Importância da colaboração entre os setores e da análise de dados durante pandemia é tema de webinar

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, foi um dos convidados do debate virtual

12 de Maio de 2020

O Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) reuniu, na tarde de 11 de maio, líderes do setor para debater como a colaboração entre as áreas e a enorme quantidade de dados gerados na atualidade podem contribuir para a gestão da crise desencadeada pelo novo coronavírus. Sob o tema “Data Science e Inteligência Artificial no contexto da pandemia: O que temos disponível?”, o encontro virtual recebeu Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed; Jorge Salluh, diretor e cofundador da Epimed Solutions; Marco A. Ferreira, CEO da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP); Thiago Constancio, CEO do MedPortal; e Evandro Tinoco, presidente do Chapter Rio de Janeiro do CBEXs.

Diante de um surto de uma doença então desconhecida, a falta de informações para a tomada de decisões surge como um dos principais entraves para o controle de uma epidemia. Sem detalhes sobre como, de fato, o vírus é transmitido; quais os grupos de risco e como a infecção se comporta em cada cidadão; quais os tratamentos mais promissores e eficientes; e como tomar medidas que sirvam para preservar a saúde da população ao mesmo tempo em que o sistema de saúde é reforçado e a economia segue girando, o caos tende a se instalar.

Nesse cenário, todos os dados gerados tanto em ambiente internacional quanto regionalmente são válidos para consolidar análises e fundamentar estratégias. Porém, não basta gerar dados, é preciso que essas informações estejam corretas e sejam analisadas por profissionais capacitados, como disse Evandro Tinoco, que mediou o debate, ao apresentar Shcolnik.

“De nada adianta coletarmos dados ruins ou, então, informações de instrumentos pouco confiáveis. Esse é o caminho para tomarmos decisões erradas”, pontuou Tinoco relembrando que há 60 dias a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia. “Falando em diagnóstico, quais testes efetivamente funcionam e o que temos de eficaz, hoje, no mercado brasileiro?”, direcionou o questionamento ao presidente da Abramed.

Shcolnik enfatizou que a pandemia que vivemos despertou, no setor de saúde, alguns questionamentos principais: a quantidade de leitos de UTI e o número de respiradores disponíveis para a população; a necessidade dos equipamentos de proteção individual para proteção da força de trabalho; e os exames laboratoriais, que habitualmente são utilizados pelos médicos para identificar fatores de risco, confirmar diagnóstico e orientar a tomada de decisões.

Além de explicar a diferença entre os exames para diagnóstico de COVID-19, citando o RT-PCR, exame molecular considerado o padrão ouro pela OMS, e os testes sorológicos capazes de identificar anticorpos em amostras dos pacientes, o presidente reforçou que o pior cenário seria termos, em mãos, resultados errados ou pouco confiáveis para que os médicos tracem suas estratégias e não termos colaboração entre todos os players para que os dados possam contribuir com a análise epidemiológica da doença no Brasil.

“Os testes rápidos – que não são autotestes como os exames de gravidez vendidos em farmácias – devem ser realizados em ambientes apropriados, por profissionais capacitados, que usem controles de qualidade. Caso contrário, teremos resultados questionáveis”, esclareceu. Um resultado falso negativo gerado pela realização de um teste rápido dentro da janela imunológica do paciente pode, por exemplo, criar uma falsa sensação de segurança. “Outra desvantagem é que no Brasil ainda não conseguimos atingir a interoperabilidade, ou seja, se tivermos exames de COVID-19 realizados dentro de empresas privadas, esses dados ficarão restritos a essa empresa, não serão compartilhados e, assim, não chegarão aos epidemiologistas que tentam compreender como a epidemia evoluiu no nosso país”, finalizou.

A fim de melhorar esse compartilhamento de informações, a Abramed investiu em uma interface com o Data SUS para que os exames para diagnóstico de COVID-19 realizados na rede privada chegassem ao Ministério da Saúde. “Sabemos que os dados oficiais são subnotificados, mas esse processo de compartilhamento está em curso e em um curto intervalo de tempo teremos uma explosão desses dados”, disse.

Questionado se os exames sorológicos, que identificam anticorpos, podem ser úteis como uma espécie de passaporte de imunidade, Shcolnik declarou: “nem a OMS tem essa resposta ainda. Sabemos que muitos desses anticorpos produzidos não são neutralizantes, ou seja, não nos protegem de uma segunda infecção caso ela ocorra. Temos muitas incertezas e poucas definições até o momento”.

Setor hospitalar – Para tratar sobre a rede hospitalar brasileira, o webinar contou com a participação de Marco A. Ferreira, CEO da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), que reforçou a importância da colaboração na luta contra a COVID-19. “Precisamos trabalhar juntos, estabelecer metas comuns a todos os nossos setores”, disse.

Para Ferreira, a pandemia trouxe luz a algumas necessidades brasileiras, entre elas a de recortar a quantidade de leitos de UTI por região, sem fazer uma análise generalizada no país; e a de criar uma cultura de análise de dados capaz de reunir informações relevantes levando-as para os tomadores de decisão. “Precisamos criar caminhos e, também, essa nova cultura. Enquanto entidades do setor, devemos investir em melhorias nesse processo”, pontuou.

Trazendo uma visão mais tecnológica do tema, Jorge Salluh, diretor e cofundador da Epimed Solutions, empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas para melhoria do desempenho dos hospitais nacionais, declarou que no Brasil mais de 1.100 unidades de terapia intensiva utilizam as ferramentas da Epimed para compartilhar informações. “Antes mesmo de registrarmos o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no Brasil já estávamos trabalhando em modelos que nos permitiriam apoiar os hospitais com dados gerados em nossas plataformas”, explicou. “O que fizemos foi aproveitar o fato de que levamos informações para o gestor que está na ponta, seja do hospital, da rede, ou mesmo da UTI, para que ele tenha uma visão epidemiológica e consiga compreender quando está chegando ao seu limite de ocupação, quando precisará de novos respiradores e em que momento conseguirá receber novos pacientes”, finalizou.

O webinar também contou com a participação de Thiago Constancio, CEO do MedPortal, que contribuiu com a moderação do debate e das perguntas enviadas pelos espectadores.

Investir em tecnologia e inovação agrega valor à medicina diagnóstica

Confira a entrevista com Fernando Gatz, executivo de Contas Internacionais da Quest Diagnostics do Brasil

11 de Maio de 2020

As empresas que atuam na área de saúde têm buscado a garantia da qualidade por meio do aumento da eficiência e da inovação. O avanço de tecnologias vem permitindo que exames de diagnóstico sejam realizados em grande escala, em menor tempo, com mais precisão e qualidade, prezando cada vez mais pela melhor assistência médica.

Para a Quest Diagnostics do Brasil, há mais de 20 anos em território nacional, o investimento em novas tecnologias e inovação é fundamental para agregar valor aos serviços prestados e se manter competitiva. “Com o cenário globalizado, é ainda mais importante para os laboratórios de medicina diagnóstica, até pelo o que vimos com a pandemia do novo coronavírus, desenvolver novas estratégias e tecnologia para melhor atender as demandas do mercado”, explica o executivo de Contas Internacionais da empresa, Fernando Gatz.

A seguir, ele destaca a importância dos avanços tecnológicos para o setor, os desafios enfrentados pelos laboratórios com a pandemia do novo coronavírus e a relevância da Abramed para a medicina diagnóstica.

Confira a entrevista!

Abramed em foco – Nos Estados Unidos, a Quest Diagnostics investe constantemente em pesquisa e desenvolvimento e conta com equipes médicas e científicas que se empenham no desenvolvimento de inovações para o setor de medicina diagnóstica. Como é a questão de investimentos em P&D da empresa no Brasil? Existe um polo brasileiro dedicado à inovação?

A Quest do Brasil é um laboratório de apoio para laboratórios de referência. As análises que recebemos nos laboratórios brasileiros são 100% enviadas para as nossas unidades nos Estados Unidos. Lá desenvolvemos novas estratégias de tecnologia e inovação para serem disponibilizadas para os outros mercados, inclusive o Brasil.   

Uma das coisas que faz com que a Quest tenha essas novas tecnologias é justamente a nossa presença no mercado global. Conseguimos, a partir das necessidades e demandas de diagnósticos em vários países, desenvolver novos testes. Também produzir outras aplicações trabalhando junto com os maiores fabricantes de equipamentos de diagnósticos.

Abramed em foco – Por que é importante acompanhar as evoluções tecnológicas na área da medicina diagnóstica?

A Quest Diagnostics tem foco na descoberta e fornecimento de insights e inovações no setor de diagnósticos e se tornou um fornecedor mundial líder nos serviços de informações de diagnósticos necessários na tomada das melhores decisões relacionadas à assistência à saúde.

As grandes empresas do setor no mundo têm buscado inovações que ampliem tanto o acesso quanto a personalização da medicina hoje praticada. E as tecnologias acabam por ser direcionadas para atender às necessidades de cada país.

Para atender ao mercado nacional, fornecemos tecnologia de informações e soluções de logística que possibilitam suporte integrado aos profissionais de saúde e seus pacientes. Trazemos esses avanços para o Brasil e temos ainda a possibilidade de transferência de inovação para os laboratórios que são nossos parceiros aqui.

Abramed em foco – Existe alguma dificuldade para trazer essas tecnologias para cá devido às regulamentações brasileiras? Como funciona esse processo?

Temos de passar pelos processo de regulamentação do Brasil, por isso que, às vezes, dependendo da demanda, ainda compensa mandar as amostras para que sejam processadas nos laboratórios nos Estados Unidos. Naquele país, apesar das regulamentações, assim como aconteceu agora com a pandemia do novo coronavírus, temos novas tecnologias em aprovação com a Food and Drug Administration (FDA).  

O que realmente falta para que o Brasil possa atingir o mesmo patamar dos países mais avançados em termos de inovação em medicina diagnóstica é a mudança de cultura e maior investimento em pesquisa e desenvolvimento. É preciso fomentar essa vertente transformando-a em uma tradição, investir em pesquisa e gerar conhecimento em saúde.

Abramed em foco – O mundo está vivenciando a pandemia do novo coronavírus. Nesse cenário, a Quest tem desempenhado um importante trabalho nos Estados Unidos, onde, no auge da crise, foi responsável por quase metade de todos os testes realizados no país. No Brasil, a empresa tem realizado exames para o diagnóstico de Covid-19? Como está sendo esse processo?

Nos Estados Unidos, os testes já estavam disponibilizados no mercado americano. Foi um processo muito rápido de adaptação da Quest até para poder absorver toda a demanda, que chegou a 50 mil testes por dia em vários laboratórios que temos espalhados naquele país. Recentemente, tivemos a autorização para oferecer esses exames aqui no Brasil.

Os testes de RT-PCR e para anticorpos já estão disponíveis aos laboratórios brasileiros que decidirem mandar suas amostras para as nossas unidades nos Estados Unidos. A logística está preparada para receber os exames brasileiros e estamos comunicando o mercado nacional sobre essa disponibilidade.

Abramed em foco – Um dos grandes desafios da pandemia para o setor de saúde é a logística. Como oferece o serviço de transporte das amostras do Brasil para os Estados Unidos, quais medidas foram adotadas pelo laboratório para continuar garantindo esse serviço?

Dispomos de profissionais muitos experientes nos processos logísticos para o envio das amostras. O que passamos a fazer foi monitorar mais de perto para criar um fluxo favorável. Continuamos garantido o mesmo prazo de transporte tanto para os testes para detecção de Covid-19 como para outros tipos de análises.  

Temos também uma logística para a coleta de amostras em um tempo bastante rápido direto nos clientes, com acomodação dos materiais em embalagens adequadas da própria Quest. Também centralizamos o envio dos exames pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Conseguimos garantir voos diários do Brasil para os Estados Unidos e, com isso, tudo está funcionando bem durante a pandemia. 

Abramed em foco – Nos Estados Unidos, o trabalho feito pela Quest Diagnostics foi um sucesso ao conseguir atender uma alta demanda de exames durante a pandemia. Como isso foi possível?

Foi possível pela liderança do nosso CEO, Stephen H. Rusckowski, juntamente com a expertise da Quest em ser muito capaz de processar um grande volume de testes, além da adaptação que foi realizada, pois logo no início da pandemia foi feito um processo de mudança de foco para atender a demanda desse tipo de exame.

Desde o começo da pandemia do novo coronavírus, a empresa já processou mais de um milhão e meio de testes RT-PCR. Também anunciou para o mercado americano a disponibilidade de exames de anticorpos para detecção da Covid-19.     

Abramed em foco – Na sua opinião, o que o setor de medicina diagnóstica brasileiro pode aprender com a pandemia do novo coronavírus?

Entendo que para setor de medicina diagnóstica, devido ao momento de emergência em saúde vivido no mundo, ainda vai ser necessário um tempo maior para dar esta resposta.

Com o cenário cada vez mais globalizado, uma das coisas que a Quest fez foi ter uma plano de ação para que assim que identificar uma situação de risco, ou de pandemia, como atualmente, consiga, por meio dos milhões de datapoints que possui na área de diagnóstico, mapear qual vai ser a demanda e qual a melhor maneira de receber as amostras. 

Acredito ser bastante importante para os laboratórios de medicina diagnóstica, até pelo o que vimos recentemente, desenvolver alianças estratégicas com os governos federal e estaduais para firmar parcerias. E mais importante ainda é entender e monitorar o que acontece em outros países, porque que vimos que não existe fronteiras de proteção para a propagação de novos agentes patogênicos.  

Abramed em foco – Como vê a importância da Abramed no cenário da saúde e para suas associadas?

Com certeza é uma instituição de alta relevância principalmente pelo nível dos profissionais que estão na direção da Associação, bem como pela rapidez e qualidade do nível de informações fornecidas que alertam para cenários futuros. São tantas questões que uma empresa privada não teria acesso e nem estrutura e organização para obter esses dados, que somente a Abramed  torna isso possível.

Hoje considero a entidade como o principal canal de comunicação do nosso segmento tanto com os associados como com o stakeholders brasileiros. Oferece também um alto nível de assessoria em setores que a medicina diagnóstica tanto precisa, como jurídico, regulação, entre outros, e isso se mostra de altíssimo valor.

Os associados reconhecem todo esse trabalho e sabem que é importante fazer parte da Abramed. 

Abramed em foco – Este ano, a Abramed comemora 10 anos. Como associado, o que a Quest do Brasil espera da Associação para a próxima década?

Tive o privilégio de estar na inauguração da Abramed há dez anos, embora, na época, trabalhasse na indústria da saúde, tendo migrado depois para o segmento de laboratórios. Acredito que os associados querem que o compromisso da entidade se mantenha, leve o segmento de medicina diagnóstica para uma situação de evidência e alcance maior de visibilidade entre os stakeholders e a população brasileira.

A medicina diagnóstica tem um papel muito importante na vida das pessoas, pois 70% das decisões médicas são baseadas em exames de diagnóstico, mas ainda somos um setor que precisa ter maior representatividade para ser considerado relevante no universo da atenção à saúde.

A decisão de se associar à Abramed mostra o interesse da Quest Diagnostics do Brasil em estar mais próxima dos demais laboratórios e dos outros segmentos da saúde.

Estratégia e assertividade são importantes para o gerenciamento de crise

Organizações precisam estar preparadas para antever riscos e reduzir prejuízos

11 de Maio de 2020

A volatilidade e as incertezas geradas por crises no mundo dos negócios podem, rapidamente, diluir as estratégias, os resultados, os ativos e a reputação das empresas. Estar preparado para esses momentos e, sobretudo, agir com velocidade e assertividade pode ser uma das poucas alternativas para a sobrevida das organizações durante e após períodos de crise.

Para Wanderson Jacinto, gerente de Auditoria Interna, Riscos e Compliance da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP) e membro do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), antes de tudo, é fundamental distinguir o que são desafios e situações do dia a dia, problemas, incidentes e crises. A diferença entre eles se dá pela complexidade do evento e pela dimensão do impacto nos negócios. “As crises têm características de maior dificuldade e incerteza, soluções são menos explícitas ou óbvias e impactos financeiro, operacional, legal e reputacional são realmente significativos. Por esta definição é possível dimensionar e imaginar o risco para as empresas que não se preparam e respondem adequadamente aos momentos de adversidade”, explica.

No âmbito corporativo, gerenciar crises refere-se ao esforço coordenado e estruturado que objetiva a redução de prejuízos e impactos em momentos de disrupção, sejam eles causados por motivadores internos ou externos. E a pandemia do novo coronavírus jogou luz sobre uma fragilidade importante e cultural de parte das empresas brasileiras: antever riscos e responder rapidamente a adversidades. “Seguir um passo a passo claro e objetivo para o gerenciamento de crises é importante para que a tarefa não se torne mais uma preocupação ou um gatilho que desencadeie novos incidentes ou novos problemas institucionais”, argumenta Jacinto.

Primeiramente, para ele, deve-se encarar que a crise é real, requer medidas extraordinárias e atenção não usual, além de tranquilidade para a tomada de decisões assertivas que não aumentem ainda mais os custos e as despesas durante o período de adversidades e enfretamento de problemas.

O segundo passo é criar e empoderar um comitê multidisciplinar para desenhar as ações de enfrentamento à crise, responsável por recomendar ou, a depender da governança e autonomia estabelecida, aprovar medidas e ações a serem implantadas. “As crises desafiam as estratégias, as dinâmicas e os processos definidos, por isso é fundamental definir os papéis e as responsabilidades dessa comissão e de seus integrantes, além de decidir se o grupo atuará de forma estratégica ou terá extensão tática e operacional na implantação das ações”, esclarece o gerente da BP.

Outro fator muito importante na criação e atuação deste comitê é a velocidade com que ele irá trabalhar e sua composição. Jacinto sugere a participação de profissionais de recursos humanos, financeiro, jurídico, suprimentos, compliance, operações e de outras áreas, se houver necessidade e a depender do tamanho da estrutura organizacional. Cabe ao comitê a análise dos cenários e proposição de estratégias para gerenciar o período de crise.

A periodicidade com que o comitê vai se reunir também é importante para que discussões ocorram e decisões sejam tomadas tempestivamente. Para tanto, devem ser mantidas agendas diárias que atualizem os temas relevantes e definam as próximas ações.

A análise rápida dos cenários que a crise provoca na organização e brainstorming de soluções estratégicas criativas para diminuir a exposição da empresa é o terceiro passo, na visão de Wanderson Jacinto. “O foco precisa estar no núcleo do negócio, mas sem esquecer que crises provocam impactos permanentes na sociedade, mudam hábitos de consumo, preferências, adicionam e excluem concorrentes e fornecedores, mudam a relação de trabalho”, alerta, lembrando que, para garantir a sustentabilidade da empresa, é necessário adotar-se visão de médio e longo prazos para o enfrentamento da crise, e não apenas ações imediatistas.

A natureza e a abrangência do escopo das discussões da comissão multidisciplinar, explica o gerente da BP, dependerão de senioridade, conhecimento técnico e autonomia atribuída ao grupo. Sendo assim, é possível avaliar a contratação de especialistas ou consultorias para apoio pontual ou integral no gerenciamento da crise. “Uma dica interessante é a possibilidade de contratação de consultorias remuneradas pela modalidade success fee, na qual o contratado é remunerado apenas quando há ganho financeiro evidenciado e mensurável pelas ações sugeridas”, recomenda Jacinto.

Agilidade nas ações

Assim como as decisões, a implementação das ações precisa de celeridade e tempestividade para saírem do papel, pois, em períodos de crise, os cenários e os riscos mudam constantemente e rapidamente, e a solução criativa de ontem pode ser obsoleta amanhã. Esse é o quarto passo no gerenciamento de crise para o gerente da BP e membro do GEC da Abramed.

Uma importante ferramenta para monitorar a efetividade e assertividade das ações é a criação e o acompanhamento de indicadores e métricas por meio de painéis para monitorar os resultados. “Além de facilitar a condução de discussões e reuniões, tangibilizar os problemas e medir o sucesso das ações implementadas, os indicadores permitem mensurar a evolução do impacto da crise no negócio ao longo do tempo, ou seja, como a empresa está, de fato, passando pela adversidade”, explica Wanderson Jacinto.

A criação e manutenção de um plano robusto de comunicação é mais uma etapa importante no processo de gerenciamento de crise e é fundamental que ele seja implementado desde o início. Em épocas de incertezas e turbulências é comum que haja desalinhamento entre acionistas, colaboradores, fornecedores, clientes e credores, assim, na era de fake news, redes sociais e compartilhamento em massa, segundo Jacinto, é primordial garantir que apenas informações íntegras e estratégicas indiquem o posicionamento da empresa, a situação atual real e as projeções futuras. “Como qualquer plano de comunicação, este precisa ser claro, objetivo, customizado para cada público, inclusive o interno (colaboradores e terceiros), bem como possuir formas de garantir que a mensagem foi repassada sem ruídos ou interpretações equivocadas”, destaca o gerente. Para ele, caso não se tenha definido um porta-voz da instituição, este é o momento para nomeá-lo.

O último passo da gestão de crise refere-se ao plano de recuperação pós-crise. “A história nos mostra que a única certeza possível durante o período difícil é que, em algum momento, tudo vai passar. Por isso, não se pode negligenciar o momento pós-crise para não comprometer a rentabilidade e a sustentabilidade do negócio”, ressalta Jacinto.

A proposta é um plano de recuperação que pode ser direcionado pelo próprio comitê de gerenciamento de crise. Desenho de planos para alavancagem financeira, retomada operacional, análises forenses e auditorias internas para identificação de desvios ou revisão de processos, respostas satisfatórias a reclamações de clientes, resolução de litígios e de eventuais questionamentos ou fiscalizações de reguladores, planos de sucessão e revisão de quadro de colaboradores são alguns dos exemplos de ações propostas pelo gerente da BP. Mantendo a calma, entendendo o momento oportuno de agir e cumprindo essas etapas, Wanderson Jacinto acredita que é possível auxiliar seu negócio a responder de forma mais assertiva e precisa à volatilidade e às incertezas geradas por uma crise. Ele também acha imprescindível avaliar as lições aprendidas, os erros e os acertos durante o enfrentamento das adversidades. “Assim é possível desenvolver o seu próprio passo a passo para gerenciar eventuais futuras crises, elaborando e implementando uma política ou um procedimento customizado e alinhado com a natureza, a complexidade e o tamanho do seu negócio”, finaliza.

Força-tarefa valida testes de COVID-19

Projeto visa garantir a segurança da população ao verificar quais testes geram resultados confiáveis

11 de Maio de 2020

No Brasil, o setor de medicina diagnóstica se uniu em uma força-tarefa que está validando testes sorológicos para diagnóstico de COVID-19 registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Graças a parceria entre a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a ação já está executando as análises e disponibilizando os relatórios das validações.

Inédito no mundo, o projeto – que tem foco especial nos testes rápidos – surgiu devido à grande preocupação das entidades com kits pouco confiáveis. “Todos os métodos que estão chegando ao Brasil precisam ser validados para que tenhamos segurança dos procedimentos. As indústrias fabricantes podem submeter seus testes para nossas análises e, assim, tornaremos público o desempenho de cada uma delas”, explica Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed. Os resultados são publicados no portal www.testecovid19.org.

Os testes utilizados pelo Ministério da Saúde no setor público são validados pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), da FioCruz. Já outros testes que podem ser adquiridos por empresas privadas não passam pela validação do INCQS e podem não ter a qualidade esperada. Com a força-tarefa, o Brasil visa evitar problemas já enfrentados em outros países como, por exemplo, a Espanha que importou milhares de testes e, ao iniciar sua aplicação, percebeu que tinham sensibilidade muito baixa e não deveriam ser utilizados.

Para Carlos Eduardo Ferreira, presidente da SBPC/ML, o país ter uma listagem com os testes validados é extremamente importante no combate à pandemia. “Temos grande preocupação com a qualidade dos diferentes kits que chegam ao mercado nacional, por isso a importância desse projeto. Assim, podemos prover informações para garantir a segurança dos pacientes”, declara.

Em uma crise de saúde, a medicina diagnóstica assume um papel de alta relevância. Tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou que um dos melhores caminhos para o combate à COVID-19 era testar o maior número possível de pessoas. “O diagnóstico tem múltiplos papeis e, em uma situação de emergência, ajuda a guiar ações de saúde pública e medidas de controle. Para a vigilância epidemiológica, trabalha no monitoramento das tendências e da efetividade das estratégias e intervenções adotadas pelo Estado”, complementa Carlos Eduardo Gouvêa, presidente executivo da CBDL.

O Brasil segue na fase ascendente da curva de contaminação pelo novo coronavírus e os testes sorológicos, que identificam os anticorpos em uma amostra sanguínea e apresentam grande variabilidade de eficiência, serão ainda mais relevantes quando nos aproximarmos da segunda fase da pandemia. É o que explica Luiz Fernando Barcelos, presidente da SBAC. “Esses testes para pesquisa de anticorpos de COVID-19 serão especialmente úteis quando a curva da doença for descendente, permitindo a correta avaliação do panorama epidemiológico da população brasileira”, diz.

Participação dos laboratórios privados

Além das entidades do setor, diversos laboratórios privados com grande expertise e excelente infraestrutura se uniram para operacionalizar a validação desses testes. Até o momento, participam do projeto Dasa, DB – Diagnósticos do Brasil, Albert Einstein Medicina Diagnóstica, Emilio Ribas Medicina Diagnóstica, Grupo Fleury, Hermes Pardini e Sabin.

Todos os laboratórios participantes atendem a rede hospitalar brasileira e podem contribuir grandiosamente com a validação dos testes por terem acesso rápido às amostras de pacientes internados e com confirmação de infecção pelo novo coronavírus por meio do exame RT-PCR (padrão ouro para diagnóstico de COVID-19 durante a fase aguda da doença).

“Esses laboratórios podem utilizar amostras retiradas de pacientes durante todo o ciclo da infecção, ou seja, podem validar os testes considerando diferentes etapas da doença”, explica Shcolnik.

Seguindo um protocolo técnico criado pelas sociedades científicas, os laboratórios podem checar diferentes metodologias diagnósticas como testes rápidos imunocromatográficos; Point of Care, exames que não são realizados em laboratórios centrais como, por exemplo, os utilizados nos pronto-atendimentos; e ELISA e fluorimetria, métodos quantitativos que determinam o nível de anticorpos nas amostras e, portanto, são úteis para verificar quem está imunizado e pode circular sem risco.

Esse trabalho é de extrema relevância para a segurança populacional, como destaca Gustavo Campana, diretor médico da Dasa. “Definimos, por meio da análise de um grande número de amostras, qual o desempenho analítico desses testes, ou seja, apontamos para qual situação cada um deles funciona, como seus resultados devem ser interpretados e quais os riscos de falsos negativos ou falsos positivos que eventualmente podem ser encontrados”, detalha.

Para Maria Carolina Tostes Pintão, hematologista e coordenadora médica de Pesquisa & Desenvolvimento do Grupo Fleury, é muito positivo ter tantos laboratórios unidos nessa força-tarefa que envolve, inclusive, o compartilhamento de dados. “A iniciativa é valiosa pois temos observado uma variação muito grande na qualidade dos testes sorológicos. Chegamos a analisar um kit que de 14 amostras positivas, identificou apenas uma, gerando vários resultados falso negativos. Esse é um caso extremo, mas que reforça a importância de termos esse processo de validação”, comenta.

Elencando algumas das falhas identificadas em testes sorológicos, Guilherme Collares, diretor de Operações do Hermes Pardini, reforça que validar o teste é garantir a segurança da população. “A nossa experiência mostra que realmente há uma discrepância muito grande de performance entre os diferentes fornecedores. Vemos alguns com desempenho muito bom, mas também observamos testes com desempenho ruim, com baixa sensibilidade – principalmente nos primeiros dias da infecção, quando o corpo ainda não produziu anticorpos detectáveis – e até baixa especificidade. E temos visto uma frequência preocupante de resultados falso positivos”, declara.

Representando o Sabin, que também disponibilizou sua infraestrutura e força de trabalho para validar os testes de COVID-19, o diretor técnico Rafael Jácomo reforça que nunca é tarde para prover soluções que prezem pela qualidade do diagnóstico no país. “Não conseguiremos reverter os danos de testes pouco confiáveis e que já foram utilizados, mas podemos levantar informações muito relevantes para quem vai utilizar esses exames a partir de agora e busca os resultados adequados”, pontua.

Considerando que muitas empresas podem adquirir testes sorológicos para identificar quais os colaboradores que já tiveram contato com o novo coronavírus, traçando estratégias para a retomada das atividades, Jácomo enfatiza que essa fase exige cuidado. “Importante lembrar que a orientação é de que o exame seja feito com pedido médico, pois um resultado negativo pode ter vários significados. Qual a estratégia, por exemplo, das empresas na hora de testar seus colaboradores? Eles aguardaram um resultado positivo ou um resultado negativo para que cada um possa reassumir seu posto? A literatura existente ainda não nos permite responder a essa pergunta”, finaliza.

Contribuição internacional

Paralelamente à contribuição para o controle da COVID-19 no Brasil, o projeto também gerará importantes dados para estudos internacionais. Esses estudos, promovidos pelo International Diagnostic Centre (IDC) da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e pela Aliança Latinoamericana para o Desenvolvimento do Diagnóstico in Vitro (ALADDIV) em cooperação com a União Europeia e a OMS, somarão esforços para o que é chamado de “preparedness”, ou seja, a necessidade dos países estarem preparados para lidar com pandemias tanto do ponto de vista regulatório quanto de acesso.

Anvisa libera realização de testes rápidos em farmácias e drogarias

Para entidades do setor, ação somente será benéfica para a população se todas as recomendações de segurança forem seguidas e se houver fiscalização

07 de Maio de 2020

No dia 28 de abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a proposta de realização de testes rápidos para diagnóstico de COVID-19 em farmácias e drogarias, medida que acendeu um alerta. Apoiando ações focadas em ampliar o acesso da população aos testes desde que a segurança fosse priorizada em todo o processo de execução dos exames, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) assinou um ofício junto com a Associação Brasileira de Biomedicina (ABBM), a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), demonstrando preocupação com a liberação.

“É preocupante a comercialização de testes rápidos em farmácias e drogarias. Primeiramente, ainda são poucos os testes que tiveram validação de qualidade atestados. Além disso, é fundamental que boas práticas laboratoriais sejam adotadas por esses estabelecimentos, assegurando dessa forma a segurança do paciente”, explica Priscilla Franklim Martins, diretora executiva da Abramed.

Um dia depois da autorização, em 29 de abril, foi publicada no Diário Oficial da União a RDC nº 377/2020, que explicita, em um parágrafo único, que para ofertar os testes de COVID-19, as farmácias e drogarias devem atender aos requisitos técnicos de segurança estabelecidos pelas autoridades de saúde e listados na RDC n° 302/2005, que dispõe justamente sobre as regulamentações técnicas para o funcionamento dos laboratórios clínicos. 

Dessa forma, algumas das preocupações das entidades foram neutralizadas, já que se entende que as farmácias e drogarias que optarão por fornecer os testes rápidos para diagnóstico de COVID-19 terão de seguir as mesmas regras já seguidas pelos laboratórios. “Esse é um ponto muito relevante, principalmente pois há na literatura evidências científicas que apontam erros analíticos cometidos durante a realização desses testes”, diz Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Para que os resultados sejam confiáveis e realmente reforcem o combate ao novo coronavírus no território brasileiro, além de ter uma área isolada para receber esses pacientes e seguir as melhores práticas para descarte de resíduos, os estabelecimentos precisam garantir profissionais habilitados para a execução dos exames, ou seja, que sigam recomendação clínica e façam o cadastro adequado do paciente; sigam todos os procedimentos indicados na bula; executem os controles internos e externos de qualidade; efetuem a leitura adequada do resultado e disponibilizem o laudo. “Sem essa garantia, há riscos de resultados imprecisos, com possíveis ameaças à segurança dos pacientes”, completa Shcolnik.

Outro ponto destacado pelas entidades está no fato de que os resultados dos exames de COVID-19 obrigatoriamente devem ser informados às autoridades sanitárias. O valor da realização desses testes sem que essa comunicação esteja assegurada é limitado e questionável como ação integrativa do plano de combate à pandemia. “Esperamos que as vigilâncias sanitárias municipais ou estaduais possam exercer efetiva fiscalização em benefício da saúde pública e da segurança dos cidadãos brasileiros”, finaliza Priscilla.

Diagnóstico de COVID-19 – Wilson Shcolnik responde principais dúvidas

06 de Maio de 2020

Em dezembro de 2019 a China disparou um primeiro alerta sobre uma pneumonia desconhecida e, desde então, todos os sistemas de saúde no mundo vêm enfrentando inúmeros desafios. Reconhecendo que o diagnóstico é parte fundamental da estratégia de combate à pandemia do novo coronavírus, os investimentos em novos testes são globais. Porém, a corrida contra o tempo – e contra a COVID-19 – desperta muitas dúvidas.

Para auxiliar nessa compreensão, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) conta com a expertise de Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da entidade, para sanar os principais questionamentos sobre os exames capazes de identificar quem está ou não infectado.

Confira abaixo:

O Brasil se atrasou para iniciar o diagnóstico?

Wilson Shcolnik – Não. Precisamos lembrar que essa é uma doença que não existia até o final de 2019. Portanto,  quando o novo coronavírus surgiu, nenhum país no mundo estava preparado para enfrentá-lo. Logo que o surto chegou ao Brasil, alguns poucos laboratórios públicos e  laboratórios privados iniciaram uma movimentação para desenvolvimento in house dos primeiros exames moleculares para diagnóstico da COVID-19. Na sequência, a indústria fornecedora dos insumos, tanto nacional quanto internacional, também otimizou sua produção para suprir a demanda mundial. Agora, o mundo está trabalhando na validação de testes sorológicos para identificação de anticorpos e o Brasil segue acompanhando essa movimentação.

Por que o Brasil não testa toda a população sendo que essa é a recomendação da OMS?

Wilson Shcolnik – Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que os países testassem todo mundo, ela partiu de um cenário que seria o ideal. Porém, a própria Organização destacou a importância dessa recomendação ser contextualizada, reconhecendo que todos os países deviam compreender suas realidades para aplicar a melhor estratégia.

No Brasil temos uma população de quase 210 milhões de pessoas, o que nos difere, por exemplo, da Coreia do Sul, com aproximadamente 50 milhões de habitantes. Quando a curva de contaminação começou a subir, aumentando a demanda pelos testes, prontamente o Ministério da Saúde mudou sua abordagem direcionando os exames exclusivamente aos hospitais para pacientes sintomáticos graves. Essa atitude contribui para o melhor atendimento à população.

Agora que os testes sorológicos estão sendo fabricados e disponibilizados, o Brasil mais uma vez está traçando uma rápida estratégia para que esses testes sejam aplicados de forma segura e eficiente para o combate à pandemia de COVID-19, lembrando que mais uma vez esses exames devem ser priorizados a profissionais de saúde que precisam reassumir seus postos de trabalho e garantir o atendimento às pessoas infectadas. Secundariamente, servirão para inquéritos epidemiológicos que fornecerão informações para a liberação do distanciamento social.

Qual a diferença entre os testes?

Wilson Shcolnik – A principal diferença entre o teste molecular e o teste sorológico é o que é detectado. O RT-PCR é um teste molecular de alta complexidade capaz de identificar o RNA do vírus em uma amostra colhida com um cotonete prioritariamente nas mucosas respiratórias do paciente. É o teste apontado como padrão-ouro pela OMS por ter um resultado altamente seguro e conseguir identificar a doença no início da infecção.

Já o teste sorológico, categoria na qual estão inseridos os testes rápidos, detecta os anticorpos em amostras de sangue. Isso significa que sua eficiência depende tanto da qualidade do kit de diagnóstico quanto da realização seguindo as melhores práticas laboratoriais e respeitando a janela imunológica que varia de indivíduo para indivíduo e cuja média é de 8 dias do aparecimento dos sintomas.

Posso comprar um teste na farmácia e fazer em casa?

Wilson Shcolnik – Não. Não existe autoteste para diagnóstico de COVID-19. Tanto o RT-PCR quanto o teste sorológico, inclusive o teste rápido, devem ser realizados seguindo as melhores práticas laboratoriais, sempre com a supervisão de um profissional de saúde habilitado. Recentemente, a Anvisa autorizou a realização dos testes rápidos em farmácias e drogarias, o que significa que o cidadão comum poderá fazer o teste nesses ambientes, porém reforçamos que é fundamental que assim como feito nos laboratórios, os testes nas farmácias sigam as recomendações da Anvisa e das sociedades médicas para garantir resultados confiáveis e a segurança da população.

Todos os testes são confiáveis?

Wilson Shcolnik – Os kits de diagnóstico são produzidos por fabricantes nacionais e internacionais e precisam de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e validação. Os testes utilizados no sistema público são validados pelo Ministério da Saúde por meio do Instituto Nacional de Controle e Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz). Já os testes utilizados na saúde suplementar poderão ser validados por uma força-tarefa realizada pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial (SBPC/ML) em parceria com a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL). Nesse caso, a expertise de laboratórios privados está sendo aplicada para a checagem de eficiência e segurança desses exames e a lista com os resultados será disponibilizada em breve ao público.

Posso ir a um laboratório e pedir para fazer o teste?

Wilson Shcolnik – A recomendação é que os exames de diagnóstico de COVID-19 sejam solicitados pelos médicos, profissionais com a competência necessária para avaliar cada caso e definir a necessidade ou não de diagnóstico laboratorial. Se você tiver tosse e febre, por exemplo, a recomendação é que permaneça em casa, em repouso, se alimentando bem e, principalmente, em isolamento. Caso apresente falta de ar, deve procurar uma unidade de saúde.

Abramed continua sendo grande destaque na imprensa

Projeto de validação de exames de Covid-19 e a importância dos pacientes continuarem fazendo seus exames foram pauta

04 de Maio de 2020

O grande volume de notícias transmitidas na mídia durante a pandemia do novo coronavírus é um reflexo da importância do papel da imprensa em momentos de crise. Nesse período, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) tem contribuído ativamente para que os veículos de comunicação brasileiros levem informações devidamente apuradas e de interesse público à sociedade. A entidade tem canal aberto de comunicação com a imprensa e atua como fonte segura para tratar temas que envolvem a atuação e os anseios dos laboratórios privados associados a Abramed no combate à Covid-19, como assuntos que envolvem os testes de diagnóstico da doença.

Em abril, a Abramed esteve novamente sob destaque da grande mídia ao abordar a validação dos testes rápidos que estão sendo utilizados no país. A equipe de jornalismo do Fantástico conversou com a diretora-executiva da Abramed, Priscilla Franklim Martins, que falou sobre o projeto inédito que une laboratórios brasileiros privados para validar testes de Covid-19 a fim de garantir a segurança da população e confiabilidade de exames que chegam ao mercado nacional.

Com a preocupação de evitar a utilização de metodologias pouco confiáveis, a Abramed, Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) se uniram em prol desse projeto. Esta é a primeira vez que um trabalhodeste porte está sendo realizado no mundo e, com ele, o Brasil buscar evitar problemas já enfrentados por outros países. O jornalismo da Época Negócios também conversou Abramed para tratar esse tema.

A edição nº 2623 da ISTOÉ, publicada no dia 17 de abril, trouxe em sua capa a matéria sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus no sistema de saúde brasileiro. Em entrevista, a diretora-executiva da Abramed destacou que a demanda por esses testes cresceu muito no país e no mundo, trazendo para os laboratórios alguns desafios, como a falta de reagentes para a realização dos exames. “O teste é muito importante e deveríamos testar 100% da população, mas diante da escassez precisamos gerenciar estoques”, disse Priscilla ao veículo.

Já a edição impressa do dia 27 de abril da Folha de S. Paulo publicou matéria sobre o impacto da pandemia do novo coronavírus na saúde brasileira e, para contextualizar a Medicina Diagnóstica nesse cenário, o veículo conversou com Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, que falou sobre a lenta recuperação desse setor. “Coletas domiciliares cresceram muito, mas não os exames de imagem, que exigem deslocamento até as unidades”, disse à Folha.

O Jornal Nacional divulgou, no dia 27 de abril, reportagem sobre o percentual preocupante de amostras descartadas de exames de Covid-19 devido a erros de armazenamento e transporte. “Nessa testagem, principalmente em um período de pandemia, onde existe uma crise grande de fornecimento de insumos, é muito importante que a gente siga práticas muito estritas de manipulação e testagem para que a gente reduza ao máximo o número de amostras descartadas nesse processo”, disse Priscilla ao telejornal.

No dia seguinte, 28 de abril, o JN exibiu ofício  assinado pela Abramed, ABBM, CNSaúde, SBAC e SBPC/ML sobre a preocupação quanto a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da venda de testes rápidos para o diagnóstico de Covid-19 em farmácias e drogarias durante a pandemia. A pauta também foi tema no Valor Econômico, no dia 29 de abril, e contou com a participação da diretora-executiva da associação.

A atuação dos laboratórios privados em meio a pandemia do novo coronavírus também foi destaque no  Valor Econômico. O veículo falou, em matéria publicada também no dia 29 de abril, sobre a agilidade dos laboratórios na produção de testes moleculares para o diagnóstico da Covid-19, fruto do contínuo investimento em inovação e pesquisa realizado pelas empresas do setor. “Algumas empresas que contam com capacidade técnico-operacional foram capazes de responder rapidamente, reunindo biomédicos e patologistas para desenvolver testes, antes mesmo que a indústria farmacêutica conseguisse ofertar ao mercado kits comerciais”, disse Priscilla.

Já em Maio, a diretora-executiva da Abramed, Priscilla Franklim Martins, falou à Rádio Jovem Pan sobre a importância de doentes crônicos continuarem seus tratamentos durante a pandemia. “Pessoas com doenças pré-existentes precisam continuar os seus tratamentos e isso inclui continuar os exames prescritos pelos seus médicos”, destacou a executiva.