometimento, criatividade e velocidade das ações para melhor atender os nossos beneficiários”, disse.

Rodrigo Lopes, concordou com Ventura, afirmando que a saúde precisa de transparência em todos os segmentos, mudança no modelo atual de investimentos em políticas de saúde e mais parcerias com a iniciativa privada. “É impossível se pensar em sustentabilidade no setor sem passar pela mudança no modelo de assistência. É fundamental investir em atenção primária, prevenção de doenças, em compliance e em análise de dados, já que informações temos muitas. Precisamos também de parcerias entre os sistemas público e privado para que a saúde, a partir de 2020, possa debater gestão, encontrar seus gargalos e voltar a crescer”, alertou.

O moderador da mesa, Giovanni Agostini Saavedra, comentou que o Brasil é tradicional importador de tecnologias e que as normativas do Estado acabam por atrapalhar os processos de inovação e integração tanto com universidades quanto com o mercado. “As grandes invenções no mundo surgiram em universidades. Por sua vez, temos iniciativas como a telemedicina, que amplia o acesso ao atendimento em saúde, sendo barradas por entidades. Algum dia teremos condições de acompanhar o processo de inovação mundial?”, questionou.

Nos dias atuais, segundo Amaury Guerrero, em que está difícil a sobrevivência no mercado, ainda há a cautela na manutenção da sustentabilidade, o que acaba por atuar como barreira para a inovação. “A modernização faz-se necessária em qualquer cenário, e isso significa incorporar inovações. Não acompanhar esse fluxo pode levar ao desaparecimento de suas empresas. Isso inclui, por exemplo, a automação de processos e telemedicina. Quem não está acompanhando essas modernizações corre o risco de enfrentar dificuldades e perder competitividade”, falou Guerrero.

Segundo Figueira, é preciso que haja mudança da mentalidade de que a incorporação de tecnologia é irreversível e que a telemedicina é real. “Falta regular e estabelecer a remuneração para essa prática, que é um estímulo às inovações e ao desenvolvimento sustentável do setor”, reforçou o vice-presidente, abordando ainda a necessidade de se ter atitudes positivas para conquistar resultados. “Com investimento em tecnologia, busca por eficiência e uso racional de recursos, é possível ofertar mais qualidade ao paciente. Além disso, quando trazemos transparência às ações, a sociedade vive melhor”, pontuou.

Saúde 5.0

Claudia Cohn e Lídia Abdalla, membros do Conselho de Administração da Abramed, também participaram do evento integrando a mesa de debate “Os desafios das Organizações de Saúde rumo à saúde 5.0”, com Irene Minikovski, presidente da Qualirede, e Francisco Balestrin, presidente do CBEXs, moderados por Lauro Miquelin, CEO da L+M.

Na visão de Lídia, a tecnologia e a chegada da internet colocaram todos no mundo globalizado, o que foi positivo do ponto de vista da evolução da medicina, mas há de se saber como aplicar esse conhecimento. “Falar de saúde 5.0 é ter a responsabilidade de que as inovações irão servir à humanidade, e não a sociedade servirá à tecnologia. Cabe aos líderes ver que este é um universo incrível, mas que o princípio de tudo são as pessoas, o paciente no centro do cuidado; e o papel das lideranças é melhorar isso”, disse ela.

Claudia reforçou que os líderes devem sanar as dúvidas e incertezas para as novidades que o advento 5.0 trará à saúde. “Mais do que tudo, não temos de ter pessoas para substituir, temos de ter indivíduos melhores”, afirmou, reforçando que será importante a evolução da sociedade individualista para uma com pensamento de colaboração e busca do bem comum.

De mesma opinião, Francisco Balestrin reforçou que “os líderes precisam ser figuras inspiradoras, que buscam conhecimento e renovação todo dia. O método antigo não vai mais funcionar nesse mundo novo”.

O evento ainda discutiu políticas inovadoras para o país, os reflexos na saúde com a reforma previdenciária e digital health como estratégia para um novo modelo de saúde.